in TSF
As Nações Unidas apelam à liberdade de circulação e proteção dos milhares que fogem à guerra na capital do país.
A porta-voz da ONU lançou esse apelo em Genebra, sublinhando que pelo menos 36 mil pessoas estão a procurar abrigo junto de campos das Nações Unidas e noutros locais na área da cidade de Juba.
Alessandra Vellucci diz que esse acesso é no entanto muito difícil e inseguro por causa dos combates que prosseguem. A entrada nos campos da ONU está a ser bloqueada aos civis que, sem essa alternativa, se refugiaram em escolas e igrejas sem água e condições sanitárias.
Para tentar remediar a situação, a Organização Mundial de Saúde tenta fazer chegar a esses locais kits de apoio básico.
Entretanto, o Alto Comissariado para os refugiados pediu aos países vizinhos do Sudão do Sul que abram as fronteiras às populações que procuram asilo. O ACNUR diz também que se está a preparar para um cenário de grandes vagas de refugiados.
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12.7.16
20.6.16
Número de deslocados no mundo atinge recorde de 65 milhões
in RR
Uma em cada 113 pessoas no planeta está hoje numa situação de deslocado interno ou é um refugiado, segundo a ONU.
O número de deslocados no mundo atingiu um novo recorde: 65,3 milhões de pessoas foram forçadas a deixar as suas casas até final de 2015, anunciou a ONU.
"Esta foi a primeira vez que o limiar dos 60 milhões foi ultrapassado", disse o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
Os números, divulgados no Dia Mundial do Refugiado, sublinham factores de pressão que alimentam uma crise global sem precedentes.
Os conflitos na Síria, Afeganistão, Burundi e no Sudão do Sul fizeram aumentar o número de refugiados para 21, 3 milhões, metade dos quais crianças.
Por outro lado, ao mesmo tempo que conflitos e perseguições forçam cada vez mais pessoas a fugir, emerge um sentimento anti-migrantes que reduz a vontade política para realojar refugiados, de acordo com o alto-comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi.
"O que está hoje a ser testado é a disponibilidade das nações para trabalharem em conjunto, não apenas pelos refugiados, mas pelo interesse humano colectivo", disse, em comunicado.
O número de pessoas deslocadas globalmente aumentou em 5,8 milhões em 2015, de acordo com os dados da ONU. Em 2014 era 59.5 milhões.
Uma em cada 113 pessoas no planeta está actualmente numa situação de deslocado interno ou é um refugiado, segundo a ONU.
Os números marcam um "nível de risco para o qual a ACNUR não tem precedente", disse a agência, sublinhando que o número de pessoas deslocadas é agora superior ao da população do Reino ou da França.
Uma em cada 113 pessoas no planeta está hoje numa situação de deslocado interno ou é um refugiado, segundo a ONU.
O número de deslocados no mundo atingiu um novo recorde: 65,3 milhões de pessoas foram forçadas a deixar as suas casas até final de 2015, anunciou a ONU.
"Esta foi a primeira vez que o limiar dos 60 milhões foi ultrapassado", disse o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
Os números, divulgados no Dia Mundial do Refugiado, sublinham factores de pressão que alimentam uma crise global sem precedentes.
Os conflitos na Síria, Afeganistão, Burundi e no Sudão do Sul fizeram aumentar o número de refugiados para 21, 3 milhões, metade dos quais crianças.
Por outro lado, ao mesmo tempo que conflitos e perseguições forçam cada vez mais pessoas a fugir, emerge um sentimento anti-migrantes que reduz a vontade política para realojar refugiados, de acordo com o alto-comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi.
"O que está hoje a ser testado é a disponibilidade das nações para trabalharem em conjunto, não apenas pelos refugiados, mas pelo interesse humano colectivo", disse, em comunicado.
O número de pessoas deslocadas globalmente aumentou em 5,8 milhões em 2015, de acordo com os dados da ONU. Em 2014 era 59.5 milhões.
Uma em cada 113 pessoas no planeta está actualmente numa situação de deslocado interno ou é um refugiado, segundo a ONU.
Os números marcam um "nível de risco para o qual a ACNUR não tem precedente", disse a agência, sublinhando que o número de pessoas deslocadas é agora superior ao da população do Reino ou da França.
9.6.16
Mediterrâneo mortal. Mais de 10 mil mortos desde 2014
In "Rádio Renascença"
Balanço é avançado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Só este ano 2.814 pessoas já morreram no mar.
Mais de 10 mil migrantes morreram no Mediterrâneo ao tentarem alcançar a Europa desde 2014, informou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
"Tivemos desde o início de 2014 - quando aconteceu este fenómeno do aumento dos números no Mediterrâneo - 10.000 mortos. Este limiar foi ultrapassado nos últimos dias", disse o porta-voz do ACNUR Adrian Edwards aos jornalistas em Genebra.
Segundo o ACNUR, 3.500 pessoas morreram quando tentavam atravessar o Mediterrâneo em 2014, 3.771 morreram nas mesmas circunstâncias o ano passado e 2.814 já este ano.
Por seu turno, a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que não depende da ONU, calcula que desde o início de 2016 se tenham registado 2.809 mortes no Mediterrâneo, contra 1.838 mortos durante o primeiro semestre de 2015.
Desde o início do ano e até 5 de Junho, segundo a mesma organização, chegaram à Europa por mar - à Grécia, a Chipre e a Espanha - 206.400 migrantes.
No domingo, a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho informou que a sucessão de naufrágios de embarcações com migrantes no Mediterrâneo nos últimos 10 dias tinha causado 890 mortos.
No total, 1.086 pessoas terão desaparecido ou ter-se-ão afogado nas águas do Mediterrâneo só no mês de Maio, o que, contudo, não dissuade as pessoas de todos os dias tentarem fazer a travessia.
Balanço é avançado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Só este ano 2.814 pessoas já morreram no mar.
Mais de 10 mil migrantes morreram no Mediterrâneo ao tentarem alcançar a Europa desde 2014, informou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
"Tivemos desde o início de 2014 - quando aconteceu este fenómeno do aumento dos números no Mediterrâneo - 10.000 mortos. Este limiar foi ultrapassado nos últimos dias", disse o porta-voz do ACNUR Adrian Edwards aos jornalistas em Genebra.
Segundo o ACNUR, 3.500 pessoas morreram quando tentavam atravessar o Mediterrâneo em 2014, 3.771 morreram nas mesmas circunstâncias o ano passado e 2.814 já este ano.
Por seu turno, a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que não depende da ONU, calcula que desde o início de 2016 se tenham registado 2.809 mortes no Mediterrâneo, contra 1.838 mortos durante o primeiro semestre de 2015.
Desde o início do ano e até 5 de Junho, segundo a mesma organização, chegaram à Europa por mar - à Grécia, a Chipre e a Espanha - 206.400 migrantes.
No domingo, a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho informou que a sucessão de naufrágios de embarcações com migrantes no Mediterrâneo nos últimos 10 dias tinha causado 890 mortos.
No total, 1.086 pessoas terão desaparecido ou ter-se-ão afogado nas águas do Mediterrâneo só no mês de Maio, o que, contudo, não dissuade as pessoas de todos os dias tentarem fazer a travessia.
12.4.16
António Costa na Grécia: é necessária “mais Europa” para resolver situação dos migrantes
Fábio Monteiro, in "Expresso"
Estão previstos encontros formais do primeiro-ministro com o seu homólogo Alexis Tsipras e com o Presidente Prokópis Pavlópoulos. Costa vai ainda visitar um campo de refugiados de Eleonas, em Atenas
A crise migratória só se resolve com "mais Europa", diz António Costa em entrevista ao jornal grego "Ekathmerini". Esta segunda-feira, o primeiro-ministro português vai estar na Grécia. Estão previstos encontros formais com o primeiro-ministro Alexis Tsipras e com o Presidente grego Prokópis Pavlópoulos.
"Acreditamos que a solução para as nossas preocupações comuns que enfrentamos requer mais Europa e não menos Europa, e, nesse processo, não deve haver frentes de alguns países contra ou a favor de outros", diz António Costa ao "Ekathmerini."
Questionado sobre se o anúncio da intenção de Portugal receber mais migrantes do que os que tinha inicialmente previsto foi feito para obter uma maior margem negocial com a Europa, Costa negou que essa fosse a razão, dizendo que se trata da "coisa mais correta a fazer".
"A complexidade dos problemas que o mundo está a enfrentar não permite que Portugal, Grécia ou até a Alemanha abordá-los de forma unilateral ou isolada", afirma.
Esta é a primeira visita oficial de António Costa à Grécia. Durante o dia irá deslocar-se ao campo de refugiados de Eleonas, em Atenas. Numa visita que tem como tema central a questão dos refugiados e que resulta de um convite feito por Tsipras, Costa estará na capital grega acompanhado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros Augusto Santos Silva e da Administração Interna Constança Urbano de Sousa.
Além de reuniões de carácter institucional com o Presidente e com o primeiro-ministro gregos, seguir-se-á uma conferência de imprensa conjunta com Alexis Tsipras. Ao início da tarde, Costa visitará o campo de refugiados de Eleonas, em Atenas, visita sugerida pelas autoridades gregas, tendo como razões principais questões de segurança e a proximidade face ao centro de Atenas, avança uma fonte do Executivo português.
De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o campo de Eleonas, a cinco quilómetros do centro de Atenas, criado pelo atual executivo grego, é considerado um dos melhores do país.
Apesar de Portugal estar geograficamente distante das principais rotas dos refugiados, António Costa tem vindo a colocar desde o início do seu mandato este tema no topo das suas prioridades, no que à política europeia diz respeito. Em fevereiro, durante a sua visita oficial à Alemanha, disponibilizou-se junto da chanceler alemã Angela Merkel, no apoio à integração de refugiados. Nesse mesmo mês, o primeiro-ministro português enviou também cartas a homólogos de alguns dos Estados-membros mais pressionados pelos fluxos migratórios (Grécia, Itália, Áustria e Suécia) disponibilizando-se para receber mais cerca de 5800 refugiados, além da quota comunitária.
Deste modo, Portugal poderá vir a acolher, no total, um número próximo de 10 mil refugiados.
Estão previstos encontros formais do primeiro-ministro com o seu homólogo Alexis Tsipras e com o Presidente Prokópis Pavlópoulos. Costa vai ainda visitar um campo de refugiados de Eleonas, em Atenas
A crise migratória só se resolve com "mais Europa", diz António Costa em entrevista ao jornal grego "Ekathmerini". Esta segunda-feira, o primeiro-ministro português vai estar na Grécia. Estão previstos encontros formais com o primeiro-ministro Alexis Tsipras e com o Presidente grego Prokópis Pavlópoulos.
"Acreditamos que a solução para as nossas preocupações comuns que enfrentamos requer mais Europa e não menos Europa, e, nesse processo, não deve haver frentes de alguns países contra ou a favor de outros", diz António Costa ao "Ekathmerini."
Questionado sobre se o anúncio da intenção de Portugal receber mais migrantes do que os que tinha inicialmente previsto foi feito para obter uma maior margem negocial com a Europa, Costa negou que essa fosse a razão, dizendo que se trata da "coisa mais correta a fazer".
"A complexidade dos problemas que o mundo está a enfrentar não permite que Portugal, Grécia ou até a Alemanha abordá-los de forma unilateral ou isolada", afirma.
Esta é a primeira visita oficial de António Costa à Grécia. Durante o dia irá deslocar-se ao campo de refugiados de Eleonas, em Atenas. Numa visita que tem como tema central a questão dos refugiados e que resulta de um convite feito por Tsipras, Costa estará na capital grega acompanhado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros Augusto Santos Silva e da Administração Interna Constança Urbano de Sousa.
Além de reuniões de carácter institucional com o Presidente e com o primeiro-ministro gregos, seguir-se-á uma conferência de imprensa conjunta com Alexis Tsipras. Ao início da tarde, Costa visitará o campo de refugiados de Eleonas, em Atenas, visita sugerida pelas autoridades gregas, tendo como razões principais questões de segurança e a proximidade face ao centro de Atenas, avança uma fonte do Executivo português.
De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o campo de Eleonas, a cinco quilómetros do centro de Atenas, criado pelo atual executivo grego, é considerado um dos melhores do país.
Apesar de Portugal estar geograficamente distante das principais rotas dos refugiados, António Costa tem vindo a colocar desde o início do seu mandato este tema no topo das suas prioridades, no que à política europeia diz respeito. Em fevereiro, durante a sua visita oficial à Alemanha, disponibilizou-se junto da chanceler alemã Angela Merkel, no apoio à integração de refugiados. Nesse mesmo mês, o primeiro-ministro português enviou também cartas a homólogos de alguns dos Estados-membros mais pressionados pelos fluxos migratórios (Grécia, Itália, Áustria e Suécia) disponibilizando-se para receber mais cerca de 5800 refugiados, além da quota comunitária.
Deste modo, Portugal poderá vir a acolher, no total, um número próximo de 10 mil refugiados.
30.3.16
Fafe: António Guterres, Agenzia Habeshia e Fundação Calouste Gulbenkian homenageados no Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade
In "Correio do Minho"
Entre os dias 5 e 9 de Abril, Fafe volta a receber o “Terra Justa- Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade.”, que, este ano, tem como tema central os refugiados e imigrantes, a cultura como valor, e os direitos humanos em tempo de conflito.
Além de António Guterres, candidato a secretário-geral das Nações Unidas (ONU) e que foi, até dezembro de 2015, alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), a II edição da Terra Justa - Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade vai ainda homenagear a Agenzia Habeshiaa, a Fundação Calouste Gulbenkian e ainda recordar o papel das enfermeiras paraquedistas portuguesas.
Em 1961, foi criado o corpo de Enfermeiras Paraquedistas, integrado na Força Aérea Portuguesa, que teve a sua origem nos mesmos princípios humanitários defendidos pela Cruz Vermelha Internacional, cuja organização sempre se destacou pela importância do papel das mulheres nas missões de socorro às populações, nomeadamente perante as grandes catástrofes naturais. Foi esse o espírito, primeiro, da sua mentora, Isabel Rilvas, e, depois, das autoridades portuguesas, confrontadas com a necessidade de terem profissionais competentes para socorrerem as populações civis afetadas no contexto da guerra e também para tratarem dos militares portugueses feridos.
Durante 14 anos, 46 mulheres portuguesas estiveram diretamente envolvidas na guerra do Ultramar, em inúmeras missões de recuperação e evacuação de feridos do campo de batalha, em cenários como Angola, Guiné- Bissau e Moçambique.
O “Terra Justa”, Encontro internacional de Causas e Valores da Humanidade, é um evento internacional que ocorre na cidade de Fafe, com o objetivo alertar, provocar e envolver as pessoas a refletir sobre a importância das causas e valores da humanidade.
De 5 a 9 de Abril, a cidade vai acolher conferências, tertúlias de café com convidados nacionais e internacionais, exposições de rua, teatro de rua, debates, música, arte pública, entre muitas outras atividades.
Além da questão dos refugiados, vão ser ainda abordados temas como os direitos humanos em cenários de conflito, o valor da cultura e questões relacionadas com a religião.
A Fundação Calouste Gulbenkian e Agenzia Internacional Habeshia serão duas instituições em destaque e a homenagear durante a Terra Justa.
As causas entre as pessoas…
O centro da cidade de Fafe será palco de um “caminho das causas” e de um túnel de grandes dimensões, objetos de arte pública, cujo objetivo é envolver as pessoas para as grandes causas da humanidade e para problemáticas que são ignoradas no nosso dia a dia.
No Arquivo Municipal, em Fafe, vão estar patentes exposições dedicadas a António Guterres, Agenzia Habeshia, Fundação Calouste Gulbenkian e às enfermeiras paraquedistas portuguesas.
Mural das Causas…
Em plena cidade, o monumento, feito a partir de um bloco de granito, desenhado pelos arquitetos da Câmara Municipal de Fafe, vai continuar a guardar, durante 25 anos, as mensagens de grandes individualidades que passaram por Fafe.
Recorde-se que já se encontram no mural as mensagens do Cardeal Óscar Maradiaga, ex-Presidente da Cáritas Internacional e braço direito do Papa Francisco para a reforma da Igreja, Maria de Jesus Barroso Soares, da Fundação Pro-Dignitate, e das ONG´s Amnistia Internacional e Médicos do Mundo. A ideia é perceber, em 2041, como era o mundo, as ideias e a visão da sociedade, nomeadamente ao nível dos valores humanos e das grandes causas globais.
Entre os dias 5 e 9 de Abril, Fafe volta a receber o “Terra Justa- Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade.”, que, este ano, tem como tema central os refugiados e imigrantes, a cultura como valor, e os direitos humanos em tempo de conflito.
Além de António Guterres, candidato a secretário-geral das Nações Unidas (ONU) e que foi, até dezembro de 2015, alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), a II edição da Terra Justa - Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade vai ainda homenagear a Agenzia Habeshiaa, a Fundação Calouste Gulbenkian e ainda recordar o papel das enfermeiras paraquedistas portuguesas.
Em 1961, foi criado o corpo de Enfermeiras Paraquedistas, integrado na Força Aérea Portuguesa, que teve a sua origem nos mesmos princípios humanitários defendidos pela Cruz Vermelha Internacional, cuja organização sempre se destacou pela importância do papel das mulheres nas missões de socorro às populações, nomeadamente perante as grandes catástrofes naturais. Foi esse o espírito, primeiro, da sua mentora, Isabel Rilvas, e, depois, das autoridades portuguesas, confrontadas com a necessidade de terem profissionais competentes para socorrerem as populações civis afetadas no contexto da guerra e também para tratarem dos militares portugueses feridos.
Durante 14 anos, 46 mulheres portuguesas estiveram diretamente envolvidas na guerra do Ultramar, em inúmeras missões de recuperação e evacuação de feridos do campo de batalha, em cenários como Angola, Guiné- Bissau e Moçambique.
O “Terra Justa”, Encontro internacional de Causas e Valores da Humanidade, é um evento internacional que ocorre na cidade de Fafe, com o objetivo alertar, provocar e envolver as pessoas a refletir sobre a importância das causas e valores da humanidade.
De 5 a 9 de Abril, a cidade vai acolher conferências, tertúlias de café com convidados nacionais e internacionais, exposições de rua, teatro de rua, debates, música, arte pública, entre muitas outras atividades.
Além da questão dos refugiados, vão ser ainda abordados temas como os direitos humanos em cenários de conflito, o valor da cultura e questões relacionadas com a religião.
A Fundação Calouste Gulbenkian e Agenzia Internacional Habeshia serão duas instituições em destaque e a homenagear durante a Terra Justa.
As causas entre as pessoas…
O centro da cidade de Fafe será palco de um “caminho das causas” e de um túnel de grandes dimensões, objetos de arte pública, cujo objetivo é envolver as pessoas para as grandes causas da humanidade e para problemáticas que são ignoradas no nosso dia a dia.
No Arquivo Municipal, em Fafe, vão estar patentes exposições dedicadas a António Guterres, Agenzia Habeshia, Fundação Calouste Gulbenkian e às enfermeiras paraquedistas portuguesas.
Mural das Causas…
Em plena cidade, o monumento, feito a partir de um bloco de granito, desenhado pelos arquitetos da Câmara Municipal de Fafe, vai continuar a guardar, durante 25 anos, as mensagens de grandes individualidades que passaram por Fafe.
Recorde-se que já se encontram no mural as mensagens do Cardeal Óscar Maradiaga, ex-Presidente da Cáritas Internacional e braço direito do Papa Francisco para a reforma da Igreja, Maria de Jesus Barroso Soares, da Fundação Pro-Dignitate, e das ONG´s Amnistia Internacional e Médicos do Mundo. A ideia é perceber, em 2041, como era o mundo, as ideias e a visão da sociedade, nomeadamente ao nível dos valores humanos e das grandes causas globais.
5.2.16
Instituições preparadas para acolherem 35 refugiados
Maria Elisabete Sousa Pinto, in "O Comércio de Guimarães"
PROGRAMA «Guimarães acolhe» resulta de consórcio de 19 entidades Elisabete Pinto Guimarães já tem preparada a resposta para o acolhimento de 35 refugiados, embora ainda não esteja apontada a data para a chegada da primeira família. O plano de acção para o acolhimento de pessoas com necessidade de protecção internacional foi aprovado por unanimidade, na reunião do Executivo vimaranense, realizada na passada quinta-feira, na vila de Brito. «Guimarães Acolhe» é o nome do consórcio que envolve 19 entidades públicas e privadas, sendo coordenado pelo Município de Guimarães.
Coube à Vereadora da Acção Social a apresentação à Vereação do acordo de cooperação que estabelece o modo de funcionamento do plano de acolhimento, lembrando que desde Agosto do ano passado está a ser elaborado, estando agora criadas as condições para a recepção. "Portugal definiu como meta nos próximos dois anos acolher cinco mil pessoas, o que requer uma estratégia de acolhimento descentralizada", observou, indicando que o processo abrangeu a Rede Social de Guimarães e as "entidades que quiseram e se disponibilizaram para aderir".
Paula Oliveira frisou que no âmbito do Plano de Acção cada entidade assume os seus compromissos e o que se disponibilizou a fazer no processo de acolhimento "quer serja ao nível do alojamento, da alimentação ou da integração na comunidade". "Queremos uma integração plena, com alojamento, roupas, alimentação, acesso à saúde, educação, apoio jurídico e social", sublinhou, alertando que o plano de acção contempla: "a preparação do acolhimento, o acolhimento, a monitorização e a integração e a informação/formação e campanhas". "Já decorreram em Guimarães acções de formação e sensibilização quer para os técnicos e instituições que vão acolher os refugiados e que fazem parte deste plano, bem como para uma bolsa de voluntários que também se disponibilizou", referiu, ao acrescentar que, em termos de angariação de fundos, a comissão já conseguiu arrecadar dois mil 400 euros.
Foi criada uma Comissão Executiva, constituída por três entidades, para a gestão dos fundos que forem angariados, sendo extinta quando não for necessária a sua vigência.
"Neste momento, Guimarães tem todas as condições para executar o programa depois de aprovado o acordo, depois de assinado o memorando entre o Conselho Português dos Refugiados - interlocutor entre o Município e todo o «Guimarães Acolhe», o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Será ainda formalizada a Comissão Executiva", indicou Paula Oliveira, enaltecendo o empenho e generosidade de todas as entidades parceiras no projecto e dos vimaranenses que "são sensíveis ao drama que as pessoas que fogem da guerra estão a viver".
O Plano de Acção apresentado pela Vereadora da Acção Social mereceu a felicitação do líder local do PSD. Para André Coelho Lima, "é muito importante que Guimarães, como quaisquer comunidades, se prepare para um acolhimento transversal, não apenas para arranjar habitação, ou postos de trabalho, mas para arranjar as condições sociais de enquadramento, ou seja, que as instituições sociais estejam envolvidas no projecto, tendo a preocupação de fazer um acolhimento que permita que as pessoas sintam que fazem parte da comunidade". No seu entender, tal permitirá "evitar os problemas que têm ocorrido no centro da Europa, que decorrem da circunstância de se terem acolhido pessoas em número elevado e de não ter havido a preparação devida para que a comunidade que vai receber aceite e para que quem vem também queira ser recebido e ser aceite". "A forma como está projectado o acolhimento de refugiados é algo que me merece a total concordância", expressou André Coelho Lima.
O Vereador da CDU congratulou-se igualmente pela resposta criada, porque "a comunidade tem de ser preparada para a recepção dos refugiados". José Torcato Ribeiro considerou que "as instituições envolvidas têm condições para com serenidade acolherem as pessoas que nos procuram num momento difícil das suas vidas".
Consórcio agiliza recursos e respostas O programa «Guimarães Acolhe» é promovido pela Câmara de Guimarães com um conjunto de instituições que se organizam em consórcio para o seu desenvolvimento, de acordo com responsabilidades assumidas por cada uma delas.
Coordenado pela Autarquia vimaranense, o consórcio conta com a participação e apoio do Conselho Português de Refugiados, integrando ainda as seguintes entidades: ACES do Alto Ave, Centro de Emprego de Guimarães, Ordem dos Advogados - Delegação de Guimarães, Arciprestado de Guimarães, Associação de Apoio à Criança, Associação para o Desenvolvimento das Comunidades Locais, Associação de Solidariedade Social dos Professores - Delegação de Guimarães, Banco de Partilha, CASFIG, Centro Juvenil de S. José, Centro Social de Brito, Centro Social da Irmandade de S. Torcato, Cruz Vermelha Portuguesa - Delegação de Guimarães, Fraterna, Lar de Santa Estefânia, Santa Casa da Misericórdia de Guimarães e Venerável Ordem Terceira de S. Francisco.
Podem também integrar o «Guimarães Acolhe» outras instituições que partilhem dos objectivos e princípios do programa, que se queiram associar a esta causa através da disponibilização e mobilização de recursos, devendo manifestar essa vontade junto dos serviços da Autarquia.
PROGRAMA «Guimarães acolhe» resulta de consórcio de 19 entidades Elisabete Pinto Guimarães já tem preparada a resposta para o acolhimento de 35 refugiados, embora ainda não esteja apontada a data para a chegada da primeira família. O plano de acção para o acolhimento de pessoas com necessidade de protecção internacional foi aprovado por unanimidade, na reunião do Executivo vimaranense, realizada na passada quinta-feira, na vila de Brito. «Guimarães Acolhe» é o nome do consórcio que envolve 19 entidades públicas e privadas, sendo coordenado pelo Município de Guimarães.
Coube à Vereadora da Acção Social a apresentação à Vereação do acordo de cooperação que estabelece o modo de funcionamento do plano de acolhimento, lembrando que desde Agosto do ano passado está a ser elaborado, estando agora criadas as condições para a recepção. "Portugal definiu como meta nos próximos dois anos acolher cinco mil pessoas, o que requer uma estratégia de acolhimento descentralizada", observou, indicando que o processo abrangeu a Rede Social de Guimarães e as "entidades que quiseram e se disponibilizaram para aderir".
Paula Oliveira frisou que no âmbito do Plano de Acção cada entidade assume os seus compromissos e o que se disponibilizou a fazer no processo de acolhimento "quer serja ao nível do alojamento, da alimentação ou da integração na comunidade". "Queremos uma integração plena, com alojamento, roupas, alimentação, acesso à saúde, educação, apoio jurídico e social", sublinhou, alertando que o plano de acção contempla: "a preparação do acolhimento, o acolhimento, a monitorização e a integração e a informação/formação e campanhas". "Já decorreram em Guimarães acções de formação e sensibilização quer para os técnicos e instituições que vão acolher os refugiados e que fazem parte deste plano, bem como para uma bolsa de voluntários que também se disponibilizou", referiu, ao acrescentar que, em termos de angariação de fundos, a comissão já conseguiu arrecadar dois mil 400 euros.
Foi criada uma Comissão Executiva, constituída por três entidades, para a gestão dos fundos que forem angariados, sendo extinta quando não for necessária a sua vigência.
"Neste momento, Guimarães tem todas as condições para executar o programa depois de aprovado o acordo, depois de assinado o memorando entre o Conselho Português dos Refugiados - interlocutor entre o Município e todo o «Guimarães Acolhe», o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Será ainda formalizada a Comissão Executiva", indicou Paula Oliveira, enaltecendo o empenho e generosidade de todas as entidades parceiras no projecto e dos vimaranenses que "são sensíveis ao drama que as pessoas que fogem da guerra estão a viver".
O Plano de Acção apresentado pela Vereadora da Acção Social mereceu a felicitação do líder local do PSD. Para André Coelho Lima, "é muito importante que Guimarães, como quaisquer comunidades, se prepare para um acolhimento transversal, não apenas para arranjar habitação, ou postos de trabalho, mas para arranjar as condições sociais de enquadramento, ou seja, que as instituições sociais estejam envolvidas no projecto, tendo a preocupação de fazer um acolhimento que permita que as pessoas sintam que fazem parte da comunidade". No seu entender, tal permitirá "evitar os problemas que têm ocorrido no centro da Europa, que decorrem da circunstância de se terem acolhido pessoas em número elevado e de não ter havido a preparação devida para que a comunidade que vai receber aceite e para que quem vem também queira ser recebido e ser aceite". "A forma como está projectado o acolhimento de refugiados é algo que me merece a total concordância", expressou André Coelho Lima.
O Vereador da CDU congratulou-se igualmente pela resposta criada, porque "a comunidade tem de ser preparada para a recepção dos refugiados". José Torcato Ribeiro considerou que "as instituições envolvidas têm condições para com serenidade acolherem as pessoas que nos procuram num momento difícil das suas vidas".
Consórcio agiliza recursos e respostas O programa «Guimarães Acolhe» é promovido pela Câmara de Guimarães com um conjunto de instituições que se organizam em consórcio para o seu desenvolvimento, de acordo com responsabilidades assumidas por cada uma delas.
Coordenado pela Autarquia vimaranense, o consórcio conta com a participação e apoio do Conselho Português de Refugiados, integrando ainda as seguintes entidades: ACES do Alto Ave, Centro de Emprego de Guimarães, Ordem dos Advogados - Delegação de Guimarães, Arciprestado de Guimarães, Associação de Apoio à Criança, Associação para o Desenvolvimento das Comunidades Locais, Associação de Solidariedade Social dos Professores - Delegação de Guimarães, Banco de Partilha, CASFIG, Centro Juvenil de S. José, Centro Social de Brito, Centro Social da Irmandade de S. Torcato, Cruz Vermelha Portuguesa - Delegação de Guimarães, Fraterna, Lar de Santa Estefânia, Santa Casa da Misericórdia de Guimarães e Venerável Ordem Terceira de S. Francisco.
Podem também integrar o «Guimarães Acolhe» outras instituições que partilhem dos objectivos e princípios do programa, que se queiram associar a esta causa através da disponibilização e mobilização de recursos, devendo manifestar essa vontade junto dos serviços da Autarquia.
26.1.16
Aprovada lei polémica na Dinamarca que prevê confisco de bens aos refugiados
In "Rádio Renascença"
O governo dinamarquês entende que é uma forma de contribuírem para os custos do acolhimento.
O parlamento dinamarquês aprovou a nova lei de imigração que inclui algumas medidas polémicas, nomeadamente o direito que a polícia passará a ter de revistar todos os requerentes a asilo e de lhes confiscar dinheiro ou bens de valor superior a 1.340 euros. A legislação prevê algumas excepções, como bens que tenham "elevado valor sentimental", como é o caso das alianças de casamento.
O governo dinamarquês entende que esta é uma forma de os refugiados contribuírem para os custos do acolhimento.
O diploma, aprovado por larga maioria no Parlamento, estabelece também novas regras para o reagrupamento familiar dos refugiados. Para que tenham esse direito, terão a partir de agora que respeitar um prazo que pode variar entre um e três anos.
Depois de a Dinamarca ter anunciado que pretendia avançar para este pacote legislativo, as autoridades alemãs tomaram medida semelhante. Segundo o jornal "Bild", os métodos já estão a ser aplicados em dois estados do sul: a Baviera e o Bade-Vurtemberga. As normas aplicadas apoiam-se numa lei nacional que decreta que todos os refugiados e solicitantes de asilo devem, primeiramente, recorrer aos próprios bens e só depois usufruir da ajuda do Estado.
Já na Suiça, de acordo com a imprensa local, os refugiados que entrem no país têm de entregar às autoridades todos os bens de valor superior a 1.000 francos, pouco mais de 900 euros - uma prática corrente há vários anos. Para reaver esse dinheiro ou bens, a pessoa em causa deve abandonar a Suíça no espaço de sete meses, caso contrário, a verba é deduzida nas despesas associadas ao pedidos de asilo e de assistência social.
No ano passado, mais de um milhão de migrantes chegou à Europa por mar, de acordo com os números do Alto Comissariado dos Refugiados (ACNUR). A maioria dos migrantes (84%) é proveniente de dez países, com a Síria a liderar - representando a nacionalidade de quase metade (49%) -, seguindo-se o Afeganistão e do Iraque. Os outros países de origem são Eritreia, Paquistão, Nigéria, Somália, Sudão, Gâmbia e Mali.
Dos migrantes que alcançaram as costas da Europa 58% são homens e 17% mulheres, sendo um quarto (25%) crianças, segundo o ACNUR.
O governo dinamarquês entende que é uma forma de contribuírem para os custos do acolhimento.
O parlamento dinamarquês aprovou a nova lei de imigração que inclui algumas medidas polémicas, nomeadamente o direito que a polícia passará a ter de revistar todos os requerentes a asilo e de lhes confiscar dinheiro ou bens de valor superior a 1.340 euros. A legislação prevê algumas excepções, como bens que tenham "elevado valor sentimental", como é o caso das alianças de casamento.
O governo dinamarquês entende que esta é uma forma de os refugiados contribuírem para os custos do acolhimento.
O diploma, aprovado por larga maioria no Parlamento, estabelece também novas regras para o reagrupamento familiar dos refugiados. Para que tenham esse direito, terão a partir de agora que respeitar um prazo que pode variar entre um e três anos.
Depois de a Dinamarca ter anunciado que pretendia avançar para este pacote legislativo, as autoridades alemãs tomaram medida semelhante. Segundo o jornal "Bild", os métodos já estão a ser aplicados em dois estados do sul: a Baviera e o Bade-Vurtemberga. As normas aplicadas apoiam-se numa lei nacional que decreta que todos os refugiados e solicitantes de asilo devem, primeiramente, recorrer aos próprios bens e só depois usufruir da ajuda do Estado.
Já na Suiça, de acordo com a imprensa local, os refugiados que entrem no país têm de entregar às autoridades todos os bens de valor superior a 1.000 francos, pouco mais de 900 euros - uma prática corrente há vários anos. Para reaver esse dinheiro ou bens, a pessoa em causa deve abandonar a Suíça no espaço de sete meses, caso contrário, a verba é deduzida nas despesas associadas ao pedidos de asilo e de assistência social.
No ano passado, mais de um milhão de migrantes chegou à Europa por mar, de acordo com os números do Alto Comissariado dos Refugiados (ACNUR). A maioria dos migrantes (84%) é proveniente de dez países, com a Síria a liderar - representando a nacionalidade de quase metade (49%) -, seguindo-se o Afeganistão e do Iraque. Os outros países de origem são Eritreia, Paquistão, Nigéria, Somália, Sudão, Gâmbia e Mali.
Dos migrantes que alcançaram as costas da Europa 58% são homens e 17% mulheres, sendo um quarto (25%) crianças, segundo o ACNUR.
António Guterres diz que sistema europeu de asilo e espaço Schengen podem "colapsar"
Pedro Sá Guerra, in "Antena 1"
O ex-Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), António Guterres, afirmou que há "sérios riscos" do sistema europeu de asilo e do espaço Schengen "colapsarem" porque há "cada vez mais" países a recusarem entrada de refugiados.
António Guterres considerou que Portugal teria "muito a ganhar" em ter uma política ativa de acolhimento de refugiados porque ajudaria a "vencer o seu problema demográfico".
"Seria importante Portugal ter uma voz mais ativa neste domínio", disse.
O ex-Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), António Guterres, afirmou que há "sérios riscos" do sistema europeu de asilo e do espaço Schengen "colapsarem" porque há "cada vez mais" países a recusarem entrada de refugiados.
António Guterres considerou que Portugal teria "muito a ganhar" em ter uma política ativa de acolhimento de refugiados porque ajudaria a "vencer o seu problema demográfico".
"Seria importante Portugal ter uma voz mais ativa neste domínio", disse.
20.1.16
Binyam é agora Benjamim e começou uma "vida nova" em Penafiel
Inês Moreira Cabral (texto) e Marco Duarte (fotos), in Público on-line
Casal da Eritreia chegou a Portugal em Dezembro, e já está instalado num t1 no centro histórico de Penafiel. Benjamim Abebe diz que este é o “começar de uma vida nova”.
Quando Binyam Abebe, ou Benjamim – nome adaptado que acabou por pegar – deixou a Eritreia com a mãe aos oito anos, ainda não entendia porque estava a abandonar o país onde nasceu. “Ela só me dizia: meu rapaz, aqui não vejo uma boa vida para ti”. Hoje, o eritreu com 26 anos compreende que se tivesse ficado não seria para estudar, mas “para aprender a usar armas”.
Benjamin faz parte do grupo de 24 refugiados que, em Dezembro, chegou a Portugal no âmbito do Programa de Relocalização de Refugiados da União Europeia, e é um entre os cerca de meio milhão de eritreus que, de acordo com dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados - ACNUR, abandonou o país nos últimos anos.
Sob um regime de ditadura militar desde 1993, altura em que a Eritreia conseguiu independência da Etiópia depois de três décadas de conflito (que acabou em 1991), ali “tudo é feito à força, tens de te tornar um soldado”, afirma Benjamim, que escapou ao que seria provavelmente uma vida ao serviço do governo liderado pelo ditador Issayas Aferworki, ex-guerrilheiro e líder da PFDJ – Frente Popular para a Democracia e a Justiça.
Sem Parlamento e num sistema controlado pelo executivo, o regime foi acusado pela ONU, em relatório emitido em Junho do ano passado, de governar os eritreus “não pela lei, mas pelo medo”, e de cometer crimes contra a humanidade durante o “trabalho forçado” ao qual submete os seus cidadãos por tempo indeterminado ao serviço militar.
O pai de Benjamim, soldado e opositor ao governo, esteve preso durante três anos e acabou por ser assassinado perto de casa, o que levou a mãe a fugir com o pequeno para a Etiópia, onde foram acolhidos como refugiados. Benjamim viveu cerca de dez anos no país vizinho, onde diz que teve oportunidade de estudar engenharia industrial. “Foi bom para mim. A Etiópia tem a mesma cultura e as mesmas tradições”, mas o plano de rumar à Europa, onde tem tios na Finlândia e no Reino Unido, manteve-se.
Da Etiópia, Benjamim partiu para o Sudão, onde conheceu Selam Melkamu, que ali trabalhava como cabeleireira. Os jovens casaram-se, e Benjamim enfrentou o percurso de tantos outros: cruzar deserto e mar até chegar a solo europeu. Selam iria encontra-lo mais tarde.
“É uma longa jornada, e é horrível…” As palavras esgotam-se pela barreira da língua e pela nítida dificuldade em traduzir em qualquer idioma que seja as experiências de uma viagem como esta. Benjamim revela que foi ao cruzar o Sahara para chegar a Trípoli que assistiu à morte de oito companheiros de viagem, somalis, que durante a noite tentaram escapar dos traficantes líbios que guiavam o grupo de 400 pessoas pelo deserto. “Foi a primeira vez que vi alguém a morrer na minha frente”, confessa.
Da Líbia, Benjamim guarda um sentimento de rancor e recordações visíveis no corpo. À terceira vez que tentou apanhar um barco em Trípoli para chegar à Europa, foi preso pelas forças líbias e ficou detido por nove meses. Sem entrar em detalhes sobre esses dias, dos quais guarda marcas no corpo, o eritreu só encontra uma comparação: “Ratos. Os líbios são como ratos, sabem? Não se importam com a vida humana, só querem saber do dinheiro”.
Quatro mil e quinhentos dólares depois e já com Salem do seu lado, que entretanto viajou até Trípoli, o casal conseguiu apanhar um “pequeno barco de plástico” na quarta tentativa de cruzar o Mediterrâneo para encarar “uma viagem extremamente perigosa e arriscada, que não se paga só com o dinheiro, mas com a vida” até desembarcarem na pequena ilha italiana de Lampedusa.
“Não vou a lado nenhum”
Numa jornada que durou quase metade da sua vida, Benjamim chegou a Penafiel, no Porto, a 17 de Dezembro, e está sem intenções de se mudar. Decidido a “começar uma vida nova” e independente em Portugal, a sua primeira opção de destino, o eritreu deixou para segundo plano a Finlândia e o Reino Unido, onde tem família, para recomeçar com a esposa – a jovem de 22 anos que se mostra mais reservada a conversas – num ambiente mais calmo e “sem tantos refugiados”. Depois de admitir ter sido alvo de discriminação na Itália, e a par dos eventos recentes na Alemanha, Benjamim encontrou em Penafiel um lugar pacato e acolhedor. “Não vou a lado nenhum”, afirma o jovem.
A opção surgiu porque Benjamim já tinha ouvido falar do país, conhecia o Cristiano Ronaldo, sabe quem é o Mourinho, e seguindo as pisadas do Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Penafiel, Júlio Manuel Mesquita, já se converteu ao Sporting. Apesar de as aulas de Português não terem ainda começado, Benjamim já diz o “bom dia” e o “boa noite”, e o “pingo” e o “café”, que pede num estabelecimento perto de casa, do qual já se diz “cliente” em jeito de brincadeira.
O casal instalou-se num apartamento T1 da Santa Casa, no centro histórico da cidade, no passado dia 5 de Janeiro, depois de uma temporada no Lar de Santo António dos Capuchos que o Provedor Júlio Manuel Mesquita diz ter servido “para que a inserção dos dois fosse feita de maneira mais progressiva, com a envolvência de funcionários, e connosco, da direcção”. O Provedor adianta que a comunidade tem sido receptiva: “Uma loja de desporto local ofereceu-lhes as roupas que queriam comprar, e um estabelecimento vizinho cedeu edredons para o Inverno”.
Enquanto aguardam a declaração de residência provisória, que lhes irá dar acesso ao mercado de trabalho, Selam e Benjamim já fizeram exames médicos e começaram a rotina diária de cozinhar e tratar da casa, onde têm Internet e mantêm contacto com amigos e familiares. Num processo de adaptação estipulado para os próximos 18 meses, o Provedor admite-se positivo: “Confiamos que tudo vai dar certo e é uma alegria grande que a Santa Casa tem em contribuir minimamente para este drama mundial”.
Referindo-se às transições no SEF e no próprio governo, Júlio Mesquita mencionou que, apesar dos atrasos nas ajudas de bolso, “acima de tudo está o acto de misericórdia, deste acolhimento ser prestado para responder ao apelo da comunidade internacional, e nacional”.
Texto editado por Andrea Cunha Freitas
Casal da Eritreia chegou a Portugal em Dezembro, e já está instalado num t1 no centro histórico de Penafiel. Benjamim Abebe diz que este é o “começar de uma vida nova”.
Quando Binyam Abebe, ou Benjamim – nome adaptado que acabou por pegar – deixou a Eritreia com a mãe aos oito anos, ainda não entendia porque estava a abandonar o país onde nasceu. “Ela só me dizia: meu rapaz, aqui não vejo uma boa vida para ti”. Hoje, o eritreu com 26 anos compreende que se tivesse ficado não seria para estudar, mas “para aprender a usar armas”.
Benjamin faz parte do grupo de 24 refugiados que, em Dezembro, chegou a Portugal no âmbito do Programa de Relocalização de Refugiados da União Europeia, e é um entre os cerca de meio milhão de eritreus que, de acordo com dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados - ACNUR, abandonou o país nos últimos anos.
Sob um regime de ditadura militar desde 1993, altura em que a Eritreia conseguiu independência da Etiópia depois de três décadas de conflito (que acabou em 1991), ali “tudo é feito à força, tens de te tornar um soldado”, afirma Benjamim, que escapou ao que seria provavelmente uma vida ao serviço do governo liderado pelo ditador Issayas Aferworki, ex-guerrilheiro e líder da PFDJ – Frente Popular para a Democracia e a Justiça.
Sem Parlamento e num sistema controlado pelo executivo, o regime foi acusado pela ONU, em relatório emitido em Junho do ano passado, de governar os eritreus “não pela lei, mas pelo medo”, e de cometer crimes contra a humanidade durante o “trabalho forçado” ao qual submete os seus cidadãos por tempo indeterminado ao serviço militar.
O pai de Benjamim, soldado e opositor ao governo, esteve preso durante três anos e acabou por ser assassinado perto de casa, o que levou a mãe a fugir com o pequeno para a Etiópia, onde foram acolhidos como refugiados. Benjamim viveu cerca de dez anos no país vizinho, onde diz que teve oportunidade de estudar engenharia industrial. “Foi bom para mim. A Etiópia tem a mesma cultura e as mesmas tradições”, mas o plano de rumar à Europa, onde tem tios na Finlândia e no Reino Unido, manteve-se.
Da Etiópia, Benjamim partiu para o Sudão, onde conheceu Selam Melkamu, que ali trabalhava como cabeleireira. Os jovens casaram-se, e Benjamim enfrentou o percurso de tantos outros: cruzar deserto e mar até chegar a solo europeu. Selam iria encontra-lo mais tarde.
“É uma longa jornada, e é horrível…” As palavras esgotam-se pela barreira da língua e pela nítida dificuldade em traduzir em qualquer idioma que seja as experiências de uma viagem como esta. Benjamim revela que foi ao cruzar o Sahara para chegar a Trípoli que assistiu à morte de oito companheiros de viagem, somalis, que durante a noite tentaram escapar dos traficantes líbios que guiavam o grupo de 400 pessoas pelo deserto. “Foi a primeira vez que vi alguém a morrer na minha frente”, confessa.
Da Líbia, Benjamim guarda um sentimento de rancor e recordações visíveis no corpo. À terceira vez que tentou apanhar um barco em Trípoli para chegar à Europa, foi preso pelas forças líbias e ficou detido por nove meses. Sem entrar em detalhes sobre esses dias, dos quais guarda marcas no corpo, o eritreu só encontra uma comparação: “Ratos. Os líbios são como ratos, sabem? Não se importam com a vida humana, só querem saber do dinheiro”.
Quatro mil e quinhentos dólares depois e já com Salem do seu lado, que entretanto viajou até Trípoli, o casal conseguiu apanhar um “pequeno barco de plástico” na quarta tentativa de cruzar o Mediterrâneo para encarar “uma viagem extremamente perigosa e arriscada, que não se paga só com o dinheiro, mas com a vida” até desembarcarem na pequena ilha italiana de Lampedusa.
“Não vou a lado nenhum”
Numa jornada que durou quase metade da sua vida, Benjamim chegou a Penafiel, no Porto, a 17 de Dezembro, e está sem intenções de se mudar. Decidido a “começar uma vida nova” e independente em Portugal, a sua primeira opção de destino, o eritreu deixou para segundo plano a Finlândia e o Reino Unido, onde tem família, para recomeçar com a esposa – a jovem de 22 anos que se mostra mais reservada a conversas – num ambiente mais calmo e “sem tantos refugiados”. Depois de admitir ter sido alvo de discriminação na Itália, e a par dos eventos recentes na Alemanha, Benjamim encontrou em Penafiel um lugar pacato e acolhedor. “Não vou a lado nenhum”, afirma o jovem.
A opção surgiu porque Benjamim já tinha ouvido falar do país, conhecia o Cristiano Ronaldo, sabe quem é o Mourinho, e seguindo as pisadas do Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Penafiel, Júlio Manuel Mesquita, já se converteu ao Sporting. Apesar de as aulas de Português não terem ainda começado, Benjamim já diz o “bom dia” e o “boa noite”, e o “pingo” e o “café”, que pede num estabelecimento perto de casa, do qual já se diz “cliente” em jeito de brincadeira.
O casal instalou-se num apartamento T1 da Santa Casa, no centro histórico da cidade, no passado dia 5 de Janeiro, depois de uma temporada no Lar de Santo António dos Capuchos que o Provedor Júlio Manuel Mesquita diz ter servido “para que a inserção dos dois fosse feita de maneira mais progressiva, com a envolvência de funcionários, e connosco, da direcção”. O Provedor adianta que a comunidade tem sido receptiva: “Uma loja de desporto local ofereceu-lhes as roupas que queriam comprar, e um estabelecimento vizinho cedeu edredons para o Inverno”.
Enquanto aguardam a declaração de residência provisória, que lhes irá dar acesso ao mercado de trabalho, Selam e Benjamim já fizeram exames médicos e começaram a rotina diária de cozinhar e tratar da casa, onde têm Internet e mantêm contacto com amigos e familiares. Num processo de adaptação estipulado para os próximos 18 meses, o Provedor admite-se positivo: “Confiamos que tudo vai dar certo e é uma alegria grande que a Santa Casa tem em contribuir minimamente para este drama mundial”.
Referindo-se às transições no SEF e no próprio governo, Júlio Mesquita mencionou que, apesar dos atrasos nas ajudas de bolso, “acima de tudo está o acto de misericórdia, deste acolhimento ser prestado para responder ao apelo da comunidade internacional, e nacional”.
Texto editado por Andrea Cunha Freitas
2.12.15
Missão europeia já salvou mais de 5.700 vidas no Mediterrâneo
in RR
Último balanço do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados revela que 806.000 pessoas chegaram à Europa através do mar.
A Força Naval da União Europeia salvou mais de 5.700 vidas de migrantes no mar Mediterrâneo no âmbito da operação Sophia, que se iniciou em Junho e actualmente se encontra na segunda de quatro fases.
Em conferência de imprensa de balanço, em Bruxelas, o comandante da operação, Enrico Credendino, precisou que além de esta intervenção ser uma "demonstração efectiva da política europeia", contribuiu para 43 suspeitos de tráfico humano serem detidos, a destruição de 46 barcos e o salvamento de 5.723 migrantes.
O militar garantiu que até agora "não se teve que usar a força" nas operações, que envolvem seis países terceiros (Argélia, Tunísia, Egipto, Turquia, Estados Unidos e Líbia), agências europeias, a NATO, organizações não governamentais e instituições como a Liga Árabe e União Africana.
A EUNAVFOR MED integra a abordagem comunitária para responder à crise de migrantes, nomeadamente no combate às causas para a partida de pessoas dos seus países, como conflitos, pobreza, alterações climáticas e perseguições.
A Polícia Militar portuguesa também tem apoiado à Guarda-costeira grega, integrada na missão da agência FRONTEX, até ao dia 30 de Setembro de 2016. Até ao momento a equipa já resgatou, em segurança e transportou para terra, cerca de 1.300 refugiados e emigrantes, entre os quais 261 crianças e 282 mulheres.
Segundo a ONU, mais de 800 mil migrantes e refugiados chegaram em 2015 à Europa através do Mediterrâneo. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) revela que 806.000 pessoas atravessaram em 2015 o Mediterrâneo para chegar ao território europeu, dos quais a grande maioria, 660.700, passou pela Grécia e pelas ilhas gregas do mar Egeu.
Um total de 3.460 migrantes morreu ou desapareceu durante a travessia, indicaram os mesmos dados.
Cerca de 62% dos migrantes e refugiados que chegam à Grécia são oriundos da Síria, 23% do Afeganistão e 7% do Iraque, segundo a ONU.
Último balanço do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados revela que 806.000 pessoas chegaram à Europa através do mar.
A Força Naval da União Europeia salvou mais de 5.700 vidas de migrantes no mar Mediterrâneo no âmbito da operação Sophia, que se iniciou em Junho e actualmente se encontra na segunda de quatro fases.
Em conferência de imprensa de balanço, em Bruxelas, o comandante da operação, Enrico Credendino, precisou que além de esta intervenção ser uma "demonstração efectiva da política europeia", contribuiu para 43 suspeitos de tráfico humano serem detidos, a destruição de 46 barcos e o salvamento de 5.723 migrantes.
O militar garantiu que até agora "não se teve que usar a força" nas operações, que envolvem seis países terceiros (Argélia, Tunísia, Egipto, Turquia, Estados Unidos e Líbia), agências europeias, a NATO, organizações não governamentais e instituições como a Liga Árabe e União Africana.
A EUNAVFOR MED integra a abordagem comunitária para responder à crise de migrantes, nomeadamente no combate às causas para a partida de pessoas dos seus países, como conflitos, pobreza, alterações climáticas e perseguições.
A Polícia Militar portuguesa também tem apoiado à Guarda-costeira grega, integrada na missão da agência FRONTEX, até ao dia 30 de Setembro de 2016. Até ao momento a equipa já resgatou, em segurança e transportou para terra, cerca de 1.300 refugiados e emigrantes, entre os quais 261 crianças e 282 mulheres.
Segundo a ONU, mais de 800 mil migrantes e refugiados chegaram em 2015 à Europa através do Mediterrâneo. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) revela que 806.000 pessoas atravessaram em 2015 o Mediterrâneo para chegar ao território europeu, dos quais a grande maioria, 660.700, passou pela Grécia e pelas ilhas gregas do mar Egeu.
Um total de 3.460 migrantes morreu ou desapareceu durante a travessia, indicaram os mesmos dados.
Cerca de 62% dos migrantes e refugiados que chegam à Grécia são oriundos da Síria, 23% do Afeganistão e 7% do Iraque, segundo a ONU.
6.11.15
Pedidos de asilo duplicam em Portugal
In TSF
O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras prevê que até final do ano se registem mais de mil pedidos de asilo, especialmente de imigrantes da África Ocidental.
"Vamos duplicar o número relativamente ao ano passado, penso que ultrapassará os mil", disse à TSF o director adjunto do SEF, Luís Gouveia.
Este responsável nota que no ano passado se registaram cerca de 500 pedidos e prevê que a tendência "se vai acentuar nos próximos anos", com a chegada de imigrantes oriundos da África Subsariana, "mas sobretudo da África Ocidental".
Luís Gouveia confirmou à TSF que no sábado chegam a Portugal alguns refugiados do Egipto, ao abrigo do acordo com o ACNUR - Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.
Os outros 4500 refugiados que o país vai receber devem começar a chegar até ao final do mês de novembro.
O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras prevê que até final do ano se registem mais de mil pedidos de asilo, especialmente de imigrantes da África Ocidental.
"Vamos duplicar o número relativamente ao ano passado, penso que ultrapassará os mil", disse à TSF o director adjunto do SEF, Luís Gouveia.
Este responsável nota que no ano passado se registaram cerca de 500 pedidos e prevê que a tendência "se vai acentuar nos próximos anos", com a chegada de imigrantes oriundos da África Subsariana, "mas sobretudo da África Ocidental".
Luís Gouveia confirmou à TSF que no sábado chegam a Portugal alguns refugiados do Egipto, ao abrigo do acordo com o ACNUR - Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.
Os outros 4500 refugiados que o país vai receber devem começar a chegar até ao final do mês de novembro.
2.11.15
Portugal está "muito bem preparado" para receber refugiados, garante o SEF
Nuno Rodrigues, in Antena 1
Em entrevista à Antena 1, Luís Gouveia, diretor-adjunto do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, refere que ainda não há uma data fixa para começar a receber os cerca de 4500 mil refugiados definidos pela União Europeia e explica as dificuldades inerentes ao processo de realocação.
O grupo de 45 refugiados que chega esta semana a Portugal não faz parte dos cerca de 4 mil definidos pela União Europeia na sequência do recente fluxo de migrantes que tem dado entrada na Europa nos últimos meses.
Luís Gouveia, diretor-adjunto do SEF, refere que estes refugiados vêm da Síria, Eritreia e do Sudão, vivem no Egito há alguns anos e chegam a Portugal ao abrigo da quota anual entre Portugal e o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
Quanto à quota de refugiados definido pela Comissão Europeia, ainda não há data prevista para a chegada do primeiro grupo a solo português. O SEF explica que é um processo moroso, sobretudo devido aos fluxos "mistos" que chegam à Grécia e Itália, onde é difícil distinguir entre refugiados e migrantes económicos, todos sem documentação.
Luís Gouveia esclarece que o primeiro grupo a chegar a Portugal deverá ter cerca de 100 pessoas e constitui um teste no acolhimento e integração destas pessoas na sociedade. Uma missão que, segundo o diretor-adjunto do SEF, será de fácil cumprimento para as organizações da Sociedade Civil. Segundo o representante do SEF, Portugal está "muito bem preparado" para receber "bastantes" refugiados.
Em entrevista na manhã informativa da Antena 1, Luís Gouveia desaconselha situações em que as pessoas procurem trazer refugiados para o país pelas próprias mãos. Refere ainda que esse comportamento, apesar de generoso, não é o melhor para os próprios refugiados: "As pessoas que vêm ao abrigo do programa europeu de realocação têm apoios que lhes facilitam o processo de integração", acrescenta.
Em entrevista à Antena 1, Luís Gouveia, diretor-adjunto do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, refere que ainda não há uma data fixa para começar a receber os cerca de 4500 mil refugiados definidos pela União Europeia e explica as dificuldades inerentes ao processo de realocação.
O grupo de 45 refugiados que chega esta semana a Portugal não faz parte dos cerca de 4 mil definidos pela União Europeia na sequência do recente fluxo de migrantes que tem dado entrada na Europa nos últimos meses.
Luís Gouveia, diretor-adjunto do SEF, refere que estes refugiados vêm da Síria, Eritreia e do Sudão, vivem no Egito há alguns anos e chegam a Portugal ao abrigo da quota anual entre Portugal e o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
Quanto à quota de refugiados definido pela Comissão Europeia, ainda não há data prevista para a chegada do primeiro grupo a solo português. O SEF explica que é um processo moroso, sobretudo devido aos fluxos "mistos" que chegam à Grécia e Itália, onde é difícil distinguir entre refugiados e migrantes económicos, todos sem documentação.
Luís Gouveia esclarece que o primeiro grupo a chegar a Portugal deverá ter cerca de 100 pessoas e constitui um teste no acolhimento e integração destas pessoas na sociedade. Uma missão que, segundo o diretor-adjunto do SEF, será de fácil cumprimento para as organizações da Sociedade Civil. Segundo o representante do SEF, Portugal está "muito bem preparado" para receber "bastantes" refugiados.
Em entrevista na manhã informativa da Antena 1, Luís Gouveia desaconselha situações em que as pessoas procurem trazer refugiados para o país pelas próprias mãos. Refere ainda que esse comportamento, apesar de generoso, não é o melhor para os próprios refugiados: "As pessoas que vêm ao abrigo do programa europeu de realocação têm apoios que lhes facilitam o processo de integração", acrescenta.
26.10.15
Portugal recebe 45 refugiados na próxima semana
In Correio da Manhã
SEF diz que os 45 refugiados deviam ter chegado a Portugal em setembro. Os 45 refugiados que estão no Egito chegam a Portugal na próxima semana no âmbito da quota anual entre Portugal e o ACNUR, não fazendo parte dos 4.500 definidos pela Comissão Europeia, segundo o SEF.
Numa nota enviada à agência Lusa, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras explica que a chegada dos "refugiados vindos do Egito decorre no âmbito de um processo diferente, denominado de reinstalação e constitui a quota que o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) atribuiu a Portugal em 2014, não tendo qualquer relação com o processo de recolocação dos 4.500 requerentes de proteção internacional, conforme decisão da União Europeia".
O SEF adianta que os 45 refugiados deviam ter chegado a Portugal em setembro, mas "uma situação burocrática no Egito" impediu a saída do grupo do campo de refugiados do Cairo, tendo aquele serviço de segurança recebido indicação do ACNUR que "a situação está ultrapassada e será expectável" que cheguem ao país do início de novembro.
Segundo o SEF, a maioria dos 45 refugiados são da Síria, existindo também cidadãos da Eritreia e Sudão, encontrando-se no Cairo já há algum tempo, sob mandado do ACNUR, e chegam a Portugal com o estatuto de refugiados reinstalados.
Os 45 refugiados são maioritariamente famílias com crianças pequenas e vão ficar instalados em Penela e na área de Lisboa, refere aquele serviço de segurança, sublinhando que a reinstalação está a ser preparada com a cooperação das Organizações Não Governamentais (ONG's), como Conselho Português para os Refugiados, Serviço Jesuíta aos Refugiados e a Fundação Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional.
SEF diz que os 45 refugiados deviam ter chegado a Portugal em setembro. Os 45 refugiados que estão no Egito chegam a Portugal na próxima semana no âmbito da quota anual entre Portugal e o ACNUR, não fazendo parte dos 4.500 definidos pela Comissão Europeia, segundo o SEF.
Numa nota enviada à agência Lusa, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras explica que a chegada dos "refugiados vindos do Egito decorre no âmbito de um processo diferente, denominado de reinstalação e constitui a quota que o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) atribuiu a Portugal em 2014, não tendo qualquer relação com o processo de recolocação dos 4.500 requerentes de proteção internacional, conforme decisão da União Europeia".
O SEF adianta que os 45 refugiados deviam ter chegado a Portugal em setembro, mas "uma situação burocrática no Egito" impediu a saída do grupo do campo de refugiados do Cairo, tendo aquele serviço de segurança recebido indicação do ACNUR que "a situação está ultrapassada e será expectável" que cheguem ao país do início de novembro.
Segundo o SEF, a maioria dos 45 refugiados são da Síria, existindo também cidadãos da Eritreia e Sudão, encontrando-se no Cairo já há algum tempo, sob mandado do ACNUR, e chegam a Portugal com o estatuto de refugiados reinstalados.
Os 45 refugiados são maioritariamente famílias com crianças pequenas e vão ficar instalados em Penela e na área de Lisboa, refere aquele serviço de segurança, sublinhando que a reinstalação está a ser preparada com a cooperação das Organizações Não Governamentais (ONG's), como Conselho Português para os Refugiados, Serviço Jesuíta aos Refugiados e a Fundação Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional.
9.9.15
SEF espera "a qualquer momento" chegada de 45 refugiados
Valentina Marcelino, in Diário de Notícias
Os migrantes estão agora no Egipto e já tiveram "aulas" sobre Portugal preparadas pelo SEF e pela Organização Internacional de Migrações (OIM)
O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) aguarda "a qualquer momento" a chegada de 45 refugiados da Síria, Eritreia e Sudão, que estão neste momento num campo de refugiados no Egipto. Estas pessoas, mais de metade sírias, constituem a quota que o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) atribuiu a Portugal em 2014, e não estão incluídas nos cerca de 4500 que deverão vir para o nosso país, de acordo com decisões mais recentes da Comissão Europeia."Já deviam ter chegado, mas devido a problemas burocráticos no país onde estão instalados ainda não foi possível. Estamos a aguardar indicações da OIM para mandarmos emitir os bilhetes de avião", disse ao DN Luís Gouveia, diretor nacional adjunto do SEF. A viagem e acolhimento destes refugiados foi preparada pelo SEF e pela Organização Internacional de Migrações (OIM), num âmbito de um protocolo assinado em abril.
O processo incluiu "aulas" sobre Portugal para que conheçam melhor a cultura, direitos e deveres do país de destino. "Noutras ocasiões deparámo-nos com casos de pessoas que não faziam a menor ideia da realidade do país. Pensavam que vinham para o el dorado", explica este responsável. Este procedimento é habitualmente utilizado pelos peritos da OIM em outras situações de reinstalação de refugiados e tem como objetivo "evitar que os refugiados tenham expectativas irrealistas sobre o país de acolhimento".
Segundo ainda o SEF, está já preparada a instalação destes migrantes, com a cooperação de Organizações Não Governamentais (ONG's), como a Conselho Português para os Refugiados, o Serviço Jesuíta aos Refugiados e a Fundação Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional, de Penela. Esta última ONG conta receber cinco famílias (21 pessoas), que incluem licenciados. Cada família irá residir num apartamento T3, a estrear. De acordo com informação disponível no site oficial, "a Fundação tem a postos uma equipa multidisciplinar de acolhimento com intérprete, professora de português, socióloga, psicóloga, enfermeira e técnica social. Nesta equipa de integração há várias nacionalidades: ucraniana, tunisina e portugueses com experiência de emigração em França".
Em relação aos refugiados que estão na Hungria, Grécia e Itália e que fazem parte do grupo que deverá vir para Portugal nos próximos dois anos, nem o SEF, nem a OIM têm ainda informações concretas. "A nossa expetativa é que o SEF acompanhe, nos locais onde estão agora instalados, a seleção dos que vêm para Portugal, mas ainda estamos na fase das decisões políticas", sublinha Luís Gouveia. Por seu lado, fonte oficial da OIM, em Lisboa, salienta que, neste caso, ao abrigo do "Programa de Recolocação de Emergência", o papel da OIM "dependerá do pedido de colaboração que o Governo solicitar". Esta porta-voz, lembra que a "seleção" dos refugiados que estão prestes a chegar do Egipto foi da "competência do governo". A "nível internacional", sublinha, "uma das atividades da OIM é a assistência aos governos na implementação de programas de reinstalação de refugiados, como parte de uma integração efetiva, proporcionando formação e orientação pré-partida para migrantes, a pedido dos governos. Em 2014, a OIM apoiou mais de 26 mil refugiados em mais de 30 países".
No caso concreto dos refugiados que vêm do Egipto "os escritórios da OIM em Lisboa e Cairo elaboraram um curriculum com informação prática sobre o que deverão esperar uma vez em Portugal, quem os irá assistir e quais os passos a seguir para uma integração sustentável num país novo. Os conteúdos são diversos, passam por dar uma visão geral do país: território, população, língua, clima, religião, entre outros; a viagem para Portugal: conselhos pré-partida e pós-chegada; direitos e deveres; o estatuto legal de refugiado; obtenção de documentos; abertura de conta bancária; acesso à saúde; acesso à educação; acesso ao emprego e formação profissional; alojamento; entre outras informações relevantes. As sessões de orientação cultural incluem também exercícios e actividades práticas para os preparar para esta fase de transição e adaptação cultural". Fornecer "ferramentas para enfrentar com confiança a nova vida em Portugal é o objetivo".
Os migrantes estão agora no Egipto e já tiveram "aulas" sobre Portugal preparadas pelo SEF e pela Organização Internacional de Migrações (OIM)
O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) aguarda "a qualquer momento" a chegada de 45 refugiados da Síria, Eritreia e Sudão, que estão neste momento num campo de refugiados no Egipto. Estas pessoas, mais de metade sírias, constituem a quota que o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) atribuiu a Portugal em 2014, e não estão incluídas nos cerca de 4500 que deverão vir para o nosso país, de acordo com decisões mais recentes da Comissão Europeia."Já deviam ter chegado, mas devido a problemas burocráticos no país onde estão instalados ainda não foi possível. Estamos a aguardar indicações da OIM para mandarmos emitir os bilhetes de avião", disse ao DN Luís Gouveia, diretor nacional adjunto do SEF. A viagem e acolhimento destes refugiados foi preparada pelo SEF e pela Organização Internacional de Migrações (OIM), num âmbito de um protocolo assinado em abril.
O processo incluiu "aulas" sobre Portugal para que conheçam melhor a cultura, direitos e deveres do país de destino. "Noutras ocasiões deparámo-nos com casos de pessoas que não faziam a menor ideia da realidade do país. Pensavam que vinham para o el dorado", explica este responsável. Este procedimento é habitualmente utilizado pelos peritos da OIM em outras situações de reinstalação de refugiados e tem como objetivo "evitar que os refugiados tenham expectativas irrealistas sobre o país de acolhimento".
Segundo ainda o SEF, está já preparada a instalação destes migrantes, com a cooperação de Organizações Não Governamentais (ONG's), como a Conselho Português para os Refugiados, o Serviço Jesuíta aos Refugiados e a Fundação Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional, de Penela. Esta última ONG conta receber cinco famílias (21 pessoas), que incluem licenciados. Cada família irá residir num apartamento T3, a estrear. De acordo com informação disponível no site oficial, "a Fundação tem a postos uma equipa multidisciplinar de acolhimento com intérprete, professora de português, socióloga, psicóloga, enfermeira e técnica social. Nesta equipa de integração há várias nacionalidades: ucraniana, tunisina e portugueses com experiência de emigração em França".
Em relação aos refugiados que estão na Hungria, Grécia e Itália e que fazem parte do grupo que deverá vir para Portugal nos próximos dois anos, nem o SEF, nem a OIM têm ainda informações concretas. "A nossa expetativa é que o SEF acompanhe, nos locais onde estão agora instalados, a seleção dos que vêm para Portugal, mas ainda estamos na fase das decisões políticas", sublinha Luís Gouveia. Por seu lado, fonte oficial da OIM, em Lisboa, salienta que, neste caso, ao abrigo do "Programa de Recolocação de Emergência", o papel da OIM "dependerá do pedido de colaboração que o Governo solicitar". Esta porta-voz, lembra que a "seleção" dos refugiados que estão prestes a chegar do Egipto foi da "competência do governo". A "nível internacional", sublinha, "uma das atividades da OIM é a assistência aos governos na implementação de programas de reinstalação de refugiados, como parte de uma integração efetiva, proporcionando formação e orientação pré-partida para migrantes, a pedido dos governos. Em 2014, a OIM apoiou mais de 26 mil refugiados em mais de 30 países".
No caso concreto dos refugiados que vêm do Egipto "os escritórios da OIM em Lisboa e Cairo elaboraram um curriculum com informação prática sobre o que deverão esperar uma vez em Portugal, quem os irá assistir e quais os passos a seguir para uma integração sustentável num país novo. Os conteúdos são diversos, passam por dar uma visão geral do país: território, população, língua, clima, religião, entre outros; a viagem para Portugal: conselhos pré-partida e pós-chegada; direitos e deveres; o estatuto legal de refugiado; obtenção de documentos; abertura de conta bancária; acesso à saúde; acesso à educação; acesso ao emprego e formação profissional; alojamento; entre outras informações relevantes. As sessões de orientação cultural incluem também exercícios e actividades práticas para os preparar para esta fase de transição e adaptação cultural". Fornecer "ferramentas para enfrentar com confiança a nova vida em Portugal é o objetivo".
3.9.15
Refugiados. Como é que cada um de nós pode ajudar?
In Expresso
Não basta olhar e lamentar a morte dos milhares de refugiados que tentam chegar à Europa. É preciso fazer algo. E cada um de nós pode fazer a diferença. Saiba como
A fotografia chocou. Esta quinta-feira, fez capa em dezenas de jornais de todo o mundo. O menino sírio que morreu no Mediterrâneo é o símbolo do desespero e da luta dos milhares de refugiados que todos os dias chegam à Europa para fugir da guerra civil na Síria. Todos nós vimos, mas chorar ou partilhar a imagem nas redes sociais não chega, não resolve o problema dos milhares de refugiados . Não podemos salvar os que morrem no caminho, mas podemos ajudar os que cá chegam. Como?
DOAÇÕES
UNICEF
“Com 7€ por mês pode fornecer 264 saquetas de PlumpyNut, um alimento terapêutica especial para crianças gravemente mal nutridas”.
A doação pode ser feita online, na página do Fundo das Nações Unidas para a Infância. Podem ainda fazê-lo por multibanco, através do NIB: 0033 0000 0000 3196 2082 8 ou do IBAN: PT50 0033 0000 0000 3196 2082 8.
Caso prefira fazer o donativo por cheque, deverá fazê-lo para a seguinte morada: Comité Português para a UNICEF, Av. António Augusto Aguiar, 21 -3E, 1069-115 Lisboa.
ACNUR e CPR
“Com 20 dólares [ cerca de €18] pode providenciar a duas famílias tapetes sintéticos para evitar que durmam diretamente no chão”.
A Agência das Nações Unidas para os Refugiados disponibiliza na sua página uma aplicação para donativos monetário. Estão fixos valores de 5, 10 e 20 dólares. No entanto, se desejar contribuir com uma quantia maior ou menor também o poderá fazer.
O Conselho Português para os Refugiados está associado a esta ação.
Serviço Jesuítas para os Refugiados
“O seu contributo tem um forte impacto na vida dos migrantes que acolhemos e orientamos. Apoie-nos na concretização dos nossos projetos, participe na construção de um mundo melhor”.
A organização internacional da Igreja Católica possibilita três formas de fazer o donativos: transferência bancária ( NIB - 0036 0071 99100093831 32), cheque via correio ou pessoalmente (Rua Rogério de Moura, Lote 59, Alto do Lumiar, 1750-342 Lisboa).
Aylan Kurdi Fund
O fundo criado esta quinta-feira é uma singela homenagem ao menino sírio que morreu afogado. “Crianças como o Aylan e o irmão são, por demasiadas vezes, desiludidas pela humanidade”, lê-se na página.
A angariação funciona através da plataforma Just Giving e pode selecionar o valor que desejar. Até à hora da publicação deste artigo já tinham sido recolhidos quase seis mil euros.
Save The Children
“A Europa está a atravessar a pior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. As crianças estão a sofrer e precisam da nossa ajuda”.
Esta organização não governamental com sede no Reino Unido também está a recolher donativos. Poderá contribuir na página ou por telefone: 0800 8148 148
ACOLHIMENTO/INTEGRAÇÃO/ VOLUNTARIADO
CPR
O Conselho Português para os Refugiados aceita ajuda de pessoas que estejam disponíveis para acolher famílias sírias em sua casa.
Além de um teto, a CPR também está sempre disponível para aceitar voluntários. A instituição tem dois centros de acolhimento: um na Bobadela e outro, exclusivo para crianças, em Lisboa.
A partir da próxima sexta-feira, a CPR vai apresentar a Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), que pretende juntar várias organizações para criar as condições essenciais para os refugiados serem recebido em Portugal.
Para entrar em contacto, poderá fazê-lo pelo e-mail: geral@cpr.pt
ACNUR
A Agência das Nações Unidas para os Refugiados aceita voluntários e estagiários. No primeiro caso, encontrará mais informação aqui. Relativamente aos estágios, que têm a duração de seis meses, pode apresentar a sua candidatura aqui.
OUTRAS
Amazon
A Amazon disponibiliza uma lista de produtos que podem ser adquiridos online por qualquer pessoa. Depois, as compras são enviada a 17 de Setembro para Calais e para a Grécia.
Estão à venda enlatados, estojos de primeiros socorros, dicionários de inglês, tendas, lanternas, entre outros.
Não basta olhar e lamentar a morte dos milhares de refugiados que tentam chegar à Europa. É preciso fazer algo. E cada um de nós pode fazer a diferença. Saiba como
A fotografia chocou. Esta quinta-feira, fez capa em dezenas de jornais de todo o mundo. O menino sírio que morreu no Mediterrâneo é o símbolo do desespero e da luta dos milhares de refugiados que todos os dias chegam à Europa para fugir da guerra civil na Síria. Todos nós vimos, mas chorar ou partilhar a imagem nas redes sociais não chega, não resolve o problema dos milhares de refugiados . Não podemos salvar os que morrem no caminho, mas podemos ajudar os que cá chegam. Como?
DOAÇÕES
UNICEF
“Com 7€ por mês pode fornecer 264 saquetas de PlumpyNut, um alimento terapêutica especial para crianças gravemente mal nutridas”.
A doação pode ser feita online, na página do Fundo das Nações Unidas para a Infância. Podem ainda fazê-lo por multibanco, através do NIB: 0033 0000 0000 3196 2082 8 ou do IBAN: PT50 0033 0000 0000 3196 2082 8.
Caso prefira fazer o donativo por cheque, deverá fazê-lo para a seguinte morada: Comité Português para a UNICEF, Av. António Augusto Aguiar, 21 -3E, 1069-115 Lisboa.
ACNUR e CPR
“Com 20 dólares [ cerca de €18] pode providenciar a duas famílias tapetes sintéticos para evitar que durmam diretamente no chão”.
A Agência das Nações Unidas para os Refugiados disponibiliza na sua página uma aplicação para donativos monetário. Estão fixos valores de 5, 10 e 20 dólares. No entanto, se desejar contribuir com uma quantia maior ou menor também o poderá fazer.
O Conselho Português para os Refugiados está associado a esta ação.
Serviço Jesuítas para os Refugiados
“O seu contributo tem um forte impacto na vida dos migrantes que acolhemos e orientamos. Apoie-nos na concretização dos nossos projetos, participe na construção de um mundo melhor”.
A organização internacional da Igreja Católica possibilita três formas de fazer o donativos: transferência bancária ( NIB - 0036 0071 99100093831 32), cheque via correio ou pessoalmente (Rua Rogério de Moura, Lote 59, Alto do Lumiar, 1750-342 Lisboa).
Aylan Kurdi Fund
O fundo criado esta quinta-feira é uma singela homenagem ao menino sírio que morreu afogado. “Crianças como o Aylan e o irmão são, por demasiadas vezes, desiludidas pela humanidade”, lê-se na página.
A angariação funciona através da plataforma Just Giving e pode selecionar o valor que desejar. Até à hora da publicação deste artigo já tinham sido recolhidos quase seis mil euros.
Save The Children
“A Europa está a atravessar a pior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. As crianças estão a sofrer e precisam da nossa ajuda”.
Esta organização não governamental com sede no Reino Unido também está a recolher donativos. Poderá contribuir na página ou por telefone: 0800 8148 148
ACOLHIMENTO/INTEGRAÇÃO/ VOLUNTARIADO
CPR
O Conselho Português para os Refugiados aceita ajuda de pessoas que estejam disponíveis para acolher famílias sírias em sua casa.
Além de um teto, a CPR também está sempre disponível para aceitar voluntários. A instituição tem dois centros de acolhimento: um na Bobadela e outro, exclusivo para crianças, em Lisboa.
A partir da próxima sexta-feira, a CPR vai apresentar a Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), que pretende juntar várias organizações para criar as condições essenciais para os refugiados serem recebido em Portugal.
Para entrar em contacto, poderá fazê-lo pelo e-mail: geral@cpr.pt
ACNUR
A Agência das Nações Unidas para os Refugiados aceita voluntários e estagiários. No primeiro caso, encontrará mais informação aqui. Relativamente aos estágios, que têm a duração de seis meses, pode apresentar a sua candidatura aqui.
OUTRAS
Amazon
A Amazon disponibiliza uma lista de produtos que podem ser adquiridos online por qualquer pessoa. Depois, as compras são enviada a 17 de Setembro para Calais e para a Grécia.
Estão à venda enlatados, estojos de primeiros socorros, dicionários de inglês, tendas, lanternas, entre outros.
3.2.15
Mandato de António Guterres no ACNUR prolongado até final de 2015
in Diário de Notícias
A decisão tomada pela Assembleia-Geral da ONU de prolongamento do mandato até ao final de 2015 foi recomendada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
A Assembleia-Geral das Nações Unidas prolongou hoje até ao final deste ano o mandato do antigo primeiro-ministro português António Guterres como Alto-comissário da ONU para os Refugiados.
António Guterres foi eleito para o cargo de Alto-comissário da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) em junho de 2005 e foi reeleito cinco anos depois para um segundo mandato, que termina em junho deste ano.
A decisão tomada pela Assembleia-Geral da ONU de prolongamento do mandato até ao final de 2015 foi recomendada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
Portugal, Turquia e Coreia do Sul foram alguns dos países que aplaudiram a decisão, sublinhando os problemas dos refugiados que se vive hoje em dia no mundo e a necessidade de que o ACNUR funcione sem interrupções.
Conflitos como a Síria, Iraque, Ucrânia, Líbia, Nigéria e Sudão do Sul fizeram disparar o número de pessoas refugiadas nos últimos meses.
No início do ano, o jornal Sol noticiava que um eventual prolongamento do mandato de Guterres no ACNUR até ao final do ano o colocaria fora da corrida a Belém, notícia que foi desmentida pelo próprio em declarações ao Expresso. António Guterres sublinhou que, independentemente da decisão da ONU, seria "sempre livre de decidir" a sua vida.
Na prática, o antigo governante deixou implícito que, mesmo que a ONU decidisse não prescindir dele no cargo até ao final de 2015, nada o impediria de se candidatar às presidenciais de 2016, se assim o quisesse.
A decisão tomada pela Assembleia-Geral da ONU de prolongamento do mandato até ao final de 2015 foi recomendada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
A Assembleia-Geral das Nações Unidas prolongou hoje até ao final deste ano o mandato do antigo primeiro-ministro português António Guterres como Alto-comissário da ONU para os Refugiados.
António Guterres foi eleito para o cargo de Alto-comissário da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) em junho de 2005 e foi reeleito cinco anos depois para um segundo mandato, que termina em junho deste ano.
A decisão tomada pela Assembleia-Geral da ONU de prolongamento do mandato até ao final de 2015 foi recomendada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
Portugal, Turquia e Coreia do Sul foram alguns dos países que aplaudiram a decisão, sublinhando os problemas dos refugiados que se vive hoje em dia no mundo e a necessidade de que o ACNUR funcione sem interrupções.
Conflitos como a Síria, Iraque, Ucrânia, Líbia, Nigéria e Sudão do Sul fizeram disparar o número de pessoas refugiadas nos últimos meses.
No início do ano, o jornal Sol noticiava que um eventual prolongamento do mandato de Guterres no ACNUR até ao final do ano o colocaria fora da corrida a Belém, notícia que foi desmentida pelo próprio em declarações ao Expresso. António Guterres sublinhou que, independentemente da decisão da ONU, seria "sempre livre de decidir" a sua vida.
Na prática, o antigo governante deixou implícito que, mesmo que a ONU decidisse não prescindir dele no cargo até ao final de 2015, nada o impediria de se candidatar às presidenciais de 2016, se assim o quisesse.
7.1.15
ONU. Cerca de 5,5 milhões de novos deslocados no primeiro semestre de 2014
in iOnline
Cerca de 5,5 milhões de pessoas ter-se-ão tornado novos deslocados nos primeiros seis meses de 2014, em mais um aumento no número dos que são forçados a abandonar as suas casas, indica um relatório da ONU divulgado hoje.
O estudo do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), relativo ao primeiro semestre do ano passado, refere que 1,4 milhões daqueles 5,5 milhões de pessoas “fugiram através das fronteiras internacionais tornando-se refugiados”.
Em meados de 2014, o ACNUR apoiava no total 46,3 milhões de pessoas, mais 3,4 milhões do que no final de 2013.
O estudo mostra uma mudança na distribuição regional das populações refugiadas. Se até 2014 a região com a maior população de refugiados era a da Ásia e do Pacífico, devido à crise na Síria a zona com o maior número de refugiados passou a ser o Médio Oriente e o norte de África.
O relatório mostra ainda que os sírios se tornaram pela primeira vez a maior população dos ajudados pelo ACNUR, representando 23% de todos os refugiados e ultrapassando os afegãos que ocuparam aquela posição durante mais de três décadas.
Depois da Síria (3 milhões de refugiados em Junho de 2014) e do Afeganistão (2,7 milhões), os principais países de origem dos refugiados são a Somália (1,1 milhões), Sudão (670.000), Sudão do Sul (509.000), República Democrática do Congo (493.000), Birmânia (480.000) e Iraque (426.000).
A lista dos países que acolhem mais refugiados é encimada pelo Paquistão (1,6 milhões de refugiados afegãos) e inclui o Líbano (1,1 milhões), Irão (982.000), Turquia (824.000), Jordânia (737.000), Etiópia (588.000), Quénia (537.000) e Chade (455.000).
“Em 2014, vimos o número de pessoas sob os nossos cuidados crescer para níveis sem precedentes. Enquanto a comunidade internacional continuar sem encontrar soluções políticas para os conflitos existentes e sem prevenir o começo de outros, vamos continuar a ter de lidar com as dramáticas consequências humanitárias”, declarou o Alto-comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres, citado num comunicado.
O responsável do ACNUR assinalou que são sobretudo “comunidades pobres” que têm suportado os custos do apoio aos refugiados, apelando a um reforço da solidariedade internacional para “evitar o risco de mais pessoas e mais vulneráveis ficarem sem o suporte adequado”.
Lusa
Cerca de 5,5 milhões de pessoas ter-se-ão tornado novos deslocados nos primeiros seis meses de 2014, em mais um aumento no número dos que são forçados a abandonar as suas casas, indica um relatório da ONU divulgado hoje.
O estudo do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), relativo ao primeiro semestre do ano passado, refere que 1,4 milhões daqueles 5,5 milhões de pessoas “fugiram através das fronteiras internacionais tornando-se refugiados”.
Em meados de 2014, o ACNUR apoiava no total 46,3 milhões de pessoas, mais 3,4 milhões do que no final de 2013.
O estudo mostra uma mudança na distribuição regional das populações refugiadas. Se até 2014 a região com a maior população de refugiados era a da Ásia e do Pacífico, devido à crise na Síria a zona com o maior número de refugiados passou a ser o Médio Oriente e o norte de África.
O relatório mostra ainda que os sírios se tornaram pela primeira vez a maior população dos ajudados pelo ACNUR, representando 23% de todos os refugiados e ultrapassando os afegãos que ocuparam aquela posição durante mais de três décadas.
Depois da Síria (3 milhões de refugiados em Junho de 2014) e do Afeganistão (2,7 milhões), os principais países de origem dos refugiados são a Somália (1,1 milhões), Sudão (670.000), Sudão do Sul (509.000), República Democrática do Congo (493.000), Birmânia (480.000) e Iraque (426.000).
A lista dos países que acolhem mais refugiados é encimada pelo Paquistão (1,6 milhões de refugiados afegãos) e inclui o Líbano (1,1 milhões), Irão (982.000), Turquia (824.000), Jordânia (737.000), Etiópia (588.000), Quénia (537.000) e Chade (455.000).
“Em 2014, vimos o número de pessoas sob os nossos cuidados crescer para níveis sem precedentes. Enquanto a comunidade internacional continuar sem encontrar soluções políticas para os conflitos existentes e sem prevenir o começo de outros, vamos continuar a ter de lidar com as dramáticas consequências humanitárias”, declarou o Alto-comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres, citado num comunicado.
O responsável do ACNUR assinalou que são sobretudo “comunidades pobres” que têm suportado os custos do apoio aos refugiados, apelando a um reforço da solidariedade internacional para “evitar o risco de mais pessoas e mais vulneráveis ficarem sem o suporte adequado”.
Lusa
5.11.14
Uma década para garantir que todos os seres humanos têm direito a um país
Ana Fonseca Pereira, in Público on-line
O ACNUR calcula que há dez milhões de apátridas no mundo. A cada dez minutos nasce mais uma criança condenada a esta "forma silenciosa de exclusão".
Nascem longe do país dos seus pais ou num Estado que não os reconhece como seus; perderam a única cidadania que tiveram por causa dos turbilhões da história ou de guerras que os obrigaram a fugir à pressa, sem qualquer documento. São apátridas, pelo menos dez milhões de pessoas em todo o mundo, um terço das quais crianças, que por não terem um documento que as identifique são privadas dos direitos mais básicos.
“Sem nacionalidade não somos mais do que um animal selvagem que vagueia de um sítio para o outro”, disse à Reuters Maryam Draogo, que só há poucos meses conseguiu ser reconhecida como cidadã da Costa do Marfim. “Não somos ninguém, não pertencemos a lado nenhum”, explicou, no mesmo dia em que o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) pôs em marcha uma campanha internacional com um objectivo ambicioso: assegurar que no prazo de dez anos não haverá um único ser humano sem direito a ter um país que possa chamar seu.
“Ser apátrida faz as pessoas sentir que a sua própria existência é um crime”, disse António Guterres, o alto-comissário, no arranque da iniciativa I Belong (Eu Pertenço), lançada 60 anos depois de as Nações Unidas se terem comprometido pela primeira vez a resolver esta “forma silenciosa de exclusão”. Mas, apesar de progressos recentes, a cada dez minutos nasce no mundo uma criança sem direito à cidadania, calcula o ACNUR – um ser humano a quem provavelmente será negado o direito de estudar, de ser tratado num hospital, de ter um emprego estável, de viajar livremente ou de sequer se casar. Estes “fantasmas legais”, como lhes chama a ONU, estarão por isso mais expostos à pobreza, a abusos e até à escravatura – sem nacionalidade, nenhum Estado defende os seus direitos e não podem recorrer também aos tribunais.
“Isto é absolutamente inaceitável, é uma anomalia em pleno século XXI”, afirma Guterres, primeiro signatário de uma carta aberta onde constam os nomes de 30 celebridades, incluindo a embaixadora do ACNUR Angelina Jolie e o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, e que será agora transformada numa petição com o objectivo de recolher dez milhões de assinaturas.
São diversas as razões pelas quais alguém nasce ou se torna apátrida. Uma das principais é a discriminação étnica e religiosa que explica, por exemplo, que a Birmânia não reconheça cerca de um milhão de rohingyas (minoria islâmica do país) ou que só recentemente o Bangladesh tenha permitido ao povo bihari (de origem indiana) adquirir a nacionalidade. Mas há também o caso dos cidadãos de países que deixaram de existir, como a ex-União Soviética, e que não foram reconhecidos por nenhum outro – dos cerca de 600 mil apátridas que vivem na Europa, cerca de metade tem etnia russa e reside nos países bálticos.
Mas, hoje como no passado, a guerra permanece uma das principais causas para esta forma extrema de invisibilidade, e o conflito na Síria é um bom exemplo. O ACNUR calcula que desde 2011 nasceram 50 mil crianças sírias no exílio e só no Líbano, o país que mais refugiados recebeu, 70% delas não foram registadas à nascença. A Síria é um dos 27 países que não reconhecem o direito das mulheres a transmitir a sua nacionalidade aos filhos e muitas das mães que dão à luz nos campos de refugiados deixaram os maridos para trás ou não trouxeram consigo a certidão de casamento necessária para registar os recém-nascidos.
O ACNUR diz, no entanto, que há sinais de optimismo – alterações à lei em vários países permitiram a quatro milhões de pessoas obter a nacionalidade – e propõe um plano de acção para garantir que, em 2024, nenhuma criança nasce sem ter direito a um país e assegurar que todos os Estados removem das leis de cidadania todas as discriminações com base no género, religião ou etnia. “Há 60 anos, o mundo decidiu proteger as pessoas sem pátria”, lembram os signatários da carta, dizendo que “agora é tempo de pôr fim a essa situação”.
O ACNUR calcula que há dez milhões de apátridas no mundo. A cada dez minutos nasce mais uma criança condenada a esta "forma silenciosa de exclusão".
Nascem longe do país dos seus pais ou num Estado que não os reconhece como seus; perderam a única cidadania que tiveram por causa dos turbilhões da história ou de guerras que os obrigaram a fugir à pressa, sem qualquer documento. São apátridas, pelo menos dez milhões de pessoas em todo o mundo, um terço das quais crianças, que por não terem um documento que as identifique são privadas dos direitos mais básicos.
“Sem nacionalidade não somos mais do que um animal selvagem que vagueia de um sítio para o outro”, disse à Reuters Maryam Draogo, que só há poucos meses conseguiu ser reconhecida como cidadã da Costa do Marfim. “Não somos ninguém, não pertencemos a lado nenhum”, explicou, no mesmo dia em que o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) pôs em marcha uma campanha internacional com um objectivo ambicioso: assegurar que no prazo de dez anos não haverá um único ser humano sem direito a ter um país que possa chamar seu.
“Ser apátrida faz as pessoas sentir que a sua própria existência é um crime”, disse António Guterres, o alto-comissário, no arranque da iniciativa I Belong (Eu Pertenço), lançada 60 anos depois de as Nações Unidas se terem comprometido pela primeira vez a resolver esta “forma silenciosa de exclusão”. Mas, apesar de progressos recentes, a cada dez minutos nasce no mundo uma criança sem direito à cidadania, calcula o ACNUR – um ser humano a quem provavelmente será negado o direito de estudar, de ser tratado num hospital, de ter um emprego estável, de viajar livremente ou de sequer se casar. Estes “fantasmas legais”, como lhes chama a ONU, estarão por isso mais expostos à pobreza, a abusos e até à escravatura – sem nacionalidade, nenhum Estado defende os seus direitos e não podem recorrer também aos tribunais.
“Isto é absolutamente inaceitável, é uma anomalia em pleno século XXI”, afirma Guterres, primeiro signatário de uma carta aberta onde constam os nomes de 30 celebridades, incluindo a embaixadora do ACNUR Angelina Jolie e o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, e que será agora transformada numa petição com o objectivo de recolher dez milhões de assinaturas.
São diversas as razões pelas quais alguém nasce ou se torna apátrida. Uma das principais é a discriminação étnica e religiosa que explica, por exemplo, que a Birmânia não reconheça cerca de um milhão de rohingyas (minoria islâmica do país) ou que só recentemente o Bangladesh tenha permitido ao povo bihari (de origem indiana) adquirir a nacionalidade. Mas há também o caso dos cidadãos de países que deixaram de existir, como a ex-União Soviética, e que não foram reconhecidos por nenhum outro – dos cerca de 600 mil apátridas que vivem na Europa, cerca de metade tem etnia russa e reside nos países bálticos.
Mas, hoje como no passado, a guerra permanece uma das principais causas para esta forma extrema de invisibilidade, e o conflito na Síria é um bom exemplo. O ACNUR calcula que desde 2011 nasceram 50 mil crianças sírias no exílio e só no Líbano, o país que mais refugiados recebeu, 70% delas não foram registadas à nascença. A Síria é um dos 27 países que não reconhecem o direito das mulheres a transmitir a sua nacionalidade aos filhos e muitas das mães que dão à luz nos campos de refugiados deixaram os maridos para trás ou não trouxeram consigo a certidão de casamento necessária para registar os recém-nascidos.
O ACNUR diz, no entanto, que há sinais de optimismo – alterações à lei em vários países permitiram a quatro milhões de pessoas obter a nacionalidade – e propõe um plano de acção para garantir que, em 2024, nenhuma criança nasce sem ter direito a um país e assegurar que todos os Estados removem das leis de cidadania todas as discriminações com base no género, religião ou etnia. “Há 60 anos, o mundo decidiu proteger as pessoas sem pátria”, lembram os signatários da carta, dizendo que “agora é tempo de pôr fim a essa situação”.
3.4.14
“Escolhi morrer em vez de ver os meus filhos morrerem à minha frente”
Sofia Lorena, in Público on-line
Mãe de quatro filhos, Mariam tinha perdido a ajuda do ACNUR, quando a agência da ONU decidiu reduzir o número de refugiados abrangidos pelo subsídio mensal. A semana passada imolou-se pelo fogo.
Mariam al-Khawli recusou ver os filhos “morrerem um milhão de vezes” diante dos seus olhos. Fê-lo imolando-se pelo fogo diante dos quatro filhos. Agora, hospitalizada com queimaduras de terceiro e segundo graus no rosto e no peito, não quer que os filhos a vejam assim e faz o marido chorar quando lhe diz que prefere que eles se lembram dela como antes.
Mariam conseguiu escapar à violência na Síria e trazer os quatro filhos em segurança até ao Líbano. Fugiu já há dois anos de Homs, a mais castigada das cidades sírias, onde se morreu debaixo de bombas lançadas pelo regime e à fome, durante o mais longo cerco ordenado por Bashar al-Assad. Mariam conseguiu trazer a família em segurança até ao Líbano e foi aqui que não aguentou mais.
“É difícil, é difícil para uma mãe querer alimentar os seus filhos. Eles queimaram-me o coração, queimaram-me o coração antes de queimarem o meu corpo. Para eles, eu era como um insecto”, diz Mariam aos jornalistas da CNN, que a visitaram no hospital libanês onde está internada, cara e corpo envoltos em ligaduras. A equipa da televisão norte-americana não foi autorizada a entrar no quarto (só o pessoal médico o pode fazer) mas falou com Mariam através de um intercomunicador.
Muitos refugiados sírios no Líbano vivem numa situação desesperada. São cada vez mais – um milhão, anunciou esta quinta-feira o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados – e a ajuda não tem aumentado ao ritmo necessário, ao mesmo tempo que aumenta o número dos que já esgotaram o dinheiro com que conseguiram fugir.
Em Setembro do ano passado, quando contabilizava 720 mil sírios no Líbano, o ACNUR anunciou que a 1 de Outubro ia deixar de ajudar os refugiados de forma “maciça”. Por não ter conseguido reunir os fundos necessários, e por ter identificado famílias que conseguiriam sobreviver sozinhas, a agência explicou que ia retirar a ajuda mensal, vouchers que podem ser trocados em supermercados, a 200 mil pessoas.
Mariam, o marido, Ahmad al-Daher, e os quatro filhos, com idades entre os 13 e os 22 anos, foram excluídos da lista dos mais vulneráveis e perderam o subsídio mensal. Três dos filhos do casal têm uma doença sanguínea que dificulta a digestão de alguns alimentos e pode provocar anemia hemolítica.
“Eu sou mãe, os meus filhos estavam a ficar tontos por causa da falta de comida, um dizia ‘eu não consigo levantar a cabeça’, o outro dizia ‘eu não consigo mexer as pernas’”, recorda Mariam.
As famílias que perderam a ajuda do ACNUR podem recorrer da decisão. “Fui ter com eles muitas vezes, disse-lhes que deviam ter feito um erro”, diz Mariam à CNN. “Eles mentiram-me, gozaram comigo, gritaram comigo, ‘sai daqui’.”
O ACNUR garante que Mariam não foi maltratada, mas está a averiguar se as alegações desta síria têm algum fundamento. Agora, para além de pagar as suas despesas médicas, o ACNUR avalia se a família é elegível para voltar a ser incluída no programa de ajuda alimentar. A agência da ONU também diz que não tem registo de nenhum pedido de recurso e que chegou a oferecer à família abrigo num alojamento partilhado, o que o casal terá recusado, por temer que as filhas vivessem entre estranhos.
Promessas vazias
Certo é que Mariam se deslocou várias vezes ao centro de registo do ACNUR na cidade de Trípoli, no Norte do Líbano. A última vez, no dia 25 de Março, imolou-se pelo fogo.
“Ela disse: ‘Há três dias seguidos que venho pedir ajuda para mim e para os meus quatro filhos e mandam-me sempre embora, com promessas de ajuda se voltar no dia seguinte. Mas essas promessas são vazias.” Estas foram as palavras que Abu Riad al-Amudi, um vendedor ambulante, ouviu a Mariam. Depois, viu-a a tirar de um saco “uma pequena garrafa de água de plástico,”, contou Amudi ao jornal francês La Croix. “Despejou o conteúdo por cima da cabeça e da roupa. Era gasóleo. Pegou num isqueiro e imolou-se.”
“O meu coração arde pelos meus filhos. Espero que Deus me perdoe, quero que a minha voz chegue a todas as mães, a todas as pessoas com consciência”, diz agora, Mariam. “Queria que os meus filhos fossem independentes, trabalhei muito para que pudesse ter uma educação, trabalhei muito nesta vida para que eles chegassem à universidade.”
Em Março passaram três anos desde que os sírios fizeram as primeiras manifestações pacíficas contra a ditadura, dois meses depois da queda de Ben Ali, na Tunísia – os tunisinos saíram à rua indignados com a morte do jovem Mohamed Bouazizi, que se imolou pelo fogo. Bashar al-Assad mandou esmagar os protestos à força: a repressão e a guerra civil que se seguiu, bem como os ataques de jihadistas estrangeiros que entretanto acorreram ao país, já mataram mais de 150 mil pessoas e obrigaram nove milhões, quase um terço da população, a deixar as suas casas.
Mãe de quatro filhos, Mariam tinha perdido a ajuda do ACNUR, quando a agência da ONU decidiu reduzir o número de refugiados abrangidos pelo subsídio mensal. A semana passada imolou-se pelo fogo.
Mariam al-Khawli recusou ver os filhos “morrerem um milhão de vezes” diante dos seus olhos. Fê-lo imolando-se pelo fogo diante dos quatro filhos. Agora, hospitalizada com queimaduras de terceiro e segundo graus no rosto e no peito, não quer que os filhos a vejam assim e faz o marido chorar quando lhe diz que prefere que eles se lembram dela como antes.
Mariam conseguiu escapar à violência na Síria e trazer os quatro filhos em segurança até ao Líbano. Fugiu já há dois anos de Homs, a mais castigada das cidades sírias, onde se morreu debaixo de bombas lançadas pelo regime e à fome, durante o mais longo cerco ordenado por Bashar al-Assad. Mariam conseguiu trazer a família em segurança até ao Líbano e foi aqui que não aguentou mais.
“É difícil, é difícil para uma mãe querer alimentar os seus filhos. Eles queimaram-me o coração, queimaram-me o coração antes de queimarem o meu corpo. Para eles, eu era como um insecto”, diz Mariam aos jornalistas da CNN, que a visitaram no hospital libanês onde está internada, cara e corpo envoltos em ligaduras. A equipa da televisão norte-americana não foi autorizada a entrar no quarto (só o pessoal médico o pode fazer) mas falou com Mariam através de um intercomunicador.
Muitos refugiados sírios no Líbano vivem numa situação desesperada. São cada vez mais – um milhão, anunciou esta quinta-feira o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados – e a ajuda não tem aumentado ao ritmo necessário, ao mesmo tempo que aumenta o número dos que já esgotaram o dinheiro com que conseguiram fugir.
Em Setembro do ano passado, quando contabilizava 720 mil sírios no Líbano, o ACNUR anunciou que a 1 de Outubro ia deixar de ajudar os refugiados de forma “maciça”. Por não ter conseguido reunir os fundos necessários, e por ter identificado famílias que conseguiriam sobreviver sozinhas, a agência explicou que ia retirar a ajuda mensal, vouchers que podem ser trocados em supermercados, a 200 mil pessoas.
Mariam, o marido, Ahmad al-Daher, e os quatro filhos, com idades entre os 13 e os 22 anos, foram excluídos da lista dos mais vulneráveis e perderam o subsídio mensal. Três dos filhos do casal têm uma doença sanguínea que dificulta a digestão de alguns alimentos e pode provocar anemia hemolítica.
“Eu sou mãe, os meus filhos estavam a ficar tontos por causa da falta de comida, um dizia ‘eu não consigo levantar a cabeça’, o outro dizia ‘eu não consigo mexer as pernas’”, recorda Mariam.
As famílias que perderam a ajuda do ACNUR podem recorrer da decisão. “Fui ter com eles muitas vezes, disse-lhes que deviam ter feito um erro”, diz Mariam à CNN. “Eles mentiram-me, gozaram comigo, gritaram comigo, ‘sai daqui’.”
O ACNUR garante que Mariam não foi maltratada, mas está a averiguar se as alegações desta síria têm algum fundamento. Agora, para além de pagar as suas despesas médicas, o ACNUR avalia se a família é elegível para voltar a ser incluída no programa de ajuda alimentar. A agência da ONU também diz que não tem registo de nenhum pedido de recurso e que chegou a oferecer à família abrigo num alojamento partilhado, o que o casal terá recusado, por temer que as filhas vivessem entre estranhos.
Promessas vazias
Certo é que Mariam se deslocou várias vezes ao centro de registo do ACNUR na cidade de Trípoli, no Norte do Líbano. A última vez, no dia 25 de Março, imolou-se pelo fogo.
“Ela disse: ‘Há três dias seguidos que venho pedir ajuda para mim e para os meus quatro filhos e mandam-me sempre embora, com promessas de ajuda se voltar no dia seguinte. Mas essas promessas são vazias.” Estas foram as palavras que Abu Riad al-Amudi, um vendedor ambulante, ouviu a Mariam. Depois, viu-a a tirar de um saco “uma pequena garrafa de água de plástico,”, contou Amudi ao jornal francês La Croix. “Despejou o conteúdo por cima da cabeça e da roupa. Era gasóleo. Pegou num isqueiro e imolou-se.”
“O meu coração arde pelos meus filhos. Espero que Deus me perdoe, quero que a minha voz chegue a todas as mães, a todas as pessoas com consciência”, diz agora, Mariam. “Queria que os meus filhos fossem independentes, trabalhei muito para que pudesse ter uma educação, trabalhei muito nesta vida para que eles chegassem à universidade.”
Em Março passaram três anos desde que os sírios fizeram as primeiras manifestações pacíficas contra a ditadura, dois meses depois da queda de Ben Ali, na Tunísia – os tunisinos saíram à rua indignados com a morte do jovem Mohamed Bouazizi, que se imolou pelo fogo. Bashar al-Assad mandou esmagar os protestos à força: a repressão e a guerra civil que se seguiu, bem como os ataques de jihadistas estrangeiros que entretanto acorreram ao país, já mataram mais de 150 mil pessoas e obrigaram nove milhões, quase um terço da população, a deixar as suas casas.
28.10.13
Perseguições levam ACNUR a pedir à Europa que acolha mais refugiados sírios
in Diário dos Açores
A Amnistia diz que numa visita a uma esquadra de polícia em Alexandria encontrou 40 refugiados sírios detidos sem ordem judicial, dez dos quais eram crianças, incluindo dois gémeos com apenas um ano de idade. Os refugiados contaram que a polícia ameaçou transferi-los para uma prisão no Cairo a menos que assinem um papel aceitando ser deportados para outros países da região ou levados de novo para a Síria.
[leia aqui o artigo no íntegra]
A Amnistia diz que numa visita a uma esquadra de polícia em Alexandria encontrou 40 refugiados sírios detidos sem ordem judicial, dez dos quais eram crianças, incluindo dois gémeos com apenas um ano de idade. Os refugiados contaram que a polícia ameaçou transferi-los para uma prisão no Cairo a menos que assinem um papel aceitando ser deportados para outros países da região ou levados de novo para a Síria.
[leia aqui o artigo no íntegra]
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