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29.1.16

Novos brinquedos são “mais democráticos”

Carla Tomás, in "Expresso"

Bonecos da Lego em cadeiras de roda e Barbies baixas e roliças são duas das novidades de 2016. “É uma forma de democratizarmos os brinquedos”, aplaude o psicólogo Eduardo Sá

Ultrapassado o meio século de vida, a Barbie, a boneca mais famosa do mundo, passa a existir em três versões de corpos diferentes, um mais alto, outro mais baixo e outro curvilíneo, e conta ainda com sete novos tons de pele (já as havia brancas e negras) e com mais de duas dezenas de cores de olhos e de estilos de penteados. Também a Lego inovou em resposta ao mercado. Um boneco em cadeira de rodas será a primeira figura com deficiência a integrar a coleção "Diversão No Parque".

Estas novidades no mundo dos brinquedos são "uma forma de democratizarmos os brinquedos e de dizermos às crianças que não é por não terem linhas irrepreensíveis que não são bonitas", aplaude o psicólogo Eduardo Sá, lembrando também que "as brincadeiras servem para as crianças se aproximarem da realidade".

Também a pedopsiquiatra Catarina Cordovil sublinha "a excelente iniciativa, que permitirá diminuir o estigma associado a crianças portadoras de deficiência e assim desenvolver competências sociais e promover os processos de empatia".

Em comunicado, a Mattel justifica a aposta afirmando que "a Barbie é um reflexo do mundo tal como as raparigas o veem hoje". E Evelyn Mazzocco, diretora-geral da marca, defende que a empresa tem "responsabilidade para com as raparigas de refletir uma visão mais alargada da beleza". Esta pode ser também uma tentativa de impulsionar as vendas da icónica boneca, que têm estado em queda nos últimos três anos.

Também a Lego foi ao encontro do mercado. O novo boneco em cadeira de rodas vai ao encontro de uma petição pública online – #ToyLikeMe – que apelou à marca para que incluísse brinquedos representativos da diversidade. A campanha, lançada no ano passado nas redes sociais, lembrava que a Lego continuava a excluir a representação de 150 milhões de crianças com deficiência no mundo e que era necessária uma mudança cultural.

19.1.16

Riqueza de 1% da população superou a dos restantes 99% em 2015

in Negócios on-line

A riqueza acumulada por 1% da população mundial, os mais ricos, superou a dos 99% restantes, em 2015, um ano mais cedo do que se previa, segundo a organização não governamental Oxfam, a dois dias do Fórum Económico Mundial de Davos "O fosso entre a franja dos mais ricos e o resto da população (o planeta) aumentou de forma dramática nos últimos doze meses", segundo um relatório da organização não-governamental (ONG) britânica Oxfam , intitulado "Uma economia a serviço de 1%". "No ano passado, a Oxfam estimava que isso acontecesse em 2016. No entanto, aconteceu em 2015: um ano antes", sublinha. Para ilustrar o agravamento das desigualdades durante os últimos anos, a ONG calcula que "62 pessoas possuem tanto capital como a metade mais pobre da população mundial", quando, há cinco anos, era a riqueza de 388 pessoas que estava equiparada a essa metade. A dois dias do Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça, onde se vão encontrar os líderes políticos e responsáveis das empresas mais influentes do mundo, a Oxfam apela aos participantes do influente encontro a agir. "Não podemos continuar a deixar que centenas de milhões de pessoas tenham fome, quando os recursos para os ajudar estão concentrados, ao mais alto nível, em tão poucas pessoas", afirma Manon Aubry, directora dos assuntos de justiça fiscal e desigualdades da Oxfam, em França, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP). Segundo a ONG, "desde o início do século XXI que a metade mais pobre da humanidade beneficia de menos de 1% do aumento total da riqueza mundial, enquanto os 1% mais ricos partilharam metade desse mesmo aumento". Para combater o crescimento destas desigualdades, a Oxfam apela ao fim da "era dos paraísos fiscais", sublinhando que nove em dez empresas que figuram entre "os sócios estratégicos" do Fórum Económico Mundial de Davos "estão presentes em pelo menos um paraíso fiscal". "Devemos abordar os Governos, as empresas e as elites económicas presentes em Davos a empenharem-se para acabar com esta era de paraísos fiscais, que alimenta as desigualdades globais, e impedir que centenas de milhões de pessoas da pobreza", diz Winnie Byanyima, diretor-geral da Oxfam International, que estará presente em Davos. No ano passado, vários economistas contestaram a metodologia utilizada pela Oxfam, com a ONG a defender o método utilizado no estudo de forma simples: o cálculo do património líquido, ou seja, os activos detidos menos dívida. A pequena localidade suíça de Davos vai acolher, a partir da próxima quarta-feira, os líderes políticos e responsáveis das empresas mais influentes do mundo para debater a "4.ª revolução industrial", no âmbito do Fórum Económico Internacional Mundial (WEF). Esta 46.ª edição do WEF, que termina a 23 de Janeiro, ocorre numa altura em que o medo da ameaça terrorista e a falta de respostas coerentes para a crise de refugiados na Europa se juntam às dificuldades que a economia mundial encontra para voltar a crescer e à forte desaceleração das economias emergentes. Segundo o presidente do WEF, Klaus Schwab, a "'4.ª revolução industrial' refere-se à fusão das tecnologias", nomeadamente no mundo digital, que "tem efeitos muito importantes nos sistemas político, económico e social".

25.9.15

Papa pede abolição da pena de morte e melhor repartição da riqueza

Abel Coelho de Morais, in Diário de Notícias

EUA. Na primeira intervenção de um papa perante o Congresso, Francisco defendeu o direito dos imigrantes a permanecerem no país

O Papa Francisco exortou ontem os Estados Unidos a não esquecerem os princípios sobre os quais foram fundados, devendo, por isso, acolher com dignidade os imigrantes indocumentados, as vítimas de conflitos religiosos e de grupos étnicos perseguidos. Exortou ainda os EUA a combaterem as desigualdades no país e no mundo e a atuarem de forma mais eficaz no combate às alterações climáticas. Pediu ainda que fosse abolida na América e em todo o mundo a pena de morte.

As palavras de Francisco foram proferidas numa sessão conjunta do Congresso dos EUA, sendo o Papa argentino o primeiro sumo pontífice a falar perante a Câmara dos Representantes e os membros do Senado. A intervenção de Francisco, que está a realizar uma visita de seis dias aos EUA, foi seguida também fora do Capitólio por milhares de pessoas reunidas junto de grandes ecrãs para ouvirem o Papa.

Recordando que ele próprio é "filho de imigrantes" naturais de Itália que se fixaram na Argentina, Francisco defendeu que os EUA devem abandonar a "mentalidade de hostilidade" para com "os estranhos que estão entre nós".

Perante uma audiência de maioria republicana - este partido domina quer a Câmara dos Representantes quer o Senado -, o pontífice argentino sublinhou que a "cons- trução de uma nação exige de nós que reconheçamos a necessidade de nos relacionarmos com os outros". Citando o apóstolo Mateus, o Papa afirmou que "os outros" devem ser tratados "com a mesma paixão e compaixão com que desejamos ser tratados. Procuremos para os outros as mesmas possibilidades que buscamos para nós mesmos. Ajudemos os outros a crescer, como quereríamos ser ajudados nós mesmos". E citou ainda uma frase da Declaração da Independência de 1776 - "todos os homens são criados iguais" - para sustentar a afirmação.

Lendo com forte sotaque latino um dos quatro discursos em inglês a pronunciar durante a sua visita aos EUA, Francisco recordou que desde o início do seu pontificado sustentou "a abolição global da pena de morte", voltou a exigir o fim desta não só na América como no resto do mundo.

A pena de morte aplica-se nos EUA, ainda que seja em países como a China e países muçulmanos como Irão e a Arábia Saudita onde mais pessoas são executadas. Neste ano, 20 detidos já foram sujeitos à pena capital. Na China foram executadas mais de mil pessoas no ano transato e, para o mesmo período de tempo, 369 no Irão, de acordo com a Amnistia Internacional. É ainda esta entidade a indicar que, no ano passado, foram alvo da pena capital 607 pessoas, total que não inclui a China, onde o número de execuções é secreto.

O Papa recordou que, "recentemente, os meus irmãos bispos aqui nos Estados Unidos renovaram o seu apelo pela abolição da pena de morte. Não só os apoio, mas encorajo também todos aqueles que estão convencidos de que uma punição justa e necessária nunca deve excluir a dimensão da esperança e o objetivo da reabilitação".

No capítulo das preocupações ambientais e económicas, cuja interdependência o Papa deixou explícita na encíclica Laudato si", na intervenção perante o Congresso abordou o tema, com amplas citações do documento que provocou grande irritação entre alguns setores dos republicanos e no tecido empresarial e político dos EUA. E colocou particular na ideia de que se "a política deve estar verdadeiramente ao serviço da pessoa humana", então "não pode estar submetida à economia e às finanças. É que a política é expressão da nossa insuprível necessidade de vivermos juntos em unidade, para podermos construir unidos o bem comum maior: uma comunidade que sacrifique os interesses particulares". Para, uma vez mais, acentuar que "parte essencial" da "nobre vocação da empresa" é o seu "serviço ao bem comum".

No discurso, o Papa citou o "exemplo" e a "inspiração" de quatro americanos: Abraham Lincoln, Martin Luther King, Dorothy Day (fundadora do Catholic Worker Movement, o Movimento dos Trabalhadores Católicos) e Thomas Merton (monge, defensor do diálogo inter--religioso e estudioso das religiões). A partir destes "quatro representantes do povo americano", Francisco destacou a importância e valor da "liberdade", da "pluralidade e não exclusão", da "justiça social e os direitos das pessoas", a "capacidade de diálogo e abertura a Deus".

Ao longo daquela que foi até agora a sua intervenção mais importante, Francisco foi frequentes vezes interrompido por aplausos. O Papa partiu depois para Nova Iorque, onde hoje fala perante a Assembleia Geral da ONU.

11.2.15

Cuidados de saúde universais são essenciais para combater a desigualdade

in Correio da Manhã

A ausência de um sistema de saúde gratuito empurra anualmente 100 milhões de pessoas para a pobreza.

A líder da Organização Mundial de Saúde afirmou esta terça-feira que os cuidados de saúde universais são um poderoso instrumento para combater a desigualdade, aplaudindo países como Singapura, que recentemente introduziu um sistema de proteção para pobres e idosos.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a ausência de um sistema de saúde gratuito empurra anualmente 100 milhões de pessoas para a pobreza, como resultado dos elevados custos pelos serviços necessários.

"A assistência universal na saúde é um dos mais poderosos instrumentos sociais que se podem usar. É a expressão máxima da justiça", afirmou Margaret Chan, diretora geral da OMS. "Os sistemas de saúde não vão automaticamente gravitar em direção a uma maior igualdade ou evoluir naturalmente no sentido da cobertura universal. Todos estes resultados requerem medidas deliberadas", concluiu.