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6.3.18

UNESCO: 1 em cada 5 crianças e adolescentes está fora da escola

in ONUBR

Cerca de 263 milhões de crianças e adolescentes estão fora de escola, segundo levantamento divulgado nesta semana (28) pela UNESCO. Dados também apontam disparidades entre os jovens de nações ricas e pobres — em países de baixa renda, a taxa de evasão de estudantes de 15 a 17 anos é de 59%, enquanto nos países ricos é de apenas 6%.

Cerca de 263 milhões de crianças e adolescentes estão fora da escola, segundo levantamento divulgado nesta semana (28) pela UNESCO. Isso significa que uma em cada cinco pessoas com até 17 anos não frequenta uma instituição de ensino. Dados também apontam disparidades entre os jovens de nações ricas e pobres — em países de baixa renda, a taxa de evasão de estudantes de 15 a 17 anos é de 59%, enquanto nos países ricos é de apenas 6%.

A partir de informações reunidas por seu Instituto de Estatística (UIS), a agência da ONU denuncia uma estagnação nos progressos para recuperar meninos e meninas excluídos da educação formal.
Desde 2012, o número de crianças e adolescentes fora da escola caiu pouco mais de 1 milhão.

No nível primário, a taxa de evasão escolar quase não sofreu modificações durante toda a década passada, com 9%, ou 63 milhões de crianças de seis a 11 anos fora da escola.
O problema piora conforme avança a idade — 61 milhões de adolescentes de 12 e 14 anos e 139 milhões de jovens de 15 a 17 anos não estão matriculados em nenhum colégio. Isso significa que um em cada três adolescentes não estuda.

Os jovens de 15 a 17 anos têm uma probabilidade quatro vezes maior do que crianças do primário de estarem fora da escola. Em comparação com a faixa etária dos 12 aos 14, os adolescentes mais velhos têm o dobro de chances de não frequentar uma instituição de ensino.

“Esses novos dados mostram o tamanho da lacuna que precisa ser preenchida para garantir o acesso universal à educação”, alerta a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay. “Precisamos de abordagens mais abrangentes e focadas, somadas a mais recursos para alcançar crianças e jovens que têm o direito à educação negado, com ênfase social nas meninas e em melhorar a qualidade da educação para todos.”
A dirigente acrescentou que tais mudanças são urgentes para avançar no cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável de nº 4, que prevê a garantia do acesso de todos à educação primária e secundária de qualidade.
Diferenças regionais, econômicas e de gênero

O estudo do UIS confirma que, em toda a África subsaariana, um em cada três crianças e adolescente está fora da escola. As meninas estão mais propensas a serem excluídas dos sistemas de ensino do que os meninos. Para cada cem meninos de seis a 11 anos fora da escola, há 123 garotas sem direito à educação.

Na América Latina e no Caribe, 9,9% das crianças e adolescentes não frequentam centros de ensino. O índice é menor que a média global de evasão, estimada em 17,8%, quase um quinto de todos os jovens até 17 anos de idade. Mas a taxa latino-americana e caribenha está bem mais alta do que o valor calculado na Europa (4,3%) e é maior que os índices na Ásia Central (7,6%) e no Leste e Sudeste Asiáticos (9%).
A UNESCO também ressalta que há uma profunda disparidade entre as taxas de evasão escolar nos países mais pobres e mais ricos do mundo. Nos países de baixa renda, a taxa de evasão de estudantes de 15 a 17 anos é de 59%. Nos países de renda alta, o índice cai para 6%.

“Temos também uma crise de aprendizagem, com um em seis crianças e adolescentes não atingindo os níveis mínimos de proficiência em leitura ou matemática. A educação oferecida deve ser de qualidade para todos, o que requer um monitoramento eficaz para garantir que todas as crianças estejam na escola e que estejam aprendendo o que precisam saber”, acrescentou a diretora do UIS, Silvia Montoya.

Segundo a especialista, a instituição de pesquisa está desenvolvendo novos indicadores sobre equidade na educação e resultados de aprendizagem.

Acesse o levantamento do UIS na íntegra clicando aqui (em inglês).

Os novos números foram publicados no mesmo dia em que teve início, em Paris, a quarta reunião do Comitê de Direção do ODS 4. O organismo é o principal mecanismo global de consulta e coordenação para a educação na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

A entidade se reúne uma ou duas vezes por ano para fornecer aconselhamento estratégico sobre políticas, financiamento, monitoramento, relatórios e conscientização. O comitê é composto por 38 membros que representam em sua maioria os Estados-membros, juntamente com oito agências das Nações Unidas, a Parceria Global para a Educação, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), organizações regionais, organizações de professores, redes da sociedade civil, além de representantes do setor privado, fundações, jovens e organizações estudantis.

21.2.18

As crianças estão a ser levadas pelo Al-Shabaab para combater e serem usadas como bombistas-suicidas

Cristina Pombo, in Expresso

Sem dó nem piedade, as milícias do Al-Shabaab expulsas da capital da Somália por forças governamentais há sete anos continuam a matar e a impor a sua lei islâmica sobre as populações rurais mais pobres. O “Guardian” investigou e contou as atrocidades terríveis que este grupo terrorista com ligações à Al-Qaeda continua a cometer naquele país do Corno de África

O grupo terrorista islâmico Al-Shabaab está a extorquir avultadas quantias de dinheiro a comunidades pobres nas zonas que controla na Somália. Das táticas criminosas desta milícia faz também parte o recrutamento forçado de milhares de crianças-soldado e bombistas suicidas, assim dá conta uma investigação levada a cabo por jornalistas do britânico “The Guardian”.

A informação foi conseguida a partir de documentos dos serviços secretos, transcrições de interrogatórios com desertores e entrevistas realizadas pelo jornal britânico a habitantes das áreas controladas pelo Al-Shabaab.
As populações queixam-se de ataques sistemáticos aos Direitos Humanos, o que passa ao lado das preocupações da maior parte dos analistas que não veem o grupo como uma ameaça à Europa, ao Reino Unido ou aos EUA, diz o “Guardian”.

O grupo é acusado de matar e maltratar homossexuais, de realizar casamentos forçados e usar civis como escudos humanos.

O “Guardian” descobriu vários exemplos do terror infligido a estas populações: em 2017, um homem foi apedrejado até à morte por adultério e outros cinco, entre os quais um jovem de 16 anos, foram fuzilados por alegadamente serem espiões ao serviço das autoridades somalis.

Noutro caso, ainda, um jovem de 20 anos e outro de 15 foram mortos em praça pública depois de serem considerados homossexuais por um tribunal religioso.

Sistema judicial próprio

No decurso de 2017, pelo menos mais cinco pessoas foram açoitadas por “comportamento imoral ou impróprio”. Representantes das Nações Unidas dizem ter sido alertados por várias vezes para apedrejamentos relacionados com adultério naquela região.

O Al-Shabaab chegou a controlar grande parte do centro e sul da Somália, incluindo a capital Mogadíscio, mas ataques das forças do governo obrigaram-no a retirar-se para as zonas rurais há sete anos.
Sanguinário e implacável, o Al-Shabaab tem-se debatido com constrangimentos financeiros, voltando-se agora para a extorsão de dinheiro às populações. Segundo vários relatos, “os muçulmanos são obrigados a pagar por quase tudo exceto pela entrada na mesquita”.

O grupo tem um sistema judicial próprio que muitas pessoas preferem “porque o juiz obedece à lei islâmica [sharia] e não existe nepotismo e corrupção”, disse ao “Guardian” o familiar de uma vítima de violação, cujo violador foi julgado e morto por apedrejamento. “Se tivéssemos recorrido a um tribunal do governo, não teria sido feita justiça porque o violador poderia ter pago algum dinheiro ao tribunal que o libertaria.”

Crianças-suicidas salvas do Al-Shabaab

Um membro arrependido do Al-Shabaab contou que as crianças são colocadas em internatos desde os oito anos, onde são treinadas para combater e integrar unidades de combate a meio da sua adolescência.

“Nessa altura já estão totalmente doutrinadas e fora da influência dos seus pais”, explicou Mohamed Mubarak, diretor de pesquisas do think tank Horn Institute for Security and Strategic Policy.

Segundo as autoridades do país, 32 crianças foram salvas das mãos do Al-Shabaab, em janeiro passado. Tinham sido recrutadas para serem usadas como bombistas suicidas. É também bastante comum usarem as populações como escudos humanos, relatou ao “Guardian” um membro do governo somali, responsável por fiscalizar a ajuda humanitária no centro-sul da Somália. Impedem-nas de se movimentarem porque temem os ataques aéreos se os civis saírem, mas também impõem restrições ao que podem ler ou escutar. A maior parte das pessoas só escutam as estações de rádio do Al-Shabaab e acedem a notícias através de palestras que duram várias horas, essencialmente sobre temas religiosos, nas quais todos são obrigados a participar.

“A vida é muito difícil nas áreas controladas pelo Al-Shabaab. Não há comida, não há ajuda e as crianças estão a ser levadas”, lamentou Mubarak, o diretor do Horn Institute for Security and Strategic Policy.

Mais bombardeamentos em Ghouta Oriental: "Isto é um massacre", diz médico

in Diário de Notícias

Já morreram 200 civis desde domingo, incluindo dezenas de crianças. ONU diz que a situação "está fora de controle" e exige um cessar-fogo imediato

O regime sírio prosseguiu hoje os bombardeamentos contra o bastião rebelde de Ghouta Oriental matando pelo menos 50 civis, 13 dos quais crianças, elevando a quase 200 os mortos em três dias. "Estamos perante o massacre do século XXI", disse um médico que está na região.

Os números são da organização não-governamental Observatório Sírio dos Direitos Humanos e referem-se apenas às vítimas civis registadas desde domingo naquele enclave da oposição a leste de Damasco, alvo de uma ofensiva do regime desde 05 de fevereiro.

Segundo o Observatório, os bombardeamentos das forças sírias em Ghouta Oriental fizeram 17 mortos no domingo, 127 na segunda-feira e 50 hoje.
No mesmo período, cerca de 850 pessoas foram feridas.

Com 127 mortos e 450 feridos, segunda-feira foi, segundo o Observatório, o dia com mais perdas civis naquela região desde o princípio de 2015.

O intenso bombardeamento da zona visa aparentemente abrir caminho a uma ofensiva terrestre que permita ao regime recuperar o controlo da zona, nas mãos dos rebeldes desde 2012.

Cinco hospitais também foram bombardeados na segunda-feira no leste de Ghouta e dois hospitais foram obrigados a suspender as operações e um outro ficou fora de serviço.

"Estamos perante o massacre do século XXI", disse um médico a operar no leste de Ghouta. "Se o massacre da década de 1990 fosse Srebrenica e os massacres da década de 1980 fossem Halabja e Sabra e Shatila, então o leste de Ghouta é o massacre deste século", afirmou, citado pelo The Guardian.

"Existe terrorismo maior do que matar civis com todo o tipo de armas? Isto é uma guerra? Não, a isto chama-se massacre ", disse o médico, que referiu estar em choque com o que está assistir, como crianças "de apenas um ano" com os pulmões cheios de areia, e dezenas de outras mortas nos últimos ataques.

A ONU disse que a situação está "a ficar fora de controlo" e exigiu o cessar-fogo imediato para permitir que a ajuda humanitária seja entregue e que centenas de civis gravemente doentes e feridos sejam evacuados, de acordo com a BBC.

Crianças e idosos juntos na sala de aula para definirem o amor

Miguel Dantas, in Público online

Escola Básica das Matas junta as duas gerações com o objectivo de ensinar jovens a respeitar e valorizar população sénior.

No poema da Dona Porcina descreve-se o seu primeiro beijo. Quem o ouve talvez ainda não o tenha dado mas o entusiasmo destes miúdos com menos de uma década de vida fazem-na recuar dos seus 95 anos até ao tempo de meninice. Na Escola Básica das Matas, em Vila Nova de Gaia — uma escola do primeiro ciclo com jardim de infância —, fala-se de amor. Crianças do pré-escolar ao quarto ano aguardam a visita dos seus colegas séniores. Os mais novos fazem desenhos para lhes entregar à chegada. Ao acabarem o trabalho, exibem as suas obras à educadora de infância, cheios de orgulho e aguardando o elogio devido.

Os idosos chegam à escola com um sorriso rasgado. As crianças do quarto ano sabiam o nome de cada um e cumprimentaram individualmente os utentes do Lar de Idosos da Santa Casa da Misericórdia de Gaia, que se deslocaram ao estabelecimento de ensino acompanhados por uma funcionária. Os desenhos surpresa que os pequenos do pré-escolar realizaram constituíram “um miminho extra”.

Durante o mês de Fevereiro, a Escola das Matas — que pertence ao Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos — promove uma acção que junta crianças e idosos, pretendendo partilhar a visão que as diferentes faixas etárias possuem sobre o amor. O Projecto Gerações, que tem participantes entre os três e os 95 anos de idade, reuniu poemas e desenhos realizados pelos participantes. A turma do pré-escolar, uma das turmas do quarto ano e alguns utentes do lar da Santa Casa da Misericórdia gaiense associaram-se ao projecto.

A apresentação multimédia — que reuniu poemas e desenhos relacionados com o amor — foi feita com acompanhamento da música O amor é mágico dos Expensive Soul. Os alunos do quarto ano foram trauteando a música, à medida que os poemas e desenhos iam sendo projectados no quadro branco. A cada poema, o rosto do autor iluminava-se. Este efeito não se fez só sentir nas crianças — os idosos não poupavam sorrisos.

Fernanda Seixas, professora da turma do quarto ano, disse ao PÚBLICO que este convívio intergeracional tem como principal objectivo ensinar aos mais jovens “os valores da tolerância e integração”. Cumulativamente, pretende-se que gerações do futuro aprendam desde tenra idade a respeitar e valorizar a população com maior experiência de vida.

Também a educadora de infância, Maria João Lima, diz que se devem adoptar nas escolas portuguesas projectos que, como este, “sejam dinamizadores” e sirvam como uma “abertura de horizontes” das crianças. A educadora realça também a importância da participação familiar na vida escolar pois estes projectos apenas são possíveis devido ao “empenho e envolvimento dos pais”.
O encontro das crianças com os idosos já é acontecimento recorrente na escola gaiense devido à existência de uma parceria com o lar da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia, que permite que tanto as crianças como os idosos se visitem mutuamente.

No início da apresentação destes trabalhos sobre o amor, a professora Fernanda Seixas relembrou a dificuldade que grandes escritores como Camões, Camilo Castelo Branco e Florbela Espanca sentiram ao tentar definir este “sentimento que arde sem se ver.

Os poemas vão das — naturais — abordagens engraçadas até aos jogos de palavras e reflexões profundas. Os desenhos realizados pelos alunos da pré-escolar, recheados de corações, mostram a visão de uma criança sobre o sentimento que, em Fevereiro — mês dos afectos e de S. Valentim —, assume importância redobrada.

A dona Porcina — nome carinhoso pelo qual é tratada a senhora de 95 anos — é uma das utentes que visitou a escola gaiense. Vivaça e muito bem-humorada foi sorrindo ao ler os poemas e desenhos que as crianças fizeram. O seu poema faz-nos recuar no tempo até ao seu primeiro beijo. Ri-se quando a professora Fernanda o declama para as turmas.

“As crianças fazem-me lembrar a minha vida de meninice. Tenho muitas saudades dessa vida”, diz , com um brilho nos olhos. Dona Porcina garante que as crianças têm em si “o amor mais puro que existe” porque “não existe nele qualquer malícia”. Para ela, as crianças presentes no convívio são os seus “filhinhos de outros pais”.

Júlia Mendes, funcionária do lar da Santa Casa da Misericórdia, refere que, para os cidadãos séniores “é uma alegria” visitar as crianças.
O próximo evento que aproximará as duas gerações já está a ser delineado. Desta vez, serão as crianças que visitarão o lar gaiense. Uma peça de teatro surpresa foi prometida à comitiva sénior que visitou as turmas da Escola Básica das Matas.
Texto editado por Ana Fernandes

20.2.18

Os piores países do mundo para ser criança

in TSF

Perto de 360 milhões de crianças em todo o mundo, ou seja, uma em seis, vivem em zonas afetadas por conflitos, segundo um relatório da Save the Children.

Seis nações africanas estão entre as 10 piores do mundo para se ser uma criança numa zona de guerra, indica um relatório da organização Save the Children divulgado esta quinta-feira.

A Síria encabeça a lista, seguida do Afeganistão, Somália, Iémen, Nigéria, Sudão do Sul, Iraque, República Democrática do Congo, Sudão e República Centro Africana.

O relatório, baseado em dados do Instituto Internacional para a Investigação da Paz de Estocolmo, analisa fatores como ataques contra escolas, o recrutamento de crianças soldados, violações, assassínios e falta de acesso humanitário.

Perto de 360 milhões de crianças em todo o mundo, ou seja, uma em seis, vivem em zonas afetadas por conflitos, segundo o relatório divulgado na véspera da Conferência de Segurança de Munique, no âmbito da qual líderes globais vão discutir políticas de segurança até domingo.

A Save the Children apela aos dirigentes mundiais para fazerem mais no sentido de responsabilizar os autores dos crimes contra as crianças.

"Crimes como estes contra crianças são o pior tipo de abuso imaginável e são uma violação flagrante do direito internacional", disse Carolyn Miles, presidente da Save the Children.

Unicef publica nota em branco após novos ataques na Síria

in SicNotícias

A Unicef publicou hoje um comunicado em branco porque está "sem palavras" depois dos ataques de segunda-feira em Ghouta Oriental, perto de Damasco. Cem pessoas morreram, entre as quais 20 crianças e adolescentes.
O documento do Fundo das Nações Unidas para a Infância, intitulado "A Guerra contra os menores na Síria", só contém uma frase do diretor do Unicef para o Médio Oriente e Norte da África, Geert Cappelaere:
"Nenhuma palavra fará justiça aos menores assassinados, às suas mães, aos pais e aos entes queridos".

O resto da nota permanece em branco e no rodapé da página a Unicef questiona:
"Já não temos palavras para descrever o sofrimento dos menores e a nossa indignação. Aqueles que infligem o sofrimento ainda têm palavras para justificar esses atos bárbaros?"

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), pelo menos cem pessoas, entre as quais 20 menores e 15 mulheres, perderam a vida, na segunda-feira, devido aos ataques aéreos e de artilharia do Governo sírio contra Guta Oriental, o principal bastião opositor ao regime do Presidente Bashar al-Assad nos arredores de Damasco. Este é o maior número de mortos num dia nessa área desde 2015, afirmou o OSDH.

O Observatório considera que os bombardeamentos das últimas horas equivalem a "uma guerra de extermínio" e acusa o "silêncio internacional" face aos "crimes de Assad" no conflito da Síria que se prolonga há quase sete anos.

Os bombardeamentos contra os civis devem "terminar" imediatamente disse por seu lado o coordenador das Nações Unidas para a Ajuda Humanitária, Panos Moumtzis. "É imperativo por fim, de imediato, ao sofrimento humano", acrescenta Moumtzis, através de um comunicado.

"A recente escalada de violência está a agravar a situação humanitária que já era precária dos 393 mil habitantes de Ghouta oriental, onde se encontram muitos deslocados internos", frisa o responsável das Nações Unidas.
Com Lusa

Um milhão de crianças por ano morrem no dia em que nascem

TSF

UNICEF lança apelo mundial para resolver problema com décadas que podia ter mas não tem solução à vista.

Dois milhões e 600 mil bebés morrem por ano antes de completarem o primeiro mês de vida, entre eles um milhão que morrem no mesmo dia em que nascem. A conta é avançada pela UNICEF, a agência das Nações Unidas que olha para a defesa dos direitos das crianças e lança agora um apelo aos governos para que resolvam um problema que tem diminuído pouco nas últimas décadas.

O relatório que suporta o apelo da Unicef revela que vários países de língua oficial portuguesa estão no topo da lista negra da morte de recém-nascidos. Portugal volta a surgir na lista de países com menos mortalidade neonatal, mais precisamente o 17º numa lista com 184 países. Em Portugal, 1 criança entre 476 falece antes de completar um mês de vida.

Guiné-Bissau, Angola e Moçambique na lista negra
No outro extremo, a Guiné-Bissau é o 6º país do mundo com mais mortalidade antes de se completar um mês de vida: 1 em cada 26 crianças. Angola é o 19º (1 em 34), Moçambique o 24º (1 em 37) e Timor-Leste o 47º (1 em 46).
Melhor classificado está Cabo Verde com 1 morte por cada 98 crianças (93º lugar no ranking). No relatório da UNICEF que serve para lançar um apelo ao Mundo, a agência da ONU sublinha que "todas as vidas contam e é urgente pôr fim à morte de recém-nascidos" pois "o número global de mortes de recém-nascidos continua a ser extremamente elevado, sobretudo nos países mais pobres do mundo".

"O Mundo está a falhar com os recém-nascidos"

O relatório revela que mais de 80 por cento das mortes entre recém-nascidos devem-se à prematuridade, complicações durante o parto ou infeções como a pneumonia e septicemia, casos que "podem ser evitados através do acesso a parteiras com formação adequada, juntamente com soluções com eficácia comprovada, como água limpa, desinfetantes, a amamentação durante a primeira hora de vida do bebé, contacto pele-a-pele e uma boa alimentação".

A UNICEF defende que "o Mundo está a falhar para com os recém-nascidos" e acrescenta que "os bebés que nascem nos países mais desfavorecidos têm uma probabilidade de morrer no primeiro mês de vida 50 vezes maior que os outros bebés".

Os bebés nascidos no Japão, na Islândia e em Singapura têm as melhores probabilidades de sobrevivência, enquanto que os que nascem no Paquistão, na República Centro-Africana e no Afeganistão estão na posição inversa.

26.1.18

"A lepra existe, é curável e atinge muitas crianças"

in TSF

Erradicada em Portugal nos anos 80, a lepra continua a inspirar movimentos de solidariedade. É o caso da Associação Portuguesa dos Amigos de Raul Follereau. A TSF falou com o presidente.

A lepra é ainda sinónimo de exclusão social. Conhecida por doença de Hansen, este flagelo social continua a matar, sobretudo no sudoeste asiático e no continente africano. Em cada ano são mais de 200 mil as pessoas atingidas por esta doença.

Oiça aqui a entrevista do jornalista Manuel Vilas Boas (com André Tenente) ao presidente da APARF, Vítor Borges

Erradicada em Portugal nos anos 80, esta patologia crónica continua a inspirar movimentos de solidariedade. É o caso da APARF, a Associação Portuguesa dos Amigos de Raul Follereau, que, há mais de trinta anos, sem qualquer apoio estatal, recolhe fundos e promove projetos de combate a esta chaga social.

Nas vésperas do Dia Mundial dos leprosos, que se celebra neste domingo, o jornalista Manuel Vilas Boas entrevistou o presidente da direção desta organização não-governamental, Vítor Borges.

24.1.18

Suécia. O estranho caso das crianças refugiadas que ficam em ‘coma’

in Jornal i

Para já as teorias vão aparecendo, mas ainda não há consenso.

As crianças refugiadas estão a entrar num estado de apatia profundo que se assemelha a um coma, depois de os seus pedidos de asilo serem rejeitados. Segundo noticiou o  El País, os médicos não conseguem explicar estes casos estranhos que se têm registado na Suécia.

Os cientistas chamam a esta condição Síndrome de Resignação. Göran Bodegård, diretor da psiquiatria infantil no hospital universitário Karolinska, Estocolmo, escreveu um artigo onde afirma que os pacientes ficam “totalmente passivos, imóveis, sem reação, retraídos, mudos, incapazes de comer e de beber, incontinentes e sem reação perante os estímulos físicos ou de dor”.

Segundo o jornal espanhol, o primeiro caso de Síndrome de Resignação foi registado em 1998, mas só agora é que foi tornado público.

Normalmente quem sofre com esta patologia são crianças e adolescentes refugiados provenientes dos países soviéticos e que não sofrem de problemas físicos ou psicológicos. Os sintomas apenas surgem quando descobrem que o seu visto foi negado.

Só entre 2015 e 2016, na Suécia foram registados 169 casos.

15.11.17

Prisões não estão ajustadas às crianças que visitam os pais

Ana Cristina Pereira e Paulo Pimenta (Fotografia), in Público on-line

O último Inquérito Nacional sobre Comportamentos Aditivos em Meio Prisional indica que dois em cada três reclusos têm filhos. Nem a revista, nem o espaço de visita estão ajustados e não há uma visita especial

O olhar de Cira percorre as fotografias, pedaços de cor no armário branco, estreito. Bem gostava de passar a visita inteira com os filhos, um menino de oito anos e uma menina de quatro, ao colo ou, pelo menos, pertinho dela, mas não dá. “A minha filha não fica sentada no meu colo muito tempo. Gosta de estar a brincar com os outros meninos. O meu filho, às vezes, nem quer vir.”
Ninguém sabe quantas crianças portuguesas têm os pais encarcerados. O último Inquérito Nacional sobre Comportamentos Aditivos em Meio Prisional, conduzido em Outubro de 2014, indica que dois em cada três reclusos têm filhos. Há mais mulheres (85%) do que homens (67,8) a declará-los. Muitas são mulheres solteiras ou têm uma relação conjugal não formalizada.

Nas camaratas e celas, como a que Cira ocupa no Estabelecimento Prisional Especial Feminino de Santa Cruz do Bispo, em Matosinhos, sobressaem fotografias de sorridentes rostos infantis. Nas salas de espera e nas salas de visita, nem um livro, um brinquedo, um jogo para entreter uma criança.

Os filhos que crescem em liberdade não têm tratamento de excepção. Cada condenado pode fazer um telefonema de cinco minutos por dia e receber até três pessoas em cada uma das duas visitas semanais de uma hora no parlatório e é dentro disso que pode conviver com os eles. Abre-se uma prerrogativa pelo aniversário, altura em que pode receber seis pessoas e estar com elas duas horas.

Quando Cira foi presa, em Julho de 2015, a filha ia nos 15 meses. As cadeias centrais de mulheres estão preparadas para acolher crianças até cinco anos. A rapariga, então com 25, não quis separar a menina do menino, que já tinha seis anos. “Ele ia perguntar: ‘Porque é que ela pode ficar contigo e eu não?’”
Ficaram ambos ao cuidado da avó materna, Cristina. Viúva, estava desempregada desde que a Fábrica de Cerâmica Valadares abrira falência, em 2012. Nunca mais regressou ao mercado de trabalho. “Não estou a viver a minha vida”, lamenta. Para lá dos cuidados comuns, tem de levar a menina à terapia da fala, o menino à psicoterapia, ambos a visitar a mãe. Vale-lhe o apoio da irmã, Céu.

Tornar as prisões mais amigas das crianças não é uma prioridade
Quando os pais são presos, as crianças tendem a ficar com as mães, nota a socióloga Rafaela Granja, autora do livro Para cá e para lá dos muros - Negociar relações familiares durante a reclusão, que acaba de ser editado pela Afrontamento. Quando as mães são presas, amiúde há uma avó, uma tia ou uma irmã que assume esse papel. É raro as crianças ficarem com o pai ou irem para uma instituição. Dentro das prisões femininas estão à volta de 40.
A menina ainda não percebe o que é este edifício claro como uma escola, mas rodeado por um muro que termina em arame farpado. Tão-pouco o que é o Estabelecimento Prisional do Porto, onde o pai está. “A gente diz-lhe que a mãe está a trabalhar, está a ganhar tostões para a papa”, contou a tia Céu, na sala de sua casa. “Ainda agora fez anos. Comprámos uma prenda e deixámos na secretaria para fazer de conta que tinha sido a mãe dela. Ela acreditou que foi a mãe.”

O menino já tem outro entendimento sobre o que  acontece à sua volta. Quando o professor lhe perguntou pelos pais, não disse que a mãe está aqui e o pai no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira. Respondeu que estavam a trabalhar. Não queria que a turma inteira soubesse. Depois, pediu à avó que fosse lá contar a verdade ao professor.

Cada criança terá a sua forma de reagir. O impacte depende da idade, da qualidade da relação, do apoio da família e da comunidade, da duração da separação, da natureza do crime. A literatura científica aponta para sentimento de perda, confusão, ansiedade. Não têm só de lidar com a ausência, também com o estigma. Algumas crianças dormem mal, têm dificuldade em se concentrar, ficam agressivas.

A avó Cristina reconhece alguns desses sintomas no menino. “Ele ficou alterado”, diz ela. “Eu tive de tomar providências. Ele faz uma medicação.” Quando o contrariam, desata a gritar: “Minha mãe! Eu quero a minha mãe!”

É um caso extremo. Primeiro, a polícia levou-lhe o pai. Depois, a avó paterna, o avô paterno, a tia-madrinha, um tio-avô, a mãe, o padrasto. Foram todos envolvidos num dos maiores processos de tráfico de droga do Grande Porto. Nos primeiros tempos, se saísse das aulas e não visse a avó Cristina punha-se a gritar. Pensava logo que também ela tinha sido levada para a prisão.
Filas, revistas, vigilância
Os cuidadores adoptam diversas estratégias para ajudar as crianças. Rafaela Granja conhece quem omita a realidade, justificando o afastamento com migração ou tratamento, quem procure camuflá-la, alegando que a prisão é o novo local de trabalho, e quem conte a verdade, atenuando questões relativas ao tipo de crime. “Conforme as crianças vão crescendo e vão ganhando uma ideia do que pode ser uma prisão, as estratégias de dissimulação vão perdendo eficácia”, esclarece. 
O menino percebe que está numa prisão e não gosta de aqui vir. Tem de sair da cama cedo, de formar fila à porta, de se sujeitar à revista, de passar pelo pórtico, de se sentar num ruidoso parlatório, sob o olhar de pessoas fardadas. Amiúde, dá sinais de impaciência. “Que horas são? Falta muito? Vamos embora.”

Acontece sair do Feminino de Santa Cruz do Bispo, onde viu a avó, a mãe, a tia-madrinha, e entrar no Masculino de Santa Cruz do Bispo para ver o avô ou no de Paços de Ferreira para ver o pai. Quando não quer ir, ninguém obriga. “É nesses fins-de-semana que nos bate mais”, diz Cira. “Porque não veio? São a nossa vida, os nossos filhos.. Nós não tivemos juízo e eles é que pagam.”

As prisões não estão pensadas para receber as crianças que crescem em liberdade, critica Rafaela Granja. O processo de revista não é ajustado, o espaço de visita também não, e não há uma visita especial, apesar da evidência de que isso poderá mitigar o efeito da reclusão parental nas crianças.
“Nós nem um rebuçado podemos levar”, lamenta Cira. “Os meus filhos vão aos pais deles [que estão em prisões diferentes] e eles podem levar uma lambarice e os meus filhos já se sentem mais... Já têm mais vontade de ir, não é? Eu não posso levar nada e eles perguntam-me: Porque não me dás nada? Porque não me trazes um chocolate? Porque não me trazes um chupa?”

A este nível, cada prisão tem o seu modo de proceder. No Feminino de Santa Cruz do Bispo, as reclusas nada podem levar de dentro para fora, nem de fora para dentro. Noutras, como o contíguo Masculino de Santa Cruz do Bispo, os reclusos podem levar algo que tenham comprado lá dentro.
De vez em quando, põem-se Cira e as duas reclusas que lhe são mais próximas, a ex-cunhada dela, Patrícia, e a ex-sogra, Ana, a fantasiar. No quarto da visita íntima, onde cada uma delas recebe o respectivo companheiro, além de uma cama e de duas mesas-de-cabeceira, há um fogão, uma mesa e quatro cadeiras. “Para que é aquilo?”, questiona Patrícia. Antes queria ter três horas por mês ali, sozinha com os dois filhos, de 13 e 15 anos, do que com o companheiro, preso em Paços de Ferreira. 

Os filhos de Patrícia estão ao cuidado da irmã, Andreia. O mais pequeno esforça-se para não dar dores de cabeça, receoso de ser enviado para um centro de acolhimento temporário. O mais velho perdeu interesse pela escola. “Os professores dizem que está uma criança revoltada”, conta Andreia.

Andreia não quer desculpar o sobrinho com o facto de ter a família mais chegada quase toda encarcerada, mas parece-lhe que essa é uma realidade “difícil de encarar “e que ele precisava de uma compreensão e de um apoio que não tem encontrado na escola. “Tinha tudo e ficou sem nada.”

A situação pode piorar. A Câmara do Porto emite ordem de despejo a famílias que destinam a casa a “usos ofensivos aos bons costumes, à ordem pública ou contrários à lei”. Andreia e os sobrinhos, que não foram implicados no processo, receberam ordem de despejo. “Querem que a gente pague pelo que a gente não fez”, insurge-se Andreia. Interpôs providência cautelar. A avó e a mãe de Cira também receberam ordem de despejo e também interpuseram providência cautelar.

“Nunca dei problemas”, suspira Patrícia, sentada num banco do pátio onde as mulheres costumam lavar a roupa, conversar, jogar às cartas, fumar. “Sempre trabalhei.” Teve os pais presos quando era pequena e ficou à guarda da avó. “Desde miudinha, pensava: ‘Posso passar mal, mas nunca vou vender droga.’” Um dia, estava sem trabalho, pôs-se a vender. “A gente pensa que está a fazer o melhor pelos filhos”, torna a suspirar. “Eu achava que estava a ganhar dinheiro para terem mais alguma coisa - calças, sapatilhas, férias, comida melhor - e afinal isso não era importante. O importante era estar lá eu.”

Reinventar parentalidade
A reclusão obriga a reinventar formas de exercer a parentalidade. Há sempre uma certa tensão, elucida Rafaela Granja. Os cuidadores precisam de autonomia para resolver aspectos quotidianos. E os pais desejam conservar um papel central nas decisões sobre educação e disciplina.

É outra dor para Patrícia. “Como eu sempre fui mãe solteira, quem decidia tudo sobre eles era eu. Passar a pasta é difícil, nunca gostei que se intrometessem e eles também não estavam habituados.” Os miúdos aprendem a jogar com a dualidade. Quando a tia decide algo que lhes desagrada, dizem-lhe logo: “Vou perguntar à minha mãe.” Andreia avisa-os: “Eu é que estou aqui, eu é que sei.” E eles vão à visita com a esperança de ouvir a mãe decidir a seu favor. 

Patrícia não gosta de ralhar. “A gente só tem uma hora para falar com eles. Se a gente vai estar essa hora a mandar sermões, a criticar tudo o eles fazem, o que é que eles vão pensar?” Escreve-lhes cartas repletas de conselhos. E agarra-se o mais que pode ao trabalho na oficina de confecção.  “Quero ter um comportamento exemplar para ver se consigo ir a tempo de remediar alguma coisa.”

9.11.17

As crianças portuguesas são felizes, sobretudo as mais pequenas

Bárbara Wong, in Público on-line

Inquérito a 1131 pais revela que oito em cada dez preocupa-se com a felicidade futura dos filhos.

As crianças portuguesas são felizes mas, à medida que vão crescendo, a percentagem de infelicidade aumenta, revela um inquérito promovido pela Imaginarium sobre “A felicidade e a infância”, conhecido nesta quarta-feira, em Lisboa. Também a Ikea lançou o seu "Play Report 2017" para o qual entrevistou mais de 350 crianças e adultos na Alemanha, China e EUA para compreender o papel da brincadeira na vida das pessoas.

Segundo o inquérito levado a cabo pela Imaginarium a 1131 pais, oito em cada dez preocupam-se com a felicidade futura dos filhos. Aliás, mostram-se mesmo “muito preocupados” e a maioria acredita que os filhos são “felizes” (20,2%) ou “muito felizes” (51,6%), há mesmo um quinto que diz que o seu filho “é a criança mais feliz do mundo”, apenas 8,8% diz que é “normal, às vezes feliz e outras não” e só 0,1% confessa que o filho é “muito triste”.
Contudo, os níveis de felicidade das crianças variam conforme a idade e os dados mostram que à medida que crescem vão tornando-se mais infelizes. As faixas etárias analisadas foram dos 0 aos 2, dos 3 aos 4, dos 5 aos 6 e dos 7 aos 8 anos. São estes últimos que são mais infelizes (15,2%) – a percentagem de infelicidade vai decrescendo com a idade situando-se nos 6,4% nas crianças entre os 0 e os 2 anos.

Para Rui Lima, pedagogo e convidado pela Imaginarium para comentar o estudo, é imposta uma “crescente pressão” às crianças, quer pelos pais quer pelos professores, onde “o desempenho académico, a competição entre pares e a necessidade de alcançar a perfeição em todas as actividades realizadas são uma constante”, logo, têm um “impacto negativo na felicidade das crianças”, defende num comunicado enviado às redacções.

E o que faz os meninos portugueses infelizes? Não passar tempo suficiente com os pais (26,3%), não ter tempo suficiente para brincar (21,3%) ou ficar de castigo (16,4%), respondem os pais inquiridos. As crianças serão mais felizes se se desenvolverem num ambiente escolar e familiar em que se sintam valorizadas e queridas (45,2%), se passarem mais tempo em família (34,8%) e se os pais as deixarem “explorar o mundo através da brincadeira (17%), respondem ainda os pais.

Falta mais tempo para a família
Praticamente todos os pais (99,8%) respondem que a felicidade dos filhos passa pelo tempo de qualidade partilhado em família, mas pouco mais de metade (51%) sente que passa pouco tempo de qualidade com os filhos e seis em cada dez pais acreditam que os filhos sentem a sua falta. Aliás, a maioria (89,8%) reconhece que tem dificuldade em conciliar a vida profissional com a pessoal e acredita que um horário laboral mais flexível lhes permitiria aumentar o tempo de qualidade e brincar com os filhos. 

Quando questionados sobre como contribuem para a felicidade dos filhos, os pais respondem que é ouvindo-os e fazendo-os sentir-se queridos (33,4%) e passando mais tempo com eles (28,1%). Para 14,3% a felicidade passa por elogios e incentivos para que os filhos façam as coisas bem.
Durante a semana, o tempo mais feliz que pais e filhos compartilham é o de antes de ir deitar e, ao fim-de-semana, são os passeios que fazem as delicias dos mais novos. Este inquérito, que a Imaginarium defende representar o todo nacional, conclui que as crianças portuguesas são “extremamente familiares” porque gostam de fazer planos com os pais e passar tempo com os mesmos.

A Imaginarium pergunta ainda aos pais que tipo de brinquedo faz os filhos mais felizes e as bicicletas e veiculos com rodas (38%) surgem à cabeça, seguido da música, arte e trabalhos manuais (35,2%), os jogos de construção e lógica (30,8%) e as cozinhas e profissões (30,6%). Os ecrãs, televisões, Ipad, vídeojogos e telemóveis (19,4%) surgem na oitava posição.

"Os brinquedos devem apelar ao desenvolvimento de diferentes competências, tanto ao nível físico como intelectual. Desenvolvendo essas competências, a criança será capaz de relacionar-se melhor consigo mesma, com os outros e com o mundo. Daí a importância de brinquedos que estimulem os sentidos nos primeiros anos de vida", defende Rui Lima no comunicado.

Também a marca sueca Ikea fez o seu terceiro relatório – depois de 2010 e 2015 – sobre o brincar com o objectivo de perceber melhor o papel desta actividade no desenvolvimento das crinças e na vida em casa. Para isso, entrevistou mais de 350 pessoas na Alemanha (Berlim), China (Pequim) e Nova Jérsia (EUA), entre os 2 e os 90 anos, e propõe cinco definições para brincar: "brincar para reparar", ou seja, para recuperar do stress do dia-a-dia e as sugestões passam por actividades que promovam o bem-estar das pessoas como o ioga ou o tai-chi, mas também a jardinagem ou um passeio. 
"Brincar para conectar" é a segunda definição. Num tempo em que o trabalho interfere por vezes na vida pessoal, o brincar proporciona a possibilidade de abrandar e de as pessoas se aproximarem da família ou dos amigos. As sugestões passam por ir a um bar fazer karaoke ou fazer jogos tradicionais como os de tabuleiro ou as cartas, o que permite que as pessoas estejam ligadas sem ser pela tecnologia, propõe o relatório.

As pessoas precisam de momentos de libertar, por isso, "brincar para libertar" é a terceira conclusão da marca, que sugere uma ida ao teatro ou a um parque temático. "Brincar para explorar" é a quarta proposta, explorar mundos reais ou imaginários, viajar ou brincar ao "faz-de-conta". Por fim, "brincar para expressar" que aposta na criatividade e nas artes, da pintura à música.

"Brincar começará a aparecer, cada vez mais, em todos os aspectos das nossas vidas. Desde o local de trabalho ao ginásio, as pessoas irão procurar brincar em espaços e momentos onde tradicionalmente não o fariam", conclui o comunicado da Ikea.

7.9.17

Percentagem de crianças sem escola estagnou na última década - UNICEF

in Diário de Notícias

A percentagem de crianças que não frequentam a escola estagnou a nível mundial na última década, devido a pobreza e conflitos prolongados, mas também à insuficiência de financiamento da educação em situações de emergência, anunciou hoje a UNICEF.

"Atualmente, 11,5% das crianças em idade escolar -- ou seja, 123 milhões -- não frequentam a escola, em comparação com 12,8% - ou 135 milhões -- em 2007", indicou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) num relatório cuja conclusão é que, numa década, tais números representam uma "quase total ausência de progressos".

Considerando em idade escolar as crianças entre os seis e os 15 anos, a agência especializada da ONU apontou como causas para a estagnação desta taxa "níveis de pobreza generalizados, conflitos prolongados e emergências humanitárias" e pediu mais investimento para combater as razões que deixam as crianças vulneráveis fora da escola.

"Os investimentos destinados a aumentar o número de escolas e professores para acompanhar o crescimento populacional não são suficientes, [e] a abordagem habitual não levará as crianças mais vulneráveis à escola -- nem as ajudará a desenvolver todo o seu potencial -- se continuarem presas nas malhas da pobreza, da privação e da insegurança", afirmou a diretora dos Programas de Educação da UNICEF, Jo Bourne.

"Em primeiro lugar, os governos e a comunidade internacional devem direcionar os seus investimentos para eliminar os fatores que impedem estas crianças de frequentarem a escola, nomeadamente tornando-as mais seguras e melhorando o ensino e a aprendizagem", defendeu.

As crianças que vivem nos países mais pobres do mundo e em zonas de conflito são as mais afetadas, segundo o relatório, que refere que, dos 123 milhões de crianças que não frequentam a escola, 40% vivem nos países menos desenvolvidos e 20% em zonas de conflito.

"A guerra continua a ameaçar -- e a reverter -- os ganhos alcançados em matéria de educação: os conflitos na Síria e no Iraque provocaram um aumento do número de crianças fora da escola da ordem dos 3,4 milhões, o que representa um retrocesso no Médio Oriente e norte de África comparável aos níveis de 2007, com aproximadamente 16 milhões de crianças não escolarizadas", lê-se no documento.

Já "na África subsaariana e no sul da Ásia -- com os seus elevados níveis de pobreza, rápido crescimento populacional e emergências recorrentes -- o número de crianças em idade escolar primária e do primeiro ciclo do secundário não escolarizadas representa 75% das crianças que, ao nível global, não têm acesso à educação", prossegue a UNICEF.

A organização registou, contudo, alguns progressos: na última década, a Etiópia e o Níger, dois dos países mais pobres do mundo, foram os que mais progrediram no que respeita a matrículas de crianças em idade escolar primária, com um aumento respetivo de mais de 15% e de cerca de 19%.

Quanto ao financiamento insuficiente da educação em situações de emergência que está a afetar o acesso das crianças à escola em zonas de conflito, a agência especializadas da ONU indicou que "em média, menos de 2,7% dos apelos humanitários globais são dedicados à educação".

"Nos primeiros seis meses de 2017, a UNICEF recebeu apenas 12% dos fundos necessários para proporcionar educação às crianças que vivem em situações de crise", precisou a organização, frisando que "são necessários mais fundos para responder ao número e à complexidade crescente das crises e dar às crianças a estabilidade e as oportunidades que merecem".

A curto prazo, estimou Jo Bourne, "a aprendizagem proporciona alívio às crianças afetadas por emergências, mas, a longo prazo, é também um investimento fundamental no futuro das sociedades".

"Porém, o investimento na educação não responde à realidade de um mundo volátil. Para tal, devemos assegurar mais financiamento, e também de forma mais preventiva, para a educação em emergências que são imprevisíveis", sustentou a responsável.

Há 123 milhões de crianças dos 6 aos 15 anos fora das escolas

Pedro Sousa Tavares, in Diário de Notícias

UNICEF lamenta a "ausência quase total de progressos" na última década. Países pobres e zonas de conflito, nomeadamente no Iraque e na Síria, têm os piores indicadores

No espaço de uma década a percentagem de crianças em idade escolar que não frequentam o ensino baixou apenas 1,3 pontos percentuais, estando atualmente nos 11,5%. Os dados são da UNICEF e traduzem-se num total de 135 milhões de crianças e jovens aos quais ainda não está a ser dada a oportunidade de aprenderem. Por "idade escolar" a UNICEF entende o período dos seis aos 15 anos, apesar de vários países -Portugal incluído - já terem alargado a escolaridade obrigatória até aos 18 anos.

"Níveis de pobreza generalizados, conflitos prolongados e emergências humanitárias complexas estão na origem da estagnação desta taxa", aponta a organização que defende os direitos e o bem-estar das crianças no mundo, para a qual é necessário continuar a reforçar o investimento, nomeadamente "para combater as razões que deixam as crianças vulneráveis fora da escola", considerando que não basta aplicar verbas em infraestruturas e recursos humanos.

"Os investimentos destinados a aumentar o número de escolas e professores para acompanhar o crescimento populacional não são suficientes. A abordagem habitual não levará as crianças mais vulneráveis à escola - nem as ajudará a desenvolver todo o seu potencial - se continuarem presas nas malhas da pobreza, da privação e da insegurança ", avisou a chefe dos Programas de Educação da UNICEF, Jo Bourne, citada num comunicado divulgado ontem. "Em primeiro lugar, os governos e a comunidade global devem direcionar os seus investimentos para eliminar os fatores que impedem estas crianças de frequentarem a escola, nomeadamente tornando-as mais seguras e melhorando o ensino e a aprendizagem".

O outro preço da guerra

Segundo a UNICEF, as crianças que vivem nos países mais pobres do mundo e em zonas de conflito são, de longe, as mais afetadas. "Dos 123 milhões de crianças que não frequentam a escola, 40% vivem nos países menos desenvolvidos e 20% em zonas de conflito", revela. De resto, o facto de as condições terem piorado radicalmente nestas zonas é uma das explicações para que, em termos médios, as melhorias a nível mundial não tenham sido significativas.

"A guerra continua a ameaçar - e a reverter - os ganhos alcançados em matéria de educação", afirma. "Os conflitos no Iraque e na Síria provocaram um aumento do número de crianças fora da escola na ordem dos 3,4 milhões, o que representa um retrocesso no Médio Oriente e Norte de África comparável aos níveis de 2007, com aproximadamente 16 milhões de crianças não escolarizadas".

Mas a pobreza continua a ser, de forma destacada, o principal obstáculo ao acesso à educação. "Na África subsariana e no Sul da Ásia - com os seus elevados níveis de pobreza, rápido crescimento populacional e emergências recorrentes - o número de crianças em idade escolar primária e do primeiro ciclo do secundário não escolarizadas representam 75% das crianças que, ao nível global, não têm acesso à educação".

Apesar deste quadro pouco animador, a UNICEF faz questão de sublinhar que também há "alguns progressos" dignos de registo. "Na década passada, a Etiópia e o Níger, que estão entre os países mais pobres do mundo, foram os que mais progrediram no que diz respeito às taxas de matrícula de crianças em idade escolar primária, com um aumento de mais de 15% e cerca de 19%, respetivamente".

Apesar do reconhecido papel da educação como ferramenta de melhoria das condições de vida e promoção da paz, esta raramente é reconhecida como uma emergência. "Em média, menos de 2,7% dos apelos humanitários globais são dedicados à educação".

16.8.17

Ex-menino soldado trocou armas pela capoeira na RD Congo

in Diário de Notícias

A capoeira é a forma de jovens congoleses fugirem à violência não através da luta mas através dos valores da arte marcial afro-brasileira.

"A capoeira me faz esquecer do que passei no grupo armado", disse o adolescente de 16 anos, um ex-menino soldado de uma pequena vila em Bashali ao norte na província de Kivu do Norte, área conflagrada por grupos armados.

Há três meses, desde que chegou ao centro de transição para ex-meninos soldado na cidade de Goma, F. R. aprendeu a praticar a arte marcial de origem afro-brasileira. Desde então, esta é uma das atividades em que o rapaz é mais assíduo.

As aulas de capoeira acontecem duas vezes por semana no centro de ação para crianças desfavorecidas (CAJED, por sua sigla em francês), no subúrbio de Goma.

Em 2014, a capoeira foi reconhecida pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como Património Cultural Imaterial da Humanidade. A partir deste mesmo ano, esta manifestação cultural brasileira de descendentes de africanos escravizados no período colonial tem sido utilizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na República Democrática (RD) do Congo como uma estratégia para ajudar a crianças vítimas de violência.

"A capoeira faz com que eu me sinta capaz de poder fazer alguma coisa. Esqueço de todo o passado. Aqui vejo que a vida é melhor porque não sofremos mais, dormimos e alimentamo-nos bem. Não somos obrigados a nada", comentou F. R. que esteve na escola primária apenas três anos.

As suas memórias recentes são mais duras. Foi raptado e lutou por um grupo de milicianos de origem hutu congolesa.

Os dados são escassos. Estima-se que existam entre 20 a 30 mil soldados dos grupos ativos de milícias de autodefesa em Kivu do Sul e do Norte, segundo dados das Nações Unidas em 2011.

Junto com outros meninos, F. R. conseguiu escapar. "Para chegar aqui foi muito difícil. Tive que mostrar evidências que eu fazia parte de um grupo armado, então levei comigo algumas cápsulas de balas", contou.

No início do ano, o rapaz apresentou-se numa das bases da Missão de Paz da ONU em RD Congo (MONUSCO) na cidade de Kitchanga, uma localidade remota a 70 quilómetros de Goma. Depois de ter passado pelo programa de desmobilização, desarmamento e reintegração da ONU, ficou sob os cuidados da UNICEF e de ONG locais por ser menor de 18 anos.

"Fiz vários amigos quando comecei a jogar capoeira. Nós nos juntamos, mesmo tendo lutado em grupos rivais", disse.

Segundo Marie Diop, especialista em proteção à criança da UNICEF em Goma, a capoeira foi incluída como ferramenta de trabalho psicossocial com crianças nos centros de acolhimento.

"Começou como um projeto piloto, pois queríamos ver se teria aceitação por parte das crianças. Discutimos se a capoeira poderia ser utilizada para a paz e ser integrada no programa infantil", disse Diop.

Sob o nome de "Capoeira pela Paz", a iniciativa foi impulsionada pelo governo brasileiro com fundos do Canadá e da ONG AMADE-Mondiale e já beneficiou cerca de quatro mil crianças em Kivu do Norte.

"Vimos que a capoeira tem ajudado a afastar o estigma das crianças que estiveram associadas a grupos armados. Tentamos entender a história e o contexto dessas crianças para transferi-las a famílias de acolhimento e a centros de transição antes que possam ser reintegrados de vez às suas famílias e às suas comunidades de origem", explicou.

300 milhões de crianças africanas vivem na pobreza

in Rádio Vaticano


Nova Iorque (RV) – São as crianças que pagam o preço mais alto pelas crises, sobretudo na África, revela o relatório publicado pelas Nações Unidas segundo o qual, 60% das crianças africanas – cerca de 300 milhões – são pobres, obrigadas a viver com menos de 1,25 dólares ao dia. É a maior cifra já registrada.

Cifras preocupantes

“Estas cifras são preocupantes”, comentaram funcionários da ONU, citados pelas agências.

“Na África e na Ásia meridional a incidência da pobreza entre as crianças é respectivamente de 66 e de 50%, muito mais elevada do que em qualquer outra parte do globo”.

Em 39 países da África subsaariana, os jovens com menos de 18 anos, são o grupo social mais numeroso entre os pobres.

Crianças com menos de 9 anos

A condição pior – segundo os especialistas da ONU - é aquela vivida pelas crianças com menos de nove anos. No Sudão do Sul, Nigéria e Etiópia, ao menos nove crianças em cada dez vivem em condições de grave miséria.

África Subsaariana com maior percentual de crianças extremamente pobres

Esta análise soma-se àquela fornecida pelo Fundo para as Crianças do Banco Mundial, publicada em outubro passado, segundo o qual a África Subsaariana não somente tem o maior número de crianças que vivem em pobreza (49%), mas tem o maior percentual de crianças extremamente pobres (51%).

“As crianças – afirmou o Vice-Diretor Executivo do Unicef, Justin Forsyth – têm o dobro de probabilidade do que um adulto de viver em pobreza extrema, mas têm menos instrumentos do que um adulto para enfrentar a pobreza por causa das doenças, da mortalidade infantil e do carente desenvolvimento na primeira infância”.

Fome na rica República Democrática do Congo

Existem países, no entanto, em que a situação é mais dramática, como na República Democrática do Congo, que paradoxalmente, é um dos mais ricos do continente.

Mas é justamente devido à exploração indiscriminada dos recursos do sub-solo – em particular o ouro, o coltam e a cassiterita – que o leste do Congo continua a viver uma situação de grave instabilidade e violência, com consequências dramáticas para a população local.

Nigéria e terrorismo

Tem depois a Nigéria, onde o terrorismo do Boko Haram dilacerou o território e a população.

Nos primeiros meses de 2017 foram destruídos 53 povoados e mortas mais de 800 pessoas, sobretudo crianças.

E por trás da luta contra o terrorismo se escondem muitas vezes interesses de homens poderosos, que nestes anos especularam e se enriqueceram às custas da vítimas.

4.8.17

Mais de um milhão de crianças moçambicanas trabalham

in Dnotícias

Em Moçambique, mais de um milhão de crianças, entre os 7 e os 17 anos, trabalham, refere o Relatório do Inquérito Integrado à Força de Trabalho (IFTRAB), divulgado hoje pelo Ministério do Trabalho, Emprego e Segurança Social (MITESS).

O documento indica que as crianças moçambicanas que trabalham estão expostas às piores formas de trabalho infantil que incluem o transporte de mercadorias, mineração, agricultura, comércio ambulante e até a prostituição.

Nos comentários feitos numa reunião de análise do relatório, a que a agência Lusa teve acesso, a ministra do Trabalho, Emprego e Segurança Social de Moçambique, Vitória Diogo, apontou a pobreza como uma das causas do trabalho infantil em Moçambique.

“O trabalho torna-se em pior forma quando priva o menor do seu direito de ser criança, negando-lhe educação, lazer, proteção e participação em tudo o que lhe diz respeito, sujeitando-a a longas horas de trabalho e diversos riscos”, afirmou Vitória Diogo.

Uma das formas de o país combater ou reduzir o trabalho infantil, prosseguiu a ministra, é o aumento da renda familiar, através da criação de mais postos de trabalho.

“O combate às piores formas de trabalho infantil passa por eliminar as suas principais causas. No nosso caso, a pobreza e a necessidade de aumentar as fontes de rendimento das famílias afiguram-se merecedoras de maior atenção”, enfatizou.

A ministra do Trabalho, Emprego e Segurança Social indicou que nos últimos dois anos foram criados 580 mil postos de trabalho, dos quais 145.330 foram preenchidos por mulheres.

3.8.17

45% das crianças portuguesas com 6 anos têm cáries dentárias

in Diário de Notícias

Um estudo envolvendo instituições do Porto indica que 45% das crianças portuguesas com seis anos apresentam cáries dentárias, o que exige programas específicos de tratamento para este escalão etário, evitando que o problema alastre aos dentes definitivos.

"É necessário que as crianças até aos seis anos sejam observadas anualmente pelo dentista e que seja criado um modelo de cheque-dentista que permita realizar todos os tratamentos necessários nos dentes decíduos [temporários]", disse à Lusa o investigador Paulo Melo, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), entidade envolvida no estudo.

Embora este número seja inferior ao registado 2006, altura em que rondava os 49%, existem ainda "grandes necessidades de tratamento", visto que uma percentagem de crianças desta idade e abaixo possuem cárie precoce de infância, "a forma mais grave de manifestação da cárie dentária", que se traduz pela destruição total dos dentes.

O estudo mostra também que 47% das crianças com 12 anos têm cáries dentárias, enquanto nos jovens com 18 anos esse número suba para 67,6%.

Esses valores são igualmente inferiores aos registados em 2006, no "II Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais", em que 56% das crianças com 12 anos e 72% dos jovens com 15 apresentavam a doença.

No estudo agora apresentado participaram 3.710 crianças e jovens com 6, 12 e 18 anos, de Portugal Continental e das regiões autónomas, que foram examinados pelos dentistas envolvidos no projeto e responderam a um questionário para obtenção de dados sociodemográficos e de hábitos de higiene oral e alimentares.

Esta investigação, desenvolvida no âmbito do "III Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais", tinha objetivo avaliar a prevalência e as necessidades de tratamentos dentários nas crianças e nos adolescentes portugueses, com o intuito de se delinearem programas estratégicos promotores da saúde oral junto destas populações.

Os especialistas constataram que o número médio de dentes atingido por cárie no grupo de jovens com 12 anos "é baixa" (1,18 dentes por criança), tendo sido já ultrapassado o objetivo para 2020 definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para a prevalência da doença nesta idade, em que prevê que esse número esteja abaixo do 1,5.

Quanto aos adolescentes com 18 anos, o seu padrão de saúde oral revela níveis moderados de cárie, abaixo das expectativas dos investigadores.

Para o investigador, estes resultados mostram que a percentagem de crianças com cárie dentária tem vindo a diminuir de "forma muito expressiva", atingindo "níveis muito satisfatórios", particularmente nos indivíduos que têm beneficiado das atividades desenvolvidas no âmbito do Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral (PNPSO).

O PNPSO engloba o programa cheque-dentista, aplicado a crianças e a adolescentes a partir de 2009, bem como medidas para promoção da saúde oral e prevenção das doenças orais nas escolas, que incluem a alimentação saudável e a escovagem e um projeto conjunto com as bibliotecas escolares, denominado SOBE (Saúde Oral Bibliotecas Escolares).

"A importância do programa cheque-dentista fica evidente ao constatar que quase dois terços dos dentes com cárie se encontram tratados, contrariamente ao que se verificava nos estudos nacionais de 2000 e 2006, realizados nas crianças e jovens de 6, 12 e 15 anos, e publicados pela Direção-Geral da Saúde (DGS)", referiu Paulo Melo.

O estudo, designado "Caries prevalence and treatment needs in young people in Portugal: the third national study", é também assinado pelos investigadores Rui Calado, Paulo Nogueira e Cristina Sousa Ferreira, da Direção Geral da Saúde, e foi publicado na revista "Community Dental Helth".

25.7.17

Grécia. 26 crianças, 15 mulheres e 15 homens resgatados pela GNR

in RR

Em menos de uma semana, a força portuguesa destacada em Samos já resgatou mais de 100 pessoas.

A Unidade de Controlo Costeiro resgatou na segunda-feira 56 migrantes, entre os quais 26 crianças, que viajavam numa embarcação de borracha na ilha grega de Samos.

“No decorrer do patrulhamento foi possível detectar e interceptar uma embarcação de borracha, com cerca de 10 metros, que transportava mais de meia centena de pessoas”, adianta a Guarda Nacional Republicana em comunicado.
Os migrantes - 26 crianças, 15 mulheres e 15 homens – foram resgatados a noroeste da cidade de Samos pelos militares portugueses destacados nesta ilha grega, no âmbito missão da Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas dos Estados-Membros da União Europeia (FRONTEX).

Das crianças resgatadas, oito aparentavam menos de um ano de idade, acrescenta.

Em menos de uma semana, a força portuguesa destacada em Samos já resgatou mais de 100 pessoas.

Segundo a GNR, os migrantes “foram prontamente colocados a bordo da embarcação portuguesa por questões de segurança e transportados até ao porto de Malagari”, em Samos, onde foram entregues às autoridades locais.
Desde Janeiro, as várias missões portuguesas já salvaram 521 pessoas.

O principal objectivo da operação Frontex é prevenir, detectar e reprimir ilícitos relacionados com a imigração ilegal, tráfico de seres humanos e outros crimes transfronteiriços, contribuindo fundamentalmente para a salvaguarda de vidas humanas no mar através de missões de busca e salvamento.

Segundo o site da Organização Internacional para as Migrações (OIM), este ano já chegaram à Europa mais de 112 mil migrantes e 2.361 pessoas estão dadas como mortas ou desaparecidas.

12.7.17

Investir em crianças pobres é solução inteligente para combate à desigualdade, diz UNICEF

in ONUBR

Investir na saúde de crianças em situação de pobreza salva o dobro de vidas do que aplicar o mesmo valor em grupos mais favorecidos, apontou um estudo divulgado nesta quarta-feira (28) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

“A evidência é clara: investir nas crianças mais pobres não é apenas correto no princípio, mas também na prática – mais vidas são salvas por cada dólar gasto”, disse o diretor-executivo do UNICEF, Anthony Lake, em um comunicado à imprensa. O estudo é intitulado “Reduzir as diferenças: o poder de investir nas crianças mais pobres”.

A análise confirma uma previsão não convencional feita pelo UNICEF em 2010: um maior investimento para alcançar crianças desfavorecidas seria compensado por melhores resultados.

“Essa é uma notícia crucial aos governos que trabalham para acabar com todas as mortes preveníveis de crianças, em um momento em que cada dólar conta”, afirma Lake. Segundo ele, investir de forma equilibrada em saúde infantil também ajuda a romper ciclos intergeracionais de pobreza, proporcionando um melhor aprendizado na escola e maiores rendimentos como adultos.

A pesquisa analisou dados recentes de 51 países, onde ocorreram cerca de 80% das mortes de recém-nascidos e menores de cinco anos. Foi avaliado o acesso a seis tratamentos de alta qualidade na saúde de mães, crianças e recém-nascidos: o uso de mosquiteiros tratados com inseticida, antecipação do da amamentação, cuidado pré-natal, vacinação completa, atendimento multidisciplinar à gestante em trabalho de parto e cuidados destinados a crianças com diarreia, febre ou pneumonia.

Os resultados mostram que o maior alcance a esses procedimentos ajuda a reduzir a mortalidade infantil quase três vezes mais rápido em grupos em maior situação de pobreza. Além disso, as intervenções nesses grupos se provaram 1,8 vez mais econômicas em termos de quantidade de vidas preservadas.

O estudo também revelou que, como as taxas de natalidade são maiores entre os mais pobres, diminuir o índice de mortalidade em crianças menores de cinco anos se traduz em mais 4,2 vidas salvas para cada 1 milhão de pessoas.

Estima-se que 1,1 milhão de pessoas foram salvas nos 51 países durante o último ano estudado. Delas, cerca de 85% são pobres.
Atenção às crianças em situação de pobreza fizeram a diferença em Afeganistão, Bangladesh e Malauí

O estudo lista Afeganistão, Bangladesh e Malaué como alguns dos países com altas taxas de mortalidade entre os menores de cinco anos, onde o foco nos mais desfavorecidos fez diferença para as crianças. De 1990 e 2015, a mortalidade caiu pela metade no Afeganistão e em 74% em Bangladesh e em Malauí.

Os resultados chegam em um momento crítico, à medida que os governos continuam seu trabalho para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que procura acabar com todas as mortes evitáveis entre recém-nascidos e crianças com menos de cinco anos até 2030.

A menos que o progresso na redução da mortalidade infantil seja acelerado, até 2030 quase 70 milhões de crianças morrerão antes de completar seu quinto aniversário.

O estudo pede aos países que tomem medidas práticas para reduzir as desigualdades, incluindo separar dados para identificar as crianças excluídas; investir em tratamentos para prevenir e tratar as doenças mais mortais para crianças, fortalecer os sistemas de saúde para tornar cuidados de qualidade amplamente disponíveis, inovar para obter novas maneiras de alcançar o inalcançado e monitorar a desigualdade usando pesquisas domiciliares e sistemas de informação internacionais.

5.7.17

Crianças não têm autonomia para decidir sobre o fim da vida

in Diário de Notícias

"A criança não tem capacidade de decidir. Não pode haver eutanásia na minha opinião" Fernando Cardoso Rodrigues Pediatra "A criança não deixa de ser uma pessoa com direitos, há muito a fazer por ela" Entretanto Antonieta Reis, Socióloga e Coordenadora do Norte da Associação ACREDITAR "Uma grande parte das crianças que morrem em Portugal passam mesmo a vida no hospital" Auditório da Biblioteca Municipal de Vila Real encheu-se ontem para ouvir falar sobre cuidados a crianças Crianças não têm autonomia para decidir sobre o fim da vida Eutanásia.

Pediatras e psicólogos defenderam ontem, na conferência Decidir sobre o Final da Vida, a necessidade de se apostar numa rede de cuidados paliativos pediátricos para que crianças doentes possam estar em casa com a família DAVID MANDIM A eutanásia em idade infantil levanta problemas diferentes dos que existem quando se fala de adultos, salientaram ontem os pediatras e os psicólogos que participaram na conferência Decidir sobre o Final daVida, no âmbito do ciclo sobre a eutanásia que está a decorrer por iniciativa da Comissão Nacional de Ética para as Ciências daVida. A autonomia para a decisão é o problema mais evidente, porque não se deve esquecer que a criança tem direitos. No auditório da Biblioteca Municipal de Vila Real, apontou-se também a necessidade de criar cuidados paliativos-80% das crianças que morrem em Portugal, morrem num hospital onde passaram grande parte da sua vida.

Fernando Cardoso Rodrigues, pediatra reformado que integrou a comissão de ética da Sociedade Portuguesa de Pediatria, começou por questionar a nomenclatura - até que idade se é criança? A Convenção sobre os Direitos da Criança diz que é dos O aos 18 anos. "Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS' classifica como adolescentes dos 10 aos 20, e até define juventude dos 15 aos 25. Se baralhamos os conceitos , está quase tudo baralhado", disse o médico de 71 anos, convencido de que é importante que todos falem coma mesma nomenclatura. É importante porque o que se discute é a capacidade de decisão. "É a criança autónoma para decidir sobre o fim de vida?", lançou a questão, para mais tarde responder e já com a idade dos 14 anos como barreira para a adolescência. "A criança não tem capacidade de decidir. Não pode haver eutanásia na minha opinião", frisou Fernando Cardoso Rodrigues, sem esconder que, no caso dos adultos, aceita que a pessoa tenha a última palavra sobre o fim cia vicia.

Alexandra Dinis, pediatra que integra um grupo de trabalho da Sociedade Portuguesa de Pediatria, que se especializou nos cuidados intensivos, lembrou que a OMS tem como "principal filosofia a aceitação da morte, mas recusando a antecipação da morte". Neste contexto, referiu que em pediatria "há uma grande dificuldade de aceitação da morte, reveste-se sempre de tragédia e tristeza". Com uma baixa taxa de mortalidade, Portugal vê morrer 600 a 700 crianças por ano, 80% delas com óbito hospitalar.

"Uma grande parte delas passam mesmo a vicia no hospital. Num ciclo de debates: 18 de julho Aveiro 12 de setembro Covilhã 10 de outubro Évora 27 de outubro Setúbal 7 de novembro Coimbra 14 de novembro Funchal e Ponta Delgada 5 de dezembro Lisboa tudo efetuado, foram encontradas oito crianças que nasceram, viveram e morreram num hospital." Conhecedora da legislação e de estudos belgas e holandeses, a pediatra pensa que em Portugal "a morte das crianças se caracteriza por uma excessiva hospitalização".

A pediatra defende um maior apoio às famílias para que possa ter as crianças em casa, admitindo que há grande dificuldade em reconhecer a autonomia dos menores. Assim, concluiu com linhas orientadoras, que "mais importante do que reconhecer a dignidade da morte, devemos promover a dignidade ao longo de toda a vida".

O psicólogo, doutorado em Bioética, Eduardo Carqueja, salientou a necessidade de envolver toda a sociedade nesta discussão. Os conceitos são também decisivos para se formar a opinião. Deu o exemplo de ver alguém dizer "que era tão bom que a eutanásia fosse possível para o meu pai, para ele não sofrer mais". É um equívoco, diz: "Está a dizer que o sofrimento do pai está a ser intolerável para si." Isto poderia ser um exemplo também em relação a um filho e, por isso, considera que uma ética de relação é essencial, recordando que as pessoas em sofrimento estão vulneráveis. "Decidirem sofrimento é decidirem liberdade?", foi a questão que deixou.

A coordenadora no Norte da associação Acreditar, que reúne pais e amigos de crianças com cancro, retomou ideias já lançadas por Alexandra Dinis sobre a importância de promover cuidados paliativos pediátricos. "Devem existir desde() início, em todo o país, e deve ter como base uma boa comunicação com as famílias. Não será fácil, porque se associa logo os cuidados à morte", disse a psicóloga ~micta Reis, convicta de que "a esperança deve existir apesar de um cenário mais complicado". A criança "não deixa de ser uma pessoa com direitos, há muito a fazer por ela."