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16.10.18

Quando os filhos não podem convidar os amigos para lanchar

Alexandra Prado Coelho, in Público on-line

Estudo feito junto de famílias de baixos rendimentos na região de Lisboa mostra os riscos de exclusão social associados à pobreza alimentar. Nesta terça-feira comemora-se o Dia Mundial da Alimentação.

Pobreza alimentar não significa necessariamente um frigorífico vazio. As dificuldades económicas que levam famílias de baixos rendimentos a encontrar estratégias para garantir que continuam a conseguir pôr comida na mesa causam stress, ansiedade, pressão psicológica — e, muitas vezes, uma sensação de exclusão social.

Esta pode passar por uma situação como a seguinte: um grupo de jovens de liceu decide ir a um restaurante de fast-food e uma das raparigas que os acompanha sabe, à partida, que não terá dinheiro para consumir; terá de ficar a ver os colegas comer. Ou pode passar pelos pais darem a entender aos filhos que não podem aceitar um convite para irem brincar e lanchar a casa de um amigo, porque eles não têm possibilidade de retribuir.

O Espaço Entre Nós: um ensaio fotográfico sobre o que divide os portugueses
O projecto do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa Famílias e Alimentação em Tempos Difíceis, Portugal (2016-2018) — coordenado por Mónica Truninger e Karin Wall e que se realiza no âmbito do Conselho Europeu de Investigação, com pesquisas paralelas a acontecer na Noruega e no Reino Unido — seguiu 45 famílias com menores a cargo e com algum grau de privação material para perceber como lidavam com essas situações. E as histórias relatadas acima foram algumas das que os investigadores ouviram.

Não é fácil que alguém diga de forma clara que está a cortar na alimentação, sobretudo quando tem filhos a cargo, explicam Mónica Truninger e Vasco Ramos, um dos investigadores. Por isso, para além das entrevistas, com os adultos e os jovens (entre os 11 e os 15 anos), foram realizados questionários que permitiam aferir os hábitos familiares e foi a partir do cruzamento desses dados que se chegou a algumas conclusões. Foi também detectado, por exemplo, como sendo “uma situação frequente” casos em que “mães saltam refeições ou reduzem a sua porção para dar aos filhos”, afirma Vasco Ramos.

Uma das coisas mais evidentes do estudo – que, na sua totalidade, só será apresentado no início do próximo ano – é que a “participação social”, que passa por comer fora ou por visitar e receber amigos ou familiares para uma refeição em casa, “está fortemente comprometida para a larga maioria destas famílias”.

Os adultos falam disso abertamente. “É uma das coisas que as pessoas mais facilmente dizem que prescindiram. Num dos casos, falámos com uma pessoa casada há 23 anos e que, nesse período, tinha comido fora de casa uma vez." Mas se foram ouvidas famílias que vêm de uma situação de pobreza persistente, a amostra incluiu também outras que tinham visto as suas vidas alteradas pelos efeitos “da austeridade, da crise, do desemprego”.

Nesses casos, surgem pessoas “que tinham hábitos de comer frequentemente fora e que os tinham eliminado por causa das restrições”. É com estas que as estratégias de adaptação podem revelar-se mais complicadas de gerir.

Não poder convidar os amigos dos filhos para comer “é, para os adultos, a prova definitiva de que estão à parte, que não estão integrados nos padrões de consumo normais, o que conduz a um sentimento de exclusão”, afirma Mónica Truninger.


E se as crianças mais pequenas aceitam muitas vezes estas limitações com naturalidade, as mais velhas sentem “um claro desconforto” numa situação em que acompanham os amigos a um restaurante mas não podem comer com eles. “Lembro-me”, conta Vasco Ramos, "de uma miúda que dizia que mesmo que comesse não iria gostar porque significaria que os pais estavam a fazer um enorme esforço económico".
Não existe nestas famílias desconhecimento sobre o que é comida saudável, apesar de, na prática, a maioria fazer uma alimentação pouco variada nos ingredientes — um dos exemplos mais flagrantes é a quase total ausência do peixe nas refeições e um uso muito frequente de carnes baratas como as de frango e de porco.

O trabalho de investigação identificou também “episódios pontuais de fome”, nomeadamente crianças que chegam à escola de manhã sem terem comido nada. Mónica Truninger aconselha, no entanto, alguma prudência na análises destas situações, assinalando a tendência para se pensar que se trata de negligência por parte dos pais. O que acontece frequentemente, explicam os dois investigadores, é que há pais com horários de trabalho que os obrigam a levantar-se de madrugada e que não estão em casa à hora a que os filhos saem para a escola.

“Parte substancial destes adultos [em Portugal, o que contrasta com as situações identificadas no Reino Unido e Noruega] estão empregados mas são trabalhadores pobres, com rendimentos muito baixos”, analisa Vasco Ramos. “Surgem problemas de stress da gestão do quotidiano. As crianças querem cereais mas só há pão com fiambre, por exemplo. As saídas de casa desfasadas criam oportunidades para que as crianças vão para a escola sem comer ou comendo de forma desadequada, com consequências no desempenho escolar de que a escola se apercebe rapidamente, como aconteceu no caso de uma rapariga que desmaiava na aula de Educação Física porque se tinha desabituado de comer de manhã.”
Quase total ausência do peixe

Vamos olhar a alimentação como um direito humano básico?
Outro aspecto que os investigadores salientam é o de que não existe nestas famílias desconhecimento sobre o que é comida saudável, apesar de, na prática, a maioria fazer uma alimentação pouco variada nos ingredientes – um dos exemplos mais flagrantes é a quase total ausência do peixe nas refeições e um uso muito frequente de carnes baratas como as de frango e de porco.

De notar também que “a sopa é um prato comum entre muitas famílias, constituindo frequentemente a única refeição dos pais ao jantar, de forma a conseguirem garantir uma refeição mais completa para as crianças”.

Outra ideia feita é a de que nas zonas rurais há menos risco de pobreza alimentar, diz Mónica Truninger. O estudo centra-se em três áreas: Lisboa (Marvila), Amadora e Sintra (próximo de Mafra). Foi nesta última que os investigadores encontraram algumas famílias que, não tendo uma relação anterior com o mundo rural, enfrentavam maiores dificuldades, nomeadamente na falta de redes de apoio. “Encontrámos casos de pessoas que vivem em zonas mais isoladas, onde não existe uma mercearia, ou quando existem mercearias de bairro, vendem mais caro”, descreve Vasco Ramos.

Mónica Truninger recorda um caso em que, para contornar esse problema, uma senhora utilizava às vezes o serviço de entrega ao domicílio de uma grande superfície, mas também isso levanta algumas questões. “Ter aquele camião estacionado em frente à porta a entregar comida dá para os vizinhos uma imagem de que a pessoa vive bem. Há uma gestão de expectativas que tem a ver com o estereótipo de pobre."

“A fome em Portugal é invisível, sobretudo no grupo dos idosos”
O mesmo acontece com as pessoas que enchem o carrinho das compras numa ida ao supermercado, dando uma imagem de abundância quando, na realidade, estão apenas a seguir “uma das estratégias de adaptação que é comprar em grandes quantidades” quando se tem um pouco mais de disponibilidade financeira. “Há um julgamento moral muito forte sobre isso”, comenta o investigador. “É uma violência simbólica”, acrescenta Mónica Truninger. Por tudo isto, “é preciso compreender esses enredos quotidianos” e evitar leituras simplistas sobre estas questões.

Os consumidores e os seus direitos
A Alimentação Segura e o Risco de Exclusão estiveram em debate – com a participação de Mónica Truninger – na conferência internacional organizada pelo BEUC – Organização Europeia dos Consumidores e a DECO – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, que se realizou na sexta-feira, no Porto.

Nos vários painéis analisou-se “o impacto desproporcional das consequências ambientais negativas sobre o comportamento de determinados grupos de consumidores”, das emissões poluentes às condições meteorológicas extremas e a insegurança alimentar.

Tratando-se de uma iniciativa de organizações de defesa do consumidor, um dos objectivos, no caso da DECO, é perceber de que forma poderá trabalhar esta temática no apoio aos consumidores. No painel sobre alimentação, além da intervenção de Mónica Truninger, foi apresentado um estudo da associação de defesa do consumidor francesa UFC-Que Choisir sobre a diferença de preços dos produtos biológicos e convencionais (a conclusão é que esta se deve sobretudo à margem dos retalhistas), e falaram Alfredo Cunhal Sendim, produtor biológico da Herdade do Freixo do Meio, e Mariana Dias Simpson, da FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, em Portugal.

Nesta terça-feira, Dia Mundial da Alimentação, Francisco Sarmento, responsável da FAO em Portugal e junto da CPLP, estará na Assembleia da República numa sessão com representantes de vários grupos parlamentares e da sociedade civil (Rede Rural Nacional, Colégio F3 da Universidade de Lisboa, e ReAlimentar) para discutir "a construção do direito humano à alimentação adequada em Portugal".

Estratégias divergem: do incentivo fiscal à punição
Desde Junho que Portugal tem um Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que deverá, num prazo de seis meses, elaborar uma Estratégia Nacional para a Segurança Alimentar e Nutricional. Com os grupos parlamentares, a FAO está a trabalhar para que venha a ser criada e aprovada uma Lei do Direito Humano à Alimentação Adequada, algo que já existe noutros países, nomeadamente no Brasil.
Por seu lado, a Comissão Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar organiza uma conferência no Mercado da Ribeira, em Lisboa, para apresentar a Estratégia Nacional e Plano de Acção do Combate ao Desperdício Alimentar.
tp.ocilbup@cpa

31.5.16

Crianças desafiadas a ajudar na luta contra a fome

Francisco Pedro, in "Fátima Missionária"

Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação pede às crianças e jovens de todo o mundo que partilhem as suas ideias sobre a relação entre as mudanças climatéricas e as causas da fome

Em antecipação ao Dia Mundial da Alimentação, que se celebra a 16 de outubro, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), lançou um concurso de vídeo e outro de desenho, onde desafia as crianças e jovens de todo o mundo a mostrarem como as mudanças climatéricas estão a tornar ainda mais desafiadora a tarefa de alimentar a crescente população mundial e a darem ideias do que poderá ser feito para enfrentar este problema.

O número de pessoas no planeta deve ultrapassar os nove mil milhões até 2050 e a FAO calcula que a produção global de alimentos vai precisar de crescer até 60 por cento para responder a esse aumento da procura, numa altura em que os agricultores familiares e pequenos produtores, que produzem a maioria dos alimentos consumidos, estão entre os mais afetados pelas temperaturas mais altas, secas e desastres relacionados com a mudança do clima.

Neste sentido, a agência da ONU decidiu dar uma oportunidade aos mais novos para explorarem este tema, expressando e partilhando as suas ideias sobre a relação entre as mudanças climatéricas, a comida que é consumida e as causas da fome. O concurso de desenho está aberto a crianças e jovens entre os cinco e os 19 anos, enquanto o de vídeo é dirigido a quem tem entre 13 e 19 anos. O prazo para o envio dos trabalhos termina a 30 de setembro. As regras podem ser consultadas na página do Dia Mundial da Alimentação 2016.

17.5.16

Re-Food Braga 100%

Ana Cristina Costa, in "Correio do Minho"

O desperdício alimentar tem impacto a diversos níveis, tais como ético, económico, social, sanitário e ambiental. No Dia Mundial da Alimentação de 2013 foi salientado: “Conseguir o maior número possível de alimentos de cada gota de água, porção de terreno, partícula de fertilizantes e minuto de trabalho, poupa recursos para o futuro e torna os sistemas mais sustentáveis.”

Sabendo que cerca de um terço de toda a alimentação humana é desperdiçada, o controlo desse desperdício é uma preocupação da Comissão Europeia, que propôs o ano de 2014 como ‘Ano Europeu contra o Desperdício Alimentar’, definindo como meta, a redução de metade do desperdício alimentar até 2025, com o objetivo de sensibilizar para a importância da tomada de decisões na resolução do problema do desperdício alimentar que existe na Europa.
A FAO propôs três níveis de ação: reduzir o desperdício, reutilizar os alimentos na cadeia alimentar humana e reciclar.

Nesta linha surgiu o Re-food. O Re-food é um projeto ecohumanitário baseado 100% em trabalho de voluntariado que pretende acabar com o desperdício dos alimentos preparados e com a fome nos bairros urbanos reforçando os laços comunitários locais.

A missão do projeto Re-food é diminuir a fome no ambiente urbano ao dirigir refeições (excedentes) diretamente às pessoas que passam fome mais próximas das fontes de doações.

O projeto assenta em três pilares estruturais:
1 - Resgatar 100% o excedente alimentar, preparado e não vendido, dentro de uma área de atuação micro local.
2 - Proporcionar alimento a 100% das pessoas com carências alimentares, dentro desta mesma área.
3 - Procurar envolver 100% da comunidade no desenvolvimento, operacionalização e apoio a este projeto.
O Re-Food nasceu em Lisboa e é um projeto micro l ocal, baseado em trabalho 100% voluntário, que pretende resgatar 100% do excedente alimentar, preparado e não vendido e, simultaneamente, proporcionar alimentos a 100% das pessoas com necessidades alimentares, dentro da área de atuação micro local.

Desde 2013 que o projeto tem vindo a crescer e a espalhar-se por várias cidades do país. O Re-Food Braga 100% foi o 11.º núcleo a ser implementado a nível nacional e o 3.º núcleo a ser implementado fora da Grande Lisboa.

Em Braga, o projeto tornou-se uma realidade a 15 de fevereiro de 2015, e assim, desde essa data que, diariamente, há três equipas de voluntários no terreno: os voluntários que percorrem as rotas e recolhem os excedentes alimentares pelas diversas fontes de alimentos parceiras, os voluntários que armazenam e empacotam a comida excedentária em refeições, e os voluntários que fazem a distribuição de refeições pelas famílias beneficiárias do projeto.

Atualmente o núcleo conta com o apoio de cerca 30 gestores/chefes de turno voluntários que são os responsáveis pela operacionalização do projeto e cerca de 200 voluntários no terreno, 33 por dia, que nas suas duas horas semanais tornam a execução do projeto possível.
Um ano após o lançamento e inauguração do núcleo os números não enganam, o Re-Food Braga 100%, distribui refeições por 150 beneficiários e combate o desperdício alimentar em 48 parceiros de fonte de alimentos.

Fazer acontecer tem sido o objetivo do Re-Food Braga 100% e, se, num ano, nas 60.000 horas doadas pelos voluntários foram resgatas e distribuídas 11.901 refeições em perfeitas condições, apenas ocorre um pensamento: Continuar a combater o desperdício alimentar e alimentar sorrisos.
Se quiser fazer parte deste projeto inscreva-se e veja como pode ajudar:
https://www.facebook.com/refood.braga

23.10.15

Ingredientes do desperdício

Lucila Cano, In UOL

As perdas de alimentos em todo o mundo preocupam e significam séria ameaça à erradicação da pobreza e da fome. Por isso mesmo, desperdício foi a palavra mais presente em todas as manifestações alusivas ao Dia Mundial da Alimentação em 16 de outubro passado.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que completou 70 anos na mesma data, divulgou que a cada ano 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são desperdiçados no mundo. Tal quantidade corresponde a custos anuais de US$ 750 bilhões que poderiam ser investidos no combate à fome, segundo a organização.

Se comparado ao estimado pelo relatório que José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO, apresentou à presidente Dilma Rousseff em 10 de julho passado, esse valor do desperdício cobriria com folga a necessidade anual de US$ 267 bilhões para alimentar os famintos do mundo pelos próximos 15 anos.

Um ganho e muitas perdas
No final de 2012, o Brasil já havia superado a primeira meta (reduzir a pobreza extrema e a fome à metade do nível de 1990) dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (de 2000 ao final de 2015) que a ONU propôs aos países-membros da Organização.

Com esse ganho, saímos do mapa da fome da FAO, mas permanecemos firmes no mapa do desperdício. Enquanto cerca de 13 milhões de pessoas ainda passam fome no país, a ONG Banco de Alimentos, que atua em São Paulo, divulgou que "O Brasil é considerado pela FAO um dos dez países que mais desperdiçam comida em todo o mundo".

A ONG faz a ponte entre a coleta de alimentos excedentes nos estabelecimentos comerciais e a distribuição gratuita dos mesmos para instituições assistenciais. De acordo com dados da Embrapa citados por ela, as muitas perdas de alimentos no Brasil equivalem a 26,3 milhões de toneladas que vão para o lixo todo ano.

Tanto os números mundiais quanto os nacionais poderiam ser ainda mais surpreendentes se às contas do desperdício fossem acrescentados os custos com produção, serviços e insumos necessários para que um pé de alface chegue à banca da feira, um churrasco faça a festa do final de semana, uma fruta fresca complete a refeição à mesa.

Problemas no plantio, manuseio, transporte, embalagem e armazenamento de alimentos são apenas parte do pacote de desperdício. Nessas etapas, mas não só nelas, há o consumo de energia, água, conservantes, combustíveis e, é claro, o serviço, a mão de obra.

Qual a melhor receita
Educação e mudança de hábitos são as orientações sempre repetidas por todos aqueles que buscam soluções para o problema do desperdício.

É preciso insistir nesses pontos porque, para mudar, precisamos aprender a produzir, transportar, armazenar e consumir. Da mesma forma que também precisamos aprender a descartar.

Para o movimento Gastronomia Responsável, quatro princípios reduzem o impacto da gastronomia no meio ambiente: usar integralmente os alimentos para evitar o desperdício; não usar espécies que estejam ameaçadas de extinção; comprar alimentos orgânicos, que são produzidos de forma mais natural, sem o uso de agrotóxicos; optar por produtores locais, o que reduz a quantidade de gases de efeito estufa no transporte e incentiva o comércio da cidade.

Para Alan Bojanic, representante da FAO no Brasil, o desperdício é responsabilidade de todos e precisa ser tratado com prioridade. Segundo ele, na América Latina, quase 30% do desperdício acontece no ambiente doméstico: "Isso ocorre porque as pessoas compram mais do que precisam, deixam alimentos vencer, compram alimentos vencidos e deixam muita comida no prato. Essa mudança de comportamento é essencial para o combate ao desperdício".

Às palavras dele, deixo aqui meu voto de confiança de que nossos legisladores criem leis mais adequadas à coleta e distribuição de alimentos para quem precisa e que aqueles que lidam com alimentos no comércio também aprendam a doar o que ainda está bom para o consumo.

18.10.12

Quando a fome bate à porta...

Isabel Vilhena, in Correio do Minho

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Alimentação.

Trata-se de um chamamento aos países para a adopção de políticas, programas e acções voltadas para eliminar a fome no mundo e assegurar a segurança alimentar dos povos.
Quando falamos de fome, geralmente, falamos de uma realidade mais distante, de países subdesenvolvidos, mas que, paradoxalmente, parece não interessar ao mundo erradicar este fenómeno e promover o desenvolvimento sustentável.

Contudo, esta é uma realidade que está cada vez mais próxima. A fome já bate à porta de muitas famílias portuguesas e os alertas são dramáticos.

A União Humanitária dos Doentes com Cancro vem alertar para a existência de doentes oncológicos sem dinheiro para comer, uma situação que agrava a sua condição física já debilitada pela doença e pelos efeitos dos tratamentos.

São dados chocantes que mostram que a desnutrição afecta 40 a 80 por cento dos doentes oncológicos, e que a maioria dos familiares e amigos, destes pacientes, não sabem como lidar com o problema, apesar de reconhecerem que as carências alimentares, decorrentes do cancro, são muito graves.

Casos gritantes que tendem a agravar-se com as medidas cada vez mais penalizadoras para as famílias que esticam o magro orçamento para pôr o prato de comida na mesa.