In "Renascença"
Aumentam denúncias à APAV após silêncio do pico da crise. Predominam os crimes de maus-tratos psíquicos e físicos.
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) registou um aumento de casos em 2015, denunciados cada vez mais por contacto telefónico. Foram feitos mais de 34 mil atendimentos a vítimas, segundo o relatório anual. A maioria das vítimas são mulheres. Em média, por dia, 14 mulheres são vítimas de crime.
O presidente da APAV, João Lázaro, aponta um aumento de 8% nos processos nos últimos dois anos, porque a crise impediu muitas pessoas de pedirem ajuda. “O empobrecimento da sociedade portuguesa no pico da crise – e ainda muitos efeitos se sentem dessa crise – um calar, um não denunciar, um não pedir apoio, muitas vezes por falta de alternativas de construção de um projecto de vida sem violência, como por exemplo no caso da violência intrafamiliar”, descreve.
O relatório diz que são muitos mais os crimes contra pessoas, mais de 95% e sobretudo maus-tratos psíquicos e físicos. As vítimas continuam a ser, sobretudo, do sexo feminino. Em 2015, por semana, em média, 101 mulheres foram vítimas de crime, 14 homens, 18 pessoas idosas, 20 crianças e jovens.
O relatório apresenta ainda o perfil geral da vítima: É uma mulher, com cerca de 40 anos, casada, com filhos, frequentou o ensino superior, está empregada e o agressor é sobretudo o cônjuge.
A violência doméstica registou 18. 679 casos nos processos da APAV, que alerta que nem sempre é possível fazer a denúncia, “pela impossibilidade muitas vezes de poder pagar uma chamada telefónica, daí a importância de um número gratuito, como o 116 006, ou então, para casos mais complicados, deslocarem-se aos gabinetes de apoio à vítima”, aponta João Lázaro.
A vitimização mais registada pela APAV foi de "tipo continuado", assinalada em 74,7% dos casos. Em 16,3% das situações duravam, em média, entre os dois e os seis anos.
Vítimas queixam-se de vários crimes
O presidente da APAV explica os 34 mil atendimentos, correspondentes a mais de 9.600 pessoas. “Regra geral, as pessoas vêm com um ou mais crimes de que são vítimas, daí a questão de haver um número tão elevado de crimes e actos de violência”.
Os locais do crime mais referenciados foram a residência comum (5.976), a residência da vítima (1.590) e a via pública (1.105). Fora do âmbito dos crimes contra as pessoas, o relatório realça os crimes patrimoniais, nomeadamente o crime de dano, com 229 registos (15%).
Destaca também as "outras formas de violência", que incluem o 'bullying' e o 'stalking' (assédio persistente) e representaram mais de 500 queixas (2,5% do total das denúncias).
APAV apoiou três crianças e jovens por dia em 2015
A APAV apoiou em 2015 uma média de três crianças e jovens por dia vítimas de crime, num total de 1.084, mais 92 face a 2014. O relatório anual refere que 54,6% são meninas, com uma média de idade de 9,9 anos, sendo que 23,8% frequenta o pré-escolar e 23,6%, o primeiro ciclo.
Os dados apontam 102 casos de crianças menores de 14 anos que foram abusadas sexualmente e um caso de pornografia de menores. A maioria das vítimas vivia em famílias nucleares com filhos (49,6%).
Em 2015, a APAV apoiou 255 vítimas de crime sexual, a grande maioria (82,1%) mulheres, com uma média de idade a rondar os 25 anos. Metade das vítimas era estudante, sendo que 20,1% frequentavam o ensino secundário, 18,2%, o terceiro ciclo e 15,9%, o primeiro ciclo.
Relativamente aos idosos, as estatísticas da associação referem que foram apoiadas 977 vítimas em 2015, mais 125 do que no ano anterior. 80,5% destas vítimas são mulheres, com uma média de idade de 75 anos.
Cerca de 60% dos atendimentos em 2015 foram feitos por contacto telefónico, 30% foram presenciais, 10% por email e ainda poucos pelas redes sociais. Ao todo representam quase 10 mil vítimas.
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30.3.16
18.3.16
Portugal quer "ir mais longe" no combate à violência contra mulheres - Governo
In "Correio da Manhã"
A secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Catarina Marcelino, garantiu na terça-feira à noite, na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, que Portugal quer "ir mais longe" no combate à violência contra mulheres. "É objetivo do governo ir mais longe e implementar uma rede nacional de respostas com impacto e eficácia local implicando uma maior articulação entre autarquias, ONG, forças de segurança e outras entidades que atuem e previnam o feminicídio e o afastamento das vítimas da sua casa e da comunidade de pertença, melhorando a aplicação da lei", disse a responsável. A secretária de Estado está em Nova Iorque para participar na 60ª reunião anual da Comissão do Estatuto da Mulher (CSW, na sigla em inglês), um organismo da ONU dedicado à promoção da igualdade de género e ao empoderamento das mulheres.
A secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Catarina Marcelino, garantiu na terça-feira à noite, na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, que Portugal quer "ir mais longe" no combate à violência contra mulheres. "É objetivo do governo ir mais longe e implementar uma rede nacional de respostas com impacto e eficácia local implicando uma maior articulação entre autarquias, ONG, forças de segurança e outras entidades que atuem e previnam o feminicídio e o afastamento das vítimas da sua casa e da comunidade de pertença, melhorando a aplicação da lei", disse a responsável. A secretária de Estado está em Nova Iorque para participar na 60ª reunião anual da Comissão do Estatuto da Mulher (CSW, na sigla em inglês), um organismo da ONU dedicado à promoção da igualdade de género e ao empoderamento das mulheres.
3.12.14
Novos casos de violência doméstica dispararam no distrito de Bragança
in o Observador
Número de novos casos de violência doméstica denunciados disparou em 2014 no distrito de Bragança, com um aumento de 32% em relação ao ano passado.
O número de novos casos de violência doméstica denunciados disparou em 2014 no distrito de Bragança, com um aumento de 32% por cento em relação ao ano passado, divulgou nesta terça-feira o Núcleo (distrital) de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica. “A dimensão do agravamento é brutal, estamos a falar de um aumento de 32 por cento em relação a 2013, no distrito de Bragança, temos 182 vítimas sinalizadas, novos casos, não são os que transitam de um ano para o outro”, indicou Teresa Fernandes, psicóloga do núcleo, realçando que “2014 tem sido um ano negro em diversos aspetos”.
Em Portugal, mais de 30 mulheres morreram às mãos de companheiros ou ex-companheiros e as estatísticas do observatório nacional de mulheres assassinadas revelam uma vítima mortal nesta região que, “desde 2006″, não registava um caso desta gravidade extrema, de acordo ainda com a técnica.
Os dados e a problemática estão a ser debates desde hoje, e durante dois dias em Bragança, nas primeiras jornadas ibéricas sobre Violência Doméstica, promovidas pela Associação dos Socorros Mútuos e Artistas de Bragança (ASMAB), entidade que acolhe o núcleo de apoio às vítimas.
De acordo com a técnica Teresa Fernandes, há, nesta região, “novos casos de violência em famílias onde antes nunca tinha havido situações de violência seja física, seja psicológica” e que “fruto da crise financeira, da crise social, da crise familiar, hoje funcionam desadequadamente e de uma forma não saudável nesta base da violência”. Os casos extremos são os mais visíveis, mas os técnicos lidam também com o lado mais encoberto de “casos de violência grave em escala que envolve não só as mulheres, mas também filhos e idosos”.
“Temos muitos idosos a viver atualmente em casa de agregados familiares como forma de sustento da economia doméstica e que são afetados por esta violência dirigida no seio familiar”, apontou, realçando que muitos destes idosos “nunca foram vítimas de violência doméstica na conjugalidade e que o são agora, de violência perpetrada por filhos, filhas, noras, genros e netos”.
A ASMAB tem há vários anos um projeto para a construção de uma Casa Abrigo para vítimas de violência doméstica que, segundo adiantou hoje o presidente, deverá iniciar-se em 2015 e estar a funcionar dentro de dois anos. O projeto tem um custo de 800 mil euros, com uma comparticipação garantida até 75 por cento e vai criar 30 vagas, numa região onde existe apenas um equipamento do género, a Casa Abrigo da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, com cinco vagas disponíveis.
As jornadas ibéricas que decorrem em Bragança reúnem vários parceiros, entre os quais a Rede Europeia Anti Pobreza (EAPN), cujo representante em Portugal, o padre Agostinho Jardim Moreira classificou a violência como “o maior fator de pobreza, pior do que não ter comida”. “Tudo que é contra a vida, que destrói a vida, é o maior fator de pobreza. Se a pessoa humana é atingida nos seus direitos, na sua dignidade, na sua liberdade, ela está a ser gravemente empobrecida na sua pessoa”, acentuou.
Número de novos casos de violência doméstica denunciados disparou em 2014 no distrito de Bragança, com um aumento de 32% em relação ao ano passado.
O número de novos casos de violência doméstica denunciados disparou em 2014 no distrito de Bragança, com um aumento de 32% por cento em relação ao ano passado, divulgou nesta terça-feira o Núcleo (distrital) de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica. “A dimensão do agravamento é brutal, estamos a falar de um aumento de 32 por cento em relação a 2013, no distrito de Bragança, temos 182 vítimas sinalizadas, novos casos, não são os que transitam de um ano para o outro”, indicou Teresa Fernandes, psicóloga do núcleo, realçando que “2014 tem sido um ano negro em diversos aspetos”.
Em Portugal, mais de 30 mulheres morreram às mãos de companheiros ou ex-companheiros e as estatísticas do observatório nacional de mulheres assassinadas revelam uma vítima mortal nesta região que, “desde 2006″, não registava um caso desta gravidade extrema, de acordo ainda com a técnica.
Os dados e a problemática estão a ser debates desde hoje, e durante dois dias em Bragança, nas primeiras jornadas ibéricas sobre Violência Doméstica, promovidas pela Associação dos Socorros Mútuos e Artistas de Bragança (ASMAB), entidade que acolhe o núcleo de apoio às vítimas.
De acordo com a técnica Teresa Fernandes, há, nesta região, “novos casos de violência em famílias onde antes nunca tinha havido situações de violência seja física, seja psicológica” e que “fruto da crise financeira, da crise social, da crise familiar, hoje funcionam desadequadamente e de uma forma não saudável nesta base da violência”. Os casos extremos são os mais visíveis, mas os técnicos lidam também com o lado mais encoberto de “casos de violência grave em escala que envolve não só as mulheres, mas também filhos e idosos”.
“Temos muitos idosos a viver atualmente em casa de agregados familiares como forma de sustento da economia doméstica e que são afetados por esta violência dirigida no seio familiar”, apontou, realçando que muitos destes idosos “nunca foram vítimas de violência doméstica na conjugalidade e que o são agora, de violência perpetrada por filhos, filhas, noras, genros e netos”.
A ASMAB tem há vários anos um projeto para a construção de uma Casa Abrigo para vítimas de violência doméstica que, segundo adiantou hoje o presidente, deverá iniciar-se em 2015 e estar a funcionar dentro de dois anos. O projeto tem um custo de 800 mil euros, com uma comparticipação garantida até 75 por cento e vai criar 30 vagas, numa região onde existe apenas um equipamento do género, a Casa Abrigo da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, com cinco vagas disponíveis.
As jornadas ibéricas que decorrem em Bragança reúnem vários parceiros, entre os quais a Rede Europeia Anti Pobreza (EAPN), cujo representante em Portugal, o padre Agostinho Jardim Moreira classificou a violência como “o maior fator de pobreza, pior do que não ter comida”. “Tudo que é contra a vida, que destrói a vida, é o maior fator de pobreza. Se a pessoa humana é atingida nos seus direitos, na sua dignidade, na sua liberdade, ela está a ser gravemente empobrecida na sua pessoa”, acentuou.
2.10.14
Maus-tratos. Todos os dias há um pai agredido pelo filho
Por Marta Cerqueira, in iOnline
A maioria das vítimas de maus-tratos são mulheres e têm mais de 65 anos
Em nove anos, 3988 pais foram maltratados pelos filhos em ambiente doméstico.Feitas as contas, todos os dias há um pai (ou mãe) a ser vítima de maus--tratos em Portugal. De acordo com um estudo divulgado ontem pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), durante os anos de análise – de 2004 a 2012 – o número de vítimas do sexo feminino (81%) foi sempre superior ao número de homens agredidos. Segundo Maria Félix Duque, coordenadora do centro de formação da APAV, mais do que um vínculo financeiro entre agressor e vítima, quando se fala em pai e filho, é o vínculo emocional que prevalece, mais ainda quando se trata de mães.
“O vínculo emotivo é mais forte com as mães que, por outro lado, são também mais permissivas em relação a alguns comportamentos pouco tolerados pelos pais”, refere. Além disso, a responsável acredita que o facto de as mulheres terem uma esperança de vida superior e terem os filhos sobre sua dependência durante mais tempo potencia a ocorrência de mais crimes.
Do outro lado da tabela, é do sexo masculino a dominar a tendência, com 71% de homens como agressores, na sua maioria com idades entre os 36 e os 45 anos. Além de alguns comportamentos estarem ligados ao consumo de álcool e drogas, também a convivência entre pai e filho pode potenciar episódios de violência. Maria FélixDuque acredita que o regresso dos filhos adultos a casa dos pais, comportamento potenciado pela crise financeira, pode estar na origem de situações de violência. Além disso, a responsável aponta o chamado “stresse do cuidador”, associado aos filhos que ficam com a responsabilidade de cuidar dos pais idosos, como potenciador de episódios de violência.
O estudo revela ainda que são os maus-tratos psíquicos a registar a maior percentagem dos casos. “As pessoas esquecem-se que, no limite, a própria infantilização dos idoso pode ser considerada agressão”, explica a responsável. Os maus-tratos físicos surgem logo a seguir, com registo de 2607 episódios em nove anos. Já as situações de coação e ameaça surgem em terceiro lugar, representando 18,83% do total de casos registados pela associação.
A maioria das vítimas de maus-tratos são mulheres e têm mais de 65 anos
Em nove anos, 3988 pais foram maltratados pelos filhos em ambiente doméstico.Feitas as contas, todos os dias há um pai (ou mãe) a ser vítima de maus--tratos em Portugal. De acordo com um estudo divulgado ontem pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), durante os anos de análise – de 2004 a 2012 – o número de vítimas do sexo feminino (81%) foi sempre superior ao número de homens agredidos. Segundo Maria Félix Duque, coordenadora do centro de formação da APAV, mais do que um vínculo financeiro entre agressor e vítima, quando se fala em pai e filho, é o vínculo emocional que prevalece, mais ainda quando se trata de mães.
“O vínculo emotivo é mais forte com as mães que, por outro lado, são também mais permissivas em relação a alguns comportamentos pouco tolerados pelos pais”, refere. Além disso, a responsável acredita que o facto de as mulheres terem uma esperança de vida superior e terem os filhos sobre sua dependência durante mais tempo potencia a ocorrência de mais crimes.
Do outro lado da tabela, é do sexo masculino a dominar a tendência, com 71% de homens como agressores, na sua maioria com idades entre os 36 e os 45 anos. Além de alguns comportamentos estarem ligados ao consumo de álcool e drogas, também a convivência entre pai e filho pode potenciar episódios de violência. Maria FélixDuque acredita que o regresso dos filhos adultos a casa dos pais, comportamento potenciado pela crise financeira, pode estar na origem de situações de violência. Além disso, a responsável aponta o chamado “stresse do cuidador”, associado aos filhos que ficam com a responsabilidade de cuidar dos pais idosos, como potenciador de episódios de violência.
O estudo revela ainda que são os maus-tratos psíquicos a registar a maior percentagem dos casos. “As pessoas esquecem-se que, no limite, a própria infantilização dos idoso pode ser considerada agressão”, explica a responsável. Os maus-tratos físicos surgem logo a seguir, com registo de 2607 episódios em nove anos. Já as situações de coação e ameaça surgem em terceiro lugar, representando 18,83% do total de casos registados pela associação.
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