Fátima Ferreira, in "Gazela das Causas"
O papel das organizações na crise dos refugiados e a economia social foram temas debatidos nas Jornadas Técnicas da Santa Casa da Misericórdia das Caldas da Rainha, que se realizaram entre os dias 2 e 4 de Março no Inatel da Foz do Arelho.
Com uma participação de 214 pessoas, esta sexta edição deu também destaque às questões da infância e juventude e envelhecimento, com as quais a instituição trabalha directamente.
As instituições portuguesas estão prontas para os acolher, mas os refugiados tardam em chegar. Mónica Frechaut, do Conselho Português para os Refugiados, reconhece que o processo de recolocação demorou muito tempo, mas considera que este está a “ficar mais oleado” e que no futuro será mais rápido e que as organizações sociais vão ser chamadas a trabalhar com mais frequência.
Já na passada segunda-feira chegaram a Lisboa mais 64 refugiados, maioritariamente oriundos da Síria e do Iraque. Mónica Frechaut acredita que a população irá voltar a mobilizar-se para dar o apoio a esta população tão vulnerável.
Destaca que está prevista a vinda de mais de 5000 pessoas para o nosso país e que quase “todas as regiões serão de acolhimento de refugiados”.
A responsável realça a boa integração dos perto de 70 cidadãos que já cá estão, dando o exemplo de um profissional de uma arte marcial que já está a treinar num clube. “Rapidamente se encontram voluntários que ensinam português e organizações que estão dispostas a acolher os refugiados, desde as escolas, os ATL e outras instituições sociais e empresas”, disse.
Mónica Frechaut lembrou que foi o enorme naufrágio, de cerca de 800 pessoas ocorrido em Lampedusa (Itália), em Abril do ano passado, que veio alertar a sociedade e governantes europeus para a crise que se estava a passar no Mediterrâneo. Esta já vinha detrás pois desde 2013 que as organizações que trabalham na área estavam a “adivinhar” que isto iria acontecer porque os conflitos no Médio Oriente que forçavam os movimentos migratórios não cessavam.
No início o que acontecia era que as pessoas concentravam-se nas proximidades dos países de origem, (Síria e Iraque) permanecendo no Líbano, Jordânia e Turquia, mas o “corte brutal” no programa alimentar mundial em 2014 e 2015 criou grandes dificuldades nos campos de refugiados e as pessoas começaram a dirigir-se para a Europa. Também o facto de não haver canais legais de migração que permitissem a viagem directa para um território seguro fez com que as pessoas tivessem que atravessar o Mediterrâneo.
Nas Caldas as instituições também estão envolvidas num processo coordenado pela autarquia.
Margarida Lalanda Ribeiro, directora técnica do gabinete de recursos e inovação social da Santa Casa da Misericórdia caldense, explica que esta instituição, com a sua horta, cantina e loja sociais, tem várias soluções que podem facilitar este acolhimento dos refugiados.
Também a economia social e a necessidade de encontrar formas para resolver os problemas da sociedade foram abordados nestas jornadas. Margarida Lalanda Ribeiro destaca que os problemas financeiros são um lugar comum nestas instituições, dependentes dos acordos de cooperação com o Estado, e que o grande desafio que se lhes coloca é conseguirem ser autónomas.
De acordo com a responsável, a Misericórdia caldense, que actualmente presta apoio directo e indirecto a cerca de 3000 pessoas, “precisa de consolidar o trabalho feito, ao nível da gestão de recursos, sustentabilidade financeira e interacção social e, no futuro, crescer”.
As jornadas técnicas terão continuidade, com a organização a ter já temas para trabalhar em 2017, como o facto das instituições presentes trazerem dados sobre elas próprias para depois serem trabalhados em conjunto pelos participantes no encontro, e assim partilharem experiências.
As jornadas técnicas contempla uma parte teórica, com a presença de especialistas em várias áreas sociais “Envelhecimento Ativo: Um Baile de Diferentes Papéis”, intitulou uma das oficinas
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23.3.16
16.10.13
Comunidade Vida e Paz distribui mapa com serviços de apoio aos sem-abrigo de Lisboa
Marisa Soares, in Público on-line
Folheto assinala 36 locais onde é possível procurar ajuda. Iniciativa assinala Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.
A Comunidade Vida e Paz vai distribuir nesta quinta-feira à comunidade sem-abrigo de Lisboa um mapa no qual estão assinalados os vários locais onde estas pessoas podem procurar ajuda, que é prestada por 19 instituições. A iniciativa, que assinala o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, visa “capacitar” os sem-abrigo para saírem da rua, diz o presidente, Henrique Joaquim.
O mapa identifica 36 pontos de ajuda, desde locais de alojamento a cantinas ou mesmo espaços de formação destinados às pessoas em situação de carência. Zonas como a Baixa-Chiado, o Intendente, as Olaias e a Bela Vista são as que concentram mais serviços, embora não sejam exactamente esses os locais onde os sem-abrigo mais se concentram – que são Saldanha, Santa Apolónia, Rossio, Campo das Cebolas, Arroios e Gare do Oriente, segundo Henrique Joaquim.
“Estamos no Ano Europeu da Cidadania, consideramos que estes cidadãos são totalmente esquecidos. Dar-lhes esta informação é dar-lhes mais opções e também dar à cidade a oportunidade de se conjugar um bocadinho melhor”, explica o responsável desta instituição particular de solidariedade social.
Não há números actualizados sobre a comunidade de pessoas sem-abrigo na capital. “Sabemos apenas que são muitas mais do que as que foram registadas no Censos 2011”, afirma Henrique Joaquim. A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa está a fazer um diagnóstico desta população, que deverá estar concluído nos próximos meses.
520 a 530 pessoas por noite
Os voluntários da Comunidade Vida e Paz contactam, em média, com 520 a 530 pessoas por noite. “Temos quatro equipas na rua todos os dias do ano”, informa Henrique Joaquim. A missão dos voluntários não é distribuir comida, mas sim “estabelecer uma relação com as pessoas”. Para o efeito, servem uma pequena ceia (em 2012 foram servidas 190.320 ceias), que usam como “isco” para criar laços com os sem-abrigo, levá-los aos centros de atendimento, “dar-lhes atenção” e mostrar-lhes as soluções que existem, à medida de cada um. Em 2012, a instituição sinalizou 257 pessoas que mostraram interesse em sair da rua.
A alteração do perfil do sem-abrigo tem, porém, dificultado esse desfecho. Se nos anos 1990 e no início da década de 2000 havia uma prevalência de toxicodependentes, neste momento há mais alcoolismo e problemas de saúde mental. “Quando saímos para a rua, dependemos muito do ‘sim’ que a pessoa possa dar à nossa ajuda, mas quando a pessoa não está capaz de dizer sim ou não, é mais complicado”, lamenta Henrique Joaquim.
O presidente da Comunidade Vida e Paz sublinha o “grande esforço” de todas as instituições que prestam apoio aos sem-abrigo em Lisboa, no sentido de evitarem a sobreposição de serviços, mas admite que a coordenação “poderá ser muito melhor”. Como? Quando for criado, por exemplo, o Núcleo de Planeamento e Intervenção para as pessoas sem-abrigo, um espaço de atendimento integrado.
“É uma rede de organizações, coordenada pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, em conjunto com a Câmara de Lisboa, cujo objectivo é canalizar para aquele espaço todas as situações e dar-lhes respostas adequadas e integradas”, explica Henrique Joaquim. O núcleo deverá estar operacional nos próximos meses, afirma.
Folheto assinala 36 locais onde é possível procurar ajuda. Iniciativa assinala Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.
A Comunidade Vida e Paz vai distribuir nesta quinta-feira à comunidade sem-abrigo de Lisboa um mapa no qual estão assinalados os vários locais onde estas pessoas podem procurar ajuda, que é prestada por 19 instituições. A iniciativa, que assinala o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, visa “capacitar” os sem-abrigo para saírem da rua, diz o presidente, Henrique Joaquim.
O mapa identifica 36 pontos de ajuda, desde locais de alojamento a cantinas ou mesmo espaços de formação destinados às pessoas em situação de carência. Zonas como a Baixa-Chiado, o Intendente, as Olaias e a Bela Vista são as que concentram mais serviços, embora não sejam exactamente esses os locais onde os sem-abrigo mais se concentram – que são Saldanha, Santa Apolónia, Rossio, Campo das Cebolas, Arroios e Gare do Oriente, segundo Henrique Joaquim.
“Estamos no Ano Europeu da Cidadania, consideramos que estes cidadãos são totalmente esquecidos. Dar-lhes esta informação é dar-lhes mais opções e também dar à cidade a oportunidade de se conjugar um bocadinho melhor”, explica o responsável desta instituição particular de solidariedade social.
Não há números actualizados sobre a comunidade de pessoas sem-abrigo na capital. “Sabemos apenas que são muitas mais do que as que foram registadas no Censos 2011”, afirma Henrique Joaquim. A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa está a fazer um diagnóstico desta população, que deverá estar concluído nos próximos meses.
520 a 530 pessoas por noite
Os voluntários da Comunidade Vida e Paz contactam, em média, com 520 a 530 pessoas por noite. “Temos quatro equipas na rua todos os dias do ano”, informa Henrique Joaquim. A missão dos voluntários não é distribuir comida, mas sim “estabelecer uma relação com as pessoas”. Para o efeito, servem uma pequena ceia (em 2012 foram servidas 190.320 ceias), que usam como “isco” para criar laços com os sem-abrigo, levá-los aos centros de atendimento, “dar-lhes atenção” e mostrar-lhes as soluções que existem, à medida de cada um. Em 2012, a instituição sinalizou 257 pessoas que mostraram interesse em sair da rua.
A alteração do perfil do sem-abrigo tem, porém, dificultado esse desfecho. Se nos anos 1990 e no início da década de 2000 havia uma prevalência de toxicodependentes, neste momento há mais alcoolismo e problemas de saúde mental. “Quando saímos para a rua, dependemos muito do ‘sim’ que a pessoa possa dar à nossa ajuda, mas quando a pessoa não está capaz de dizer sim ou não, é mais complicado”, lamenta Henrique Joaquim.
O presidente da Comunidade Vida e Paz sublinha o “grande esforço” de todas as instituições que prestam apoio aos sem-abrigo em Lisboa, no sentido de evitarem a sobreposição de serviços, mas admite que a coordenação “poderá ser muito melhor”. Como? Quando for criado, por exemplo, o Núcleo de Planeamento e Intervenção para as pessoas sem-abrigo, um espaço de atendimento integrado.
“É uma rede de organizações, coordenada pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, em conjunto com a Câmara de Lisboa, cujo objectivo é canalizar para aquele espaço todas as situações e dar-lhes respostas adequadas e integradas”, explica Henrique Joaquim. O núcleo deverá estar operacional nos próximos meses, afirma.
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