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5.11.18

Iémen é “um inferno na terra” para as crianças, diz UNICEF

in o Observador

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) disse que o Iémen se tornou "um inferno na terra" para as crianças e exortou as partes em conflito a cessarem as hostilidades.

“O Iémen é hoje um inferno na terra, não para 50% ou 60% das crianças, mas para cada menino e menina do Iémen”, declarou o diretor da UNICEF para o Médio Oriente e Norte de África, Geert Cappelaere, numa conferência de imprensa em Amã este domingo. “Os números, na verdade, não dizem muito, mas são importantes porque nos mostram até que ponto a situação se tornou desastrosa”, acrescentou.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância considerou assim que o Iémen se tornou “um inferno na terra” para as crianças, atingidas pela fome, e desafiou as partes envolvidas no conflito a cessarem as hostilidades.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também apelou na sexta-feira ao fim da “violência” para evitar que o país caia num “precipício”.

A guerra no Iémen opõe as forças pró-governamentais e uma coligação liderada pela Arábia Saudita aos rebeldes Huti, apoiados pelo Irão, que em 2014 e 2015 tomaram vastas áreas do país, incluindo a capital, Sanaa.
O conflito já provocou a morte de quase 10 mil pessoas, a maioria civis, causando a pior crise humanitária do mundo. Além dos casos de fome, a população sofre de doenças como a cólera.
“A cada 10 minutos, uma criança morre por causa de doenças que podem ser prevenidas”, adiantou Cappelaere.

O mesmo responsável disse à agência noticiosa AFP na quinta-feira que 1,8 milhões de crianças com menos de cinco anos sofrem de “desnutrição aguda”.

O conflito exacerbou “uma situação que já era má devido a anos de subdesenvolvimento” neste país pobre da região, referiu Cappelaere.

“Apelamos a todas as partes para que se encontrem no final deste mês sob os auspícios do enviado especial da ONU para um acordo de cessar-fogo”, declarou hoje o responsável da UNICEF.

Cappelaere sublinhou que a situação é particularmente preocupante em Hodeida, uma cidade portuária controlada pelos rebeldes no oeste do país, que as forças pró-governamentais estão a tentar recuperar.
“O porto de Hodeida é um ponto vital para 70 a 80% da população iemenita (…), porque é apenas através de Hodeida que são feitas as entregas comerciais e humanitárias que nos permitem fornecer ajuda ao norte do país”, explicou.

“Com o assalto de Hodeida, não nos preocupa apenas a vida de centenas de milhares de crianças (na região), mas também o impacto que isso terá sobre as crianças no norte do país”, acrescentou.

20.2.18

ONU alerta para falhas nos dados disponíveis sobre crianças deslocadas no mundo

in ONUBR

Há “falhas alarmantes” na disponibilidade, confiabilidade, tempestividade e acessibilidade de dados e evidências essenciais para entender como as crianças e suas famílias são afetadas pela migração e o deslocamento forçado, disseram as agências das Nações Unidas e seus parceiros na quinta-feira (15).
Aproximadamente um quarto dos países e territórios não têm dados de idade desagregados sobre migrantes, incluindo 43% dos países e territórios na África e apenas 56% da população de refugiados sob o mandato do ACNUR têm informação sobre idade registrada.

Há “falhas alarmantes” na disponibilidade, confiabilidade, tempestividade e acessibilidade de dados e evidências essenciais para entender como as crianças e suas famílias são afetadas pela migração e o deslocamento forçado, disseram as agências das Nações Unidas e seus parceiros na quinta-feira (15).

Com um chamado à ação denominado “Proteger as crianças em deslocamento começa com dados melhores”, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostraram quão crucial são os dados para entender os padrões da migração global e desenvolver políticas para apoiar grupos vulneráveis como as crianças.

“Falhas de informação fundamentalmente minam nossa capacidade de ajudar as crianças”, disse Laurence Chandy, diretor da divisão de dados, pesquisas e políticas do UNICEF.

O relatório confirma que importantes falhas nos dados referentes a refugiados, solicitantes de asilo, migrantes e populações deslocadas estão colocando milhões de crianças deslocadas em perigo.

“Crianças migrantes, particularmente aquelas que migram sozinhas, são frequentemente alvos fáceis para aqueles que querem prejudicá-las”, afirmou, acrescentando que “não podemos manter as crianças seguras e fornecer a elas serviços essenciais, tanto no trânsito quanto no destino, se não soubermos quem elas são, onde estão e do que precisam”.

Enquanto estimadas 28 milhões de crianças estavam deslocadas em 2016, o número real deve ser muito maior.

Em muitos países, dados nacionais disponíveis não incluem informação sobre a idade de migrantes e refugiados, sexo e origem, ou se eles viajam desacompanhados ou com suas famílias.

Além disso, aproximadamente um quarto dos países e territórios não têm dados de idade desagregados sobre migrantes, incluindo 43% dos países e territórios na África e apenas 56% da população de refugiados sob o mandato do ACNUR têm informação sobre idade registrada.

“Muitas crianças refugiadas viveram ou testemunharam violência chocante e sofrimento em seus países de origem e, às vezes, também durante sua fuga em busca de proteção e segurança”, disse o alto-comissário assistente para proteção do ACNUR, Volker Türk.

“Eles precisam e merecem de cuidado e proteção, mas para fornecermos isso, precisamos de dados sobre sua identidade e necessidades. Em nenhuma área a coordenação sobre dados e o fortalecimento das capacidades são mais importantes para as crianças, especialmente as mais vulneráveis”, acrescentou.

O reporte afirma que diferentes critérios para categorias de idade e para dados de recodificação tornam a desagregação extremamente desafiadora — particularmente em estimar de forma precisa quantas crianças estão deslocadas no mundo todo, assim como quantas estão deslocadas sem documentos entre fronteiras, deslocadas ou migrando internamente, ou foram deixadas para trás por seus pais.

“Precisamos de dados confiáveis melhores sobre crianças migrantes para protegê-las e garantir seus interesses”, disse o diretor-geral da OIM, William Lacy Swing.

“Dados desagregados por idade, sexo e origem podem informar os tomadores de decisão as reais necessidades das crianças migrantes. Isso garantirá que nenhuma criança seja deixada para trás ou explorada. Todas as crianças migrantes têm o direito de receber cuidado e proteção independentemente de seu status migratório”, afirmou.

A necessidade de uma melhor coleta de dados e análises é essencial para o Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular e para o Pacto Global sobre Refugiados, atualmente em desenvolvimento para adoção este ano.

Enquanto há esforços para fortalecer a coleta de dados e a análise tanto nos níveis globais como nacionais, é necessário fazer mais. Se esses buracos não forem preenchidos, será impossível implementar e monitorar os pactos e seus efeitos nas crianças deslocadas.

“Pedimos que os Estados-membros enfrentem essas falhas com dados desagregados confiáveis e melhorem a cooperação para que os dados sejam compartilhados e comparados”, disse Chandy.

Unicef publica nota em branco após novos ataques na Síria

in SicNotícias

A Unicef publicou hoje um comunicado em branco porque está "sem palavras" depois dos ataques de segunda-feira em Ghouta Oriental, perto de Damasco. Cem pessoas morreram, entre as quais 20 crianças e adolescentes.
O documento do Fundo das Nações Unidas para a Infância, intitulado "A Guerra contra os menores na Síria", só contém uma frase do diretor do Unicef para o Médio Oriente e Norte da África, Geert Cappelaere:
"Nenhuma palavra fará justiça aos menores assassinados, às suas mães, aos pais e aos entes queridos".

O resto da nota permanece em branco e no rodapé da página a Unicef questiona:
"Já não temos palavras para descrever o sofrimento dos menores e a nossa indignação. Aqueles que infligem o sofrimento ainda têm palavras para justificar esses atos bárbaros?"

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), pelo menos cem pessoas, entre as quais 20 menores e 15 mulheres, perderam a vida, na segunda-feira, devido aos ataques aéreos e de artilharia do Governo sírio contra Guta Oriental, o principal bastião opositor ao regime do Presidente Bashar al-Assad nos arredores de Damasco. Este é o maior número de mortos num dia nessa área desde 2015, afirmou o OSDH.

O Observatório considera que os bombardeamentos das últimas horas equivalem a "uma guerra de extermínio" e acusa o "silêncio internacional" face aos "crimes de Assad" no conflito da Síria que se prolonga há quase sete anos.

Os bombardeamentos contra os civis devem "terminar" imediatamente disse por seu lado o coordenador das Nações Unidas para a Ajuda Humanitária, Panos Moumtzis. "É imperativo por fim, de imediato, ao sofrimento humano", acrescenta Moumtzis, através de um comunicado.

"A recente escalada de violência está a agravar a situação humanitária que já era precária dos 393 mil habitantes de Ghouta oriental, onde se encontram muitos deslocados internos", frisa o responsável das Nações Unidas.
Com Lusa

Um milhão de crianças por ano morrem no dia em que nascem

TSF

UNICEF lança apelo mundial para resolver problema com décadas que podia ter mas não tem solução à vista.

Dois milhões e 600 mil bebés morrem por ano antes de completarem o primeiro mês de vida, entre eles um milhão que morrem no mesmo dia em que nascem. A conta é avançada pela UNICEF, a agência das Nações Unidas que olha para a defesa dos direitos das crianças e lança agora um apelo aos governos para que resolvam um problema que tem diminuído pouco nas últimas décadas.

O relatório que suporta o apelo da Unicef revela que vários países de língua oficial portuguesa estão no topo da lista negra da morte de recém-nascidos. Portugal volta a surgir na lista de países com menos mortalidade neonatal, mais precisamente o 17º numa lista com 184 países. Em Portugal, 1 criança entre 476 falece antes de completar um mês de vida.

Guiné-Bissau, Angola e Moçambique na lista negra
No outro extremo, a Guiné-Bissau é o 6º país do mundo com mais mortalidade antes de se completar um mês de vida: 1 em cada 26 crianças. Angola é o 19º (1 em 34), Moçambique o 24º (1 em 37) e Timor-Leste o 47º (1 em 46).
Melhor classificado está Cabo Verde com 1 morte por cada 98 crianças (93º lugar no ranking). No relatório da UNICEF que serve para lançar um apelo ao Mundo, a agência da ONU sublinha que "todas as vidas contam e é urgente pôr fim à morte de recém-nascidos" pois "o número global de mortes de recém-nascidos continua a ser extremamente elevado, sobretudo nos países mais pobres do mundo".

"O Mundo está a falhar com os recém-nascidos"

O relatório revela que mais de 80 por cento das mortes entre recém-nascidos devem-se à prematuridade, complicações durante o parto ou infeções como a pneumonia e septicemia, casos que "podem ser evitados através do acesso a parteiras com formação adequada, juntamente com soluções com eficácia comprovada, como água limpa, desinfetantes, a amamentação durante a primeira hora de vida do bebé, contacto pele-a-pele e uma boa alimentação".

A UNICEF defende que "o Mundo está a falhar para com os recém-nascidos" e acrescenta que "os bebés que nascem nos países mais desfavorecidos têm uma probabilidade de morrer no primeiro mês de vida 50 vezes maior que os outros bebés".

Os bebés nascidos no Japão, na Islândia e em Singapura têm as melhores probabilidades de sobrevivência, enquanto que os que nascem no Paquistão, na República Centro-Africana e no Afeganistão estão na posição inversa.

6.2.18

Portugal registou 80 casos de mutilação genital feminina num ano

in RR

Dados são avançados pela UNICEF. As vítimas foram quase todas adultas, havendo registo de uma menor, com 17 anos

Portugal registou 80 casos de mutilação genital feminina entre janeiro de 2016 e o mesmo mês do ano passado, revelam dados divulgados esta segunda-feira, Dia Internacional da Tolerância Zero contra esta prática.

No Relatório Intercalar de Execução do Programa de Acção para a Prevenção e Eliminação da Mutilação Genital Feminina (2014-2017) refere-se que os casos foram registados na Plataforma de Dados de Saúde (PDS), afirma a UNICEF, num documento em que alerta para as consequências nocivas desta prática em várias comunidades no mundo.

As vítimas foram quase todas adultas, havendo registo de uma menor, com 17 anos.

Eram provenientes, na esmagadora maioria, da Guiné-Bissau (53), seguindo-se, em termos de representatividade, a Guiné-Conacri (20), a Eritreia (2), o Senegal (2), e a Nigéria, a Gâmbia e o Egito, cada um com 1 caso registado, de acordo com a informação recolhida.

Numa declaração conjunta, as diretoras executivas da UNICEF, Henrietta Fore, e do FNUAP (Fundo das Nações Unidas para a População), Natalia Kanem, afirmam que a mutilação genital feminina é um ato violento que causa infeções, doenças, complicações no parto e até mesmo a morte. "Uma prática cruel que inflige danos emocionais para toda a vida e atinge os membros mais vulneráveis e com menos poder da sociedade: raparigas até aos 15 anos de idade. Uma violação dos direitos humanos que reflete e perpetua a desvalorização das raparigas e mulheres em demasiados lugares do mundo".

Consideram também que constitui um obstáculo ao bem-estar das comunidades e das economias.

As duas responsáveis afirmam que nos países em que têm trabalhado, as raparigas têm hoje menos um terço da probabilidade de serem submetidas a esta prática do que em 1997.

"Mais de 25 milhões de pessoas em cerca de 18.000 comunidades em 15 países rejeitaram publicamente a prática desde 2008. Globalmente, a sua prevalência diminuiu quase um quarto desde 2000", lê-se na declaração.

Porém, as estimativas indicam que até 2030, mais de um terço do total de nascimentos em todo o mundo ocorrerá nos 30 países onde a mutilação genital feminina é praticada.

"Se não houver um progresso acelerado para proteger o número crescente de raparigas em risco, milhões delas poderão vir a ser cortadas nesses países até 2030", advertem.

Na informação hoje divulgada, a mesma fonte recorda um estudo realizado em 2015 pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, segundo o qual, em Portugal, o número de mulheres em idade fértil que poderá ter sido submetida à prática ronda as 5.246. Ao ter em conta todas as mulheres com mais de 15 anos, o indicador sobe para 6.576, "o que corresponde a 49% do número de mulheres residentes no território português nascidas em países praticantes".

UNICEF alerta para 80 casos de mutilação genital feminina em Portugal num ano

in Diário da Saúde on-line

Portugal registou 80 casos de mutilação genital feminina entre janeiro de 2016 e o mesmo mês do ano passado, revelam dados divulgados hoje, Dia Internacional da Tolerância Zero contra esta prática.

No Relatório Intercalar de Execução do Programa de Acção para a Prevenção e Eliminação da Mutilação Genital Feminina (2014-2017) refere-se que os casos foram registados na Plataforma de Dados de Saúde (PDS), afirma a UNICEF, num documento em que alerta para as consequências nocivas desta prática em várias comunidades no mundo.

As vítimas foram quase todas adultas, havendo apenas registo de uma menor, com 17 anos.

Eram provenientes, na esmagadora maioria, da Guiné-Bissau (53), seguindo-se, em termos de representatividade, a Guiné-Conacri (20), a Eritreia (2), o Senegal (2), e a Nigéria, a Gâmbia e o Egito, cada um com 1 caso registado, de acordo com a informação recolhida.

Numa declaração conjunta, as diretoras executivas da UNICEF, Henrietta Fore, e do FNUAP (Fundo das Nações Unidas para a População), Natalia Kanem, afirmam que a mutilação genital feminina é um ato violento que causa infeções, doenças, complicações no parto e até mesmo a morte. "Uma prática cruel que inflige danos emocionais para toda a vida e atinge os membros mais vulneráveis e com menos poder da sociedade: raparigas até aos 15 anos de idade. Uma violação dos direitos humanos que reflete e perpetua a desvalorização das raparigas e mulheres em demasiados lugares do mundo".

Consideram também que constitui um obstáculo ao bem-estar das comunidades e das economias.

As duas responsáveis afirmam que nos países em que têm trabalhado, as raparigas têm hoje menos um terço da probabilidade de serem submetidas a esta prática do que em 1997.

"Mais de 25 milhões de pessoas em cerca de 18.000 comunidades em 15 países rejeitaram publicamente a prática desde 2008. Globalmente, a sua prevalência diminuiu quase um quarto desde 2000", lê-se na declaração.

Porém, as estimativas indicam que até 2030, mais de um terço do total de nascimentos em todo o mundo ocorrerá nos 30 países onde a mutilação genital feminina é praticada.

"Se não houver um progresso acelerado para proteger o número crescente de raparigas em risco, milhões delas poderão vir a ser cortadas nesses países até 2030", advertem.

Na informação hoje divulgada, a mesma fonte recorda um estudo realizado em 2015 pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, segundo o qual, em Portugal, o número de mulheres em idade fértil que poderá ter sido submetida à prática ronda as 5.246. Ao ter em conta todas as mulheres com mais de 15 anos, o indicador sobe para 6.576, "o que corresponde a 49% do número de mulheres residentes no território português nascidas em países praticantes".

30.1.18

UNICEF alerta para quase 50 milhões de crianças sem água potável e assistência

in RTP

Em todo o mundo, a violência dos conflitos está a levar ao aumento crítico das necessidades humanitárias, estando as crianças em situação especialmente vulnerável. Quarenta e oito milhões de crianças vivem em ambiente de conflitos, desastres naturais e outras emergências em 51 países. A UNICEF necessita de 3,6 mil milhões de dólares para prestar assistência de emergência a estas crianças, presas em crises humanitárias devastadoras.

Os conflitos que duram há anos, como por exemplo na República Democrática do Congo, no Iraque, na Nigéria, no Sudão do Sul, na Síria e no Iémen, entre outros países continuam a intensificar-se, dando origem a novas ondas de violência, deslocamentos populacionais e mais crianças desenraizadas.

"As crianças e jovens não podem simplesmente ficar à espera que as guerras findem, com crises que ameaçam a uma escala catastrófica a sua sobrevivência imediata e futura", afirmou o diretor de Programas de Emergência da UNICEF, Manuel Fontaine.

"As crianças são as mais vulneráveis quando o conflito ou o desastre provocam o colapso dos serviços essenciais, como de saúde, água e saneamento. A menos que a comunidade internacional tome medidas urgentes para proteger e prestar assistência vital a estas crianças, elas enfrentarão um futuro cada vez mais sombrio".

As crianças já não estão apenas sob perigo de ataque direto, mas também lhes estão a ser negados serviços básicos, à medida que as escolas, hospitais e infraestruturas civis são danificados ou destruídos.

Aproximadamente 84 por cento (cerca de três mil milhões de dólares) do apelo de financiamento de 2018 destina-se ao trabalho em países afetados por crises humanitárias provocadas pela violência e conflito.
Crianças sem acesso a água potável

O relatório “Ação Humanitária para as Crianças”, publicado esta terça-feira pela UNICEF, revela que o mundo está a tornar-se um lugar mais perigoso para muitas crianças, com quase uma em cada quatro a viverem num país afetado por conflitos ou desastres. Para muitas dessas crianças, a vida quotidiana é mesmo um pesadelo.

A propagação de doenças transmitidas pela água é uma das principais ameaças à vida das crianças em situações de crise. Ataques às infraestruturas de água e saneamento, que privam as crianças do acesso a água potável, bem como o deslocamento forçado para zonas sem infraestruturas de água e saneamento deixam crianças e famílias em risco de depender de água contaminada e expostas a saneamento inseguro.

As raparigas e as mulheres enfrentam ainda ameaças adicionais, já que muitas vezes desempenham a tarefa de recolha de água para as suas famílias em situações perigosas.

"Cento e dezassete milhões de pessoas que vivem em emergências não têm acesso a água potável e em muitos países afetados por conflitos, mais crianças morrem de doenças causadas por água insalubre e saneamento deficiente do que pela violência direta em si", explica ainda Manuel Fontaine.
Maior apelo é dirigido à Síria

"Sem acesso a água potável e saneamento, as crianças ficam doentes e muitas vezes não podem ser tratadas devido aos hospitais e centros de saúde não funcionarem ou estarem sobrelotados. A ameaça é ainda maior à medida que milhões de crianças enfrentam níveis de subnutrição potencialmente fatais, tornando-as mais suscetíveis a doenças transmitidas pela água como a cólera, criando um ciclo vicioso de má nutrição e doença".

Este ano, a maior parte do apelo da UNICEF é dirigido a crianças e famílias afetadas pelo conflito da Síria, que em breve entrará no seu oitavo ano consecutivo. A UNICEF precisa de cerca de 1,3 mil milhões de dólares para apoiar 6,9 milhões de crianças sírias que vivem na Síria ou como refugiadas em países vizinhos.

23.10.17

Investir nos primeiros anos de escolaridade

Cristina Soutinho, in o Observador

Agora que se discute o orçamento de Estado, fica o apelo ao governo, aos partidos políticos e ao setor privado e empresarial para que apoiem as políticas nacionais direcionadas para a infância.

Portugal tem vindo a melhorar a sua posição, de acordo com vários indicadores de relatórios internacionais, no que concerne ao bem-estar e à qualidade de vida das crianças e jovens, em áreas tão diversas como a saúde, a escolarização e o apoio às famílias. No entanto, outros indicadores de educação parecem comprometer o desenvolvimento social e económico do país.

Vamos por partes. Nos últimos 40 anos, a educação melhorou substancialmente, como afirmou recentemente a ex-ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, na apresentação do estudo “Aprender a ler e a escrever em Portugal”, da EPIS. Graças à democratização do acesso à educação em Portugal, as novas gerações estudam mais anos, em escolas com melhores condições, com mais professores, mais recursos e melhores métodos de ensino e de aprendizagem. No entanto, a democratização do acesso à educação não se traduziu na democratização do sucesso escolar, dado que “o insucesso anual de mais de cem mil alunos que, do 2.º ao 12.º ano ficam para trás, é o sinal de que a Escola não dá resposta a todos”.

De acordo com o estudo, existe um consenso generalizado de que as dificuldades de aprendizagem da leitura e da escrita potenciam o insucesso, o baixo desempenho escolar e o risco de repetência. O aspeto mais preocupante sublinhado no estudo é a taxa de repetência no 2º ano de escolaridade. As causas apontadas são diversas e conhecidas: ausência da frequência do pré-escolar, contextos socioeconómicos desfavorecidos, baixos níveis de escolaridade dos pais, e a percepção dos educadores sobre a inevitabilidade das dificuldades sentidas por estes alunos na leitura e na escrita, logo nos primeiros anos da escolaridade obrigatória, fator mais preocupante de todos.

Este indicador de insucesso escolar logo no 2º ano de escolaridade, aliado aos dados constantes do relatório Building the Future: Children and the Sustainable Development Goals in Rich Countries, da UNICEF (2017), deve preocupar todos os agentes do ecossistema educativo. Portugal está no meio da tabela no critério “educação”, que avalia as competências em leitura, matemática e ciências, e na “promoção de um trabalho digno e crescimento económico”, situando-se na 26.º posição. Este relatório coloca ainda Portugal nos lugares de baixo na tabela noutros critérios associados aos objetivos para o desenvolvimento sustentável nos países mais ricos. No critério “erradicar a pobreza”, uma em cada quatro crianças portuguesas vive em pobreza de rendimentos relativa. No critério “erradicar a fome e garantir uma alimentação de qualidade”, Portugal surge em 32º lugar, com 18,2% das crianças menores de 15 anos a viverem com um adulto que enfrenta insegurança alimentar. Acresce referir ainda que temos a quinta taxa de obesidade infantil mais elevada, fruto, entre outras causas, da adoção de uma dieta hipercalórica, do abandono da dieta mediterrânica e da má nutrição.

Nem tudo é negativo. O país também apresenta como ponto forte o facto de ser um dos 15 países no mundo que adotou as três políticas essenciais para apoiar famílias com crianças – a saber, dois anos de educação pré-escolar gratuita, licença de maternidade paga durante os primeiros seis meses de vida da criança, além de quatro semanas de licença de paternidade remuneradas. Estas políticas contribuem decisivamente para a proteção das crianças, proporcionando-lhes uma nutrição mais adequada, permitindo-lhes brincar e ter experiências de aprendizagem precoce nos primeiros dois anos de vida.

Os resultados destes dois estudos demonstram claramente que compete a todos os agentes do ecossistema educativo (governantes, pais, professores, agentes de saúde, diretores, empresários, organizações, entre outros) articular respostas integradas na resolução dos problemas identificados nos primeiros anos de escolaridade. Para que o insucesso escolar diminua, é vital que os alunos provenientes de contextos e famílias vulneráveis possam usufruir de programas preventivos, de intervenção precoce, apoio familiar, avaliação nutricional e acompanhamento do desenvolvimento psicológico e cognitivo da criança. Estes serão os pré-requisitos mais importantes, a ter em conta, sobretudo nos primeiros anos de escolaridade.

Numa altura em que se discute o orçamento de Estado, fica aqui o apelo ao governo, aos partidos políticos e ao setor privado e empresarial para que apoiem as políticas nacionais direcionadas para a infância, para que invistam nelas e para que ampliem os serviços que priorizam as crianças, sobretudo as mais vulneráveis. Portugal precisa de fazer mais por estes alunos. E agora é o momento.

7.9.17

Percentagem de crianças sem escola estagnou na última década - UNICEF

in Diário de Notícias

A percentagem de crianças que não frequentam a escola estagnou a nível mundial na última década, devido a pobreza e conflitos prolongados, mas também à insuficiência de financiamento da educação em situações de emergência, anunciou hoje a UNICEF.

"Atualmente, 11,5% das crianças em idade escolar -- ou seja, 123 milhões -- não frequentam a escola, em comparação com 12,8% - ou 135 milhões -- em 2007", indicou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) num relatório cuja conclusão é que, numa década, tais números representam uma "quase total ausência de progressos".

Considerando em idade escolar as crianças entre os seis e os 15 anos, a agência especializada da ONU apontou como causas para a estagnação desta taxa "níveis de pobreza generalizados, conflitos prolongados e emergências humanitárias" e pediu mais investimento para combater as razões que deixam as crianças vulneráveis fora da escola.

"Os investimentos destinados a aumentar o número de escolas e professores para acompanhar o crescimento populacional não são suficientes, [e] a abordagem habitual não levará as crianças mais vulneráveis à escola -- nem as ajudará a desenvolver todo o seu potencial -- se continuarem presas nas malhas da pobreza, da privação e da insegurança", afirmou a diretora dos Programas de Educação da UNICEF, Jo Bourne.

"Em primeiro lugar, os governos e a comunidade internacional devem direcionar os seus investimentos para eliminar os fatores que impedem estas crianças de frequentarem a escola, nomeadamente tornando-as mais seguras e melhorando o ensino e a aprendizagem", defendeu.

As crianças que vivem nos países mais pobres do mundo e em zonas de conflito são as mais afetadas, segundo o relatório, que refere que, dos 123 milhões de crianças que não frequentam a escola, 40% vivem nos países menos desenvolvidos e 20% em zonas de conflito.

"A guerra continua a ameaçar -- e a reverter -- os ganhos alcançados em matéria de educação: os conflitos na Síria e no Iraque provocaram um aumento do número de crianças fora da escola da ordem dos 3,4 milhões, o que representa um retrocesso no Médio Oriente e norte de África comparável aos níveis de 2007, com aproximadamente 16 milhões de crianças não escolarizadas", lê-se no documento.

Já "na África subsaariana e no sul da Ásia -- com os seus elevados níveis de pobreza, rápido crescimento populacional e emergências recorrentes -- o número de crianças em idade escolar primária e do primeiro ciclo do secundário não escolarizadas representa 75% das crianças que, ao nível global, não têm acesso à educação", prossegue a UNICEF.

A organização registou, contudo, alguns progressos: na última década, a Etiópia e o Níger, dois dos países mais pobres do mundo, foram os que mais progrediram no que respeita a matrículas de crianças em idade escolar primária, com um aumento respetivo de mais de 15% e de cerca de 19%.

Quanto ao financiamento insuficiente da educação em situações de emergência que está a afetar o acesso das crianças à escola em zonas de conflito, a agência especializadas da ONU indicou que "em média, menos de 2,7% dos apelos humanitários globais são dedicados à educação".

"Nos primeiros seis meses de 2017, a UNICEF recebeu apenas 12% dos fundos necessários para proporcionar educação às crianças que vivem em situações de crise", precisou a organização, frisando que "são necessários mais fundos para responder ao número e à complexidade crescente das crises e dar às crianças a estabilidade e as oportunidades que merecem".

A curto prazo, estimou Jo Bourne, "a aprendizagem proporciona alívio às crianças afetadas por emergências, mas, a longo prazo, é também um investimento fundamental no futuro das sociedades".

"Porém, o investimento na educação não responde à realidade de um mundo volátil. Para tal, devemos assegurar mais financiamento, e também de forma mais preventiva, para a educação em emergências que são imprevisíveis", sustentou a responsável.

Há 123 milhões de crianças dos 6 aos 15 anos fora das escolas

Pedro Sousa Tavares, in Diário de Notícias

UNICEF lamenta a "ausência quase total de progressos" na última década. Países pobres e zonas de conflito, nomeadamente no Iraque e na Síria, têm os piores indicadores

No espaço de uma década a percentagem de crianças em idade escolar que não frequentam o ensino baixou apenas 1,3 pontos percentuais, estando atualmente nos 11,5%. Os dados são da UNICEF e traduzem-se num total de 135 milhões de crianças e jovens aos quais ainda não está a ser dada a oportunidade de aprenderem. Por "idade escolar" a UNICEF entende o período dos seis aos 15 anos, apesar de vários países -Portugal incluído - já terem alargado a escolaridade obrigatória até aos 18 anos.

"Níveis de pobreza generalizados, conflitos prolongados e emergências humanitárias complexas estão na origem da estagnação desta taxa", aponta a organização que defende os direitos e o bem-estar das crianças no mundo, para a qual é necessário continuar a reforçar o investimento, nomeadamente "para combater as razões que deixam as crianças vulneráveis fora da escola", considerando que não basta aplicar verbas em infraestruturas e recursos humanos.

"Os investimentos destinados a aumentar o número de escolas e professores para acompanhar o crescimento populacional não são suficientes. A abordagem habitual não levará as crianças mais vulneráveis à escola - nem as ajudará a desenvolver todo o seu potencial - se continuarem presas nas malhas da pobreza, da privação e da insegurança ", avisou a chefe dos Programas de Educação da UNICEF, Jo Bourne, citada num comunicado divulgado ontem. "Em primeiro lugar, os governos e a comunidade global devem direcionar os seus investimentos para eliminar os fatores que impedem estas crianças de frequentarem a escola, nomeadamente tornando-as mais seguras e melhorando o ensino e a aprendizagem".

O outro preço da guerra

Segundo a UNICEF, as crianças que vivem nos países mais pobres do mundo e em zonas de conflito são, de longe, as mais afetadas. "Dos 123 milhões de crianças que não frequentam a escola, 40% vivem nos países menos desenvolvidos e 20% em zonas de conflito", revela. De resto, o facto de as condições terem piorado radicalmente nestas zonas é uma das explicações para que, em termos médios, as melhorias a nível mundial não tenham sido significativas.

"A guerra continua a ameaçar - e a reverter - os ganhos alcançados em matéria de educação", afirma. "Os conflitos no Iraque e na Síria provocaram um aumento do número de crianças fora da escola na ordem dos 3,4 milhões, o que representa um retrocesso no Médio Oriente e Norte de África comparável aos níveis de 2007, com aproximadamente 16 milhões de crianças não escolarizadas".

Mas a pobreza continua a ser, de forma destacada, o principal obstáculo ao acesso à educação. "Na África subsariana e no Sul da Ásia - com os seus elevados níveis de pobreza, rápido crescimento populacional e emergências recorrentes - o número de crianças em idade escolar primária e do primeiro ciclo do secundário não escolarizadas representam 75% das crianças que, ao nível global, não têm acesso à educação".

Apesar deste quadro pouco animador, a UNICEF faz questão de sublinhar que também há "alguns progressos" dignos de registo. "Na década passada, a Etiópia e o Níger, que estão entre os países mais pobres do mundo, foram os que mais progrediram no que diz respeito às taxas de matrícula de crianças em idade escolar primária, com um aumento de mais de 15% e cerca de 19%, respetivamente".

Apesar do reconhecido papel da educação como ferramenta de melhoria das condições de vida e promoção da paz, esta raramente é reconhecida como uma emergência. "Em média, menos de 2,7% dos apelos humanitários globais são dedicados à educação".

1.3.17

Espancamentos, fome, abusos sexuais. Menores em risco na rota do Mediterrâneo

>Catarina Santos, in RR

A Unicef denuncia que há refugiados e migrantes menores que são vítimas de violência sexual e outros abusos em centros de detenção na rota do Mediterrâneo Central. Num relatório publicado esta terça-feira, mulheres e crianças descreveram condições desumanas em locais sobrelotados, em todo o trajecto desde o continente africano até Itália - sobretudo na Líbia, onde os centros de detenção são geridos pelo governo e por milícias armadas.

[veja aqui a reportagem]

21.2.17

Cerca de 1,4 milhões de crianças podem morrer de fome este ano

in SicNotícias

A UNICEF alertou hoje que a má nutrição aguda que afeta a Nigéria, Somália, Sudão do Sul e Iémen coloca este ano em "iminente" risco de morte 1,4 milhões de crianças devido à fome que existe naqueles países.

."O tempo está a esgotar-se para mais de um milhão de crianças, mas podemos salvar muitas vidas", afirmou, em comunicado, o diretor executivo do Fundo da ONU para a Infância, Anthony Lake.No caso da Nigéria, a UNICEF calcula que durante este ano o número de crianças que sofrem de má nutrição aguda chegue às 450.000, devido aos conflitos armados na região norte do país.

A seca na Somália provocou que 6,2 milhões de pessoas, a metade da população do país, atravesse uma "aguda insegurança alimentar" e teme-se que ao longo do ano cerca de 185.000 menores sofram de má nutrição.

No Sudão do Sul, os conflitos armados e a pobreza do país provocaram que 270 mil crianças estejam gravemente mal nutridos, enquanto no Iémen as guerras que afetam o país provocaram má nutrição aguda em 462.000 crianças."A má nutrição e a fome são provocadas na sua maior parte pelo homem", afirmou o diretor-executivo da UNICEF, salientando que a humanidade precisa de ações rápidas.

1.2.17

Primeiros momentos são centrais para desenvolvimento cerebral das crianças, diz UNICEF

in ONU

Agência da ONU lembra em campanha que, durante primeiros mil dias da criança, as células cerebrais podem fazer até mil novas conexões a cada segundo – uma velocidade única na vida. Essas conexões contribuem para o funcionamento e a aprendizagem do cérebro das crianças e lançam as bases para a saúde e a felicidade delas no futuro.

De acordo com um estudo recente, cerca de 250 milhões de crianças em países em desenvolvimento correm o risco de um desenvolvimento precário devido ao atraso em seu crescimento e à pobreza. Apesar disso, o UNICEF alertou que crianças desfavorecidas que vivem em países de renda média e alta também estão em risco.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançou nessa terça-feira (10) a campanha #PrimeirosMomentosImportam. Apoiada pela Fundação Lego, a iniciativa aumentar a consciência sobre a importância dos primeiros mil dias de vida de uma criança e o impacto das experiências precoces no cérebro em desenvolvimento.

Durante essa janela crucial de oportunidades, as células cerebrais podem fazer até mil novas conexões a cada segundo – uma velocidade única na vida. Essas conexões contribuem para o funcionamento e a aprendizagem do cérebro das crianças e lançam as bases para a saúde e a felicidade delas no futuro.

A falta de cuidado – que inclui nutrição adequada, estimulação, amor e proteção contra o estresse e a violência – pode impedir o desenvolvimento dessas conexões fundamentais.

A campanha começa com #EatPlayLove (#ComerBrincarAmar) – uma iniciativa digital e impressa dirigida a pais e cuidadores que traz as descobertas da neurociência sobre como os cérebros dos bebês se desenvolvem.

Os materiais de #EatPlayLove explicam a ciência de uma forma simples e visualmente interessante para incentivar pais e cuidadores a que aproveitem ao máximo essa oportunidade inigualável de proporcionar para suas crianças o melhor começo de vida possível.
Por meio do engajamento das famílias, a iniciativa também quer impulsionar a demanda por serviços de desenvolvimento infantil acessíveis e de qualidade, e influenciar os governos para que invistam em programas voltados para as crianças mais vulneráveis.

De acordo com uma recente série na prestigiada revista ‘The Lancet’, cerca de 250 milhões de crianças em países em desenvolvimento correm o risco de um desenvolvimento precário devido ao atraso em seu crescimento e à pobreza.

Mas a necessidade de maior investimento e ação no desenvolvimento infantil não se limita aos países de baixa renda. As crianças desfavorecidas que vivem em países de renda média e alta também estão em risco.

O UNICEF estima que milhões de crianças passam seus anos de formação crescendo em ambientes pouco estimulantes e inseguros, colocando em risco o seu desenvolvimento cognitivo, social e emocional.

O investimento na primeira infância é uma das formas mais rentáveis de aumentar a capacidade de todas as crianças de atingir o seu pleno potencial – aumentando a sua capacidade de aprender na escola e, mais tarde, a sua capacidade de se sustentar como adultos. Isso é especialmente importante para as crianças que crescem na pobreza.

Um estudo de 20 anos mostrou que as crianças desfavorecidas que participaram de programas de desenvolvimento infantil de qualidade até os 3 anos de idade chegaram a ganhar até 25% a mais quando adultos do que seus pares que não receberam o mesmo apoio.
As intervenções para o desenvolvimento da primeira infância, como o pacote ‘Care for Child Development’ (Cuidado para o Desenvolvimento Infantil) – que inclui o treinamento de agentes comunitários de saúde para ensinar às famílias a importância de brincar com suas crianças de uma forma que estimule o desenvolvimento saudável –, podem custar apenas 50 centavos de dólar per capita ao ano, quando combinadas com serviços de saúde existentes.

O UNICEF está pedindo aos governos que aumentem os investimentos na primeira infância, ampliem os serviços sociais e de saúde oferecidos às crianças e reforcem os serviços de apoio aos pais e aos cuidadores.
A campanha faz parte do programa mais amplo do UNICEF sobre o desenvolvimento infantil, apoiado pela Fundação H&M, Fundação Conrad N. Hilton, Alex and Ani e Fundação Ikea.

13.7.16

Nem inevitáveis nem intransponíveis — as desigualdades resultam de escolhas

Madalena Marçal Grilo, in O Observador

Em Portugal, a percentagem de 25,6% de crianças em risco de pobreza, 4,5 pontos percentuais acima da média europeia, é um dado preocupante pelo que representa para as crianças de hoje e para o futuro.

Menos de um ano depois de os líderes mundiais terem adoptado uma nova agenda global, assente na promessa de não deixar ninguém para trás, no seu relatório anual de referência Situação Mundial da Infância 2016, que acaba de ser lançado, a UNICEF vem relembrar a importância da igualdade de oportunidades para a sua concretização nos próximos 15 anos.

Em todo o mundo, milhões de crianças continuam a não ter acesso a bens e serviços fundamentais para que possam crescer com saúde e desenvolver-se. Antes mesmo de respirarem pela primeira vez, as oportunidades de vida das crianças pobres e excluídas são frequentemente moldadas por desigualdades. A desvantagem e a discriminação relativamente às suas comunidades e famílias contribuem para determinar se vivem ou se morrem, se terão a oportunidade de estudar e, mais tarde, de terem uma vida digna. Conflitos, crises e desastres relacionados com o clima agravam as suas privações e diminuem o seu potencial.

O mundo fez imensos progressos na redução das mortes na infância, na inserção de crianças na escola e no combate à pobreza. Muitas das intervenções que que estão por trás destes progressos – como as vacinas, os sais de reidratação oral e a melhoria da nutrição – têm sido práticas eficazes e de baixo custo. A expansão das tecnologias digitais e móveis, entre outras inovações, tornou mais fácil e menos dispendioso fornecer serviços essenciais em comunidades de difícil acesso e expandir as oportunidades para as crianças e famílias em grande risco.

As dificuldades para chegar até essas crianças, na sua grande maioria não são de ordem técnica. São uma questão de empenho político, de recursos, e de vontade colectiva – de juntar forças para enfrentar as barreiras da iniquidade e da desigualdade de modo frontal, centrando esforços e mais investimento para abranger as crianças que têm sido deixadas para trás.

Não dar uma atenção especial a estas crianças irá alimentar ciclos de desvantagem intergeracionais pondo em risco o seu futuro, o futuro das suas sociedades e do mundo. Mas, como insiste a UNICEF, não tem de ser assim. Há uma escolha a fazer: investir de modo a acelerar os progressos para as crianças que estão a ficar para trás, ou enfrentar as consequências de um mundo ainda mais dividido e desigual em 2030.

São consequências extremamente perturbadoras – em 2030, a manterem-se as tendências actuais, 69 milhões de crianças menores de cinco anos terão morrido de causas maioritariamente evitáveis, 167 milhões continuarão a viver na pobreza extrema, e mais de 60 milhões de crianças em idade escolar primária estarão fora da escola.

Mas, como sabemos, as disparidades não existem apenas em países ou regiões em desenvolvimento. Estudos recentes, mostram a escala e o modo como as desigualdades de oportunidades estão a afectar o bem-estar e desenvolvimento das crianças em países mais ricos.

Em Portugal, que continua entre os países com taxas de mortalidade infantil e de menores de cinco anos das mais baixas do mundo, graças a uma escolha política sustentada ao longo das últimas décadas, a percentagem de 25,6 por cento de crianças em risco de pobreza, 4,5 pontos percentuais acima da média europeia, é um dado preocupante pelo que representa para as crianças de hoje e para o seu futuro e o da sociedade.

Quando há equidade, todos ganham. Ainda que todas as crianças devam progredir, mais e melhor investimento naquelas que iniciam a vida em ambientes mais desfavorecidos é a melhor maneira de proporcionar a todas uma oportunidade para alcançarem o mesmo patamar. Um estudo da UNICEF de 2010 mostrou que uma abordagem centrada na igualdade de oportunidades pode acelerar os progressos relativamente aos objectivos globais em matéria de saúde, e que esta pode também ser economicamente viável em países de baixo rendimento com taxas de mortalidade elevadas.

Como demonstra o relatório da UNICEF, há medidas possíveis para que todas as crianças, mesmo as que nascem em contextos mais complexos, recebam os cuidados e a educação de que precisam para sobreviver prosperar.

Quando ajudamos um rapaz a ter acesso aos medicamentos e à nutrição de que precisa para crescer saudável e forte, não estamos apenas a aumentar as suas oportunidades na vida, mas também reduzir os custos económicos e sociais associados a uma saúde precária e baixa produtividade.

Quando educamos uma rapariga, não estamos a dar-lhe apenas ferramentas e conhecimento para tomar as suas próprias decisões e moldar seu próprio futuro, estamos também a contribuir para elevar o padrão de vida da sua família e da sua comunidade.

Quando proporcionamos educação, abrigo e protecção a crianças atingidas por conflitos, ajudamos a sarar feridas e traumas psicológicos – para que um dia tenham capacidade e desejo de ajudar a reconstruir os seus países.

Importa referir que o caminho para a equidade não é apenas uma questão de gastos. Trata-se de por em prática abordagens inovadoras para problemas antigos e de usar as novas tecnologias para ajudar a levar recursos até aos que mais precisam. E também de envolver os membros da comunidade e as famílias, porque são os que estão mais próximo das crianças que pode ter o maior impacte

Uma das lições mais importantes dos últimos 15 anos é que as abordagens centradas em progressos globais não eliminam as disparidades que colocam as crianças mais pobres em maior risco. Dentro de poucos meses, a comunidade internacional irá assinalar o primeiro aniversário do acordo sobre os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, assinado por mais de 200 líderes mundiais, que visa concretizar avanços significativos em matéria de saúde, educação, redução da pobreza, e de sustentabilidade até 2030.

Enquanto governos em todo o mundo – incluindo o Governo português – ponderam ainda sobre qual a melhor forma de concretizar os seus compromissos relativamente aos objectivos, é crucial que adoptem uma abordagem assente na igualdade de oportunidades.

A igualdade de oportunidades ganhou um novo sentido de urgência. As alterações climáticas estão a exacerbar os riscos para as crianças mais desfavorecidas: ao nível global, mais de 500 milhões de crianças vivem em zonas onde a ocorrência de cheias é extremamente elevada, e perto de 160 milhões em regiões afectadas por secas de enorme gravidade. Ao mesmo tempo, os conflitos regionais e a violência, e a actual crise de refugiados estão a deixar cada vez mais crianças em perigo e a privá-las daquilo de que precisam para prosperar.

Mais do que nunca, devemos reconhecer que o desenvolvimento só é sustentável se puder ser levado por diante – sustentado – pelas gerações futuras. Temos a oportunidade de substituir círculos viciosos por círculos virtuosos, nos quais as crianças que vivem na pobreza – se tiverem uma oportunidade justa em matéria de saúde, educação e protecção – possam, quando chegarem à idade adulta, competir, num nível de igualdade mais equilibrado, com crianças provenientes de contextos mais ricos, melhorando assim a sua própria vida e tornado as suas sociedades mais ricas, em todos os sentidos da palavra.

Madalena Marçal Grilo é Diretora Executiva da UNICEF Portugal

29.6.16

“Agora é o momento de agir”: Quase 70 milhões de crianças podem morrer até 2030

In "Rádio Renascença"

Alerta da Unicef consta do relatório “Uma oportunidade justa para todas as crianças”, segundo o qual Portugal tem uma das mais baixas taxas de mortalidade e Angola a mais alta.

Quase 70 milhões de crianças morrerão antes dos cinco anos até 2030 e 167 milhões viverão em pobreza extrema nesse ano se a comunidade internacional não investir já nas mais crianças pobres, alerta a Unicef.

Intitulado “Uma oportunidade justa para todas as crianças”, o relatório anual do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado esta terça-feira, revela que, embora o mundo tenha registado progressos na infância, essas melhorias não foram uniformes e as desigualdades marcam a vida de milhões de crianças.

“Quando olhamos para o mundo de hoje, somos confrontados com uma verdade desconfortável, mas inegável: As vidas de milhões de crianças são arruinadas pelo simples facto de terem nascido num determinado país, comunidade, género ou circunstância”, escreve o director-geral da organização, Anthony Lake, no prefácio do relatório.

Para o responsável, “agora é o momento de agir” porque, se o mundo não acelerar o ritmo de progresso, 69 milhões de crianças morrerão, maioritariamente de causas evitáveis, antes de completarem cinco anos, até 2030, o ano em que terminam os Objectivos de Desenvolvimento Sustentáveis, definidos no ano passado.

Nesse mesmo ano, as crianças da África subsaariana terão 10 vezes mais probabilidade de morrer antes dos cinco anos do que as dos países ricos e nove em cada dez crianças a viver em pobreza extrema estarão naquela sub-região.

Se nada for feito, mais de 60 milhões de crianças em idade escolar estarão fora da escola e cerca de 750 milhões de mulheres terão sido casadas na infância.

O director-geral da Unicef sublinha que o futuro não tem de ser tão sombrio e lembra que muitos dos constrangimentos que impedem o mundo de ajudar estas crianças não são técnicos. “São uma questão de compromisso político. São uma questão de recursos. E são uma questão de vontade colectiva”, alertou.

O prefácio do director-geral termina com um apelo: “Nós conseguimos. A injustiça não é inevitável. A desigualdade é uma escolha. Promover a equidade – uma oportunidade justa para cada criança, para todas as crianças – também é uma escolha. Uma escolha que podemos fazer e devemos fazer. Pelo seu futuro, e pelo futuro do nosso mundo”.

Portugal tem uma das mais baixas taxas de mortalidade

A mortalidade infantil até aos cinco anos diminuiu 94% desde 1970 em Portugal. Segundo relatório anual da Unicef, o país tem uma das mais baixas taxas de mortalidade infantil do mundo, com quatro mortes de crianças até aos cinco anos em cada mil nascimentos, em 2015.

Numa lista de 197 países, Portugal aparece na 166.ª posição, ex-aequo com mais 15 países que partilham uma taxa de mortalidade infantil até aos cinco anos de quatro crianças em cada mil.

O país mais mal classificado é Angola, em 1.º lugar, com a maior taxa de mortalidade infantil do mundo: 157 em cada mil crianças morrem antes dos cinco anos no país.

No que diz respeito à mortalidade neonatal, ou seja, até aos 28 dias de idade, Portugal tinha uma taxa de duas mortes por cada mil nascimentos.

Segundo a Unicef, nasceram no ano passado 83 crianças e não se registou qualquer morte infantil até aos cinco anos de idade, sendo que a esperança de vida à nascença era de 81 anos.

Por outro lado, uma em cada 8.200 mulheres corria o risco de morrer durante o trabalho de parto.

Os dados para Portugal revelam que, em matéria de educação, a taxa de alfabetização dos jovens com idade entre os 15 e os 24 anos foi de 99% entre 2009 e 2014.

Situação da infância no mundo é sombria, mas há alternativas

in Voz da América

Piores indicadores estão na África Subsariana, de acordo com relatório da Situação Mundial da Criança divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância.

A infância não vai bem no mundo, aliás ela piorou nos últimos tempos e o futuro é bem sombrio.

A situação é mais dramática na África Subsariana.

O relatório sobre a Situação Mundial da Criança divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) nesta terça-feira, 28, revela que, com base nas tendências actuais, um total de 69 milhões de crianças menores de 5 anos morrerão de causas evitáveis, 167 milhões de crianças viverão na pobreza e 750 milhões de mulheres serão casadas enquanto ainda crianças até 2030, o ano estabelecido como meta dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.

O documento pinta um quadro bastante negativo sobre o que esperam as crianças mais pobres do mundo se governos, doadores, empresas e organizações internacionais não acelerarem os esforços para resolver as suas necessidades.

“Negar a centenas de milhões de crianças uma oportunidade justa na vida faz mais do que ameaçar o seu futuro” porque, de acordo com o director executivo do Unicef, Anthony Lake, “esta situação alimenta ciclos inter-geracionais de desvantagens, que põem em perigo o futuro das suas sociedades”.

Apesar desse quadro sombrio e ameaçador do futuro das crianças, o relatório reconhece ter sido feito um progresso considerável para salvar a de vida de crianças, na escolarização infantil e no empenho de retirar pessoas de situações de pobreza.

“A taxa de mortalidade global de menores de cinco anos baixou cerca de metade desde 1990, números iguais de meninos e meninas frequentam a escola primária em 129 países e hoje o número de pessoas no mundo vivendo na pobreza extrema é quase metade do que era na década de 1990”, pode-se ler no relatório, que reconhece, no entanto, que este progresso não tem sido uniforme e nem justo.

África Subsariana

“As crianças mais pobres têm duas vezes mais probabilidade de morrer antes do seu quinto aniversário e de ser cronicamente subnutridas, do que as mais ricas”, documenta o relatório, mostrando ainda que em grande parte da Ásia do Sul e África Subsariana, crianças nascidas de mães sem escolaridade são quase três vezes mais sujeitas a morrer antes dos cinco anos de idade do que aquelas cujas mães tenham o ensino secundário, “as meninas das famílias mais pobres são duas vezes mais propensas a casar na infância, do que as meninas de famílias mais ricas”.

De acordo com o Unicef, “em nenhum lugar o quadro é mais sombrio do que na África Subsariana, onde pelo menos 247 milhões de crianças – ou seja duas em cada três – vivem na pobreza multidimensional, privadas do que precisam para sobreviver e se desenvolver”.

Nesta mesma região do continente, quase 60 por cento dos jovens de 20 a 24 anos da quinta parte mais pobre da população teve menos de quatro anos de escolaridade.

O relatório indica ainda que, a continuar a situação actual, nove em cada 10 crianças vivem em pobreza extrema na África Subsariana.

“Embora a educação desempenhe um papel único no nivelamento do campo de jogo para as crianças, o número de crianças que não frequentam a escola aumentou desde 2011 e uma proporção significativa das que frequentam a escola não estão aprendendo”, denunciam os especialistas do Unicef, lembrando que “aproximadamente 124 milhões de crianças hoje não recebem educação primária ou ensino secundário inicial e quase duas em cada cinco alunos que completam a escola primária não aprendem a ler, escrever ou como fazer aritmética básica”.

Investimentos com retorno

O relatório evidencia ainda que investir nas crianças mais vulneráveis pode trazer benefícios imediatos e de longo prazo.

Por isso, os especialistas do Unicef disseram que “transferências monetárias, por exemplo, provaram ser úteis para ajudar crianças a permanecer na escola por mais tempo e a avançar a níveis mais elevados de educação”, acrescentando que, em média, cada ano adicional de ensino que uma criança recebe aumenta o seu rendimento na idade adulta em cerca de 10 por cento”.

O relatório conclui que “a desigualdade não é inevitável, nem insuperável” e que “obter melhores dados sobre as crianças mais vulneráveis, implementar soluções para desafios enfrentados pelas crianças, estabelecer formas inovadoras para resolver problemas antigos, aumentar investimentos equitativos e maior participação por parte das comunidades podem ajudar a nivelar o campo de jogo para as crianças”.

Disparidades entre ricos e pobres são flagrantes e crescentes nas crianças


Ana Dias Cordeiro, in Público on-line

Angola continua a ser o país com a taxa de mortalidade infantil mais elevada do mundo. Relatório da UNICEF 2016 é publicado esta terça-feira.

Houve avanços nalguns países mas as desigualdades continuam a ser extremas entre Estados e dentro dos próprios países entre os mais ricos e os mais pobres, resume a UNICEF Manuel Roberto

Os avanços conseguidos para se alcançarem os Objectivos do Desenvolvimento do Milénio (ODM) em 2015 permitem olhar para a pobreza e níveis de desenvolvimento numa perspectiva mais positiva nalgumas partes do planeta. Globalmente, as taxas de mortalidade de crianças até aos cinco anos baixaram para menos de metade do que em 1990 e o total das pessoas a viver na pobreza extrema é quase metade do que era nessa década.

Mas isso apenas nalguns países e regiões do globo, escreve o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no seu relatório Uma oportunidade justa para todas as crianças publicado hoje. Angola continua a ser o país do mundo onde morrem mais crianças: 157 em mil com menos de cinco anos. Este país produtor de petróleo tem assim a maior taxa de mortalidade infantil, seguido do Chade e da Somália. Também a Guiné Equatorial, outro Estado petrolífero e membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) desde 2014, apresenta uma taxa elevada, posicionando-se em 11º, logo a seguir à República Democrática do Congo e do Níger, com 93 mortes em cada mil crianças com menos de cinco anos.

Guiné-Bissau e Moçambique também estão na lista dos 25 países onde essa taxa é mais elevada, com 93 mortes por mil e 79 mortes por mil respectivamente, sendo os dois únicos países lusófonos onde a UNICEF encontrou uma carência extrema de médicos, enfermeiros e parteiras – com números abaixo dos 10 profissionais do sector por 10 mil pessoas, sendo o nível considerado mínimo para a Organização Mundial de Saúde de 23 profissionais de saúde por cada 10 mil habitantes.

O relatório identifica causas para retrocessos e exemplos de sucesso e coloca o enfoque na igualdade, ao admitir que “os progressos alcançados não foram uniformes nem justos”. As expectativas negativas traduzem-se em números avassaladores no relatório e o prefácio do director-executivo Anthony Lake, alerta para isso mesmo, se nada for feito para inverter a tendência.

“O tempo de agir é agora”, escreve o responsável da UNICEF. É urgente esbater as desigualdades “que colocam milhões de crianças em perigo e ameaçam o futuro” num mundo onde é dez vezes mais provável uma criança da África Subsariana morrer antes dos cinco anos, do que uma criança num país rico, defende.

Os Objectivos para o Desenvolvimento do Milénio não foram atingidos entre 2000 e 2015. E 2030 passou a ser a nova meta para se alcançarem idênticos indicadores – os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável – que introduzem, entre outras coisas, a redução das desigualdades dentro dos países mas também entre eles.

Em média, e tendo em consideração a dimensão da população, a desigualdade aumentou 11% entre 1990 e 2010 nos países em desenvolvimento. E uma grande maioria de famílias, mais de 75% segundo as Nações Unidas, vive em sociedades onde o rendimento é menos bem repartido do que na década de 1990.

Avanços e diferenças

No mundo inteiro, as crianças que nascem hoje têm 40% mais hipótese de sobreviver antes de completarem cinco anos e de irem à escola do que as crianças nascidas no início da década de 2000, conclui o documento de mais de 180 páginas. Porém, ao mesmo tempo que assinalam avanços, as médias nacionais escondem disparidades flagrantes – e por vezes crescentes – entre crianças de famílias mais pobres e crianças de famílias mais ricas. “Não podemos deixar que a história se repita”, assume o documento que quantifica claramente custos e consequências do fracasso e qualifica-os de “enormes”.

O fracasso é previsível, se as tendências dos últimos 15 anos se mantiverem nos próximos 15 anos. Se assim for, 167 milhões de crianças poderão estar a viver na pobreza extrema, a maioria das quais na África Subsariana. Estima-se igualmente que 3,6 milhões de crianças por ano poderão morrer antes dos cinco anos, ainda e na maior parte dos casos por doenças ou causas que poderiam ter sido evitadas se tivessem sido prestados cuidados de saúde.

Síria e refugiados entre as principais preocupações

A África Subsariana, a Síria devido ao prolongamento e à violência da guerra, e os milhões de refugiados que fugiram deste e de outros países são os três focos de maior preocupação da UNICEF relativamente à pobreza infantil. A população pobre da Síria mais do que triplicou, ao passar de 12,3% do total em 2007 para 43% do total em 2013. Estima-se que entre os milhões de refugiados, sobretudo sírios, mais de dois terços sejam pobres. E neste conjunto, as crianças representam mais de metade. Nalguns casos, só há dados estatísticos disponíveis até 2013.

A UNICEF constata por outro lado que depois de vários anos em que a pobreza baixou nos países do Norte de África e Médio Oriente, voltou a estagnar ou mesmo a aumentar nalguns países. Nos países da África Subsariana, vive não apenas a maioria da população pobre mas aquela que continua a aumentar. Lê-se no relatório que, partindo das tendências actuais, e se nada se alterar, nove em cada 10 crianças a viver com menos de 1,9 dólares por dia (1,7 euros) serão em 2030 de países da África Subsariana.

28.6.16

Ser criança em África ainda é sinónimo de ser (muito) pobre e ter poucos estudos

in o Observador

Quem nasce, já nasce pobre e, por norma, o casamento está mais próximo do que a escola. O relatório da UNICEF não é animador e fala de milhões de crianças com um futuro de poucas oportunidades.

A pobreza continua a ser um atestado colado às crianças na África subsariana mesmo antes de nascerem, a escola é mais ilusão do que realidade e as gravidezes acontecem pouco depois da primeira década de vida. A perspetiva pouco otimista é da UNICEF e está inscrita no relatório anual “A Situação Mundial da Infância 2016”, divulgado esta terça-feira pelo órgão da ONU.

O estudo aponta grandes dificuldades para as crianças mais desfavorecidas, sobretudo na África subsariana e no sul da Ásia. Na primeira região, 2 em cada 3 crianças vivem em pobreza multidimensional (nutrição, saúde e habitação), o que corresponde a 247 milhões de crianças. Cerca de 60 por cento das raparigas entre os 20 e os 24 anos, das franjas mais pobres da população, tiveram menos de quatro anos de escolaridade, aponta o relatório.

A organização destaca os progressos mundiais feitos na baixa da taxa de mortalidade infantil, na luta contra a pobreza e pela educação — a taxa de mortalidade de crianças com menos de cinco anos baixou para menos de metade desde 1990, por exemplo. Mas o progresso não chegou a todos os países da mesma forma.

A pobreza em África continua a ser um fardo que pesa em tudo o resto. “As crianças mais pobres têm duas vezes mais probabilidades de morrer antes dos 5 anos e de sofrer de subnutrição crónica do que as crianças mais ricas”, lê-se no documento. As mais ricas também têm mais acesso à escola e ficam por lá mais tempo. A falta de estudos, por outro lado, condiciona as vidas seguintes: “As crianças filhas de mães não escolarizadas têm três vezes mais probabilidades de morrer antes dos 5 anos do que as crianças de mães que frequentaram o ensino secundário”, exemplificam. Os casamentos infantis vêm por arrasto — as meninas de famílias mais desfavorecidas têm duas vezes e meia mais probabilidade de casar na infância do que as de famílias com mais posses.

A ideia é que estes números não se transformem em bola de neve, até porque há objetivos a cumprir até 2030. O cronómetro começou a contar em setembro de 2015, quando foram definidos 17 novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para cumprir em 15 anos. “Acabar com a Pobreza” e “Atingir a Igualdade de Género” são dois dos 17 objetivos a que se comprometeram os países da ONU.

Também para alertar para as metas a atingir, os autores do relatório fizeram estimativas sobre o que vai acontecer em 2030 se os governos, as instituições, os investidores e os cidadãos comuns nada fizerem. São elas: até 2030, 750 milhões de mulheres terão casado durante a infância, as crianças na África subsariana têm 10 vezes mais probabilidade de morrer antes dos 5 anos do que as dos países desenvolvidos e 9 em cada 10 crianças que viverão em pobreza extrema estarão na África subsariana.

Cerca de 124 milhões de crianças não frequentam o ensino primário ou o primeiro ciclo do secundário e quase 2 em cada 5 que terminam o ensino primário não aprenderam a ler ou a escrever”, refere o relatório.

Quinze anos pode ser muito ou pouco tempo. Para o diretor-executivo da instituição que se dedica ao bem-estar infantil, quinze anos é o tempo suficiente para inverter estes dados: “A desigualdade não é inevitável. A desigualdade é uma escolha”, sublinha Anthony Lake no documento. “Promover a igualdade — e uma oportunidade justa para cada criança — também é uma escolha”, defende o responsável, convidando políticos, governos e organizações a mudar o cenário.

20.4.16

Desigualdades sociais crescem em Portugal

In "Jornal de Notícias"

Portugal foi um dos países que registaram o maior aumento da desigualdade no rendimento das famílias com crianças, revela um relatório da Unicef que analisou 41 países da União Europeia e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

"Nos grandes países do Sul da Europa, Grécia, Espanha. Itália e Portugal, registaram-se diferenças nos rendimentos superiores a 60%, tal como em Israel. no Japão e no México", refere o documento, que analisa as disparidades em termos de rendimento, desempenho escolar, problemas de saúde e satisfação com a vida reportados pelas próprias crianças.

Segundo o relatório, o maior aumento na desigualdade, de pelo menos 5%, foi registado em quatro países do Sul da Europa. Espanha, Grécia, Itália e Portugal, e em trés países da Europa Oriental: Eslováquia. Eslovénia e Hungria.

Em todos estes países, com exceção da Eslováquia, o rendimento médio das famílias com crianças desceu, refere o relatório "Equidade para as crianças: Uma tabela classificativa das desigualdades de bem-estar das crianças nos países ricos".
O relatório salienta que o mercado de trabalho determina em grande parte o rendimento das famílias com crianças, em especial após uma crise económica, quando aumentam as taxas de desemprego e o trabalho precário.

Alerta ainda que, no nível de rendimentos mais baixos. "abundam de forma desproporcionada" os casos de crianças que vivem em lares onde todos os membros da família estão desempregados. uma situação verificada em todos os países europeus.
A nível da desigualdade na saúde. Portugal ocupa a 7.' posição, atrás da Áustria. Alemanha. Suíça, Noruega. Dinamarca e Finlândia.

14.4.16

Crianças mais pobres têm acesso a 40% do rendimento de uma “criança média”

Andreia Sanches, in Público on-line

Nenhum país consegue proporcionar “o mesmo começo de vida a todas as crianças”, diz a Unicef. Mas há uns mais desiguais do que outros. No ranking geral das desigualdades, Portugal fica a meio da tabela. O pior é quando se analisam os rendimentos.
obreza

Até que ponto as crianças dos países desenvolvidos, sobretudo as que se encontram numa situação mais desfavorecida, “estão a ficar para trás”? É a esta pergunta que um novo relatório da Unicef, que será divulgado nesta quinta-feira, procura dar resposta. Chama-se Equidade para as crianças: uma tabela classificativa das desigualdades no bem-estar das crianças nos países ricos. No ranking geral, que ordena os Estados dos que registam menores disparidades para os que apresentam mais desigualdade, Portugal está em 19.º lugar. Uma posição abaixo dos EUA e uma acima da Islândia.

São analisadas quatro áreas: rendimento disponível nas famílias; desempenho escolar; problemas de saúde percepcionados pelos jovens; e satisfação com a vida.

Portugal destaca-se pela positiva quando estão em causa as disparidades em termos de saúde percepcionada pelas crianças. É 7.º no ranking. Já quando se analisa a dimensão “desigualdade de rendimentos”, tudo se complica. Dados: na Noruega, o rendimento de uma criança de uma família pobre é 37% inferior ao de uma “criança média”; em Portugal, é 60,17% inferior. Somos o 33.º mais desigual em 41 para os quais há dados disponíveis sobre rendimentos das famílias com crianças. A Noruega é o menos desigual nesta dimensão.

“Em 19 dos países analisados, as crianças mais pobres dispõem de menos de metade dos rendimentos da criança média dos seus países”, explica a Unicef, numa síntese dos dados. “Em Espanha, na Grécia, Itália e Portugal, bem como em Israel, no Japão e México, a diferença de rendimentos entre as crianças mais pobres e as do meio da distribuição é superior a 60%. Isto significa que as mais pobres dispõem de menos de 40% dos rendimentos da média.”

A metodologia usada pelo Centro de Investigação — Innocenti, da Unicef, pode resumir-se deste modo: em cada uma das quatro áreas, e em cada país, foi analisada a dimensão do fosso que separa uma criança que se encontre na base da tabela — ou seja, no grupo das que estão em pior posição — de uma “criança média” desse país.

Participam 41 países da União Europeia e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). A Dinamarca está no topo do ranking geral, que congrega as quatro dimensões. Não é que proporcione exactamente “o mesmo começo de vida” a todas as crianças. Isso, na verdade, não acontece em nenhum dos estados, nota a Unicef. Mas na Dinamarca as diferenças entre crianças mais desfavorecidas e os seus pares são menores.
Rendimento: desigualdade aumenta

A Unicef começou por ter em conta o rendimento dos agregados com filhos — descontados impostos, incluídas prestações sociais e ponderado o tamanho e composição do agregado. Os dados sobre rendimento e condições de vida da União Europeia, de 2013, constituem uma das fontes. Em cada país, a mediana do rendimento foi comparada com o rendimento do agregado de uma criança que pertença ao grupo das famílias mais pobres — as 10% mais pobres do país.

A tendência geral é esta: “As disparidades de rendimento aumentaram na maioria dos países ricos desde a crise económica. Esta tendência é particularmente gritante nos países do sul da Europa, onde os rendimentos das crianças mais pobres caíram mais relativamente à média, também esta em queda”

A tendência geral é esta: “As disparidades de rendimento aumentaram na maioria dos países ricos desde a crise económica. Esta tendência é particularmente gritante nos países do sul da Europa, onde os rendimentos das crianças mais pobres caíram mais relativamente à média, também esta em queda.”

Em Portugal, entre 2008 e 2013, as disparidades de rendimento aumentaram 5,4 pontos percentuais, “dado que o rendimento dos 10% de crianças na base da distribuição diminuiu mais rapidamente do que o da mediana”, prossegue a Unicef.

“Os maiores aumentos das desigualdades de rendimento — aumentos de pelo menos cinco pontos percentuais — ocorreram em quatro países do sul da Europa, Grécia, Espanha, Itália e Portugal, e em três países da Europa de Leste, Eslovénia, Eslováquia e Hungria.”

Portugal é também dos países onde as transferências sociais — subsídios, abonos, etc. — menos atenuam a desigualdade de distribuição de rendimentos. O Reino Unido, a Irlanda e a Bélgica são aqueles onde o Estado tem um papel mais relevante na redução do fosso entre crianças.

Em 2013, a taxa de pobreza infantil em Portugal era de 17,4% (há 11 países com taxas maiores). E perto de três quartos das crianças que viviam em agregados familiares pobres encontravam-se em situação de privação material (não tinham capacidade para dispor de bens considerados essenciais, como aquecimento em casa ou uma refeição com o nível adequado de proteínas a cada dois dias, recorda ainda a Unicef, na síntese que reúne os dados para o país).

A Unicef nota ainda que dois dos países mais ricos do mundo, o Japão e os EUA, aparecem, como Portugal, no último terço da tabela das desigualdades no que diz respeito aos rendimentos a que as crianças têm acesso.
Educação: países-modelo pioram

Na tabela que mede as disparidades na educação — outra das quatro áreas analisadas —, Portugal aparece em 19.º em 37 países para os quais há dados. A análise é feita com base nas conclusões do PISA 2012, um estudo internacional que avaliou as competências dos alunos de 15 anos em três áreas-chave: Matemática, Leitura e Ciências. Em cada país compara-se o desempenho dos alunos com piores resultados com a média.

O Chile e Roménia aparecem como sendo os que apresentam menor disparidade entre alunos, “mas pelos piores motivos — porque a situação é má para todos”, explica Margarida Gaspar de Matos, investigadora da Universidade Técnica de Lisboa, que participou na elaboração do estudo da Unicef.

Naqueles dois países, tal como acontece na Bulgária e no México, “perto de um quarto dos alunos de 15 anos não dispõem das aptidões e competências necessárias para resolver exercícios básicos de leitura, matemática e ciências”, o que é considerado pela Unicef “um número particularmente alarmante”. Em Portugal, são 12,6%, um valor que representa uma melhoria, face a 2006.

No que diz respeito às competências de leitura, especificamente, há mais boas notícias para Portugal: “As disparidades entre as crianças com resultados médios e os 10% que se encontravam na base da distribuição diminuíram 9,3 pontos, dado que estas melhoraram as suas notas mais do que os seus pares.”

Apesar das boas notícias, os alunos portugueses “provenientes de famílias com um estatuto socioeconómico mais baixo tinham 12% mais probabilidade de não atingir os níveis mínimos de competências nas três áreas do que os seus pares de meios mais privilegiados”.

De resto, na generalidade dos países, as desigualdades no que diz respeito ao desempenho escolar diminuíram. Mas não na Finlândia e a Suécia, “anteriormente considerados como exemplos de sucesso e de equidade em matéria de educação. Em ambos verificou-se um aumento das desigualdades e dos níveis de insucesso.

“Uma sociedade não pode ser equitativa se a algumas crianças for negado um bom começo de vida”, alerta a Unicef que pede aos governos que “considerem como prioritário” proteger os rendimentos dos agregados familiares das crianças mais pobres, promover o sucesso escolar das crianças mais desfavorecidas e “apoiar estilos de vida saudáveis”. Em Portugal, o relatório é apresentado nesta quinta-feira à tarde no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Saúde: meninos e meninas muito diferentes

Quantas vezes nos últimos meses sentiste sintomas físicos como dor de cabeça, ou de estômago; quantas te sentiste nervoso, ou irritado? Foram perguntas deste tipo que se fizeram em 2014 aos adolescentes de 11, 13 e 15 anos de dezenas de países, no âmbito do Health Behaviour in School-aged Children, da Organização Mundial da Saúde, cujos resultados finais foram divulgados no mês passado. E a Unicef foi buscar também esse estudo para a sua análise sobre desigualdades.

“Nenhum país conseguiu progressos claros na redução das disparidades no que toca a problemas de saúde sinalizados pelas crianças”, conclui. Pelo contrário, as desigualdades acentuaram-se na maioria dos Estados, incluindo Portugal, “verificando-se mesmo aumentos consideráveis na Irlanda, em Malta, na Polónia e na Eslovénia”.

Ainda assim, Portugal ocupa, como se viu, uma boa posição neste ranking: é o 7.º em 35 países com menos disparidades no que toca a problemas de saúde sinalizados pelas crianças. Já no que diz respeito à alimentação saudável (consumo de fruta e vegetais), é apontado como o país onde as desigualdades mais aumentaram (6,6 pontos percentuais entre 2002 e 2014).

Sobre este aspecto, Margarida Matos lembra que “o consumo de fruta desceu muito a nível nacional, embora continue razoável em termos europeus”, e que Portugal foi “penalizado” na avaliação da Unicef porque “foi o país onde o consumo de fruta desceu mais entre 2010 e 2015 — mas a verdade é que era o maior consumidor em 2010”.

O estudo da OMS também pediu aos jovens que classificassem a sua “satisfação com a vida”, numa escala de zero a 10. E, uma vez mais, a Unicef compara a “criança média” com as crianças menos satisfeitas. Resultado: “Nos países ricos, o nível de satisfação com a vida atribuído pela criança média é de 8.” Mas “na grande maioria dos países, mais de uma em cada 20 crianças classifica a sua satisfação com a vida num nível 4 ou menos”. Em Portugal, a percentagem é 6%.

O países onde o fosso entre a média e as menos satisfeitas é menor é a Holanda. Portugal ocupa o 18.º lugar neste ranking da satisfação com a vida, em 35 países.

A Unicef sublinha que há um outro tipo de desigualdade preocupante: a de género, que é “generalizada e persistente”. Em todos os países, “as raparigas têm uma probabilidade significativamente mais elevada de ficar para trás relativamente à saúde”. Em dez, as disparidades de género aumentaram.

“Por outro lado, as raparigas dão conta de um nível de satisfação com a vida inferior ao dos rapazes, especialmente na faixa etária dos 15 anos.” Margarida Matos diz que vários estudos têm alertado para este tema e não tem dúvidas: “A iniquidade de género merece uma reflexão séria.”