Mostrar mensagens com a etiqueta Universidade de Coimbra. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Universidade de Coimbra. Mostrar todas as mensagens

29.4.16

Universidade de Coimbra distingue António Guterres com título 'honoris causa'

In "Porto Canal"

Coimbra, 28 abr (Lusa) -- António Guterres, que foi primeiro-ministro de Portugal entre 1995 e 2002, vai ser homenageado pela Universidade de Coimbra (UC), a 22 de maio, com o título de 'doutor honoris causa'.

A atribuição do grau de 'doutor honoris causa' ao anterior Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) foi aprovada pelo Senado da UC, na sequência de proposta apresentada pela Faculdade de Economia, em novembro de 2015, disse hoje à agência Lusa fonte da reitoria da Universidade.

Teresa Tito de Morais, do Conselho Português para os Refugiados, será apresentante (ou madrinha) do homenageado, estando o elogio do doutorando a cargo de José Reis, catedrático e anterior diretor da Faculdade de Economia de Coimbra, sendo o elogio da apresentante feito por José Manuel Pureza, catedrático daquela faculdade e vice-presidente da Assembleia da República.

Apesar de ter nascido em Lisboa (1949), o agora candidato a secretário-geral das Nações Unidas passou grande parte da sua infância em Donas, aldeia do concelho do Fundão (de cuja assembleia municipal foi presidente), circunstância que, segundo o próprio, tornou o seu "imaginário rural muito mais forte que o urbano, mas também muito mais ligado à terra, à realidade".

Tal ligação à realidade, "por vezes dura e distante da sua própria realidade familiar", marcou-o profundamente e levou-o, mais tarde, a "tomar contacto com a miséria do bairro da Curraleira e da Quinta da Alçada" (Lisboa), refere a Faculdade de Economia da UC (FEUC) na proposta para a atribuição da distinção, a que a agência Lusa teve acesso.

Essa experiência funcionou como uma espécie de "antecâmara para o contacto posterior e intenso com a igualmente dura realidade dos refugiados" com que Guterres passou a lidar a partir de 2005, sustenta a FEUC.

Enquanto alto-comissário das Nações Unidas, António Guterres reconhece que "sempre viveu o lado mais dramático dos conflitos armados e da instabilidade: o lado humano, tendo tido a seu cargo a maior vaga de refugiados e deslocados desde a II Guerra Mundial".

São, além disso, conhecidas, por exemplo, as suas intervenções "enfatizando o peso da relação entre fenómenos de alterações climáticas, pobreza extrema e conflitos violentos e as consequências destes em termos do aumento dos movimentos de deslocação forçada e em massa das populações um pouco por todo o mundo".

Do mesmo modo, são igualmente públicos os seus "declarados compromissos com os principais beneficiários do trabalho do ACNUR, com a sua proteção e a procura de soluções duradouras para a reintegração sustentável dos milhões de refugiados e deslocados internos" com que lidou, acrescenta a FEUC entre as razões apontadas para a atribuição do grau de 'doutor honoris causa' ao ex-alto-comissário.

A homenagem ao antigo líder e ex-deputado do Partido Socialista, que terá lugar às 10:30 de 22 de maio, na Sala Grande dos Atos, integra-se nas comemorações dos 20 anos da licenciatura em relações internacionais na FEUC, que se celebra ao longo do ano letivo 2015-2016.

14.1.16

Um robô amigo da terceira idade

Marcos Borga, Visão Solidária

O sistema GrowMeUp pretende oferecer mais do que apenas uma prestação de serviços. A meta é que haja interação entre o sistema e o utilizador, e por isso o robô vem equipado com um sistema de diálogo inteligente.

O projeto GrowMeUp está a desenvolver um robô capaz de manter "conversas inteligentes" e de se lembrar de conversas anteriores. A ideia é ajudar a combater a solidão dos idosos

O desafio é claro e está lançado: o combate ao isolamento e ao sedentarismo entre os mais idosos faz-se de braços dados com a tecnologia. É esta a ambição do GrowMeUp, um projeto cofinanciado pela Comissão Europeia no âmbito do programa Horizonte 2020, que pretende colocar a robótica e as tecnologias de informação e comunicação ao serviço das pessoas com idade mais avançada. A missão passa por desafiar as limitações impostas pela idade, criando um serviço capaz de satisfazer as necessidades e hábitos das pessoas mais velhas e assim incentivá-las e envolvê-las numa vida ativa e independente.

O objetivo é construir um robô de baixo custo, que terá a capacidade de aprender os hábitos e as rotinas das pessoas, compensando dessa forma a deterioração das capacidades cognitivas inerente a pessoas da terceira idade.

O sistema GrowMeUp pretende oferecer mais do que apenas uma prestação de serviços. A meta é que haja interação entre o sistema e o utilizador, e por isso o robô vem equipado com um sistema de diálogo inteligente. Esta tecnologia vai permitir não só uma aproximação relacional maior com o utente, como também vai funcionar como constante aperfeiçoamento do sistema. O robô será desenhado com a capacidade de manter diversas interações e construir laços emocionais com as pessoas, fazendo uso do que aprendeu durante conversas passadas.

O projeto, coordenado pela Universidade de Coimbra, inclui um consórcio formado por seis países da União Europeia - Portugal, Suíça, Holanda, Chipre, Espanha e França -, para o qual contribuem universidades, empresas especializadas em robótica e instituições de solidariedade social, como é o caso da Cáritas de Coimbra.

A ideia, que parece uma verdadeira revolução tecnológica entre o Homem e a máquina, não é na verdade nova. A história do cinema é um dos exemplos maiores de que esta relação é já há muito uma ideia romantizada pelo Homem. Em 1968, Stanley Kubrick apresentava o épico 2001: Uma Odisseia no Espaço, em que HAL, o sofisticado computador da nave espacial que se dirigia a Júpiter acaba por trair os astronautas que seguiam nela, manifestando emoções humanas genuínas, como a desconfiança e a necessidade de mentir. Mais recente, o futurístico Her, de 2013 realizado por Spike Jonze, conta-nos a história de Theodore, um homem introvertido e deprimido que se apaixona por um sistema operativo com quem estabelece fortes laços emocionais apenas através da sua voz.

O projeto GrowMeUp não é no entanto ficção, sendo este mais um exemplo de como a robótica pode ser aliada às necessidades humanas, tendência que segue as aplicações que já são feitas na indústria, na medicina ou no espaço.




9.12.15

Violência doméstica: "os preconceitos" dos magistrados

In "TVI 24"

Tese de doutoramento de Madalena Duarte, intitulada "Para um Direito sem Margens: representações sobre o Direito e a violência contra as mulheres"

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) entrega esta quarta-feira o Prémio APAV para a Investigação a Madalena Duarte, da Universidade de Coimbra, distinguindo uma tese de doutoramento sobre o tratamento da violência doméstica por parte dos magistrados. "Há uma série de questões que deveriam ser trabalhadas, mas acima de tudo formação dos magistrados", frisou, recordando que se investiu "muito na formação dos polícias e as magistraturas ficaram esquecidas".

A tese da investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES), defendida em 2014, centra-se na forma como a violência doméstica é tratada pelos juízes e procuradores do Ministério Público, encontrando diversas "falhas" no sistema judicial português, disse à agência Lusa Madalena Duarte.

Apesar de haver "uma evolução muito grande da sensibilidade dos magistrados para este tema", "há ainda muitos preconceitos sobre aquilo que é uma vítima de violência doméstica", notou.

De acordo com Madalena Duarte, ainda se verificam "sentenças judiciais que não dignificam a vítima", exemplificando com casos em que "a recusa de relações sexuais por parte das mulheres" foi uma "atenuante" na definição da pena do agressor.

Para a investigadora, ainda subsiste uma ideia "muito tradicional da mulher", as agressões psicológicas e sexuais "são muito desvalorizadas" e é muito usado o estereótipo de que o álcool "é a causa da violência doméstica".

A investigadora do CES afirmou ainda que as mulheres, quando são vítimas de violência doméstica e têm carências económicas, têm um advogado oficioso para cada processo no tribunal: queixa-crime, divórcio e responsabilidades parentais.

"Deveria ser atribuído um advogado para todos os processos", defendeu.

Outra situação preocupante, alerta, é a aplicação das medidas de proteção das mulheres quando apresentam a queixa-crime, considerando que o termo de identidade e residência "não é suficiente", devendo-se recorrer "mais à vigilância eletrónica" e "não ter medo de aplicar a medida de prisão preventiva, quando há risco".

A tese de doutoramento de Madalena Duarte, intitulada "Para um Direito sem Margens: representações sobre o Direito e a violência contra as mulheres", envolveu mais de 200 entrevistas a procuradores e juízes de todo o país, entrevistas a vítimas de violência doméstica e organizações de apoio à vítima, inquérito a 100 futuros magistrados, análise da jurisprudência em torno de homicídios e levantamento de mais de 200 processos relacionados com violência doméstica de cinco comarcas.

O prémio APAV para a Investigação, que tem este ano a sua primeira edição, "é um incentivo" para continuar, contou, referindo que está de momento a fazer um pós-doutoramento sobre os homicídios nas relações de intimidade.

A cerimónia de atribuição da distinção realiza-se à tarde, na sede da APAV, pelas 15:00.

O prémio contou com 43 candidaturas, sendo que são também entregues duas menções honrosas à investigadora da Universidade de Coimbra Neusa Patuleia e à investigadora da Universidade do Minho Cátia Fernandes foram também foi também atribuída uma menção honrosa.