22.3.16

Idosos com demências graves em lares são o dobro dos que vivem na comunidade

Catarina Gomes, in Público on-line

Coordenador do Programa Nacional para a Saúde Mental sublinha que "as pessoas institucionalizadas correm maior risco de demenciarem". Estudo feito na região Norte vai ser alargado ao resto do país.

A percentagem de idosos que vivem em lares e que sofrem de demências graves é o dobro da encontrada entre os que vivem na comunidade, referem dados preliminares de um estudo realizado na região Norte, financiado pela Direcção-Geral de Saúde. Este será um dos dados constantes do relatório anual que faz o balanço da saúde mental no país e que vai ser apresentado na quinta-feira em Lisboa.

“A percentagem de demências graves em pessoas na comunidade é de 7.8%, valor que duplica relativamente aos residentes em lar, 15.7%”, referem os dados preliminares do Estudo sobre as necessidades das pessoas com demência, realizado por uma equipa do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto. O estudo assenta numa amostra aleatória de 572 pessoas, escolhida entre idosos com problemas de saúde mental na região Norte.

“O que se sabe internacionalmente é que as pessoas institucionalizadas correm maior risco de demenciarem,” sublinha o psiquiatra Álvaro de Carvalho, coordenador do Programa Nacional para a Saúde Mental. Uma das razões é o facto de, quando em contexto de lar, os idosos “deprimirem mais facilmente e de a depressão não tratada potenciar a demência".

A permanência em lares como factor de risco da demência está também ligada ao facto de as pessoas "não serem estimuladas". “Muitos idosos passam a manhã a ver o [programa do] Goucha e à tarde a Júlia Pinheiro. Estão para ali. Suspeita-se também que muitas vezes são sobremedicados com sedativos. As benzodiazepinas também contribuem para o aparecimento das demências.”

Álvaro de Carvalho nota que está mais que provado que é vantajoso em termos financeiros e de saúde mental que é melhor manter as pessoas em meio familiar do que em lares. “Os estudos vão todos dar ao mesmo. Em Portugal continuamos a ter uma atitude tipo avestruz em relação a este problema.”

Nos centros de saúde da região Norte que participaram no estudo foi encontrado défice cognitivo ligeiro em 44,8% dos idosos estudados. Os autores realçam que, nestes casos, “é importante actuar preventivamente para retardar ou impedir a evolução para a demência”.

Este estudo, que agora vai ser alargado às restantes regiões do país, pretende reunir dados científicos para pôr em prática o já há muito falado Plano Nacional para as Demências que, nota o médico, "depende de decisão política" e ainda não tem data certa. Há já muitos anos que a Alzheimer Portugal defende a urgência da sua implementação.

O relatório anual vai também dar conta do aumento aparente do número de suicídios em 2014, tendo-se passado de uma taxa de suicídio de 10,1 por 100 mil habitantes para 11,7 por 100 mil habitantes. O Alentejo, mas também o Algarve, e o centro e interior Norte registam uma maior número de casos, coincidindo estas duas últimas regiões “com zonas com maior índice de ruralidade”.

O psiquiatra lembra que um estudo recente, coordenado pela investigadora do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Coimbra Paula Santana, identificou um aumento de suicídios no centro e no interior Norte de Portugal junto à fronteira com Espanha. O estudo defendeu o desenvolvimento de políticas específicas [de prevenção do suicídio] nestas regiões por parte do Governo, lembra.

Mas Álvaro de Carvalho ressalva que o aumento do número de suicídios pode não ser real, uma vez que o método de recolha mudou – com a introdução da plataforma informática Sistema de Informação dos Certificados de Óbito (SICO) – tendo-se tornado mais exigente.

Os últimos dados estatísticos de mortes por suicídio em Portugal do SICO referem que 1218 pessoas morreram por esta causa em 2014, um aumento de 16% face ao ano anterior. Foram 920 homens e 298 mulheres. O psiquiatra assinala ainda a subida de casos no sexo feminino: 24% de aumento face a 2013. Existe ainda “a percepção”, mas não há dados que o sustentem, de que as mulheres estão a recorrer a métodos mais violentos do que era habitual, nomeadamente, a arma de fogo ou enforcamento, diz.

Projeto Nova Vida: Junta de Arroios sinaliza 39 sem-abrigo

MARTA CERQUEIRA, in "Jornal I"

A maioria é do sexo masculino e tem entre 40 e 50 anos

Desde outubro de 2014 que todas as quintas-feiras à noite, uma equipa técnica de Arroios percorre as ruas da freguesia para sinalizar sem-abrigo e prestar apoio no âmbito do projeto Nova Vida.

Das 48 saídas realizadas, entre 2014 e 2015, foram sinalizados 39 utentes, a maioria do sexo masculino e entre os 40-50 anos. Depois de perceber quem eram as pessoas, a equipa passou para a fase de encaminhamento para instituições parceiras, que dão apoio a nível alimentar, de saúde, ou mesmo de alojamento.

Como marca diferenciadora das outras equipas que diariamente prestam ajuda com entrega de comida e agasalhos, os responsáveis por este projeto focam-se no contacto direto com os utentes, tentando perceber quais as suas preocupações e necessidades. “Este contacto potencia uma relação de confiança entre técnico e utente que facilita a intervenção”, garante a equipa, em comunicado enviado ao i.

Além do contacto direto com a comunidade sem-abrigo, a junta de freguesia tem apostado igualmente na sensibilização de quem vive e trabalha em Arroios, de modo a que sejam uma ajuda na hora de encaminhar os utentes sinalizados. Segundo a última contagem feita pela freguesia, e a que o i teve acesso, existem 32 pessoas a viver nas ruas de Arroios, número que deve ser actualizado brevemente.

Mãos à Obra

In "Renascença"

Raquel Correia - Um exemplo de inserção para Pessoas com Deficiências e Incapacidades

ONG americana organiza viagem ao “lado humano da crise” em Portugal

João Pedro Pincha, in "Observador"

Conhecer portugueses "reais e genuínos" é um dos objetivos da viagem. Geralmente, a UBELONG faz expedições a países de África, do Sudeste Asiático e da América Latina. Desta vez vem a Portugal.

Gana, Camboja, México, Marrocos, Cuba. As alterações climáticas, a imigração e as crises económicas são alguns dos problemas que afetam estes países e que os unem naquilo a que se convencionou chamar “países em vias de desenvolvimento”. Há outra coisa que lhes é comum: o facto de, em todos eles, uma organização não-governamental dos Estados Unidos ter realizado expedições para dar a conhecer aos estrangeiros as realidades locais. Em maio, Portugal vai juntar-se a esse clube.

“Portugal: o lado humano da crise económica” é o nome da expedição da UBELONG, organização fundada há sete anos em Washington, que vai trazer vinte pessoas de várias partes do mundo ao nosso país para “contactar com a face humana da crise”. No resumo da expedição pode ler-se:

Você não é um turista. Conhece portugueses de todas as idades e tem conversas reais e genuínas com eles. Vai a casa deles e conhece-os. Vê a bondade e a força das pessoas. Fica a conhecer os mais recentes sucessos empreendedores do país, tal como os avanços em todos os campos, incluindo a tecnologia, a medicina e a indústria”.
Se isto soa a coisa que geralmente só costuma ler em brochuras de voluntariado para países asiáticos e africanos, não está muito enganado. É o próprio Cedric Hodgeman, fundador da UBELONG, que o admite em entrevista ao Observador. “Sempre tivemos programas na Ásia, África e América Latina, mas nunca em países desenvolvidos. Os problemas sociais e ambientais em países como o Camboja, a Índia e o Equador são de facto mais graves do que os que se encontram em países como Portugal ou os Estados Unidos, mas ainda assim há milhões de pessoas nos países desenvolvidos que enfrentam desafios enormes, apenas para terem alimentação, educação, proteção e emprego”, diz.

Os expedicionários, que vêm de sítios como o Brasil, os Estados Unidos e o México, vão passar dez dias em Portugal, entre Lisboa e o Douro vinhateiro. Logo no primeiro dia, na capital, “a equipa participará num workshop para que fique a conhecer a crise económica que tem afetado Portugal há mais de uma década”. Acabado o encontro, a organização promete um passeio turístico “fora do comum”:

Utilizaremos a comida como forma de entender o povo português. Tal como os portugueses, vamos a bairros autênticos e fora dos circuitos turísticos. Passearemos por bairros como Alfama e Mouraria e faremos provas em vários restaurantes e cozinhas desconhecidas. Em cada sítio vamos provar a comida e, tão importante como isso, vamos ter conversas reais e sem filtro com os portugueses acerca das suas vidas”
Para Cedric, que veio viver para Lisboa em 2011, quando andava enamorado por uma portuguesa, “as pessoas têm importância” e foi por isso que quis fazer esta expedição ao país. “Em Portugal, o custo humano da crise económica é real. Atrás das estatísticas, dos números e dos discursos políticos há pessoas reais cujas vozes são frequentemente afogadas”, afirma ao Observador, sublinhando um dos lemas da UBELONG: “Vivemos num mundo real, não num vácuo académico”.

A viagem tem a duração de dez dias e um custo de 1.600 dólares (cerca de 1.400 euros). Além das visitas a Lisboa e ao Douro vinhateiro, os participantes vão fazer voluntariado no Banco Alimentar contra a Fome, vão ensinar inglês a crianças e vão visitar várias start-ups portuguesas. Do programa faz ainda parte uma visita à Assembleia da República, onde haverá um encontro com deputados.

Equipa de voluntários de Ferreiros faz a diferença na vida da comunidade

Isabel Vilhena, in "Correio do Minho"

A vontade de querer algo pelo próximo e os pedidos constantes de ajuda ao padre da paróquia de Ferreiros fez crescer em Laura Barbosa o ‘bichinho’ do voluntariado.

Natural e residente em Ferreiros, mãe de dois filhos, catequista, tem duas licenciaturas - Serviço Social e Ciências Religiosas - e uma necessidade crescente de ajudar os outros.

Com um sorriso estampado no rosto, Laura Barbosa contou à reportagem do ‘CM’ como surgiu a ‘Dádiva- Voluntariado em Acção’ que hoje apoia 70 famílias de Ferreiros e de freguesias vizinhas de Maximinos, Sequeira e Vilaça.

“Quando terminei a licenciatura de Serviço Social, estava a trabalhar no lar do Centro Social de Ferreiros. Foi quando constatei que o serviço de apoio ao domicilio era muito limitado. Com o horário das 8 da manhã às 17 horas, achava que fazíamos muito aquele trabalho de take away. E eu não queria isso, queria que houvesse uma equipa de voluntários que fosse à casa das pessoas e que vissem como e que estavam se tinham alimentado, se estavam bem, se precisam de um médico, de compras. Era melhorar o serviço de apoio ao domicílio com uma equipa de voluntários extra horário definido pelo serviço.”, explicou Laura Barbosa que dedicou o seu projecto final de curso ao Voluntariado no Serviço de Apoio ao Domicílio.
E, assim nasceu a Pastoral Sócio Caritativa do Centro Social da Paróquia Ferreiros. No terreno desde 2008, começou com os voluntários indo à casa das pessoas, dando todo o apoio depois das 17 horas. As tarefas são muito diversificadas, vão desde pequenas reparações, pinturas, remodelações de casa, às compras até acompanhamento às consultas, ou então simplesmente companhia. “Tínhamos uma senhora que, entretanto já faleceu, que as voluntárias iam lá à noite passar o serão.

Segurança Social deixa sem apoio 363 mil desempregados

In "Correio da Manhã"

O Estado português atribuiu cerca de 256 mil prestações de desemprego em fevereiro, deixando sem estes apoios mais de 363 mil desempregados, segundo dados divulgados esta sexta-feira pela Segurança Social. De acordo com os últimos dados disponibilizados na página da Segurança Social na Internet (www.seg-social.pt), em fevereiro existiam 256.142 beneficiários de prestações de desemprego, menos 4.845 pessoas do que em janeiro e o equivalente a 41% do último número total de desempregados contabilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (estimativas provisórias de janeiro). Os últimos dados divulgados pelo INE, relativos a janeiro, contabilizavam um total de 619,5 mil desempregados, com a taxa de desemprego a situar-se nos 12,2% (estável face aos dois meses anteriores).

Das prestações contabilizadas pela Segurança Social, 125.924 referem-se a mulheres e as restantes 130.188 dizem respeito a homens. Os números da Segurança Social incluem o subsídio de desemprego, subsídio social de desemprego inicial, subsídio social de desemprego subsequente e prolongamento do subsídio social de desemprego, prestações que atingiram em fevereiro o valor médio de 455,86 euros, face aos 454,42 euros observados um ano antes.

Desenhos de crianças sobre Alcântara vão decorar azulejos e candeeiros contra o desemprego

In "Público"

Projecto Fábrica Alcântara Mar vai usar desenhos para decorar peças que adultos desempregados irão produzir.

Crianças do Alvito Velho, em Lisboa, estão a desenhar referências artísticas de Alcântara, como os painéis de Almada Negreiros, em azulejos e caixas de vinho, que desempregados deste bairro carenciado deverão produzir para vender, num projecto de empreendedorismo social.

Espinho, outrora líder do desemprego, está a dar a volta por cima e explica como

Sara Dias Oliveira, in "Público"

Concelho tem um Plano Director Municipal amigo do investimento, taxas mais atractivas e 500 novos postos de trabalho. Antiga Fosforeira será transformada num complexo comercial.

“O mercado imobiliário está a fervilhar em Espinho”, garante Pinto Moreira, presidente da câmara municipal. Mas nem sempre foi assim. Em 2011, o concelho era notícia por más razões. Era o campeão nacional do desemprego, líder do ranking com 24% da população activa sem trabalho, segundo os dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). Nessa altura, o Instituto Nacional de Estatística (INE) informava que a taxa de desemprego do município era de 18,38%, acima da média do país. As indústrias tradicionais desapareciam do mapa do concelho à beira-mar plantado, o comércio definhava, o turismo perdia brilho. Espinho sofria com a alcunha e tentava rumar contra a maré. Agora parece ter conseguido: Pinto Moreira fala na criação de 500 novos postos de trabalho. É possível dar a volta por cima? O autarca acredita que sim.

O cenário está a mudar com vários projectos comerciais desenhados de raiz, e não só. O Lidl está em construção em frente ao Continente, que abriu no final do ano passado, e vai entrar em funcionamento no próximo Verão. A Rádio Popular e o McDonalds remeteram à câmara pedidos de informação prévia para saberem se há possibilidade de avançar com os projectos que traçaram para a entrada norte da cidade, onde agora está em construção um centro de inspecções de automóveis. A antiga Fosforeira Portuguesa será transformada num complexo comercial ainda este ano e a praça de touros foi vendida a uma imobiliária que deverá também investir numa área de comércio e serviços.

Os investimentos não surgem por acaso. As taxas para quem quer investir estão mais atractivas, os processos de execução mais céleres e abriu-se a porta a equipamentos estratégicos que têm de obedecer a dois critérios: serem inovadores e implicarem um investimento superior a um milhão de euros.

O Plano Director Municipal (PDM) de Espinho acaba de ser revisto, deverá entrar em vigor ainda este ano, e olha para várias direcções, nomeadamente para o acolhimento industrial em zonas onde anteriormente não era permitido erguer negócios. Este plano renovado assume-se como amigo do investimento e com uma estratégia que “permite acolher os interesses que agregam mais-valias para o território, nomeadamente pela criação de postos de trabalho, pelo valor do investimento, pelos efeitos multiplicativos no desenvolvimento económico e social”.

A actual área empresarial da cidade é assim requalificada e olhada como um pólo de criatividade e inovação. O comércio tradicional não fica à margem: a sua revitalização surge como uma vontade no PDM e como um importante suporte à vida local e à animação urbana e ao turismo – sector que também aparece como fundamental na qualificação e disponibilização dos espaços dedicados às actividades económicas do concelho.

“A face de Espinho vai mudar", promete Pinto Moreira. Os últimos dados do INE sobre o desemprego são de 2011, mas os mais recentes números de espinhenses inscritos no centro de emprego “têm vindo a diminuir”. “Há uma tendência de inversão. Esta mudança de paradigma do desenvolvimento económico do concelho irá alavancar a criação de emprego e gerar mais postos de trabalho”, acredita o autarca.

Nada surge do céu. O mercado fervilha porque há mudanças. Nos últimos anos, a câmara tem feito alterações em regulamentos e instrumentos de planeamento do seu território. Pinto Moreira destaca algumas mudanças: o plano de urbanização das áreas industriais alargou o seu âmbito ao comércio e serviços. Na Rua 19, a principal via pedonal da cidade, são os donos dos edifícios ou promotores de negócios que agora escolhem a finalidade a dar às suas casas, para habitação ou comércio, nos processos de reabilitação – quando anteriormente havia restrições. As margens para o investimento privado aumentaram, as taxas para quem quer investir baixaram de preço, os prazos para apreciação de projectos encurtaram. “Criámos um ambiente propício ao investimento”, congratula-se o presidente da câmara. Alguns resultados estão à vista, outros em construção, vários em apreciação.

“Há uma revitalização do tecido social e económico que é importante registar”. Mas Pinto Moreira não esquece o comércio tradicional. Mais actividade económica aumenta o fluxo de pessoas. Mais pessoas geram mais negócios. “Esta indução de competitividade será benéfica para o comércio de proximidade, local”, diz o autarca.

Edifícios antigos, novos projectos

Além das construções de raiz, Espinho tem também projectos na reabilitação de prédios que, neste momento, não têm qualquer actividade. O antigo edifício da produção da Fosforeira Portuguesa será transformado num complexo comercial e de serviços ainda este ano. O projecto de arquitectura já está aprovado e estima-se um investimento privado, que rondará os nove milhões de euros. A maior parte da fachada do prédio, de interesse patrimonial, será mantida. O interior totalmente modificado. O miolo será demolido para ali surgirem dois corpos independentes mas ligados ao nível da cave. No corpo norte, será instalado um comércio retalhista de média dimensão; na face sul, estarão seis fracções de comércio e serviços; a meio, ficará um atravessamento privado de serviço às lojas constituído por dois passeios, um espaço para circulação automóvel, duas áreas de estacionamento para o espaço comercial e uma praça afecta às fracções. Em termos de altura, é possível construir apenas um piso acima da cota da soleira.

A empreitada terá duas fases. Primeiro, avança a construção do corpo norte, a cave e os arranjos exteriores, numa área total de cerca de seis mil metros quadrados em cave e 2300 acima da cota da soleira. Depois, avança-se para o edifício sul, as seis fracções de comércio e serviço, numa área de cerca de 1500 metros quadrados de construção.

As remodelações não ficam por aqui. A antiga praça de touros de Espinho, na entrada sul da cidade, construída em 1945 e que entretanto deixou de ter actividade já no século passado, será demolida. O projecto do que ali pode surgir ainda não deu entrada na câmara, mas há fortes probabilidades de se tratar de um complexo comercial, habitacional e de serviços.

Contactada pelo PÚBLICO, a imobiliária que comprou o equipamento não divulgou os seus planos, argumentando que ainda é prematuro anunciar o projecto que tem na cabeça para erguer quando a arena for demolida.

A praça de touros foi vendida em hasta pública por 885 mil euros, quantia quatro vezes superior ao orçamento da Junta de Freguesia de Espinho. A base de licitação começou nos 800 mil euros e foi disputada por dois interessados. A escritura foi assinada no início deste ano e o dinheiro já está do lado da autarquia.

“Vamos avançar com novos projectos para a comunidade, fazer obras na junta, olhar para os nossos espaços que estão subaproveitados e que com algum investimento possam estar disponíveis para a comunidade”, refere Rui Torres, presidente da Junta de Espinho.

O empreendedorismo jovem também anda debaixo de olho. O encaixe financeiro era esperado, a alienação daquele espaço era uma decisão tomada face à incapacidade de investir naquele património. “A nossa opção foi alienar”. Rui Torres pensa no futuro. “Queremos deixar uma junta mais rica, mais autónoma, mais forte e com mais serviços para a comunidade”, conclui.

IEFP com mais 43 mil desempregados desde julho

Ana Margarida Pinheiro, in "Dinheiro Vivo"

Desemprego registado aumenta há sete meses. Mulheres com ensino secundário representam maior fatia dos sem trabalho

O número de desempregados registados nos centros de emprego está a aumentar há já sete meses consecutivos. Embora o Instituto Nacional de Estatística dê conta de uma redução do universo de desempregados em Portugal, a verdade é que desde julho do ano passado o IEFP está a ser mais procurado por portugueses sem trabalho. Em fevereiro deste ano, o instituto de emprego e formação profissional registou quase 756 mil pessoas sem emprego. O aumento de 1% face ao mês de janeiro esconde mais 5600 portugueses em situação de desemprego. O bolo toma maiores proporções quando comparado com julho do ano passado, o mês que marcou uma inversão na tendência de descida e, desde essa altura, contam-se mais 43 301 pessoas registadas como desempregadas.

“Desde o verão do ano passado que há um sentimento de incerteza quanto ao desenvolvimento da economia”, lembra ao DN/ Dinheiro Vivo João Vieira Lopes. O presidente da Confederação do Comércio e Serviços (CCP) diz, por isso, que as empresas podem ter adiado as suas intenções de contratação o que acaba por ter um impacto ao nível do número de empregos disponíveis. Apesar de os meses do verão e de o final do ano trazer sempre algum movimento para o mercado de trabalho – empregos sazonais e de curta duração -, Vieira Lopes assume que, no geral, desde meados do ano passado que não se assistem “a grandes movimentos de contratação por parte das grandes empresas” a operar em Portugal. “O próprio Estado e as autarquias também estão a reduzir o número de trabalhadores”, considera, acrescentando que setores como a banca estão a diminuir consecutivamente o número de funcionários “pelo que algum incremento das pequenas e micro empresas não chega” para provocar alterações significativas no número de desempregados. ; Ainda que a tendência se tenha alterado nos últimos meses, as estatísticas de fevereiro do IEFP mostram que as características dos desempregados que chegam aos centros de emprego se mantêm relativamente inalteradas durante os últimos anos: a absover uma maior fatia do desemprego estão pessoas registadas há mais de ano, e que já são considerados desempregados de longa duração; também as mulheres continuam a ser as grandes afectadas pela falta de trabalho e, se a divisão tiver em conta as qualificações profissionais, o bolo dos que têm o ensino secundário são os que mais desempregados reúne. Os portugueses com qualificações muito baixas (primeiro ciclo de escolaridade) também têm um peso significativo neste universo. Embora o número de desempregados registados esteja em níveis de março de 2015, o número de pedidos de emprego não tem relação direta com estes números, uma vez que podem acorrer ao IEFP tanto desempregados, como empregados, ocupados ou indisponíveis. Em fevereiro deste ano, o IEFP registou 765 mil pedidos, um número ligeiramente inferior ao do mês de janeiro (cadeia) e de feverereiro de 2015. ; Também em fevereiro de 2015 havia menos registados nos centros de emprego. Ou seja, apesar do aumento mensal consecutivo de há já sete meses, havia no passado mês de fevereiro, menos 28 315 desempregados registados do que em fevereiro do ano passado. - Veja mais em: http://www.dinheirovivo.pt/economia/iefp-com-mais-43-mil-desempregados-desde-julho/#sthash.ctt5AOgL.dpuf

Médicos do Mundo organiza concerto solidário

In "Palco Principal"

A organização não-governamental de ação humanitária Médicos do Mundo vai realizar um Concerto Solidário com o objetivo de ajudar a financiar os projetos da associação, uma iniciativa que vai ter lugar a 22 de Março de 2016, pelas 21h30, no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa.

A ação terá apresentação a cargo da Embaixadora da Médicos do Mundo, Sílvia Alberto, e contará com a presença de vários artistas que se aliaram a esta causa, entre os quais Ala dos Namorados, Camané, David Fonseca, Fado Dançado, João Só, Jorge Palma, Marta Ren, Pedro Abrunhosa, Sara Tavares, Sérgio Godinho, Soul Gospel Project e Yolanda Soares.

Esta iniciativa é a primeira acção da campanha "SOMOS TODOS VÍSIVEIS", que tem por objetivo angariar fundos para suportar os vários projetos que a Médicos do Mundo atualmente desenvolve em Portugal, possibilitando à associação continuar a levar cuidados básicos de saúde gratuitos às populações mais vulneráveis e combater a sua discriminação.

Numa altura em que se registam em Portugal cada vez mais casos de pobreza e de exclusão social, a associação recebe cada vez mais pedidos de ajuda e debate-se simultaneamente com uma diminuição dos apoios financeiros públicos, empresariais e de particulares, que representaram uma perda de donativos entre 2011 e 2015 de 215 mil euros. Na actual conjuntura, a Delegação Portuguesa da Médicos do Mundo foi obrigada a interromper a sua intervenção internacional, direcionando os parcos recursos disponíveis para ações em Portugal.

Os bilhetes para o evento têm um custo compreendido entre €15 e €35 e encontram-se disponíveis no Teatro Tivoli BBVA, na plataforma Ticketline e locais habituais.

Refugiados em debate promovido pelo ISCAC

Ana Clara Duarte, In "Diário As Beiras"

A questão sobre “A Crise dos Refugiados e a Gestão Psicossocial de Emergências Complexas” foi debatida, na passada sexta-feira, no Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra (ISCAC) | Coimbra Business School. A iniciativa surge no âmbito do lançamento da nova pós-graduação da instituição, “Gestão Psicossocial de Catástrofes e Emergências Complexas”, coordenada por Eduardo Marques, a qual se debruça, igualmente, sobre esta temática. De acordo com o responsável, “os temas abordados são muito atuais, pertinentes e o painel de oradores é de excelência”, levando a que, “com o seu conhecimento, experiência e paixão”, tenham feito “deste momento uma oportunidade de aprendizagem para todos”.
DB-Carlos Jorge Monteiro

Manuel Castelo-Branco e Georgina Martins na sessão de abertura

Na sessão de abertura, Manuel Castelo Branco falava sobre o facto de o ISCAC ser uma “escola que tem procurado, através de conferências deste tipo, levar à comunidade” em geral “uma reflexão mais larga e crítica possível” sobre temas

de grande relevância a nível social e humanitário. Quanto ao estatuto de refugiado, o presidente do ISCAC citou um sociólogo que fala do facto :”Não são nem cidadãos, nem humanos”. Manuel Castelo Branco refere que o estatuto de

humanidade e cidadania lhes foi retirado, porque “hoje, em dia, estes só são atribuídos” consoante o “estatuto económico” de cada um. O presidente disse ainda que “só é cidadão quem tem visto gold e poder de consumo”, entre

outros aspetos. O dirigente confirmou ainda que esta sessão representou “o momento oportuno de tudo isto ser dito”, visto que, na plateia, estavam “pessoas extremamente qualificadas para tratarem deste tema”. Também Georgina Martins interveio no início da conferência, afirmando que “a Coimbra Business School está sempre atenta às novas oportunidades de mercado, realidade e riscos”. Quanto à nova pós-graduação, a diretora da Escola de Negócios admitiu que, embora estejam a trabalhar “numa nova área de estudo”, esta é uma aposta para a qual a escola está preparada para enfrentar “os desafios”. Georgina Martins “levantou um pouco o véu” e assumiu que este é “o primeiro de muitos projetos que a escola tem com Eduardo Marques”.

O debate, moderado por Eduardo Marques, contou ainda com as intervenções de Duarte Nuno Vieira, diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, especialista forense na ONU, Cruz Vermelha Internacional, Comissão Europeia, Amnistia Internacional e Tribunal Penal Internacional, Rui Marques, da Plataforma de Apoio aos Refugiados, José Goulão, jornalista e membro da presidência do Conselho Português para a Paz e Cooperação, Guillermo Fouce, da Fundación Psicologia Sin Fronteras, Nataliya Bekh, diretora do Centro de Instalação de Refugiados “Paz/Peace” da Fundação ADFP, e Ricardo Bordon, coordenador de Ajuda Humanitária (OCHA) e Instrutor de Gestão de Crises e Catástrofes (SAMU).

Campanha de apoio às crianças

In "Correio da Manhã"

A Unicef lança hoje uma campanha na rede social Instagram na qual apela a todos que "deem as mãos" para criar uma enorme cadeia humana de apoio às crianças afetadas pelas alterações climáticas.

A campanha prolonga-se até ao dia 22 de abril, dia da assina tura do Acordo de Paris sobre as alterações climáticas.
O objetivo é "dar uma voz à Unicef para alertar para o im pacto imediato e injusto das al terações climáticas nas crianças e inspirar a ação"

Os jovens e o voluntariado

In "Caminha2000"

A escola Ancorensis está a dinamizar ações de voluntariado no âmbito do Programa Young VolunTeam, programa educativo da Caixa Geral de Depósitos, em parceria com a Sair da Casca e a ENTRAJUDA, com a chancela da Direção-Geral da Educação do Ministério da Educação e Ciência e com o apoio do Instituto Português do Desporto e da Juventude, do Programa Juventude em Ação da Comissão Europeia e da SEA - Agência de Empreendedores Sociais.

Nesse sentido, os alunos do curso profissional Técnico de Turismo, do 10º ano, durante o primeiro período lançaram uma campanha de angariação de produtos para a criação de um enxoval para bebé, com fim de serem entregues a famílias carenciadas. Para o efeito, foram recolhidas diversas peças de roupa, brinquedos, produtos para higiene e alimentação, suficientes para a constituição de cinco enxovais. No início de janeiro foi entregue o primeiro enxoval através do centro de saúde de Vila Praia de Âncora. Estes alunos, em novembro, participaram ainda na campanha de recolha de alimentos do Banco Alimentar.

Proximamente está prevista uma ação de formação sobre voluntariado, dinamizada pelos responsáveis do projeto a nível nacional, e uma nova campanha de voluntariado junto do Canil Municipal de Caminha.

Identificados 99 casos de mutilação genital feminina

Inês Schreck, in "Jornal de Notícias"

Entre abril de 2014 e dezembro de 2015 foram registados no Serviço Nacional de Saúde (SNS) 99 casos de mutilação genital feminina. Todas estas práticas foram realizadas fora de Portugal quando as vítimas tinham em média seis anos.

A maior parte das vítimas destas práticas que atentam contra os direitos fundamentais das mulheres e põem em risco a sua saúde são da Guiné-Bissau e Guiné Conacri e todas residem na região de Lisboa e Vale do Tejo.

De acordo com um relatório da Direção- Geral da Saúde, os 99 registos foram introduzidos na Plataforma de Dados de Saúde (PDS) por profissionais que trabalham nas unidades da região de saúde de Lisboa e Vale do Tejo e observaram estas mulheres em contexto de consultas, internamento, gravidez ou puerpério.

Atualmente estas mulheres têm em média 30 anos. Contudo, a maioria sofreu a mutilação genital ainda em criança. "Em 83 casos (84% do total da amostra) a idade média em que foi realizada foi de 5,9 anos, variando entre 1 e 28 anos", refere o documento. Em cinco casos foi registada como "desconhecida" a idade da realização da prática e em 11 foi registada a idade zero.

De acordo com os registos efetuados "todas estas práticas foram realizadas fora do país e nenhuma durante a estadia da família em Portugal", acrescentam os relatores.
Mais de 50% das mulheres foram submetidas a esta prática na Guiné-Bissau, Guiné-Conacri e Senegal, países onde está descrita uma elevada prevalência da mutilação genital feminina (96% na Guiné Conacri, 50% na Guiné-Bissau e 26% no Senegal).

Números que, segundo o relatório, condizem com a distribuição das comunidades imigrantes residentes em Portugal e a prevalência estimada da mutilação genital feminina nesses países.

Em relação ao tipo de mutilação encontrada, de acordo com uma classificação da Organização Mundial de Saúde, 34% eram do tipo I (remoção parcial ou total do clítoris), 62% do tipo II (remoção parcial ou total do clítoris e dos pequenos lábios, com ou sem excisão dos grandes lábios) e 4% do tipo III (estreitamento do orifício vaginal através da criação de uma membrana selante, pelo corte e aposição dos pequenos lábios e/ou dos grandes lábios, com ou sem excisão do clítoris). Foram registadas complicações em 41 mulheres, sendo as psicológicas as que têm maior frequência de registos, seguidas das de resposta sexual e obstétricas.

Para a Organização Mundial da Saúde, a mutilação genital feminina constitui uma grave violação dos direitos fundamentais da mulher, comprometendo a sua saúde, em particular a saúde sexual e reprodutiva, o bem-estar físico e psicológico.

"Valor das custas era inibidor do acesso à justiça"

In "País ao Minuto"

Isenção de custas judiciais deveria ser alargada a todas as vítimas defende a Associação de Apoio à Vítima.

É com “satisfação” que a Associação de Apoio à Vítima (APAV) olha para a aprovação da proposta de isenção das custas judiciais a vítimas de violência doméstica.

“O valor das custas era inibidor do acesso à justiça” por parte de muitas vítimas, disse ao Notícias ao Minuto João Lázaro, que se congratula com a aprovação da proposta do Bloco de Esquerda.

Em todo o caso, o presidente da APAV nota que “falta uma política integrada” que inclua nesta medida vítimas de todo o tipo de crimes e não apenas do crime de violência doméstica.

“O ideal era que as vítimas de todos os crimes tivessem acesso garantido à justiça”, afirmou João Lázaro, acrescentando que o mesmo acesso deveria ser proporcionado a familiares de vítimas fatais de crime.

Natureza influencia o bem-estar de vítimas de violência doméstica

In "Gazeta do Rossio"

Caminhar na praia, observar aves e conhecer o Gerês foram algumas ações realizadas desde 2014 com 100 mulheres e crianças vitimadas dos distritos de Braga, Porto e Viana do Castelo.

O projeto “CarryOn” foi desenvolvido pela Unidade de Educação Ambiental da Sociedade Portuguesa de Vida Selvagem (UEA-SPVS), em parceria com a Escola de Psicologia da Universidade do Minho, a Câmara Municipal de Braga e o Grupo de Ação Social Cristã de Barcelos. O projeto decorreu ao abrigo do Programa Cidadania Ativa, financiado pelo Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu e gerido, em Portugal, pela Fundação Calouste Gulbenkian.

O seminário final do “CarryOn” abre com Ana Lúcia Silva, coordenadora do projeto e da UEA-SPVS, Firmino Marques, vice-presidente do Município de Braga, e Luís Madureira Pires, gestor do Programa Cidadania Ativa. Seguem-se as palestras das professoras Marlene Matos, da UMinho, e Ana Loureiro, da Universidade Lusófona de Lisboa. Após o almoço, Ana Lúcia Silva reflete sobre o impacto e as perspetivas futuras do “CarryOn” e, às 15h, há workshops de coaching, plantas aromáticas e medicinais, educação ambiental e ki-move/do-in (automassagem), pois o evento visa também disseminar práticas inovadoras para o bem-estar integrado das vítimas.

Ligar a ecologia a outros grupos vulneráveis

O “CarryOn” incluiu ainda formações para técnicos das entidades aderentes, reforçando a inclusão social, a capacitação individual e o bem-estar físico e psicológico. O projeto destaca-se igualmente pela forte adesão da sociedade civil no último ano. Atualmente cooperam 27 entidades, nomeadamente autarquias, comissões de proteção de menores, a Cruz Vermelha, a GNR, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima e a Caritas. Os alunos e docentes da Escola Secundária Alberto Sampaio criaram até uma peça teatral, “Bem-me-quer Mal-me-quer”, que estreia no dia 7 de abril, às 21h30, no Espaço Vita, em Braga.

Natureza influencia o bem-estar de vítimas de violência doméstica

A importância dos serviços dos ecossistemas para o bem-estar do ser humano já foi salientada em diversos estudos científicos. A SPVS, que tem sede na UMinho, desenvolveu ainda no âmbito do “CarryOn” um Manual de Boas Práticas, propondo estender a ligação da ecologia com a psicologia para outros grupos vulneráveis e para a prevenção do síndrome de burnout em profissionais sujeitos a elevados níveis de stress. O site oficial é carryon.socpvs.org.

Guimarães lidera o acolhimento de refugiados no Norte do país

In "Diário do Minho"

Guimarães quer ser «exemplar» no acolhimento a refugiados DM Guimarães é o concelho que lidera o acolhimento de refugiados na região Norte do país. O concelho já acolheu 17 pessoas, 15 adultos e duas crianças, oriundas da Síria e Eritreia.

Rui de lemos Guimarães foi das primeiras comunidades do país a disponibilizar-se, a mobilizar-se e organizar-se para acolher refugiados de guerra.

A Câmara Municipal lançou um repto a organizações e entidades e depressa construiu um plano integrado de respostas para o acolhimento de 35 pessoas com necessidade de proteção internacional. «Estamos a acolher bem, vamos ser exemplares e referência. Tenho a certeza que vamos ser referência a nível nacional», considerou o presidente do Município, Domingos Bragança.

O autarca falava, ontem, na sessão de formalização do programa “Guimarães Acolhe”, que envolve 19 instituições, disponibilizando alojamento, serviços de saúde, apoio social, apoio jurídico, processo de legalização, ensino da língua, oferta de emprego, atividades culturais e recreativas. O programa visa proporcionar condições de bem-estar e segurança a 35 pessoas com REFUGIADOS ANSEIAM POR REUNIR A FAMÍLIA As primeiras impressões recolhidas junto dos três grupos de 17 pessoas com necessidade de proteção internacional acolhidos em Guimarães evidenciam «um forte desejo de reunir a família».

Segundo a vereadora responsável pela Ação Social vimaranense, todos os grupos de refugiados começam por «evidenciar um normal cansaço», mas depressa tentam estabelecer contacto com a família que se desagregou na fuga dos cenários de guerra. «A primeira preocupação é quando é que poderemos ter connosco os restantes elementos da família», revelou Paula Oliveira. Por isso, os alojamentos vimaranenses estão equipados com redes wi-fi, tentando fornecer acesso a equipamentos de telemóvel e computadores. Percebendo o desejo de manter um contacto permanente com os familiares, os responsáveis pelo consórcio “Guimarães Acolhe” tentam viabilizar o contacto permanente dos refugiados com as suas famílias, bem como «fazer tudo o que estiver ao nosso alcance» para ajudar a viabilizar o reencontro.

Necessidade de proteção internacional.

Aquele acordo de cooperação para o Plano de Ação do Município de Guimarães para o Acolhimento de Pessoas com Necessidade de Proteção Internacional sustenta o consórcio de instituições, coordenado tecnicamente pelo Município de Guimarães, em cooperação com o Conselho Português para os Refugiados e um conjunto de instituições que integram a Rede Social de Guimarães, o qual foi denominado “Guimarães Acolhe”.
O acordo estabelece o modo de funcionamento e os compromissos assumidos pelas organizações e serviços que o subscrevem, tendo em conta os compromissos definidos pelo Estado Português e os recursos locais que foram mobilizados. Guimarães já acolheu, até ao momento, 17 pessoas, que se encontram em alojamentos cedidos pela Santa Casa da Misericórdia de Guimarães e Venerável Ordem Terceira de S. Francisco.
«Temos capacidade para garantir imediatamente o bom acolhimento de 35 pessoas, mas já temos disponibilidade de outras instituições com condições para integrar o consórcio, que aumentam esta capacidade, inicialmente projetada para até 60 pessoas», apontou Paula Oliveira, vereadora do pelouro de Ação Social.

O Município de Guimarães está empenhado em que a integração de refugiados no seu território se faça «de forma plena». «Acolher não é só disponibilizar o alojamento, mas uma rede que se construiu, com IPSS, organismos como o Centro de Emprego, Agrupamento de Centros de Saúde, e outras estruturas informais da comunidade para que este acolhimento seja pleno e efetivo», valorizou Paula Oliveira, revelando que todos grupos acolhidos já têm médico de família, aulas de ensino de português e até duas ofertas de emprego.
O propósito é que todos os que sejam acolhidos em Guimarães com necessidade de proteção internacional, durante os próximos dois anos, «se sintam plenamente vimaranenses como nós». Neste momento, existe disponibilidade para mais alojamento de refugiados no Lar de Santa Estefânia, Centro Juvenil de S. José e Associação de Apoio à Criança.

Segundo o presidente da Câmara de Guimarães todo aquele plano surge da necessidade de «reação à desumanização» porque estão a passar milhares de pessoas que «fogem ao drama da guerra».

As ambiguidades e reticências da Declaração dos Direitos Humanos

In "Diário de Viseu"

Em muitos pontos importantes a Declaração limita-se a remeter para a “leis” que cada Estado emanará para pôr disciplina em assuntos que não foram devidamente tratados no texto internacional.

Deste ponto de vista, o Artigo 29 (artigo de extrema importância porque indica quais são as limitações dos Direitos Humanos), é o que mais deixa transparecer dúvidas quanto ao seu conteúdo. Ao referir quais as limitações afirma que estas devem estar “determinadas pela lei” e logo a seguir fala da “moral”, e da “ordem pública”, “do bem-estar geral da sociedade democrática”, etc. É evidente que se trata de conceitos muito vagos, que só poderão ser definidos concretamente pelas leis nacionais: desta forma será a legislação de cada Estado a tomar a última decisão.
Mas mais perigosas do que as ambiguidades são as frases genéricas existentes na Declaração.

No Artigo 28º, por exemplo, é enunciado um direito de forma bastante obscura, «toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efetivos os direitos e as liberdades enunciadas na presente Declaração». Mas, como deverá ser a “ordem social” propícia ao cumprimento dos Direitos Humanos? O que se entende por “ordem internacional”? E sobretudo, em que condições poderá favorecer a referida ”ordem” na observância dos Direitos Humanos? Como estas existem muitas outras perguntas em relação às dúvidas suscitadas pelo vocabulário utilizado, que para além das dúvidas permite que muitos Estados continuem a exercer violações dos Direitos mais essenciais do ser humano sem que nada possa desenvolvido contra eles.

A Declaração é um documento cada vez mais imprescindível na nossa sociedade, contudo muitos são aqueles que lutam pelo “reajuste” de certos pormenores que podem ter uma influência vital na vida de milhões de pessoas.

A proteção dos Direitos Humanos não se consegue num único dia, nem num ano: requer um lapso de tempo alargado. Os Direitos Humanos atuam lentamente e mediante a contribuição de milhares de pessoas, de organizações não-governamentais e dos Estados. Trata-se de um processo que não é linear, e que é constantemente interrompido por recaída, regresso à barbárie, regressões e largos silêncios.
Esta necessidade de tempo prolongado não deve, no entanto, surpreender-nos. Porque tal como a religião, os Direitos Humanos necessitam de muitos anos para se expandirem, ”tropeçam” em obstáculos, mas acabam sempre por dominar a mente e condicionar o comportamento dos homens e até mesmo os Estados. É uma luta que necessita de um grande exército. Um exército constituído por povos, pessoas que intervenham de inúmeras maneiras, em diversos níveis, com uma paciente ação quotidiana. Todos devemos querer fazer parte desse exército...
| Vítor Santos Técnico Superior do Instituto Politécnico de Viseu As ambiguidades e reticências da Declaração dos Direitos Humanos

Amnistia Internacional promove vigília em Leiria

In "Diário de Leiria"

O Grupo Local da Amnistia Internacional de Leiria vai estar presente no Leira Film Fest, no próximo sábado, às 14h00. No dia anterior, à noite, promoverá uma vigília de apelo aos governantes europeus para uma resposta à crise humanitária de refugiados na Europa.

BPI apoia projetos sociais com 1,5 milhões

In "Vida Económica"

O BPI apresentou as edições de 2016 dos prémios BPI Seniores, BPI Solidário e BPI Capacitar.

Lançados no âmbito da política de responsabilidade social do banco, estes prémios visam apoiar projetos que promovam a melhoria da. qualidade de vida das pessoas que mais precisam.

Os três prémios têm um orçamento conjunto de 1,5 milhões de euros para 2016. Desde 2010, o BPI já doou, nas 6 edições do Prémio BPI Capacitar e nas três edições do Prémio BPI Seniores, 4,9 milhões de curas e apoiou 182 projetos que visam a melhoria de qualidade de vida de quem mais precisa. Regulamentos, formulários e diversos elementos informativos de apoio às candidaturas da edição 2016 dos prémios BPI estão disponíveis em www.bancobpipt.

Podem candidatar-se todas as instituições privadas sem fins lucrativos, com sede em Portugal, " que apresentem projetos sólidos e inovadores em cada uma das áreas de intervenção dos prémios", de acordo com o banco. Cada instituição só pode candidatar-se a um dos prémios BPI.
BPI Solidário em estreia O BPI Solidário, que tem este ano a primeira edição, tem como meta apoiar projetos que promovam a melhoria das condições de vida de pessoas que se encontrem em situação de pobreza e exclusão social. O valor total dos donativos a atribuir será no mínimo de 500 mil caros, a distribuir por prémios até 100 mil curas, podendo existir um primeiro prémio até 200 mil Curas. O prazo de candidatura é 2 a 29 de maio.
Ern quarta edição, o prémio BPI Seniores visa apoiar projetos que visem a melhoria da qualidade de vida e o envelhecimento ativo de pessoas com idade superior a 65 anos. O valor total dos donativos a atribuir será no mínimo de 500 mil curas, com um primeiro prémio cujo montante poderá ir até 200 mil euros e menções honrosas até 50 mil euros cada.

O prazo de candidatura é de 1 de abril até 1 de maio.

Por fim, o BPI Capacitar, que vai já na sétima edição, tem como objetivo apoiar projetos que visem a melhoria da qualidade de vida e a inclusão social de pessoas com deficiência ou incapacidade permanente. O valor total dos donativos a atribuir será no mínimo de 500 mil euros, com um primeiro prémio cujo montante poderá ir até 200 mil curas e menções honrosas aré 50 mil curas cada. As candidaturas estão abertas de 1 a 31 de julho.