Andreia Sanches, in Público on-line
Relatório de 2015 da APAV é divulgado nesta terça-feira. Mostra que, por dia, quase três pessoas com 65 ou mais anos, três crianças e jovens e 14 mulheres são vítimas de crime ou de outra forma de violência.
Não é um fenómeno novo, mas no ano passado a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) lidou com mais casos de pessoas que tinham sido — ou eram ainda — alvo de alguma forma de agressão por parte dos filhos: 819, ou seja, mais de duas vítimas por dia.
Aliás, se tivermos em conta todas as relações de consanguinidade (avós, filhos, netos, pais/mães, irmãs/irmãos e outros familiares próximos), contabilizam-se perto de 2300 casos. É qualquer coisa como um quarto de todos os acompanhados pela associação, lê-se no relatório anual da APAV, referente a 2015, que será divulgado nesta terça-feira.
A face mais visível do trabalho da APAV é a violência conjugal — e percebe-se porquê: a violência nas chamadas “relações de intimidade” (envolvendo companheiros, maridos e mulheres, ex-maridos e ex-mulheres, namorados, actuais e antigos) representou 58,4% das situações com as quais a associação lidou. Mas também há cada vez mais relatos em que os filhos são apontados como agressores: 687 em 2013; 706 em 2014 e, como já se viu, 819 em 2015. Aliás, as situações em que os pais são agressores (1104) baixaram ligeiramente (7%), enquanto o número de agressores filhos subiu (16%).
João Lázaro, da direcção da APAV, admite que o grande factor que explica isto é a crescente sensibilização das pessoas — as campanhas a alertar para a violência contra os mais velhos, nomeadamente por parte de filhos e outros parentes próximos, estarão a surtir algum efeito e há mais gente a procurar apoio.
Bullying sobe 45%
Todos os anos, a APAV — uma instituição particular de solidariedade social, sem fins lucrativos — faz um relatório com o balanço da sua actividade, que se centra muito, mas não só, no apoio directo a quem é vítima de qualquer tipo de crime. Os números globais de 2015 são estes: foram apoiadas 9612 vítimas directas e contabilizados um total de 23.326 crimes (uma vítima pode ser ou ter sido alvo de vários crimes) ou outras formas de violência (o bullying, por exemplo, não está tipificado enquanto crime, mas é uma forma de violência).
Algumas médias calculadas no relatório: por dia, quase três pessoas com 65 ou mais anos, três crianças e jovens e mais de 14 mulheres, entre os 18 e os 64 anos, são vítimas de crime ou outra forma de violência. Isto tendo em conta apenas o número das que procuraram apoio na associação. Homens, são uma média de 2,1 por dia.
“De 2013 para 2015, registou-se um aumento superior a 8% no número de processos, crimes e outras formas de violência e vítimas”, prossegue o documento.
Alguns tipos de violência ganharam terreno: a chamada violência doméstica, de longe a mais frequente, subiu 10,6%, num ano. São quase 19 mil os crimes contabilizados. Os casos de stalking (445) subiram 30,5% — as vítimas de "assédio persistente", o termo português mais comum para stalking, são em geral mulheres, têm à volta dos 40 anos e um diploma superior. E os relatos de bullying (134) cresceram ainda mais: 46%. O perfil da vítima de bullying desenhado pela APAV é este: uma idade média de 18 anos, com predomínio das raparigas (52% dos casos), que apontam um colega de escola (em 60% dos casos) como autor das agressões.
Já os crimes de violação baixaram 38% (de 139 para 86) e os de abuso sexual de crianças sofreram pouca oscilação (de 106 para 102).
Relações gay
O relatório de 2015 contém algumas novidades. Uma delas é traçar, pela primeira vez, o perfil das vítimas de violência doméstica em casais de pessoas do mesmo sexo. A APAV atendeu 131 casos deste tipo — 57 vítimas-homens e 74 vítimas-mulheres.
O perfil dos homens que foram vítimas numa relação gay e que recorreram à associação é este: tem, em média, 46 anos (é um pouco mais jovem do que os 388 homens-vítimas em relações heterossexuais); em 36% dos casos tem o ensino superior; em 41% dos casos é casado ou vive em união de facto e uma minoria (38%) está inserido numa família nuclear com filhos (o que não se passa nas relações heterossexuais, onde a maioria relata viver em agregados com filhos).
Quanto à mulher que é vítima numa relação gay tem, em média, 44 anos (um pouco mais velha do que a média das mulheres-vítimas em relações heterossexuais), em 52% dos casos é casada, seis em cada dez estão inseridas num agregado com filhos, 42% têm o ensino superior.
“A violência assume formas muito diversas e tem actores muito diversos”, explica João Lázaro. Os perfis das vítimas mostram isso mesmo. Atente-se, ainda, a mais dois tipos de vítimas muito distintos: as crianças acompanhadas são em geral do sexo feminino (54,6%) e têm uma idade média de 9,9 anos; os idosos são também, na sua maioria (80,5%), mulheres, têm em média 75,4 anos e quase sempre (mais de 90%) estão reformados.
Muitas vítimas contactam a APAV apenas uma vez, para pedir informações. O telefone é escolhido em 60% dos casos (a linha de apoio 116 006 funciona gratuitamente das 9h da manhã às sete da tarde). Mas muitas são acompanhadas ao longo do tempo (ver texto "O caso mais antigo que Maria acompanha é de um miúdo com 13 anos"), nomeadamente para receber o apoio de um psicólogo habilitado. A associação fez um total de 34.372 atendimentos em 2015.
De resto, na maior parte das vezes o que as pessoas têm para relatar são casos de violência continuada (75%). E, no entanto, apenas 39% das vítimas declararam ter apresentado queixa às autoridades — uma percentagem que se mantém baixa, tal como no ano passado.
6.4.16
Portugal: Rede Europeia Anti-Pobreza lança campanha de sensibilização sobre Comunidades Ciganas
In "Agência Ecclesia"
«A Discriminação é Falta de Educação» é o lema da iniciativa
Porto, 06 abr 2016 (Ecclesia) - A Rede Anti Pobreza (EAPN) em Portugal acaba de lançar uma campanha nacional de sensibilização sobre as Comunidades Ciganas, contra a “discriminação”.
“Preconceitos e estereótipos dominam pensamentos e atitudes e, por isso, a evidência de que há ainda muito por fazer relativamente aos ciganos, esse povo cujo Dia Mundial se celebra a 8 de abril”, refere uma nota da organização, enviada à Agência ECCLESIA.
A campanha ‘A Discriminação é Falta de Educação’, lançada esta terça-feira no Porto, visa chamar a atenção para as “iniquidades” de que as comunidades ciganas são alvo.
“Estamos conscientes de que as atitudes, os comportamentos e as próprias representações sociais resultam de um conjunto de mensagens e informações, geralmente distorcidas da realidade, fundadas em experiências de situações negativas vividas por alguns cidadãos e que se converteram em generalizações”, explica Maria José Vicente, socióloga da EAPN Portugal e coautora, com Sérgio Aires, sociólogo e fotógrafo, do livro ‘O Singular do Plural’ que será apresentado no âmbito desta iniciativa.
A campanha assenta em sete mensagens emitidas por sete cidadãos de etnia cigana que trabalham ou estudam, com o intuito de “quebrar mitos e representações negativas”.
A segunda fase da campanha vai ser apresentada entre 16 e 20 de maio, no Porto, e contempla o lançamento do livro e da respetiva exposição fotográfica ‘O Singular do Plural’.
«A Discriminação é Falta de Educação» é o lema da iniciativa
Porto, 06 abr 2016 (Ecclesia) - A Rede Anti Pobreza (EAPN) em Portugal acaba de lançar uma campanha nacional de sensibilização sobre as Comunidades Ciganas, contra a “discriminação”.
“Preconceitos e estereótipos dominam pensamentos e atitudes e, por isso, a evidência de que há ainda muito por fazer relativamente aos ciganos, esse povo cujo Dia Mundial se celebra a 8 de abril”, refere uma nota da organização, enviada à Agência ECCLESIA.
A campanha ‘A Discriminação é Falta de Educação’, lançada esta terça-feira no Porto, visa chamar a atenção para as “iniquidades” de que as comunidades ciganas são alvo.
“Estamos conscientes de que as atitudes, os comportamentos e as próprias representações sociais resultam de um conjunto de mensagens e informações, geralmente distorcidas da realidade, fundadas em experiências de situações negativas vividas por alguns cidadãos e que se converteram em generalizações”, explica Maria José Vicente, socióloga da EAPN Portugal e coautora, com Sérgio Aires, sociólogo e fotógrafo, do livro ‘O Singular do Plural’ que será apresentado no âmbito desta iniciativa.
A campanha assenta em sete mensagens emitidas por sete cidadãos de etnia cigana que trabalham ou estudam, com o intuito de “quebrar mitos e representações negativas”.
A segunda fase da campanha vai ser apresentada entre 16 e 20 de maio, no Porto, e contempla o lançamento do livro e da respetiva exposição fotográfica ‘O Singular do Plural’.
Arrancou hoje a Quinzena da Saúde, da Solidariedade e do Voluntariado
In "Distrito Online"
Teve início hoje, dia 5 de abril, a Quinzena da Saúde, da Solidariedade e do Voluntariado. Na abertura do evento, a Vereadora Regina Janeiro salientou que o programa é construído com 21 parceiros. “A Câmara Municipal do Barreiro é a agregadora das diferentes visões dos parceiros”, referiu a Vereadora, salientando a opção da Autarquia em “construir com todos”.
De modo a abranger o Dia Mundial da Saúde, a 7 de abril, a Quinzena é realizada neste mês e pretende chamar a atenção da sociedade para temas como “a prevenção da doença e a promoção do bem-estar”, salientou Regina Janeiro.
Entre as inúmeras atividades que compõem o programa da Quinzena, a Vereadora alertou para as iniciativas que visam a entrega de produtos de higiene, por parte da população, a instituições de solidariedade social do Concelho e informou sobre a Reunião do Observatório Municipal da Saúde, no dia 14, aberta à população, e o Concerto Solidário com a participação da Banda do MotoClube e Banda Entretantos, no dia 15, no Centro de Produção e Participação Artística (antiga Escola Conde Ferreira).
Foram várias as iniciativas destacadas pelos parceiros presentes na abertura da Quinzena, designadamente as atividades desenvolvidas pelo Cri da Península de Setúbal, Associação Mellitus Criança, Associação Vem Vencer, Bombeiros Voluntários Sul e Sueste e Associação de Mulheres com Patologia Mamária.
Teve início hoje, dia 5 de abril, a Quinzena da Saúde, da Solidariedade e do Voluntariado. Na abertura do evento, a Vereadora Regina Janeiro salientou que o programa é construído com 21 parceiros. “A Câmara Municipal do Barreiro é a agregadora das diferentes visões dos parceiros”, referiu a Vereadora, salientando a opção da Autarquia em “construir com todos”.
De modo a abranger o Dia Mundial da Saúde, a 7 de abril, a Quinzena é realizada neste mês e pretende chamar a atenção da sociedade para temas como “a prevenção da doença e a promoção do bem-estar”, salientou Regina Janeiro.
Entre as inúmeras atividades que compõem o programa da Quinzena, a Vereadora alertou para as iniciativas que visam a entrega de produtos de higiene, por parte da população, a instituições de solidariedade social do Concelho e informou sobre a Reunião do Observatório Municipal da Saúde, no dia 14, aberta à população, e o Concerto Solidário com a participação da Banda do MotoClube e Banda Entretantos, no dia 15, no Centro de Produção e Participação Artística (antiga Escola Conde Ferreira).
Foram várias as iniciativas destacadas pelos parceiros presentes na abertura da Quinzena, designadamente as atividades desenvolvidas pelo Cri da Península de Setúbal, Associação Mellitus Criança, Associação Vem Vencer, Bombeiros Voluntários Sul e Sueste e Associação de Mulheres com Patologia Mamária.
Rede Anti-Pobreza lança campanha nacional contra discriminação de ciganos
in Público on-line
Sete pessoas dão a cara em cartazes e num vídeo para mostrar que "a discriminação é falta de educação".
Combater a discriminação de que as comunidades ciganas são alvo é o objectivo da campanha nacional lançada nesta terça-feira pela Rede Europeia Anti-Pobreza, em que sete pessoas dão a cara para mostrar que "a discriminação é falta de educação".
"Terem nascido ciganos não significa uma condenação à pobreza. O facto de pertencerem a este grupo étnico não lhes impediu o acesso à educação", explica Sandra Faria Araújo, directora executiva da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza.
A associação de solidariedade sociedade social preparou um vídeo e cartazes com sete ciganos que decidiram dar o rosto pela campanha e mostrar que, tal como defende o tema da campanha, "a discriminação é falta de educação".
Em pouco mais de um minuto, o vídeo de Miguel Januário, com as fotografias de Sérgio Aires, mostra, entre outros, que o cigano Bruno Oliveira é assistente operacional hospitalar, a cigana Maria Gil é actriz, o cigano Carlos Miguel é secretário de Estado e a cigana Damaris Maia é estudante de bioquímica.
"A campanha assenta em sete mensagens emitidas por sete cidadãos de etnia cigana que trabalham ou estudam também com o intuito de quebrar mitos e representações negativas", explica a associação em comunicado.
São sete rostos e sete vidas para "desconstruir uma reputação negativa", acrescentou a responsável, lembrando que, "nos dias de hoje, ainda subsistem muitos comportamentos negativos" em relação à comunidade cigana.
"É conhecido que as comunidades ciganas têm sido alvo de discriminação e preconceito. São comunidades atingidas pela pobreza e a exclusão social", destacou a dirigente, assinalando como "ainda existe grande marginalização".
A comemorar os seus 25 anos de existência, a EAPN/Portugal mantém "uma preocupação na inclusão de comunidades ciganas na sociedade portuguesa" e, este ano, decidiu lançar uma campanha contra a discriminação.
Além do vídeo, disponível na página de internet da EAPN, a organização não-governamental quer que, a partir de dia 8, Dia Internacional do Cigano, os cartazes preparados estejam disponíveis na sua rede de parceiros nacionais, autarquias e escolas "para uma ampla difusão da campanha".
A segunda fase da campanha será apresentada entre 16 e 20 de Maio, no Porto, e contempla o lançamento do livro e da respectiva exposição fotográfica, denominados O Singular do Plural, com o testemunho de 20 pessoas de etnia cigana.
Sete pessoas dão a cara em cartazes e num vídeo para mostrar que "a discriminação é falta de educação".
Combater a discriminação de que as comunidades ciganas são alvo é o objectivo da campanha nacional lançada nesta terça-feira pela Rede Europeia Anti-Pobreza, em que sete pessoas dão a cara para mostrar que "a discriminação é falta de educação".
"Terem nascido ciganos não significa uma condenação à pobreza. O facto de pertencerem a este grupo étnico não lhes impediu o acesso à educação", explica Sandra Faria Araújo, directora executiva da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza.
A associação de solidariedade sociedade social preparou um vídeo e cartazes com sete ciganos que decidiram dar o rosto pela campanha e mostrar que, tal como defende o tema da campanha, "a discriminação é falta de educação".
Em pouco mais de um minuto, o vídeo de Miguel Januário, com as fotografias de Sérgio Aires, mostra, entre outros, que o cigano Bruno Oliveira é assistente operacional hospitalar, a cigana Maria Gil é actriz, o cigano Carlos Miguel é secretário de Estado e a cigana Damaris Maia é estudante de bioquímica.
"A campanha assenta em sete mensagens emitidas por sete cidadãos de etnia cigana que trabalham ou estudam também com o intuito de quebrar mitos e representações negativas", explica a associação em comunicado.
São sete rostos e sete vidas para "desconstruir uma reputação negativa", acrescentou a responsável, lembrando que, "nos dias de hoje, ainda subsistem muitos comportamentos negativos" em relação à comunidade cigana.
"É conhecido que as comunidades ciganas têm sido alvo de discriminação e preconceito. São comunidades atingidas pela pobreza e a exclusão social", destacou a dirigente, assinalando como "ainda existe grande marginalização".
A comemorar os seus 25 anos de existência, a EAPN/Portugal mantém "uma preocupação na inclusão de comunidades ciganas na sociedade portuguesa" e, este ano, decidiu lançar uma campanha contra a discriminação.
Além do vídeo, disponível na página de internet da EAPN, a organização não-governamental quer que, a partir de dia 8, Dia Internacional do Cigano, os cartazes preparados estejam disponíveis na sua rede de parceiros nacionais, autarquias e escolas "para uma ampla difusão da campanha".
A segunda fase da campanha será apresentada entre 16 e 20 de Maio, no Porto, e contempla o lançamento do livro e da respectiva exposição fotográfica, denominados O Singular do Plural, com o testemunho de 20 pessoas de etnia cigana.
Desigualdade e pobreza em debate
In "Diário de Aveiro"
A INCLU-RIA - Associação Humanitária de Esgueira, no âmbito do seu plano de acção, promove mais um debate, para o qual convida “toda a população”, conforme se pode ler numa nota da entidade. “Desigualdade, pobreza e políticas públicas” é o título do debate, que terá João Amaral, técnico superior de reinserção social como moderador, contando ainda com a presença de Rosário Gama, presidente da APRE - Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados, e de Acácio Conde, Coordenador do Núcleo português da EAPN [Rede Europeia AntiPobreza]. Esta iniciativa decorrerá no próximo sábado, no Auditório da Biblioteca de Aveiro, a partir das 15 horas, tendo entrada livre.
A INCLU-RIA - Associação Humanitária de Esgueira, no âmbito do seu plano de acção, promove mais um debate, para o qual convida “toda a população”, conforme se pode ler numa nota da entidade. “Desigualdade, pobreza e políticas públicas” é o título do debate, que terá João Amaral, técnico superior de reinserção social como moderador, contando ainda com a presença de Rosário Gama, presidente da APRE - Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados, e de Acácio Conde, Coordenador do Núcleo português da EAPN [Rede Europeia AntiPobreza]. Esta iniciativa decorrerá no próximo sábado, no Auditório da Biblioteca de Aveiro, a partir das 15 horas, tendo entrada livre.
10% da despesa militar mundial chegaria para acabar com a fome e a pobreza
In "Renascença"
Despesa militar subiu para quase 1.7 biliões de dólares no ano passado, com os Estados Unidos a liderarem nos gastos.
A despesa militar mundial subiu 1% em 2015, na primeira subida anual em quatro anos, disse esta terça-feira um “think tank” sueco, que conclui que 10% deste valor chegaria para cobrir custos das iniciativas globais para a erradicação da fome e da pobreza em 15 anos.
O Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI, na sigla em inglês) afirma que a despesa militar subiu para quase 1,47 mil milhões de euros, com os Estados Unidos a liderarem nos gastos apesar de a despesa norte-americana ter descido 2,4% para os 522,7 mil milhões de euros.
Em segundo lugar na lista dos países com maiores despesas militares aparece a China, com gastos a subir 7,4% para 188,6 mil milhões de euros, seguida da Arábia Saudita, cujos gastos de 76,5 mil milhões representam um aumento de 5,7%.
A Rússia, em quarto lugar, aumentou os seus gastos militares em 7,5%, para os 58,2 mil milhões de euros.
Encerram a lista dos 15 maiores investidores o Reino Unido, Índia, França, Japão, Alemanha, Coreia do Sul, Brasil, Itália, Austrália, Emirados Árabes Unidos e Israel.
Também em África, os gastos militares caíram 5,3% em 2015, depois de 11 anos de aumento crescente, uma inversão que se deveu principalmente à redução das despesas militares em Angola, o maior investidor da região subsariana.
Na América Latina e Caraíbas, as despesas miliares caíram 2,9%, por efeito principalmente de cortes nos gastos por parte do Brasil e Venezuela, que enfrentam crises económicas expressivas em resultado da queda dos preços do petróleo.
Segundo o instituto sueco, a despesa militar mundial chegou a 2,3% do PIB mundial, sendo que 10% deste valor chegaria para financiar os objectivos globais para acabar com a fome e a pobreza estabelecidos pelos 193 Estados-membros da Nações Unidas.
“Isto dá-nos uma certa perspectiva, que permite às pessoas verem qual é o custo de oportunidade dos gastos mundiais em despesa militar”, disse à Thomson Reuters o director do projecto da SIPRI, Sam Perlo-Freeman.
Despesa militar subiu para quase 1.7 biliões de dólares no ano passado, com os Estados Unidos a liderarem nos gastos.
A despesa militar mundial subiu 1% em 2015, na primeira subida anual em quatro anos, disse esta terça-feira um “think tank” sueco, que conclui que 10% deste valor chegaria para cobrir custos das iniciativas globais para a erradicação da fome e da pobreza em 15 anos.
O Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI, na sigla em inglês) afirma que a despesa militar subiu para quase 1,47 mil milhões de euros, com os Estados Unidos a liderarem nos gastos apesar de a despesa norte-americana ter descido 2,4% para os 522,7 mil milhões de euros.
Em segundo lugar na lista dos países com maiores despesas militares aparece a China, com gastos a subir 7,4% para 188,6 mil milhões de euros, seguida da Arábia Saudita, cujos gastos de 76,5 mil milhões representam um aumento de 5,7%.
A Rússia, em quarto lugar, aumentou os seus gastos militares em 7,5%, para os 58,2 mil milhões de euros.
Encerram a lista dos 15 maiores investidores o Reino Unido, Índia, França, Japão, Alemanha, Coreia do Sul, Brasil, Itália, Austrália, Emirados Árabes Unidos e Israel.
Também em África, os gastos militares caíram 5,3% em 2015, depois de 11 anos de aumento crescente, uma inversão que se deveu principalmente à redução das despesas militares em Angola, o maior investidor da região subsariana.
Na América Latina e Caraíbas, as despesas miliares caíram 2,9%, por efeito principalmente de cortes nos gastos por parte do Brasil e Venezuela, que enfrentam crises económicas expressivas em resultado da queda dos preços do petróleo.
Segundo o instituto sueco, a despesa militar mundial chegou a 2,3% do PIB mundial, sendo que 10% deste valor chegaria para financiar os objectivos globais para acabar com a fome e a pobreza estabelecidos pelos 193 Estados-membros da Nações Unidas.
“Isto dá-nos uma certa perspectiva, que permite às pessoas verem qual é o custo de oportunidade dos gastos mundiais em despesa militar”, disse à Thomson Reuters o director do projecto da SIPRI, Sam Perlo-Freeman.
União das Misericórdias alerta: Lares não estão preparados para cuidar de pessoas com demência
In "Renascença"
Nove em cada dez idosos têm alterações cognitivas que sugerem demência, segundo um estudo integrado no projecto VIDAS - Valorização e Inovação em Demências.
Os lares não estão preparados para cuidar das pessoas com demência, denunciou o responsável da União das Misericórdias pela área da saúde, que defende uma mudança de paradigma com mais formação, mudanças arquitectónicas e apoio domiciliário mais forte.
O psiquiatra Manuel Caldas de Almeida apontou que o envelhecimento da população é um facto, do qual decorre que algumas pessoas tenham demência e outras grandes dependências físicas.
Um estudo da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), integrado no projecto VIDAS - Valorização e Inovação em Demências, concluiu que 90% dos idosos nos lares tem alterações cognitivas que sugerem demência, sendo que dentro deste grupo, 78% tem efectivamente demência.
O estudo, que demorou cerca de dois anos, envolveu 1.503 idosos de 23 instituições, avaliados por psicólogos e neurologistas para detectarem a existência de demências e o seu grau.
Caldas de Almeida enfatizou que não é o facto de um idoso estar num lar que provoca demência, já que se trata de uma doença crónica, mas apontou que a evolução da doença e a velocidade a que ela se faz "pode ter a ver com ambientes estimulantes".
"Se nós tivermos lares em que as pessoas não são trabalhadas, não têm ambientes estimulantes, em que não há actividades lúdicas, actividades de estimulação, então as pessoas que têm demência podem parecer estar numa fase mais avançada, podem ficar mais lentificadas, mais tristes, podem ficar com a demência mais avançada", apontou o psiquiatra à agência Lusa.
Nesse sentido, defendeu uma aposta em ambientes estimulantes, com neuropsicologia adaptada e onde haja profissionais competentes para que as pessoas com demência tenham melhor qualidade de vida e a doença evolua mais lentamente.
Mudar o paradigma
Sustentou, por isso, que "é urgente" mudar o paradigma dos lares, apostando num apoio domiciliário "mais forte", ao mesmo tempo que se fazem mudanças arquitectónicas nas instituições que acolhem estas pessoas.
Segundo Caldas de Almeida, são duas as prioridades: renovar tecnicamente os lares para ficarem adaptados às pessoas com demência e apostar na formação.
"Sabe-se que profissionais qualificados, profissionais com competência relacional para tratar as pessoas com demência, previnem em 90% as reacções secundárias, que são a agitação e a agressividade, as alucinações", apontou.
Acrescentou que é possível, sem medicamentos, melhorar muito a qualidade de vida destas pessoas se, quem estiver com elas, souber estar, o que faz com que a formação seja uma "arma fundamental".
"Se não fizermos isto, há muita gente a sofrer em Portugal porque estamos a prestar cuidados inadequados", apontou Caldas de Almeida.
Admitiu, por outro lado, que há uma percentagem muito elevada de pessoas com demência em fase inicial a quem não é reconhecida a doença e explicou que isso acontece não só porque quem as acompanha não está alerta para os sinais iniciais, mas também porque as pessoas com demência tentam esconder os seus problemas.
O responsável referiu que no decorrer do projecto VIDAS foi dada formação a 480 pessoas, durante mais ou menos um ano, entre auxiliares, médicos, terapeutas e dirigentes, vindos de 23 instituições.
Além disso, foi também feito um trabalho de levantamento das necessidades arquitectónicas e a conclusão foi a de que só uma das 23 instituições não era adaptável às necessidades das pessoas com demência.
Nove em cada dez idosos têm alterações cognitivas que sugerem demência, segundo um estudo integrado no projecto VIDAS - Valorização e Inovação em Demências.
Os lares não estão preparados para cuidar das pessoas com demência, denunciou o responsável da União das Misericórdias pela área da saúde, que defende uma mudança de paradigma com mais formação, mudanças arquitectónicas e apoio domiciliário mais forte.
O psiquiatra Manuel Caldas de Almeida apontou que o envelhecimento da população é um facto, do qual decorre que algumas pessoas tenham demência e outras grandes dependências físicas.
Um estudo da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), integrado no projecto VIDAS - Valorização e Inovação em Demências, concluiu que 90% dos idosos nos lares tem alterações cognitivas que sugerem demência, sendo que dentro deste grupo, 78% tem efectivamente demência.
O estudo, que demorou cerca de dois anos, envolveu 1.503 idosos de 23 instituições, avaliados por psicólogos e neurologistas para detectarem a existência de demências e o seu grau.
Caldas de Almeida enfatizou que não é o facto de um idoso estar num lar que provoca demência, já que se trata de uma doença crónica, mas apontou que a evolução da doença e a velocidade a que ela se faz "pode ter a ver com ambientes estimulantes".
"Se nós tivermos lares em que as pessoas não são trabalhadas, não têm ambientes estimulantes, em que não há actividades lúdicas, actividades de estimulação, então as pessoas que têm demência podem parecer estar numa fase mais avançada, podem ficar mais lentificadas, mais tristes, podem ficar com a demência mais avançada", apontou o psiquiatra à agência Lusa.
Nesse sentido, defendeu uma aposta em ambientes estimulantes, com neuropsicologia adaptada e onde haja profissionais competentes para que as pessoas com demência tenham melhor qualidade de vida e a doença evolua mais lentamente.
Mudar o paradigma
Sustentou, por isso, que "é urgente" mudar o paradigma dos lares, apostando num apoio domiciliário "mais forte", ao mesmo tempo que se fazem mudanças arquitectónicas nas instituições que acolhem estas pessoas.
Segundo Caldas de Almeida, são duas as prioridades: renovar tecnicamente os lares para ficarem adaptados às pessoas com demência e apostar na formação.
"Sabe-se que profissionais qualificados, profissionais com competência relacional para tratar as pessoas com demência, previnem em 90% as reacções secundárias, que são a agitação e a agressividade, as alucinações", apontou.
Acrescentou que é possível, sem medicamentos, melhorar muito a qualidade de vida destas pessoas se, quem estiver com elas, souber estar, o que faz com que a formação seja uma "arma fundamental".
"Se não fizermos isto, há muita gente a sofrer em Portugal porque estamos a prestar cuidados inadequados", apontou Caldas de Almeida.
Admitiu, por outro lado, que há uma percentagem muito elevada de pessoas com demência em fase inicial a quem não é reconhecida a doença e explicou que isso acontece não só porque quem as acompanha não está alerta para os sinais iniciais, mas também porque as pessoas com demência tentam esconder os seus problemas.
O responsável referiu que no decorrer do projecto VIDAS foi dada formação a 480 pessoas, durante mais ou menos um ano, entre auxiliares, médicos, terapeutas e dirigentes, vindos de 23 instituições.
Além disso, foi também feito um trabalho de levantamento das necessidades arquitectónicas e a conclusão foi a de que só uma das 23 instituições não era adaptável às necessidades das pessoas com demência.
Rede Anti-Pobreza lança campanha contra discriminação
In "Público"
Combater a discriminação de que as comunidades ciganas são alvo é o objectivo de uma nova campanha nacional lançada pela Rede Europeia Anti-Pobreza, em que sete pessoas dão a cara num vídeo e em cartazes para mostrar que “a discriminação é falta de educação”. Além do vídeo, disponível no site da associação, os cartazes serão distribuídos em escolas e autarquias.
Combater a discriminação de que as comunidades ciganas são alvo é o objectivo de uma nova campanha nacional lançada pela Rede Europeia Anti-Pobreza, em que sete pessoas dão a cara num vídeo e em cartazes para mostrar que “a discriminação é falta de educação”. Além do vídeo, disponível no site da associação, os cartazes serão distribuídos em escolas e autarquias.
Rede Anti-Pobreza defende ciganos
In "Jornal de Notícias"
Rede Europeia Anti-Pobreza lançou ontem uma campanha que visa combater a discriminação de que a comunidade cigana é alvo. Na campanha, sete pessoas da etnia cigana, que trabalham ou estudam, dão a cara para garantir que “a discriminação é falta de educação”. Esperam assim ajudar a quebrar mitos e representações negativas.
A campanha é composta por um vídeo e cartazes. Em pouco mais de um minuto, o video de Miguel lanuárlo e as fotografias de Sérgio Aires mostram, entre outros, que Bruno Oliveira é assistente operacional hospitalar, Maria Gil é atriz. Carlos Miguel é secretário de Estado e Damaris Maia é estudante de Bioquímica. São sete rostos e sete vidas para “desconstruir urna reputação negativa”, disse à Lusa Sandra Faria Araújo, diretora-executiva da Rede Europeia Anti-Pobreza, lembrando que, “nos dias de hoje, ainda subsistem muitos comportamentos negativos” em relação à comunidade cigana.
Além do video, disponível na página de Internet da organização, a partir de dia 8. Dia Internacional do Cigano, os cartazes devem estar disponíveis na sua rede de parceiros nacionais, autarquias e escolas. A segunda fase da campanha será apresentada entre 16 e 20 de maio, no Porto, e passa pelo lançamento do livro e da respectiva exposição fotográfica, denominado “O singular do plural”, com o testemunho de 20 pessoas de etnia cigana.
Sandra Faria Aradjo lamenta a “discriminação e preconceito” de que a comunidade cigana é alvo, o que faz com que seja atingida pela pobreza e exclusão social. Mas a campanha quer mostrar outra face da realidade. Para estas sete pessoas, o facto de “terem nascido ciganos não significa uma condenação à pobreza nem “lhes impediu o acesso à edticação”, explicou a responsável.
Rede Europeia Anti-Pobreza lançou ontem uma campanha que visa combater a discriminação de que a comunidade cigana é alvo. Na campanha, sete pessoas da etnia cigana, que trabalham ou estudam, dão a cara para garantir que “a discriminação é falta de educação”. Esperam assim ajudar a quebrar mitos e representações negativas.
A campanha é composta por um vídeo e cartazes. Em pouco mais de um minuto, o video de Miguel lanuárlo e as fotografias de Sérgio Aires mostram, entre outros, que Bruno Oliveira é assistente operacional hospitalar, Maria Gil é atriz. Carlos Miguel é secretário de Estado e Damaris Maia é estudante de Bioquímica. São sete rostos e sete vidas para “desconstruir urna reputação negativa”, disse à Lusa Sandra Faria Araújo, diretora-executiva da Rede Europeia Anti-Pobreza, lembrando que, “nos dias de hoje, ainda subsistem muitos comportamentos negativos” em relação à comunidade cigana.
Além do video, disponível na página de Internet da organização, a partir de dia 8. Dia Internacional do Cigano, os cartazes devem estar disponíveis na sua rede de parceiros nacionais, autarquias e escolas. A segunda fase da campanha será apresentada entre 16 e 20 de maio, no Porto, e passa pelo lançamento do livro e da respectiva exposição fotográfica, denominado “O singular do plural”, com o testemunho de 20 pessoas de etnia cigana.
Sandra Faria Aradjo lamenta a “discriminação e preconceito” de que a comunidade cigana é alvo, o que faz com que seja atingida pela pobreza e exclusão social. Mas a campanha quer mostrar outra face da realidade. Para estas sete pessoas, o facto de “terem nascido ciganos não significa uma condenação à pobreza nem “lhes impediu o acesso à edticação”, explicou a responsável.
5.4.16
Qatar 2022. A mancha na consciência do futebol mundial
Filipe Escobar de Lima, in "Jornal I"
Amnistia Internacional lançou um relatório arrasador a mostrar o “lado feio do jogo bonito”. É a primeira critica oficial às condições de vida de trabalhadores estrangeiros numas obras de um Campenato do Mundo
Antes de o ser, o Mundial do Qatar já o era – controverso. Desde o momento em que o nome do país árabe foi anunciado como organizador do Campeonato do Mundo de 2022 que o evento virou problema, com a FIFA no seu epicentro. Primeiro foram as denúncias de corrupção no processo de votação para o país ser o palco do principal evento futebolístico que se realiza a cada quatro anos – é o primeiro Mundial de futebol no Médio Oriente. Agora, é a vez de um (novo) relatório da Amnistia Internacional arrasador para a organização. “É um Mundial baseado na exploração”, acusa Mustafa Qadri, editor do documento.
As notas revelam que os trabalhadores imigrantes a trabalhar no Estádio Khalifa, que acolherá uma das meias-finais da competição, e na Aspirine Zone, que engloba campos de treino e estruturas adjacentes ao campo, ambos na capital Doha, têm sofrido abusos e são vítimas de exploração sistemática, em alguns casos vítimas de trabalhos forçados.
Não é um relatório novo, nem diferente do publicado pela AI, que já em 2013 havia feito as mesmas denúncias de pôr a nu o setor da construção civil no Qatar, “repleto de abusos e explorações”. Chamou na altura ao relatório “O lado negro da imigração: destaque sobre o setor de construção do Qatar antes do Campeonato do Mundo” e revelava as tramas complexas de contratos e expunha o abuso generalizado e diário dos trabalhadores. Mas agora, em 2016, é a primeira vez que a entidade de defesa dos direitos humanos critica oficialmente as condições de vida de trabalhadores estrangeiros numa obra do Mundial. Apresentando outro relatório, com o nome “O lado feio do jogo bonito: exploração num estádio do Mundial de 2022 no Qatar”.
Segundo a AI, os imigrantes que trabalham nas obras do Estádio Khalifa (um dos 12 que estão a ser construídos ou reconstruídos) estão instalados em condições “absolutamente imundas”, além de terem passaportes confiscados e “sofrerem intimidações dos chefes”. “Recebem salários inferiores aos prometidos, além de outras irregularidades”.
Dos mais de duzentos homens entrevistados pela Amnistia Internacional, apenas seis afirmaram receber o salário anteriormente acertado (ver caixa). Segundo o relatório, o número de pessoas que nos próximos dois anos estarão a trabalhar em estruturas do Campeonato do Mundo de 2022 deverá aumentar dez vezes, para cerca de 36 mil. “É imperdoável que num dos países mais ricos do mundo muitos trabalhadores imigrantes estejam a ser cruelmente explorados, privados dos seus salários e a tentar sobreviver em condições muito duras”, disse Salil Shetty, secretário-geral da AI.
A situação fez com que a AI condenasse a FIFA, por desrespeito dos direitos humanos: “O abuso de trabalhadores imigrantes é uma mancha na consciência do futebol mundial. Tanto para jogadores como adeptos, um estádio de um Mundial é um lugar de sonhos. Mas para alguns dos trabalhadores que a Amnistia Internacional entrevistou, é como se estivessem a viver um pesadelo”, escreve em comunicado o secretário-geral da organização de direitos humanos, Salil Shetty. “Apesar das promessas feitas ao longo dos últimos cinco anos, a FIFA falhou quase totalmente em impedir que o Mundial seja construído sobre abusos de direitos humanos”.
A FIFA respondeu ontem ao final da tarde. “Desde 2011 que a FIFA tem mantido reuniões com diversos grupos de interesses, incluindo a Amnistia Itnernacional, com o objetivo de encontrar o mais rapidamente possível condições laborais justas nas obras dos estádios do Mundial” e que por isso, segundo o órgão máximo do futebol, “não irá parar de instar as autoridades governamentais do Qatar e outros grupos de interesse a que empreendam ações com o fim de garantirem que as medidas adotadas em matéria de direitos dos trabalhadores imigrantes sejam respeitadas nos projetos de contrução”.
A AMI diz que a investigação no Qatar durou um ano, até fevereiro de 2016, entrevistou mais de 234 operários, principalmente oriundos do Bangladesh, Índia e Nepal.
Amnistia Internacional lançou um relatório arrasador a mostrar o “lado feio do jogo bonito”. É a primeira critica oficial às condições de vida de trabalhadores estrangeiros numas obras de um Campenato do Mundo
Antes de o ser, o Mundial do Qatar já o era – controverso. Desde o momento em que o nome do país árabe foi anunciado como organizador do Campeonato do Mundo de 2022 que o evento virou problema, com a FIFA no seu epicentro. Primeiro foram as denúncias de corrupção no processo de votação para o país ser o palco do principal evento futebolístico que se realiza a cada quatro anos – é o primeiro Mundial de futebol no Médio Oriente. Agora, é a vez de um (novo) relatório da Amnistia Internacional arrasador para a organização. “É um Mundial baseado na exploração”, acusa Mustafa Qadri, editor do documento.
As notas revelam que os trabalhadores imigrantes a trabalhar no Estádio Khalifa, que acolherá uma das meias-finais da competição, e na Aspirine Zone, que engloba campos de treino e estruturas adjacentes ao campo, ambos na capital Doha, têm sofrido abusos e são vítimas de exploração sistemática, em alguns casos vítimas de trabalhos forçados.
Não é um relatório novo, nem diferente do publicado pela AI, que já em 2013 havia feito as mesmas denúncias de pôr a nu o setor da construção civil no Qatar, “repleto de abusos e explorações”. Chamou na altura ao relatório “O lado negro da imigração: destaque sobre o setor de construção do Qatar antes do Campeonato do Mundo” e revelava as tramas complexas de contratos e expunha o abuso generalizado e diário dos trabalhadores. Mas agora, em 2016, é a primeira vez que a entidade de defesa dos direitos humanos critica oficialmente as condições de vida de trabalhadores estrangeiros numa obra do Mundial. Apresentando outro relatório, com o nome “O lado feio do jogo bonito: exploração num estádio do Mundial de 2022 no Qatar”.
Segundo a AI, os imigrantes que trabalham nas obras do Estádio Khalifa (um dos 12 que estão a ser construídos ou reconstruídos) estão instalados em condições “absolutamente imundas”, além de terem passaportes confiscados e “sofrerem intimidações dos chefes”. “Recebem salários inferiores aos prometidos, além de outras irregularidades”.
Dos mais de duzentos homens entrevistados pela Amnistia Internacional, apenas seis afirmaram receber o salário anteriormente acertado (ver caixa). Segundo o relatório, o número de pessoas que nos próximos dois anos estarão a trabalhar em estruturas do Campeonato do Mundo de 2022 deverá aumentar dez vezes, para cerca de 36 mil. “É imperdoável que num dos países mais ricos do mundo muitos trabalhadores imigrantes estejam a ser cruelmente explorados, privados dos seus salários e a tentar sobreviver em condições muito duras”, disse Salil Shetty, secretário-geral da AI.
A situação fez com que a AI condenasse a FIFA, por desrespeito dos direitos humanos: “O abuso de trabalhadores imigrantes é uma mancha na consciência do futebol mundial. Tanto para jogadores como adeptos, um estádio de um Mundial é um lugar de sonhos. Mas para alguns dos trabalhadores que a Amnistia Internacional entrevistou, é como se estivessem a viver um pesadelo”, escreve em comunicado o secretário-geral da organização de direitos humanos, Salil Shetty. “Apesar das promessas feitas ao longo dos últimos cinco anos, a FIFA falhou quase totalmente em impedir que o Mundial seja construído sobre abusos de direitos humanos”.
A FIFA respondeu ontem ao final da tarde. “Desde 2011 que a FIFA tem mantido reuniões com diversos grupos de interesses, incluindo a Amnistia Itnernacional, com o objetivo de encontrar o mais rapidamente possível condições laborais justas nas obras dos estádios do Mundial” e que por isso, segundo o órgão máximo do futebol, “não irá parar de instar as autoridades governamentais do Qatar e outros grupos de interesse a que empreendam ações com o fim de garantirem que as medidas adotadas em matéria de direitos dos trabalhadores imigrantes sejam respeitadas nos projetos de contrução”.
A AMI diz que a investigação no Qatar durou um ano, até fevereiro de 2016, entrevistou mais de 234 operários, principalmente oriundos do Bangladesh, Índia e Nepal.
ONG's reúnem em Fafe sobre crise dos refugiados
In "RTP"
Dezenas de representantes de Organizações Não Governamentais portuguesas e estrangeiras vão estar reunidos em Fafe, da próxima terça-feira até ao dia 9 de Abril, para debater, entre outros assuntos, a questão dos refugiados, as origens e consequências desta crise humanitária para a Europa e para o Mundo.
Este é um dos pontos que constam do evento "Terra Justa- Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade", que tem por objectivo alertar, provocar e envolver as pessoas a reflectir sobre a importância das causas e dos valores da humanidade.
.
Neste encontro, vai também ser recordado e debatido o papel das enfermeiras paraquedistas portuguesas na guerra do ultramar.
António Guterres, ex alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados e candidato a Secretário Geral das Nações Unidas, é um dos presentes em várias actividades, protagonizando momentos de conversa com a população, nomeadamente em conversas de café, e vai ser um dos homenageados deste "Terra Justa".
Dezenas de representantes de Organizações Não Governamentais portuguesas e estrangeiras vão estar reunidos em Fafe, da próxima terça-feira até ao dia 9 de Abril, para debater, entre outros assuntos, a questão dos refugiados, as origens e consequências desta crise humanitária para a Europa e para o Mundo.
Este é um dos pontos que constam do evento "Terra Justa- Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade", que tem por objectivo alertar, provocar e envolver as pessoas a reflectir sobre a importância das causas e dos valores da humanidade.
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Neste encontro, vai também ser recordado e debatido o papel das enfermeiras paraquedistas portuguesas na guerra do ultramar.
António Guterres, ex alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados e candidato a Secretário Geral das Nações Unidas, é um dos presentes em várias actividades, protagonizando momentos de conversa com a população, nomeadamente em conversas de café, e vai ser um dos homenageados deste "Terra Justa".
Liga Portuguesa contra o Cancro,75 anos a combater a doença
Vítor Veloso*, in "Diário de Notícias"
A 4 de abril de 1941 foi criada a Liga Portuguesa contra o Cancro, em Lisboa, pela mão do professor Francisco Gentil Martins, mentor, impulsionador e iniciador da luta contra o cancro.
O cancro já é considerado o principal problema de saúde pública a nível europeu. É cada vez mais uma doença crónica, porquanto a despeito de uma incidência crescente há muito mais curas, sobrevivências de longa duração com grande qualidade de vida e com um grande número de sobreviventes a retomar o seu trabalho habitual.
Nos últimos dez anos, a Liga Portuguesa contra o Cancro tem sabido e conseguido expandir-se de modo gradual e consistente, adaptar-se às novas tecnologias, às novas políticas de saúde, ao novo tipo de doentes, aos novos dirigentes, e colmatar, em colaboração com os diferentes governos, algumas lacunas do Serviço Nacional de Saúde.
O seu crescimento tem sido exponencial, tornando-se a maior organização nacional no campo da oncologia, dentro da missão e dos objetivos que defende.
Iniciando a sua ação com um fortíssimo corpo de voluntariado, tem vindo a direcionar e a ampliar a sua missão no apoio à divulgação da prevenção e no apoio ao doente oncológico - psicoemocional, social e de humanização, estendendo cada vez mais estes objetivos ao apoio às situações dramáticas das respetivas famílias. No presente momento, o nosso voluntariado (hospitalar e comunitários) conta com mais de 21 mil membros que exercem a sua função de norte a sul do país.
A Liga Portuguesa contra o Cancro tem como atividades prioritárias o suporte económico aos doentes oncológicos e familiares mais carenciados para despesas com medicamentos, ajudas técnicas, transportes, refeições e outros apoios de índole social e familiar - mais de um milhão de euros; a implementação de sólidos projetos de educação para a saúde, abrangendo, fundamentalmente, a população mais jovem e os agentes educativos; a consolidação e a modernização de um sofisticado serviço móvel de rastreio de cancro da mama, responsável pela realização de mais de dois milhões e meio de mamografias em todo o país e pela deteção precoce de milhares de tumores em estádios iniciais; a realização periódica e recorrente de ações de formação destinadas a técnicos de saúde e à comunidade em geral; o apoio incondicional à investigação científica, mediante concessão regular de estágios, bolsas e prémios.
Iniciou e implantou a consulta de diagnóstico precoce de cancro da pele e da cavidade oral e consultas de psico-oncologia, que são acessíveis gratuitamente a toda a população do país.
Também é pioneira dos cuidados paliativos, pois há 20 anos, no Norte, foi construída a primeira e ainda a maior unidade de cuidados paliativos/continuados do país - é uma unidade de grande qualidade, de referência nacional e internacional.
Tem centros de dia para doentes oncológicos, bem como lares de acolhimento para doentes em tratamento ambulatório.
Defende os doentes oncológicos e as famílias e promove campanhas direcionadas, bem como a criação de gabinetes de apoio ao doente oncológico. Defende o direito à igualdade e à equidade de todo o cidadão à prevenção primária, aos rastreios de base populacional, ao diagnóstico precoce, à acessibilidade atempada ao diagnóstico e tratamento segundo o estado da arte, englobando alguns tratamentos inovadores. Defende o seguimento do doente, a necessidade de uma cobertura adequada em cuidados paliativos e continuados. Igualmente a sua ação tem sido persistente, mas infelizmente ainda não ouvida, no que respeita à necessidade e à obrigatoriedade de os doentes serem devidamente informados, e de as associações terem lugar de direito nas comissões e grupos que envolvam aconselhamento e decisões no campo da oncologia.
Os corpos sociais não auferem qualquer ordenado ou mordomia, tendo o lema deste triénio sido a razão de existir da Liga Portuguesa contra o Cancro - "Mais Perto do Doente Oncológico e Família".
Todo o trabalho realizado pela Liga Portuguesa contra o Cancro, em colaboração com voluntários e pessoal especializado, é financeiramente sustentado, em exclusivo, pela generosidade dos cidadãos, não recebendo qualquer subsídio por parte do Estado.
A Liga Portuguesa contra o Cancro é uma instituição que trabalha de modo rigoroso, com planos de ação bem definidos, com atividades crescentes e que se preocupa em dar visibilidade clara e constante ao modo como despende as quantias angariadas.
*) Presidente Nacional da Liga Portuguesa contra o Cancro
A 4 de abril de 1941 foi criada a Liga Portuguesa contra o Cancro, em Lisboa, pela mão do professor Francisco Gentil Martins, mentor, impulsionador e iniciador da luta contra o cancro.
O cancro já é considerado o principal problema de saúde pública a nível europeu. É cada vez mais uma doença crónica, porquanto a despeito de uma incidência crescente há muito mais curas, sobrevivências de longa duração com grande qualidade de vida e com um grande número de sobreviventes a retomar o seu trabalho habitual.
Nos últimos dez anos, a Liga Portuguesa contra o Cancro tem sabido e conseguido expandir-se de modo gradual e consistente, adaptar-se às novas tecnologias, às novas políticas de saúde, ao novo tipo de doentes, aos novos dirigentes, e colmatar, em colaboração com os diferentes governos, algumas lacunas do Serviço Nacional de Saúde.
O seu crescimento tem sido exponencial, tornando-se a maior organização nacional no campo da oncologia, dentro da missão e dos objetivos que defende.
Iniciando a sua ação com um fortíssimo corpo de voluntariado, tem vindo a direcionar e a ampliar a sua missão no apoio à divulgação da prevenção e no apoio ao doente oncológico - psicoemocional, social e de humanização, estendendo cada vez mais estes objetivos ao apoio às situações dramáticas das respetivas famílias. No presente momento, o nosso voluntariado (hospitalar e comunitários) conta com mais de 21 mil membros que exercem a sua função de norte a sul do país.
A Liga Portuguesa contra o Cancro tem como atividades prioritárias o suporte económico aos doentes oncológicos e familiares mais carenciados para despesas com medicamentos, ajudas técnicas, transportes, refeições e outros apoios de índole social e familiar - mais de um milhão de euros; a implementação de sólidos projetos de educação para a saúde, abrangendo, fundamentalmente, a população mais jovem e os agentes educativos; a consolidação e a modernização de um sofisticado serviço móvel de rastreio de cancro da mama, responsável pela realização de mais de dois milhões e meio de mamografias em todo o país e pela deteção precoce de milhares de tumores em estádios iniciais; a realização periódica e recorrente de ações de formação destinadas a técnicos de saúde e à comunidade em geral; o apoio incondicional à investigação científica, mediante concessão regular de estágios, bolsas e prémios.
Iniciou e implantou a consulta de diagnóstico precoce de cancro da pele e da cavidade oral e consultas de psico-oncologia, que são acessíveis gratuitamente a toda a população do país.
Também é pioneira dos cuidados paliativos, pois há 20 anos, no Norte, foi construída a primeira e ainda a maior unidade de cuidados paliativos/continuados do país - é uma unidade de grande qualidade, de referência nacional e internacional.
Tem centros de dia para doentes oncológicos, bem como lares de acolhimento para doentes em tratamento ambulatório.
Defende os doentes oncológicos e as famílias e promove campanhas direcionadas, bem como a criação de gabinetes de apoio ao doente oncológico. Defende o direito à igualdade e à equidade de todo o cidadão à prevenção primária, aos rastreios de base populacional, ao diagnóstico precoce, à acessibilidade atempada ao diagnóstico e tratamento segundo o estado da arte, englobando alguns tratamentos inovadores. Defende o seguimento do doente, a necessidade de uma cobertura adequada em cuidados paliativos e continuados. Igualmente a sua ação tem sido persistente, mas infelizmente ainda não ouvida, no que respeita à necessidade e à obrigatoriedade de os doentes serem devidamente informados, e de as associações terem lugar de direito nas comissões e grupos que envolvam aconselhamento e decisões no campo da oncologia.
Os corpos sociais não auferem qualquer ordenado ou mordomia, tendo o lema deste triénio sido a razão de existir da Liga Portuguesa contra o Cancro - "Mais Perto do Doente Oncológico e Família".
Todo o trabalho realizado pela Liga Portuguesa contra o Cancro, em colaboração com voluntários e pessoal especializado, é financeiramente sustentado, em exclusivo, pela generosidade dos cidadãos, não recebendo qualquer subsídio por parte do Estado.
A Liga Portuguesa contra o Cancro é uma instituição que trabalha de modo rigoroso, com planos de ação bem definidos, com atividades crescentes e que se preocupa em dar visibilidade clara e constante ao modo como despende as quantias angariadas.
*) Presidente Nacional da Liga Portuguesa contra o Cancro
Candidatos às Nações Unidas desafiados para debates públicos
Valentina Marcelina, in "Diário de Notícias"
Guterres está a preparar-se para a audição pública neste mês, que acontece pela primeira vez na eleição do secretário-geral
Há mais uma novidade no processo de eleição para secretário-geral da ONU: debates públicos entre os candidatos ao mais alto cargo diplomático do mundo. Além de terem de apresentar o seu "programa" e responder às perguntas dos Estados membros numa audição, também pública, na sede da organização em Nova Iorque, os candidatos têm também a possibilidade de confrontar os concorrentes num inédito debate de ideias, promovido por organizações não governamentais (ONG).
António Guterres, que está neste momento a preparar-se para a sua audição que se vai realizar no próximo dia 12, "ainda não decidiu" se e em que debates vai participar, disse ao DN fonte diplomática que está a acompanhar o processo do ex-alto-comissário para os Refugiados da ONU.
Para já, de acordo com o jornal britânico The Guardian, estão agendados dois debates. Um em Nova Iorque, no dia 13 de abril, em colaboração com a ONG New America, no Civic Hall. Na página da web deste think tank, o programa do evento, designado "Uma conversa com os próximos candidatos a secretário-geral da ONU", apenas está confirmada a participação das candidatas da Croácia e da Moldávia (Vesna Pusic e Natalia Gherman) e do candidato esloveno Danilo Turk.
Os concorrentes têm outra hipótese, cerca de três semanas mais tarde, a 3 de junho, em Londres. Outras duas ONG ligadas às Nações Unidas promovem um novo debate que terá como palco o Central Hall Westminster, onde o primeiro secretário-geral da ONU, Trygve Lie, foi escolhido.
O embaixador Seixas da Costa, ex-secretário de Estado dos Assuntos Europeus vê "vantagens" para Guterres neste novo modelo. "Tendo em conta o leque de candidatos que são até agora conhecidos, o engenheiro António Guterres tem vantagem em ser submetido a um debate público. A sua qualidade relativamente aos outros é obviamente superior e permitir-lhe-á ter com o público a afirmação dessa qualidade. O que lhe pode ser mais favorável."
Lembrando os pressupostos oficiosos de perfis que têm sido vinculados a esta eleição - ser uma mulher e/ou originário de um país do Centro ou do Leste Europeu -, o diplomata salienta que, com o novo modelo esses critérios podem acabar por se diluir. Todos os candidatos, incluindo as mulheres e os de países de Centro/Leste, à partida favoritos, "vão ter de demonstrar publicamente, quer na audição oficial quer nos debates entre todos, as suas qualidades distintivas para ultrapassar as qualidades objetivas do engenheiro Guterres. O novo modelo prejudica os dois requisitos que têm vindo a ser referidos. Todos os candidatos têm de mostrar uma realidade diferente em termos de qualidade".
Até agora estão na corrida, além do candidato português - que o The Guardian destaca como alguém que se "tornou uma figura proeminente em todo o mundo durante a crise dos refugiados" - e dos três já referidos neste texto, Srgjan Kerim (Macedónia), Igor Luksic (Montenegro) e Irina Bokova (Bulgária), ex-diretora-geral da UNESCO.
No próximo dia 12, à tarde, António Guterres estará perante os representantes dos 193 países que fazem parte da ONU para defender as suas ideias para a organização. Todos os candidatos começam por fazer uma intervenção de dez minutos, em que apresentam a sua "visão" sobre o que pretendem fazer em relação aos desafios atuais do mundo, como as alterações climáticas ou as guerras, que causaram mais deslocação de refugiados do que em qualquer outro período depois da Segunda Guerra Mundial. A seguir respondem a perguntas durante uma hora e 50 minutos. Toda a audição será transmitida pela internet.
Maior transparência na seleção dos candidatos é o objetivo deste novo modelo. Até aqui a eleição do secretário-geral era feito à porta fechada, entre os 15 membros do Conselho de Segurança. O atual líder, Ban Ki-moon, termina o mandato no final do ano e até lá o novo líder será conhecido.
Guterres está a preparar-se para a audição pública neste mês, que acontece pela primeira vez na eleição do secretário-geral
Há mais uma novidade no processo de eleição para secretário-geral da ONU: debates públicos entre os candidatos ao mais alto cargo diplomático do mundo. Além de terem de apresentar o seu "programa" e responder às perguntas dos Estados membros numa audição, também pública, na sede da organização em Nova Iorque, os candidatos têm também a possibilidade de confrontar os concorrentes num inédito debate de ideias, promovido por organizações não governamentais (ONG).
António Guterres, que está neste momento a preparar-se para a sua audição que se vai realizar no próximo dia 12, "ainda não decidiu" se e em que debates vai participar, disse ao DN fonte diplomática que está a acompanhar o processo do ex-alto-comissário para os Refugiados da ONU.
Para já, de acordo com o jornal britânico The Guardian, estão agendados dois debates. Um em Nova Iorque, no dia 13 de abril, em colaboração com a ONG New America, no Civic Hall. Na página da web deste think tank, o programa do evento, designado "Uma conversa com os próximos candidatos a secretário-geral da ONU", apenas está confirmada a participação das candidatas da Croácia e da Moldávia (Vesna Pusic e Natalia Gherman) e do candidato esloveno Danilo Turk.
Os concorrentes têm outra hipótese, cerca de três semanas mais tarde, a 3 de junho, em Londres. Outras duas ONG ligadas às Nações Unidas promovem um novo debate que terá como palco o Central Hall Westminster, onde o primeiro secretário-geral da ONU, Trygve Lie, foi escolhido.
O embaixador Seixas da Costa, ex-secretário de Estado dos Assuntos Europeus vê "vantagens" para Guterres neste novo modelo. "Tendo em conta o leque de candidatos que são até agora conhecidos, o engenheiro António Guterres tem vantagem em ser submetido a um debate público. A sua qualidade relativamente aos outros é obviamente superior e permitir-lhe-á ter com o público a afirmação dessa qualidade. O que lhe pode ser mais favorável."
Lembrando os pressupostos oficiosos de perfis que têm sido vinculados a esta eleição - ser uma mulher e/ou originário de um país do Centro ou do Leste Europeu -, o diplomata salienta que, com o novo modelo esses critérios podem acabar por se diluir. Todos os candidatos, incluindo as mulheres e os de países de Centro/Leste, à partida favoritos, "vão ter de demonstrar publicamente, quer na audição oficial quer nos debates entre todos, as suas qualidades distintivas para ultrapassar as qualidades objetivas do engenheiro Guterres. O novo modelo prejudica os dois requisitos que têm vindo a ser referidos. Todos os candidatos têm de mostrar uma realidade diferente em termos de qualidade".
Até agora estão na corrida, além do candidato português - que o The Guardian destaca como alguém que se "tornou uma figura proeminente em todo o mundo durante a crise dos refugiados" - e dos três já referidos neste texto, Srgjan Kerim (Macedónia), Igor Luksic (Montenegro) e Irina Bokova (Bulgária), ex-diretora-geral da UNESCO.
No próximo dia 12, à tarde, António Guterres estará perante os representantes dos 193 países que fazem parte da ONU para defender as suas ideias para a organização. Todos os candidatos começam por fazer uma intervenção de dez minutos, em que apresentam a sua "visão" sobre o que pretendem fazer em relação aos desafios atuais do mundo, como as alterações climáticas ou as guerras, que causaram mais deslocação de refugiados do que em qualquer outro período depois da Segunda Guerra Mundial. A seguir respondem a perguntas durante uma hora e 50 minutos. Toda a audição será transmitida pela internet.
Maior transparência na seleção dos candidatos é o objetivo deste novo modelo. Até aqui a eleição do secretário-geral era feito à porta fechada, entre os 15 membros do Conselho de Segurança. O atual líder, Ban Ki-moon, termina o mandato no final do ano e até lá o novo líder será conhecido.
Alerta refugiados
In "RTP"
A Amnistia Internacional acusa a Turquia de estar a enviar de regresso para a Síria milhares de refugiados que fogem da guerra.
Comentários de Melissa Fleming, Alto Comissariado Nações Unidas para Refugiados.
A Amnistia Internacional acusa a Turquia de estar a enviar de regresso para a Síria milhares de refugiados que fogem da guerra.
Comentários de Melissa Fleming, Alto Comissariado Nações Unidas para Refugiados.
Seia vai ter Banco Local de Voluntariado
In "Diário de Viseu"
O Banco Local de Voluntariado de Seia é apresentado a 6 de Abril, pelas 14h30, no auditório da CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela, e nasce com o propósito de contribuir “para um concelho mais inclusivo, sustentável e solidário”.
A sessão pública decorre no âmbito da reunião extraordinária do Conselho Local de Acção Social (CLAS), que nesta data será aberta à comunidade, e contará com a presença do presidente da Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco, Armando Leandro, e da coordenadora do Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado, Maria Elisa Borges.
“O Banco Local de Voluntariado pretende afirmar-se como uma estrutura de proximidade, de âmbito concelhio, que promove o encontro entre a oferta e a procura de voluntariado, prestando um serviço à sua comunidade, assumindo, neste âmbito, a autarquia senense o papel de dinamizador da actividade de voluntariado”, refere o município em comunicado, adiantando que entre “os objectivos do Banco de Voluntariado estão acolher candidaturas e proceder ao encaminhamento de voluntários, receber inscrições de organizações que pretendem integrar voluntários, divulgar projectos e oportunidades de voluntariado e sensibilizar os cidadãos e as entidades concelhias para as questões do voluntariado”.
“O voluntariado é uma expressão da solidariedade concreta e visível que permite que as pessoas possam dedicar os seus conhecimentos, aptidões e tempo ao serviço de outros seres humanos, sem uma motivação de natureza pecuniária”, conclui.
O Banco Local de Voluntariado de Seia é apresentado a 6 de Abril, pelas 14h30, no auditório da CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela, e nasce com o propósito de contribuir “para um concelho mais inclusivo, sustentável e solidário”.
A sessão pública decorre no âmbito da reunião extraordinária do Conselho Local de Acção Social (CLAS), que nesta data será aberta à comunidade, e contará com a presença do presidente da Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco, Armando Leandro, e da coordenadora do Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado, Maria Elisa Borges.
“O Banco Local de Voluntariado pretende afirmar-se como uma estrutura de proximidade, de âmbito concelhio, que promove o encontro entre a oferta e a procura de voluntariado, prestando um serviço à sua comunidade, assumindo, neste âmbito, a autarquia senense o papel de dinamizador da actividade de voluntariado”, refere o município em comunicado, adiantando que entre “os objectivos do Banco de Voluntariado estão acolher candidaturas e proceder ao encaminhamento de voluntários, receber inscrições de organizações que pretendem integrar voluntários, divulgar projectos e oportunidades de voluntariado e sensibilizar os cidadãos e as entidades concelhias para as questões do voluntariado”.
“O voluntariado é uma expressão da solidariedade concreta e visível que permite que as pessoas possam dedicar os seus conhecimentos, aptidões e tempo ao serviço de outros seres humanos, sem uma motivação de natureza pecuniária”, conclui.
Caixagest lança primeiro fundo de responsabilidade social
Patrícia Abreu, in "Negócios"
A gestora da CGD deverá começar a comercializar o primeiro fundo em Portugal que privilegia a aposta em empresas sustentáveis. O objectivo é atingir os 30 milhões de euros de activos sob gestão no final do ano.
Está a chegar ao mercado o primeiro fundo de responsabilidade social português. A Caixagest vai começar a comercializar um fundo com empresas "sustentáveis" do ponto de vista social, ambiental e de governo de sociedade. E a maior gestora portuguesa está confiante de que o produto vai ter uma boa aceitação junto de clientes que num contexto de taxas baixas procuram alternativas mais atractivas.
Aliar retorno e um investimento responsável é o principal objectivo do fundo da gestora do banco público, que realiza esta segunda-feira uma conferência sobre o tema. O fundo irá investir em acções e obrigações europeias que seguem um conjunto de critérios ambientais, de boas práticas de governo e sociais.
"O interessante é apresentar aos clientes um produto que rentabiliza os investimentos e, ao mesmo tempo, está a contribuir para as gerações vindouras, para um planeta mais sustentável e uma vida mais equilibrada quer social, quer economicamente", explicou Filomena Oliveira. A presidente da Caixagest prevê alcançar 30 milhões de activos sob gestão até ao final do ano.
A estratégia de investimento privilegiada pela Caixagest prevê a selecção de títulos de dívida e de acções a partir de dois índices, que incluem apenas companhias consideradas sustentáveis. No universo nacional, há poucas empresas cotadas nestes índices. A EDP é uma das empresas que integra estes "rankings".
De fora ficam, por exemplo, tabaqueiras, empresas que produzem bebidas alcoólicas ou armamento, ou companhias envolvidas em casos mais controversos. A presidente da Caixagest realça que o objectivo desta aposta é "promover a poupança, mas de forma equilibrada, tendo nós a convicção de que a prazo as empresas responsáveis são as que são sustentáveis do ponto de vista da sua própria rentabilidade".
Alternativas com retorno
O lançamento deste novo fundo, que vem preencher um vazio na indústria nacional de gestão de activos , estes fundos são há muito uma realidade no estrangeiro ,, coincide com um período de baixos retornos nas poupanças. E os fundos de investimento podem ser uma alternativa interessante para os aforradores.
Num momento em que se antecipa um período longo de juros muito baixos, Filomena Oliveira argumenta que é necessário "dar alternativas com algum retorno, alternativas aos depósitos, no sentimento de reter a poupança e recompensar o aforro".
Para a mesma responsável, os fundos são uma boa opção de rentabilidade não apenas para os investidores, mas também para o sector financeiro. "A estratégia da CGD aposta fortemente na comercialização dos fundos", remata.
Tome nota
Os três critérios na escolha das empresas
Os fundos de responsabilidade social procuram investir em companhias que cumprem vários critérios de sustentabilidade. Questões ambientais, sociais e de governo são a prioridade.
Companhias ambientalmente sustentáveis
Um dos critérios para medir a sustentabilidade das empresas tem que ver com questões ambientais. Ou seja, é tido em consideração o impacto que a actividade das empresas pode ter em termos ambientais, bem como as práticas implementadas pelas companhias para preservar o ambiente e limitar eventuais efeitos negativos.
Reduzir a emissão de gases poluentes, privilegiar energias limpas e linhas de produção mais sustentáveis são alguns exemplos que podem aumentar o seu "rating".
Boas práticas de governo dão pontos
Boas práticas de governo são outro dos critérios analisados no âmbito da responsabilidade social. São privilegiadas as companhias com boas práticas, que mantêm uma política transparente e que cumprem as regras de mercado.
Políticas de comunicação eficiente, independência ao nível da gestão e a ausência de conflitos de interesse são alguns dos aspectos que integram o código de boas práticas do governo das sociedades. No mercado nacional, o IPCG irá substituir a CMVM na avaliação do governo das sociedades.
Políticas sociais responsáveis na mira
Além das políticas ambientais e das práticas de governo das sociedades, são ainda considerados aspectos sociais para determinar o "rating" de sustentabilidade das companhias.
A forma como as empresas tratam os seus funcionários, se têm projectos no domínio social ou se mantêm políticas de apoio a uma ou mais causas humanitárias são alguns dos aspectos que poderão ser tidos em consideração. Já um processo de despedimentos pode diminuir a avaliação da empresa ou, até, afastá-la mesmo de um índice sustentável.
Retornos sustentáveis nos fundos responsáveis
Empresas do sector farmacêutico, mas também companhias ligadas ao consumo destacam-se entre as principais apostas.
Os fundos com uma estratégia de responsabilidade social são uma novidade entre as gestoras nacionais, mas não no estrangeiro. Há mais de uma dezena de produtos com estas características comercializados no mercado nacional. E, ainda que não escapem às quedas no último ano, os retornos são elevados a médio e longo prazo.
Os fundos que investem em acções de empresas sustentáveis não têm escapado ao mau comportamento dos mercados accionistas, mas apresentam retornos de dois dígitos a cinco anos. O fundo da Candriam, o Equities Sustainable World, regista uma valorização de 9,64%, seguido pelo Pictet-European Sustainable Equities, que rende 9,56%. O índice de sustentabilidade da Ethibel, por seu lado, ganha quase 35%, mais do dobro do MSCI para a Europa.
Estes fundos têm vindo a ganhar maior popularidade junto dos investidores, à medida que aumentam as preocupações em torno da necessidade de políticas responsáveis por parte das empresas. Esta é aliás uma das preocupações da chamada geração Milénio, que está mais atenta a estes factores e coloca muitas vezes estas motivações à frente das suas decisões de investimento.
Entre as principais apostas destes fundos sustentáveis estão sobretudo empresas do sector farmacêutico. Empresas como a Roche, a Novo Nordisk, GlaxoSmithKline, ou AstraZeneca lideram o "top 5" das carteiras. Mas, há mais. Danone, Nestlé, Unilever, ou Allianz são outras das cotadas que se destacam entre as principais participações.
De exemplo, a Volkswagen intoxicou as carteiras
A fabricante automóvel era considerada uma das empresas com melhor avaliação em termos de sustentabilidade.
"Em 2014, a Volkswagen foi novamente avaliada num nível muito elevado nos rankings internacionais mais importantes, obtendo uma posição de liderança no seu sector." Era assim que a fabricante alemã comunicava como era considerada um exemplo nos índices de sustentabilidade.
Mas, tudo ruiu em Setembro de 2015. O escândalo da manipulação de gases tirou a empresa da lista das mais sustentáveis e colocou-a na "lista negra".
Era considerada um exemplo, com as emissões mais baixas de um sector que continua a ser responsável por grandes níveis de poluição. Mas, afinal, as emissões não eram tão baixas como se pensava. Um escândalo que abalou a confiança na companhia e no sector e que ditou a exclusão do grupo de empresas consideradas sustentáveis. Índices de renome, como o Dow Jones ou o Ethibel, excluíram a fabricante devido a não cumprir os critérios de responsabilidade social.
Mas, a Volkswagen não é caso único. Há muitas outras que driblaram os critérios sustentáveis e acabaram por manchar os "rankings" sustentáveis. Outro caso mediático é o da BP. Um exemplo no seu sector, até a explosão de uma plataforma no Golfo do México ter originado um dos maiores desastres ambientais de sempre.
Maus exemplos
E, tal como no estrangeiro, também em Portugal houve vários casos que apanharam os investidores de surpresa. Os escândalos do Grupo BES, que acabaram por ter consequências com implicações muito sérias na Portugal Telecom, são um exemplo de empresas que eram consideradas "exemplares" do ponto de vista social, ambiental e do governo das sociedades e que revelaram práticas bastante contraditórias.
Quer o banco, quer a antiga operadora de telecomunicações integraram o índice de sustentabilidade do Dow Jones, tendo entretanto protagonizado um dos maiores escândalos nacionais. Enquanto o BES teve de ser resgatado pelo Fundo de Resolução, a PT foi obrigada a ceder às exigências da Oi na fusão e deixar cair a sua posição de controlo no negócio.
A gestora da CGD deverá começar a comercializar o primeiro fundo em Portugal que privilegia a aposta em empresas sustentáveis. O objectivo é atingir os 30 milhões de euros de activos sob gestão no final do ano.
Está a chegar ao mercado o primeiro fundo de responsabilidade social português. A Caixagest vai começar a comercializar um fundo com empresas "sustentáveis" do ponto de vista social, ambiental e de governo de sociedade. E a maior gestora portuguesa está confiante de que o produto vai ter uma boa aceitação junto de clientes que num contexto de taxas baixas procuram alternativas mais atractivas.
Aliar retorno e um investimento responsável é o principal objectivo do fundo da gestora do banco público, que realiza esta segunda-feira uma conferência sobre o tema. O fundo irá investir em acções e obrigações europeias que seguem um conjunto de critérios ambientais, de boas práticas de governo e sociais.
"O interessante é apresentar aos clientes um produto que rentabiliza os investimentos e, ao mesmo tempo, está a contribuir para as gerações vindouras, para um planeta mais sustentável e uma vida mais equilibrada quer social, quer economicamente", explicou Filomena Oliveira. A presidente da Caixagest prevê alcançar 30 milhões de activos sob gestão até ao final do ano.
A estratégia de investimento privilegiada pela Caixagest prevê a selecção de títulos de dívida e de acções a partir de dois índices, que incluem apenas companhias consideradas sustentáveis. No universo nacional, há poucas empresas cotadas nestes índices. A EDP é uma das empresas que integra estes "rankings".
De fora ficam, por exemplo, tabaqueiras, empresas que produzem bebidas alcoólicas ou armamento, ou companhias envolvidas em casos mais controversos. A presidente da Caixagest realça que o objectivo desta aposta é "promover a poupança, mas de forma equilibrada, tendo nós a convicção de que a prazo as empresas responsáveis são as que são sustentáveis do ponto de vista da sua própria rentabilidade".
Alternativas com retorno
O lançamento deste novo fundo, que vem preencher um vazio na indústria nacional de gestão de activos , estes fundos são há muito uma realidade no estrangeiro ,, coincide com um período de baixos retornos nas poupanças. E os fundos de investimento podem ser uma alternativa interessante para os aforradores.
Num momento em que se antecipa um período longo de juros muito baixos, Filomena Oliveira argumenta que é necessário "dar alternativas com algum retorno, alternativas aos depósitos, no sentimento de reter a poupança e recompensar o aforro".
Para a mesma responsável, os fundos são uma boa opção de rentabilidade não apenas para os investidores, mas também para o sector financeiro. "A estratégia da CGD aposta fortemente na comercialização dos fundos", remata.
Tome nota
Os três critérios na escolha das empresas
Os fundos de responsabilidade social procuram investir em companhias que cumprem vários critérios de sustentabilidade. Questões ambientais, sociais e de governo são a prioridade.
Companhias ambientalmente sustentáveis
Um dos critérios para medir a sustentabilidade das empresas tem que ver com questões ambientais. Ou seja, é tido em consideração o impacto que a actividade das empresas pode ter em termos ambientais, bem como as práticas implementadas pelas companhias para preservar o ambiente e limitar eventuais efeitos negativos.
Reduzir a emissão de gases poluentes, privilegiar energias limpas e linhas de produção mais sustentáveis são alguns exemplos que podem aumentar o seu "rating".
Boas práticas de governo dão pontos
Boas práticas de governo são outro dos critérios analisados no âmbito da responsabilidade social. São privilegiadas as companhias com boas práticas, que mantêm uma política transparente e que cumprem as regras de mercado.
Políticas de comunicação eficiente, independência ao nível da gestão e a ausência de conflitos de interesse são alguns dos aspectos que integram o código de boas práticas do governo das sociedades. No mercado nacional, o IPCG irá substituir a CMVM na avaliação do governo das sociedades.
Políticas sociais responsáveis na mira
Além das políticas ambientais e das práticas de governo das sociedades, são ainda considerados aspectos sociais para determinar o "rating" de sustentabilidade das companhias.
A forma como as empresas tratam os seus funcionários, se têm projectos no domínio social ou se mantêm políticas de apoio a uma ou mais causas humanitárias são alguns dos aspectos que poderão ser tidos em consideração. Já um processo de despedimentos pode diminuir a avaliação da empresa ou, até, afastá-la mesmo de um índice sustentável.
Retornos sustentáveis nos fundos responsáveis
Empresas do sector farmacêutico, mas também companhias ligadas ao consumo destacam-se entre as principais apostas.
Os fundos com uma estratégia de responsabilidade social são uma novidade entre as gestoras nacionais, mas não no estrangeiro. Há mais de uma dezena de produtos com estas características comercializados no mercado nacional. E, ainda que não escapem às quedas no último ano, os retornos são elevados a médio e longo prazo.
Os fundos que investem em acções de empresas sustentáveis não têm escapado ao mau comportamento dos mercados accionistas, mas apresentam retornos de dois dígitos a cinco anos. O fundo da Candriam, o Equities Sustainable World, regista uma valorização de 9,64%, seguido pelo Pictet-European Sustainable Equities, que rende 9,56%. O índice de sustentabilidade da Ethibel, por seu lado, ganha quase 35%, mais do dobro do MSCI para a Europa.
Estes fundos têm vindo a ganhar maior popularidade junto dos investidores, à medida que aumentam as preocupações em torno da necessidade de políticas responsáveis por parte das empresas. Esta é aliás uma das preocupações da chamada geração Milénio, que está mais atenta a estes factores e coloca muitas vezes estas motivações à frente das suas decisões de investimento.
Entre as principais apostas destes fundos sustentáveis estão sobretudo empresas do sector farmacêutico. Empresas como a Roche, a Novo Nordisk, GlaxoSmithKline, ou AstraZeneca lideram o "top 5" das carteiras. Mas, há mais. Danone, Nestlé, Unilever, ou Allianz são outras das cotadas que se destacam entre as principais participações.
De exemplo, a Volkswagen intoxicou as carteiras
A fabricante automóvel era considerada uma das empresas com melhor avaliação em termos de sustentabilidade.
"Em 2014, a Volkswagen foi novamente avaliada num nível muito elevado nos rankings internacionais mais importantes, obtendo uma posição de liderança no seu sector." Era assim que a fabricante alemã comunicava como era considerada um exemplo nos índices de sustentabilidade.
Mas, tudo ruiu em Setembro de 2015. O escândalo da manipulação de gases tirou a empresa da lista das mais sustentáveis e colocou-a na "lista negra".
Era considerada um exemplo, com as emissões mais baixas de um sector que continua a ser responsável por grandes níveis de poluição. Mas, afinal, as emissões não eram tão baixas como se pensava. Um escândalo que abalou a confiança na companhia e no sector e que ditou a exclusão do grupo de empresas consideradas sustentáveis. Índices de renome, como o Dow Jones ou o Ethibel, excluíram a fabricante devido a não cumprir os critérios de responsabilidade social.
Mas, a Volkswagen não é caso único. Há muitas outras que driblaram os critérios sustentáveis e acabaram por manchar os "rankings" sustentáveis. Outro caso mediático é o da BP. Um exemplo no seu sector, até a explosão de uma plataforma no Golfo do México ter originado um dos maiores desastres ambientais de sempre.
Maus exemplos
E, tal como no estrangeiro, também em Portugal houve vários casos que apanharam os investidores de surpresa. Os escândalos do Grupo BES, que acabaram por ter consequências com implicações muito sérias na Portugal Telecom, são um exemplo de empresas que eram consideradas "exemplares" do ponto de vista social, ambiental e do governo das sociedades e que revelaram práticas bastante contraditórias.
Quer o banco, quer a antiga operadora de telecomunicações integraram o índice de sustentabilidade do Dow Jones, tendo entretanto protagonizado um dos maiores escândalos nacionais. Enquanto o BES teve de ser resgatado pelo Fundo de Resolução, a PT foi obrigada a ceder às exigências da Oi na fusão e deixar cair a sua posição de controlo no negócio.
“Mediação e Estratégias de Mediação” em debate
In "Rádio Pax"
O Núcleo Distrital de Beja da Rede Europeia Anti Pobreza promove hoje dois workshop's sobre “Mediação e Estratégias de Mediação”.
Nos trabalhos, inseridos na Semana da Interculturalidade, é feita a apresentação da Associação de Mediadores Ciganos de Portugal e da Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas.
O Núcleo Distrital quer assim “ sensibilizar todos os cidadãos para a importância da construção de uma sociedade mais justa, igualitária e intercultural em que as diferenças sejam respeitadas”. As explicações são de João Martins, presidente do Núcleo Distrital de Beja da Rede Europeia Anti Pobreza.
O primeiro workshop realiza-se, esta manhã, na Diogo de Gouveia em Beja e o segundo, à tarde, na Escola Superior de Educação de Beja.
O Núcleo Distrital de Beja da Rede Europeia Anti Pobreza promove hoje dois workshop's sobre “Mediação e Estratégias de Mediação”.
Nos trabalhos, inseridos na Semana da Interculturalidade, é feita a apresentação da Associação de Mediadores Ciganos de Portugal e da Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas.
O Núcleo Distrital quer assim “ sensibilizar todos os cidadãos para a importância da construção de uma sociedade mais justa, igualitária e intercultural em que as diferenças sejam respeitadas”. As explicações são de João Martins, presidente do Núcleo Distrital de Beja da Rede Europeia Anti Pobreza.
O primeiro workshop realiza-se, esta manhã, na Diogo de Gouveia em Beja e o segundo, à tarde, na Escola Superior de Educação de Beja.
Desemprego cai para 10,3% na zona euro em fevereiro, menor taxa desde agosto de 2011
In "Observador"
A taxa de desemprego na zona euro desceu para valores mais baixos desde agosto de 2011. Em Portugal a taxa de desemprego subiu para 12,3% e o desemprego jovem nos 30%.
A taxa de desemprego na zona euro foi de 10,3% em fevereiro, o valor mais baixo desde agosto de 2011, e que compara com 11,2% no período homólogo e com 10,4% em janeiro, segundo o Eurostat.
De acordo com o gabinete oficial de estatísticas da União Europeia (UE), no conjunto dos 28 Estados-membros, a taxa de desemprego ficou-se, em fevereiro, nos 8,9%, estável face ao mês anterior e abaixo dos 9,7% registados em fevereiro de 2015.
As menores taxas de desemprego foram registadas na Alemanha (4,3%) e na República Checa (4,5%), enquanto Grécia (24% em dezembro de 2015) e Espanha (20,4%) tiveram as mais elevadas.
Em Portugal, a taxa de desemprego foi, em fevereiro, de 12,3%, abaixo dos 13,5% homólogos mas acima dos 12,1% registados em janeiro.
Em termos homólogos, o desemprego diminuiu em 24 Estados-membros, manteve-se estável na Bélgica e aumentou na Áustria, na Letónia e na Finlândia.
A taxa de desemprego jovem estabeleceu-se nos 21,6% na zona euro e nos 19,4% na UE, face aos 22,7% e aos 20,9% de fevereiro de 2015.
A Alemanha, (6,9%), República Checa (10,2%) e Dinamarca (10,5%) registaram os valores mais baixos, enquanto os mais altos se observaram na Grécia (48,8% em dezembro de 2015), Espanha (45,3%), Croácia (40,3% no quarto trimestre de 2015) e Itália (39,1%).
Em Portugal, o desemprego jovem foi, em fevereiro, de 30,0%, acima dos 29,9% de janeiro mas uma taxa menor do que no período homólogo, quando registou 33,1%.
A taxa de desemprego na zona euro desceu para valores mais baixos desde agosto de 2011. Em Portugal a taxa de desemprego subiu para 12,3% e o desemprego jovem nos 30%.
A taxa de desemprego na zona euro foi de 10,3% em fevereiro, o valor mais baixo desde agosto de 2011, e que compara com 11,2% no período homólogo e com 10,4% em janeiro, segundo o Eurostat.
De acordo com o gabinete oficial de estatísticas da União Europeia (UE), no conjunto dos 28 Estados-membros, a taxa de desemprego ficou-se, em fevereiro, nos 8,9%, estável face ao mês anterior e abaixo dos 9,7% registados em fevereiro de 2015.
As menores taxas de desemprego foram registadas na Alemanha (4,3%) e na República Checa (4,5%), enquanto Grécia (24% em dezembro de 2015) e Espanha (20,4%) tiveram as mais elevadas.
Em Portugal, a taxa de desemprego foi, em fevereiro, de 12,3%, abaixo dos 13,5% homólogos mas acima dos 12,1% registados em janeiro.
Em termos homólogos, o desemprego diminuiu em 24 Estados-membros, manteve-se estável na Bélgica e aumentou na Áustria, na Letónia e na Finlândia.
A taxa de desemprego jovem estabeleceu-se nos 21,6% na zona euro e nos 19,4% na UE, face aos 22,7% e aos 20,9% de fevereiro de 2015.
A Alemanha, (6,9%), República Checa (10,2%) e Dinamarca (10,5%) registaram os valores mais baixos, enquanto os mais altos se observaram na Grécia (48,8% em dezembro de 2015), Espanha (45,3%), Croácia (40,3% no quarto trimestre de 2015) e Itália (39,1%).
Em Portugal, o desemprego jovem foi, em fevereiro, de 30,0%, acima dos 29,9% de janeiro mas uma taxa menor do que no período homólogo, quando registou 33,1%.
Troca de refugiados já começou e a Turquia ainda não mudou lei
Ana Meireles, in "Diário de Notícias"
Devolução e reinstalação de migrantes não parou chegada de pessoas às ilhas gregas, nomeadamente sírios. Holanda recebe hoje mais um grupo de migrantes enviados por Ancara
Esta segunda-feira, 4 de abril de 2016, vai ficar para a História como o dia em que os primeiros refugiados dos campos da Grécia foram devolvidos à Turquia, no âmbito do acordo entre a União Europeia e Ancara, que ainda não mudou a sua legislação relativa ao asilo, como pretendido por Bruxelas.
Dois barcos de passageiros turcos transportando 136 migrantes, na maioria paquistaneses, viajaram ontem da ilha grega de Lesbos para para a cidade turca de Dikili, vigiados por duas embarcações da guarda costeira da Turquia, bem como um helicóptero. Um terceiro barco, com 66 pessoas, maioritariamente afegãos, viajaram mais tarde, saídos da ilha de Chios.
Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Volkan Bozkir, os sírios devolvidos pela Grécia serão enviados para a cidade de Osmaniye, a cerca de 40 quilómetros da fronteira com a Síria. Quanto aos outros, a Turquia poderá contactar os países de origem e repatriá-los.
Com o acordo UE-Turquia, criticado por Nações Unidas e associações humanitárias, Ancara recebe todos os migrantes que entram de forma ilegal na Grécia, incluindo sírios. Em troca, o bloco acolhe milhares de refugiados sírios enviados diretamente pelas autoridades.
De acordo com Bruxelas, nenhum dos refugiados deportados ontem fez um pedido de asilo à Grécia e que todos abandonaram o país de forma voluntária. Entre eles estavam dois sírios que pediram para regressar à Turquia.
O porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, explicou que os primeiros regressos foram legais, apesar de a Turquia ainda não ter feito as alterações às suas leis que Bruxelas disse, na altura da assinatura do acordo, serem necessárias. Estas mudanças dizem respeito às leis do asilo, que precisam de ter alteradas para dar proteção internacional aos sírios que chegam por outros países que não a Síria, bem como aos cidadãos de outras nacionalidades devolvidos pela Grécia.
O Parlamento grego, por seu turno, aprovou na sexta-feira legislação a emendar as leis do país de forma a permitir aos requerentes de asilo e outros migrantes que sejam devolvidos aos chamados países seguros, mas sem mencionar explicitamente a Turquia.
"É quase baseada na suposição de que a Turquia é um país seguro para refugiados e já conseguimos documentar que, neste momento não o é", disse ontem Gauri van Gulik, diretor adjunto da Amnistia Internacional para a Europa, organização que acusa Ancara de, nos últimos meses, ter devolvido à Síria milhares de cidadãos que estavam a tentar fugir do país.
Acordo UE-Turquia é "ilegal, imoral e impraticável", defende Ana Gomes
No sentido contrário foram reinstalados 32 refugiados sírios na Alemanha, que chegaram de avião a Hanôver vindos de Istambul, e outros 11 na Finlândia, no âmbito do acordo com a Turquia. Hoje deverão chegar mais pessoas à Holanda, também por via aérea. "Esforços contínuos da Grécia, Turquia e de todos os Estados membros são necessários nos próximos dias e semanas", indicou o executivo comunitário, que tem defendido que através do acordo com a Turquia se substituirá a migração ilegal pela reinstalação legal de refugiados.
Tentar a sorte
Na verdade, contas feitas, mais pessoas chegaram à ilhas gregas nas 24 horas que antecederam a entrada em vigor desta troca de refugiados do que o que foram ontem transportados para a Turquia, de acordo com a as autoridades da Grécia, que apontam para a chegada de 339 migrantes.
Horas antes do primeiro navio sair de Lesbos, a guarda costeira grega resgatou pelo menos dois barcos com mais de 50 migrantes, incluindo crianças e uma mulher de cadeira de rodas, que estavam a tentar alcançar a ilha. "Estamos apenas a tentar a nossa sorte. É pelo nosso destino", declarou à Reuters Firaz, um sírio curdo de 31 anos, que viajou com um primo. "Ouvi que talvez iranianos, afegãos. Não ouvi que estavam a devolver sírios à Turquia... Pelo menos fiz o que pude. Estou vivo", acrescentou.
Dois grupos, na sua maioria de homens paquistaneses, num total de cerca de 100 pessoas, também foram intercetados pela guarda costeira turca perto de Dikili.
Devolução e reinstalação de migrantes não parou chegada de pessoas às ilhas gregas, nomeadamente sírios. Holanda recebe hoje mais um grupo de migrantes enviados por Ancara
Esta segunda-feira, 4 de abril de 2016, vai ficar para a História como o dia em que os primeiros refugiados dos campos da Grécia foram devolvidos à Turquia, no âmbito do acordo entre a União Europeia e Ancara, que ainda não mudou a sua legislação relativa ao asilo, como pretendido por Bruxelas.
Dois barcos de passageiros turcos transportando 136 migrantes, na maioria paquistaneses, viajaram ontem da ilha grega de Lesbos para para a cidade turca de Dikili, vigiados por duas embarcações da guarda costeira da Turquia, bem como um helicóptero. Um terceiro barco, com 66 pessoas, maioritariamente afegãos, viajaram mais tarde, saídos da ilha de Chios.
Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Volkan Bozkir, os sírios devolvidos pela Grécia serão enviados para a cidade de Osmaniye, a cerca de 40 quilómetros da fronteira com a Síria. Quanto aos outros, a Turquia poderá contactar os países de origem e repatriá-los.
Com o acordo UE-Turquia, criticado por Nações Unidas e associações humanitárias, Ancara recebe todos os migrantes que entram de forma ilegal na Grécia, incluindo sírios. Em troca, o bloco acolhe milhares de refugiados sírios enviados diretamente pelas autoridades.
De acordo com Bruxelas, nenhum dos refugiados deportados ontem fez um pedido de asilo à Grécia e que todos abandonaram o país de forma voluntária. Entre eles estavam dois sírios que pediram para regressar à Turquia.
O porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, explicou que os primeiros regressos foram legais, apesar de a Turquia ainda não ter feito as alterações às suas leis que Bruxelas disse, na altura da assinatura do acordo, serem necessárias. Estas mudanças dizem respeito às leis do asilo, que precisam de ter alteradas para dar proteção internacional aos sírios que chegam por outros países que não a Síria, bem como aos cidadãos de outras nacionalidades devolvidos pela Grécia.
O Parlamento grego, por seu turno, aprovou na sexta-feira legislação a emendar as leis do país de forma a permitir aos requerentes de asilo e outros migrantes que sejam devolvidos aos chamados países seguros, mas sem mencionar explicitamente a Turquia.
"É quase baseada na suposição de que a Turquia é um país seguro para refugiados e já conseguimos documentar que, neste momento não o é", disse ontem Gauri van Gulik, diretor adjunto da Amnistia Internacional para a Europa, organização que acusa Ancara de, nos últimos meses, ter devolvido à Síria milhares de cidadãos que estavam a tentar fugir do país.
Acordo UE-Turquia é "ilegal, imoral e impraticável", defende Ana Gomes
No sentido contrário foram reinstalados 32 refugiados sírios na Alemanha, que chegaram de avião a Hanôver vindos de Istambul, e outros 11 na Finlândia, no âmbito do acordo com a Turquia. Hoje deverão chegar mais pessoas à Holanda, também por via aérea. "Esforços contínuos da Grécia, Turquia e de todos os Estados membros são necessários nos próximos dias e semanas", indicou o executivo comunitário, que tem defendido que através do acordo com a Turquia se substituirá a migração ilegal pela reinstalação legal de refugiados.
Tentar a sorte
Na verdade, contas feitas, mais pessoas chegaram à ilhas gregas nas 24 horas que antecederam a entrada em vigor desta troca de refugiados do que o que foram ontem transportados para a Turquia, de acordo com a as autoridades da Grécia, que apontam para a chegada de 339 migrantes.
Horas antes do primeiro navio sair de Lesbos, a guarda costeira grega resgatou pelo menos dois barcos com mais de 50 migrantes, incluindo crianças e uma mulher de cadeira de rodas, que estavam a tentar alcançar a ilha. "Estamos apenas a tentar a nossa sorte. É pelo nosso destino", declarou à Reuters Firaz, um sírio curdo de 31 anos, que viajou com um primo. "Ouvi que talvez iranianos, afegãos. Não ouvi que estavam a devolver sírios à Turquia... Pelo menos fiz o que pude. Estou vivo", acrescentou.
Dois grupos, na sua maioria de homens paquistaneses, num total de cerca de 100 pessoas, também foram intercetados pela guarda costeira turca perto de Dikili.
Deportação de migrantes não trava chegada de refugiados
Félix Ribeiro, in "Público"
Antes das partidas, chegaram 339 pessoas à Grécia As primeiras deportações automáticas de migrantes e requerentes de asilo chegados às ilhas gregas depois de 20 de Março começaram ontem, tal como ? cou agendado no momento em que a União Europeia selou com a Turquia um polémico acordo para tentar conter o fluxo migratório no Mediterrâneo. Vigiados por dezenas de agentes da polícia europeia de fronteiras, 202 migrantes retirados de campos de acolhimento nas ilhas de Lesbos e Chios embarcaram ainda durante a madrugada em três ferries que os levaram sem incidentes para a pequena cidade turca de Dikili e para o mesmo país que deixaram nas últimas duas semanas em embarcações periclitantes.
O mecanismo de deportação automática é crucial para que a nova estratégia europeia para os refugiados funcione. Os 28 querem manter migrantes e requerentes de asilo do outro lado do Mediterrâneo, na Turquia, onde já vivem cerca de 2,5 milhões de refugiados sírios. A União Europeia encerrou por isso a rota do mar Egeu, por onde se dá a esmagadora maioria das entradas “irregulares” no continente. Não sendo possível travar completamente as novas chegadas — os Estados-membros prometem “destruir o modelo de negócio dos passadores” no futuro —, encerrar a rota do Egeu faz-se mandando de volta para a Turquia todas as pessoas que viajem para a Grécia sem autorização.
As operações de ontem foram um primeiro teste à capacidade de a Grécia e a Turquia processarem e expulsarem migrantes e requerentes de asilo que arriscaram a vida para chegar à Europa, e fazê-lo pelo menos ao mesmo ritmo que outras pessoas tentam a mesma viagem. A tarefa levanta sérias dúvidas sobre a viabilidade do acordo, e a própria data para o começo das deportações vinha sendo encarada como demasiado ambiciosa. As primeiras viagens deram-se na data marcada e sem incidentes — uma vitória para a chanceler alemã, Angela Merkel, que sofre a pressão da entrada de mais de um milhão de refugiados no seu país só em 2015. Apesar disso, as nas 24 horas que antecederam as viagens chegaram 339 pessoas por mar à Grécia. Em todo o caso, numa entrevista telefónica com Angela Merkel, o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, sublinhou “um dia importante” em que “se pôs em marcha uma parte central” do acordo.
“Um por um” Numa demonstração de que as operações de ontem são sobretudo simbólicas, aterraram na Alemanha dois aviões com 16 refugiados sírios cada e uma outra aeronave com 11 sírios na Finlândia. As viagens são o resultado da chamada “regra do um por um”, em que a União Europeia se compromete a receber um refugiado sírio vindo da Turquia por cada sírio reenviado desde a Grécia — é dada prioridade a famílias sírias na Turquia em condições particularmente vulneráveis. O acordo deixa de fora iraquianos e eritreus, a quem países como a Alemanha oferecem asilo em quase todos os casos, e todas as outras nacionalidades que, juntas, representam metade de todas as pessoas que fazem a travessia marítima para a Europa. Desde o início deste ano, já 171 mil pessoas o ? zeram.
Mais de 700 morreram.
A desproporcional chegada de 43 sírios à Alemanha e Finlândia — quando comparada com as duas pessoas da mesma nacionalidade que viajaram para Dikili — sugere um esforço da parte do Governo turco em demonstrar que o acordo que selou com a UE será e? caz e aplacará as críticas à maneira como trata os refugiados no seu território — Ancara foi recentemente acusada pela Amnistia Internacional de ter expulsado centenas de refugiados para a Síria só nos últimos meses.
Acordo para reduzir número de refugiados entrou oficialmente em marcha, mas nenhuma das primeiras pessoas deportadas pediu asilo na Europa e a maioria era do Paquistão e Bangladesh Acordo Félix Ribeiro na Grécia desde a data-limite de 20 de Março e quase todas serão deportadas se as autoridades fizerem valer o compromisso com Ancara.
Estão todos formalmente detidos, em centros de acolhimento que ameaçam ? car sobrelotados caso o ritmo das deportações não acelere.
As autoridades acabaram por expulsar apenas um terço das 600 pessoas que tinham planeado deportar ontem. A imprensa turca sugere que este número pode aumentar para a casa dos 700 até amanhã, mas só Foi “um dia importante” em que “se pôs em marcha uma parte central” do acordo UE-Turquia travessias de ontem continuam sem responder às principais inquietações sobre a estratégia europeia para os refugiados.
Os ferries transportaram sobretudo migrantes do Paquistão e Bangladesh, que em condições normais já seriam deportados da Grécia. Aliás: os dois únicos sírios que regressaram à Turquia tinham pedido para o fazer e nenhuma das 202 pessoas “expulsas” pediu asilo na Grécia durante a sua estada.
O caso será diferente para as cerca de 2000 pessoas que já pediram asilo e que chegaram ao país depois de 20 de Março, o que, em teoria, os forçará a ser deportados caso se prove que partiram da Turquia — a única possibilidade de um sírio ou iraquiano evitar a extradição é ter viajado para a Grécia de um país que a União Europeia não considere seguro.
Entraram cerca de 6000 pessoas
Acordo para reduzir número de refugiados entrou ofi cialmente em marcha p22 Deportação de imigrantes não trava refugiados
Antes das partidas, chegaram 339 pessoas à Grécia As primeiras deportações automáticas de migrantes e requerentes de asilo chegados às ilhas gregas depois de 20 de Março começaram ontem, tal como ? cou agendado no momento em que a União Europeia selou com a Turquia um polémico acordo para tentar conter o fluxo migratório no Mediterrâneo. Vigiados por dezenas de agentes da polícia europeia de fronteiras, 202 migrantes retirados de campos de acolhimento nas ilhas de Lesbos e Chios embarcaram ainda durante a madrugada em três ferries que os levaram sem incidentes para a pequena cidade turca de Dikili e para o mesmo país que deixaram nas últimas duas semanas em embarcações periclitantes.
O mecanismo de deportação automática é crucial para que a nova estratégia europeia para os refugiados funcione. Os 28 querem manter migrantes e requerentes de asilo do outro lado do Mediterrâneo, na Turquia, onde já vivem cerca de 2,5 milhões de refugiados sírios. A União Europeia encerrou por isso a rota do mar Egeu, por onde se dá a esmagadora maioria das entradas “irregulares” no continente. Não sendo possível travar completamente as novas chegadas — os Estados-membros prometem “destruir o modelo de negócio dos passadores” no futuro —, encerrar a rota do Egeu faz-se mandando de volta para a Turquia todas as pessoas que viajem para a Grécia sem autorização.
As operações de ontem foram um primeiro teste à capacidade de a Grécia e a Turquia processarem e expulsarem migrantes e requerentes de asilo que arriscaram a vida para chegar à Europa, e fazê-lo pelo menos ao mesmo ritmo que outras pessoas tentam a mesma viagem. A tarefa levanta sérias dúvidas sobre a viabilidade do acordo, e a própria data para o começo das deportações vinha sendo encarada como demasiado ambiciosa. As primeiras viagens deram-se na data marcada e sem incidentes — uma vitória para a chanceler alemã, Angela Merkel, que sofre a pressão da entrada de mais de um milhão de refugiados no seu país só em 2015. Apesar disso, as nas 24 horas que antecederam as viagens chegaram 339 pessoas por mar à Grécia. Em todo o caso, numa entrevista telefónica com Angela Merkel, o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, sublinhou “um dia importante” em que “se pôs em marcha uma parte central” do acordo.
“Um por um” Numa demonstração de que as operações de ontem são sobretudo simbólicas, aterraram na Alemanha dois aviões com 16 refugiados sírios cada e uma outra aeronave com 11 sírios na Finlândia. As viagens são o resultado da chamada “regra do um por um”, em que a União Europeia se compromete a receber um refugiado sírio vindo da Turquia por cada sírio reenviado desde a Grécia — é dada prioridade a famílias sírias na Turquia em condições particularmente vulneráveis. O acordo deixa de fora iraquianos e eritreus, a quem países como a Alemanha oferecem asilo em quase todos os casos, e todas as outras nacionalidades que, juntas, representam metade de todas as pessoas que fazem a travessia marítima para a Europa. Desde o início deste ano, já 171 mil pessoas o ? zeram.
Mais de 700 morreram.
A desproporcional chegada de 43 sírios à Alemanha e Finlândia — quando comparada com as duas pessoas da mesma nacionalidade que viajaram para Dikili — sugere um esforço da parte do Governo turco em demonstrar que o acordo que selou com a UE será e? caz e aplacará as críticas à maneira como trata os refugiados no seu território — Ancara foi recentemente acusada pela Amnistia Internacional de ter expulsado centenas de refugiados para a Síria só nos últimos meses.
Acordo para reduzir número de refugiados entrou oficialmente em marcha, mas nenhuma das primeiras pessoas deportadas pediu asilo na Europa e a maioria era do Paquistão e Bangladesh Acordo Félix Ribeiro na Grécia desde a data-limite de 20 de Março e quase todas serão deportadas se as autoridades fizerem valer o compromisso com Ancara.
Estão todos formalmente detidos, em centros de acolhimento que ameaçam ? car sobrelotados caso o ritmo das deportações não acelere.
As autoridades acabaram por expulsar apenas um terço das 600 pessoas que tinham planeado deportar ontem. A imprensa turca sugere que este número pode aumentar para a casa dos 700 até amanhã, mas só Foi “um dia importante” em que “se pôs em marcha uma parte central” do acordo UE-Turquia travessias de ontem continuam sem responder às principais inquietações sobre a estratégia europeia para os refugiados.
Os ferries transportaram sobretudo migrantes do Paquistão e Bangladesh, que em condições normais já seriam deportados da Grécia. Aliás: os dois únicos sírios que regressaram à Turquia tinham pedido para o fazer e nenhuma das 202 pessoas “expulsas” pediu asilo na Grécia durante a sua estada.
O caso será diferente para as cerca de 2000 pessoas que já pediram asilo e que chegaram ao país depois de 20 de Março, o que, em teoria, os forçará a ser deportados caso se prove que partiram da Turquia — a única possibilidade de um sírio ou iraquiano evitar a extradição é ter viajado para a Grécia de um país que a União Europeia não considere seguro.
Entraram cerca de 6000 pessoas
Acordo para reduzir número de refugiados entrou ofi cialmente em marcha p22 Deportação de imigrantes não trava refugiados
Pobreza e más habitações determinantes no risco de pneumonias
Ana Maia, in "Diário de Notícias"
Doenças respiratórias matam 47 pessoas por dia em Portugal. Cancro do pulmão e pneumonia são as situações mais graves
As doenças respiratórias são a terceira causa de morte e a quinta de internamento em Portugal. As pneumonias são a situação mais grave. Pobreza, envelhecimento, más condições das habitações e má distribuição de médicos que dificulta o acesso aos cuidados podem explicar porque o país tem dos piores resultados na Europa. Por dia as doenças respiratórias matam, em média, 47 pessoas.
Segundo o relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR), apresentado ontem, em 2014 as doenças respiratórias provocaram a morte de mais de 17 mil pessoas e cerca de 70 mil internamentos. O ONDR destaca o impacto das pneumonias: cerca de 150 mil por ano. No cancro do pulmão registam-se em média mais de 4 mil mortes por ano. "As pneumonias e o cancro agravaram-se nos últimos 12 anos", disse Artur Teles de Araújo, presidente da ONDR. "Temos condições ambientais e socio-económicas e uma população envelhecida é mais facilmente atingida por este tipo de doenças", disse.
O relatório afirmar que "as condições habitacionais são más em muitos lares", que cerca de dois milhões de portugueses estão em risco de pobreza e que com isso aumentam comportamentos de risco e défices alimentares com impacto negativo na saúde respiratória. Situação que se agravou entre 2008 e 2014, "provavelmente relacionável com a crise económico-financeira".
Destaque para o envelhecimento da população, a falta de médicos de família e o número reduzido de consultas por utilizador que "poderá indicar dificuldades na acessibilidade". São condicionantes a falta de enfermeiros, de camas de cuidados continuados e paliativos e de pneumologistas. "A maioria estão concentrados na área metropolitana de Lisboa, do Porto e região centro", disse Teles Araújo, salientando que se o "acesso é pior, cresce o risco de doença respiratória". Embora tenha salientado que considera razoável o rácio de um pneumologista por 25 mil portugueses.
Doenças respiratórias matam 47 portugueses por dia
Precisa-se de rede nacional de espirometria
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), a par da asma, é uma das doenças que se suspeita existir um sub-diagnóstico e tratamento. Segundo o relatório a incidência estimada é de 14% acima dos 40 anos, pelo que se estima que existam cerca de 700 mil pessoas com a doença em Portugal. Mas o número de doentes com diagnóstico registado nos centros de saúde é muito inferior (cerca de 100 mil), tal como o relatório da Direção-Geral da Saúde já tinha apontado. Teles Araújo referiu que em 2014 foram dispensados apenas 894 mil embalagens de broncodilatadores de longa ação.
José Duarte Albino, presidente da Respira, associação de doentes com DPOC, disse ao DN que muitos doentes estão registados nos centros de saúde como tendo bronquite crónica e efisema pulmonar o que faz com exista um sob-diagnóstico. "A existência de uma rede nacional de espirometria é determinante para o diagnóstico. Temos estado em contacto com a diretora do programa das doenças respiratórias, que nos disse que este é um dos objetivos do plano".
Quando ao acesso a cuidados, o mesmo salientou as diferentes que estar num centro de saúde tradicional e uma Unidade de Saúde Familiar (USF) pode ter fruto das diferentes formas de organização dos serviços. "Na USF todas as pessoas têm médico de família e se este faltar tem sempre acesso a consulta. No centro de saúde pode não ter médico de família e não é viável um doente, que tem dificuldades até deslocação, ir às seis da manhã para tentar ter uma consulta. O controlo da doença acaba por ser completamente diferente", afirmou, desconhecendo o número de doentes com DPOC que não têm médico de família atribuído.
Doenças respiratórias matam 47 pessoas por dia em Portugal. Cancro do pulmão e pneumonia são as situações mais graves
As doenças respiratórias são a terceira causa de morte e a quinta de internamento em Portugal. As pneumonias são a situação mais grave. Pobreza, envelhecimento, más condições das habitações e má distribuição de médicos que dificulta o acesso aos cuidados podem explicar porque o país tem dos piores resultados na Europa. Por dia as doenças respiratórias matam, em média, 47 pessoas.
Segundo o relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR), apresentado ontem, em 2014 as doenças respiratórias provocaram a morte de mais de 17 mil pessoas e cerca de 70 mil internamentos. O ONDR destaca o impacto das pneumonias: cerca de 150 mil por ano. No cancro do pulmão registam-se em média mais de 4 mil mortes por ano. "As pneumonias e o cancro agravaram-se nos últimos 12 anos", disse Artur Teles de Araújo, presidente da ONDR. "Temos condições ambientais e socio-económicas e uma população envelhecida é mais facilmente atingida por este tipo de doenças", disse.
O relatório afirmar que "as condições habitacionais são más em muitos lares", que cerca de dois milhões de portugueses estão em risco de pobreza e que com isso aumentam comportamentos de risco e défices alimentares com impacto negativo na saúde respiratória. Situação que se agravou entre 2008 e 2014, "provavelmente relacionável com a crise económico-financeira".
Destaque para o envelhecimento da população, a falta de médicos de família e o número reduzido de consultas por utilizador que "poderá indicar dificuldades na acessibilidade". São condicionantes a falta de enfermeiros, de camas de cuidados continuados e paliativos e de pneumologistas. "A maioria estão concentrados na área metropolitana de Lisboa, do Porto e região centro", disse Teles Araújo, salientando que se o "acesso é pior, cresce o risco de doença respiratória". Embora tenha salientado que considera razoável o rácio de um pneumologista por 25 mil portugueses.
Doenças respiratórias matam 47 portugueses por dia
Precisa-se de rede nacional de espirometria
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), a par da asma, é uma das doenças que se suspeita existir um sub-diagnóstico e tratamento. Segundo o relatório a incidência estimada é de 14% acima dos 40 anos, pelo que se estima que existam cerca de 700 mil pessoas com a doença em Portugal. Mas o número de doentes com diagnóstico registado nos centros de saúde é muito inferior (cerca de 100 mil), tal como o relatório da Direção-Geral da Saúde já tinha apontado. Teles Araújo referiu que em 2014 foram dispensados apenas 894 mil embalagens de broncodilatadores de longa ação.
José Duarte Albino, presidente da Respira, associação de doentes com DPOC, disse ao DN que muitos doentes estão registados nos centros de saúde como tendo bronquite crónica e efisema pulmonar o que faz com exista um sob-diagnóstico. "A existência de uma rede nacional de espirometria é determinante para o diagnóstico. Temos estado em contacto com a diretora do programa das doenças respiratórias, que nos disse que este é um dos objetivos do plano".
Quando ao acesso a cuidados, o mesmo salientou as diferentes que estar num centro de saúde tradicional e uma Unidade de Saúde Familiar (USF) pode ter fruto das diferentes formas de organização dos serviços. "Na USF todas as pessoas têm médico de família e se este faltar tem sempre acesso a consulta. No centro de saúde pode não ter médico de família e não é viável um doente, que tem dificuldades até deslocação, ir às seis da manhã para tentar ter uma consulta. O controlo da doença acaba por ser completamente diferente", afirmou, desconhecendo o número de doentes com DPOC que não têm médico de família atribuído.
Medida para retirar 12 mil do desemprego só chegou a 10%
Ana Margarida Pinheiro, in "Diário de Notícias"
410 mil portugueses estão sem emprego há mais de 12 meses. Bruxelas quer solução para problema que afecta 12 milhões
Em janeiro do ano passado, o governo PSD-CDS prometia que Portugal seria um exemplo na Europa no combate ao desemprego de longa duração e em abril nascia o Programa Reativar. Pedro Mota Soares traçava a meta: em 12 meses, 12 mil desempregados há um ano ou mais estariam nas empresas a reconverter competências. Mas o primeiro ano do programa está a terminar e os números estão longe de ser animadores: foram para a frente apenas 1235 candidaturas para abranger 1349 estagiários.
De acordo com os dados cedidos pelo Ministério do Trabalho e Segurança Social ao DN/Dinheiro Vivo, apenas 10,2% da meta assumida pelo anterior executivo foi cumprida. A ineficácia dos mecanismos de colocação no mercado de trabalho não é uma novidade para Arménio Carlos. O secretário-geral da CGTP assume que é preciso forçar uma descida do desemprego, garantindo que "os empregos são duradouros". Ao DN/Dinheiro Vivo, a propósito do Programa Nacional de Reformas apresentado nesta semana, o líder sindical sublinhou que "o emprego subsidiado não foi mais do que uma farsa - chegava ao fim sem gerar um contrato duradouro".
O Reativar não é um apoio à contratação, mas sim uma medida de estágios profissionais destinada unicamente a desempregos de longa ou muito longa duração. O objetivo é promover a reintegração ou reconversão profissional e está acessível a pessoas com mais de 30 anos que nunca tenham usufruído de outra medida ativa de emprego. A sua criação envolveu um investimento de 43 milhões de euros.
A nova normalidade
Não é o baixo número de desempregados de longa duração que justifica a fraca adesão a esta medida. O desemprego de longa duração já é, afinal, a nova normalidade do desemprego em Portugal.
Em dezembro do ano passado, a última vez que o INE divulgou o desemprego trimestral, contavam-se 646,5 mil desempregados. Destes, 410,6 mil estavam desempregados há um ano ou mais. Isto é, 63,5% dos que procuram emprego sem sucesso são desempregados de longa duração. As diferenças entre homens e mulheres são irrisórias: 208,8 mil são homens; 201,9 mil mulheres. Acredita-se que este universo seja constituído maioritariamente por portugueses com 45 ou mais anos, que tenham perdido os seus postos de trabalho e pela idade já sintam dificuldades em encontrar trabalho. As fracas habilitações é outro dos fatores que dificultam a reconversão para o mer- cado de trabalho.
A perda de emprego em idade tardia já se sente noutro indicador: o governo conseguiu travar as reformas antecipadas voluntárias a partir de 2012, mas não as que resultam de desemprego longo. Aqui, a despesa sobe a uma média de 10% ao ano.
Europa quer soluções
Este problema está longe de ser português. A Comissão Europeia estima que, entre os 23 milhões de desempregados europeus, 50% estejam fora do mercado laboral há 12 meses ou mais, o que deve rondar os 12 milhões de pessoas. "Quanto mais tempo estão fora do mercado, mais difícil se torna o regresso", assume Bruxelas: "Todos os anos, um em cada cinco param de procurar emprego e tornam-se inativos, fazendo aumentar o risco de exclusão social e de pobreza para si e para as famílias."
É para contrariar os números que Bruxelas propõe um programa de inclusão aos desempregados, em que cada um tenha acesso a uma assistência ativa na procura, mais formação e treino em contexto laboral e apoio para habitação, transporte, apoio aos filhos ou reabilitação. Mas o meio para o fazer fica na mão de cada país.
410 mil portugueses estão sem emprego há mais de 12 meses. Bruxelas quer solução para problema que afecta 12 milhões
Em janeiro do ano passado, o governo PSD-CDS prometia que Portugal seria um exemplo na Europa no combate ao desemprego de longa duração e em abril nascia o Programa Reativar. Pedro Mota Soares traçava a meta: em 12 meses, 12 mil desempregados há um ano ou mais estariam nas empresas a reconverter competências. Mas o primeiro ano do programa está a terminar e os números estão longe de ser animadores: foram para a frente apenas 1235 candidaturas para abranger 1349 estagiários.
De acordo com os dados cedidos pelo Ministério do Trabalho e Segurança Social ao DN/Dinheiro Vivo, apenas 10,2% da meta assumida pelo anterior executivo foi cumprida. A ineficácia dos mecanismos de colocação no mercado de trabalho não é uma novidade para Arménio Carlos. O secretário-geral da CGTP assume que é preciso forçar uma descida do desemprego, garantindo que "os empregos são duradouros". Ao DN/Dinheiro Vivo, a propósito do Programa Nacional de Reformas apresentado nesta semana, o líder sindical sublinhou que "o emprego subsidiado não foi mais do que uma farsa - chegava ao fim sem gerar um contrato duradouro".
O Reativar não é um apoio à contratação, mas sim uma medida de estágios profissionais destinada unicamente a desempregos de longa ou muito longa duração. O objetivo é promover a reintegração ou reconversão profissional e está acessível a pessoas com mais de 30 anos que nunca tenham usufruído de outra medida ativa de emprego. A sua criação envolveu um investimento de 43 milhões de euros.
A nova normalidade
Não é o baixo número de desempregados de longa duração que justifica a fraca adesão a esta medida. O desemprego de longa duração já é, afinal, a nova normalidade do desemprego em Portugal.
Em dezembro do ano passado, a última vez que o INE divulgou o desemprego trimestral, contavam-se 646,5 mil desempregados. Destes, 410,6 mil estavam desempregados há um ano ou mais. Isto é, 63,5% dos que procuram emprego sem sucesso são desempregados de longa duração. As diferenças entre homens e mulheres são irrisórias: 208,8 mil são homens; 201,9 mil mulheres. Acredita-se que este universo seja constituído maioritariamente por portugueses com 45 ou mais anos, que tenham perdido os seus postos de trabalho e pela idade já sintam dificuldades em encontrar trabalho. As fracas habilitações é outro dos fatores que dificultam a reconversão para o mer- cado de trabalho.
A perda de emprego em idade tardia já se sente noutro indicador: o governo conseguiu travar as reformas antecipadas voluntárias a partir de 2012, mas não as que resultam de desemprego longo. Aqui, a despesa sobe a uma média de 10% ao ano.
Europa quer soluções
Este problema está longe de ser português. A Comissão Europeia estima que, entre os 23 milhões de desempregados europeus, 50% estejam fora do mercado laboral há 12 meses ou mais, o que deve rondar os 12 milhões de pessoas. "Quanto mais tempo estão fora do mercado, mais difícil se torna o regresso", assume Bruxelas: "Todos os anos, um em cada cinco param de procurar emprego e tornam-se inativos, fazendo aumentar o risco de exclusão social e de pobreza para si e para as famílias."
É para contrariar os números que Bruxelas propõe um programa de inclusão aos desempregados, em que cada um tenha acesso a uma assistência ativa na procura, mais formação e treino em contexto laboral e apoio para habitação, transporte, apoio aos filhos ou reabilitação. Mas o meio para o fazer fica na mão de cada país.
Linha de Apoio à Vida recebe 17 chamadas por dia
In "Impulso Positivo"
Linha de Apoio à Vítima da APAV atendeu, entre novembro de 2014 e dezembro de 2015, uma média de 17 chamadas por dia, a maioria por maus-tratos físicos e psíquicos.
Neste período, o serviço da Associação Portuguesa de Apoio à Vitima atendeu 3.819 chamadas e abriu 2.303 novos processos de apoio, segundo as “Estatísticas da Linha de Apoio à Vítima (LAV)”.
Os dados, a que agência Lusa teve acesso, mostram que o crime contra as pessoas motivou 95,1 das chamadas. 66.4% das quais foram por maus-tratos físicos e psíquicos, no âmbito da violência doméstica. 3,7% por ameaça/coação e 3,1% por ofensas à integridade física.
A maior parte das vftimas (84%) são mulheres, com uma média de idade de 46 anos, casadas ou a viver em união de tacto (59%), sendo que a maioria (51%) vive numa família nucLear com fiLhos, 47% têm o ensino superior e 43% estão empregadas.
A maior parte das chamadas para a LAV, um serviço de atendimento telefónico, gratuito e confidencial, foi feita pela vítima (68,1%), seguindo-se os familiares (21,2%), os amigos e conhecidos (13,3%).
Lançada a 17 de novembro de 2014, a tinha. que corresponde ao número de apoio à vítima europeu (116 006). trabalha numa rede de parcerias com entidades judiciárias e policiais, possibilitando um encaminhamento rápido da vítima para as entidades competentes.
Linha de Apoio à Vítima da APAV atendeu, entre novembro de 2014 e dezembro de 2015, uma média de 17 chamadas por dia, a maioria por maus-tratos físicos e psíquicos.
Neste período, o serviço da Associação Portuguesa de Apoio à Vitima atendeu 3.819 chamadas e abriu 2.303 novos processos de apoio, segundo as “Estatísticas da Linha de Apoio à Vítima (LAV)”.
Os dados, a que agência Lusa teve acesso, mostram que o crime contra as pessoas motivou 95,1 das chamadas. 66.4% das quais foram por maus-tratos físicos e psíquicos, no âmbito da violência doméstica. 3,7% por ameaça/coação e 3,1% por ofensas à integridade física.
A maior parte das vftimas (84%) são mulheres, com uma média de idade de 46 anos, casadas ou a viver em união de tacto (59%), sendo que a maioria (51%) vive numa família nucLear com fiLhos, 47% têm o ensino superior e 43% estão empregadas.
A maior parte das chamadas para a LAV, um serviço de atendimento telefónico, gratuito e confidencial, foi feita pela vítima (68,1%), seguindo-se os familiares (21,2%), os amigos e conhecidos (13,3%).
Lançada a 17 de novembro de 2014, a tinha. que corresponde ao número de apoio à vítima europeu (116 006). trabalha numa rede de parcerias com entidades judiciárias e policiais, possibilitando um encaminhamento rápido da vítima para as entidades competentes.
117 mil latas de alimentos usadas para fazer esculturas solidárias
Sandra Costa, in "Jornal de Notícias"
Entre 37 esculturas, foi a de Miguel Neiva a estrutura com mais latas, cerca de 25 mil. Esta e as outras obras, feitas com latas de alimentos, estão expostas no Pavilhão Multiusos de Gondomar. numa exposição a decorrer até amanhã. Trata-se da iniciativa “F preciso ter lata!”, organizada pela associação Canstrucion Portugal. que tem como objetivo passar mensagens ligadas à luta contra a (orne.
No total, conseguiu-se angariar
mais de 117 mil latas 50 mii oferecidas peLa Bom Petisco (patrocinador do evento, juntamente com a Rangel) e as restantes foram doações de particulares. “o desafio era aprender, com estas experiências. a ajudar. disse Aurora Vieira, vereadora da Educação da Câmara de Gondomar. As esculturas foram elaboradas por 500 crianças e jovens “da Pré-primária ao Secundário” de todo o pais. Os alimentos se- tão entregues à Associação Acreditar. Quem visitar a exposição também pode levar donativos.
É preciso ter latar é uma ação que pretende “percorrer todo o país, deixando sempre uma semente”, explicou Dénis Conceição. presidente da Canstruction Portugal. Na edição deste ano, inscreveram-se equipas de todo o pais, iacluindo uma da Ilha do Pico, Açores. O número de Inscritos deste ano superou todas as edições anterlores.5A NORAcOSTA
Laias usadas para fazer esculturas seio doadas à Associação Acreditar
Entre 37 esculturas, foi a de Miguel Neiva a estrutura com mais latas, cerca de 25 mil. Esta e as outras obras, feitas com latas de alimentos, estão expostas no Pavilhão Multiusos de Gondomar. numa exposição a decorrer até amanhã. Trata-se da iniciativa “F preciso ter lata!”, organizada pela associação Canstrucion Portugal. que tem como objetivo passar mensagens ligadas à luta contra a (orne.
No total, conseguiu-se angariar
mais de 117 mil latas 50 mii oferecidas peLa Bom Petisco (patrocinador do evento, juntamente com a Rangel) e as restantes foram doações de particulares. “o desafio era aprender, com estas experiências. a ajudar. disse Aurora Vieira, vereadora da Educação da Câmara de Gondomar. As esculturas foram elaboradas por 500 crianças e jovens “da Pré-primária ao Secundário” de todo o pais. Os alimentos se- tão entregues à Associação Acreditar. Quem visitar a exposição também pode levar donativos.
É preciso ter latar é uma ação que pretende “percorrer todo o país, deixando sempre uma semente”, explicou Dénis Conceição. presidente da Canstruction Portugal. Na edição deste ano, inscreveram-se equipas de todo o pais, iacluindo uma da Ilha do Pico, Açores. O número de Inscritos deste ano superou todas as edições anterlores.5A NORAcOSTA
Laias usadas para fazer esculturas seio doadas à Associação Acreditar
Campanha para apoiar refugiados no Líbano angariou 225 mil euros
In "Público"
Iniciativa lançada pela Plataforma de Apoio aos Refugiados ultrapassou os objectivos previstos. Só no Líbano estarão 1,5 milhões de refugiados AFP/JOSEPH EID A campanha da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) para apoiar crianças e famílias refugiadas no Líbano, que termina nesta quinta-feira, angariou 225 mil euros, "ultrapassando os objectivos iniciais", avançou à agência Lusa o coordenador da PAR. A recolha de fundos teve início a 21 de Setembro de 2015, no âmbito do programa PAR - Linha da Frente, e destinou-se a apoiar o trabalho da Cáritas libanesa e do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) no Líbano, que acolhe 1,5 milhões de refugiados. Fazendo um balanço da campanha, o coordenador da PAR, Rui Marques, disse que ultrapassou o objectivo estabelecido de 200 mil euros e demonstrou a generosidade dos portugueses.
"Apesar de todas as dificuldades financeiras, dos tempos de crise que têm vivido", os portugueses "continuam a ser solidários com quem não tem nada, nomeadamente os refugiados que perderam tudo ao fugir da sua casa e do seu país sem nada", adiantou. A verba doada à Cáritas Líbano destina-se a apoiar famílias, a nível da alimentação, produtos de higiene, cuidados de saúde e agasalhos. Já os fundos destinados ao Serviço Jesuíta aos Refugiados Líbano destinam-se a apoiar 1720 crianças refugiadas sírias de cinco escolas da região do Vale do Bekaa, no leste do Líbano.
"É importante percebermos que nos 1,5 milhões de refugiados [que estão no Líbano] há um número muito grande de crianças (cerca de 350 a 400 mil) que não têm lugar nas escolas libanesas", disse o coordenador da PAR. Segundo Rui Marques, é necessário construir novas escolas para que estas crianças "não interrompam o seu percurso de aprendizagem e possam ter uma vida relativamente normal". O responsável lembrou que a PAR - Linha da Frente Líbano foi uma iniciativa que a Plataforma de Apoio aos Refugiados desenvolveu para apoiar "os refugiados que estão em países de trânsito, nomeadamente no Líbano, que tem 1,5 milhões de refugiados num quadro de um país com quatro milhões de habitantes".
"É um país com uma situação muito difícil", lamentou. Recentemente, a plataforma lançou também o PAR - Linha da Frente Grécia para apoiar os refugiados naquele país, através de voluntariado, de uma recolha de fundos para apoiar organizações no terreno e apoio de bens consoante as necessidades verificadas. Rui Marques adiantou que já está em Lesbos e em Atenas uma equipa de voluntários a trabalhar com organizações locais no apoio aos refugiados. A PAR, plataforma da qual fazem parte várias organizações da sociedade civil portuguesa, inclui duas áreas de actuação: acolhimento e integração de crianças refugiadas e das suas famílias em Portugal e apoio aos refugiados no seu país de origem.
Iniciativa lançada pela Plataforma de Apoio aos Refugiados ultrapassou os objectivos previstos. Só no Líbano estarão 1,5 milhões de refugiados AFP/JOSEPH EID A campanha da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) para apoiar crianças e famílias refugiadas no Líbano, que termina nesta quinta-feira, angariou 225 mil euros, "ultrapassando os objectivos iniciais", avançou à agência Lusa o coordenador da PAR. A recolha de fundos teve início a 21 de Setembro de 2015, no âmbito do programa PAR - Linha da Frente, e destinou-se a apoiar o trabalho da Cáritas libanesa e do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) no Líbano, que acolhe 1,5 milhões de refugiados. Fazendo um balanço da campanha, o coordenador da PAR, Rui Marques, disse que ultrapassou o objectivo estabelecido de 200 mil euros e demonstrou a generosidade dos portugueses.
"Apesar de todas as dificuldades financeiras, dos tempos de crise que têm vivido", os portugueses "continuam a ser solidários com quem não tem nada, nomeadamente os refugiados que perderam tudo ao fugir da sua casa e do seu país sem nada", adiantou. A verba doada à Cáritas Líbano destina-se a apoiar famílias, a nível da alimentação, produtos de higiene, cuidados de saúde e agasalhos. Já os fundos destinados ao Serviço Jesuíta aos Refugiados Líbano destinam-se a apoiar 1720 crianças refugiadas sírias de cinco escolas da região do Vale do Bekaa, no leste do Líbano.
"É importante percebermos que nos 1,5 milhões de refugiados [que estão no Líbano] há um número muito grande de crianças (cerca de 350 a 400 mil) que não têm lugar nas escolas libanesas", disse o coordenador da PAR. Segundo Rui Marques, é necessário construir novas escolas para que estas crianças "não interrompam o seu percurso de aprendizagem e possam ter uma vida relativamente normal". O responsável lembrou que a PAR - Linha da Frente Líbano foi uma iniciativa que a Plataforma de Apoio aos Refugiados desenvolveu para apoiar "os refugiados que estão em países de trânsito, nomeadamente no Líbano, que tem 1,5 milhões de refugiados num quadro de um país com quatro milhões de habitantes".
"É um país com uma situação muito difícil", lamentou. Recentemente, a plataforma lançou também o PAR - Linha da Frente Grécia para apoiar os refugiados naquele país, através de voluntariado, de uma recolha de fundos para apoiar organizações no terreno e apoio de bens consoante as necessidades verificadas. Rui Marques adiantou que já está em Lesbos e em Atenas uma equipa de voluntários a trabalhar com organizações locais no apoio aos refugiados. A PAR, plataforma da qual fazem parte várias organizações da sociedade civil portuguesa, inclui duas áreas de actuação: acolhimento e integração de crianças refugiadas e das suas famílias em Portugal e apoio aos refugiados no seu país de origem.
Reforçar apoio a mais de 17 mil doentes. O futuro da liga
Ana Maia, in "Diário de Notícias"
Associação faz 75 anos a pensar no futuro. Chegar a todo o país e dar apoio domiciliário, com ajuda do IPO, são as duas apostas
Mais de 700 mil euros em apoio a doentes carenciados, 4800 consultas, 295 mil mamografias e 534 mil euros atribuídos a bolsas de investigação. Uma pequena parte do balanço de 2015 das atividades da Liga Portuguesa contra o Cancro (LPCC), que neste ano celebra 75 anos. Os pedidos de ajuda continuam a aumentar e, para 2016, o presidente Vítor Veloso não espera uma melhoria: são já mais de 17 mil os doentes que recebem ajuda, da alimentação ao transporte e compra de medicamentos. E há ideias para novos projetos.
Em Lisboa há uma iniciativa com o Instituto Português de Oncologia (IPO). "Ter apoio domiciliário é um objetivo. Estamos a desenvolver um projeto com o IPO, mas ainda não existe formalmente. Esperamos ter neste ano a equipa a funcionar e, a partir daí, criar outras semelhantes", explica Francisco Cavaleiro Ferreira, presidente da região sul da LPCC.
Nesta região, a maior em território, o desafio é estar presente em todas as capitais de distrito. "Estamos a fazer um esforço grande neste sentido. Inaugurámos em Setúbal um grupo de apoio e esperamos em breve fazer o mesmo no Algarve. Também estamos a fazer um esforço para abrir mais delegações, pequenas unidades só com voluntários, que podem estar em várias localidades. Queremos criar postos avançados para tornar os dois eixos estratégicos da liga - prevenção e apoio aos doentes - efetivos", diz.
Mas as dificuldades persistem. "Do ponto de vista económico e social continuamos na mesma. Os chamados pobres envergonhados, classe média, começam agora a pedir ajuda. Têm enorme dificuldade em expor-se, é uma fatia da população a que queremos dar conforto e fazemo-lo com discrição", diz ao DN Vítor Veloso, salientando que é uma das áreas do trabalho da liga que considera mais importantes.
No ano passado, a LPCC disponibilizou 757 mil euros para doentes mais carenciados. Ajuda na compra de medicamentos, próteses, mas também transporte e alimentação. Um acréscimo de perto de 19% em relação a 2014, ano em que a liga já ajudava mais de 17 mil doentes. E como os pedidos continuam a chegar, para este ano a instituição prevê aumentar em 20% o fundo para responder às necessidades dos doentes.
Esta não é a única preocupação. "Há perspetivas positivas no rastreio. O atual ministério conhece o terreno e tem obrigação de desencadear rapidamente a situação. À liga continuam a chegar queixas sobre tempos de espera para diagnóstico e cirurgia e acesso à medicação. Não podemos ter cidadãos de primeira e de segunda no SNS. Iremos transmitir ao ministério esta situação. Continua o problema de subfinanciamento na saúde, nomeadamente na oncologia, mas temos à frente do ministério pessoas muito positivas e com ideias", diz o presidente da liga.
O papel dos voluntários
Só no cancro da mama, um dos mais frequentes em Portugal, surgem por ano cerca de cinco mil novos casos, e o número de doentes continuará a aumentar, neste e noutros cancros, fruto do envelhecimento da população e dos estilos de vida. Chegar mais próximo dos doentes em todo o país só é possível com mais voluntários comunitários e equipas domiciliárias.
São mais de 22 mil. "Temos voluntários de competência, como psicólogos e juristas, o voluntariado comunitário, com ações de sensibilização para a participação no rastreio, e os voluntários hospitalares. Temos 17 serviços de voluntariado, de diferentes tipos, a funcionar no IPO e, nos últimos três anos, formámos 180 voluntários hospitalares", diz Cavaleiro Ferreira.
Associação faz 75 anos a pensar no futuro. Chegar a todo o país e dar apoio domiciliário, com ajuda do IPO, são as duas apostas
Mais de 700 mil euros em apoio a doentes carenciados, 4800 consultas, 295 mil mamografias e 534 mil euros atribuídos a bolsas de investigação. Uma pequena parte do balanço de 2015 das atividades da Liga Portuguesa contra o Cancro (LPCC), que neste ano celebra 75 anos. Os pedidos de ajuda continuam a aumentar e, para 2016, o presidente Vítor Veloso não espera uma melhoria: são já mais de 17 mil os doentes que recebem ajuda, da alimentação ao transporte e compra de medicamentos. E há ideias para novos projetos.
Em Lisboa há uma iniciativa com o Instituto Português de Oncologia (IPO). "Ter apoio domiciliário é um objetivo. Estamos a desenvolver um projeto com o IPO, mas ainda não existe formalmente. Esperamos ter neste ano a equipa a funcionar e, a partir daí, criar outras semelhantes", explica Francisco Cavaleiro Ferreira, presidente da região sul da LPCC.
Nesta região, a maior em território, o desafio é estar presente em todas as capitais de distrito. "Estamos a fazer um esforço grande neste sentido. Inaugurámos em Setúbal um grupo de apoio e esperamos em breve fazer o mesmo no Algarve. Também estamos a fazer um esforço para abrir mais delegações, pequenas unidades só com voluntários, que podem estar em várias localidades. Queremos criar postos avançados para tornar os dois eixos estratégicos da liga - prevenção e apoio aos doentes - efetivos", diz.
Mas as dificuldades persistem. "Do ponto de vista económico e social continuamos na mesma. Os chamados pobres envergonhados, classe média, começam agora a pedir ajuda. Têm enorme dificuldade em expor-se, é uma fatia da população a que queremos dar conforto e fazemo-lo com discrição", diz ao DN Vítor Veloso, salientando que é uma das áreas do trabalho da liga que considera mais importantes.
No ano passado, a LPCC disponibilizou 757 mil euros para doentes mais carenciados. Ajuda na compra de medicamentos, próteses, mas também transporte e alimentação. Um acréscimo de perto de 19% em relação a 2014, ano em que a liga já ajudava mais de 17 mil doentes. E como os pedidos continuam a chegar, para este ano a instituição prevê aumentar em 20% o fundo para responder às necessidades dos doentes.
Esta não é a única preocupação. "Há perspetivas positivas no rastreio. O atual ministério conhece o terreno e tem obrigação de desencadear rapidamente a situação. À liga continuam a chegar queixas sobre tempos de espera para diagnóstico e cirurgia e acesso à medicação. Não podemos ter cidadãos de primeira e de segunda no SNS. Iremos transmitir ao ministério esta situação. Continua o problema de subfinanciamento na saúde, nomeadamente na oncologia, mas temos à frente do ministério pessoas muito positivas e com ideias", diz o presidente da liga.
O papel dos voluntários
Só no cancro da mama, um dos mais frequentes em Portugal, surgem por ano cerca de cinco mil novos casos, e o número de doentes continuará a aumentar, neste e noutros cancros, fruto do envelhecimento da população e dos estilos de vida. Chegar mais próximo dos doentes em todo o país só é possível com mais voluntários comunitários e equipas domiciliárias.
São mais de 22 mil. "Temos voluntários de competência, como psicólogos e juristas, o voluntariado comunitário, com ações de sensibilização para a participação no rastreio, e os voluntários hospitalares. Temos 17 serviços de voluntariado, de diferentes tipos, a funcionar no IPO e, nos últimos três anos, formámos 180 voluntários hospitalares", diz Cavaleiro Ferreira.
Espetáculo "Gulag" quer ser um "grito à exclusão"
In "Sic Notícias"
A Casa da Música, no Porto, dedica este ano à Rússia e apresenta o espetáculo "Gulag". Os lemas da inclusão e da igualdade de oportunidades sobem ao palco na próxima segunda-feira, 4 de abril, num espetáculo que quer ser "um grito à exclusão".
A Casa da Música, no Porto, dedica este ano à Rússia e apresenta o espetáculo "Gulag". Os lemas da inclusão e da igualdade de oportunidades sobem ao palco na próxima segunda-feira, 4 de abril, num espetáculo que quer ser "um grito à exclusão".
Combate á discriminação
in Metro
Sociedade. A ação de sensibilização, lançada hoje pela EAPN Portugal, tem como objetivo chamar a atenção para os preconceitos de que a comunidade cigana é alvo hoje em dia.
A European Anti Poverty Network (EAPN), ou seja, a Rede Europeia Antipobreza lança hoje, no Porto, a campanha “A Discriminação é Falta de Educação”. A iniciativa visa chamar a atenção para “as iniquidades de que as comunidades ciganas são, ainda, alvo”. “Estamos conscientes de que as atitudes, os comportamentos e as próprias representações sociais resultam de um conjunto de mensagens e informações, geralmente distorcidas da realidade, fundadas em experiências de situações negativas vividas por alguns cidadãos e que se converteram em generalizações”, explica Maria José Vicente, socióloga da EAPN Portugal e coautora, com Sérgio Aires, sociólogo e fotógrafo, do livro “O Singular do Plural” que será, ainda, apresentado no âmbito desta iniciativa. A campanha, dividida em duas fases, sensibiliza para a necessidade de um “continuado combate à discriminação”. “Um combate centrado no questionamento de estereótipos, incitando as pessoas a conhecerem antes de discriminarem negativamente. A iniciativa tem este fim, o de desconstruir mitos, num esforço coletivo de co-responsabilidade, para a indispensável convivência de todas as diferenças”, informa a organização.
Sociedade. A ação de sensibilização, lançada hoje pela EAPN Portugal, tem como objetivo chamar a atenção para os preconceitos de que a comunidade cigana é alvo hoje em dia.
A European Anti Poverty Network (EAPN), ou seja, a Rede Europeia Antipobreza lança hoje, no Porto, a campanha “A Discriminação é Falta de Educação”. A iniciativa visa chamar a atenção para “as iniquidades de que as comunidades ciganas são, ainda, alvo”. “Estamos conscientes de que as atitudes, os comportamentos e as próprias representações sociais resultam de um conjunto de mensagens e informações, geralmente distorcidas da realidade, fundadas em experiências de situações negativas vividas por alguns cidadãos e que se converteram em generalizações”, explica Maria José Vicente, socióloga da EAPN Portugal e coautora, com Sérgio Aires, sociólogo e fotógrafo, do livro “O Singular do Plural” que será, ainda, apresentado no âmbito desta iniciativa. A campanha, dividida em duas fases, sensibiliza para a necessidade de um “continuado combate à discriminação”. “Um combate centrado no questionamento de estereótipos, incitando as pessoas a conhecerem antes de discriminarem negativamente. A iniciativa tem este fim, o de desconstruir mitos, num esforço coletivo de co-responsabilidade, para a indispensável convivência de todas as diferenças”, informa a organização.
Pobreza e más habitações determinantes no risco de pneumonias
in Diário de Notícias
Doenças respiratórias matam 47 pessoas por dia em Portugal. Cancro do pulmão e pneumonia são as situações mais graves
As doenças respiratórias são a terceira causa de morte e a quinta de internamento em Portugal. As pneumonias são a situação mais grave. Pobreza, envelhecimento, más condições das habitações e má distribuição de médicos que dificulta o acesso aos cuidados podem explicar porque o país tem dos piores resultados na Europa. Por dia as doenças respiratórias matam, em média, 47 pessoas.
Segundo o relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR), apresentado ontem, em 2014 as doenças respiratórias provocaram a morte de mais de 17 mil pessoas e cerca de 70 mil internamentos. O ONDR destaca o impacto das pneumonias: cerca de 150 mil por ano. No cancro do pulmão registam-se em média mais de 4 mil mortes por ano. "As pneumonias e o cancro agravaram-se nos últimos 12 anos", disse Artur Teles de Araújo, presidente da ONDR. "Temos condições ambientais e socio-económicas e uma população envelhecida é mais facilmente atingida por este tipo de doenças", disse.
O relatório afirmar que "as condições habitacionais são más em muitos lares", que cerca de dois milhões de portugueses estão em risco de pobreza e que com isso aumentam comportamentos de risco e défices alimentares com impacto negativo na saúde respiratória. Situação que se agravou entre 2008 e 2014, "provavelmente relacionável com a crise económico-financeira".
Destaque para o envelhecimento da população, a falta de médicos de família e o número reduzido de consultas por utilizador que "poderá indicar dificuldades na acessibilidade". São condicionantes a falta de enfermeiros, de camas de cuidados continuados e paliativos e de pneumologistas. "A maioria estão concentrados na área metropolitana de Lisboa, do Porto e região centro", disse Teles Araújo, salientando que se o "acesso é pior, cresce o risco de doença respiratória". Embora tenha salientado que considera razoável o rácio de um pneumologista por 25 mil portugueses.
Doenças respiratórias matam 47 portugueses por dia
Precisa-se de rede nacional de espirometria
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), a par da asma, é uma das doenças que se suspeita existir um sub-diagnóstico e tratamento. Segundo o relatório a incidência estimada é de 14% acima dos 40 anos, pelo que se estima que existam cerca de 700 mil pessoas com a doença em Portugal. Mas o número de doentes com diagnóstico registado nos centros de saúde é muito inferior (cerca de 100 mil), tal como o relatório da Direção-Geral da Saúde já tinha apontado. Teles Araújo referiu que em 2014 foram dispensados apenas 894 mil embalagens de broncodilatadores de longa ação.
José Duarte Albino, presidente da Respira, associação de doentes com DPOC, disse ao DN que muitos doentes estão registados nos centros de saúde como tendo bronquite crónica e efisema pulmonar o que faz com exista um sob-diagnóstico. "A existência de uma rede nacional de espirometria é determinante para o diagnóstico. Temos estado em contacto com a diretora do programa das doenças respiratórias, que nos disse que este é um dos objetivos do plano".
Quando ao acesso a cuidados, o mesmo salientou as diferentes que estar num centro de saúde tradicional e uma Unidade de Saúde Familiar (USF) pode ter fruto das diferentes formas de organização dos serviços. "Na USF todas as pessoas têm médico de família e se este faltar tem sempre acesso a consulta. No centro de saúde pode não ter médico de família e não é viável um doente, que tem dificuldades até deslocação, ir às seis da manhã para tentar ter uma consulta. O controlo da doença acaba por ser completamente diferente", afirmou, desconhecendo o número de doentes com DPOC que não têm médico de família atribuído.
Doenças respiratórias matam 47 pessoas por dia em Portugal. Cancro do pulmão e pneumonia são as situações mais graves
As doenças respiratórias são a terceira causa de morte e a quinta de internamento em Portugal. As pneumonias são a situação mais grave. Pobreza, envelhecimento, más condições das habitações e má distribuição de médicos que dificulta o acesso aos cuidados podem explicar porque o país tem dos piores resultados na Europa. Por dia as doenças respiratórias matam, em média, 47 pessoas.
Segundo o relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR), apresentado ontem, em 2014 as doenças respiratórias provocaram a morte de mais de 17 mil pessoas e cerca de 70 mil internamentos. O ONDR destaca o impacto das pneumonias: cerca de 150 mil por ano. No cancro do pulmão registam-se em média mais de 4 mil mortes por ano. "As pneumonias e o cancro agravaram-se nos últimos 12 anos", disse Artur Teles de Araújo, presidente da ONDR. "Temos condições ambientais e socio-económicas e uma população envelhecida é mais facilmente atingida por este tipo de doenças", disse.
O relatório afirmar que "as condições habitacionais são más em muitos lares", que cerca de dois milhões de portugueses estão em risco de pobreza e que com isso aumentam comportamentos de risco e défices alimentares com impacto negativo na saúde respiratória. Situação que se agravou entre 2008 e 2014, "provavelmente relacionável com a crise económico-financeira".
Destaque para o envelhecimento da população, a falta de médicos de família e o número reduzido de consultas por utilizador que "poderá indicar dificuldades na acessibilidade". São condicionantes a falta de enfermeiros, de camas de cuidados continuados e paliativos e de pneumologistas. "A maioria estão concentrados na área metropolitana de Lisboa, do Porto e região centro", disse Teles Araújo, salientando que se o "acesso é pior, cresce o risco de doença respiratória". Embora tenha salientado que considera razoável o rácio de um pneumologista por 25 mil portugueses.
Doenças respiratórias matam 47 portugueses por dia
Precisa-se de rede nacional de espirometria
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), a par da asma, é uma das doenças que se suspeita existir um sub-diagnóstico e tratamento. Segundo o relatório a incidência estimada é de 14% acima dos 40 anos, pelo que se estima que existam cerca de 700 mil pessoas com a doença em Portugal. Mas o número de doentes com diagnóstico registado nos centros de saúde é muito inferior (cerca de 100 mil), tal como o relatório da Direção-Geral da Saúde já tinha apontado. Teles Araújo referiu que em 2014 foram dispensados apenas 894 mil embalagens de broncodilatadores de longa ação.
José Duarte Albino, presidente da Respira, associação de doentes com DPOC, disse ao DN que muitos doentes estão registados nos centros de saúde como tendo bronquite crónica e efisema pulmonar o que faz com exista um sob-diagnóstico. "A existência de uma rede nacional de espirometria é determinante para o diagnóstico. Temos estado em contacto com a diretora do programa das doenças respiratórias, que nos disse que este é um dos objetivos do plano".
Quando ao acesso a cuidados, o mesmo salientou as diferentes que estar num centro de saúde tradicional e uma Unidade de Saúde Familiar (USF) pode ter fruto das diferentes formas de organização dos serviços. "Na USF todas as pessoas têm médico de família e se este faltar tem sempre acesso a consulta. No centro de saúde pode não ter médico de família e não é viável um doente, que tem dificuldades até deslocação, ir às seis da manhã para tentar ter uma consulta. O controlo da doença acaba por ser completamente diferente", afirmou, desconhecendo o número de doentes com DPOC que não têm médico de família atribuído.
Violência contra idosos. Quando a solidão é não poder dizê-la
Teresa Abecasis , Rodrigo Machado (ilustrações e gráficos, in RR
Isabel foi prisioneira dentro da própria casa. “Ela é a filha que eu nunca tive”, diz uma idosa sobre a cuidadora que lhe ficou com o dinheiro todo. A violência contra idosos é um problema escondido em Portugal: o agressor é, na maior parte das vezes, quem cuida da vítima.
Isabel foi prisioneira dentro da própria casa. Reformada, vivia sozinha e quem costumava cuidar dela era a nora. “Cuidar”. Isto era o que o resto da família pensava, mas a realidade era outra: a nora gritava, insultava-a, desvalorizava-a e, pior que tudo, mantinha a sogra trancada em casa.
Foi preciso Isabel (nome fictício) correr perigo de vida para isto acabar. Um dia, sentiu-se mal, e, sem outra alternativa, gritou por ajuda. Os vizinhos chamaram o INEM, mas só depois de a polícia intervir conseguiram chegar até ela. No hospital é que acabou por revelar o que se passava.
A história de Isabel chegou à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) através de uma vizinha, testemunha da violência que se passava dentro de quatro paredes.
Não há muitos dados sobre a violência contra idosos em Portugal. Os dados da APAV relativos a 2015, recentemente divulgados, mostram uma subida no número de denúncias: no ano passado registaram-se mais de dois casos por dia contra vítimas com mais de 65 anos (977 no ano inteiro, mais 125 do que em 2014). Números alarmantes, que a associação acredita estarem ainda aquém da realidade.
“Temos muitas situações complicadas”, explica Sónia Reis, gestora da Linha de Apoio à Vítima da APAV, mas “acreditamos que há muitas situações ainda por chegar até nós. Haverá, com certeza, muitas cifras negras”.
Perfil da vítima idosa com quem a APAV contactou em 2015. Mas há muitas histórias que continuam escondidas. A violência contra idosos não distingue entre ricos e pobres, habitantes urbanos e rurais
O único estudo feito em Portugal sobre o tema também aponta para valores mais significativos: estima que um em cada dez idosos com mais de 60 anos seja vítima de violência por parte de pessoas conhecidas (12,6%, de acordo com o projecto “Envelhecimento e Violência”, coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, publicado em 2014).
De acordo com estes dados, mais de 300 mil idosos foram vítimas de violência no espaço de um ano, entre Outubro de 2011 e Outubro de 2012.
Entre as vítimas, outro número salta à vista: mais de metade não falou sobre o caso nem apresentou queixa (64,9% das vítimas). E é aqui que a situação fica mais complicada.
Tudo em família
Voltamos à história de Isabel. Chamado pelo serviço social do hospital, o filho foi informado da violência a que a mãe era sujeita. Foi uma surpresa.
“Não queria acreditar no que estava a acontecer”, conta Sónia Reis, da APAV. A mãe nunca tinha dito nada, temia ser mal entendida e que isso afectasse a relação com o filho. Uma possibilidade que ela não queria arriscar, mesmo quando isso significava continuar a sofrer. Quando o pedido de ajuda chegou, já era uma questão de sobrevivência.
Quando há violência contra idosos, quase sempre o agressor está na família. Em quase 60% dos casos, estima o projecto “Envelhecimento e Violência”. E acrescenta que 13,5% das vítimas recusa identificar o agressor, um número que, acreditam os autores do estudo, pode esconder mais familiares.
Dentro da família, em metade dos casos, a violência parte do cônjuge ou companheiro ou dos filhos. Na maior parte dos casos, o idoso, para além de gerir o seu sofrimento, tem de se confrontar com questões afectivas.
Testemunhos de violência na primeira pessoa. Clique para ver com maior dimensão
“A pessoa chega a ter vergonha de dizer que é vítima de violência”, salienta Etelvina Ferreira, directora da Unidade de Desenvolvimento e Intervenção de Proximidade Tejo, da Santa Casa da Misericórdia.
Etelvina já viu muitas histórias de violência contra idosos e analisa o jogo emocional em causa. “Esta é uma idade de pensar muito, de fazer o balanço da vida, e é uma idade para pensar também naquilo que nós fomos. Um idoso, muitas vezes, sente um bocadinho um sentimento de culpa ao pensar que está a ser vítima de violência porque ele próprio não soube cuidar das relações ao longo da vida com os seus descendentes, nomeadamente filhos, ou companheiros”, diz.
Além da vergonha, existe a desvalorização do problema, que reflecte uma desvalorização da própria pessoa. Sónia Reis completa: “É muito difícil para o idoso denunciar, e acaba muitas vezes por ir aguentando. Ou só pedir ajuda no sentido de poder ter algum apoio psicológico para suportar aquela situação, mas dizendo à partida que não pretendem denunciar às autoridades”.
A denúncia é a maneira mais eficaz de desbloquear os vários mecanismos não só de condenação do agressor, mas também de protecção da vítima. Porque é de crimes que estamos a falar e há muitos casos que nunca chegam à justiça. “Não sempre, nem em todas as situações, nem em todas que se pretendia. Mas há casos de agressores que são condenados”, lamenta a responsável da APAV.
A complementar o silêncio das vítimas está um sistema de justiça pouco eficiente nesta matéria. O relatório do projecto “Envelhecimento e Violência” deixa um alerta: “O enquadramento jurídico-legal português não dá uma resposta célere e eficiente a todas as condutas/formas de violência que põem em causa os direitos das pessoas idosas.”
Afectos em troca de dinheiro
Aconteceu num centro de dia da Santa Casa da Misericórdia. Uma idosa que frequentava a instituição ia atrasando o pagamento do serviço sem nenhum motivo que o justificasse. O caso é contado por Etelvina Ferreira: “Fomos percebendo… A senhora dizia: ‘A Maria há-de vir pagar’. Chamo-lhe Maria, mas podia chamar-lhe outro nome qualquer. E percebemos que a Maria era uma cuidadora que a pessoa tinha em casa”.
A pouco e pouco, foram descortinando a gravidade do caso: “Maria” tinha uma procuração que lhe dava acesso à conta bancária da senhora, supostamente para fazer os pagamentos da idosa, mas vinha andando a pagar as suas próprias contas.
A idosa estava falida e consciente da burla, mas mesmo assim recusava-se a denunciar a cuidadora. “Este tipo de violência é muito grave, e despe-nos de tudo o que é nosso. Mas esta senhora dizia-nos: “Não façam nada de mal contra a Maria, porque ela é a filha que eu nunca tive”, recorda Etelvina Ferreira.
As violências financeira e psicológica são as mais frequentes em Portugal e estima-se que afecte 6,3% da população com mais de 60 anos (relatório “Envelhecimento e Violência, 2014). Nas pessoas com idade superior a 76 anos, o risco de ser vítima aumenta 10% por cada ano de idade.
Estes são também os tipos de violência que são mais difíceis de identificar porque não deixam marcas visíveis, ao contrário da violência física.
Estamos a falar de idosos que “não têm poder sobre os seus bens, sobre o seu dinheiro e sobre a sua pensão”, explica Sónia Reis. A denúncia nestes casos parte muitas vezes de terceiros e a intervenção começa por fazer ver ao idoso que se encontra a ser vítima de um crime.
Quais são os sinais de violência financeira e psicológica a que podemos estar atentos?
Um problema de todos
O problema da violência contra idosos não distingue entre ricos e pobres, habitantes urbanos e rurais. “É transversal a todos os estratos sociais, e continua e vai acontecendo em todos eles. Possivelmente, nem todos chegam até nós”, afirma Sónia Reis.
Como combater então um problema que se esconde dentro de quatro paredes? “É preciso continuar a trabalhar para a cidadania e para o facto de que todos, de uma forma natural, chegaremos a essa fase da vida, e temos que começar a prepará-la, e não pensarmos que isto é um assunto que não nos interessa.”
Etelvina Ferreia acrescenta que tem de haver uma sensibilização forte para que as pessoas percebam de que têm a “responsabilidade de cuidar” dos idosos. Família, vizinhos, comunidade, instituições. Todos têm um papel activo na protecção dos mais velhos. E funcionam melhor quando trabalham em conjunto.
Em caso de dúvida numa questão de violência, a Linha de Apoio à Vítima da APAV pode esclarecer: 707 20 00 77.
Ganhar coragem aos 70 anos
Esta história também nos chega sem nome próprio, pela voz de Sónia Reis, gestora da Linha de Apoio à Vítima. Mas deixemos o nome de lado e concentremo-nos na luta de uma mulher de 70 anos, agredida e insultada durante anos e anos pelo marido.
Poderiam ser “só mais uns anos”, como ela chegou a pensar, “até morrer”, porque a única certeza da vida só podia estar cada vez mais perto. A vida ia continuando, e até era uma situação conhecida pelos filhos, que “estavam lá longe nas suas vidas”.
Até que aconteceu aquilo porque ela esperou a vida toda. Alguém chamou a polícia, que chamou a APAV, que finalmente conseguiu mostrar-lhe um outro caminho. E não foi tarde. “Ela percebeu que ali tinha apoio e que podia ser protegida”.
Com novas certezas, foi possível expôr o caso num tribunal. Esta senhora foi a mais velha a ser acolhida numa casa-abrigo para vítimas de violência doméstica. Um caso atípico, que durou dois meses, até ser aplicada uma medida de coacção ao agressor.
Aos 70 anos, esta senhora aprendeu que a vida podia começar e recomeçar quando ela quisesse.
Isabel foi prisioneira dentro da própria casa. “Ela é a filha que eu nunca tive”, diz uma idosa sobre a cuidadora que lhe ficou com o dinheiro todo. A violência contra idosos é um problema escondido em Portugal: o agressor é, na maior parte das vezes, quem cuida da vítima.
Isabel foi prisioneira dentro da própria casa. Reformada, vivia sozinha e quem costumava cuidar dela era a nora. “Cuidar”. Isto era o que o resto da família pensava, mas a realidade era outra: a nora gritava, insultava-a, desvalorizava-a e, pior que tudo, mantinha a sogra trancada em casa.
Foi preciso Isabel (nome fictício) correr perigo de vida para isto acabar. Um dia, sentiu-se mal, e, sem outra alternativa, gritou por ajuda. Os vizinhos chamaram o INEM, mas só depois de a polícia intervir conseguiram chegar até ela. No hospital é que acabou por revelar o que se passava.
A história de Isabel chegou à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) através de uma vizinha, testemunha da violência que se passava dentro de quatro paredes.
Não há muitos dados sobre a violência contra idosos em Portugal. Os dados da APAV relativos a 2015, recentemente divulgados, mostram uma subida no número de denúncias: no ano passado registaram-se mais de dois casos por dia contra vítimas com mais de 65 anos (977 no ano inteiro, mais 125 do que em 2014). Números alarmantes, que a associação acredita estarem ainda aquém da realidade.
“Temos muitas situações complicadas”, explica Sónia Reis, gestora da Linha de Apoio à Vítima da APAV, mas “acreditamos que há muitas situações ainda por chegar até nós. Haverá, com certeza, muitas cifras negras”.
Perfil da vítima idosa com quem a APAV contactou em 2015. Mas há muitas histórias que continuam escondidas. A violência contra idosos não distingue entre ricos e pobres, habitantes urbanos e rurais
O único estudo feito em Portugal sobre o tema também aponta para valores mais significativos: estima que um em cada dez idosos com mais de 60 anos seja vítima de violência por parte de pessoas conhecidas (12,6%, de acordo com o projecto “Envelhecimento e Violência”, coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, publicado em 2014).
De acordo com estes dados, mais de 300 mil idosos foram vítimas de violência no espaço de um ano, entre Outubro de 2011 e Outubro de 2012.
Entre as vítimas, outro número salta à vista: mais de metade não falou sobre o caso nem apresentou queixa (64,9% das vítimas). E é aqui que a situação fica mais complicada.
Tudo em família
Voltamos à história de Isabel. Chamado pelo serviço social do hospital, o filho foi informado da violência a que a mãe era sujeita. Foi uma surpresa.
“Não queria acreditar no que estava a acontecer”, conta Sónia Reis, da APAV. A mãe nunca tinha dito nada, temia ser mal entendida e que isso afectasse a relação com o filho. Uma possibilidade que ela não queria arriscar, mesmo quando isso significava continuar a sofrer. Quando o pedido de ajuda chegou, já era uma questão de sobrevivência.
Quando há violência contra idosos, quase sempre o agressor está na família. Em quase 60% dos casos, estima o projecto “Envelhecimento e Violência”. E acrescenta que 13,5% das vítimas recusa identificar o agressor, um número que, acreditam os autores do estudo, pode esconder mais familiares.
Dentro da família, em metade dos casos, a violência parte do cônjuge ou companheiro ou dos filhos. Na maior parte dos casos, o idoso, para além de gerir o seu sofrimento, tem de se confrontar com questões afectivas.
Testemunhos de violência na primeira pessoa. Clique para ver com maior dimensão
“A pessoa chega a ter vergonha de dizer que é vítima de violência”, salienta Etelvina Ferreira, directora da Unidade de Desenvolvimento e Intervenção de Proximidade Tejo, da Santa Casa da Misericórdia.
Etelvina já viu muitas histórias de violência contra idosos e analisa o jogo emocional em causa. “Esta é uma idade de pensar muito, de fazer o balanço da vida, e é uma idade para pensar também naquilo que nós fomos. Um idoso, muitas vezes, sente um bocadinho um sentimento de culpa ao pensar que está a ser vítima de violência porque ele próprio não soube cuidar das relações ao longo da vida com os seus descendentes, nomeadamente filhos, ou companheiros”, diz.
Além da vergonha, existe a desvalorização do problema, que reflecte uma desvalorização da própria pessoa. Sónia Reis completa: “É muito difícil para o idoso denunciar, e acaba muitas vezes por ir aguentando. Ou só pedir ajuda no sentido de poder ter algum apoio psicológico para suportar aquela situação, mas dizendo à partida que não pretendem denunciar às autoridades”.
A denúncia é a maneira mais eficaz de desbloquear os vários mecanismos não só de condenação do agressor, mas também de protecção da vítima. Porque é de crimes que estamos a falar e há muitos casos que nunca chegam à justiça. “Não sempre, nem em todas as situações, nem em todas que se pretendia. Mas há casos de agressores que são condenados”, lamenta a responsável da APAV.
A complementar o silêncio das vítimas está um sistema de justiça pouco eficiente nesta matéria. O relatório do projecto “Envelhecimento e Violência” deixa um alerta: “O enquadramento jurídico-legal português não dá uma resposta célere e eficiente a todas as condutas/formas de violência que põem em causa os direitos das pessoas idosas.”
Afectos em troca de dinheiro
Aconteceu num centro de dia da Santa Casa da Misericórdia. Uma idosa que frequentava a instituição ia atrasando o pagamento do serviço sem nenhum motivo que o justificasse. O caso é contado por Etelvina Ferreira: “Fomos percebendo… A senhora dizia: ‘A Maria há-de vir pagar’. Chamo-lhe Maria, mas podia chamar-lhe outro nome qualquer. E percebemos que a Maria era uma cuidadora que a pessoa tinha em casa”.
A pouco e pouco, foram descortinando a gravidade do caso: “Maria” tinha uma procuração que lhe dava acesso à conta bancária da senhora, supostamente para fazer os pagamentos da idosa, mas vinha andando a pagar as suas próprias contas.
A idosa estava falida e consciente da burla, mas mesmo assim recusava-se a denunciar a cuidadora. “Este tipo de violência é muito grave, e despe-nos de tudo o que é nosso. Mas esta senhora dizia-nos: “Não façam nada de mal contra a Maria, porque ela é a filha que eu nunca tive”, recorda Etelvina Ferreira.
As violências financeira e psicológica são as mais frequentes em Portugal e estima-se que afecte 6,3% da população com mais de 60 anos (relatório “Envelhecimento e Violência, 2014). Nas pessoas com idade superior a 76 anos, o risco de ser vítima aumenta 10% por cada ano de idade.
Estes são também os tipos de violência que são mais difíceis de identificar porque não deixam marcas visíveis, ao contrário da violência física.
Estamos a falar de idosos que “não têm poder sobre os seus bens, sobre o seu dinheiro e sobre a sua pensão”, explica Sónia Reis. A denúncia nestes casos parte muitas vezes de terceiros e a intervenção começa por fazer ver ao idoso que se encontra a ser vítima de um crime.
Quais são os sinais de violência financeira e psicológica a que podemos estar atentos?
Um problema de todos
O problema da violência contra idosos não distingue entre ricos e pobres, habitantes urbanos e rurais. “É transversal a todos os estratos sociais, e continua e vai acontecendo em todos eles. Possivelmente, nem todos chegam até nós”, afirma Sónia Reis.
Como combater então um problema que se esconde dentro de quatro paredes? “É preciso continuar a trabalhar para a cidadania e para o facto de que todos, de uma forma natural, chegaremos a essa fase da vida, e temos que começar a prepará-la, e não pensarmos que isto é um assunto que não nos interessa.”
Etelvina Ferreia acrescenta que tem de haver uma sensibilização forte para que as pessoas percebam de que têm a “responsabilidade de cuidar” dos idosos. Família, vizinhos, comunidade, instituições. Todos têm um papel activo na protecção dos mais velhos. E funcionam melhor quando trabalham em conjunto.
Em caso de dúvida numa questão de violência, a Linha de Apoio à Vítima da APAV pode esclarecer: 707 20 00 77.
Ganhar coragem aos 70 anos
Esta história também nos chega sem nome próprio, pela voz de Sónia Reis, gestora da Linha de Apoio à Vítima. Mas deixemos o nome de lado e concentremo-nos na luta de uma mulher de 70 anos, agredida e insultada durante anos e anos pelo marido.
Poderiam ser “só mais uns anos”, como ela chegou a pensar, “até morrer”, porque a única certeza da vida só podia estar cada vez mais perto. A vida ia continuando, e até era uma situação conhecida pelos filhos, que “estavam lá longe nas suas vidas”.
Até que aconteceu aquilo porque ela esperou a vida toda. Alguém chamou a polícia, que chamou a APAV, que finalmente conseguiu mostrar-lhe um outro caminho. E não foi tarde. “Ela percebeu que ali tinha apoio e que podia ser protegida”.
Com novas certezas, foi possível expôr o caso num tribunal. Esta senhora foi a mais velha a ser acolhida numa casa-abrigo para vítimas de violência doméstica. Um caso atípico, que durou dois meses, até ser aplicada uma medida de coacção ao agressor.
Aos 70 anos, esta senhora aprendeu que a vida podia começar e recomeçar quando ela quisesse.
4.4.16
Há exclusão social em Pombal e Alcobaça, mas está “mitigada”
Raquel de Sousa Silva, in "Jornal de Leiria"
Estudo analisa pobreza e dinâmicas territoriais em Portugal
Registam uma conjugação “equilibradae mitigada das várias dimensõesde exclusão” e “nenhum dos factores de vulnerabilidade face à exclusão social tem uma expressão muito evidente e significativa”.
É assim que é caracterizado o grupo de 38 concelhos em “exclusãomitigada” do Referencial de CoesãoSocial, e onde se incluem cinco territóriosda região de Leiria.
Alcobaça, Óbidos, Ourém, Pombale Porto de Mós encontram-seneste grupo, que inclui concelhosonde se verifica uma “presençamuito reduzida de famílias muitopobres”, “bom indicador” de que osterritórios deste perfil apresentam“porventura a melhor situação relativamenteà emergência de casosmais graves de pobreza e exclusãosocial”.
São concelhos que “conjugamas vertentes rurais e urbanassem as suas facetas mais extrema das e num quadro de algum dinamismoeconómico”, aponta o estudo,recentemente apresentadonuma reunião do Conselho Local deAcção Social (CLAS) de Pombal.das e num quadro de algum dinamismoeconómico”, aponta o estudo,recentemente apresentadonuma reunião do Conselho Local deAcção Social (CLAS) de Pombal.
Estudo analisa pobreza e dinâmicas territoriais em Portugal
Registam uma conjugação “equilibradae mitigada das várias dimensõesde exclusão” e “nenhum dos factores de vulnerabilidade face à exclusão social tem uma expressão muito evidente e significativa”.
É assim que é caracterizado o grupo de 38 concelhos em “exclusãomitigada” do Referencial de CoesãoSocial, e onde se incluem cinco territóriosda região de Leiria.
Alcobaça, Óbidos, Ourém, Pombale Porto de Mós encontram-seneste grupo, que inclui concelhosonde se verifica uma “presençamuito reduzida de famílias muitopobres”, “bom indicador” de que osterritórios deste perfil apresentam“porventura a melhor situação relativamenteà emergência de casosmais graves de pobreza e exclusãosocial”.
São concelhos que “conjugamas vertentes rurais e urbanassem as suas facetas mais extrema das e num quadro de algum dinamismoeconómico”, aponta o estudo,recentemente apresentadonuma reunião do Conselho Local deAcção Social (CLAS) de Pombal.das e num quadro de algum dinamismoeconómico”, aponta o estudo,recentemente apresentadonuma reunião do Conselho Local deAcção Social (CLAS) de Pombal.
Há milionários que querem mais impostos
Filipe Morais, in "Diário de Notícias"
São os mais ricos que tomam a iniciativa de querer pagar mais para aumentar investimento no ensino e infraestruturas.
Queremos pagar mais impostos. Foi o que um grupo de 51 milionários do estado de Nova Iorque pediu ao governador, o democrata Andrew Cuomo, num abaixo-assinado organizado pelo think tank de esquerda Fiscal Policy Institute e pelo Responsible Wealth Project. Em causa não está qualquer sentimento de culpa destes milionários, mas a vontade de garantir a viabilidade económica de Nova Iorque a longo prazo.
No fim deste ano terminam as taxas mais reduzidas para famílias mais pobres, mas estes milionários defendem que os impostos para os mais ricos devem ser aumentados em 1%, para que haja mais "justiça fiscal". E como mais ricos, ou sujeito a estas taxas, entenda-se quem tenha rendimentos superiores a 665 mil dólares anuais (583 mil euros). Esta verba extra, defendem, tem de ser aplicada não só em infraestruturas, mas também em ensino, no combate à pobreza e apoio aos sem-abrigo. "Como nova-iorquinos, temos beneficiado da capacidade económica do nosso estado e temos tanto a responsabilidade como a capacidade de pagar a nossa quota-parte", afirmam. No abaixo-assinado, mostram-se ainda "profundamente preocupados com a situação de muitos nova-iorquinos, que enfrentam uma luta económica e com a situação das infra-estruturas do estado a precisar de atenção desesperadamente", pelo que apelam ao governador e legisladores para que aprovem o aumento de impostos de 1%.
Entre os apoiantes deste plano estão Steven Rockefeller, já na quarta geração da família Rockefeller, Elspeth Gilmore, que recolhe donativos de milionários abaixo dos 35 anos com objetivos filantrópicos, e Joshua Mailman, filho do inventor e filantropo Joseph Mailman. Na carta sublinham que "é uma vergonha que a pobreza infantil no estado de Nova Iorque esteja num nível recorde, ultrapassando os 50% em alguns dos centros urbanos. O estado tem um número recorde de famílias sem-abrigo, mais de 80 mil pessoas, que lutam para sobreviver. E há muitos adultos sem qualificações necessárias para poderem sobreviver na economia do século XXI". A carta acrescenta ainda que "agora é o momento de investir na viabilidade económica de longo prazo de Nova Iorque, com um forte sistema de ensino", de investir em pontes, túneis, edifícios públicos e estradas "de que todos dependemos".
O aumento de impostos de 1% é classificado como "um sacrifício partilhado" que vai acabar por resultar "na criação de emprego, trabalhadores mais qualificados e uma redução da desigualdade. "Entre os que têm o 1% dos rendimentos mais altos, há a obrigação de contribuir para o setor público com uma taxa mais alta do que os outros", defende Lewis Cullman, um dos signatários.
São os mais ricos que tomam a iniciativa de querer pagar mais para aumentar investimento no ensino e infraestruturas.
Queremos pagar mais impostos. Foi o que um grupo de 51 milionários do estado de Nova Iorque pediu ao governador, o democrata Andrew Cuomo, num abaixo-assinado organizado pelo think tank de esquerda Fiscal Policy Institute e pelo Responsible Wealth Project. Em causa não está qualquer sentimento de culpa destes milionários, mas a vontade de garantir a viabilidade económica de Nova Iorque a longo prazo.
No fim deste ano terminam as taxas mais reduzidas para famílias mais pobres, mas estes milionários defendem que os impostos para os mais ricos devem ser aumentados em 1%, para que haja mais "justiça fiscal". E como mais ricos, ou sujeito a estas taxas, entenda-se quem tenha rendimentos superiores a 665 mil dólares anuais (583 mil euros). Esta verba extra, defendem, tem de ser aplicada não só em infraestruturas, mas também em ensino, no combate à pobreza e apoio aos sem-abrigo. "Como nova-iorquinos, temos beneficiado da capacidade económica do nosso estado e temos tanto a responsabilidade como a capacidade de pagar a nossa quota-parte", afirmam. No abaixo-assinado, mostram-se ainda "profundamente preocupados com a situação de muitos nova-iorquinos, que enfrentam uma luta económica e com a situação das infra-estruturas do estado a precisar de atenção desesperadamente", pelo que apelam ao governador e legisladores para que aprovem o aumento de impostos de 1%.
Entre os apoiantes deste plano estão Steven Rockefeller, já na quarta geração da família Rockefeller, Elspeth Gilmore, que recolhe donativos de milionários abaixo dos 35 anos com objetivos filantrópicos, e Joshua Mailman, filho do inventor e filantropo Joseph Mailman. Na carta sublinham que "é uma vergonha que a pobreza infantil no estado de Nova Iorque esteja num nível recorde, ultrapassando os 50% em alguns dos centros urbanos. O estado tem um número recorde de famílias sem-abrigo, mais de 80 mil pessoas, que lutam para sobreviver. E há muitos adultos sem qualificações necessárias para poderem sobreviver na economia do século XXI". A carta acrescenta ainda que "agora é o momento de investir na viabilidade económica de longo prazo de Nova Iorque, com um forte sistema de ensino", de investir em pontes, túneis, edifícios públicos e estradas "de que todos dependemos".
O aumento de impostos de 1% é classificado como "um sacrifício partilhado" que vai acabar por resultar "na criação de emprego, trabalhadores mais qualificados e uma redução da desigualdade. "Entre os que têm o 1% dos rendimentos mais altos, há a obrigação de contribuir para o setor público com uma taxa mais alta do que os outros", defende Lewis Cullman, um dos signatários.
Leiria – “Correr com a exclusão” em Monte Real
In "Pombal97"
Grupo de cidadãos monte-realenses promove “II Corrida de Barbatanas”.
Um grupo de cidadãos que acredita nas potencialidades da vila de Monte Real, freguesia do concelho de Leiria, denominado “Sentir Mais Monte Real”, vai dedicar um dia para “Correr Com a Exclusão”.
Tendo como mote o “Apoio a Atletas Paralímpicos rumo aos Jogos Olímpicos 2016”, o evento decorrerá durante todo o dia 5 de Junho. De manhã será realizada uma conferência, com a presença de alguns oradores, atletas de alta competição e do presidente da Associação Portuguesa de Ciclismo Adaptado (APCA), Telmo Pinão. No período da tarde, decorrerá a “Corrida de Barbatanas Solidária”, pelas ruas de Monte Real, para “promover a diferença, alertando para esta realidade, criando assim uma ligação com a dificuldade de locomoção”.
Segundo o grupo de cidadãos, este ano os fundos angariados serão entregues à APCA, “ajudando-os, assim, à participação nos Jogos Olímpicos 2016, no Rio de Janeiro” e ao Centro de Bem Estar Infantil de Monte Real, “visto as crianças serem um dos focos do evento e pelo facto de esta ser uma IPSS sem fins lucrativos da nossa terra”.
“Promover a solidariedade e a inclusão na infância é, sem dúvida, o espírito”, refere o grupo monte-realense, ciente de que esta corrida “causará impacto e diferença, valendo-se da sua criatividade, não somente durante a sua realização, como antes, através da promoção e divulgação através dos meios adequados”.
“Temos ideias, vontade e o maior empenho a nível pessoal e profissional, para vermos esta terra tornar-se mais atractiva a investidores e, consequentemente, que esta freguesia volte a estar assinalada no mapa deste País”, argumenta o grupo, empenhado em unir esforços e rentabilizar energias de experiências anteriores, “para dinamizar actividades/eventos que promovam a freguesia no seu todo”.
“Sentir Mais Monte Real” também quer criar oportunidades para o aparecimento de “novas estruturas de apoio a um conjunto de projectos potenciadores de novos investimentos e conquistar novos mercados nas áreas do turismo, comércio e social”, mas sempre numa “vertente solidária”.
Grupo de cidadãos monte-realenses promove “II Corrida de Barbatanas”.
Um grupo de cidadãos que acredita nas potencialidades da vila de Monte Real, freguesia do concelho de Leiria, denominado “Sentir Mais Monte Real”, vai dedicar um dia para “Correr Com a Exclusão”.
Tendo como mote o “Apoio a Atletas Paralímpicos rumo aos Jogos Olímpicos 2016”, o evento decorrerá durante todo o dia 5 de Junho. De manhã será realizada uma conferência, com a presença de alguns oradores, atletas de alta competição e do presidente da Associação Portuguesa de Ciclismo Adaptado (APCA), Telmo Pinão. No período da tarde, decorrerá a “Corrida de Barbatanas Solidária”, pelas ruas de Monte Real, para “promover a diferença, alertando para esta realidade, criando assim uma ligação com a dificuldade de locomoção”.
Segundo o grupo de cidadãos, este ano os fundos angariados serão entregues à APCA, “ajudando-os, assim, à participação nos Jogos Olímpicos 2016, no Rio de Janeiro” e ao Centro de Bem Estar Infantil de Monte Real, “visto as crianças serem um dos focos do evento e pelo facto de esta ser uma IPSS sem fins lucrativos da nossa terra”.
“Promover a solidariedade e a inclusão na infância é, sem dúvida, o espírito”, refere o grupo monte-realense, ciente de que esta corrida “causará impacto e diferença, valendo-se da sua criatividade, não somente durante a sua realização, como antes, através da promoção e divulgação através dos meios adequados”.
“Temos ideias, vontade e o maior empenho a nível pessoal e profissional, para vermos esta terra tornar-se mais atractiva a investidores e, consequentemente, que esta freguesia volte a estar assinalada no mapa deste País”, argumenta o grupo, empenhado em unir esforços e rentabilizar energias de experiências anteriores, “para dinamizar actividades/eventos que promovam a freguesia no seu todo”.
“Sentir Mais Monte Real” também quer criar oportunidades para o aparecimento de “novas estruturas de apoio a um conjunto de projectos potenciadores de novos investimentos e conquistar novos mercados nas áreas do turismo, comércio e social”, mas sempre numa “vertente solidária”.
Estratégia europeia com enfoque nos direitos das crianças refugiadas ou ciganas
In "Jornal Económico"
A defesa dos direitos das crianças refugiadas ou das crianças ciganas, o combate aos abusos sexuais ou a eliminação das punições físicas são algumas das medidas que constam da nova Estratégia do Conselho da Europa pelos Direitos das Crianças.
O documento, para 2016 -- 2021, vai ser apresentado no decorrer de uma conferência de alto nível, marcada para os dias 05 e 06 de abril, na Bulgária, onde os Estados membros do Conselho da Europa vão debater de que forma podem responder aos atuais desafios aos direitos das crianças.
Na opinião do Conselho da Europa, os direitos das crianças são violados diariamente, principalmente quando têm deficiência, são refugiadas ou vivem em comunidades ciganas, o que leva este organismo a apresentar uma nova Estratégia pelos Direitos das Crianças.
A estratégia traz cinco áreas de atuação: igualdade de oportunidades para todas as crianças, participação das crianças nas tomadas de decisão, vida livre de violência, justiça amiga das crianças e defesa dos seus direitos nos ambientes digitais.
Logo no primeiro ponto, o Conselho da Europa diz que vai promover a Carta Social Europeia, como um conjunto de normas mínimas de proteção dos direitos das famílias e das crianças, sustentando que se trata de uma ferramenta "particularmente relevante" em tempos de austeridade económica.
"A pobreza infantil e a exclusão social podem mais facilmente ser combatidas através de sistema de proteção que integrem medidas preventivas, apoio às famílias, educação e apoio infantil precoces, serviços sociais, educação e políticas de habitação", lê-se no documento.
No que diz respeito às crianças refugiadas, o Conselho da Europa deixa a garantia de que irá prestar "especial atenção" à situação das crianças não acompanhadas e à relação entre migração e tráfico de crianças, além de assegurar que os direitos destas crianças continuarão a ser protegidos e promovidos por vários órgãos dentro do Conselho da Europa.
O organismo pretende dar especial atenção à proteção das minorias, comprometendo-se a "proteger e promover os direitos das crianças oriundas de etnias tradicionais ou minorias nacionais, no que diz respeito ao uso da sua linguagem em privado, em público ou nas escolas.
Nesse sentido, diz que irá tomar medidas para avaliar a efetiva implementação dos direitos das crianças ciganas, com enfoque nos casamentos com crianças, para incentivar o acesso dos ciganos, em particular das raparigas e das crianças com deficiência, a uma educação inclusiva, fazendo pleno uso dos mediadores e combatendo estereótipos contra as crianças ciganas.
O Conselho da Europa quer também que as crianças tenham uma vida livre de violência, indo apelar aos Estados membros que implementem a recomendação da Comissão de Ministros pela aplicação de estratégias nacionais pela proteção das crianças contra a violência.
Por outro lado, vai promover, monitorizar e suportar a implementação dos tratados pela prevenção e combate das várias formas de violência sexual contra crianças, passando o dia 18 de novembro a ser a data escolhida para em cada ano assinalar o Dia Europeu pela Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual e os Abusos Sexuais.
O organismos europeu diz que vai também continuar a promover o fim das punições físicas e outras formas cruéis e degradantes de castigo das crianças em todos os ambientes, incluindo em casa.
A defesa dos direitos das crianças refugiadas ou das crianças ciganas, o combate aos abusos sexuais ou a eliminação das punições físicas são algumas das medidas que constam da nova Estratégia do Conselho da Europa pelos Direitos das Crianças.
O documento, para 2016 -- 2021, vai ser apresentado no decorrer de uma conferência de alto nível, marcada para os dias 05 e 06 de abril, na Bulgária, onde os Estados membros do Conselho da Europa vão debater de que forma podem responder aos atuais desafios aos direitos das crianças.
Na opinião do Conselho da Europa, os direitos das crianças são violados diariamente, principalmente quando têm deficiência, são refugiadas ou vivem em comunidades ciganas, o que leva este organismo a apresentar uma nova Estratégia pelos Direitos das Crianças.
A estratégia traz cinco áreas de atuação: igualdade de oportunidades para todas as crianças, participação das crianças nas tomadas de decisão, vida livre de violência, justiça amiga das crianças e defesa dos seus direitos nos ambientes digitais.
Logo no primeiro ponto, o Conselho da Europa diz que vai promover a Carta Social Europeia, como um conjunto de normas mínimas de proteção dos direitos das famílias e das crianças, sustentando que se trata de uma ferramenta "particularmente relevante" em tempos de austeridade económica.
"A pobreza infantil e a exclusão social podem mais facilmente ser combatidas através de sistema de proteção que integrem medidas preventivas, apoio às famílias, educação e apoio infantil precoces, serviços sociais, educação e políticas de habitação", lê-se no documento.
No que diz respeito às crianças refugiadas, o Conselho da Europa deixa a garantia de que irá prestar "especial atenção" à situação das crianças não acompanhadas e à relação entre migração e tráfico de crianças, além de assegurar que os direitos destas crianças continuarão a ser protegidos e promovidos por vários órgãos dentro do Conselho da Europa.
O organismo pretende dar especial atenção à proteção das minorias, comprometendo-se a "proteger e promover os direitos das crianças oriundas de etnias tradicionais ou minorias nacionais, no que diz respeito ao uso da sua linguagem em privado, em público ou nas escolas.
Nesse sentido, diz que irá tomar medidas para avaliar a efetiva implementação dos direitos das crianças ciganas, com enfoque nos casamentos com crianças, para incentivar o acesso dos ciganos, em particular das raparigas e das crianças com deficiência, a uma educação inclusiva, fazendo pleno uso dos mediadores e combatendo estereótipos contra as crianças ciganas.
O Conselho da Europa quer também que as crianças tenham uma vida livre de violência, indo apelar aos Estados membros que implementem a recomendação da Comissão de Ministros pela aplicação de estratégias nacionais pela proteção das crianças contra a violência.
Por outro lado, vai promover, monitorizar e suportar a implementação dos tratados pela prevenção e combate das várias formas de violência sexual contra crianças, passando o dia 18 de novembro a ser a data escolhida para em cada ano assinalar o Dia Europeu pela Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual e os Abusos Sexuais.
O organismos europeu diz que vai também continuar a promover o fim das punições físicas e outras formas cruéis e degradantes de castigo das crianças em todos os ambientes, incluindo em casa.
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