Natália Faria, in Público on-line
Entidades que operam no chamado “terceiro sector” queixam-se de intromissão excessiva do Estado e sustentam que “cantinas sociais” criam vícios e passividade. Estudo, que aponta o risco de a acção social ficar nas mãos de privados, é apresentado nesta segunda-feira.
“É de questionar se esta aposta particular em apoio alimentar não veio desvirtuar a atenção das organizações para uma medida que devia ser de emergência e que acabou por ser mais uma valência da instituição”, aponta o estudo
Os acordos de cooperação que o Estado estabelece com as organizações do chamado “terceiro sector” — que assegura a grande maioria das respostas sociais, como creches, lares, cuidados continuados ou equipamentos com pessoas com deficiência — cristalizam o funcionamento daquelas instituições e contribuem para o seu conservadorismo. “Em creches, ATL’s ou lares de idosos não há margem para se ir além das respostas já contratualizadas, o que leva a que as instituições fiquem limitadas às soluções standardizadas e sem capacidade de respostas adequada às novas realidades da pobreza”, critica o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal (EAPN), o padre Agostinho Jardim Moreira.
“Esta forma de trabalhar não facilita a mobilidade nem a inovação na resposta aos problemas da pobreza em Portugal”, diz. “Em vez dos acordos de cooperação típicos, isto é, formatados”, que se destinam a financiar respostas muito específicas, um serviço de creche, ou lugar num centro de dia, por exemplo —, “o Estado devia estabelecer acordos atípicos com margem de inovação” nas respostas prestadas.
O presidente da EAPN recupera assim um dos alertas presentes no estudo O Impacto da Crise no Terceiro Sector que é apresentado nesta segunda-feira, em Santarém, e que procura medir o impacto da crise nas entidades que operam na área da acção social.
Cantinas criam “vícios”
O “excessivo controlo do Estado” do funcionamento destas instituições é outras das críticas presentes no relatório, que resulta da análise aos inquéritos feitos no ano passado, ou seja, um ano depois da saída da troika do país, a 341 organizações — de lares, a creches e jardins-de-infância, passando pela AMI, Banco Alimentar Contra a Fome, Cruz Vermelha, Fundação Montepio e Cáritas.
“Há um controlo abusivo e uma intromissão e uma fiscalização tais que leva a um triste sentimento de que, aos olhos do Estado, as instituições são sempre perversas e trabalham de má-fé”, acusa Jardim Moreira.
Há um controlo abusivo e uma intromissão e uma fiscalização tais que leva a um triste sentimento de que, aos olhos do Estado, as instituições são sempre perversas e trabalham de má-fé.
Reconhecendo a necessidade de controlo da aplicação dos dinheiros públicos, o presidente da EAPN aponta “pormenores que roçam o exagero”, na sua opinião: “As técnicas da Segurança Social que vão às instituições chegam a pedir para verificar as fichas de inscrição. E se, no decurso de um acordo, a instituição tem necessidade de deslocar uma técnica para outras funções que entretanto se tornaram necessárias, não consegue. Há uma excessiva fixidez de formulário que transforma as direcções em meras executoras das directrizes do Estado.”
A manutenção das “cantinas sociais”, criadas em 2012 por IPSS e misericórdias para garantir refeições aos mais pobres, a pedido do anterior Executivo, constitui outro dos motivos de preocupação. “É de questionar se esta aposta particular em apoio alimentar não veio desvirtuar a atenção das organizações para uma medida que devia ser de emergência e que acabou por ser mais uma valência da instituição”, aponta o relatório, onde perpassam críticas ao carácter “assistencialista” das cantinas.
O padre Jardim Moreira é mais contundente. E aconselha o actual Governo – que prolongou por mais seis meses o financiamento das 840 cantinas sociais existentes para ter tempo de avaliar o seu funcionamento – a repensar todo o modelo.
“Devem pensar se não estamos aqui a criar um vício e uma passividade nas pessoas, em vez de as ajudar na procura de uma solução para a vida”, aponta, sustentando que “as cantinas custaram mais dinheiro do que se os apoios fossem dados às famílias por via do Rendimento Social de Inserção”. Com uma agravante: “Há uma certa humilhação nisto de ter de ir comer ou de ir buscar a comida a uma cantina. E não é assim que se desperta a responsabilidade activa e a participação das pessoas.”
Um terço da IPSS perdem receitas
Quando o Programa de Emergência Social foi apresentado, no final de 2011, para “almofadar” o impacto social da crise, previa-se uma dotação de 50 milhões de euros para a criação de 942 cantinas sociais (existiam já 62). Esta medida surgiu em paralelo com um controlo muito mais apertado no acesso a prestações pecuniárias como o Rendimento Social de Inserção (RSI), o abono de família e o complemento solidário para idosos, cujos montantes diminuíram substancialmente. E as críticas ao carácter assistencialista das novas políticas de acção social perduram desde então.
Das 341 organizações inquiridas, 34,9% declararam um decréscimo acentuado no seu rendimento global. O estrangulamento financeiro deveu-se tanto à redução dos subsídios públicos como da comparticipação dos utentes.
Só no RSI, “verificou-se entre 2010 e 2013 uma redução de mais de 150 mil pessoas beneficiárias da medida”, exemplifica o relatório, para reiterar que tal redução, que se sentiu também nas prestações de desemprego e sociais de desemprego, conviveram com um agravamento generalizado da pobreza e da exclusão social.
A crise e as correspondentes medidas austeritárias, que fizeram disparar o desemprego e espalharam a pobreza a sectores até então imunes a ela, levaram a uma procura crescente de protecção social, numa altura em que as entidades que a garantem, a partir dos acordos de cooperação com o Estado, viram reduzidas as suas fontes de financiamento. Das 341 organizações inquiridas, 34,9% declararam um decréscimo acentuado no seu rendimento global.
O estrangulamento financeiro deveu-se tanto à redução dos subsídios públicos como da comparticipação dos utentes, segundo o relatório. Que aponta para a criação de um fundo de estabilidade que permita às organizações sobreviver a novos momentos de crise.
"Uma lógica de privatização da acção social”
Isto numa altura em que se assiste ao “contínuo crescimento do número de entidades lucrativas” que prestam serviços sociais. São já 30,5% das entidades proprietárias de equipamentos sociais, contabiliza o estudo, recuperando dados da Carta Social relativos a 31 de Dezembro de 2014.
A questão é que os equipamentos lucrativos da rede social cresceram 85% entre 2000 e 2010, contra um crescimento de 29% no caso das entidades não lucrativas, o que “contribui para a crescente afirmação do sector lucrativo enquanto provedor dos serviços sociais”.
“No Porto, a maior parte das respostas já são de cariz lucrativo”, segundo o padre Jardim Moreira, apontando os riscos de os mais pobres ficarem excluídos dos equipamentos sociais ou confinados a respostas de qualidade inferior. “As pessoas querem a sua comodidade, o seu quarto privativo [nos lares] e o estrangulamento financeiro leva a que as instituições não lucrativas não tenham condições para proporcionar essa qualidade. Isto leva a que, tal como nos hospitais, os privados sejam para os ricos e os públicos para os pobres.”
Se nada mudar, o país caminha “para uma lógica de privatização da acção social”, acusa ainda o presidente da EAPN. “Como não há dinheiro na Segurança Social, vai-se empurrando o problema com a barriga e deixando que tudo vá parar aos privados”, acrescenta, para concluir que a solução poderá passar por uma “discriminação positiva” dos equipamentos não lucrativos. Sob pena de muitas das “instituições mais débeis terem de fechar as portas”.
9.5.16
“Controlo abusivo” do Estado impede organizações de inovar no combate à pobreza
Pobreza: "Balanço social do ajustamento é quase trágico"
in TSF
No Encontro Nacional de Associados da Rede Europeia Anti-Pobreza, o investigador Carlos Farinha Rodrigues promete desfazer "dois mitos" relacionados com o processo de ajustamento português.
Na conferência de abertura do Encontro Nacional, em Santarém, destinado a celebrar os 25 anos da Rede Europeia Anti-Pobreza, Carlos Farinha Rodrigues promete demonstrar que, ao contrário do que muitos afirmam, a classe média não foi a mais penalizada no período de ajustamento económico e o que a crise não poupou os "mais pobres dos mais pobres".
O professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) diz que os mais pobres foram de longe os que mais sofreram entre 2009 e 2013, "O rendimento dos 10% mais ricos desceu 8%. Quando analisámos a quebra do rendimento dos 10% mais pobres verificámos que desceu 24%" no período entre 2009 e 2013.
Apesar de não ter havido cortes nos salários mais baixos, Carlos Farinha Rodrigues justifica a quebra de rendimentos dos mais pobres com a redução das prestações sociais.
Joaquim Ferreira falou com o investigador Carlos Farinha Rodrigues
O investigador diz que há outro mito relacionado com o programa de ajustamento português que é preciso destruir. A classe média "teve um forte recuo nos seus rendimentos , mas comparando com os indivíduos mais pobres, claramente" a queda da classe média "foi bastante mais reduzida".
Analisados os números disponíveis, Carlos Farinha Rodrigues conclui que a taxa de pobreza em Portugal se agravou muito. " O balanço social deste processo de ajustamento é , quase que poderíamos dizer, trágico. Regredimos em termos de indicadores de pobreza e exclusão social praticamente para o ínicio do século".
O professor do ISEG diz que este diagnóstico já não é baseado em opiniões. É sustentado nos números disponíveis.
No Encontro Nacional de Associados da Rede Europeia Anti-Pobreza, o investigador Carlos Farinha Rodrigues promete desfazer "dois mitos" relacionados com o processo de ajustamento português.
Na conferência de abertura do Encontro Nacional, em Santarém, destinado a celebrar os 25 anos da Rede Europeia Anti-Pobreza, Carlos Farinha Rodrigues promete demonstrar que, ao contrário do que muitos afirmam, a classe média não foi a mais penalizada no período de ajustamento económico e o que a crise não poupou os "mais pobres dos mais pobres".
O professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) diz que os mais pobres foram de longe os que mais sofreram entre 2009 e 2013, "O rendimento dos 10% mais ricos desceu 8%. Quando analisámos a quebra do rendimento dos 10% mais pobres verificámos que desceu 24%" no período entre 2009 e 2013.
Apesar de não ter havido cortes nos salários mais baixos, Carlos Farinha Rodrigues justifica a quebra de rendimentos dos mais pobres com a redução das prestações sociais.
Joaquim Ferreira falou com o investigador Carlos Farinha Rodrigues
O investigador diz que há outro mito relacionado com o programa de ajustamento português que é preciso destruir. A classe média "teve um forte recuo nos seus rendimentos , mas comparando com os indivíduos mais pobres, claramente" a queda da classe média "foi bastante mais reduzida".
Analisados os números disponíveis, Carlos Farinha Rodrigues conclui que a taxa de pobreza em Portugal se agravou muito. " O balanço social deste processo de ajustamento é , quase que poderíamos dizer, trágico. Regredimos em termos de indicadores de pobreza e exclusão social praticamente para o ínicio do século".
O professor do ISEG diz que este diagnóstico já não é baseado em opiniões. É sustentado nos números disponíveis.
5.5.16
Acampamento para ser refugiado por um fim de semana
In "Jornal de Notícias"
Uma associação norueguesa organiza, nos arredores de Oslo, acampamentos onde jovens, entre os 13 e os 20 anos, podem experimentar ser refugiados por um fim de semana.
No "Camp Refugee" (Campo Refugiado, em inglês) é simulada uma viagem do Sudão à Noruega, na qual os participantes têm que pedir autorizações de viagem, atravessar postos fronteiriços, dormir num acampamento, enfrentar a burocracia norueguesa e viver num centro de acolhimento através de um jogo de desempenho de papéis.
"O objetivo pedagógico é possibilitar uma experiência realista, embora simplificada, dos problemas que enfrentam os refugiados. Através do jogo devem tomar decisões individuais e de grupo, e assumir as consequências", explicou à agência noticiosa espanhola EFE Kenneth Johansen, diretor da organização "Refugee Norge" (Refugiado Noruega), responsável pelo acampamento.
"O objetivo pedagógico é possibilitar uma experiência realista, embora simplificada, dos problemas que enfrentam os refugiados."
Os participantes "sentem no corpo" o que significa enfrentar a burocracia, a corrupção e a perseguição através de um jogo que não poupa ninguém a duras provas físicas e mentais, embora exista a possibilidade de fazer uma pausa ou de sair, através da utilização de um código verbal, caso seja necessário.
"Trabalhamos para mudar atitudes e, através da dramatização, promover uma maior tolerância", afirmou Johansen.
O responsável lembrou que o grupo nasceu em 2004 para alertar para o problema dos refugiados e lutar contra a xenofobia e o racismo entre os jovens noruegueses.
Os acampamentos de fim de semana realizam-se, desde que o grupo foi criado, no primeiro semestre do ano, com uma média anual de cinco mil participantes. Todos os intervenientes pela organização são voluntários.
Tal como em muitos outros países europeus, a questão dos refugiados tem estado em destaque no último ano, na Noruega, onde o governo restabeleceu os controlos de fronteira e cortou ajudas para travar a chegada de requerentes de asilo.
A crise dos refugiados coincidiu com um aumento de pedidos para participar no acampamento, já praticamente esgotado em 2017.
A crise dos refugiados coincidiu com um aumento de pedidos para participar no acampamento, já praticamente esgotado em 2017, disse Johansen, sublinhando o caráter não político da iniciativa.
"O 'Camp Refugee' não tem uma agenda política. Para nós é importante que cada participante forme uma opinião sobre o que significa ser refugiado. Por isso usamos o método de aprendizagem por factos", disse.
As respostas dos participantes, finda a experiência, são maioritariamente positivas, garantiu Johansen.
Embora muitos tenham admitido que não repetiriam a experiência, grande parte dos atuais voluntários já tinha participado no acampamento.
Uma associação norueguesa organiza, nos arredores de Oslo, acampamentos onde jovens, entre os 13 e os 20 anos, podem experimentar ser refugiados por um fim de semana.
No "Camp Refugee" (Campo Refugiado, em inglês) é simulada uma viagem do Sudão à Noruega, na qual os participantes têm que pedir autorizações de viagem, atravessar postos fronteiriços, dormir num acampamento, enfrentar a burocracia norueguesa e viver num centro de acolhimento através de um jogo de desempenho de papéis.
"O objetivo pedagógico é possibilitar uma experiência realista, embora simplificada, dos problemas que enfrentam os refugiados. Através do jogo devem tomar decisões individuais e de grupo, e assumir as consequências", explicou à agência noticiosa espanhola EFE Kenneth Johansen, diretor da organização "Refugee Norge" (Refugiado Noruega), responsável pelo acampamento.
"O objetivo pedagógico é possibilitar uma experiência realista, embora simplificada, dos problemas que enfrentam os refugiados."
Os participantes "sentem no corpo" o que significa enfrentar a burocracia, a corrupção e a perseguição através de um jogo que não poupa ninguém a duras provas físicas e mentais, embora exista a possibilidade de fazer uma pausa ou de sair, através da utilização de um código verbal, caso seja necessário.
"Trabalhamos para mudar atitudes e, através da dramatização, promover uma maior tolerância", afirmou Johansen.
O responsável lembrou que o grupo nasceu em 2004 para alertar para o problema dos refugiados e lutar contra a xenofobia e o racismo entre os jovens noruegueses.
Os acampamentos de fim de semana realizam-se, desde que o grupo foi criado, no primeiro semestre do ano, com uma média anual de cinco mil participantes. Todos os intervenientes pela organização são voluntários.
Tal como em muitos outros países europeus, a questão dos refugiados tem estado em destaque no último ano, na Noruega, onde o governo restabeleceu os controlos de fronteira e cortou ajudas para travar a chegada de requerentes de asilo.
A crise dos refugiados coincidiu com um aumento de pedidos para participar no acampamento, já praticamente esgotado em 2017.
A crise dos refugiados coincidiu com um aumento de pedidos para participar no acampamento, já praticamente esgotado em 2017, disse Johansen, sublinhando o caráter não político da iniciativa.
"O 'Camp Refugee' não tem uma agenda política. Para nós é importante que cada participante forme uma opinião sobre o que significa ser refugiado. Por isso usamos o método de aprendizagem por factos", disse.
As respostas dos participantes, finda a experiência, são maioritariamente positivas, garantiu Johansen.
Embora muitos tenham admitido que não repetiriam a experiência, grande parte dos atuais voluntários já tinha participado no acampamento.
Unidade de cuidados continuados de 1,35 milhões nunca abriu
In "Jornal de Notícias"
Uma instituição de solidariedade de Penafiel construiu com o apoio do Estado uma unidade de cuidados continuados que custou 1,35 milhões de euros, mas aguarda autorização para abrir desde 2013.
Ângelo Guedes, presidente da Associação para o Desenvolvimento de Figueira, disse hoje à Lusa que a unidade, completamente equipada e pronta a funcionar, continua fechada desde que terminou a construção, em julho daquele ano, apesar de haver 52 utentes em lista de espera.
"Que país é este onde os recursos para a população são negligenciados desta forma e onde as promessas não são cumpridas?", questiona.
Segundo frisou, trata-se de um investimento global de 1,351 milhões de euros, que implicou um esforço financeiro da instituição de cerca de 400.000 euros e foi comparticipada por fundos europeus em 946.000 euros.
O dirigente queixa-se que o atual Governo "não liga nenhuma ao assunto", apesar de ter sido informado da situação, incluindo com uma carta enviada diretamente ao ministro da tutela.
Do anterior executivo, lamentou-se, também não se conseguiu a autorização de abertura, apesar de as promessas terem transitado anos após ano.
Além disso, exclamou, houve outras unidades construídas no país posteriormente que já obtiveram autorização para abrir.
Apesar de haver uma extensa lista de espera, a associação queixa-se, por outro lado, que está a pagar juros ao banco pelos 400.000 euros que teve de assumir do investimento, para além de outros encargos com a manutenção da unidade de cuidados continuados. Acresce que a última fatia da comparticipação, no valor de 97.000 euros, ainda não foi paga à associação, porque depende da atribuição do alvará de utilização.
"A única coisa que pedimos é que seja emitido o alvará de funcionamento. Não queremos mais nada", vincou.
Ângelo Guedes disse que, nesta fase, até nem está em causa a comparticipação que o Estado costuma atribuir às instituições por cada utente dos cuidados continuados.
O dirigente defendeu, a propósito, haver condições para o equipamento funcionar sem a comparticipação da tutela.
"Até pode funcionar como privado", concluiu.
A Associação para o Desenvolvimento de Figueira, freguesia a cerca de oito quilómetros da sede do concelho, tem cerca 60 funcionários e presta serviços em várias valências sociais, como centro de dia (25 utentes), apoio domiciliário (25 utentes) casa de abrigo (45 utentes) e lar (36 utentes).
Leia mais: Unidade de cuidados continuados de 1,35 milhões nunca abriu http://www.jn.pt/nacional/interior/unidade-de-cuidados-continuados-de-135-milhoes-nunca-abriu-5157898.html#ixzz47n9KTNnG
Follow us: jornalnoticias on Facebook
Uma instituição de solidariedade de Penafiel construiu com o apoio do Estado uma unidade de cuidados continuados que custou 1,35 milhões de euros, mas aguarda autorização para abrir desde 2013.
Ângelo Guedes, presidente da Associação para o Desenvolvimento de Figueira, disse hoje à Lusa que a unidade, completamente equipada e pronta a funcionar, continua fechada desde que terminou a construção, em julho daquele ano, apesar de haver 52 utentes em lista de espera.
"Que país é este onde os recursos para a população são negligenciados desta forma e onde as promessas não são cumpridas?", questiona.
Segundo frisou, trata-se de um investimento global de 1,351 milhões de euros, que implicou um esforço financeiro da instituição de cerca de 400.000 euros e foi comparticipada por fundos europeus em 946.000 euros.
O dirigente queixa-se que o atual Governo "não liga nenhuma ao assunto", apesar de ter sido informado da situação, incluindo com uma carta enviada diretamente ao ministro da tutela.
Do anterior executivo, lamentou-se, também não se conseguiu a autorização de abertura, apesar de as promessas terem transitado anos após ano.
Além disso, exclamou, houve outras unidades construídas no país posteriormente que já obtiveram autorização para abrir.
Apesar de haver uma extensa lista de espera, a associação queixa-se, por outro lado, que está a pagar juros ao banco pelos 400.000 euros que teve de assumir do investimento, para além de outros encargos com a manutenção da unidade de cuidados continuados. Acresce que a última fatia da comparticipação, no valor de 97.000 euros, ainda não foi paga à associação, porque depende da atribuição do alvará de utilização.
"A única coisa que pedimos é que seja emitido o alvará de funcionamento. Não queremos mais nada", vincou.
Ângelo Guedes disse que, nesta fase, até nem está em causa a comparticipação que o Estado costuma atribuir às instituições por cada utente dos cuidados continuados.
O dirigente defendeu, a propósito, haver condições para o equipamento funcionar sem a comparticipação da tutela.
"Até pode funcionar como privado", concluiu.
A Associação para o Desenvolvimento de Figueira, freguesia a cerca de oito quilómetros da sede do concelho, tem cerca 60 funcionários e presta serviços em várias valências sociais, como centro de dia (25 utentes), apoio domiciliário (25 utentes) casa de abrigo (45 utentes) e lar (36 utentes).
Leia mais: Unidade de cuidados continuados de 1,35 milhões nunca abriu http://www.jn.pt/nacional/interior/unidade-de-cuidados-continuados-de-135-milhoes-nunca-abriu-5157898.html#ixzz47n9KTNnG
Follow us: jornalnoticias on Facebook
Mais 16 refugiados chegaram a Portugal
In "Jornal de Notícias"
Um grupo de 16 refugiados recolocados em Portugal ao abrigo do programa da União Europeia chegou, esta quarta-feira ao início da tarde, a Lisboa, indicou o Ministério da Administração Interna.
O gabinete de imprensa do Ministério da Administração Interna (MAI) avançou à agência Lusa que os 16 refugiados são sobretudo oriundos da Eritreia e estavam a aguardar recolocação no campo de refugiados de Itália.
Segundo o MAI, a maioria dos 16 refugiados vai ficar no norte de Portugal.
Os 16 refugiados juntam-se aos 195 que Portugal recebeu, desde dezembro, ao abrigo do Programa de Relocalização de Refugiados da União Europeia, tendo acolhido um total de 211.
A primeira quota europeia atribuída a Portugal foi de cerca de 4500 refugiados, tendo o país já manifestado a disponibilidade para acolher mais de cinco mil pessoas.
Um grupo de 16 refugiados recolocados em Portugal ao abrigo do programa da União Europeia chegou, esta quarta-feira ao início da tarde, a Lisboa, indicou o Ministério da Administração Interna.
O gabinete de imprensa do Ministério da Administração Interna (MAI) avançou à agência Lusa que os 16 refugiados são sobretudo oriundos da Eritreia e estavam a aguardar recolocação no campo de refugiados de Itália.
Segundo o MAI, a maioria dos 16 refugiados vai ficar no norte de Portugal.
Os 16 refugiados juntam-se aos 195 que Portugal recebeu, desde dezembro, ao abrigo do Programa de Relocalização de Refugiados da União Europeia, tendo acolhido um total de 211.
A primeira quota europeia atribuída a Portugal foi de cerca de 4500 refugiados, tendo o país já manifestado a disponibilidade para acolher mais de cinco mil pessoas.
Portugal pode ficar a ganhar se receber mais refugiados
David Santiago, in "Sábado"
Portugal poderá receber até 1,38 mil milhões de euros, praticamente a verba que o Governo prevê gastar este ano com subsídios de desemprego, isto se for aprovada a proposta da Comissão Europeia que prevê que cada Estado-membro receba 250 mil euros por cada requerente de asilo acolhido para lá da quota definida.
Acolher um número de refugiados superior ao definido pelo esquema comunitário de realojamento de requerentes de asilo poderá permitir a Portugal receber até 1,38 mil milhões de euros. Isto porque a Comissão Europeia propôs esta quarta-feira, 4 de Maio, que um determinado Estado-membro da União Europeia (UE) que decida não participar temporariamente na repartição de refugiados pague uma "contribuição de solidariedade" de 250 mil euros por cada requerente de asilo, acolhido por um país-membro terceiro, "pelo qual seria responsável ao abrigo do mecanismo de equidade".
Este mecanismo de equidade agora proposto por Bruxelas entraria em acção automaticamente a partir do momento em que um determinado país estivesse a cargo com um número "desproporcionado de pedidos de asilo", tendo em conta a "dimensão e riqueza do país", pode ler-se na proposta da Comissão.
Ora, assumindo que o quadro europeu para a recolocação de refugiados atribuiu a Portugal uma quota de 4.295 requerentes de asilo e de 191 migrantes ao abrigo da reinstalação de refugiados, o Estado português ficou comprometido com o alojamento de um total de 4.486 requerentes.
E durante o Conselho Europeu realizado em Fevereiro, o primeiro-ministro português, António Costa, demonstrou, junto do seu homólogo grego, Alexis Tsipras, a disponibilidade do Governo português para receber perto de 3 mil requerentes de asilo que estivessem ainda nos campos de acolhimento helénicos.
A agência Lusa noticiou nessa altura que António Costa havia também enviado cartas a homólogos de outros Estados-membros pressionados pelos fluxos migratórios, disponibilizando-se a acolher até um número próximo dos 10 mil requerentes de asilo. Notícia esta que não foi desmentida.
O que significa que se o Estado português receber os 5.514 migrantes remanescentes dos referidos 10 mil, poderá beneficiar de 1,38 mil milhões de euros de "contribuições de solidariedade". Um valor que se aproxima dos 1,6 mil milhões de euros que o Executivo liderado por António Costa prevê - no Orçamento do Estado para 2016 - gastar com o pagamento de subsídios de desemprego.
Portugal poderá receber até 1,38 mil milhões de euros, praticamente a verba que o Governo prevê gastar este ano com subsídios de desemprego, isto se for aprovada a proposta da Comissão Europeia que prevê que cada Estado-membro receba 250 mil euros por cada requerente de asilo acolhido para lá da quota definida.
Acolher um número de refugiados superior ao definido pelo esquema comunitário de realojamento de requerentes de asilo poderá permitir a Portugal receber até 1,38 mil milhões de euros. Isto porque a Comissão Europeia propôs esta quarta-feira, 4 de Maio, que um determinado Estado-membro da União Europeia (UE) que decida não participar temporariamente na repartição de refugiados pague uma "contribuição de solidariedade" de 250 mil euros por cada requerente de asilo, acolhido por um país-membro terceiro, "pelo qual seria responsável ao abrigo do mecanismo de equidade".
Este mecanismo de equidade agora proposto por Bruxelas entraria em acção automaticamente a partir do momento em que um determinado país estivesse a cargo com um número "desproporcionado de pedidos de asilo", tendo em conta a "dimensão e riqueza do país", pode ler-se na proposta da Comissão.
Ora, assumindo que o quadro europeu para a recolocação de refugiados atribuiu a Portugal uma quota de 4.295 requerentes de asilo e de 191 migrantes ao abrigo da reinstalação de refugiados, o Estado português ficou comprometido com o alojamento de um total de 4.486 requerentes.
E durante o Conselho Europeu realizado em Fevereiro, o primeiro-ministro português, António Costa, demonstrou, junto do seu homólogo grego, Alexis Tsipras, a disponibilidade do Governo português para receber perto de 3 mil requerentes de asilo que estivessem ainda nos campos de acolhimento helénicos.
A agência Lusa noticiou nessa altura que António Costa havia também enviado cartas a homólogos de outros Estados-membros pressionados pelos fluxos migratórios, disponibilizando-se a acolher até um número próximo dos 10 mil requerentes de asilo. Notícia esta que não foi desmentida.
O que significa que se o Estado português receber os 5.514 migrantes remanescentes dos referidos 10 mil, poderá beneficiar de 1,38 mil milhões de euros de "contribuições de solidariedade". Um valor que se aproxima dos 1,6 mil milhões de euros que o Executivo liderado por António Costa prevê - no Orçamento do Estado para 2016 - gastar com o pagamento de subsídios de desemprego.
“A única coisa errada nisto da natalidade são os políticos”
Natália Faria, in "Público"
Falta “consistência” e maturidade” aos dirigentes políticos nas questões de apoio à natalidade, acusa Joaquim Azevedo, autor do relatório Por um Portugal amigo das crianças, da natalidade e das famílias 2015-2035.
Numa sociedade que, como a portuguesa, desejava ter mais filhos do que os que na realidade tem, a responsabilidade por nascerem cada vez menos bebés é dos decisores políticos. “Vem um governo e faz, vem o seguinte e desfaz. E estas políticas de stop and go transmitem aos cidadãos o sinal contrário ao que seria preciso. Não se percebe muito bem", desabafa Joaquim Azevedo, coordenador da comissão independente que, a pedido do anterior primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, redigiu o relatório Por um Portugal amigo das crianças, das famílias e da natalidade 2015-2035.
Do incentivo ao trabalho em part-time até um ano e sem perda de salário à redução do IMI e das tarifas de água e do lixo, passando pela criação de um passe familiar nos transportes públicos e pela isenção da Taxa Social Única para as empresas que contratassem grávidas ou pessoas com filhos até três anos de idade, o documento propunha 27 medidas tidas como capazes de remover os obstáculos à natalidade em Portugal.
Quando, em Julho de 2014, o apresentou publicamente, Passos Coelho apelou a um consenso partidário e social alargado em torno das propostas. Mas a maioria quedou-se no papel. E as que avançaram, como a introdução do quociente familiar em que cada filho passou a contar no apuramento das deduções à colecta para efeitos de IRS, acabaram por ser revertidas pelo Governo actual liderado por António Costa. “Logo que a situação melhorou, a natalidade voltou a subir. A única coisa errada nisto são os dirigentes políticos. Eles é que dão sinais contrários. Falta consistência nas políticas. Temos 40 anos de democracia, era tempo de sermos mais adultos nestas coisas”, acusa Joaquim Azevedo.
A facilitação da conciliação do trabalho com a família, não só já do ponto de vista da mãe, mas também do pai, seria importantíssima para incentivar a natalidade
Maria Filomena Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Demografia
No ano passado, assistiu-se a um ligeiro aumento na natalidade, com mais 3133 bebés do que no ano anterior. Não é muito, mas foi a primeira vez, em vários anos, que a natalidade não desceu. Mostra isto que “as pessoas querem ter filhos e querem ter mais filhos”, insiste Azevedo. Faltam, assim, medidas consistentes de facilitação. Quais?
“A facilitação da conciliação do trabalho com a família, não só já do ponto de vista da mãe, mas também do pai, seria importantíssima para incentivar a natalidade”, atira Maria Filomena Mendes. Para a presidente da Associação Portuguesa de Demografia, “num país em que a produtividade ainda se confunde muito com o número de horas que se dedica ao trabalho”, seria assim imperioso “avançar com a redução das jornadas laborais dos funcionários com filhos pequenos”.
Para a também demógrafa Ana Fernandes, professora catedrática no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, urge flexibilizar os horários de trabalho e assegurar a existência de boas escolas maternais onde os pais possam deixar os filhos sem terem de desembolsar perto de 500 euros. “Isso é a pedra de toque de qualquer política de apoio à natalidade, porque, sem uma estrutura de apoio à família bem organizada e acessível, nada disto vai mudar.”
Na semana passada, a Assembleia da República discutiu duas propostas do Bloco de Esquerda e do PAN para o alargamento da licença pós-parto. O debate começou por ser suscitado por uma petição popular que reuniu mais de 30 mil assinaturas e seguiu entretanto para discussão em sede da Comissão Parlamentar de Trabalho e Segurança Social, onde se juntará um terceiro projecto do PCP que aponta no mesmo sentido. O PS já avisou, porém, que não está disponível para apoiar a mudança.
Falta “consistência” e maturidade” aos dirigentes políticos nas questões de apoio à natalidade, acusa Joaquim Azevedo, autor do relatório Por um Portugal amigo das crianças, da natalidade e das famílias 2015-2035.
Numa sociedade que, como a portuguesa, desejava ter mais filhos do que os que na realidade tem, a responsabilidade por nascerem cada vez menos bebés é dos decisores políticos. “Vem um governo e faz, vem o seguinte e desfaz. E estas políticas de stop and go transmitem aos cidadãos o sinal contrário ao que seria preciso. Não se percebe muito bem", desabafa Joaquim Azevedo, coordenador da comissão independente que, a pedido do anterior primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, redigiu o relatório Por um Portugal amigo das crianças, das famílias e da natalidade 2015-2035.
Do incentivo ao trabalho em part-time até um ano e sem perda de salário à redução do IMI e das tarifas de água e do lixo, passando pela criação de um passe familiar nos transportes públicos e pela isenção da Taxa Social Única para as empresas que contratassem grávidas ou pessoas com filhos até três anos de idade, o documento propunha 27 medidas tidas como capazes de remover os obstáculos à natalidade em Portugal.
Quando, em Julho de 2014, o apresentou publicamente, Passos Coelho apelou a um consenso partidário e social alargado em torno das propostas. Mas a maioria quedou-se no papel. E as que avançaram, como a introdução do quociente familiar em que cada filho passou a contar no apuramento das deduções à colecta para efeitos de IRS, acabaram por ser revertidas pelo Governo actual liderado por António Costa. “Logo que a situação melhorou, a natalidade voltou a subir. A única coisa errada nisto são os dirigentes políticos. Eles é que dão sinais contrários. Falta consistência nas políticas. Temos 40 anos de democracia, era tempo de sermos mais adultos nestas coisas”, acusa Joaquim Azevedo.
A facilitação da conciliação do trabalho com a família, não só já do ponto de vista da mãe, mas também do pai, seria importantíssima para incentivar a natalidade
Maria Filomena Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Demografia
No ano passado, assistiu-se a um ligeiro aumento na natalidade, com mais 3133 bebés do que no ano anterior. Não é muito, mas foi a primeira vez, em vários anos, que a natalidade não desceu. Mostra isto que “as pessoas querem ter filhos e querem ter mais filhos”, insiste Azevedo. Faltam, assim, medidas consistentes de facilitação. Quais?
“A facilitação da conciliação do trabalho com a família, não só já do ponto de vista da mãe, mas também do pai, seria importantíssima para incentivar a natalidade”, atira Maria Filomena Mendes. Para a presidente da Associação Portuguesa de Demografia, “num país em que a produtividade ainda se confunde muito com o número de horas que se dedica ao trabalho”, seria assim imperioso “avançar com a redução das jornadas laborais dos funcionários com filhos pequenos”.
Para a também demógrafa Ana Fernandes, professora catedrática no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, urge flexibilizar os horários de trabalho e assegurar a existência de boas escolas maternais onde os pais possam deixar os filhos sem terem de desembolsar perto de 500 euros. “Isso é a pedra de toque de qualquer política de apoio à natalidade, porque, sem uma estrutura de apoio à família bem organizada e acessível, nada disto vai mudar.”
Na semana passada, a Assembleia da República discutiu duas propostas do Bloco de Esquerda e do PAN para o alargamento da licença pós-parto. O debate começou por ser suscitado por uma petição popular que reuniu mais de 30 mil assinaturas e seguiu entretanto para discussão em sede da Comissão Parlamentar de Trabalho e Segurança Social, onde se juntará um terceiro projecto do PCP que aponta no mesmo sentido. O PS já avisou, porém, que não está disponível para apoiar a mudança.
Afrofobia está espalhada na Europa e em Portugal
Joana Gorjão Henriques, in "Público"
Pesquisa em 20 países mostra discriminação na saúde, educação e emprego. Equilíbrios de poder privilegiam população branca em todas as áreas da vida, denuncia relatório. Portugal está no grupo dos que apresentam menos dados sobre minorias étnicas e raciais e isso é um problema.
Em Portugal, há um número desproporcionado de pessoas negras nas prisões: 19% da população prisional é estrangeira, desses quase 60% é africana. No Reino Unido quem tem um apelido que soa a africano precisa de enviar duas vezes mais candidaturas a emprego para ser chamado à fase de entrevista. Em França, uma experiência mostra que as mulheres com um nome senegalês têm 8,4% de hipóteses de irem a uma entrevista de emprego, comparando com 13,9% no caso dos homens com nome senegalês e 22,6% no caso de uma mulher com nome francês.
Em quase todos os países da União Europeia as estatísticas mostram que as pessoas de origem africana têm sistematicamente níveis mais altos de desemprego por causa da discriminação racial. Na Finlândia há três vezes mais desemprego entre as pessoas de origem africana (41,2%) do que a média nacional (8.7%). Na Lituânia, uma sondagem revela que uma em cinco pessoas não quer trabalhar com uma pessoa negra. Na Suécia, uma em quatro pessoas negras licenciadas estão em empregos de baixa qualificação. Na Holanda é relatado que estudantes de origem africana, apesar de resultados altos num teste nacional, foram subavaliados pelos professores.
Estes são alguns dos dados do relatório que foi publicado recentemente sobre a Afrofobia na Europa, pela European Network Against Racism (ENAR), uma rede pan-europeia de advocacia pela igualdade racial e facilitação de cooperação dos vários actores anti-racismo na sociedade civil. É apresentado como o primeiro relatório qualitativo pan-europeu sobre afrodescendentes e europeus negros. Afrofobia é um termo usado para descrever as especificidades do racismo que afecta as pessoas negras e afrodescendentes.
Em termos comparativos, Portugal tem políticas públicas “ainda muito tímidas”, afirma a investigadora. “Ainda não encontrou o caminho certo, sobretudo porque insiste em afirmar que não existe racismo
Ana Stela Cunha
Baseado em informação de 20 países, entre eles Portugal, vinda de pesquisas, estudos de caso, políticas públicas e cobrindo o período de Março de 2014 a Março de 2015, o relatório mostra que os negros que vivem na Europa são alvo de discriminação em várias áreas da sua vida: educação, emprego, justiça, sistema policial, saúde... “Há inquestionavelmente um problema que precisa de ser enfrentado estruturalmente na Europa. As soluções precisam de uma resposta que ataque os equilíbrios de poder estruturais que privilegiam a população branca em todas as áreas da vida”, afirmam.
De todos os países, Portugal está no grupo dos que apresentam menos dados. Através da análise de documentos e de entrevistas, as investigadoras brasileiras Ana Stela Cunha e Beatriz Noronha traçaram o retrato de Portugal como um país em que existe um problema de discriminação racial na abordagem da polícia e em que as pessoas negras são alvo de violência pelas forças policiais. Pessoas negras queixam-se de não terem tido um julgamento justo, argumentando que a polícia conseguiu apresentar a sua versão dos factos no tribunal enquanto eles nem sempre eram ouvidos. Estes são dos problemas mais preocupantes sobre o país, segundo uma das responsáveis pelo relatório, Ojeaku Nwabuzo (ver entrevista).
Há um grande trabalho de levantamento a fazer
Quanto às questões de género e raça, afirma-se que em Portugal as mulheres de Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde estão mais expostas ao desemprego do que as mulheres brancas; há números altos de imigrantes em situação irregular a trabalhar na construção, agricultura, jardinagem e cabeleireiros, sendo que existem vários relatos de exploração, maus contratos, pagamento e situação desigual entre os afrodescendentes, que as investigadoras estimaram em mais de 82.200 (número de imigrantes de Cabo Verde, Angola e Guiné-Bissau, a principal fatia, que sobe para mais de 90 mil quando se inclui São Tomé e Príncipe e Moçambique).
Em relação ao ensino, o relatório sublinha que em vários países europeus há várias queixas de conteúdo racista em manuais escolares ou ausência de imagens positivas dos negros – em Portugal, sublinham, o currículo escolar não inclui o papel de África na construção económica e cultural do país. Sobre habitação, dá-se conta de que há registo de segregação social: as pessoas negras tendem a viver em zonas mais antigas e mais degradadas, em más condições. Não há registo de um único CEO negro nas 100 maiores empresas portuguesas. Em 2014, a Comissão Para a Igualdade e Discriminação Racial registou apenas 60 queixas, 38% de pessoas negras, um número baixo face aos níveis de discriminação.
As investigadoras não conseguiram ir mais longe por causa da ausência de dados – e isso já mostrou que é preciso fazer uma análise concreta do que está acontecer no terreno, diz Beatriz Noronha ao PÚBLICO por telefone. Infelizmente, sem análise não se fazem políticas acrescenta. “Por mais que Portugal tenha vontade de combater a discriminação, encontrámos situações complicadas que não são referenciadas porque existe um grande trabalho de levantamento a fazer”, comenta. Ana Stela Cunha, que tem uma associação em Portugal chamada Kazumba e é investigadora ligada ao Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA) Universidade Nova de Lisboa, explica que entrevistou dezenas de pessoas, muitos africanos, de várias classes sociais, origens e idades, analisou relatórios, material da comunicação social, material académico, material de organizações não-governamentais. A maior dificuldade “foi conseguir sistematizar os dados” porque as poucas coisas que existem sobre racismo estão espalhadas e há “muita informação transversal, que tem de ser lida nas entrelinhas”.
Em termos comparativos, Portugal tem políticas públicas “ainda muito tímidas”, afirma a investigadora. “Ainda não encontrou o caminho certo, sobretudo porque insiste em afirmar que não existe racismo. Enquanto acharmos que não existe um problema, não teremos como buscar meios de conviver com ele... A questão da educação me parece óbvia. Não há nada nos materiais didácticos do país que trabalhem com a diversidade linguística, por exemplo”.
Grande parte dos países europeus não faz recolha de dados sobre origem étnica ou racial, e isso é um dos grandes entraves – as histórias recolhidas são decisivas para trazer à arena pública os problemas mas sem meios para recolher mais dados, baseados na auto-identificação, esta “é apenas a ponta do iceberg e muitas histórias vão continuar invisíveis”, afirma o relatório. Não se sabe, assim, qual o número real da população negra na Europa.
Além de criar políticas específicas e gerais de combate ao racismo e à afrofobia, o parlamento Europeu deveria desenvolver estratégias nacionais, defende a ENAR – o relatório deixa como recomendação a criação de mecanismos que criem um standard de recolha de dados sobre minorias étnicas e raciais de modo a produzir material comparável. Já em 2012, a ONU tinha deixado essa recomendação a Portugal.
A ENAR foi criada em 1998 por activistas com o objectivo de provocar a mudança a nível da igualdade racial em todos os estados membros.
Pesquisa em 20 países mostra discriminação na saúde, educação e emprego. Equilíbrios de poder privilegiam população branca em todas as áreas da vida, denuncia relatório. Portugal está no grupo dos que apresentam menos dados sobre minorias étnicas e raciais e isso é um problema.
Em Portugal, há um número desproporcionado de pessoas negras nas prisões: 19% da população prisional é estrangeira, desses quase 60% é africana. No Reino Unido quem tem um apelido que soa a africano precisa de enviar duas vezes mais candidaturas a emprego para ser chamado à fase de entrevista. Em França, uma experiência mostra que as mulheres com um nome senegalês têm 8,4% de hipóteses de irem a uma entrevista de emprego, comparando com 13,9% no caso dos homens com nome senegalês e 22,6% no caso de uma mulher com nome francês.
Em quase todos os países da União Europeia as estatísticas mostram que as pessoas de origem africana têm sistematicamente níveis mais altos de desemprego por causa da discriminação racial. Na Finlândia há três vezes mais desemprego entre as pessoas de origem africana (41,2%) do que a média nacional (8.7%). Na Lituânia, uma sondagem revela que uma em cinco pessoas não quer trabalhar com uma pessoa negra. Na Suécia, uma em quatro pessoas negras licenciadas estão em empregos de baixa qualificação. Na Holanda é relatado que estudantes de origem africana, apesar de resultados altos num teste nacional, foram subavaliados pelos professores.
Estes são alguns dos dados do relatório que foi publicado recentemente sobre a Afrofobia na Europa, pela European Network Against Racism (ENAR), uma rede pan-europeia de advocacia pela igualdade racial e facilitação de cooperação dos vários actores anti-racismo na sociedade civil. É apresentado como o primeiro relatório qualitativo pan-europeu sobre afrodescendentes e europeus negros. Afrofobia é um termo usado para descrever as especificidades do racismo que afecta as pessoas negras e afrodescendentes.
Em termos comparativos, Portugal tem políticas públicas “ainda muito tímidas”, afirma a investigadora. “Ainda não encontrou o caminho certo, sobretudo porque insiste em afirmar que não existe racismo
Ana Stela Cunha
Baseado em informação de 20 países, entre eles Portugal, vinda de pesquisas, estudos de caso, políticas públicas e cobrindo o período de Março de 2014 a Março de 2015, o relatório mostra que os negros que vivem na Europa são alvo de discriminação em várias áreas da sua vida: educação, emprego, justiça, sistema policial, saúde... “Há inquestionavelmente um problema que precisa de ser enfrentado estruturalmente na Europa. As soluções precisam de uma resposta que ataque os equilíbrios de poder estruturais que privilegiam a população branca em todas as áreas da vida”, afirmam.
De todos os países, Portugal está no grupo dos que apresentam menos dados. Através da análise de documentos e de entrevistas, as investigadoras brasileiras Ana Stela Cunha e Beatriz Noronha traçaram o retrato de Portugal como um país em que existe um problema de discriminação racial na abordagem da polícia e em que as pessoas negras são alvo de violência pelas forças policiais. Pessoas negras queixam-se de não terem tido um julgamento justo, argumentando que a polícia conseguiu apresentar a sua versão dos factos no tribunal enquanto eles nem sempre eram ouvidos. Estes são dos problemas mais preocupantes sobre o país, segundo uma das responsáveis pelo relatório, Ojeaku Nwabuzo (ver entrevista).
Há um grande trabalho de levantamento a fazer
Quanto às questões de género e raça, afirma-se que em Portugal as mulheres de Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde estão mais expostas ao desemprego do que as mulheres brancas; há números altos de imigrantes em situação irregular a trabalhar na construção, agricultura, jardinagem e cabeleireiros, sendo que existem vários relatos de exploração, maus contratos, pagamento e situação desigual entre os afrodescendentes, que as investigadoras estimaram em mais de 82.200 (número de imigrantes de Cabo Verde, Angola e Guiné-Bissau, a principal fatia, que sobe para mais de 90 mil quando se inclui São Tomé e Príncipe e Moçambique).
Em relação ao ensino, o relatório sublinha que em vários países europeus há várias queixas de conteúdo racista em manuais escolares ou ausência de imagens positivas dos negros – em Portugal, sublinham, o currículo escolar não inclui o papel de África na construção económica e cultural do país. Sobre habitação, dá-se conta de que há registo de segregação social: as pessoas negras tendem a viver em zonas mais antigas e mais degradadas, em más condições. Não há registo de um único CEO negro nas 100 maiores empresas portuguesas. Em 2014, a Comissão Para a Igualdade e Discriminação Racial registou apenas 60 queixas, 38% de pessoas negras, um número baixo face aos níveis de discriminação.
As investigadoras não conseguiram ir mais longe por causa da ausência de dados – e isso já mostrou que é preciso fazer uma análise concreta do que está acontecer no terreno, diz Beatriz Noronha ao PÚBLICO por telefone. Infelizmente, sem análise não se fazem políticas acrescenta. “Por mais que Portugal tenha vontade de combater a discriminação, encontrámos situações complicadas que não são referenciadas porque existe um grande trabalho de levantamento a fazer”, comenta. Ana Stela Cunha, que tem uma associação em Portugal chamada Kazumba e é investigadora ligada ao Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA) Universidade Nova de Lisboa, explica que entrevistou dezenas de pessoas, muitos africanos, de várias classes sociais, origens e idades, analisou relatórios, material da comunicação social, material académico, material de organizações não-governamentais. A maior dificuldade “foi conseguir sistematizar os dados” porque as poucas coisas que existem sobre racismo estão espalhadas e há “muita informação transversal, que tem de ser lida nas entrelinhas”.
Em termos comparativos, Portugal tem políticas públicas “ainda muito tímidas”, afirma a investigadora. “Ainda não encontrou o caminho certo, sobretudo porque insiste em afirmar que não existe racismo. Enquanto acharmos que não existe um problema, não teremos como buscar meios de conviver com ele... A questão da educação me parece óbvia. Não há nada nos materiais didácticos do país que trabalhem com a diversidade linguística, por exemplo”.
Grande parte dos países europeus não faz recolha de dados sobre origem étnica ou racial, e isso é um dos grandes entraves – as histórias recolhidas são decisivas para trazer à arena pública os problemas mas sem meios para recolher mais dados, baseados na auto-identificação, esta “é apenas a ponta do iceberg e muitas histórias vão continuar invisíveis”, afirma o relatório. Não se sabe, assim, qual o número real da população negra na Europa.
Além de criar políticas específicas e gerais de combate ao racismo e à afrofobia, o parlamento Europeu deveria desenvolver estratégias nacionais, defende a ENAR – o relatório deixa como recomendação a criação de mecanismos que criem um standard de recolha de dados sobre minorias étnicas e raciais de modo a produzir material comparável. Já em 2012, a ONU tinha deixado essa recomendação a Portugal.
A ENAR foi criada em 1998 por activistas com o objectivo de provocar a mudança a nível da igualdade racial em todos os estados membros.
A violência policial contra negros é problemática em Portugal
Joana Gorjão Henriques, in "Público"
Responsável pelo relatório recomenda que seja feito um trabalho com as forças de segurança e o sistema criminal
Ojeaku Nwabuzo, britânica, é investigadora sénior da European Network Against Racism (ENAR) e geriu o relatório do princípio ao fim, desenhando o questionário com colegas, recrutando os investigadores e apoiando-os. É também autora da redacção do relatório, feito com base nas contribuições dos diversos colaboradores.
Porquê a escolha do termo afrofobia para este relatório?
O termo é usado pela ENAR e surgiu de discussões entre os nossos membros. Muitos sentiram que era importante ter um termo que olhava especificamente para o racismo que as pessoas negras enfrentam e que tem a ver com o colonialismo, escravatura e estereótipos usados para denegrir os negros.
Como se sai Portugal neste relatório comparativo?
Neste relatório específico tivemos algumas dificuldades em encontrar pesquisa feita em Portugal, por isso apenas uma pequena parte da história sobre Portugal é contada. Há imensas coisas sublinhadas pelos pesquisadores que infelizmente não chegaram ao relatório final. Algumas das áreas sublinhadas é que em primeiro lugar muitas pessoas negras e de ascendência africana são tratadas de forma muito discriminatória pelas autoridades policiais, há vários relatos de violência. Em comparação com outros países europeus isso é problemático em Portugal. Parece que existe um número alto de pessoas negras na prisão, comparando com outros grupos étnicos e há a criminalização desta população com a paragem na rua pela polícia. Portugal parece ter um problema particular com o sistema de justiça criminal e a prisão de pessoas negras. Outro aspecto é o emprego, transversal a vários países, mas há uma segmentação do trabalho em Portugal. Uma das perguntas que fazemos é como as pessoas negras estão representadas no mundo empresarial e nas grandes empresas? Foi referido que não há um único negro CEO nas maiores empresas em Portugal – algo que, à parte do Reino Unido e da Alemanha, é comum a outros países europeus.
A falta de dados sobre minorias coloca debaixo do tapete os problemas raciais?
É uma barreira séria: se não há dados para mostrar como as pessoas são discriminadas no emprego, na habitação social, educação, quem desenha as políticas públicas pode ignorar a discriminação. Acho que em Portugal parece que há uma grande comunidade negra, em Lisboa, por exemplo, e não sabemos os dados exactos porque muitos são baseados em nacionalidade, por isso os números são dos que imigraram de África para Portugal mas não mostram o tamanho global da população negra em Portugal. E isso é outra forma de os políticos ignorarem o problema: podem facilmente dizer que a população negra é um grupo pequeno e insignificante. O que não é necessariamente o caso…
Quão preocupante é a afrofobia na Europa?
É uma questão interessante, sabemos que o racismo não é um fenómeno novo. Se estivermos a falar de quão urgente é enfrentar estes problemas diria que é especialmente urgente porque há imensos aspectos que nunca foram abordados, e há este debate e retórica sobre a imigração que acaba por ter um impacto nas pessoas negras que vivem na Europa.
Os problemas que levantamos na educação, saúde, emprego existem há décadas. O que é preocupante é que os governos não estejam a atacá-los mesmo quando, depois de muitos muitos anos, se podem implementar políticas que podem resolver o problema. Em toda a Europa é preciso haver uma melhoria dos planos nacionais de acção contra o racismo em várias áreas – a sua implementação faria uma diferença enorme. Em Portugal é preciso ser feito um trabalho com as forças de segurança e o sistema criminal – se isso acontecesse as relações da comunidade negra e da polícia iriam melhorar muito. Parece que há treinos de polícia para estas questões, mas se são eficazes é outra questão. Alguns destes polícias que estão a ser violentos precisam de ser responsabilizados e esta seria a minha recomendação.
De todos os resultados, o que a chocou mais?
Sou do Reino Unido, para mim a ideia de recolher informação sobre grupos étnicos e demonstrar como é que podemos ter presente a questão da igualdade em situações de recrutamento e outras é essencial. Mas não parece sê-lo para outros países.
Há muitos indivíduos que foram discriminados no local de trabalho a um nível chocante. Não acho que isso seja tornado público tanto quanto acontece. Houve uma situação de alguém que enviou, por engano, para um grupo um email em que diz que não quer empregar determinada pessoa por causa do seu grupo étnico. Revela o que se passa atrás das portas que raramente ouvimos porque fica entre colegas. Ou alguém que diz que não precisa de outra Fatumata no escritório, assumindo que era muçulmana e negra. Claro que a violência racial é horrível e chocante, mas é chocante a discriminação do dia-a-dia que não vemos e que mantém as pessoas negras numa posição de fragilidade.
Responsável pelo relatório recomenda que seja feito um trabalho com as forças de segurança e o sistema criminal
Ojeaku Nwabuzo, britânica, é investigadora sénior da European Network Against Racism (ENAR) e geriu o relatório do princípio ao fim, desenhando o questionário com colegas, recrutando os investigadores e apoiando-os. É também autora da redacção do relatório, feito com base nas contribuições dos diversos colaboradores.
Porquê a escolha do termo afrofobia para este relatório?
O termo é usado pela ENAR e surgiu de discussões entre os nossos membros. Muitos sentiram que era importante ter um termo que olhava especificamente para o racismo que as pessoas negras enfrentam e que tem a ver com o colonialismo, escravatura e estereótipos usados para denegrir os negros.
Como se sai Portugal neste relatório comparativo?
Neste relatório específico tivemos algumas dificuldades em encontrar pesquisa feita em Portugal, por isso apenas uma pequena parte da história sobre Portugal é contada. Há imensas coisas sublinhadas pelos pesquisadores que infelizmente não chegaram ao relatório final. Algumas das áreas sublinhadas é que em primeiro lugar muitas pessoas negras e de ascendência africana são tratadas de forma muito discriminatória pelas autoridades policiais, há vários relatos de violência. Em comparação com outros países europeus isso é problemático em Portugal. Parece que existe um número alto de pessoas negras na prisão, comparando com outros grupos étnicos e há a criminalização desta população com a paragem na rua pela polícia. Portugal parece ter um problema particular com o sistema de justiça criminal e a prisão de pessoas negras. Outro aspecto é o emprego, transversal a vários países, mas há uma segmentação do trabalho em Portugal. Uma das perguntas que fazemos é como as pessoas negras estão representadas no mundo empresarial e nas grandes empresas? Foi referido que não há um único negro CEO nas maiores empresas em Portugal – algo que, à parte do Reino Unido e da Alemanha, é comum a outros países europeus.
A falta de dados sobre minorias coloca debaixo do tapete os problemas raciais?
É uma barreira séria: se não há dados para mostrar como as pessoas são discriminadas no emprego, na habitação social, educação, quem desenha as políticas públicas pode ignorar a discriminação. Acho que em Portugal parece que há uma grande comunidade negra, em Lisboa, por exemplo, e não sabemos os dados exactos porque muitos são baseados em nacionalidade, por isso os números são dos que imigraram de África para Portugal mas não mostram o tamanho global da população negra em Portugal. E isso é outra forma de os políticos ignorarem o problema: podem facilmente dizer que a população negra é um grupo pequeno e insignificante. O que não é necessariamente o caso…
Quão preocupante é a afrofobia na Europa?
É uma questão interessante, sabemos que o racismo não é um fenómeno novo. Se estivermos a falar de quão urgente é enfrentar estes problemas diria que é especialmente urgente porque há imensos aspectos que nunca foram abordados, e há este debate e retórica sobre a imigração que acaba por ter um impacto nas pessoas negras que vivem na Europa.
Os problemas que levantamos na educação, saúde, emprego existem há décadas. O que é preocupante é que os governos não estejam a atacá-los mesmo quando, depois de muitos muitos anos, se podem implementar políticas que podem resolver o problema. Em toda a Europa é preciso haver uma melhoria dos planos nacionais de acção contra o racismo em várias áreas – a sua implementação faria uma diferença enorme. Em Portugal é preciso ser feito um trabalho com as forças de segurança e o sistema criminal – se isso acontecesse as relações da comunidade negra e da polícia iriam melhorar muito. Parece que há treinos de polícia para estas questões, mas se são eficazes é outra questão. Alguns destes polícias que estão a ser violentos precisam de ser responsabilizados e esta seria a minha recomendação.
De todos os resultados, o que a chocou mais?
Sou do Reino Unido, para mim a ideia de recolher informação sobre grupos étnicos e demonstrar como é que podemos ter presente a questão da igualdade em situações de recrutamento e outras é essencial. Mas não parece sê-lo para outros países.
Há muitos indivíduos que foram discriminados no local de trabalho a um nível chocante. Não acho que isso seja tornado público tanto quanto acontece. Houve uma situação de alguém que enviou, por engano, para um grupo um email em que diz que não quer empregar determinada pessoa por causa do seu grupo étnico. Revela o que se passa atrás das portas que raramente ouvimos porque fica entre colegas. Ou alguém que diz que não precisa de outra Fatumata no escritório, assumindo que era muçulmana e negra. Claro que a violência racial é horrível e chocante, mas é chocante a discriminação do dia-a-dia que não vemos e que mantém as pessoas negras numa posição de fragilidade.
Cidadãos começam a poder escolher hospital do SNS a partir do fim do mês
Alexandra Campos, in "Público"
A escolha do hospital para a primeira consulta de especialidade é feita em articulação com o médico do centro de saúde e obedece a critérios. Liberdade de escolha será alargada a todo o país gradualmente este mês.
O processo vai ser gradual mas a partir do final deste mês os cidadãos passam a poder escolher o hospital público onde vão ser observados em consultas de especialidade e, eventualmente, ser submetidos a cirurgias e tratamentos, anunciou esta terça-feira a tutela. É a concretização de uma promessa do Governo, a do livre acesso e circulação no Serviço Nacional de Saúde (SNS), que arranca agora e vai ser aplicada de forma faseada.
É uma mudança de paradigma. Até agora, os cidadãos eram encaminhados directamente para o hospital de referência da sua área de residência, mas, quando o novo sistema estiver a funcionar em pleno, um habitante de Ourém (que pertence à área da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo), "pode ir livremente ao hospital de Leiria, se assim o entender", exemplificou o Ministério da Saúde (MS).
Por enquanto, e até ao próximo dia 9, o novo modelo permanece em fase de testes internos. A partir dessa data, começa a funcionar, primeiro, nas áreas da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte e do Centro, avançando depois para as restantes regiões do país até ao final do mês, precisou a assessoria do MS.
O despacho que “determina os parâmetros do livre acesso e circulação” do cidadão no SNS estabelece que a pessoa que aguarda pela primeira consulta de especialidade hospitalar pode, em articulação com o médico de família responsável pela referenciação (encaminhamento), optar por qualquer uma das unidades hospitalares do SNS onde exista a especialidade em causa. As despesas com os transportes ficam a cargo dos utentes, a não ser que estes se encontrem nas situações definidas para o transporte de doentes não urgentes - em que está prevista a comparticipação em casos de insuficiência económica ou incapacidade igual ou superior a 60%, entre outras.
Interesse do utente, proximidade e tempo de resposta
O encaminhamento será efectuado em função de “critérios prioritários”, nomeadamente o “interesse do utente, a proximidade geográfica e os tempos médios de resposta”, informação que estará disponível para consulta no portal do SNS. O objectivo é o de "maximizar a capacidade instalada no SNS”, respeitando "as preferências dos utentes segundo critérios de interesse pessoal e de qualidade do desempenho das instituições”, acrescenta.
A concretização do Sistema Integrado de Gestão do Acesso no SNS (SIGA SNS) estava definida no Programa do XXI Governo Constitucional para a Saúde, lembra a Administração Central do Sistema de Saúde, que ainda esta semana vai divulgar uma circular com os procedimentos técnicos a observar e vai ficar responsável pela monitorização do processo.
“É uma medida correctíssima, que só peca por tardia”, comenta o presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral, Rui Nogueira, que não antevê dificuldades na concretização do novo sistema, até porque este vai ser “operacionalizado numa plataforma informática já disponível". "Em vez de ficarmos limitados ao hospital da nossa área, podemos escolher outros em que a resposta seja mais rápida", diz o médico que acredita que nos hospitais haverá capacidade de resposta, ainda que nalgumas especialidades isso seja mais complicado. “Há uma assimetria enorme de acesso aos cuidados de saúde em Portugal", lamenta Rui Nogueira, para quem a medida terá a virtualidade de pôr “o mercado a funcionar”. Rui Nogueira dá o exemplo dos casos de pessoas idosas que pretendem ser operadas perto do local da residência dos filhos e até agora não o podiam fazer.
Os responsáveis da Ordem dos Médicos também aplaudem a medida, mas avisam que pode ter consequências perniciosas, se não for colmatada entretanto a falta de recursos humanos e de equipamentos que se sente sobretudo em hospitais mais periféricos. “Os hospitais têm que ter,dentro do possível, igualdade de circunstâncias para poderem concorrer entre si”, defende o presidente da Ordem dos Médicos do Norte, Miguel Guimarães. "Como é que o hospital de Vila Real, onde neste momento faltam pelo menos 10 anestesiologistas, pode concorrer com hospitais mais centrais?", pergunta, enquanto observa que o MS tem que se preocupar em resolver rapidamente as carências dos hospitais mais afastados dos grandes centros urbanos, "senão corre-se o risco de centralizar cada vez mais a Medicina e aumentar o fosso entre os mais periféricos e os menos periféricos".
É possível escolher médico de famílias mas faltam clínicos
Rui Nogueira lembra, por outro lado, que o livre acesso e circulação no SNS, “parcialmente, até já está em vigor”. O sistema de recuperação de listas de espera para cirurgias já prevê que um doente possa optar por três hospitais do sector privado ou social, se o tempo máximo de espera for ultrapassado, e, nos centros de saúde, a escolha do médico de família também já é possível, em teoria. O problema é que, na prática, não existem médicos desta especialidade em número suficiente em Portugal.
Em Dezembro passado, quando anunciou as linhas mestras da reforma do SNS, o secretário de Estado Adjunto da Saúde, Fernando Araújo, explicou que o objectivo é o de criar dentro do SNS "um mercado interno de competitividade" e permitir que "o doente discuta" com o médico de família, "em função da sua doença, e possa optar pelo hospital que melhor pode tratar o seu problema e dar resposta em consultas, cirurgias e exames".
Incluída na carta de direitos e deveres do utente, a liberdade de escolha no SNS chegou a ser anunciada pelo anterior ministro da Saúde, Paulo Macedo, sem ter avançado.
A escolha do hospital para a primeira consulta de especialidade é feita em articulação com o médico do centro de saúde e obedece a critérios. Liberdade de escolha será alargada a todo o país gradualmente este mês.
O processo vai ser gradual mas a partir do final deste mês os cidadãos passam a poder escolher o hospital público onde vão ser observados em consultas de especialidade e, eventualmente, ser submetidos a cirurgias e tratamentos, anunciou esta terça-feira a tutela. É a concretização de uma promessa do Governo, a do livre acesso e circulação no Serviço Nacional de Saúde (SNS), que arranca agora e vai ser aplicada de forma faseada.
É uma mudança de paradigma. Até agora, os cidadãos eram encaminhados directamente para o hospital de referência da sua área de residência, mas, quando o novo sistema estiver a funcionar em pleno, um habitante de Ourém (que pertence à área da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo), "pode ir livremente ao hospital de Leiria, se assim o entender", exemplificou o Ministério da Saúde (MS).
Por enquanto, e até ao próximo dia 9, o novo modelo permanece em fase de testes internos. A partir dessa data, começa a funcionar, primeiro, nas áreas da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte e do Centro, avançando depois para as restantes regiões do país até ao final do mês, precisou a assessoria do MS.
O despacho que “determina os parâmetros do livre acesso e circulação” do cidadão no SNS estabelece que a pessoa que aguarda pela primeira consulta de especialidade hospitalar pode, em articulação com o médico de família responsável pela referenciação (encaminhamento), optar por qualquer uma das unidades hospitalares do SNS onde exista a especialidade em causa. As despesas com os transportes ficam a cargo dos utentes, a não ser que estes se encontrem nas situações definidas para o transporte de doentes não urgentes - em que está prevista a comparticipação em casos de insuficiência económica ou incapacidade igual ou superior a 60%, entre outras.
Interesse do utente, proximidade e tempo de resposta
O encaminhamento será efectuado em função de “critérios prioritários”, nomeadamente o “interesse do utente, a proximidade geográfica e os tempos médios de resposta”, informação que estará disponível para consulta no portal do SNS. O objectivo é o de "maximizar a capacidade instalada no SNS”, respeitando "as preferências dos utentes segundo critérios de interesse pessoal e de qualidade do desempenho das instituições”, acrescenta.
A concretização do Sistema Integrado de Gestão do Acesso no SNS (SIGA SNS) estava definida no Programa do XXI Governo Constitucional para a Saúde, lembra a Administração Central do Sistema de Saúde, que ainda esta semana vai divulgar uma circular com os procedimentos técnicos a observar e vai ficar responsável pela monitorização do processo.
“É uma medida correctíssima, que só peca por tardia”, comenta o presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral, Rui Nogueira, que não antevê dificuldades na concretização do novo sistema, até porque este vai ser “operacionalizado numa plataforma informática já disponível". "Em vez de ficarmos limitados ao hospital da nossa área, podemos escolher outros em que a resposta seja mais rápida", diz o médico que acredita que nos hospitais haverá capacidade de resposta, ainda que nalgumas especialidades isso seja mais complicado. “Há uma assimetria enorme de acesso aos cuidados de saúde em Portugal", lamenta Rui Nogueira, para quem a medida terá a virtualidade de pôr “o mercado a funcionar”. Rui Nogueira dá o exemplo dos casos de pessoas idosas que pretendem ser operadas perto do local da residência dos filhos e até agora não o podiam fazer.
Os responsáveis da Ordem dos Médicos também aplaudem a medida, mas avisam que pode ter consequências perniciosas, se não for colmatada entretanto a falta de recursos humanos e de equipamentos que se sente sobretudo em hospitais mais periféricos. “Os hospitais têm que ter,dentro do possível, igualdade de circunstâncias para poderem concorrer entre si”, defende o presidente da Ordem dos Médicos do Norte, Miguel Guimarães. "Como é que o hospital de Vila Real, onde neste momento faltam pelo menos 10 anestesiologistas, pode concorrer com hospitais mais centrais?", pergunta, enquanto observa que o MS tem que se preocupar em resolver rapidamente as carências dos hospitais mais afastados dos grandes centros urbanos, "senão corre-se o risco de centralizar cada vez mais a Medicina e aumentar o fosso entre os mais periféricos e os menos periféricos".
É possível escolher médico de famílias mas faltam clínicos
Rui Nogueira lembra, por outro lado, que o livre acesso e circulação no SNS, “parcialmente, até já está em vigor”. O sistema de recuperação de listas de espera para cirurgias já prevê que um doente possa optar por três hospitais do sector privado ou social, se o tempo máximo de espera for ultrapassado, e, nos centros de saúde, a escolha do médico de família também já é possível, em teoria. O problema é que, na prática, não existem médicos desta especialidade em número suficiente em Portugal.
Em Dezembro passado, quando anunciou as linhas mestras da reforma do SNS, o secretário de Estado Adjunto da Saúde, Fernando Araújo, explicou que o objectivo é o de criar dentro do SNS "um mercado interno de competitividade" e permitir que "o doente discuta" com o médico de família, "em função da sua doença, e possa optar pelo hospital que melhor pode tratar o seu problema e dar resposta em consultas, cirurgias e exames".
Incluída na carta de direitos e deveres do utente, a liberdade de escolha no SNS chegou a ser anunciada pelo anterior ministro da Saúde, Paulo Macedo, sem ter avançado.
Sozinha, uma mulher negra fez frente a 300 neonazis
In "Pùblico"
A imagem tornou-se viral na Suécia e já está a correr o mundo.
O que leva uma mulher a desafiar cerca de 300 neonazis? A protagonista desta história é Tess Asplund, uma mulher de 42 anos, com ascendência africana, cuja sua imagem se tornou viral depois de ter enfrentado sozinha, no último domingo, uma manifestação organizada pelo Movimento da Resistência Nórdica, na cidade de Borlänge, Suécia.
A imagem de Tess Asplund de punho erguido a enfrentar o grupo de extrema-direita está a correr o mundo. Entrevistada pelo jornal britânico The Guardian, Asplund conta que não reflectiu e agiu no momento. “Foi um impulso. Eu estava tão zangada, tive de sair para a rua”, confessa. “Só pensava: nem pensar, eles não podem marchar aqui. Nenhum nazi vai marchar aqui, não está correcto”.
Depois da manifestação, apanhou um comboio para Estocolmo e esqueceu o assunto. Segunda-feira percebeu que a foto estava a correr as redes sociais. Agora teme pelos seus 50 kgs de coragem que lhe parecem pouco quando pensa nos “grandes e loucos” membros do grupo de extrema-direita. “Talvez não o devesse ter feito, quero paz e sossego”, desabafa.
O medo não é em vão. Tess afirma que as acções daquele grupo lhe são familiares e conta que alguns dos seus amigos já foram atacados e obrigados a mudar de casa. A mulher já recebeu telefonemas anónimos a meio da noite onde pessoas lhe gritam do outro lado do auscultador. “É difícil falar sobre o ódio. Sinto vergonha por termos este problema. As autoridades dizem que é um país democrático. Mas estamos a falar de nazis! É horrível”, confessa.
A manifestação de domingo acontece numa altura em que os movimentos de extrema-direita estão a aumentar na Suécia, explica Daniel Poohl, editor da Expo, uma revista anti-racista sueca, à qual pertence o fotógrafo que captou a imagem viral.
O impacto da fotografia foi tal que os meios de comunicação suecos já a compararam a uma outra famosa imagem, capturada por Hans Runesson em 1985, e que ficou conhecida como “a senhora com a mala”. Na imagem, hoje com mais de três décadas, uma mulher usa a sua mala para bater num skinhead do partido neo-nazi sueco, dissolvido em 2009.
As sondagens mostram que os Democratas Suecos, um partido nacionalista, conservador e anti-imigração, conquistam 15% a 20% das intenções de voto dos eleitores e mantêm o poder no Parlamento, enquanto a proliferação do seu discurso se espalha por sites que incitam ao ódio. É no espectro mais extremista desta ideologia que encontramos o Movimento da Resistência Nórdica, explica Poohl.
“Vivemos numa Europa onde as ideias de extrema-direita se estão a tornar cada vez mais populares e também existe uma reacção contra elas”. “Vivemos dias em que as pessoas aguardam por algo que canalize esta necessidade de resistir à Europa que constrói muros e fronteiras contra refugiados, uma Europa com quem não podem cooperar mais. O gesto de Tess capturou um desses conflitos actuais”, analisa.
Recorde-se que a Suécia rejeitou, no início deste ano, a entrada de mais refugiados e migrantes da Ásia e Médio Oriente, alegando receio de que esta vaga ameace a segurança nacional, depois de se terem registado episódios de violência em centros de acolhimento de refugiados. Em Janeiro o país começou a recusar a entrada de migrantes sem documentos.
No último ano, as Nações Unidas consideraram que o país tem um problema específico de Afrofobia.
"O racismo foi normalizado na Suécia. Pensava que a Suécia em 2016 iria ser mais aberta, mas alguma coisa aconteceu”, lamenta Tess. “Espero que algo positivo resulte desta fotografia. Talvez aquilo que eu fiz se torne um símbolo de que qualquer pessoa pode fazer alguma coisa. Se uma pessoa o conseguiu, qualquer um consegue”, conclui.
A imagem tornou-se viral na Suécia e já está a correr o mundo.
O que leva uma mulher a desafiar cerca de 300 neonazis? A protagonista desta história é Tess Asplund, uma mulher de 42 anos, com ascendência africana, cuja sua imagem se tornou viral depois de ter enfrentado sozinha, no último domingo, uma manifestação organizada pelo Movimento da Resistência Nórdica, na cidade de Borlänge, Suécia.
A imagem de Tess Asplund de punho erguido a enfrentar o grupo de extrema-direita está a correr o mundo. Entrevistada pelo jornal britânico The Guardian, Asplund conta que não reflectiu e agiu no momento. “Foi um impulso. Eu estava tão zangada, tive de sair para a rua”, confessa. “Só pensava: nem pensar, eles não podem marchar aqui. Nenhum nazi vai marchar aqui, não está correcto”.
Depois da manifestação, apanhou um comboio para Estocolmo e esqueceu o assunto. Segunda-feira percebeu que a foto estava a correr as redes sociais. Agora teme pelos seus 50 kgs de coragem que lhe parecem pouco quando pensa nos “grandes e loucos” membros do grupo de extrema-direita. “Talvez não o devesse ter feito, quero paz e sossego”, desabafa.
O medo não é em vão. Tess afirma que as acções daquele grupo lhe são familiares e conta que alguns dos seus amigos já foram atacados e obrigados a mudar de casa. A mulher já recebeu telefonemas anónimos a meio da noite onde pessoas lhe gritam do outro lado do auscultador. “É difícil falar sobre o ódio. Sinto vergonha por termos este problema. As autoridades dizem que é um país democrático. Mas estamos a falar de nazis! É horrível”, confessa.
A manifestação de domingo acontece numa altura em que os movimentos de extrema-direita estão a aumentar na Suécia, explica Daniel Poohl, editor da Expo, uma revista anti-racista sueca, à qual pertence o fotógrafo que captou a imagem viral.
O impacto da fotografia foi tal que os meios de comunicação suecos já a compararam a uma outra famosa imagem, capturada por Hans Runesson em 1985, e que ficou conhecida como “a senhora com a mala”. Na imagem, hoje com mais de três décadas, uma mulher usa a sua mala para bater num skinhead do partido neo-nazi sueco, dissolvido em 2009.
As sondagens mostram que os Democratas Suecos, um partido nacionalista, conservador e anti-imigração, conquistam 15% a 20% das intenções de voto dos eleitores e mantêm o poder no Parlamento, enquanto a proliferação do seu discurso se espalha por sites que incitam ao ódio. É no espectro mais extremista desta ideologia que encontramos o Movimento da Resistência Nórdica, explica Poohl.
“Vivemos numa Europa onde as ideias de extrema-direita se estão a tornar cada vez mais populares e também existe uma reacção contra elas”. “Vivemos dias em que as pessoas aguardam por algo que canalize esta necessidade de resistir à Europa que constrói muros e fronteiras contra refugiados, uma Europa com quem não podem cooperar mais. O gesto de Tess capturou um desses conflitos actuais”, analisa.
Recorde-se que a Suécia rejeitou, no início deste ano, a entrada de mais refugiados e migrantes da Ásia e Médio Oriente, alegando receio de que esta vaga ameace a segurança nacional, depois de se terem registado episódios de violência em centros de acolhimento de refugiados. Em Janeiro o país começou a recusar a entrada de migrantes sem documentos.
No último ano, as Nações Unidas consideraram que o país tem um problema específico de Afrofobia.
"O racismo foi normalizado na Suécia. Pensava que a Suécia em 2016 iria ser mais aberta, mas alguma coisa aconteceu”, lamenta Tess. “Espero que algo positivo resulte desta fotografia. Talvez aquilo que eu fiz se torne um símbolo de que qualquer pessoa pode fazer alguma coisa. Se uma pessoa o conseguiu, qualquer um consegue”, conclui.
Europa tem de assumir obrigações pelos 46.000 refugiados e migrantes encurralados em miséria na Grécia
In "A Voz de Chaves"
Com todos os olhos virados para a concretização do acordo recentemente firmado entre a União Europeia (UE) e a Turquia, o sofrimento dos mais de 46 000 refugiados e migrantes encurralados em condições terríveis na Grécia continental está em risco de ser esquecido. Foi este o alerta da Amnistia Internacional num novo relatório que documenta as missões da organização de direitos humanos nos últimos dois meses.
"Trapped in Greece: an avoidable refugee crisis" (Encurralados na Grécia: uma crise de refugiados evitável) é o título do relatório que examina a situação de milhares de refugiados e migrantes na maioria mulheres e crianças que se encontram encurralados na Grécia continental, depois de ter sido totalmente encerrada a fronteira com a Macedónia, no passado ifflirret, marQD: "A decisão de fechar a rota dos Balcãs ocidentais deixou mais de 46 000 refugiados e migrantes sitiados em condições horríveis e num estado de medo e de incerteza permanente", avalia o diretor da Amnistia Internacional para a Europa e Ásia Central, John Dalhuisen. "Os Estados-membros da UE apenas têm exacerbado esta crise ao não agirem de forma decisiva para ajudar a relocalizar as dezenas de milhares de requerentes de asilo, a maioria dos quais são mulheres e crianças, encurralados na Grécia. Se os líderes da UE não cumprirem urgentemente as promessas de relocalização feitas e de melhorias nas condições de refugiados e migrantes sitiados, irão ter pela frente uma calamidade humana por eles mesmos construída", critica ainda o perito.
Dos 66 400 requerentes de asilo a que foi prometido em setembro de 2015 serem relocalizados da Grécia para outros países europeus apenas 615 já foram transferidos, de acordo com informação publicada pela Comissão Europeia no passado dia 12 de abril.
As condições são desadequadas em muitos dos campos temporários de alojamento. Estes locais, Europa tem de assumir obrigações Pelos 46 000 refugiados e migrantes encurralados em miséria na Grécia montados pelas autoridades gregas, com assistência significativa da UE, estão gravemente sobrelotados, a falta de privacidade das pessoas é total, não existe aquecimento nem instalações sanitárias suficientes.
"As condições aqui não são boas e dormimos no chão; os nossos cobertores estão encharcados. Não há casas de banho. É por isso que as pessoas andam a ficar doentes", testemunhou uma síria grávida de nove meses aos investigadores da Amnistia Internacional que visitaram um campo improvisado em Idomeni.
Um requerente de asilo afegão que se encontra num centro temporário de acolhimento em Elliniko, num aeroporto fora de uso nos arredores de Atenas, descreveu a situação: "É a confusão total não há nada aqui... Toda a gente dorme no chão no antigo terminal. Não temos nem as coisas mais básicas. Eu não durmo ali, cheira mal demais".
Entre três mil e cinco mil pessoas ficam todos os dias num campo informal no porto de Piraeus, na capital grega, com acesso apenas a alguns serviços essenciais que são prestados por voluntários, algumas organizações humanitárias e pelas autoridades portuárias.
Muitos dos refugiados e migrantes entrevistados durante as duas visitas de investigação feitas pela Amnistia Internacional, entre 8 de fevereiro e 13 de março, tinham a esperança de continuar a viagem rumo à Europa ocidental e reunirem-se com familiares. A maioria destas pessoas não tinha praticamente informação nenhuma sobre as opções que podem fazer desde o fecho da fronteira da Macedónia.
"Por que é que não nos deixam partir? Querem que morramos aqui?", perguntava um casal de idosos, na casa dos 70 anos, oriundos de Alepo, que estavam acampados no campo improvisado em Idomeni. "Aqui está muito frio e vivemos uns em cima dos outros", contaram.
Além de não terem a informação devida sobre os seus direitos na Grécia, refugiados e migrantes com vulnerabilidades específicas não são identificados pelas autoridades, Mulheres reportaram não se sentirem seguras e que temem estar em risco de serem exploradas por homens em alguns dos campos de acolhimento. A Amnistia Internacional entrevistou também crianças não acompanhadas que foram detidas em esquadras de policia por períodos até duas semanas antes de serem transferidas para um abrigo específico para crianças.
A Amnistia Internacional exorta a Grécia a melhorar urgentemente o sistema de asilo do país e a garantir acesso a proteção eficaz para todos os que estão encurralados no país. A prioridade deve ser a entrada em ação de um mecanismo para prestar informação de forma sistemática e detetar as pessoas com necessidades especiais.
Os Estados-membros da UE têm de continuar a dar apoio à Grécia para que o país possa continuar a receber de forma adequada os requerentes de asilo, mas têm também e de forma urgente aceitar nos seus países requerentes de asilo vindos da Grécia. E aqui se inclui a relocalização rápida de largos números de requerentes de asilo através do existente mecanismo de relocalização urgente da UE.
A Amnistia Internacional exorta, em Petição, os líderes políticos a mudarem as políticas de asilo nos seus países e, em particular, os governos europeus a garantirem que os refugiados encontram um destino seguro na Europa, incluindo Portugal, através dos mecanismos de reinstalação e outros que permitam a admissão legal e segura nos seus territórios de quem foge de conflitos e perseguição. Assine esta Petição em www.amnistiaintemacionalpt Refugiados e migrantes num terminal de feny, na Grécia, em março de 2016
Com todos os olhos virados para a concretização do acordo recentemente firmado entre a União Europeia (UE) e a Turquia, o sofrimento dos mais de 46 000 refugiados e migrantes encurralados em condições terríveis na Grécia continental está em risco de ser esquecido. Foi este o alerta da Amnistia Internacional num novo relatório que documenta as missões da organização de direitos humanos nos últimos dois meses.
"Trapped in Greece: an avoidable refugee crisis" (Encurralados na Grécia: uma crise de refugiados evitável) é o título do relatório que examina a situação de milhares de refugiados e migrantes na maioria mulheres e crianças que se encontram encurralados na Grécia continental, depois de ter sido totalmente encerrada a fronteira com a Macedónia, no passado ifflirret, marQD: "A decisão de fechar a rota dos Balcãs ocidentais deixou mais de 46 000 refugiados e migrantes sitiados em condições horríveis e num estado de medo e de incerteza permanente", avalia o diretor da Amnistia Internacional para a Europa e Ásia Central, John Dalhuisen. "Os Estados-membros da UE apenas têm exacerbado esta crise ao não agirem de forma decisiva para ajudar a relocalizar as dezenas de milhares de requerentes de asilo, a maioria dos quais são mulheres e crianças, encurralados na Grécia. Se os líderes da UE não cumprirem urgentemente as promessas de relocalização feitas e de melhorias nas condições de refugiados e migrantes sitiados, irão ter pela frente uma calamidade humana por eles mesmos construída", critica ainda o perito.
Dos 66 400 requerentes de asilo a que foi prometido em setembro de 2015 serem relocalizados da Grécia para outros países europeus apenas 615 já foram transferidos, de acordo com informação publicada pela Comissão Europeia no passado dia 12 de abril.
As condições são desadequadas em muitos dos campos temporários de alojamento. Estes locais, Europa tem de assumir obrigações Pelos 46 000 refugiados e migrantes encurralados em miséria na Grécia montados pelas autoridades gregas, com assistência significativa da UE, estão gravemente sobrelotados, a falta de privacidade das pessoas é total, não existe aquecimento nem instalações sanitárias suficientes.
"As condições aqui não são boas e dormimos no chão; os nossos cobertores estão encharcados. Não há casas de banho. É por isso que as pessoas andam a ficar doentes", testemunhou uma síria grávida de nove meses aos investigadores da Amnistia Internacional que visitaram um campo improvisado em Idomeni.
Um requerente de asilo afegão que se encontra num centro temporário de acolhimento em Elliniko, num aeroporto fora de uso nos arredores de Atenas, descreveu a situação: "É a confusão total não há nada aqui... Toda a gente dorme no chão no antigo terminal. Não temos nem as coisas mais básicas. Eu não durmo ali, cheira mal demais".
Entre três mil e cinco mil pessoas ficam todos os dias num campo informal no porto de Piraeus, na capital grega, com acesso apenas a alguns serviços essenciais que são prestados por voluntários, algumas organizações humanitárias e pelas autoridades portuárias.
Muitos dos refugiados e migrantes entrevistados durante as duas visitas de investigação feitas pela Amnistia Internacional, entre 8 de fevereiro e 13 de março, tinham a esperança de continuar a viagem rumo à Europa ocidental e reunirem-se com familiares. A maioria destas pessoas não tinha praticamente informação nenhuma sobre as opções que podem fazer desde o fecho da fronteira da Macedónia.
"Por que é que não nos deixam partir? Querem que morramos aqui?", perguntava um casal de idosos, na casa dos 70 anos, oriundos de Alepo, que estavam acampados no campo improvisado em Idomeni. "Aqui está muito frio e vivemos uns em cima dos outros", contaram.
Além de não terem a informação devida sobre os seus direitos na Grécia, refugiados e migrantes com vulnerabilidades específicas não são identificados pelas autoridades, Mulheres reportaram não se sentirem seguras e que temem estar em risco de serem exploradas por homens em alguns dos campos de acolhimento. A Amnistia Internacional entrevistou também crianças não acompanhadas que foram detidas em esquadras de policia por períodos até duas semanas antes de serem transferidas para um abrigo específico para crianças.
A Amnistia Internacional exorta a Grécia a melhorar urgentemente o sistema de asilo do país e a garantir acesso a proteção eficaz para todos os que estão encurralados no país. A prioridade deve ser a entrada em ação de um mecanismo para prestar informação de forma sistemática e detetar as pessoas com necessidades especiais.
Os Estados-membros da UE têm de continuar a dar apoio à Grécia para que o país possa continuar a receber de forma adequada os requerentes de asilo, mas têm também e de forma urgente aceitar nos seus países requerentes de asilo vindos da Grécia. E aqui se inclui a relocalização rápida de largos números de requerentes de asilo através do existente mecanismo de relocalização urgente da UE.
A Amnistia Internacional exorta, em Petição, os líderes políticos a mudarem as políticas de asilo nos seus países e, em particular, os governos europeus a garantirem que os refugiados encontram um destino seguro na Europa, incluindo Portugal, através dos mecanismos de reinstalação e outros que permitam a admissão legal e segura nos seus territórios de quem foge de conflitos e perseguição. Assine esta Petição em www.amnistiaintemacionalpt Refugiados e migrantes num terminal de feny, na Grécia, em março de 2016
EDP Solidária aposta na inclusão social
In "Diário de Aveiro"
Está a decorrer, até ao próximo dia 15, o período de candidaturas para o programa “EDP Solidaria 2016”, para a área de inclusão social, com vista a apoiar projectos que promovem “a melhoria da qualidade de vida de pessoas e comunidades em situação vulnerável ou em risco de exclusão social”.
Só no distrito de Aveiro, este programa apoiou já 17 projectos, nos últimos 12 anos, tendo, no ano passado, apoiado o Centro Social Paroquial Maria da Glória, em Sever do Vouga, na construção de um lar para a terceira idade e no melhoramento do serviço de fisioterapia; e o Centro de Acção Social do Concelho de Ílhavo, na remodelação de uma quinta pedagógica já existente.
Este ano, o “EDP Solidária”, que apoiou já cerca de 300 projectos em todo o país num investimento global superior a nove milhões de euros, volta a disponibilizar 2,1 milhões de euros, destinados a três grandes programas: saúde, inclusão social e educação.
Está a decorrer, até ao próximo dia 15, o período de candidaturas para o programa “EDP Solidaria 2016”, para a área de inclusão social, com vista a apoiar projectos que promovem “a melhoria da qualidade de vida de pessoas e comunidades em situação vulnerável ou em risco de exclusão social”.
Só no distrito de Aveiro, este programa apoiou já 17 projectos, nos últimos 12 anos, tendo, no ano passado, apoiado o Centro Social Paroquial Maria da Glória, em Sever do Vouga, na construção de um lar para a terceira idade e no melhoramento do serviço de fisioterapia; e o Centro de Acção Social do Concelho de Ílhavo, na remodelação de uma quinta pedagógica já existente.
Este ano, o “EDP Solidária”, que apoiou já cerca de 300 projectos em todo o país num investimento global superior a nove milhões de euros, volta a disponibilizar 2,1 milhões de euros, destinados a três grandes programas: saúde, inclusão social e educação.
Beneficiários da AMI abaixo dos 30 anos
In "Destak"
Quase metade das 28.069 pessoas que a Assistência. Médica Internacional (AMI) ajudou em 2015 tinham menos de 30 anos, revelamos dados da organização, que apontam para uma descida de 6% no número de casos apoiados diretamente: Apesar da diminuição verificada face ao ano anterior, procuraram pela primeira vezos apoios sociais da AMI, no ano passado, 3.775 pessoas (28% da população total apOiada). A organização contabiliza 502 novos casos de sem-abrigo, menos 13 face a 2014, 27% dos quais mulheres, que mais do que duplicaram.
Quase metade das 28.069 pessoas que a Assistência. Médica Internacional (AMI) ajudou em 2015 tinham menos de 30 anos, revelamos dados da organização, que apontam para uma descida de 6% no número de casos apoiados diretamente: Apesar da diminuição verificada face ao ano anterior, procuraram pela primeira vezos apoios sociais da AMI, no ano passado, 3.775 pessoas (28% da população total apOiada). A organização contabiliza 502 novos casos de sem-abrigo, menos 13 face a 2014, 27% dos quais mulheres, que mais do que duplicaram.
AMI apoiou 1.455 sem-abrigo em 2015, dos quais 502 novos casos
In "Açoriano Oriental"
Os sem-abrigo apoiados são maioritariamente homens AMI apoiou 1.455 sem-abrigo em 2015, dos quais 502 novos casos Assistência Médica Internacional ajudou 28.069 pessoas no ano passado, sendo que 502 foram novos casos de sem-abrigo LUSA Açoriano Oriental AAssistência Médica Internacional (AMI) atendeu no ano passado 502 novos casos de sem-abrigo, menos 13 face a 2014, 27% dos quais eram mulheres, segundo dados da organização.
Os dados do Relatório de Atividades e Contas 2015 daAMI referem que, no ano passado, frequentaram os equipamentos sociais 1.455 pessoas sem-abrigo, menos 4% do que no ano anterior, representando 11% da população total atendida.
Estas pessoas enquadram-se na tipologia de sem-abrigo definida pela Federação Europeia das Organizações que Trabalham coma População Sem-Abrigo, que contempla situações de pessoas que estão em centros de acolhimento de emergência ou -temporário, que vivem em quartos alugados, em barracas ou em casas sobrelotadas.
A AMI observa que 27% dos novos casos atendidos no ano passado eram mulheres, verificando-se que o atendimento de mulheres mais do que duplicou ( mais 121%) desde 1999, ano em que se começou a fazer esta contagem.
Desde esta data, já foram apoiadas 10.907 pessoas em situação de sem-abrigo.
Os sem-abrigo apoiados em 2015 são maioritariamente homens (75%), com idades entre os 40 e os 59 anos (51%) e os 30 e os 39 anos (17%).
Distribuem-se principalmente pela Grande Lisboa (52%) e pelo Grande Porto (38%), tendo-se verificado, na região de Lisboa, uma descida de 11% face a 2014 e uma subida de 6% na região do Porto.
Quase um-terço (28%) pernoita flama, em escada s, átrios, prédios, carros abandonados, contentores e estações, 14% em quartos e pensões, 17% residem temporariamente em casa de familiares ou amigos, 13% vivem em centros de emergência ou destinado avítimas de violência doméstica, 7% em habitações inadequadas, 7% em casa alugada e 14% noutros locais não especificados.
Os dados referem que 79% são portugueses, seguindo-se os naturais dos PALOP (12%), de outros Países da União Europeia (3%) e do grupo Outros Países (3%), onde se inclui o Brasil e a índia.
Em 2015, quase metade das 28.069 pessoas que a Assistência Médica Internacional ajudou tinham menos de 30 anos. Apesar da diminuição verificada face ao ano anterior, procuraram pela primeira vez os apoios sociais daAMI, em 2015, 3.775 pessoas, (28% da população total apoiada), segundo o Relatório de Atividade e Contas 2015 da organização.
Os equipamentos sociais apoiaram uma média de 3.909 pessoas por mês, com uma média mensal de 315 novos casos de pobreza.
No total, foram apoiadas 13.604 pessoas diretamente, JOSÉ SENA GOULAO / LUSA através destes equipamentos, e 14.465 indiretamente, através da distribuição alimentar a 36 instituições do Grande Porto, no âmbito do Fundo Europeu de Apoio a Carenciados.
A AMI sublinha que a redução no número de apoios "não traduz uma melhoria efetiva das condições de vida da população portuguesa"; nem torna "menos prioritário e necessário o investimento no trabalho social desenvolvido" nas comunidades pela organização.
Como razões para esta diminuição, aponta a criação de outras respostas sociais, como cantinas sociais e campanhas de combate ao desperdício alimentar, "cuja intervenção possui um cariz mais assistencialista e permite dar uma respostamais imediata ao nível das necessidades mais básicas".
Poderá também dever-se a uma "maior articulação entre as instituições, o que se traduz num trabalho mais integrado e uma menor duplicação de apoios", refere a organização, que, desde 1994, já apoiou diretamente 68.092 pessoas em situação de pobreza.
Traçando o perfil da população apoiada, a instituição refere que "sofreu algumas alterações", mas continua a ser maioritariamente uma população em idade ativa., que se depara com o problema do desemprego.
Os que pedem ajuda são cada vez mais novos: Se em 2008, apenas 30% da população apoiada tinha menos de 30 anos, em 2015, essa percentagem aumentou para os 48%
Os sem-abrigo apoiados são maioritariamente homens AMI apoiou 1.455 sem-abrigo em 2015, dos quais 502 novos casos Assistência Médica Internacional ajudou 28.069 pessoas no ano passado, sendo que 502 foram novos casos de sem-abrigo LUSA Açoriano Oriental AAssistência Médica Internacional (AMI) atendeu no ano passado 502 novos casos de sem-abrigo, menos 13 face a 2014, 27% dos quais eram mulheres, segundo dados da organização.
Os dados do Relatório de Atividades e Contas 2015 daAMI referem que, no ano passado, frequentaram os equipamentos sociais 1.455 pessoas sem-abrigo, menos 4% do que no ano anterior, representando 11% da população total atendida.
Estas pessoas enquadram-se na tipologia de sem-abrigo definida pela Federação Europeia das Organizações que Trabalham coma População Sem-Abrigo, que contempla situações de pessoas que estão em centros de acolhimento de emergência ou -temporário, que vivem em quartos alugados, em barracas ou em casas sobrelotadas.
A AMI observa que 27% dos novos casos atendidos no ano passado eram mulheres, verificando-se que o atendimento de mulheres mais do que duplicou ( mais 121%) desde 1999, ano em que se começou a fazer esta contagem.
Desde esta data, já foram apoiadas 10.907 pessoas em situação de sem-abrigo.
Os sem-abrigo apoiados em 2015 são maioritariamente homens (75%), com idades entre os 40 e os 59 anos (51%) e os 30 e os 39 anos (17%).
Distribuem-se principalmente pela Grande Lisboa (52%) e pelo Grande Porto (38%), tendo-se verificado, na região de Lisboa, uma descida de 11% face a 2014 e uma subida de 6% na região do Porto.
Quase um-terço (28%) pernoita flama, em escada s, átrios, prédios, carros abandonados, contentores e estações, 14% em quartos e pensões, 17% residem temporariamente em casa de familiares ou amigos, 13% vivem em centros de emergência ou destinado avítimas de violência doméstica, 7% em habitações inadequadas, 7% em casa alugada e 14% noutros locais não especificados.
Os dados referem que 79% são portugueses, seguindo-se os naturais dos PALOP (12%), de outros Países da União Europeia (3%) e do grupo Outros Países (3%), onde se inclui o Brasil e a índia.
Em 2015, quase metade das 28.069 pessoas que a Assistência Médica Internacional ajudou tinham menos de 30 anos. Apesar da diminuição verificada face ao ano anterior, procuraram pela primeira vez os apoios sociais daAMI, em 2015, 3.775 pessoas, (28% da população total apoiada), segundo o Relatório de Atividade e Contas 2015 da organização.
Os equipamentos sociais apoiaram uma média de 3.909 pessoas por mês, com uma média mensal de 315 novos casos de pobreza.
No total, foram apoiadas 13.604 pessoas diretamente, JOSÉ SENA GOULAO / LUSA através destes equipamentos, e 14.465 indiretamente, através da distribuição alimentar a 36 instituições do Grande Porto, no âmbito do Fundo Europeu de Apoio a Carenciados.
A AMI sublinha que a redução no número de apoios "não traduz uma melhoria efetiva das condições de vida da população portuguesa"; nem torna "menos prioritário e necessário o investimento no trabalho social desenvolvido" nas comunidades pela organização.
Como razões para esta diminuição, aponta a criação de outras respostas sociais, como cantinas sociais e campanhas de combate ao desperdício alimentar, "cuja intervenção possui um cariz mais assistencialista e permite dar uma respostamais imediata ao nível das necessidades mais básicas".
Poderá também dever-se a uma "maior articulação entre as instituições, o que se traduz num trabalho mais integrado e uma menor duplicação de apoios", refere a organização, que, desde 1994, já apoiou diretamente 68.092 pessoas em situação de pobreza.
Traçando o perfil da população apoiada, a instituição refere que "sofreu algumas alterações", mas continua a ser maioritariamente uma população em idade ativa., que se depara com o problema do desemprego.
Os que pedem ajuda são cada vez mais novos: Se em 2008, apenas 30% da população apoiada tinha menos de 30 anos, em 2015, essa percentagem aumentou para os 48%
Solidariedade: Presidente da Assembleia da República recebe Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal
In "Agência Ecclesia"
Lisboa, 04 mai 2016 (Ecclesia) – O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, recebe em audiência, esta quarta-feira, o grupo de trabalho nacional, coordenado pela Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal.
Este grupo tem defendido a necessidade de uma estratégia nacional para a erradicação da pobreza porque esta “é uma dura realidade” para uma parte “considerável da população portuguesa”, lê-se num comunicado enviado à Agência ECCLESIA.
A situação da pobreza “é iníqua e intolerável à luz de critérios éticos consagrados em documentos fundamentais”, realça a nota
Lisboa, 04 mai 2016 (Ecclesia) – O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, recebe em audiência, esta quarta-feira, o grupo de trabalho nacional, coordenado pela Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal.
Este grupo tem defendido a necessidade de uma estratégia nacional para a erradicação da pobreza porque esta “é uma dura realidade” para uma parte “considerável da população portuguesa”, lê-se num comunicado enviado à Agência ECCLESIA.
A situação da pobreza “é iníqua e intolerável à luz de critérios éticos consagrados em documentos fundamentais”, realça a nota
A luta de Lídia. Sou desempregada, não sou criminosa
Ricardo Vieira, in "Renascença"
A caminhar para os 60 foi despedida pela primeira vez, para nunca mais entrar no mercado do trabalho. Velha demais para ser contratada, nova demais para a reforma, Lídia é um dos rostos do desemprego grisalho em Portugal. Mas não se conforma.
Tem sido “sempre a descer”. Do emprego estável ao desemprego sem fim, do céu ao inferno, os últimos anos foram um salto no escuro para Lídia Oliveira.
A pior crise em décadas levou tudo à frente. Derrubou milhares de portugueses e também passou uma rasteira a esta avó, de 59 anos. Foi ao tapete com a derrocada financeira da empresa Moviflor, mas não ficou KO. Este exército de uma só mulher está a levantar-se e vai continuar lutar.
“Sinto o estigma de ser um criminoso que não soube segurar o seu posto de trabalho, porque é assim que o desempregado é encarado”, desabafa a ex-vendedora de móveis.
O dia primaveril e a baía do Seixal em pano de fundo são um fraco consolo para quem acaba de entrar num dos maiores “clubes” do país. Lídia é um dos quase 300 mil portugueses que está desempregado há mais de dois anos. Este grupo a que as estatísticas dão o nome de “desempregado de muito longa duração” é já quase metade do total de pessoas que não trabalham em Portugal. E este é o conjunto de trabalhadores mais susceptível de engrossar as fileiras do desemprego estrutural que o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, já definiu como“um dos fenómenos mais gravosos da evolução da economia portuguesa na última década”.
Desemprego de longa duração nos vários países, em 2014. Clique para ver em detalhe
Portugal está no pelotão da frente e o futuro não é animador, alerta o sociólogo do ISCTE Renato Carmo, que estuda temas relacionados com o desemprego.
A equação é simples, mas de difícil resolução: “As pessoas com menos qualificação, menos escolaridade e mais idade estão em maior risco. Têm maior dificuldade em voltar ao mercado de trabalho”.
Desemprego estrutural. Sabe o que é?
Renato Carmo soma ao problema os desempregados que perderam qualquer tipo de subsídio. “Os números vão-se alterando, mas fizemos um exercício há uns anos e seriam 350 mil”.
Desemprego grisalho. Despedida aos 57
Lídia trabalhou durante 13 anos na loja de Corroios da Moviflor, um “mastodonte” com três pisos (loja e armazém), do tamanho de um campo de futebol, que fechou portas com a falência da empresa. Agora, mais parece um navio fantasma encalhado numa zona industrial.
Noutros tempos tinha cerca de 70 trabalhadores. Agora, apenas se avista um solitário segurança atrás da vedação e do portão fechado.
As ervas começam a tomar conta do espaço. As letras a anunciar aos clientes que ali era uma loja da Moviflor foram retiradas, mas os contornos ainda são visíveis na fachada do edifício cinzento castigado pelo Sol. De regresso por uns minutos, Lídia olha em volta com mágoa.
“Era vendedora e gostava.” O ambiente de trabalho “era bom” e, muitas vezes, “duplicava o vencimento” com as “boas comissões e incentivos” que recebia a tempo e horas.
Até que começaram os “zunzuns” e os problemas. O subsídio não chegou no Natal de 2012: “foi o princípio do fim” de um grupo com 40 anos, mais de duas dezenas de lojas e um milhar de trabalhadores.
A delegada sindical arregaçou as mangas e “iniciou a luta“. Reivindicou, mas sentiu na pele a hostilidade da administração e de colegas que tardaram em ter “consciência do que se estava a passar” e dos seus direitos. Outros tinham “muito medo” e “calavam-se”.
“Foi sempre a descer. Ordenados, subsídios de férias e de Natal, sempre a acumular dívida e as pessoas não se convenciam. Eu só vi pessoas convencidas quando ou foram despedidas ou a accionista mandou encerrar as portas quando ninguém estava à espera.”
Aos 57 anos nunca tinha sido despedida na vida, mas esse dia acabou por chegar. Foi incluída no despedimento colectivo e resistiu. Contestou e continuou a apresentar-se no local de trabalho.
Foi impedida de aceder ao sistema informático. Colocada na “prateleira”, passava oito horas sentada na sua secretária, sem poder atender clientes, “sem poder fazer mais nada”.
Resistiu quase um mês, até não aguentar mais. Um abaixo-assinado de um grupo de colegas a exigir a sua saída deitou-a “abaixo“. “Psicologicamente”, já não conseguia mais estar naquela situação.
“Quando venho da minha casa e preciso de ir a Almada, tento não passar por aqui. Tenho sempre que passar sempre ali na frente da loja. Agora, já vou aceitando um bocadinho melhor a situação, mas os primeiros tempos foram muito traumatizantes, foi muito complicado. Revoltava-me muito toda esta situação. Achei que não havia necessidade de se chegar a este ponto.”
O director da Faculdade de Economia do Porto (FEP), José Varejão, verifica que se fala muito do desemprego jovem em Portugal, mas dá igual importância ao desemprego que atinge “o núcleo da força de trabalho”.
São pessoas mais velhas, com carreiras relativamente longas, experiência acumulada, algumas muito qualificadas. Mas “a idade torna mais difícil” o regresso ao mundo laboral, porque os patrões preferem “investir em trabalhadores com um horizonte laboral maior”, diagnostica o economista.
Da Uber que faz concorrência aos táxis, dos carros sem motorista que um dia podem acabar com a Uber, a imparável revolução tecnológica em curso é mais um desafio que ameaça deixar para trás os menos preparados para o choque digital.
As profissões com maior e menor probabilidade de desaparecer
É preciso preparar novos e velhos para a mudança. O sociólogo Renato Carmo, do ISCTE, defende que “o Estado tem um papel central na qualificação” da população. Em Portugal “investiu-se muito nas escolaridade sobretudo das gerações mais novas, mas descurou-se muito a qualificação ao longo da vida”, sublinha.
Cortar em tudo, até na saúde
Chegou a ter cinco meses de salários em atraso, um aperto que lhe “levou as economias de uma vida. Não ficou nada”.
Com o desemprego e a crise que também abalou o negócio do marido vieram mais mudanças. Os Oliveira tiveram de “passar de uma casa grande, uma vivenda de três pisos, com os filhos em casa, com a nora, com o neto, para um T2”.
Passou a fazer as “continhas todas”. Reduziu as despesas ao mínimo essencial, “inclusivé na saúde”. Compara preços no supermercado e eliminou os gastos com lazer. E se acontecer um imprevisto, “que não seja muito grave”: “senão não consigo chegar lá”.
“Há coisas que não dá para fazer, porque uma pessoa pensa: quando acabar o subsídio como vai ser? Emprego não vou arranjar, quase de certeza, ainda faltam alguns anos para a reforma. Como é que eu vou fazer? Qualquer despesa extra, mesmo ao nível de saúde, neste momento não vou fazer porque tenho medo.”
Nos escombros da implosão da Moviflor, Lídia sente-se “um bocado privilegiada” em relação ao drama de outros colegas. “Houve situações de suicídio, de morte súbita de uma pessoa muito nova que deixou filhos bebés, tudo isso pressionado por dois anos de muito desgaste emocional”. Houve também quem tivesse perdido a casa e o casamento. Outros “iam para o trabalho a pé muitos quilómetros, porque já não tinham dinheiro para transportes, não tinham dinheiro para comer.”
“Uma faca apontada” aos desempregados
Lídia Oliveira ainda recebe prestação social. Mas teme pelo futuro e está revoltada com o presente e com a forma como o Estado trata os desempregados.
Identifica três ameaças à dignidade de quem está pelo fundo de emprego, a começar pelas apresentações quinzenais no centro de emprego da área de residência. Sente que tem uma “faca apontada” para poder usufruir de um direito para o qual descontou durante uma vida. “O subsidio é meu”, reclama.
“Uma pessoa que comete um crime tem uma apresentação periódica na esquadra e, se não aparecer, é repreendido mas ainda não vai preso por isso. Nós perdemos o fundo de desemprego.”
A antiga vendedora de mobílias tem de provar aos serviços públicos que está activamente à procura de trabalho. São os famosos “carimbos” que os desempregados são obrigados a coleccionar e apresentar.
“É outra fantasia. Porque ando em sites de emprego na internet, procuro, envio o currículo, recebo um comprovativo, arquivo e sei que todos os meses tenho que ter, no mínimo, três procuras activas de trabalho.”
Em dois anos, Lídia não recebeu “absolutamente nenhuma proposta [de trabalho] através do centro de emprego”, mas foi chamada para um contrato de emprego-inserção (CEI), num infantário da autarquia do Seixal. Não foi de boa vontade.
Continuava a receber o subsídio de desemprego, mais 84 euros e subsídio de alimentação. Teria um horário completo de 40 horas de trabalho semanais e, ao fim de um ano, a certeza de que seria mandada para casa e continuaria desempregada.
Quando se apresentou, contrariada, pediram-lhe “muita desculpa”. A vaga já estava preenchida, porque “tinham mandado muitas pessoas”.
Lídia critica os “contratos ficticiamente de inserção”, como lhe chama. Considera que “não resolvem problema nenhum do desemprego” e servem apenas para o Estado tapar buracos nos serviços públicos em tempos de cortes.
O futuro sem emprego
Cair no desemprego tem sido uma experiência “péssima, desgastante e desmoralizante a nível pessoal”. A antiga vendedora gostava de voltar ao mercado de trabalho, mas já quase não acredita.
Tem o ensino secundário, mas “a idade também não está a ajudar”. “A perspectiva de encontrar outro trabalho é completamente surreal. Nem nos meus melhores sonhos, com quase 60 anos, iria arranjar trabalho”, afirma.
Lidia chegou a ir a uma entrevista para um emprego semelhante ao que fazia, mas “nunca recebeu qualquer resposta”. Ninguém lhe explicou porquê, mas tem a “sensação” que a reconheceram da primeira linha das manifestações da Moviflor.
“Depois, aquilo que me aparece de vez em quando, telefonam-me a marcar entrevistas e eu já fui a duas, à terceira não vou cair, são vendas agressivas, porta a porta, mas que no anúncio não se percebe isso”, conta.
Aqui, a idade não é um obstáculo, “só que é um tipo de trabalho sem vínculo absolutamente nenhum, praticamente ao dia, praticamente sem compromisso nenhum com a empresa”.
O investigador Renato Carmo reforça esta realidade. “O desemprego produz precariedade”, porque “o emprego que está a ser criado é precário, com contratos a termo ou outro tipo de situações”.
Lídia tenta não pensar muito no fim do subsídio de desemprego e nos anos que ainda faltam para a reforma. Enquanto vai cuidando do neto e participa na comissão de credores da Moviflor, envolveu-se num projecto novo. “Aceitei participar na criação de uma associação cívica, com muitos sonhos, muitos projectos, no âmbito do trabalho, da luta por um trabalho digno, por um desenvolvimento cultural dos trabalhadores e apoio social.”
A possibilidade de utilizar os seus conhecimentos nesta nova associação é uma fonte de ânimo. “Ajuda-me a acreditar que ainda tenho muitas coisas para fazer pela frente”. Aos 59 anos, a vida recomeça para Lídia.
A caminhar para os 60 foi despedida pela primeira vez, para nunca mais entrar no mercado do trabalho. Velha demais para ser contratada, nova demais para a reforma, Lídia é um dos rostos do desemprego grisalho em Portugal. Mas não se conforma.
Tem sido “sempre a descer”. Do emprego estável ao desemprego sem fim, do céu ao inferno, os últimos anos foram um salto no escuro para Lídia Oliveira.
A pior crise em décadas levou tudo à frente. Derrubou milhares de portugueses e também passou uma rasteira a esta avó, de 59 anos. Foi ao tapete com a derrocada financeira da empresa Moviflor, mas não ficou KO. Este exército de uma só mulher está a levantar-se e vai continuar lutar.
“Sinto o estigma de ser um criminoso que não soube segurar o seu posto de trabalho, porque é assim que o desempregado é encarado”, desabafa a ex-vendedora de móveis.
O dia primaveril e a baía do Seixal em pano de fundo são um fraco consolo para quem acaba de entrar num dos maiores “clubes” do país. Lídia é um dos quase 300 mil portugueses que está desempregado há mais de dois anos. Este grupo a que as estatísticas dão o nome de “desempregado de muito longa duração” é já quase metade do total de pessoas que não trabalham em Portugal. E este é o conjunto de trabalhadores mais susceptível de engrossar as fileiras do desemprego estrutural que o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, já definiu como“um dos fenómenos mais gravosos da evolução da economia portuguesa na última década”.
Desemprego de longa duração nos vários países, em 2014. Clique para ver em detalhe
Portugal está no pelotão da frente e o futuro não é animador, alerta o sociólogo do ISCTE Renato Carmo, que estuda temas relacionados com o desemprego.
A equação é simples, mas de difícil resolução: “As pessoas com menos qualificação, menos escolaridade e mais idade estão em maior risco. Têm maior dificuldade em voltar ao mercado de trabalho”.
Desemprego estrutural. Sabe o que é?
Renato Carmo soma ao problema os desempregados que perderam qualquer tipo de subsídio. “Os números vão-se alterando, mas fizemos um exercício há uns anos e seriam 350 mil”.
Desemprego grisalho. Despedida aos 57
Lídia trabalhou durante 13 anos na loja de Corroios da Moviflor, um “mastodonte” com três pisos (loja e armazém), do tamanho de um campo de futebol, que fechou portas com a falência da empresa. Agora, mais parece um navio fantasma encalhado numa zona industrial.
Noutros tempos tinha cerca de 70 trabalhadores. Agora, apenas se avista um solitário segurança atrás da vedação e do portão fechado.
As ervas começam a tomar conta do espaço. As letras a anunciar aos clientes que ali era uma loja da Moviflor foram retiradas, mas os contornos ainda são visíveis na fachada do edifício cinzento castigado pelo Sol. De regresso por uns minutos, Lídia olha em volta com mágoa.
“Era vendedora e gostava.” O ambiente de trabalho “era bom” e, muitas vezes, “duplicava o vencimento” com as “boas comissões e incentivos” que recebia a tempo e horas.
Até que começaram os “zunzuns” e os problemas. O subsídio não chegou no Natal de 2012: “foi o princípio do fim” de um grupo com 40 anos, mais de duas dezenas de lojas e um milhar de trabalhadores.
A delegada sindical arregaçou as mangas e “iniciou a luta“. Reivindicou, mas sentiu na pele a hostilidade da administração e de colegas que tardaram em ter “consciência do que se estava a passar” e dos seus direitos. Outros tinham “muito medo” e “calavam-se”.
“Foi sempre a descer. Ordenados, subsídios de férias e de Natal, sempre a acumular dívida e as pessoas não se convenciam. Eu só vi pessoas convencidas quando ou foram despedidas ou a accionista mandou encerrar as portas quando ninguém estava à espera.”
Aos 57 anos nunca tinha sido despedida na vida, mas esse dia acabou por chegar. Foi incluída no despedimento colectivo e resistiu. Contestou e continuou a apresentar-se no local de trabalho.
Foi impedida de aceder ao sistema informático. Colocada na “prateleira”, passava oito horas sentada na sua secretária, sem poder atender clientes, “sem poder fazer mais nada”.
Resistiu quase um mês, até não aguentar mais. Um abaixo-assinado de um grupo de colegas a exigir a sua saída deitou-a “abaixo“. “Psicologicamente”, já não conseguia mais estar naquela situação.
“Quando venho da minha casa e preciso de ir a Almada, tento não passar por aqui. Tenho sempre que passar sempre ali na frente da loja. Agora, já vou aceitando um bocadinho melhor a situação, mas os primeiros tempos foram muito traumatizantes, foi muito complicado. Revoltava-me muito toda esta situação. Achei que não havia necessidade de se chegar a este ponto.”
O director da Faculdade de Economia do Porto (FEP), José Varejão, verifica que se fala muito do desemprego jovem em Portugal, mas dá igual importância ao desemprego que atinge “o núcleo da força de trabalho”.
São pessoas mais velhas, com carreiras relativamente longas, experiência acumulada, algumas muito qualificadas. Mas “a idade torna mais difícil” o regresso ao mundo laboral, porque os patrões preferem “investir em trabalhadores com um horizonte laboral maior”, diagnostica o economista.
Da Uber que faz concorrência aos táxis, dos carros sem motorista que um dia podem acabar com a Uber, a imparável revolução tecnológica em curso é mais um desafio que ameaça deixar para trás os menos preparados para o choque digital.
As profissões com maior e menor probabilidade de desaparecer
É preciso preparar novos e velhos para a mudança. O sociólogo Renato Carmo, do ISCTE, defende que “o Estado tem um papel central na qualificação” da população. Em Portugal “investiu-se muito nas escolaridade sobretudo das gerações mais novas, mas descurou-se muito a qualificação ao longo da vida”, sublinha.
Cortar em tudo, até na saúde
Chegou a ter cinco meses de salários em atraso, um aperto que lhe “levou as economias de uma vida. Não ficou nada”.
Com o desemprego e a crise que também abalou o negócio do marido vieram mais mudanças. Os Oliveira tiveram de “passar de uma casa grande, uma vivenda de três pisos, com os filhos em casa, com a nora, com o neto, para um T2”.
Passou a fazer as “continhas todas”. Reduziu as despesas ao mínimo essencial, “inclusivé na saúde”. Compara preços no supermercado e eliminou os gastos com lazer. E se acontecer um imprevisto, “que não seja muito grave”: “senão não consigo chegar lá”.
“Há coisas que não dá para fazer, porque uma pessoa pensa: quando acabar o subsídio como vai ser? Emprego não vou arranjar, quase de certeza, ainda faltam alguns anos para a reforma. Como é que eu vou fazer? Qualquer despesa extra, mesmo ao nível de saúde, neste momento não vou fazer porque tenho medo.”
Nos escombros da implosão da Moviflor, Lídia sente-se “um bocado privilegiada” em relação ao drama de outros colegas. “Houve situações de suicídio, de morte súbita de uma pessoa muito nova que deixou filhos bebés, tudo isso pressionado por dois anos de muito desgaste emocional”. Houve também quem tivesse perdido a casa e o casamento. Outros “iam para o trabalho a pé muitos quilómetros, porque já não tinham dinheiro para transportes, não tinham dinheiro para comer.”
“Uma faca apontada” aos desempregados
Lídia Oliveira ainda recebe prestação social. Mas teme pelo futuro e está revoltada com o presente e com a forma como o Estado trata os desempregados.
Identifica três ameaças à dignidade de quem está pelo fundo de emprego, a começar pelas apresentações quinzenais no centro de emprego da área de residência. Sente que tem uma “faca apontada” para poder usufruir de um direito para o qual descontou durante uma vida. “O subsidio é meu”, reclama.
“Uma pessoa que comete um crime tem uma apresentação periódica na esquadra e, se não aparecer, é repreendido mas ainda não vai preso por isso. Nós perdemos o fundo de desemprego.”
A antiga vendedora de mobílias tem de provar aos serviços públicos que está activamente à procura de trabalho. São os famosos “carimbos” que os desempregados são obrigados a coleccionar e apresentar.
“É outra fantasia. Porque ando em sites de emprego na internet, procuro, envio o currículo, recebo um comprovativo, arquivo e sei que todos os meses tenho que ter, no mínimo, três procuras activas de trabalho.”
Em dois anos, Lídia não recebeu “absolutamente nenhuma proposta [de trabalho] através do centro de emprego”, mas foi chamada para um contrato de emprego-inserção (CEI), num infantário da autarquia do Seixal. Não foi de boa vontade.
Continuava a receber o subsídio de desemprego, mais 84 euros e subsídio de alimentação. Teria um horário completo de 40 horas de trabalho semanais e, ao fim de um ano, a certeza de que seria mandada para casa e continuaria desempregada.
Quando se apresentou, contrariada, pediram-lhe “muita desculpa”. A vaga já estava preenchida, porque “tinham mandado muitas pessoas”.
Lídia critica os “contratos ficticiamente de inserção”, como lhe chama. Considera que “não resolvem problema nenhum do desemprego” e servem apenas para o Estado tapar buracos nos serviços públicos em tempos de cortes.
O futuro sem emprego
Cair no desemprego tem sido uma experiência “péssima, desgastante e desmoralizante a nível pessoal”. A antiga vendedora gostava de voltar ao mercado de trabalho, mas já quase não acredita.
Tem o ensino secundário, mas “a idade também não está a ajudar”. “A perspectiva de encontrar outro trabalho é completamente surreal. Nem nos meus melhores sonhos, com quase 60 anos, iria arranjar trabalho”, afirma.
Lidia chegou a ir a uma entrevista para um emprego semelhante ao que fazia, mas “nunca recebeu qualquer resposta”. Ninguém lhe explicou porquê, mas tem a “sensação” que a reconheceram da primeira linha das manifestações da Moviflor.
“Depois, aquilo que me aparece de vez em quando, telefonam-me a marcar entrevistas e eu já fui a duas, à terceira não vou cair, são vendas agressivas, porta a porta, mas que no anúncio não se percebe isso”, conta.
Aqui, a idade não é um obstáculo, “só que é um tipo de trabalho sem vínculo absolutamente nenhum, praticamente ao dia, praticamente sem compromisso nenhum com a empresa”.
O investigador Renato Carmo reforça esta realidade. “O desemprego produz precariedade”, porque “o emprego que está a ser criado é precário, com contratos a termo ou outro tipo de situações”.
Lídia tenta não pensar muito no fim do subsídio de desemprego e nos anos que ainda faltam para a reforma. Enquanto vai cuidando do neto e participa na comissão de credores da Moviflor, envolveu-se num projecto novo. “Aceitei participar na criação de uma associação cívica, com muitos sonhos, muitos projectos, no âmbito do trabalho, da luta por um trabalho digno, por um desenvolvimento cultural dos trabalhadores e apoio social.”
A possibilidade de utilizar os seus conhecimentos nesta nova associação é uma fonte de ânimo. “Ajuda-me a acreditar que ainda tenho muitas coisas para fazer pela frente”. Aos 59 anos, a vida recomeça para Lídia.
AMI registou 218 casos de violência doméstica em 2015, menos 30 face a 2014
In "Observador"
A Assistência Médica Internacional registou, no ano passado, 218 casos de violência doméstica, menos 30 face a 2014, segundo o Relatório de Atividades e Contas 2015 da AMI.
A Assistência Médica Internacional registou, no ano passado, 218 casos de violência doméstica, menos 30 face a 2014, segundo o Relatório de Atividades e Contas 2015 da AMI.
Os dados adiantam que 81% dos relatos de episódios de violência doméstica foram feitos por mulheres, entre os 30 e os 49 anos (47%), estando a maioria divorciada (33%), e casada ou a viver em união de facto (27%).
O agressor é na maior parte dos casos o cônjuge ou o namorado (43%), registando-se também agressões por parte dos pais ou outros familiares (6%).
A AMI assinalou também 75 casos de violência de género, menos 21 do que 2014, sendo 95% das vítimas mulheres, com idades entre os 30 e os 49 anos (61%).
Segundo o relatório, publicado no ‘site’ da AMI, a maioria das vítimas era divorciada ou solteira (51%), enquanto 25% eram casadas ou viviam em união de facto.
Estas vítimas contaram ter sofrido agressões físicas (73%) e ofensas/insultos (25%).
Os serviços mais procurados por estas mulheres foram o apoio social (87%) e o apoio alimentar (57%), adianta o documento.
A Assistência Médica Internacional divulga também dados sobre o tipo de habitação da população que recorre aos seus serviços sociais.
Segundo os dados, 8.682 moram em casa alugada (64%), sendo que destas pelo menos 3.304 são de habitação social (38%) e 1.620 têm casa própria (12%).
Entre os beneficiários que vivem em casa própria ou casa alugada, a organização apurou que 381, menos 14% que em 2014, não têm acesso a água canalizada ou têm, mas de forma ilegal.
Há ainda 604 pessoas (menos 9% que em 2014) que não têm acesso a luz ou têm mas de forma ilegal, 78 não têm ligação à rede de esgotos, 91 não têm cozinha e 75 não têm retrete (10 têm acesso a retrete coletiva).
Dos dados apurados, a AMI observou que as despesas mensais com rendas/amortizações de 1.949 pessoas (14%) são inferiores a 100 euros.
Relativamente às razões pelas quais procuram o apoio da AMI, 890 pessoas referiram tê-lo feito por necessidades relacionadas com o alojamento.
Contudo, esta necessidade foi diagnosticada, em contexto de atendimento social, em 1.461 pessoas, refere o relatório.
Houve ainda 542 pessoas que referiram situações de endividamento por rendas em atraso ou crédito à habitação que não conseguem cumprir.
O relatório divulga também dados sobre o apoio alimentar prestado pela AMI em 2015, nomeadamente no serviço de refeitório que foi frequentado por 2.081 pessoas, maioritariamente homens (56%).
Nos equipamentos sociais e através do Apoio Domiciliário foram servidas mais de 210 mil refeições.
Desde 1997, já foram servidas 3.411.243 refeições, com uma média de 179.500 por ano.
A Assistência Médica Internacional registou, no ano passado, 218 casos de violência doméstica, menos 30 face a 2014, segundo o Relatório de Atividades e Contas 2015 da AMI.
A Assistência Médica Internacional registou, no ano passado, 218 casos de violência doméstica, menos 30 face a 2014, segundo o Relatório de Atividades e Contas 2015 da AMI.
Os dados adiantam que 81% dos relatos de episódios de violência doméstica foram feitos por mulheres, entre os 30 e os 49 anos (47%), estando a maioria divorciada (33%), e casada ou a viver em união de facto (27%).
O agressor é na maior parte dos casos o cônjuge ou o namorado (43%), registando-se também agressões por parte dos pais ou outros familiares (6%).
A AMI assinalou também 75 casos de violência de género, menos 21 do que 2014, sendo 95% das vítimas mulheres, com idades entre os 30 e os 49 anos (61%).
Segundo o relatório, publicado no ‘site’ da AMI, a maioria das vítimas era divorciada ou solteira (51%), enquanto 25% eram casadas ou viviam em união de facto.
Estas vítimas contaram ter sofrido agressões físicas (73%) e ofensas/insultos (25%).
Os serviços mais procurados por estas mulheres foram o apoio social (87%) e o apoio alimentar (57%), adianta o documento.
A Assistência Médica Internacional divulga também dados sobre o tipo de habitação da população que recorre aos seus serviços sociais.
Segundo os dados, 8.682 moram em casa alugada (64%), sendo que destas pelo menos 3.304 são de habitação social (38%) e 1.620 têm casa própria (12%).
Entre os beneficiários que vivem em casa própria ou casa alugada, a organização apurou que 381, menos 14% que em 2014, não têm acesso a água canalizada ou têm, mas de forma ilegal.
Há ainda 604 pessoas (menos 9% que em 2014) que não têm acesso a luz ou têm mas de forma ilegal, 78 não têm ligação à rede de esgotos, 91 não têm cozinha e 75 não têm retrete (10 têm acesso a retrete coletiva).
Dos dados apurados, a AMI observou que as despesas mensais com rendas/amortizações de 1.949 pessoas (14%) são inferiores a 100 euros.
Relativamente às razões pelas quais procuram o apoio da AMI, 890 pessoas referiram tê-lo feito por necessidades relacionadas com o alojamento.
Contudo, esta necessidade foi diagnosticada, em contexto de atendimento social, em 1.461 pessoas, refere o relatório.
Houve ainda 542 pessoas que referiram situações de endividamento por rendas em atraso ou crédito à habitação que não conseguem cumprir.
O relatório divulga também dados sobre o apoio alimentar prestado pela AMI em 2015, nomeadamente no serviço de refeitório que foi frequentado por 2.081 pessoas, maioritariamente homens (56%).
Nos equipamentos sociais e através do Apoio Domiciliário foram servidas mais de 210 mil refeições.
Desde 1997, já foram servidas 3.411.243 refeições, com uma média de 179.500 por ano.
4.5.16
Coimbra: Cáritas diocesana apresenta projeto de envelhecimento ativo em conferência internacional na Holanda
In "Agência Ecclesia"
Coimbra, 02 mai 2016 (Ecclesia) – A Cáritas Diocesana de Coimbra vai apresentar o projeto de envelhecimento ativo ‘GrowMeUp’ na Conferência Internacional ‘Building the Future of Health’, que vai decorrer a 2 de junho em Groningen, na Holanda.
Num comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA, a organização católica informa que Carina Dantas, do Departamento de Inovação, vai apresentar o projeto “integrado na estratégia institucional para a promoção de um envelhecimento ativo e saudável”.
De recordar que o ‘GrowMeUp’ é uma tecnologia que permite “interagir com as pessoas idosas de uma forma mais humana”, lidando com as suas necessidades e hábitos, “adaptando dinamicamente as suas funcionalidades” e aumentando a qualidade do serviço prestado ao longo do tempo.
O robô, apelidado de GrowMu, está equipado com um sistema de diálogo inteligente, deteta as emoções demonstradas ao longo do diálogo e vai ser capaz de manter interações e de construir laços com as pessoas.
A apresentação da instituição católica realiza-se numa sessão conjunta da responsabilidade do Convénio Europeu para as Alterações Demográficas e da Organização Mundial de Saúde.
Coimbra, 02 mai 2016 (Ecclesia) – A Cáritas Diocesana de Coimbra vai apresentar o projeto de envelhecimento ativo ‘GrowMeUp’ na Conferência Internacional ‘Building the Future of Health’, que vai decorrer a 2 de junho em Groningen, na Holanda.
Num comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA, a organização católica informa que Carina Dantas, do Departamento de Inovação, vai apresentar o projeto “integrado na estratégia institucional para a promoção de um envelhecimento ativo e saudável”.
De recordar que o ‘GrowMeUp’ é uma tecnologia que permite “interagir com as pessoas idosas de uma forma mais humana”, lidando com as suas necessidades e hábitos, “adaptando dinamicamente as suas funcionalidades” e aumentando a qualidade do serviço prestado ao longo do tempo.
O robô, apelidado de GrowMu, está equipado com um sistema de diálogo inteligente, deteta as emoções demonstradas ao longo do diálogo e vai ser capaz de manter interações e de construir laços com as pessoas.
A apresentação da instituição católica realiza-se numa sessão conjunta da responsabilidade do Convénio Europeu para as Alterações Demográficas e da Organização Mundial de Saúde.
"Empresários improváveis" provam em Famalicão como fazer do desemprego oportunidade
In "Correio da Manhã"
Quatro "empresários improváveis" explicaram hoje em Vila Nova de Famalicão como de faz do desemprego uma "oportunidade" através da criação do próprio negócio que já trabalha para a marca do atual líder da I Liga em futebol. "Isto nasceu num contexto de dificuldades. Estávamos a trabalhar e de um momento para o outro ficamos sem trabalho, mas com as contas do dia-a-dia na mesma e as famílias em casa. O que é que podíamos fazer com 40 e tal anos de idade? Decidimos: vamos arriscar", conta Bruno Neves. É um dos sócios da lavandaria industrial LBJ Wash localizada em Fradelos, Famalicão, e, com Carlos Fonseca, Álvaro Oliveira e Luís Martins, decidiu pedir a antecipação do pagamento do subsídio de desemprego e um empréstimo ao banco para se lançar no mercado com um negócio próprio.
Quatro "empresários improváveis" explicaram hoje em Vila Nova de Famalicão como de faz do desemprego uma "oportunidade" através da criação do próprio negócio que já trabalha para a marca do atual líder da I Liga em futebol. "Isto nasceu num contexto de dificuldades. Estávamos a trabalhar e de um momento para o outro ficamos sem trabalho, mas com as contas do dia-a-dia na mesma e as famílias em casa. O que é que podíamos fazer com 40 e tal anos de idade? Decidimos: vamos arriscar", conta Bruno Neves. É um dos sócios da lavandaria industrial LBJ Wash localizada em Fradelos, Famalicão, e, com Carlos Fonseca, Álvaro Oliveira e Luís Martins, decidiu pedir a antecipação do pagamento do subsídio de desemprego e um empréstimo ao banco para se lançar no mercado com um negócio próprio.
Desemprego estrutural obriga a "reflexão dos políticos”
Isabel Pacheco, in "Renascença"
O presidente da Comissão Episcopal para a Pastoral Social e Mobilidade Humana diz que "o drama do desemprego de longa duração não pode ser disfarçado”.
O presidente da Comissão Episcopal para a Pastoral Social e Mobilidade Humana, D. Jorge Ortiga, considera que "o drama do desemprego de longa duração não pode ser disfarçado”.
O também arcebispo primaz de Braga reage, deste modo, à reportagem multimédia da Renascença sobre desemprego estrutural, acrescentando que uma “questão grave” como esta deve constituir “motivo de reflexão por parte dos politicos”.
“Não podemos, de maneira nenhuma, iludir ou disfarçar que não conhecemos esta realidade porque, na verdade, e são as estatísticas a confirmá-lo, este desemprego contínua a ser um drama e uma chaga para muitas famílias”, reforça.
D. Jorge Ortiga destaca o facto deste problema levar a uma cada vez maior emigração, levando, em muitos caso, à separação de casais e de pais e filhos. "O crescimento harmónico da criança exige a presença da mãe e do pai. De outra maneira, alguma coisa irá cair no vazio com consequências negativas para o futuro”, aponta.
Nesta quadro, o presidente da Comissão Episcopal para a Pastoral Social e Mobilidade Humana defende a adopção de “politicas positivas de natalidade” que tenham em conta esta vertente, porque “se há o direito ao trabalho, também há o direito de viver em família”.
Desemprego estrutural. Sabe o que é?
Esta segunda-feira, a Renascença contou a história de Rosário Ferreira, uma ex-operária fabril que quer trabalhar, mas não consegue porque não há quem lhe abra as portas. Tem 56 anos e há quatro que não tem um emprego com salário. O subsídio de desemprego de Rosário Ferreira termina no próximo ano.
Durante esta semana, a Renascença olha para o desemprego estrutural, uma ferida social que a transformação económica abriu em Portugal.
O presidente da Comissão Episcopal para a Pastoral Social e Mobilidade Humana diz que "o drama do desemprego de longa duração não pode ser disfarçado”.
O presidente da Comissão Episcopal para a Pastoral Social e Mobilidade Humana, D. Jorge Ortiga, considera que "o drama do desemprego de longa duração não pode ser disfarçado”.
O também arcebispo primaz de Braga reage, deste modo, à reportagem multimédia da Renascença sobre desemprego estrutural, acrescentando que uma “questão grave” como esta deve constituir “motivo de reflexão por parte dos politicos”.
“Não podemos, de maneira nenhuma, iludir ou disfarçar que não conhecemos esta realidade porque, na verdade, e são as estatísticas a confirmá-lo, este desemprego contínua a ser um drama e uma chaga para muitas famílias”, reforça.
D. Jorge Ortiga destaca o facto deste problema levar a uma cada vez maior emigração, levando, em muitos caso, à separação de casais e de pais e filhos. "O crescimento harmónico da criança exige a presença da mãe e do pai. De outra maneira, alguma coisa irá cair no vazio com consequências negativas para o futuro”, aponta.
Nesta quadro, o presidente da Comissão Episcopal para a Pastoral Social e Mobilidade Humana defende a adopção de “politicas positivas de natalidade” que tenham em conta esta vertente, porque “se há o direito ao trabalho, também há o direito de viver em família”.
Desemprego estrutural. Sabe o que é?
Esta segunda-feira, a Renascença contou a história de Rosário Ferreira, uma ex-operária fabril que quer trabalhar, mas não consegue porque não há quem lhe abra as portas. Tem 56 anos e há quatro que não tem um emprego com salário. O subsídio de desemprego de Rosário Ferreira termina no próximo ano.
Durante esta semana, a Renascença olha para o desemprego estrutural, uma ferida social que a transformação económica abriu em Portugal.
Desemprego estrutural. Sabe o que é?
In "Renascença"
Durante esta semana a Renascença olha para a nova ferida social que a transformação económica trouxe a Portugal: o desemprego estrutural.
Durante esta semana a Renascença olha para a nova ferida social que a transformação económica trouxe a Portugal: o desemprego estrutural.
Desemprego de longa duração. Um "flagelo enorme" que pode ainda piorar
In "Renascença"
Esta semana, a Renascença olha para fenómeno do desemprego estrutural. Sociólogo acusa empresas de "grande insensibilidade".
O desemprego de longa duração só se resolve quando o Estado apostar em medidas que visem a contratação de desempregados de longa duração, defende o sociólogo Elísio Estanque.
Esta segunda-feira, a Renascença contou a história de Rosário Ferreira, uma ex-operária fabril que quer trabalhar, mas não consegue porque não há quem lhe abra as portas. Tem 56 anos e há quatro que não tem um emprego com salário. O subsídio de desemprego de Rosário Ferreira termina no próximo ano. Durante esta semana, a Renascença olha para o desemprego estrutural, uma ferida social que a transformação económica abriu em Portugal.
Em declarações à Renascença, Elísio Estanque, professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, reconhece que as dificuldades começam, desde logo, “no paradigma económico que aposta em baixos salários”.
Para Elísio Estanque, que é também investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, “se o flagelo já hoje é enorme, no futuro corremos o risco de agravar ainda mais a situação”, porque as empresas parecem pouco interessadas em recuperar para a vida activa aqueles que estão há dois e mais anos afastados do mercado de trabalho.
À Renascença, o Ministério do Trabalho identificou o mesmo problema: as empresas são “resistentes a contratar as pessoas mais afastadas do mercado de trabalho, mesmo num período de aparente recuperação do emprego”.
Desemprego estrutural. Sabe o que é?
Elísio Estanque diz que “a possibilidade de as empresas contratarem desempregados de longa duração poderia ser viável em muitos sectores”.
O problema diz, “é o modelo de gestão na maioria das empresas: há ainda uma grande insensibilidade por parte do tecido empresarial” que “segue uma mentalidade tradicionalista que impede muitos empresários de utilizarem no sentido mais positivo os meios que têm ao seu dispor”.
Empresas recusam “ostracizar” trabalhadores experientes
Em declarações à Renascença, que serão publicadas esta terça-feira, António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), reconhece que entre um jovem e um trabalhador mais velho as empresas tendem a escolher o primeiro. Mas não admite acusações de discriminação, escudando-se na lei da oferta e da procura.
“As empresas que têm a capacidade de contratar, em igualdade de circunstâncias, têm preferido, provavelmente, contratar um jovem com maiores competências a nível informático, de línguas, etc., do que um sénior que, provavelmente, tem sobre determinada profissão um enorme conhecimento de saber, de experiência feito, mas depois falta-lhe outras que hoje, a tal economia nova para que caminhamos, exige e ele não tem”, defende.
Sem querer generalizar, António Saraiva admite que, em termos gerais, “as empresas que estejam a contratar prefiram determinada camada jovem”, mas não porque estejam “a ostracizar os seniores”.
Em resposta enviada à Renascença, o Governo informou que quer que, até ao final de legislatura, 70% das pessoas abrangidas pelas políticas activas de emprego sejam desempregados de longa duração.
Esta semana, a Renascença olha para fenómeno do desemprego estrutural. Sociólogo acusa empresas de "grande insensibilidade".
O desemprego de longa duração só se resolve quando o Estado apostar em medidas que visem a contratação de desempregados de longa duração, defende o sociólogo Elísio Estanque.
Esta segunda-feira, a Renascença contou a história de Rosário Ferreira, uma ex-operária fabril que quer trabalhar, mas não consegue porque não há quem lhe abra as portas. Tem 56 anos e há quatro que não tem um emprego com salário. O subsídio de desemprego de Rosário Ferreira termina no próximo ano. Durante esta semana, a Renascença olha para o desemprego estrutural, uma ferida social que a transformação económica abriu em Portugal.
Em declarações à Renascença, Elísio Estanque, professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, reconhece que as dificuldades começam, desde logo, “no paradigma económico que aposta em baixos salários”.
Para Elísio Estanque, que é também investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, “se o flagelo já hoje é enorme, no futuro corremos o risco de agravar ainda mais a situação”, porque as empresas parecem pouco interessadas em recuperar para a vida activa aqueles que estão há dois e mais anos afastados do mercado de trabalho.
À Renascença, o Ministério do Trabalho identificou o mesmo problema: as empresas são “resistentes a contratar as pessoas mais afastadas do mercado de trabalho, mesmo num período de aparente recuperação do emprego”.
Desemprego estrutural. Sabe o que é?
Elísio Estanque diz que “a possibilidade de as empresas contratarem desempregados de longa duração poderia ser viável em muitos sectores”.
O problema diz, “é o modelo de gestão na maioria das empresas: há ainda uma grande insensibilidade por parte do tecido empresarial” que “segue uma mentalidade tradicionalista que impede muitos empresários de utilizarem no sentido mais positivo os meios que têm ao seu dispor”.
Empresas recusam “ostracizar” trabalhadores experientes
Em declarações à Renascença, que serão publicadas esta terça-feira, António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), reconhece que entre um jovem e um trabalhador mais velho as empresas tendem a escolher o primeiro. Mas não admite acusações de discriminação, escudando-se na lei da oferta e da procura.
“As empresas que têm a capacidade de contratar, em igualdade de circunstâncias, têm preferido, provavelmente, contratar um jovem com maiores competências a nível informático, de línguas, etc., do que um sénior que, provavelmente, tem sobre determinada profissão um enorme conhecimento de saber, de experiência feito, mas depois falta-lhe outras que hoje, a tal economia nova para que caminhamos, exige e ele não tem”, defende.
Sem querer generalizar, António Saraiva admite que, em termos gerais, “as empresas que estejam a contratar prefiram determinada camada jovem”, mas não porque estejam “a ostracizar os seniores”.
Em resposta enviada à Renascença, o Governo informou que quer que, até ao final de legislatura, 70% das pessoas abrangidas pelas políticas activas de emprego sejam desempregados de longa duração.
Sensibilizar os mais novos para a importância do Voluntariado
António Gomes Costa, in "Regional"
Iniciativa da CERCI, promovida pelo Banco Local de Voluntariado Sensibilizar os mais novos para a importância do Voluntariado “Todos temos asas, mas apenas os voluntários sabem voar”, é a grande mensagem de uma peça “simples” que alerta os mais novos para a importância do Voluntariado e que percorre vários estabelecimentos escolares da cidade.
Foi apresentada pela primeira vez em Dezembro de 2015. É uma peça simples, de linguagem muito fácil e dura pouco mais de 15 minutos. Mas está lá tudo.
Alertar e esclarecer os mais novos para a importância do voluntariado, das boas práticas ambientais, a importância de dar sem receber nada em troca, são algumas das mensagem que um grupo de voluntários tenta transmitir aos mais pequenos.
O livro «Todos temos asas mas apenas os voluntários sabem voar», da autoria de Sónia Fernandes com ilustração de Pedro Serapicos, serviu de inspiração para este desa? o “voluntário”, que está a ser apresentado nos estabelecimentos de ensino pré-escolar de S. João da Madeira, no âmbito do Projecto Educativo Municipal, cuja interpretação cabe a alguns utentes e voluntários da CERCI, promovida pelo Banco Local de Voluntariado.
A peça «Mudar o Mundo com o Voluntariado», subiu ontem, dia 20, ao Palco dos Paços da Cultura, inserida na programação da Semana da Terra.
Entre centenas de balões com formato de coração, a mensagem de sensibilização foi apresentada a cerca de 300 crianças com idades entre os três e os cinco anos que, através da voz do coelhinho “Cândido”, personagem principal da história, explicou ao “Júnior” o que é o voluntariado, o que é ser voluntário e como se pode fazer voluntariado, exempli? cando pelo menos duas das muitas situações em que os voluntários são extremamente importantes.
Ali, os óculos mágicos do Júnior permitiam ver o mundo diferente, com uma particularidade muito interessante.
“Quem faz voluntariado ? ca com um coração muito grande, ser voluntário é algo muito bom, é fazer o bem sem receber nada em troca”; ou mesmo, “todos podem ser voluntários”, referia. Apesar da mensagem ser simples, o silêncio era visível na sala.
A Mafalda e o Tiago eram duas das muitas crianças que ontem assistiam à peça.
Desafiados a participar, não hesitaram. Vestiram orgulhosamente uma camisola com um coração grande, limparam a ? oresta e recolheram alimentos para as pessoas carenciadas.
A terminar o espectáculo, actores e convidados perguntam: “Quem quer fazer voluntariado para tornarem o mundo melhor e ? carem com o coração grande?”. E a resposta surge de imediato. “Eu!!!”.
Dulce Santos, directora Técnica da CERCI, assegura que a peça tem sido um êxito e a mensagem chega até às crianças. “A linguagem utilizada é muito acessível, pois estamos a falar de crianças muito pequenas e a palavra tem chegado até eles”.
A peça explica ainda de forma “lúdica” aos mais novos o que é isto de ser “voluntário, o que é ajudar alguém e o que fazer para ser um voluntário”.
O vereador Paulo Cavaleiro marcou presença nos Palcos da Cultura e lembrou às crianças a importância do voluntariado junto da sociedade.
Iniciativa da CERCI, promovida pelo Banco Local de Voluntariado Sensibilizar os mais novos para a importância do Voluntariado “Todos temos asas, mas apenas os voluntários sabem voar”, é a grande mensagem de uma peça “simples” que alerta os mais novos para a importância do Voluntariado e que percorre vários estabelecimentos escolares da cidade.
Foi apresentada pela primeira vez em Dezembro de 2015. É uma peça simples, de linguagem muito fácil e dura pouco mais de 15 minutos. Mas está lá tudo.
Alertar e esclarecer os mais novos para a importância do voluntariado, das boas práticas ambientais, a importância de dar sem receber nada em troca, são algumas das mensagem que um grupo de voluntários tenta transmitir aos mais pequenos.
O livro «Todos temos asas mas apenas os voluntários sabem voar», da autoria de Sónia Fernandes com ilustração de Pedro Serapicos, serviu de inspiração para este desa? o “voluntário”, que está a ser apresentado nos estabelecimentos de ensino pré-escolar de S. João da Madeira, no âmbito do Projecto Educativo Municipal, cuja interpretação cabe a alguns utentes e voluntários da CERCI, promovida pelo Banco Local de Voluntariado.
A peça «Mudar o Mundo com o Voluntariado», subiu ontem, dia 20, ao Palco dos Paços da Cultura, inserida na programação da Semana da Terra.
Entre centenas de balões com formato de coração, a mensagem de sensibilização foi apresentada a cerca de 300 crianças com idades entre os três e os cinco anos que, através da voz do coelhinho “Cândido”, personagem principal da história, explicou ao “Júnior” o que é o voluntariado, o que é ser voluntário e como se pode fazer voluntariado, exempli? cando pelo menos duas das muitas situações em que os voluntários são extremamente importantes.
Ali, os óculos mágicos do Júnior permitiam ver o mundo diferente, com uma particularidade muito interessante.
“Quem faz voluntariado ? ca com um coração muito grande, ser voluntário é algo muito bom, é fazer o bem sem receber nada em troca”; ou mesmo, “todos podem ser voluntários”, referia. Apesar da mensagem ser simples, o silêncio era visível na sala.
A Mafalda e o Tiago eram duas das muitas crianças que ontem assistiam à peça.
Desafiados a participar, não hesitaram. Vestiram orgulhosamente uma camisola com um coração grande, limparam a ? oresta e recolheram alimentos para as pessoas carenciadas.
A terminar o espectáculo, actores e convidados perguntam: “Quem quer fazer voluntariado para tornarem o mundo melhor e ? carem com o coração grande?”. E a resposta surge de imediato. “Eu!!!”.
Dulce Santos, directora Técnica da CERCI, assegura que a peça tem sido um êxito e a mensagem chega até às crianças. “A linguagem utilizada é muito acessível, pois estamos a falar de crianças muito pequenas e a palavra tem chegado até eles”.
A peça explica ainda de forma “lúdica” aos mais novos o que é isto de ser “voluntário, o que é ajudar alguém e o que fazer para ser um voluntário”.
O vereador Paulo Cavaleiro marcou presença nos Palcos da Cultura e lembrou às crianças a importância do voluntariado junto da sociedade.
Artista chinês Ai Weiwei prepara documentário sobre crise dos refugiados
In "euronews"
O artista dissidente chinês Ai Weiwei esteve em Berna, na Suíça, para inaugurar uma exposição dedicada às artes plásticas chinesas contemporâneas.
Ai Weiwei aproveitou a ocasião para anunciar que prepara um documentário sobre a crise dos refugiados.
“Rodámos mais de 600 horas, fizemos uma centena de entrevistas com políticos, refugiados, padres, responsáveis de ONG e toda uma série de pessoas implicadas nesta crise”, disse Ai Weiwei.
Depois de ter sido encarcerado na China durante oitenta e um dias e impedido de sair do país durante quatro anos, Ai Weiwei mudou-se para Berlim.
Em março deste ano, o artista chinês visitou um campo de refugiados na Grécia e acusou a Europa de não respeitar direitos humanos básicos.
“É uma visão de curto prazo. É pena que os europeus não sejam capazes de trabalhar juntos e defender os valores comuns. Ninguém confia em ninguém, é uma situação muito triste”, frisou o artista.
O filme de Ai Weiwei sobre a crise dos refugiados na Europa deverá ser lançado em 2017.
O artista dissidente chinês Ai Weiwei esteve em Berna, na Suíça, para inaugurar uma exposição dedicada às artes plásticas chinesas contemporâneas.
Ai Weiwei aproveitou a ocasião para anunciar que prepara um documentário sobre a crise dos refugiados.
“Rodámos mais de 600 horas, fizemos uma centena de entrevistas com políticos, refugiados, padres, responsáveis de ONG e toda uma série de pessoas implicadas nesta crise”, disse Ai Weiwei.
Depois de ter sido encarcerado na China durante oitenta e um dias e impedido de sair do país durante quatro anos, Ai Weiwei mudou-se para Berlim.
Em março deste ano, o artista chinês visitou um campo de refugiados na Grécia e acusou a Europa de não respeitar direitos humanos básicos.
“É uma visão de curto prazo. É pena que os europeus não sejam capazes de trabalhar juntos e defender os valores comuns. Ninguém confia em ninguém, é uma situação muito triste”, frisou o artista.
O filme de Ai Weiwei sobre a crise dos refugiados na Europa deverá ser lançado em 2017.
Por um bairro melhor
In "Sic Notícias"
Esta manhã, um grupo de voluntários juntou-se no bairro da Mouraria, em Lisboa, para limpar superfícies sujas e vandalizadas. A iniciativa da SIC Esperança, Visão e Comunidade EDP contou com o apoio da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.
Esta manhã, um grupo de voluntários juntou-se no bairro da Mouraria, em Lisboa, para limpar superfícies sujas e vandalizadas. A iniciativa da SIC Esperança, Visão e Comunidade EDP contou com o apoio da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.
Cartas dos Leitores - Rede anti-pobreza debate inclusão
In "Região Leiria"
Dar voz aos cidadãos em situação de vulnerabilidade social, procurando que participem em ações de luta contra a pobreza e exclusão social é um dos princípios básicos da EAPN Rede Europeia Alui-Pobreza; Portugal. Ao mesmo tempo que os cidadãos em situação de vulnerabilidade social contribuem com recomendações para o desenho e melhoria das políticas sociais, pelo facto de experienciarem, na primeira pessoa, situações de pobreza e exclusão social, tornando-os especialistas na sua vivência, vão desenvolvendo práticas de cidadania ativa. Da discussão gerada, [no workshop promovido, dia 20, pelo Núcleo de Leiria] concluiu-se que, embora ainda exista um longo caminho a percorrer no que toca à participação das pessoas em situação de vulnerabilidade social, a participação promove o autoconhecimento, permite uma maior consciencialização das situações, motiva, autonomiza e contribui para uma maior auto-estima destes cidadãos, contribuindo para uma maior integração e inclusão societal dos mesmos.
Patricia Ervilha, Núcleo de Leiria da EAPN
Dar voz aos cidadãos em situação de vulnerabilidade social, procurando que participem em ações de luta contra a pobreza e exclusão social é um dos princípios básicos da EAPN Rede Europeia Alui-Pobreza; Portugal. Ao mesmo tempo que os cidadãos em situação de vulnerabilidade social contribuem com recomendações para o desenho e melhoria das políticas sociais, pelo facto de experienciarem, na primeira pessoa, situações de pobreza e exclusão social, tornando-os especialistas na sua vivência, vão desenvolvendo práticas de cidadania ativa. Da discussão gerada, [no workshop promovido, dia 20, pelo Núcleo de Leiria] concluiu-se que, embora ainda exista um longo caminho a percorrer no que toca à participação das pessoas em situação de vulnerabilidade social, a participação promove o autoconhecimento, permite uma maior consciencialização das situações, motiva, autonomiza e contribui para uma maior auto-estima destes cidadãos, contribuindo para uma maior integração e inclusão societal dos mesmos.
Patricia Ervilha, Núcleo de Leiria da EAPN
APAV apoia investigação sobre violência
In "Expresso"
A Associação de Apoio à Vítima (APAV) está a promover a segunda edição do Prémio APAV para a Investigação, com o apoio da Fundação Montepio. O prémio destina-se a reconhecer trabalhos de investigação científica sobre temas ou problemas relacionados com a missão da APAV: “Apoiar as vítimas de crime, as suas famílias e os seus amigos, prestando-lhes serviços de qualidade, gratuitos e confidenciais e contribuir para o aperfeiçoamento das políticas públicas, sociais e privadas centradas no estatuto da vítima”, faz saber a associação na apresentação da iniciativa. O Prémio APAV para a Investigação vai distinguir um trabalho inédito, desenvolvido em língua portuguesa, que contribua para o conhecimento geral ou específico dos temas ou problemas relacionados com as vítimas de crime, ou para a melhoria de qualidade dos serviços de apoio à vítima em Portugal. As candidaturas podem ser formalizadas até 30 de junho.
A Associação de Apoio à Vítima (APAV) está a promover a segunda edição do Prémio APAV para a Investigação, com o apoio da Fundação Montepio. O prémio destina-se a reconhecer trabalhos de investigação científica sobre temas ou problemas relacionados com a missão da APAV: “Apoiar as vítimas de crime, as suas famílias e os seus amigos, prestando-lhes serviços de qualidade, gratuitos e confidenciais e contribuir para o aperfeiçoamento das políticas públicas, sociais e privadas centradas no estatuto da vítima”, faz saber a associação na apresentação da iniciativa. O Prémio APAV para a Investigação vai distinguir um trabalho inédito, desenvolvido em língua portuguesa, que contribua para o conhecimento geral ou específico dos temas ou problemas relacionados com as vítimas de crime, ou para a melhoria de qualidade dos serviços de apoio à vítima em Portugal. As candidaturas podem ser formalizadas até 30 de junho.
Entrajuda lança rede de lojas Dar e Receber para ajudar famílias carenciadas
In "Diário de Aveiro"
A Entrajuda vai lançar uma rede de lojas solidárias em todo o país, onde as famílias carenciadas podem adquirir móveis, electrodomésticos e outros bens doados por particulares e empresas, disse a presidente da instituição A Rede Dar e Receber, que pretende dar resposta às necessidades específicas dos mais carenciados em bens não alimentares e equipamentos novos ou usados, nasceu da experiência adquirida com a plataforma Dar e Receber, criada há três anos pela Entrajuda e pela Cáritas Portuguesa. Isabel Jonet explicou que a rede permite “aproximar fisicamente quem quer dar de quem precisa de receber”, contribuindo para uma resposta mais rápida às necessidades identificadas. “O que constatámos foi que temos um portal que teve muitas visitas e muitas doações”, mas que muitas vezes eram difíceis de levantar, porque “há uma grande dificuldade na parte mais logística”, adiantou.
Para ultrapassar a dificuldade da distância vai ser aber to em vários locais do país um “espaço Dar e Receber”, um armazém cedido pela autarquia local, que armazenará os produtos de maior dimensão, como mobiliário e electrodomésticos, onde as instituições podem abastecer-se. Segundo a presidente da Entrajuda, o transporte dos bens doados será assegurado pelas câmaras municipais locais. “Temos já diversas câmaras que aderiram a este projecto” e “em breve vamos poder abrir de forma sistemática as lojas desta rede”, que também promovem a criação de emprego através de oficinas de recuperação de equipamentos, adiantou.
Estes espaços terão uma gestão comum, baseada numa aplicação informática, que permitirá pôr em rede os vários armazéns e gerir os ‘sto cks’ que têm nas lojas e os apoios concedidos. Nestas lojas, as famílias referenciadas pelas instituições de solidariedade social podem adquirir o que “realmente necessitam”.
“Cada família tem que ter um cartão que faz com que a ajuda não seja apenas assistencialista”, mas “mais autonomizante”, explicou a responsável. “Aquilo que queremos também é que cada família, cada pessoa, que é excluída do mercado de trabalho possa encontrar nestes espaços formação prática”, disse, dando como exemplo a loja em Lisboa, que terá uma “oficina informática”, onde os jovens podem ganhar competências que lhes permita “ganhar um salário”.
Fazendo um balanço dos três anos da plataforma, Isabel Jonet disse que continua convicta de que “é uma ideia com um grande potencial”, uma vez que há “muitos produtos que a população em geral quer doar e há pessoas que deles precisam”. Além das autarquias são parceiros da Rede Dar e Receber as IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social), que assistem os carenciados e necessitam de produtos, e os doadores.
A rede, assente em parcerias locais, permite, através da plataforma www.darereceber.pt, congregar entidades, fomentar parcerias e promover o trabalho em rede para recuperar e distribuir criteriosamente os bens e equipamentos, contribuindo também para acabar com o desperdício.
A Entrajuda vai lançar uma rede de lojas solidárias em todo o país, onde as famílias carenciadas podem adquirir móveis, electrodomésticos e outros bens doados por particulares e empresas, disse a presidente da instituição A Rede Dar e Receber, que pretende dar resposta às necessidades específicas dos mais carenciados em bens não alimentares e equipamentos novos ou usados, nasceu da experiência adquirida com a plataforma Dar e Receber, criada há três anos pela Entrajuda e pela Cáritas Portuguesa. Isabel Jonet explicou que a rede permite “aproximar fisicamente quem quer dar de quem precisa de receber”, contribuindo para uma resposta mais rápida às necessidades identificadas. “O que constatámos foi que temos um portal que teve muitas visitas e muitas doações”, mas que muitas vezes eram difíceis de levantar, porque “há uma grande dificuldade na parte mais logística”, adiantou.
Para ultrapassar a dificuldade da distância vai ser aber to em vários locais do país um “espaço Dar e Receber”, um armazém cedido pela autarquia local, que armazenará os produtos de maior dimensão, como mobiliário e electrodomésticos, onde as instituições podem abastecer-se. Segundo a presidente da Entrajuda, o transporte dos bens doados será assegurado pelas câmaras municipais locais. “Temos já diversas câmaras que aderiram a este projecto” e “em breve vamos poder abrir de forma sistemática as lojas desta rede”, que também promovem a criação de emprego através de oficinas de recuperação de equipamentos, adiantou.
Estes espaços terão uma gestão comum, baseada numa aplicação informática, que permitirá pôr em rede os vários armazéns e gerir os ‘sto cks’ que têm nas lojas e os apoios concedidos. Nestas lojas, as famílias referenciadas pelas instituições de solidariedade social podem adquirir o que “realmente necessitam”.
“Cada família tem que ter um cartão que faz com que a ajuda não seja apenas assistencialista”, mas “mais autonomizante”, explicou a responsável. “Aquilo que queremos também é que cada família, cada pessoa, que é excluída do mercado de trabalho possa encontrar nestes espaços formação prática”, disse, dando como exemplo a loja em Lisboa, que terá uma “oficina informática”, onde os jovens podem ganhar competências que lhes permita “ganhar um salário”.
Fazendo um balanço dos três anos da plataforma, Isabel Jonet disse que continua convicta de que “é uma ideia com um grande potencial”, uma vez que há “muitos produtos que a população em geral quer doar e há pessoas que deles precisam”. Além das autarquias são parceiros da Rede Dar e Receber as IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social), que assistem os carenciados e necessitam de produtos, e os doadores.
A rede, assente em parcerias locais, permite, através da plataforma www.darereceber.pt, congregar entidades, fomentar parcerias e promover o trabalho em rede para recuperar e distribuir criteriosamente os bens e equipamentos, contribuindo também para acabar com o desperdício.
3.5.16
Economia cresce acima do esperado. Desemprego em mínimos de 2011
In "Económico"
A economia da zona euro cresceu 1,6%. Já a taxa de desemprego desceu para 10,2% em Março, a mais baixa desde 2011.
A economia da zona euro cresceu 1,6% e a da União Europeia (UE) 1,7% no primeiro trimestre do ano, face ao período homólogo de 2015, segundo uma estimativa do Eurostat.
Já na comparação com o trimestre anterior, o Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro aumentou, entre Janeiro e Março 0,6% na zona euro e 0,5% na UE.
O crescimento da economia europeia no primeiro trimestre acompanha a tendência já verificada entre Janeiro e Março de 2015, quando o PIB cresceu, em termos homólogos, 1,6% na zona euro e 1,8% no conjunto dos 28 Estados-membros, e, em cadeia [face ao trimestre anterior], respectivamente, 0,3% e 0,4%.
Um novo boletim sobre o indicador será divulgado no dia 13 de maio, indica o gabinete oficial de estatísticas da UE.
Taxa de desemprego em mínimos de Agosto de 2011
A taxa de desemprego desceu em Março quer na zona euro, onde atingiu os 10,2%, a mais baixa desde Agosto de 2011, quer nos 28 Estados-membros (8,8%), o menor valor desde Abril de 2009, divulga o Eurostat.
Segundo o gabinete de estatísticas da União Europeia (UE), a taxa de desemprego baixou, em Março, para 10,2% na zona euro, valor que compara com os 10,4% de Fevereiro e com os 11,2% de Março de 2015. O valor de Março é o mais baixo desde Agosto de 2011, na média dos 19 países da moeda única.
Já no que respeita à UE, a taxa de desemprego baixou, em Março, para os 8,8%, face aos 8,9% de Fevereiro e aos 9,7% do mês homólogo de 2015. Na média dos 28 Estados-membros, o indicador atinge o valor mais baixo em sete anos, desde Abril de 2009.
A República Checa (4,1%) e a Alemanha (4,2%) registaram as menores taxas de desemprego em Março, enquanto na Grécia (24,5% em Janeiro) e em Espanha (20,4%) se observaram as mais altas.
No que respeita ao desemprego juvenil, este baixou em Março de 22,7% para 21,2% na zona euro e de 20,9% para 19,1%, na comparação homóloga.
As taxas de desemprego jovem mais baixas observaram-se na Alemanha (6,9%), na República Checa e em Malta (9,8% cada) e as mais altas na Grécia (51,9% em Janeiro), em Espanha (45,5%), na Croácia (39,0% no primeiro trimestre do ano) e na Itália (36,7%).
Em Portugal, a taxa de desemprego baixou para 11,8% em Março, quer face aos 12,2% de Fevereiro, quer aos 13% do mês homólogo de 2015.
O desemprego juvenil subiu em cadeia de 30,2% para 30,7%, valor que fica abaixo dos 32,4% homólogos.
A economia da zona euro cresceu 1,6%. Já a taxa de desemprego desceu para 10,2% em Março, a mais baixa desde 2011.
A economia da zona euro cresceu 1,6% e a da União Europeia (UE) 1,7% no primeiro trimestre do ano, face ao período homólogo de 2015, segundo uma estimativa do Eurostat.
Já na comparação com o trimestre anterior, o Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro aumentou, entre Janeiro e Março 0,6% na zona euro e 0,5% na UE.
O crescimento da economia europeia no primeiro trimestre acompanha a tendência já verificada entre Janeiro e Março de 2015, quando o PIB cresceu, em termos homólogos, 1,6% na zona euro e 1,8% no conjunto dos 28 Estados-membros, e, em cadeia [face ao trimestre anterior], respectivamente, 0,3% e 0,4%.
Um novo boletim sobre o indicador será divulgado no dia 13 de maio, indica o gabinete oficial de estatísticas da UE.
Taxa de desemprego em mínimos de Agosto de 2011
A taxa de desemprego desceu em Março quer na zona euro, onde atingiu os 10,2%, a mais baixa desde Agosto de 2011, quer nos 28 Estados-membros (8,8%), o menor valor desde Abril de 2009, divulga o Eurostat.
Segundo o gabinete de estatísticas da União Europeia (UE), a taxa de desemprego baixou, em Março, para 10,2% na zona euro, valor que compara com os 10,4% de Fevereiro e com os 11,2% de Março de 2015. O valor de Março é o mais baixo desde Agosto de 2011, na média dos 19 países da moeda única.
Já no que respeita à UE, a taxa de desemprego baixou, em Março, para os 8,8%, face aos 8,9% de Fevereiro e aos 9,7% do mês homólogo de 2015. Na média dos 28 Estados-membros, o indicador atinge o valor mais baixo em sete anos, desde Abril de 2009.
A República Checa (4,1%) e a Alemanha (4,2%) registaram as menores taxas de desemprego em Março, enquanto na Grécia (24,5% em Janeiro) e em Espanha (20,4%) se observaram as mais altas.
No que respeita ao desemprego juvenil, este baixou em Março de 22,7% para 21,2% na zona euro e de 20,9% para 19,1%, na comparação homóloga.
As taxas de desemprego jovem mais baixas observaram-se na Alemanha (6,9%), na República Checa e em Malta (9,8% cada) e as mais altas na Grécia (51,9% em Janeiro), em Espanha (45,5%), na Croácia (39,0% no primeiro trimestre do ano) e na Itália (36,7%).
Em Portugal, a taxa de desemprego baixou para 11,8% em Março, quer face aos 12,2% de Fevereiro, quer aos 13% do mês homólogo de 2015.
O desemprego juvenil subiu em cadeia de 30,2% para 30,7%, valor que fica abaixo dos 32,4% homólogos.
Pobreza motiva debate em Coimbra
Juliana Baptista, in " Fátima Missionária"
O seminário «Pobreza, ontem e hoje», promovido pela Cáritas, vai contar com o contributo de vários especialistas para fomentar a discussão sobre o problema que afeta milhões de pessoas na União Europeia
A Cáritas Diocesana de Coimbra vai dinamizar o seminário «Pobreza, ontem e hoje – olhares e perspetivas». O colóquio está agendado para o próximo dia 19 de maio e terá lugar no auditório Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, entre as 09h00 e as 13h30. A participação é gratuita e a inscrição é obrigatória.
O seminário faz parte de um programa de atividades de sensibilização e discussão pública promovido pela Cáritas de Coimbra, no âmbito dos 25 anos sobre a aprovação e implementação do seu primeiro projeto de luta contra a pobreza.
O tema será discutido através do contributo de especialistas como Pedro Hespanha, sociólogo, Nuno Serra, geógrafo, e José António Pinto, Técnico de Serviço Social, entre outros. As intervenções dos vários responsáveis vão incidir sobre os temas «Uma agenda comum na luta contra a pobreza», «Culturas de intervenção social e combate à pobreza e exclusão» e a «A questão social no contexto da crise da finança neoliberal».
O seminário «Pobreza, ontem e hoje», promovido pela Cáritas, vai contar com o contributo de vários especialistas para fomentar a discussão sobre o problema que afeta milhões de pessoas na União Europeia
A Cáritas Diocesana de Coimbra vai dinamizar o seminário «Pobreza, ontem e hoje – olhares e perspetivas». O colóquio está agendado para o próximo dia 19 de maio e terá lugar no auditório Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, entre as 09h00 e as 13h30. A participação é gratuita e a inscrição é obrigatória.
O seminário faz parte de um programa de atividades de sensibilização e discussão pública promovido pela Cáritas de Coimbra, no âmbito dos 25 anos sobre a aprovação e implementação do seu primeiro projeto de luta contra a pobreza.
O tema será discutido através do contributo de especialistas como Pedro Hespanha, sociólogo, Nuno Serra, geógrafo, e José António Pinto, Técnico de Serviço Social, entre outros. As intervenções dos vários responsáveis vão incidir sobre os temas «Uma agenda comum na luta contra a pobreza», «Culturas de intervenção social e combate à pobreza e exclusão» e a «A questão social no contexto da crise da finança neoliberal».
Florinhas debatem a economia social
In "Diário de Aveiro"
Na próxima quinta-feira, a IPSS Florinhas do Vouga vai promover, no Salão D. João Evangelista de Lima Vidal, em Aveiro, o seminário “Tanto (des)emprego: a economia social em foco”. Durante a manhã, serão discutidas as potencialidades do sector da economia social enquanto empregador e executor das políticas activas de emprego. Uma abordagem que parte do estudo “Empregabilidade na Economia Social: o papel das políticas activas de emprego”, desenvolvido pela Rede Europeia Anti-Pobreza, mas também do trabalho desenvolvido pelo IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional de Aveiro.
Na próxima quinta-feira, a IPSS Florinhas do Vouga vai promover, no Salão D. João Evangelista de Lima Vidal, em Aveiro, o seminário “Tanto (des)emprego: a economia social em foco”. Durante a manhã, serão discutidas as potencialidades do sector da economia social enquanto empregador e executor das políticas activas de emprego. Uma abordagem que parte do estudo “Empregabilidade na Economia Social: o papel das políticas activas de emprego”, desenvolvido pela Rede Europeia Anti-Pobreza, mas também do trabalho desenvolvido pelo IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional de Aveiro.
Prémio Miguel Portas distingue três projetos de apoio a integração de migrantes
In "RTP"
O Prémio Miguel Portas, que distingue causas humanistas e civilizacionais, foi hoje atribuído a projetos em Viseu, contra a discriminação de imigrantes no interior, na Mouraria, em Lisboa, com guias migrantes, e no Seixal, para integração de jovens ciganas.
A Associação Cultural Miguel Portas, constituída em 2014 por familiares e amigos do político falecido em 2012, instituiu o Prémio Miguel Portas, para "celebrar o seu legado material e imaterial e premiar iniciativas, atividades, obras ou projetos de âmbito cultural, social, artístico ou político que contribuíssem para causas humanistas e civilizacionais" ideais constantes na sua atividade profissional e na intervenção cívica e política.
Os três vencedores do Prémio, com apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian, foram hoje anunciados em Lisboa, e integram-se no tema da edição deste ano - "Entre Pontes e Margens - Migrações".
Promovido pela Associação para o Desenvolvimento Rural de Lafões, o projeto "MUNDIFICAR - Para a Integração de imigrantes na região de Viseu" foi escolhido "pelo modo como trabalha contra a discriminação dos imigrantes numa zona do interior", ao lançar um desafio de abertura ao mundo e de interculturalidade e trabalhar, de forma integrada, com uma diversidade de estruturas e instituições, explica a organização.
Um dos resultados do trabalho foi a criação de uma associação de Imigrantes, outra foi a publicação de um livro de poesia de uma jovem imigrante russa.
As comunidades locais também foram abrangidas, tanto a população como as instituições, e foi promovido o interculturalismo, numa aposta para "combater o preconceito ainda dominante" e contra a discriminação.
O "Mygrantour -- Percursos Interculturais Urbanos", da Associação Renovar a Mouraria, foi igualmente contemplado com o Prémio Miguel Portas, pela proposta apresentada numa zona da cidade de Lisboa com 51 nacionalidades, de realizar Percursos Interculturais Urbanos com guias migrantes.
Com base na nova diversidade de um bairro histórico, realizaram-se ações de formação com crianças e jovens em idade escolar, num esforço de educação intercultural, para as migrações serem encaradas como algo "natural, rico e positivo para qualquer sociedade", refere a organização do Prémio.
Este projeto, com parceria internacional com as Organizações Não Governamentais (ONG) ACRA e Oxfam-Itália e o Instituto Marquês de Valle Flôr, em Portugal, abrangeu Lisboa, Turim, Roma, Milão, Florença, Bolonha, Paris, Marselha e Valência, e foi financiado pela União Europeia.
A Rede Portuguesa de Jovens para a Igualdade entre Mulheres e Homens, com a proposta "EmPoderar -- do sonho à ação", foi igualmente premiada pelo trabalho desenvolvido numa "comunidade substancialmente não integrada, os ciganos", com jovens mulheres, "objeto de múltiplos níveis de discriminação e exclusão", explica a organização.
Numa parceria entre uma associação de jovens mulheres e uma de mulheres ciganas, procura encurtar a distância entre instituições públicas e comunidades ciganas, apostando no diálogo intercultural.
O empoderamento das jovens mulheres ciganas, que no projeto têm entre 18 e 33 anos e são do Seixal, é uma condição essencial para a sua integração no sistema económico formal e a sua empregabilidade é uma ferramenta para a independência económica.
O Prémio Miguel Portas, que distingue causas humanistas e civilizacionais, foi hoje atribuído a projetos em Viseu, contra a discriminação de imigrantes no interior, na Mouraria, em Lisboa, com guias migrantes, e no Seixal, para integração de jovens ciganas.
A Associação Cultural Miguel Portas, constituída em 2014 por familiares e amigos do político falecido em 2012, instituiu o Prémio Miguel Portas, para "celebrar o seu legado material e imaterial e premiar iniciativas, atividades, obras ou projetos de âmbito cultural, social, artístico ou político que contribuíssem para causas humanistas e civilizacionais" ideais constantes na sua atividade profissional e na intervenção cívica e política.
Os três vencedores do Prémio, com apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian, foram hoje anunciados em Lisboa, e integram-se no tema da edição deste ano - "Entre Pontes e Margens - Migrações".
Promovido pela Associação para o Desenvolvimento Rural de Lafões, o projeto "MUNDIFICAR - Para a Integração de imigrantes na região de Viseu" foi escolhido "pelo modo como trabalha contra a discriminação dos imigrantes numa zona do interior", ao lançar um desafio de abertura ao mundo e de interculturalidade e trabalhar, de forma integrada, com uma diversidade de estruturas e instituições, explica a organização.
Um dos resultados do trabalho foi a criação de uma associação de Imigrantes, outra foi a publicação de um livro de poesia de uma jovem imigrante russa.
As comunidades locais também foram abrangidas, tanto a população como as instituições, e foi promovido o interculturalismo, numa aposta para "combater o preconceito ainda dominante" e contra a discriminação.
O "Mygrantour -- Percursos Interculturais Urbanos", da Associação Renovar a Mouraria, foi igualmente contemplado com o Prémio Miguel Portas, pela proposta apresentada numa zona da cidade de Lisboa com 51 nacionalidades, de realizar Percursos Interculturais Urbanos com guias migrantes.
Com base na nova diversidade de um bairro histórico, realizaram-se ações de formação com crianças e jovens em idade escolar, num esforço de educação intercultural, para as migrações serem encaradas como algo "natural, rico e positivo para qualquer sociedade", refere a organização do Prémio.
Este projeto, com parceria internacional com as Organizações Não Governamentais (ONG) ACRA e Oxfam-Itália e o Instituto Marquês de Valle Flôr, em Portugal, abrangeu Lisboa, Turim, Roma, Milão, Florença, Bolonha, Paris, Marselha e Valência, e foi financiado pela União Europeia.
A Rede Portuguesa de Jovens para a Igualdade entre Mulheres e Homens, com a proposta "EmPoderar -- do sonho à ação", foi igualmente premiada pelo trabalho desenvolvido numa "comunidade substancialmente não integrada, os ciganos", com jovens mulheres, "objeto de múltiplos níveis de discriminação e exclusão", explica a organização.
Numa parceria entre uma associação de jovens mulheres e uma de mulheres ciganas, procura encurtar a distância entre instituições públicas e comunidades ciganas, apostando no diálogo intercultural.
O empoderamento das jovens mulheres ciganas, que no projeto têm entre 18 e 33 anos e são do Seixal, é uma condição essencial para a sua integração no sistema económico formal e a sua empregabilidade é uma ferramenta para a independência económica.
Mobilizar contra a indiferença, como pede o Papa
Ângela Roque, in " Renascença"
III Encontro Nacional de Leigos quer mostrar como é possível fazer mais e melhor pela humanidade e pelo planeta. A iniciativa está marcada para dia 7 de Maio, em Évora. Inscrições terminam este sábado.
“Nada nos é indiferente entre a Terra e o Céu” é o tema do III Encontro Nacional de Leigos.
O Jubileu da Misericórdia, que a Igreja está a assinalar, e os desafios deixados pelo Papa na encíclica “Laudato Si” determinaram a escolha do tema, como explica a presidente da Conferência Nacional do Apostolado dos Leigos (CNAL): “este ano temos dois grandes pólos de sinalização, por um lado a proposta de respeito e do cuidado pela Criação que nos é dada pela ‘Laudato Si’, por outro o Ano da Misericórdia. E queremos dizer que ‘nada nos é indiferente’, a começar por nós, por cada homem e cada mulher, e que é possível, para além deste cuidado em relação a tudo o que recebemos, ainda fazer mais e procurar o céu”.
Alexandra Viana Lopes lembra que não ser indiferente “é um apelo permanente do Evangelho, e de toda a Igreja, mas está muito presente no pontificado do Papa Francisco. E é uma grande inspiração de resposta”. E considera fundamental reflectir sobre as propostas deixadas pelo Papa na encíclica “Laudato Si”.
A presidente da CNAL diz que “há propostas da Igreja que nos estimulam, mas há uma realidade toda que pede soluções. Os extremismos de hoje, os da guerra e os da fome, as situações mais gritantes que vemos, com os refugiados” e por outro “a destruição do planeta, e as correntes mais ocidentais de destruição do Homem, onde temos uma lógica de não preservação, de não cuidado, que exigem resposta. E nós achamos que é possível estar na linha da frente de uma resposta positiva”. Essas respostas “que vêm do Evangelho, têm sido protagonizadas nestes dois últimos documentos, quer a ‘Laudato Si’ quer a Bula da Misericórdia”.
Alexandra Viana Lopes tem, por isso, “as maiores expectativas para este encontro”, onde vão ser partilhadas experiências de defesa do meio ambiente, e de luta contra a pobreza, a guerra e a perseguição religiosa. São, no total, 35 conferencistas que vão falar de 24 temas, em nove painéis.
Será António Pinto Leite a moderar o painel principal de abertura, com três convidados. “Ouvir o clamor da Terra e o Clamor dos povos: um olhar a partir da Amazónia” é o tema da primeira intervenção que estará a cargo de Luis Ventura Fernandez: “É uma experiência ligada à natureza e ao respeito pela criação, pelos povos e pela territorialidade, que nos é trazida por este antropólogo que ajudou a criar a rede panamazónica, de protecção da Amazónia nos 9 países que a circundam”, explica Alexandra Viana Lopes.
A segunda intervenção “Proteger os nossos irmãos perseguidos: um testemunho na guerra e no genocídio do Iraque”, será feita por Pascale Warda: “É uma experiência ligada à guerra e às perseguições étnicas e religiosas, e ao genocídio. Pascale Warda foi ministra e é presidente da organização não governamental Hammurabi, de defesa dos direitos humanos no Iraque. É uma mulher extraordinária e que vale a pena ouvir”, diz a presidente da CNAL.
O terceiro conferencista será Joseph Campo: “É um cineasta americano, da Grassroots Films, que trabalha com a gente mais degradada de Nova Iorque, e que criou uma produtora de cinema, que tem tido um trabalho extraordinário”, sublinha Alexandra Viana Lopes. “Encontrar sentido para a vida e libertar da pobreza: uma experiência na cidade de Nova Iorque”, será o tema da sua conferência.
Durante a tarde os participantes no III Encontro de Leigos terão vários ateliers à escolha, quatro relacionados com o “Cuidar da Terra – desenvolver uma Ecologia Integral”, outros quatro relacionados com o Ano Santo que a Igreja está a viver, e que têm o tema geral “Procurar o Céu – cultivar Oásis de Misericórdia”.
Em paralelo a este encontro o documentário “The Human Experience”, da Grassroots Films, dirigido por Joseph Campo, vai ser exibido em Évora já nesta-feira, dia 29 de Abril, na Fundação Eugénio de Almeida, às 21h. Repete segunda-feira, 2 de Maio, no Auditório da Escola Salesiana, à mesma hora.
As inscrições para o III Encontro Nacional de Leigos podem ser feitas até sábado, 30 de Abril, através do site www.cnal.pt
III Encontro Nacional de Leigos quer mostrar como é possível fazer mais e melhor pela humanidade e pelo planeta. A iniciativa está marcada para dia 7 de Maio, em Évora. Inscrições terminam este sábado.
“Nada nos é indiferente entre a Terra e o Céu” é o tema do III Encontro Nacional de Leigos.
O Jubileu da Misericórdia, que a Igreja está a assinalar, e os desafios deixados pelo Papa na encíclica “Laudato Si” determinaram a escolha do tema, como explica a presidente da Conferência Nacional do Apostolado dos Leigos (CNAL): “este ano temos dois grandes pólos de sinalização, por um lado a proposta de respeito e do cuidado pela Criação que nos é dada pela ‘Laudato Si’, por outro o Ano da Misericórdia. E queremos dizer que ‘nada nos é indiferente’, a começar por nós, por cada homem e cada mulher, e que é possível, para além deste cuidado em relação a tudo o que recebemos, ainda fazer mais e procurar o céu”.
Alexandra Viana Lopes lembra que não ser indiferente “é um apelo permanente do Evangelho, e de toda a Igreja, mas está muito presente no pontificado do Papa Francisco. E é uma grande inspiração de resposta”. E considera fundamental reflectir sobre as propostas deixadas pelo Papa na encíclica “Laudato Si”.
A presidente da CNAL diz que “há propostas da Igreja que nos estimulam, mas há uma realidade toda que pede soluções. Os extremismos de hoje, os da guerra e os da fome, as situações mais gritantes que vemos, com os refugiados” e por outro “a destruição do planeta, e as correntes mais ocidentais de destruição do Homem, onde temos uma lógica de não preservação, de não cuidado, que exigem resposta. E nós achamos que é possível estar na linha da frente de uma resposta positiva”. Essas respostas “que vêm do Evangelho, têm sido protagonizadas nestes dois últimos documentos, quer a ‘Laudato Si’ quer a Bula da Misericórdia”.
Alexandra Viana Lopes tem, por isso, “as maiores expectativas para este encontro”, onde vão ser partilhadas experiências de defesa do meio ambiente, e de luta contra a pobreza, a guerra e a perseguição religiosa. São, no total, 35 conferencistas que vão falar de 24 temas, em nove painéis.
Será António Pinto Leite a moderar o painel principal de abertura, com três convidados. “Ouvir o clamor da Terra e o Clamor dos povos: um olhar a partir da Amazónia” é o tema da primeira intervenção que estará a cargo de Luis Ventura Fernandez: “É uma experiência ligada à natureza e ao respeito pela criação, pelos povos e pela territorialidade, que nos é trazida por este antropólogo que ajudou a criar a rede panamazónica, de protecção da Amazónia nos 9 países que a circundam”, explica Alexandra Viana Lopes.
A segunda intervenção “Proteger os nossos irmãos perseguidos: um testemunho na guerra e no genocídio do Iraque”, será feita por Pascale Warda: “É uma experiência ligada à guerra e às perseguições étnicas e religiosas, e ao genocídio. Pascale Warda foi ministra e é presidente da organização não governamental Hammurabi, de defesa dos direitos humanos no Iraque. É uma mulher extraordinária e que vale a pena ouvir”, diz a presidente da CNAL.
O terceiro conferencista será Joseph Campo: “É um cineasta americano, da Grassroots Films, que trabalha com a gente mais degradada de Nova Iorque, e que criou uma produtora de cinema, que tem tido um trabalho extraordinário”, sublinha Alexandra Viana Lopes. “Encontrar sentido para a vida e libertar da pobreza: uma experiência na cidade de Nova Iorque”, será o tema da sua conferência.
Durante a tarde os participantes no III Encontro de Leigos terão vários ateliers à escolha, quatro relacionados com o “Cuidar da Terra – desenvolver uma Ecologia Integral”, outros quatro relacionados com o Ano Santo que a Igreja está a viver, e que têm o tema geral “Procurar o Céu – cultivar Oásis de Misericórdia”.
Em paralelo a este encontro o documentário “The Human Experience”, da Grassroots Films, dirigido por Joseph Campo, vai ser exibido em Évora já nesta-feira, dia 29 de Abril, na Fundação Eugénio de Almeida, às 21h. Repete segunda-feira, 2 de Maio, no Auditório da Escola Salesiana, à mesma hora.
As inscrições para o III Encontro Nacional de Leigos podem ser feitas até sábado, 30 de Abril, através do site www.cnal.pt
Subscrever:
Mensagens (Atom)

