Leonor Paiva Watson, in Jornal de Noticías
Torneios desportivos juntam reclusos, ex-toxicodependentes, sem-abrigo.
Combater a pobreza passa, essencialmente, por qualificar as gerações mais novas; e,ainda, pela tentativa de recuperação de grupos de risco. Assim o faz a Liga para a Inclusão Social, através do desporto, com reclusos, sem-abrigo e/ou ex-toxicodependentes.
Com menos de um ano de existência, esta Liga constituiu-se com o objectivo de, através de jornadas semanais de Futsal, juntar grupos populacionais de/em risco, integrados em várias instituições do distrito do Porto, para promover o seu desenvolvimento pessoal. "A ideia é criarmos, através de uma actividade regular, momentos de sociabilização. É promover proximidades numa primeira fase", avançou o psicólogo Miguel Neves, membro da comissão organizadora.
São essas proximidades - que chegam por uma rotina - que vão disparar o mecanismo de integração social, porque "quando nos conseguimos integrar num pequeno grupo, numa pequena comunidade, mais facilmente será integrarmo-nos na sociedade", explicou. Por outro lado, promove-se a competitividade e a adopção de uma rotina, isto é, a rejeição do sentimento de acomodação. "Obviamente que o que se pretende é uma competitividade balizada, com respeito pelo outro. O que pretendemos é que eles não se acomodem aos apoios externos, queiram fazer coisas e ser melhores do que eram", reiterou.
Transversal e aglutinador
Estes são os sentimentos que irão contribuir, posteriormente, para a reentrada na sociedade activa. "É um projecto transversal porque aborda muitos grupos e áreas, como a reclusão, a precariedade, a saúde mental, e é, ainda, um projecto aglutinador, porque chama outro projectos. Por exemplo, cada jogo nosso tem animação, portanto, contamos com a presença de associações de danças, música, etc.", pormenorizou, acrescentando que os próprios prémios de participação são feitos pelos utentes dos ateliês ocupacionais dos serviços de reabilitação das instituições da Liga..
E, obviamente, há prémios, ou seja, há motivação. "Tem que haver motivação porque este não é um trabalho que se esgote no jogo. Há os treinos e toda uma preparação física e psicológica para a participação. Não raras vezes eles querem desistir e temos que arranjar maneira de os motivar. Temos que ensiná-los a não desistir. ", concluiu aquele psicólogo.