in Diário de Notícias
Evolução da economia informal deverá acelerar nos próximos anos devido à crise, defende o economista João Duque
A economia paralela deverá crescer no futuro próximo como resultado da crise e das medidas que "deveriam ser iguais mas são excepcionais", afirmou o economista João Duque, em declarações à Lusa.
De acordo com uma tese de mestrado de Nuno Gonçalves, da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP.UP), ontem apresentada publicamente, o valor da economia paralela estava estabilizado desde 1994, tendo começado a crescer com os primeiros sinais da crise económica e financeira. O salto mais significativo terá ocorrido na passagem de 2008 para 2009, altura em que atingiu os 24,2% do PIB, o que se traduz em 40 mil milhões de euros.
Segundo a mesma tese, orientada por Óscar Afonso, da FEP.UP, estima-se que o peso da economia não registada (ENR) no PIB oficial em Portugal tenha evoluído de 9,3%, em 1970, para 24,2%, em 2009. Estes cálculos têm em conta a influência da carga fiscal, da carga de regulação e da evolução do mercado de trabalho e, por outro lado, o seu impacto em indicadores monetários, do trabalho e da produção.
Por sectores de actividade, os resultados deste trabalho evidenciam que a economia paralela aumentou na agricultura e nos serviços, para o período entre 1998 e 2009, tendo diminuído na indústria.
Para João Duque, estes dados "corroboram o que é expectável na teoria. Não se trata de uma grande novidade, embora seja importante do ponto de vista da gestão pública e da equidade entre os portugueses". E deixou um alerta: "Não se admirem quando este fenómeno aumentar."
"As pessoas não fazem a menor ideia do dinheiro mal gasto. Não se apercebem da dimensão financeira do aumento de uma frota, por exemplo, mas reparam quando um governante circula com um carro com matrícula recente. E, como é óbvio, tudo isto tem uma componente psicológica que leva as pessoas a pensar que a economia paralela é justificável", considera o economista.