in Terras do Vale do Sousa
O psicólogo criminal Carlos Poiares considera que a crise surge como uma oportunidade de desconstruir a "fábrica de mitologias" que associa o crescendo de pobreza ao aumento da criminalidade.
"A crise gera níveis de exclusão social e pobreza, todavia isso não significa que haja uma ligação direta e causal com o aumento da criminalidade", afirmou à Lusa o especialista em direito e psicologia criminal.
Para Carlos Poiares, na atualidade "ainda tentamos identificar tudo o que é crime com as pessoas desfavorecidas, ainda estamos um pouco nas competências do século XIX, considerando que o crime vem dos bairros problemáticos, das escolas frequentadas por miúdos problemáticos".
Algum desse crime virá, mas - sublinha o psicólogo criminal - "também vem de gente muito bem integrada, que quando vai aos centros comerciais até rouba".
Poiares citou ainda o caso do banqueiro Madoff, que "não ficou pobre com a crise, aliás, enriqueceu a provocá-la, cometendo uma série de crimes".
Por isso, "há que desconstruir uma série de mitos e tentar perceber as coisas, o que só se faz através da investigação e do estudo", preconizou.
"Em vez de criarmos uma fábrica de mitologias, temos de estudar as coisas e tentar compreendê-las. E a oportunidade neste momento é o estudo em cenário real", sublinhou ainda o especialista.
Carlos Poiares citou como exemplo de ideias feitas que são destruídas pela investigação o caso da severidade das penas judiciais aplicadas em Portugal.
A opinião pública defende, em geral, que as penas são brandas mas as primeiras indicações de um estudo da Faculdade de Psicologia da Universidade Lusófona, onde Poiares leciona, revelam que, afinal, a severidade das penas é média.

