Por: José Furtado, in Jornal Reconquista
A associação criada em Castelo Branco já trabalha nas duas maiores cidades do país, respondendo aos muitos pedidos de ajuda que tem recebido.
Nasceu em Castelo Branco, cresceu em Lisboa e chega agora à cidade invicta. O Porto é a nova aposta da Associação Cristã de Acolhimento Milénio, um projecto de luta contra a exclusão social que começou em 1999 nos Maxiais, a poucos quilómetros da cidade de Castelo Branco. A razão da expansão do Projecto Milenium é afinal uma oportunidade criada pela crise.
“Na cidade e no distrito já não encontrávamos resposta para ajudar essas pessoas, tendo em conta que grande parte da nossa ajuda provém dos trabalhos que fazemos em mudanças, limpezas de jardins e venda de móveis”, explica Carlos Anjos, fundador e director da associação.
Lisboa foi o primeiro destino desta migração, já lá vão três anos. O Projecto Milenium tem hoje lojas na capital, mas também nos arredores, em localidades como a Brandoa, Reboleira ou Queluz. A estas junta-se a nova loja do Porto e as mais antigas, que funcionam em Alcains e Castelo Branco, neste último caso junto à rotunda dos três globos. Em qualquer uma delas é possível comprar objectos em segunda mão, com destaque para os móveis doados pelas pessoas, que os utentes da associação recolhem e reciclam fazendo a revenda a preços mais acessíveis.
“As pessoas têm coisas que não precisam, doam à associação e nós tentamos restaurar (…) acabamos por ajudar com essas peças outras pessoas que não têm possibilidade de comprar coisas novas”, explica Carlos Anjos. Além disso o restauro e a recolha de peças também serve de ocupação para as pessoas que pedem apoio à associação.
O Projecto Milenium, diz o director, “não é uma casa de repouso (…) a terapia é essencialmente ocupacional para que elas possam ganhar amor-próprio fazendo qualquer coisa”. Em Alcains há mesmo formação no restauro de móveis antigos, “para no futuro terem uma outra perspectiva de vida e de trabalho”, explica Carlos Anjos.
Às lojas e aos trabalhos de restauro juntam-se outros serviços, como as mudanças e transportes, serviços de capinagem e limpeza de espaços comerciais e de fábricas. O dinheiro angariado com estes serviços ajuda o Projecto Milenium a cumprir o objectivo essencial que passa por acolher pessoas “que necessitam de apoio, de um prato de comida ou de um tecto”, diz o director. Só refeições são servidas três por dia a cerca de 50 pessoas que dependem do projecto, que apesar do trabalho feito não conta com apoio financeiro por parte do Estado.
O trabalho com os toxicodependentes foi um rótulo que se colou à associação, mas os responsáveis dizem que o Projecto Milenium é muito mais do que isso, ajudando pessoas com problemas de alcoolismo, sem abrigo ou que simplesmente tenham sido atingidas pelo desemprego.

