Por Isabel Arriaga e Cunha, Bruxelas, in Público on-line
Durão Barroso sempre defendeu a necessidade de manter a União Europeia (UE) coesa e unida mas tem-no feito com maior firmeza porque “vê, com a actual situação, desenharem-se ameaças no horizonte”, afirmou a sua porta-voz, Pia Ahrenkilde-Hansen.
A porta-voz referia-se ao actual debate sobre a criação de uma Europa a duas velocidades em torno de uma zona euro fortemente integrada que poderá deixar para trás os restantes países da UE, ou mesmo de uma zona euro mais pequena que a actual, limitada aos países estruturalmente mais próximos da Alemanha.
Aludindo a um discurso proferido ontem em Berlim, no qual Barroso defendeu a preservação do projecto e alertou para os riscos que resultariam da sua implosão, a mesma porta-voz afirmou que “não é a primeira vez que o presidente defende o interesse da Europa”, tem-no feito “desde o primeiro dia do seu primeiro mandato” na Comissão Europeia.
Mas, sublinhou, “se ele o faz agora com mais força é porque vê, com a actual situação, desenharem-se ameaças no horizonte e considera que tem o dever de lembrar o que está em causa e os riscos que corremos se não defendermos como ele a nossa União e a coerência e a coesão interna (...) e a unidade do nosso projecto europeu”.
Barroso afirmou no discurso da véspera que se “se a zona euro ou a UE se desfizerem, os custos foram estimados até 50% do PIB numa fase inicial”. Por seu lado, se a zona euro encolhesse para um pequeno grupo de países”, a Alemanha sofreria uma contracção de 3% do PIB e perderia um milhão de empregos, frisou, citando, segundo a Comissão, um estudo da seguradora alemã Allianz.
Segundo Pia Ahrenkilde-Hansen, este discurso do presidente da Comissão insere-se no contexto dos debates dos líderes europeus durante as últimas cimeiras de crise. Fora isso, sublinhou, “não tenho outros factos específicos ou informações” provenientes da França, Alemanha ou outros países.