in Público on-line
O sociólogo António Barreto considera que Portugal precisa “de um Governo de unidade nacional como de pão para a boca”, considerando que “desde há dois anos que se justifica um Governo de maioria de, pelo menos, três partidos”.
"Falhámos duas oportunidades de construir um Governo de unidade nacional e de ampla aliança. Falhámos a oportunidade de aprovar um orçamento de unidade nacional”, disse no debate promovido pela Câmara do Porto, que juntou o secretário-geral da CGTP Carvalho da Silva, e o conselheiro de Estado Vítor Bento.
Na sua intervenção, o sociólogo defendeu que “enfrentar a crise implica capacidade para construir o equilíbrio entre austeridade e Estado Social, ponderar a austeridade com as reformas estruturais e sociais, contenção e desenvolvimento". António Barreto lembrou que a crise é portuguesa e também europeia e internacional, apontando o dedo à União Europeia (UE), que considerou “uma fonte inesgotável de frustração, desapontamento e recriminação”, criticando a falta de solidariedade.
“[A UE] resume-se aos interesses da Alemanha e da França”, afirmou, realçando que os dois países “procuram exercer o seu poder e a sua potência, através da UE”.
No debate “As Finanças Públicas e o Estado Social num mundo globalizado”, no âmbito do ciclo Grandes Debates do Regime da Câmara Municipal de Porto, o ex-ministro defendeu que “o Estado Social vai ser afectado e não pode ser de outra maneira”, referindo que “com equidade, com sentido de reforma e de justiça social, é possível emagrecer o Estado Social, mantendo algumas caraterísticas que lhe permitam sobreviver na sua função primordial”.
Barreto disse estar convencido de que “não será possível manter a universalidade absoluta nem a gratuidade”, ressalvando que “é possível emagrecer o Estado Social mantendo algumas caraterísticas”. “O Estado Social será diminuído, pelo menos, durante uns anos. É possível fazer isso com muito cuidado, estudo e informação a fim de evitar os cortes a eito. É possível, em vez de cortar a eito, procurar fazê-lo de acordo com métodos de avaliação da situação social e económica das pessoas”, declarou o também presidente do conselho de administração da Fundação Manuel dos Santos.

