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6.7.23

Primeiro dia de greve dos médicos com adesão de 90% a nível nacional, segundo o sindicato

Estimativa é da Federação Nacional dos Médicos, que convocou a greve. “A adesão de facto foi mesmo muito elevada, superior ao que aconteceu em Março, o que demonstra o descontentamento dos médicos”.

O primeiro dos dois dias de greve dos médicos registou uma adesão de cerca de 90% a nível nacional, afectando cirurgias programadas e consultas externas, adiantou esta quarta-feira o sindicato que convocou a paralisação.

"A adesão de facto foi mesmo muito elevada, superior ao que aconteceu em Março, o que demonstra o descontentamento dos médicos", adiantou à agência Lusa a presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fnam).


Segundo Joana Bordalo e Sá, a adesão à greve "rondou os 90% a nível nacional", sendo mais elevada nos blocos operatórios, em que "95% pararam" relativamente à actividade programada, realizando apenas cirurgias de urgência.

"Os serviços mínimos foram cumpridos escrupulosamente e não houve qualquer tipo de problema", garantiu ainda a dirigente sindical, ao avançar que também aderiam ao protesto "praticamente 100%" dos médicos internos, ficando a trabalhar hoje apenas os que estavam de urgência.

Relativamente aos cuidados de saúde primários, a dirigente da Fnam adiantou que nas unidades de saúde familiar a "adesão foi muito elevada", chegando mesmo a "rondar os 100%".

Quanto ao Hospital de Santa Maria, o maior do país, os dados da federação sindical indicam uma adesão de 80% na consulta externa, com os "blocos operatórios parados", apenas funcionando os blocos de urgência.

Os médicos iniciaram às 00:00 de hoje dois dias de greve para exigir, de acordo com a Fnam, "salários dignos, horários justos e condições de trabalho capazes de garantir um Serviço Nacional de Saúde à altura das necessidades" da população.

Apesar de as duas últimas reuniões negociais com o Ministério da Saúde estarem agendadas para 07 e 11 de Julho, a federação decidiu manter a paralisação, que se estende até às 24:00 de quinta-feira, face "ao adiar constante das soluções" e "à proposta insatisfatória" que recebeu do Governo, não excluindo uma nova greve nacional na primeira semana de Agosto.

Esta é a segunda greve convocada pela Fnam este ano, depois da paralisação realizada no início de Março para exigir a valorização da carreira e das tabelas salariais, mas que não contou com o apoio do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), que se demarcou do protesto por considerar que não se justificava enquanto decorriam negociações com o Governo.

Após ter terminado o prazo inicialmente previsto para as negociações no final de Junho, na semana passada o SIM anunciou também uma greve nacional para 25, 26 e 27 de julho em protesto contra "a incapacidade" do Governo em "apresentar uma grelha salarial condigna".
 






26.6.13

“Compreendo as razões da greve, mas infelizmente não posso”

Natália Faria, in Público on-line

Barómetro sobre a adesão à greve geral, na estação de metro da Trindade, no Porto: os trabalhadores estão solidários com a greve mas não vão aderir. Argumento número um: não vai mudar nada. Número dois: a crise não é compatível com a perda de um dia de salário.

Estação de metro da Trindade, no Porto, 8h45 da manhã desta quarta-feira. “Se vou fazer greve? Gostava, mas trabalho num instituto com poucas pessoas, cujo trabalho depende de mim. E os recursos são muito limitados, mesmo sem perder um dia de salário”, despacha Marco Cunha, 26 anos.

Está a caminho de mais um dia de trabalho, ainda segura na mão um dos panfletos que os responsáveis do Sindicato de Hotelaria do Norte (SHN) estão a entregar em mãos às pessoas que a esta hora desaguam no centro do Porto. Entre indicadores a apontar a porta da rua ao Governo, nos papéis de formato A5 destaca-se que a luta é de todos os trabalhadores. Que é contra os despedimentos e a precariedade. Contra a redução do número de feriados e do valor do trabalho extraordinário, contra o aumento do horário de trabalho e contra a redução do poder de compra.

“Motivos não faltam”, concorda António Sylva, 26 anos, trabalhador a prazo num call center. “O problema é que trabalho para clientes franceses e eles não estão em greve”. E, além disso, “quem anda a trabalhar com contratos de dois ou três meses, sujeita-se”. E António está “na expectativa de passar a definitivo”. Alguns transeuntes depois, eis Ana Maria, 56 anos, com argumentos semelhantes: “Compreendo as razões da greve, mas infelizmente não posso”. Porquê? “Trabalho num consultório médico, sou funcionária única, e tenho a certeza que o meu patrão não ia aceitar. Ele é contra as greves”.

Longe de ser contra os protestos, Rosa Pinto, uma empregada de limpeza de 50 anos, também diz que não vai aderir. “Acho que as greves já não adiantam nada, são pacíficas demais e a única coisa que os trabalhadores conseguem com isso é perder um dia de salário”. Assim, a não ser que a greve dos transportes a deixe sem ter como se deslocar, vai trabalhar. “Do que eu gostava era de ver as pessoas na rua, mais revoltadas. Como se vê no Brasil”. Não é que seja a favor da violência. “Mas acho que assim éramos capazes de conseguir alguma coisa”.

Segue Rosa Pinto e surge Ana Correia. Tem 38 anos, trabalha numa clínica médica e também vai dizer não à greve. “Não é com greves, não é deixando de trabalhar, que se vai resolver alguma coisa”. Então como? “Era mudar aquele Parlamento todo. Deitar aquilo tudo abaixo”, despacha.

Acho que as greves já não adiantam nada, são pacíficas demais e a única coisa que os trabalhadores conseguem com isso é perder um dia de salário
Rosa Pinto, 50 anos
Pudesse este inquérito à porta da estação ser usado como barómetro da paralisação que se quer geral e o prognóstico seria: total falhanço no esforço mobilizador dos sindicatos. Mas não pode. Porque, como sustenta Francisco Figueiredo, da direcção do SHN, “as pessoas que entram a esta hora ao trabalho são dos serviços e do pequeno comércio, ou seja, têm uma relação directa e pessoal com o patrão”. Não é difícil perceber que nestas empresas “o medo instalado” se traduza numa recusa do protesto. “Já nos grandes hotéis, detidos por multinacionais, e nos refeitórios e cantinas dos hospitais, é fácil apontar locais onde a adesão será próxima dos 100 por cento”, assevera Francisco Figueiredo. Exemplos? “O Hospital Pedro Hispano”, responde outra sindicalista.

No plenário que a partir das 9h mobilizou cerca de 70 trabalhadores das Águas de Gaia é difícil prever qual será a adesão à greve. Eduardo Ferreira, do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local, brada que a greve não é só por causa dos horários. “É por uma organização do trabalho que nos permita continuar a ser gente!”. Entre a assistência, a revolta parece ser denominador comum. Mas depois há a perda de um dia de salário. Depois há a sensação de que nada vai mudar com mais uma greve. Ouçamos António Castro Bessa, 54 anos de vida e 43 de serviço. Trabalha e desconta desde os 11 anos e está longe de poder sonhar com a reforma. “Olho para os funcionários judiciais, para os bancários, para os políticos e sinto-me revoltado”, desabafa. É sindicalizado, já fez graves. Várias. Desta vez não decidiu ainda. “Nas lutas perde-se e ganha-se, mas eu sinto que só tenho perdido. Nunca ganhei tão pouco dinheiro como agora”.

Por isso também é que perder 40 ou 50 euros no salário faz diferença nas somas e subtracções mensais do orçamento doméstico. “Os sindicatos chamam-nos para a luta mas depois quem suporta os prejuízos são os trabalhadores. Por que é que aquilo que a gente desconta para o sindicato não é usado para dar uma ajuda aos trabalhadores que fazem greve?. Nem que fosse 20 ou 25 euros. Sempre seria uma ajuda”. É isso, mas também é o medo instalado de se perder o pouco que se tem, sobre o qual tantos sociólogos e pensadores têm teorizado e que António Castro Bessa ilustra desta maneira: “Dantes, se uma pessoa soubesse trabalhar, os patrões obrigavam-na a ir trabalhar, mesmo na greve. Agora até brincam com a gente. Dizem ‘se não vieres tu, vem outro”.

23.5.13

Reclusos vão ficar 12 dias sem contacto com o exterior por causa de greve dos guardas

Mariana Oliveira, in Púlbico on-line

Passam a maior parte do dia confinados à cela. Não podem trabalhar, nem frequentar qualquer formação. Estão sem visitas, sem correspondência e sem possibilidade de telefonar à família.

É assim que está a viver a maioria dos 14 mil reclusos detidos nos estabelecimentos prisionais portugueses por causa de greve dos guardas prisionais.

São 12 dias em que não terão qualquer contacto com o exterior, o que só acontecerá se houver alguma urgência de saúde ou familiar, como o falecimento de alguém próximo. A greve começou anteontem e termina a 2 de Junho.

O alerta é feito por uma ex-reclusa que abandonou o estabelecimento prisional de Santa Cruz do Bispo, em Matosinhos, na passada sexta-feira. “Comprometi-me a denunciar esta situação cá fora”, explica a inspectora da Polícia Judiciária Ana Saltão, que esteve presa preventivamente até à semana passada, por suspeitas de envolvimento no assassinato da avó do marido.

A ex-reclusa conta que estava na cadeia em Abril, quando os guardas prisionais estiveram 7 dias consecutivos de greve e sentiu na pele a restrição de direitos que considera fundamentais.

“ Estávamos fechadas 22 horas por dia, só saiamos para as refeições e para estar uma hora no recreio”, relata.
“Neste momento todos os reclusos que se encontram presos neste país estão a passar graves privações. Existem mães que estão presas e que, neste momento, por causa da greve, não conseguem, sequer, falar com os seus filhos menores que esperam pelo telefonema diário das suas mães”, escreveu a inspectora numa carta enviada aos órgãos de comunicação social.

Ontem o PÚBLICO confirmou com várias fontes que trabalham dentro das cadeias esta realidade. Alguns profissionais, que pediram o anonimato, dizem-se preocupados com a tensão que se vive nas cadeias e que tende a agravar até ao final da paralisação. É que apesar dos bares das cadeias já estarem fechados, muitas das máquinas automáticas ainda permitem aos reclusos tomar café ou comprar cigarros. Mas isso irá acabar em breve, porque até 2 de Junho os funcionários das empresas que abastecem estes equipamentos estão impedidos de entrar nas cadeias.

Os reclusos estão impedidos de trabalhar dentro e fora das cadeias, o que já levou várias empresas que empregam detidos a manifestar junto dos serviços prisionais a necessidade de integrar esta situação nos serviços mínimos face aos prejuízos irreparáveis que estão a ter.

O director-geral dos serviços prisionais, Rui Sá Gomes, admite que a situação é “preocupante” do ponto de vista da reinserção, mas diz que determinou os serviços mínimos de acordo com o que têm sido as decisões do colégio arbitral, composto por três magistrados, que funciona sempre que há divergências com o sindicato.

“Todas as situações urgentes estão acauteladas”, sustenta. Admite, contudo, que em alguns aspectos as decisões arbitrais “não têm sido equilibradas”, o que o levou a recorrer da última para os tribunais. Ainda aguarda resposta.

O presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, José Alves, diz-se consciente das implicações que a greve tem para os reclusos e diz que nenhum guarda é insensível a esta realidade

“Quem sente a pressão nas cadeias somos nós”, rebate o sindicalista, que realça que a associação já desconvocou greves e tem escolhidas formas de lutas que não prejudiquem tanto os reclusos, como a greve a tempo parcial que fizeram este mês. José Alves diz que o sindicato foi levado para a greve pelo Governo que, o ano passado, esteve sete meses a discutir o estatuto sócio-profissional dos guardas e este ano voltou a querer discutir tudo a partir do zero.

“No ano passado, fomos todas as sexta-feiras a Lisboa entre Janeiro e a primeira semana de Agosto discutir o estatuto com o anterior chefe de gabinete da ministra da Justiça”, precisa. “No final do ano, fomos mandados para o Ministério das Finanças, para a Secretaria de Estado da Administração Pública, dirigida por Helder Rosalino. Pensávamos que íamos discutir só questões de pormenor e com implicações financeiras, mas quiseram discutir tudo do zero. Sentimos que estão a querer enganar-nos”, realça.