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22.2.21

Países mais ricos já acumularam mais mil milhões de vacinas do que as que vão precisar

in Público on-line

As nações mais ricas já conseguiram assegurar três mil milhões de vacinas, o suficiente para toda a população com duas doses. O excedente seria suficiente para “vacinar a totalidade da população adulta de África”.

Os países ricos vão ter mais de mil milhões de doses de vacinas contra a covid-19 do que aquelas que vão precisar para a sua população, deixando as nações mais pobres a lutar por restos. É o retrato traçado num relatório de activistas antipobreza publicado esta sexta-feira.

Numa análise aos actuais acordos de fornecimento de vacinas anticovid-19, a ONE Campaign sublinha que os países ricos, tais como os Estados Unidos e o Reino Unido, deveriam partilhar as doses que compraram a mais para apoiar uma resposta global à pandemia.

“Estas doses em excesso são suficientes para vacinar a totalidade da população adulta de África”, lê-se na análise.

A organização não-governamental, que luta contra a pobreza e doenças evitáveis, diz que, se isso não acontecer, vai negar-se a protecção essencial contra o SARS-CoV-2 (que causa a doença covid-19) a milhares de milhões de pessoas, algo que tem o potencial de prolongar a pandemia.

O relatório analisou os contratos já assinados com as cinco principais farmacêuticas detrás das vacinas contra a covid-19: Pfizer/BioNTech, Moderna, Universidade de Oxford/AstraZeneca, Johnson & Johnson e Novavax. E concluiu que, até à data, os EUA, a União Europeia (que inclui os 27 Estados-membros), o Reino Unido, a Austrália, o Canadá e o Japão já asseguraram mais de 3 mil milhões de doses — mais mil milhões de vacinas do que aquelas que precisavam para vacinar as suas populações com as duas doses necessárias.

Acumular aumenta risco de novas variantes

“Este excedente enorme é a personificação do nacionalismo das vacinas”, disse Jenny Ottenhoff, directora da One Campaign para políticas públicas. Afirma, ainda que é “necessário que se corrija o rumo” da vacinação se quisermos “proteger milhares de milhões de pessoas em todo o mundo”.

“Os líderes das nações ricas não estão a fazer nenhum favor aos seus próprios cidadãos nem ao resto do mundo se acumularem vacinas. Se o vírus puder prosperar em qualquer parte do mundo, o risco de novas variantes aumenta, e é apenas uma questão de tempo até que surjam estirpes que minem as vacinas e ferramentas que foram desenvolvidas para combater a covid-19”, continua.

A análise concluiu que, juntamente com as entregas das vacinas adquiridas através do plano global Covax e outros acordos bilaterais, as doses que os países ricos compraram em excesso contribuiriam em muito para proteger as pessoas mais vulneráveis nos países mais pobres.

Isto reduziria significativamente o risco de mortes causadas pela covid-19 e limitaria as hipóteses de surgimento de novas variantes de vírus, acelerando o fim da pandemia.

A Organização Mundial de Saúde instou na quinta-feira as nações que já compraram vacinas a doarem-nas ao Covax (em vez de as doarem a nações específicas, de forma unilateral) para assegurar a equidade.


10.12.20

Países ricos estão a açambarcar vacinas, países pobres só garantem doses para uma em cada 10 pessoas

Ana Kotowicz, in o Observador

Nações mais ricas compraram vacinas em número suficiente para vacinar três vezes a sua população. Em contrapartida, em 67 países mais pobres apenas 1 em 10 pessoas poderá ser vacinada.

O fosso é enorme. Se as economias mais sólidas estão a encomendar doses de vacinas suficientes para vacinar três vezes a sua população contra a Covid-19, há 67 países onde os medicamentos disponíveis só garantem a vacinação de uma em cada dez pessoas. As contas são da People’s Vaccine Alliance e indicam ainda que mais de metade das vacinas (53%) estão encomendadas pelas nações mais ricas do planeta, as mesmas que representam apenas 14% da população mundial.

Entre os países que só garantem a vacinação de uma em cada dez pessoas estão o Quénia, Myanmar, Nigéria, Paquistão e Ucrânia, que juntas têm quase 1,5 milhão de contágios acumulados.

É por isso que People’s Vaccine Alliance, uma rede de organizações onde se inclui a Amnistia Internacional, a Oxfam e a Global Justice Now, entre outros, fala em “açambarcamento” de vacinas. O Canadá, por exemplo, garantiu já doses suficientes para vacinar 5 vezes cada um dos seus cidadãos.

Em Portugal, os números revelados na semana passada pela ministra da Saúde apontam para a compra de 22 milhões de vacinas para uma população de cerca de 10 milhões de habitantes, num investimento que rondará os 200 milhões de euros.

As vacinas mais promissoras contra o vírus que provoca a Covid-19 obrigam a mais do que uma toma.

27.10.20

Países ricos devem quase 5 mil milhões de euros em ajuda aos países pobres

in JN

Os países ricos devem 5,7 mil milhões de dólares (cerca de 4,8 mil milhões de euros) em ajuda internacional aos países pobres por nos últimos 50 anos terem falhado o compromisso de destinar 0,7% do seu rendimento nacional a este fim, estima a ​​​​​​​Oxfam.

Os cálculos da organização Oxfam Internacional constam do relatório "Fifty Years of Broken Promises" (Cinquenta anos de promessas falhadas, em tradução livre), publicado para marcar o 50.º aniversário do compromisso internacional sobre a ajuda pública ao desenvolvimento, assinalado no sábado.

O documento analisa o impacto das contribuições internacionais na melhoria do bem-estar das populações dos países de baixo e médio rendimento e destaca que as promessas não cumpridas dos doadores de atribuir a estes países 0,7% do seu Rendimento Nacional Bruto (RNB) "têm limitado o potencial da ajuda para reduzir a pobreza e a desigualdade".

Em 2019, as nações mais ricas gastaram apenas 0,3% do seu RNB em ajuda internacional e apenas cinco países - Luxemburgo, Noruega, Suécia, Dinamarca, e Reino Unido - atingiram ou ultrapassaram a meta de 0,7%.

A Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD) de Portugal caiu 5,4% nesse ano relativamente a 2018, a segunda maior quebra entre 11 países, situando-se nos 373 milhões de dólares (cerca de 350 milhões de euros), valor que representa apenas 0,16% do Rendimento Nacional Bruto.

A Oxfam calcula, por isso, que os países mais ricos "têm uma dívida de 5,7 mil milhões de dólares (4,8 mil milhões de euros) para com as pessoas mais pobres do mundo", um valor "nove vezes maior do que o 'stock' de dívida externa dos países da África Subsaariana no final de 2019.

"A ajuda internacional é um instrumento crítico na luta contra a pobreza e a desigualdade, mas a maioria dos governos ricos tem vindo a faltar sistematicamente aos seus compromissos de ajuda há décadas", afirmou José María Vera, diretor-executivo interino da Oxfam International.

"Esta dívida é paga pelos 260 milhões de crianças que estão fora da escola, pela metade da humanidade que não tem acesso a serviços de saúde essenciais e pelos dois mil milhões de pessoas que não têm o suficiente para comer", acrescentou.

A organização alertou que a crise económica provocada pela pandemia de covid-19 irá aumentar a necessidade de ajuda, mas deverá resultar também numa redução das doações por parte dos países ricos, tornando a mobilização de recursos financeiros pelos países pobres "muito mais difícil".

A pandemia poderá empurrar mais 200 a 500 milhões de pessoas para a pobreza, estima a Oxfam, assinalando que apenas 28% dos 10,19 mil milhões de dólares (cerca de 8,6 mil milhões de euros) que as Nações Unidas pediram para ajudar os países pobres a enfrentar a crise foram conseguidos até à data.

"A pandemia do coronavírus significa que a ajuda internacional nunca foi tão importante ou esteve mais em risco", assinalou Vera.

O relatório destaca, por outro lado, "papel crucial" da ajuda internacional no combate à pobreza e às desigualdades nos últimos 50 anos, nomeadamente nas áreas da saúde e da educação.


De acordo com os dados recolhidos pela Oxfam, os programas de saúde apoiados pelo Fundo Global de Luta contra a SIDA, Tuberculose e Malária salvaram mais de 27 milhões de vidas desde 2000, enquanto a Iniciativa Global para a Erradicação da Poliomielite tem mobilizado fundos para vacinar milhões de crianças, tendo contribuído para salvar 18 milhões de crianças da paralisia e erradicando a doença em muitas partes do mundo.

Na educação, 34 milhões de crianças tiveram a oportunidade de ir à escola em resultado do pacote de ajuda acordado no Fórum Mundial de Educação de Dacar de 2000, enquanto o Fundo de Educação da Sociedade Civil apoiou iniciativas em 60 países para defender melhores políticas e mais recursos para a educação.

A ajuda internacional financia ainda todos os programas de proteção social em sete países da África subsaariana.

O relatório salienta também que uma proporção significativa da ajuda não cumpre as normas internacionalmente reconhecidas em matéria de eficácia, sendo frequentemente utilizada para apoiar os interesses nacionais ou comerciais dos países doadores.

Em 2016, os doadores atribuíram 51% dos contratos de ajuda que reportam à OCDE às suas próprias empresas nacionais e apenas 7% aos fornecedores dos países de rendimento baixo e médio, refere-se no documento.


A Oxfam aponta, em termos comparativos, que a riqueza do homem mais rico do mundo (185,6 mil milhões de dólares em outubro de 2020) é maior do que a soma de todos os orçamentos de ajuda internacional (152,8 mil milhões de dólares em 2019).

Segundo as contas da Oxfam, se os países ricos cumprissem os seus compromissos haveria 4,8 biliões de dólares (cerca de 4 biliões de euros) adicionais necessários entre 2019-2030 para cumprir os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas nos 59 países de mais baixo rendimento do mundo.

"Num mundo onde um homem, Jeff Bezos (presidente da Amazon), vale mais do que a soma de todos os orçamentos de ajuda internacional, não há dúvida de que os governos podem e devem fazer mais para cumprir as suas promessas de ajuda", sustentou José María Vera.