Rui Serapicos, in Correio do Minho
Duas idosas que vivem lado a lado, à saída de Amares, na freguesia de Dornelas, numa encosta com o Vale do Cávado ao fundo, estão a ficar com as casas renovadas por acção da Associação Humanitária Habitat.
O trabalho é feito por voluntários que vieram dos Estados Unidos. Uns reformados, outros, uma médica, uma enfermeira, um professor e um engenheiro informático, em férias, dizem ao 'CM' que procuram a satisfação de servir os outros e conhecer novas paisagens.
Aquela intervenção, nas casas das duas idosas vizinhas, foi decidida em simultâneo por uma questão de logística, explica-nos José Cruz Pinto, o presidente da Habitat.
Paulo Ferreira Pinto, um jovem arquitecto nascido em Braga que tem relações familiares com José Cruz Pinto, ele própeio ex-voluntário, faz o acompanhamento técnico da obra. Assume que está no projecto a título remunerado, mas confessa que “é incrível o retorno” dado pelas pessoas para quem trabalhamos.
“É um privilégio para além do dinheiro”, acentua.
“Gosto da paisagem!”
Daniel Rice, 28 anos, um engenheiro informático, está pela terceira vez em Portugal a desempenhar voluntariado.
“Gosto muito da paisagem!”, afirma, apontado ao fundo as encostas que sustentam o leito ao Cávado.
A Câmara Municipal de Amares identificou os casos e pagou parte dos projectos. Uma unidade hoteleira de Braga, a Albergaria da Sé, disponibiliza os alojamentos dos voluntários a preços acessíveis.
Os materiais foram of erecidos por empresas de construção da região, como os empreiteiros Casais e Eusébios.
Ontem, em agradecimento pela beneficiação das habitações, os voluntários fora brindados com um almoço de arroz “pica no chão”.
Pelo menos uma das voluntárias deverá ter procurado alternativa, já que é vegetariana.
Peter e Denise: Casal faz voluntariado desde a ‘lua-de-mel’
Peter Taylor, 62 anos, e Denise, 61 anos, ambos reformados, vieram do Colorado para ajudar a requalificar habitações em Dornelas — Amares.
Em 2004, quando se casaram ambos em segundo matrimónio, foram passar a ‘lua-de-mel’, a fazer voluntariado, no Brasil.
Essa experiência reforçou a capacidade de Peter para falar um português de acento quase perfeito, embora com léxico reduzido.
“Pedro”, como se apresenta, fazendo a tradução do próprio nome, já nos Estados Unidos lidava com a língua de Camões mas por escrito — em traduções que fazia por necessidade profissional, enquanto trabalhador de seguro social.
Porquê o voluntariado?, perguntamos. “Porque somos todos humanos”, responde, acrescentando que “trabalho com um sentido de grande satisfação por ajudar os outros”.
Denise, a esposa, confessa a dificuldade com a alimentação: “vocês comem muita carne e eu sou vegetariana”.
Sobre o trabalho voluntário, diz acreditar que “cada vez mais os homens, os países e as organizações hão-de trabalhar juntos”.