8.11.11

Bancos têm obrigação de não induzir o endividamento

in Diário de Notícias

As instituições financeiras têm a obrigação de não induzir o endividamento, disse hoje o governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa.

"Gostaria de apelar às instituições financeiras para que exerçam uma pedagogia activa, que informem o cidadão de que é fácil obter crédito, mas é difícil reembolsá-lo", disse Carlos Costa durante a sessão de apresentação dos resultados definitivos do Inquérito à Literacia Financeira da População Portuguesa 2010, em Lisboa.

"Há despesas que, pela sua natureza, não devem ser financiadas a crédito. Não se pode financiar o consumo de hoje com a poupança de amanhã", acrescentou o governador do BdP, notando que as instituições financeiras têm uma "obrigação" de incentivar uma "utilização responsável do crédito".

"O sobreendividamento começa por ser um drama pessoal, depois transforma-se num drama social, que tem necessariamente repercussões", inclusivamente para os bancos, que correm o risco de ficar com créditos incobráveis.

Carlos Costa notou que uma das conclusões do inquérito é que "as instituições financeiras são os conselheiros do cidadão" em termos de poupança e investimento. Ou seja, a principal fonte de conselhos financeiros dos cidadãos são os funcionários dos balcões das agências bancários.

"Temos de assegurar, do ponto de vista ético, que [os bancários] no balcão encontram o equilíbrio adequado entre o interesse da instituição, que é vender, e do cidadão, que é manter-se solvente. O interesse da instituição, a prazo, também é que o cidadão se mantenha solvente", declarou o governador do BdP.

Carlos Costa acrescentou ainda que a confiança dos portugueses no sistema bancário é "das maiores na Europa", e que esse é um "activo" que a banca deve "preservar com grande cuidado".