Destak/Lusa, in Destak.pt
Um ano depois de perder as pernas ao serviço do New York Times no Afeganistão, o fotojornalista de origem portuguesa João Silva concluiu domingo a Maratona de Nova Iorque em cadeira de rodas.
"Senti-me bem. Sou um corredor por natureza. Queria correr", disse o fotojornalista natural de Lisboa ao diário norte-americano após a corrida de 42 quilómetros, que fez com uma cadeira de rodas adaptada a bicicleta com pedais de mão.
Silva, que se notabilizou na África do Sul, pisou uma mina anti-pessoal a 23 de Outubro de 2010, quando acompanhava uma patrulha norte-americana no Afeganistão, depois de os especialistas terem dado o terreno onde se encontravam como desminado.
Os médicos norte-americanos fizeram várias operações aos membros inferiores, amputados, de forma a prepará-los para as próteses, bem como no abdómen e bexiga, órgãos que sofreram ferimentos graves provocados pelos estilhaços.
Em Nova Iorque, Silva concluiu a maratona em duas horas e 38 minutos, em 52.º lugar da sua categoria, mesmo com quase nenhum treino, uma vez que foi submetido a uma operação cirúrgica há poucas semanas.
"Treinei alguma coisa, mas não tanto quanto deveria. Estava a contar [em concluir a corrida em] três horas e meia", adiantou o fotojornalista, que foi corredor de motas, mas nunca tinha feito provas de atletismo.
Silva fez em Setembro o seu primeiro trabalho para o New York Times, depois do acidente no Afeganistão, recorrendo a próteses.
Foi na Casa Branca, onde agradeceu pessoalmente ao presidente Barack Obama pelo tratamento recebido nos Estados Unidos.
Obama quis receber o fotojornalista, que já tinha sido visitado pela primeira dama Michelle Obama em Maio no hospital militar Walter Reed, em Washington.
A Obama, Silva entregou uma cópia do livro que publicou em 2000 em co-autoria com Greg Marinovich, "O Clube Bang-Bang", recentemente passado a filme.
Na quinta feira, Silva visitou o edifício do New York Times, onde prometeu tirar fotografias durante toda a prova.
Mas hoje, depois de atravessar a ponte de Staten Island até Brooklyn, na fase inicial, desistiu da máquina porque "se fosse tirar mais fotografias nunca iria concluir a corrida".
Silva chegou à recta da meta junto com a vencedora da prova feminina, Firehiwot Dado, cuja categoria partiu mais tarde de Staten Island.
Ao terminar, Silva colocou as próteses, tomou um café e fumou um cigarro, antes de ir almoçar, refere o Times.
Mas o "maior desafio de toda a vida", disse, é voltar à fotografia a tempo inteiro, adiantou.
O fotojornalista residia em Joanesburgo desde muito novo e notabilizou-se na África do Sul, tendo posteriormente trabalhado para a Reuters e AP em vários teatros de guerra.

