9.11.11

Daniel Bessa defende redução equitativa de todos os rendimentos

Por Lusa, in Público on-line

O economista Daniel Bessa considera que Portugal deve “encarar com mais frontalidade a necessidade de uma desvalorização da sua economia”, defendendo “uma redução por igual de todos os rendimentos”.

“Acredito que o embaratecimento da economia portuguesa pudesse dar um contributo significativo” para Portugal sair da actual situação económico-financeira, afirmou o economista hoje de manhã, no âmbito da 5.ª conferência “PME convida PME”, promovida pela revista Exame e Banco Popular.

Segundo Daniel Bessa, esta crise “é uma questão europeia” e é “um grande problema que não está a ser resolvido da melhor maneira”. Em todas as economias europeias que estão em dificuldade “os preços subiram muito e, portanto, perderam competitividade”, sendo necessário “tomar consciência do problema” e, por exemplo, “acordar-se um corte geral de todos os rendimentos, como salários, pensões e rendas, na ordem dos sete, oito, 10 por cento, para toda a gente, por igual, de uma forma assumida”. Afirmando que tal medida, em Portugal, “parece difícil de fazer”, Bessa salientou contudo que “em relação aos funcionários públicos isso já foi feito”.

Para Daniel Bessa, a “equidade em Portugal já se perdeu há muito” e “parecia mais igual” se o Governo tivesse optado por tomar “uma medida de redução por igual de todos os rendimentos”. “Esta medida tomada [de cortar subsídios aos funcionários públicos] não tem nada a ver com equidade”, criticou, acrescentando que a decisão de aumentar em meia hora por dia o horário de trabalho no sector privado “é uma medida de efeito equivalente”, que “não é tão pouco quanto isso”. Isto significa “dizer às empresas que por cada 100 trabalhadores que tinham, têm agora 107 e pagam o mesmo, o que é uma forma de baixar os custos”.

Questionado se a população estará preparada para enfrentar cortes sobre os rendimentos como referiu, Bessa respondeu aos jornalistas que “os portugueses têm uma capacidade de sofrimento e uma generosidade enormes”. Salientou, no entanto, que os portugueses “gostam de ser bem informados e gostam que a coisa seja bem feita, com transparência e equidade”.

Sem ter certezas sobre qual o caminho ideal para sair da crise, o economista afirmou que a “única coisa” que sabe é que “o Estado não pode gastar tudo o que gasta”. “Não tenho nada contra o Serviço Nacional de Saúde, contra o ensino público e os transportes públicos, mas o que sei é que tudo junto não tem condições de ser pago”, salientou, lembrando que o plano governamental para o sector dos transportes mostra já como estes “vão deixar de ser públicos”.