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«A maioria dos países em que se diz que há escassez de água é uma escassez económica. Existe água, não existe é um sistema de gestão e de organização para se poder providenciar essa água às populações», disse Catarina Fonseca, do IRC (International Water and Sanitation Centre ou Centro Internacional para a Água e Saneamento), onde é diretora do WASHCost.
Catarina Fonseca falava à agência Lusa a propósito da Conferência sobre Políticas Públicas da Água (COPPA), que se realiza hoje em Lisboa e na qual vai participar.
«Há uma mudança quanto a quem tem acesso a água e saneamento. Até há 10 ou 20 anos quem não tinha acesso eram os pobres em países subdesenvolvidos», referiu.
Porém, actualmente, «há graus de pobreza muito elevados em países de pobreza média e em zonas urbanas, e não só em países africanos muito pobres ou asiáticos», especificou a especialista, acrescentando ainda que também nas grandes cidades de países desenvolvidos se verifica esta tendência, que se tem vindo a acentuar nos últimos cinco anos.
Segundo Catarina Fonseca, desde 2010 passou a haver mais pessoas a morar em espaços urbanos do que em áreas rurais, aumentando a concentração demográfica, o que acentua o problema da gestão dos recursos hídricos e do saneamento.
Quanto à influência das alterações climáticas na água, a responsável da WASHCost salientou que «têm estado sempre presentes ao longo da história e para o desenvolvimento de cenários [futuros] são importantes, mas menos importantes» do que outros aspectos.
«Nos próximos cinco a 10 anos é preciso ter os mecanismos para conseguir começar já a resolver alguns destes problemas e que, a longo prazo, estes mecanismos possam também ser usados para que as alterações climáticas não provoquem mudanças tão dramáticas nos serviços às populações», acrescentou.

