7.11.11

Se Portugal sair atravessará "período de pobreza"

in Diário de Notícias

O sociólogo António Barreto defendeu hoje que se Portugal sair da União Europeia atravessará "um longuíssimo período de pobreza".

António Barreto foi hoje um dos intervenientes da IV Conferência Internacional do Funchal, organizada pela respetiva Câmara Municipal.

Apesar de não ser favorável ao actual modelo europeu que, afirmou, "não prestou suficiente atenção aos cidadãos", António Barreto espera, no entanto, que Portugal continue na União Europeia: "Se Portugal sai da União Europeia e das suas relações privilegiadas com os países europeus, creio que nos esperam um longuíssimo período de pobreza, de isolamento e, talvez, de menor liberdade", vaticinou.

Ao dissertar sobre "Um rumo para Portugal", António Barreto lembrou que "um rumo para um país não é coisa para um homem só, é coisa para um povo".

Neste contexto, defendeu "um clima de maior confiança entre os seus dirigentes e os cidadãos e, sobretudo, de informação, de discussão e de debate".

"Traçar esse rumo para um país depende dos dirigentes mas depende também da participação do povo. Sem isso corremos o risco de existir novos desastres", alerta chamando a atenção de haver "falta de informação" sobre o que se passa a nível económico e financeiro na Europa.

"A maior parte desses problemas são praticamente inacessíveis, não há uma tradução permanente para a população saber exatamente o que está em causa e poder participar", insistiu.

"O futuro depende de cada um de nós, das nossas decisões de todos os dias" e, por isso, apelou "aos dirigentes políticos e económicos para se desdobrarem em informação à população para que a população, sabendo mais, possa continuar, sem receio, do futuro e ter um estímulo em participar".

Disse ainda ter sido "sempre" favorável à Europa e à União Europeia mas não "à atual" União Europeia. "Entendo que a atual União Europeia foi longe demais, não prestou suficiente atenção aos cidadãos, acreditou no mito de que havia uma cidadania europeia, não há cidadania europeia, as sociedades, os povos não estão suficientemente ligados uns aos outros", considerou.

"Nos próximos anos vamos refazer ou repensar a União Europeia noutros moldes, conforme está não dura muito tempo", concluiu.

A IV Conferência Internacional do Funchal termina sábado e tem este ano a participação de António Barreto, Serge Latouche, Júlio Machado Vaz, Gilles Lipovetsky e Viriato Soromenho-Marques.