16.2.10

Banco da criança espera apoios

João Pedro Campos*, *com Lusa, in Jornal de Notícias

A Associação de Defesa e Apoio da Vida, em Coimbra, está à procura de apoios para criar um Banco da Maternidade e da Criança, para apoiar grávidas e bebés. A associação só tem dinheiro para pagar a renda de um dos seus espaços até ao final de Março.

A ideia de criar um Banco da Maternidade e da Criança já existe no seio da instituição há seis anos, e de há um ano para cá o projecto tem sido apresentado a instituições e na página da ADAV na Internet. "É uma ideia nossa, mas é provável que outras instituições já se tenham inspirado nela", conta ao JN a presidente da ADAV, Ana Maria Ramalheira.

Para a responsável não é preciso muito dinheiro para pôr o projecto em prática. "Preciso que me paguem uma renda, um ordenado para ter alguém a tempo inteiro e um mínimo para as despesas correntes (luz, água e comunicações), o que não é muito", assegura, lembrando as cerca de 20 voluntárias que a associação tem, na maioria reformadas, "e que já seriam uma mais-valia".

Sedeada no rés-do-chão da Rua Lourenço Almeida Azevedo (antes de chegar à Praça da República, no centro de Coimbra), a ADAV alugou recentemente a cave do edifício, mas Ana Maria Ramalheira refere não conseguir manter o espaço até ao final de Março, por não ter dinheiro para pagar a renda. "Nem durmo, porque não tenho garantias que vou ficar com aquele espaço", conta.

À espera de respostas

O Banco da Maternidade e da Criança tem uma estrutura inspirada no Banco Alimentar Contra a Fome e seria, para Ana Maria Ramalheira, "uma resposta social inovadora e alternativa no distrito no âmbito do atendimento e acompanhamento social da maternidade e da infância" e "um importante instrumento de combate à pobreza e exclusão social". A ideia foi já apresentada à Segurança Social e à Câmara Municipal de Coimbra. "A Segurança Social de Coimbra mostrou toda a receptividade em apoiar este projecto, mas ainda não deu uma resposta definitiva. A autarquia também já recebeu o projecto mas ainda não respondeu", afirma a presidente, que lembra no entanto que em Fevereiro (início do ano) as instituições podem estar a organizar-se, o que poderá levar a uma demora na resposta. Foram contactadas outras entidades, como a Fundação Montepio (que já havia cedido o donativo para o aluguer da cave), e Ana Maria Ramalheira apela à responsabilidade social dos empresários de Coimbra, que entende poderem dar um grande apoio na concretização do projecto. "Parece-me uma iniciativa muito importante, que nos permitiria gerir todos os bens que nos dão", considera.

Uma década a apoiar crianças

Fundada em 1999, a ADAV dedica-se a "apoiar mulheres grávidas e puérperas em dificuldades, bem como as respectivas famílias, ajudando-as, num trabalho em rede de índole vária, a superar qualquer obstáculo que ameace comprometer o direito a uma maternidade/paternidade digna, segura e responsável". No último ano, de Janeiro a Agosto, o gabinete de apoio social da associação acompanhou 248 famílias e 392 crianças.