in Jornal de Notícias
A diretora do Fundo Monetário Internacional alertou para um aumento das tensões sociais nos países em que os processos de ajustamento sejam percecionados como "injustos" e afirmou que a crise provocou uma economia global a "três velocidades".
"A questão não é o processo de ajustamento em si, porque as pessoas entendem que não podem viver acima das suas possibilidades de forma indefinida, mas porque sentem o peso das injustiças do processo de ajustamento", afirmou a diretora do FMI, Chistine Lagarde, durante uma conferência de imprensa em Nova Iorque.
Lagarde recordou que o desemprego continua a ser uma das grandes tarefas pendentes, e afirmou que é preciso não só compartilhar a dor dos processos de ajustamento, mas também os benefícios do crescimento.
"Não há uma solução mágica, mas o mais urgente é proteger os mais afetados pela crise, para que o ajustamento seja o mais justo possível", afirmou a diretora do FMI, que defendeu ainda a proteção dos serviços sociais básicos e o combate à evasão fiscal.
Durante a conferência, que antecede a Reunião de Primavera do FMI, que começa na próxima semana em Washington, Lagarde avançou algumas das propostas da instituição para deixar para trás uma economia global a três velocidades.
"A economia mundial já não parece tão perigosa como há seis meses", afirmou a responsável máxima do FMI, que advertiu, no entanto, que aos velhos riscos ainda por enfrentar se juntam agora outros.
Para Lagarde, a economia mundial divide-se em países em desenvolvimento, "que se estão a portar bem", os Estados Unidos e outros países que se encontram "em vias de recuperação" e a zona euro e o Japão, "que ainda têm um caminho a percorrer".
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11.4.13
18.2.13
Draghi admite ser necessário “mitigar efeitos” do ajustamento em países como Portugal
in iOnline
O presidente do Banco Central Europeu (BCE) disse hoje em Bruxelas concordar que é necessário encontrar formas de “mitigar” os efeitos do ajustamento em países como Portugal, mas sem comprometer os esforços de consolidação já realizados e que devem prosseguir.
Participando num debate na comissão de Assuntos Económicos do Parlamento Europeu, Mario Draghi respondia à eurodeputada socialista Elisa Ferreira, que perguntou ao líder do BCE se não concordava que deveriam ser melhorados os processos de ajustamento impostos a países como Portugal, “que seguiu à risca as recomendações da ‘troika’”, que o BCE integra, mas depara-se com níveis de recessão e desemprego acima do previsto.
Draghi respondeu que, de facto, a grande preocupação atualmente é contrariar os efeitos negativos dos processos de ajustamento, mas defendendo ser necessário que os Estados-membros prossigam a consolidação orçamental, “sobretudo aqueles com dívida muito elevada”, já que quanto maior o desequilíbrio, “mais necessária é a consolidação”.
Por isso, segundo Mario Draghi, importa encontrar uma forma de “mitigar os efeitos da consolidação orçamental, mas sem adiar o ajustamento”.
Ainda em resposta a Elisa Ferreira, que voltou a pedir a palavra para perguntar ao presidente do BCE se não concorda que deve ser tida em conta a situação específica de cada país e o ambiente generalizado de recessão na Europa, Draghi sustentou que tal já é feito, pois os processos de consolidação “são feitos à medida de cada país", que "não há um modelo idêntico para todos”, mas insistiu que não pode ser esquecida a vertende de combate ao desequilíbrio das contas públicas.
O presidente do Banco Central Europeu (BCE) disse hoje em Bruxelas concordar que é necessário encontrar formas de “mitigar” os efeitos do ajustamento em países como Portugal, mas sem comprometer os esforços de consolidação já realizados e que devem prosseguir.
Participando num debate na comissão de Assuntos Económicos do Parlamento Europeu, Mario Draghi respondia à eurodeputada socialista Elisa Ferreira, que perguntou ao líder do BCE se não concordava que deveriam ser melhorados os processos de ajustamento impostos a países como Portugal, “que seguiu à risca as recomendações da ‘troika’”, que o BCE integra, mas depara-se com níveis de recessão e desemprego acima do previsto.
Draghi respondeu que, de facto, a grande preocupação atualmente é contrariar os efeitos negativos dos processos de ajustamento, mas defendendo ser necessário que os Estados-membros prossigam a consolidação orçamental, “sobretudo aqueles com dívida muito elevada”, já que quanto maior o desequilíbrio, “mais necessária é a consolidação”.
Por isso, segundo Mario Draghi, importa encontrar uma forma de “mitigar os efeitos da consolidação orçamental, mas sem adiar o ajustamento”.
Ainda em resposta a Elisa Ferreira, que voltou a pedir a palavra para perguntar ao presidente do BCE se não concorda que deve ser tida em conta a situação específica de cada país e o ambiente generalizado de recessão na Europa, Draghi sustentou que tal já é feito, pois os processos de consolidação “são feitos à medida de cada país", que "não há um modelo idêntico para todos”, mas insistiu que não pode ser esquecida a vertende de combate ao desequilíbrio das contas públicas.
16.1.13
Carta aberta junta médicos de quatro países contra austeridade na saúde
Andrea Cunha Freitas, in Público on-line
Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda são os quatro países signatários do documento, que foi remetido “aos dirigentes políticos e às autoridades de saúde da Europa”.
Um movimento “internacional inédito”, apresentado nesta terça-feira em Lisboa pelo bastonário da Ordem dos Médicos (OM), José Manuel Silva, junta profissionais de saúde de quatro países num apelo a uma “rápida revisão” das medidas de austeridade para “urgentemente evitar mais deterioração da saúde e dos serviços de saúde”.
Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda subscrevem a carta aberta endereçada aos “dirigentes políticos e às autoridades de saúde da Europa”. O ministro da Saúde, Paulo Macedo, já reagiu à tomada de posição comum, admitindo que é inevitável que a crise tenha um “impacto real na saúde”.
“É claríssimo que uma crise com esta dimensão, aumentando o desemprego e o conjunto de pessoas com dificuldades financeiras, tem um impacto real na saúde dos portugueses. Temos, por isso, de ter a certeza de que a resposta em termos de cuidados primários é real e adequada, daí estarmos a reforçar esses cuidados, também na parte de saúde pública, com a vacinação de grupos de risco contra a gripe, e na área da saúde mental”, comentou o ministro, em declarações à agência Lusa.
E acrescentou: “Perante a crise, o que nós temos de ver é como é que lhe fazemos face, quais as áreas prioritárias para actuar; não necessitamos que nenhum grupo internacional nos venha dizer isto”.
O documento divulgado esta terça-feira denuncia que “os serviços públicos têm sido privados das verbas necessárias para desempenhos adequados, ao mesmo tempo que aumentam as necessidades em saúde na comunidade”.
“Eis o que está a acontecer: extenso e profundo sofrimento humano – um número crescente de situações que desafiam as mais básicas e éticas noções de dignidade humana”, defendem os subscritores do documento que, em Portugal, conta com o apoio do bastonário da OM, dos ex-ministros Maria de Belém Roseira e Paulo Mendo, dos investigadores Ana Escoval, Constantino Sakellarides e Henrique Barros, do especialista em cuidados primários Vítor Ramos, do ex-presidente do Infarmed Aranda da Silva e da enfermeira Maria Augusta Sousa.
A estes especialistas portugueses juntam-se outros dos restantes países envolvidos neste movimento e que constatam que as decisões económicas e financeiras tomadas recentemente tiveram implicações, entre as quais uma “diminuição de acesso a serviços de saúde apropriados”, “baixa da auto-estima, depressão e suicídio”, “susceptibilidade acrescida a doenças transmissíveis” e “aumento de comportamentos de risco, tanto em termos de dependências como em relação aos factores de risco de doenças crónicas”.
“Podemos aceitar piorar ainda? Onde está o traço vermelho além do qual não é aceitável ir? As decisões que estão a ser tomadas atravessam essa linha?”, disse esta terça-feira Constantino Sakellarides durante a conferência de imprensa na sede da OM em Lisboa que serviu para apresentar o documento.
Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda são os quatro países signatários do documento, que foi remetido “aos dirigentes políticos e às autoridades de saúde da Europa”.
Um movimento “internacional inédito”, apresentado nesta terça-feira em Lisboa pelo bastonário da Ordem dos Médicos (OM), José Manuel Silva, junta profissionais de saúde de quatro países num apelo a uma “rápida revisão” das medidas de austeridade para “urgentemente evitar mais deterioração da saúde e dos serviços de saúde”.
Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda subscrevem a carta aberta endereçada aos “dirigentes políticos e às autoridades de saúde da Europa”. O ministro da Saúde, Paulo Macedo, já reagiu à tomada de posição comum, admitindo que é inevitável que a crise tenha um “impacto real na saúde”.
“É claríssimo que uma crise com esta dimensão, aumentando o desemprego e o conjunto de pessoas com dificuldades financeiras, tem um impacto real na saúde dos portugueses. Temos, por isso, de ter a certeza de que a resposta em termos de cuidados primários é real e adequada, daí estarmos a reforçar esses cuidados, também na parte de saúde pública, com a vacinação de grupos de risco contra a gripe, e na área da saúde mental”, comentou o ministro, em declarações à agência Lusa.
E acrescentou: “Perante a crise, o que nós temos de ver é como é que lhe fazemos face, quais as áreas prioritárias para actuar; não necessitamos que nenhum grupo internacional nos venha dizer isto”.
O documento divulgado esta terça-feira denuncia que “os serviços públicos têm sido privados das verbas necessárias para desempenhos adequados, ao mesmo tempo que aumentam as necessidades em saúde na comunidade”.
“Eis o que está a acontecer: extenso e profundo sofrimento humano – um número crescente de situações que desafiam as mais básicas e éticas noções de dignidade humana”, defendem os subscritores do documento que, em Portugal, conta com o apoio do bastonário da OM, dos ex-ministros Maria de Belém Roseira e Paulo Mendo, dos investigadores Ana Escoval, Constantino Sakellarides e Henrique Barros, do especialista em cuidados primários Vítor Ramos, do ex-presidente do Infarmed Aranda da Silva e da enfermeira Maria Augusta Sousa.
A estes especialistas portugueses juntam-se outros dos restantes países envolvidos neste movimento e que constatam que as decisões económicas e financeiras tomadas recentemente tiveram implicações, entre as quais uma “diminuição de acesso a serviços de saúde apropriados”, “baixa da auto-estima, depressão e suicídio”, “susceptibilidade acrescida a doenças transmissíveis” e “aumento de comportamentos de risco, tanto em termos de dependências como em relação aos factores de risco de doenças crónicas”.
“Podemos aceitar piorar ainda? Onde está o traço vermelho além do qual não é aceitável ir? As decisões que estão a ser tomadas atravessam essa linha?”, disse esta terça-feira Constantino Sakellarides durante a conferência de imprensa na sede da OM em Lisboa que serviu para apresentar o documento.
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