José Manuel Alves, in as Beiras Online
O DIÁRIO AS BEIRAS fez uma ronda pelas associações dos bairros de Castelo Branco e verificou que existem vários focos de pobreza. Os dirigentes reconhecem o problema.
André Carvalho, presidente da Associação do Bairro do Cansado, reconhece que este fenómeno há muitas décadas que se vem observando na cidade. Para colmatar esta situação, o dirigente, recorda que há cerca de dois anos, a colectividade estabeleceu um protocolo de colaboração com o Banco Alimentar Contra a Fome. "Todos os meses, a associação distribui géneros alimentícios a dez famílias carenciadas", revela.
Para André Carvalho, a situação no bairro agravou-se com o encerramento de uma fábrica de confecções que ali laborava, causando o desemprego a várias famílias, entre casais que trabalhavam na unidade fabril. "Com o encerramento desta indústria, as famílias que dela dependiam, começaram a atravessar bastantes dificuldades, factor que veio a agravar a situação de pobreza no bairro", sublinha, lembrando, a propósito, ter conhecimento de que a Segurança Social e, possivelmente, a Santa Casa da Misericórdia têm vindo a distribuir, com regularidade, refeições a alguns idosos, assim como a prestar cuidados de higiene e saúde.
César Amaro, presidente da Associação do Bairro da Boa Esperança, admite não ter conhecimento de casos de pobreza linear. "Não tenho conhecimento de pessoas que estejam a viver no limite da pobreza, embora haja gente que vive com bastantes dificuldades, pela falta de trabalho. Temos acompanhado discretamente esta situação, para evitar alguns melindres que possam surgir, já que se trata de pessoas com dificuldades em dar a conhecer a sua pobreza, embora ainda possa haver gente que demonstra a realidade", reconhece o dirigente.
Já Joaquim Neto, presidente da Associação do Bairro do Valongo, desconhece casos de pobreza extrema no bairro, salvo "algumas famílias" que vivem com dificuldades.
Para António Nascimento, presidente da Associação do Bairro da Carapalha, a pobreza "encoberta" dificulta a acção interventiva da colectividade. "Não temos intervido, porque as pessoas não dão a conhecer a sua situação. Sabemos que há alguns casos de carência, mas talvez por vergonha, não se dirigem à associação", sublinha.
A concluir, o presidente da Associação "As Palmeiras", David Jacinto, desconhece que possam existir focos de pobreza extrema no bairro. "Desconheço que aqui residam pessoas que estejam em situação de pobreza extrema. Efectivamente, temos gente com dificuldades económicas, fruto do desemprego e outros por terem agregados familiares numerosos".