6.3.07

Há mais violência doméstica no Norte

Hugo Silva, in Jornal de Notícias

O Instituto de Medicina Legal do Porto analisou, durante o ano passado, 870 situações relacionadas com violência doméstica. PSP e GNR registaram, entre 2000 e 2005, 89 mil queixas. Em 2005, tal como em 2001, o Porto foi um dos três distritos onde se registaram mais casos. Em Viseu e Setúbal, o fenómeno também atingiu dimensões alarmantes. As mulheres continuam a ser a maioria das vítimas. E é no Norte que mais casos se verificam. Estes e outros dados de alerta podem ser conferidos na exposição de sensibilização que a Câmara de Maia inaugurou, ontem à tarde, e que se prolonga até sexta-feira.

Na Praça de José Vieira de Carvalho, em frente aos Paços do Concelho, foram colocadas 21 figuras em madeira, "correspondendo a mulheres agredidas e vítimas de violência doméstica". Cada uma das figuras (e o número, garante a organização, foi escolhido de forma aleatória, não existindo qualquer simbolismo) ostenta informação sobre a matéria. A instalação resulta de um trabalho do Departamento de Desenvolvimento Social da autarquia, por solicitação efectuada pelo Conselho da Europa e transmitida pela Associação Nacional dos Municípios Portugueses.

"A violência doméstica é um fenómeno preocupante, que tem aumentado significativamente, e o Norte é a zona do país onde se regista maior incidência. Queremos alertar as pessoas, para que todos estejam conscientes da realidade desta questão", sublinhou Bragança Fernandes, presidente da Câmara da Maia.

50 queixas por dia

Os números divulgados pelo JN, em Outubro do passado, confirmam a necessidade de atenção o número de queixas de violência doméstica aumentou 17% em 2005, relativamente ao ano anterior. No total, foram formalizadas 18 192 queixas, na PSP e na GNR, à razão de 50 por dia. O aumento, acompanhado por idêntica subida nos casos recebidos pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, reflecte que as campanhas de sensibilização para a denúncia estão a ter efeito. Mas muitas situações continuarão escondidas entre as quatro paredes de casa.

"A violência continua a ser entendida como uma forma das pessoas se imporem", sublinhou Luísa Costa, do Departamento de Acção Social da Câmara, onde também chegam situações do género. "Fazemos o encaminhamento para as estruturas de apoio que existem", explicou a responsável.