in Jornal Público
Probabilidade média de um aluno chumbarno secundário é de 75 por cento
O cálculo não deve ser visto em termos absolutos, mas constitui mais um indicador que, em conjunto com as elevadas taxas de retenção e as taxas brutas de escolarização, demonstra a ineficiência do sistema de ensino. Em média, a probabilidade de um aluno concluir o ensino básico sem chumbos é de apenas 27 por cento. No caso do ensino secundário, a probabilidade de o terminar nos três anos que compõem este ciclo de estudos cai para os 25 por cento.
Este último valor é particularmente preocupante, uma vez que se trata de um nível de ensino bastante mais curto em comparação com os nove anos do básico. Este é um dos indicadores compilados no âmbito do debate nacional promovido pelo CNE e que demonstra um dos paradoxos do sistema, na opinião de Rui Santos, coordenador deste estudo.
"Temos um sistema que, em termos de avaliação dos resultados a posteriori, aparece como pouco exigente - os desempenhos dos alunos portugueses são fracos nos estudos internacionais como o PISA [Program for International Students Assessment], por exemplo. Mas apresenta taxas de transição baixas e que têm vindo a piorar", assinala Rui Santos. "É como se a exigência estivesse deslocada e que, em vez de se centrar nas questões básicas, pede-se o que não é mais importante." I.L.