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27.3.23

Instituto de Apoio à Criança dá apoio a vítimas de abusos há 40 anos

in RTP

A Fundadora do Instituto de Apoio à Criança, Manuela Eanes, lembra que a instituição dá apoio a menores vítimas de abuso há já quarenta anos.

Sublinha também que o problema tem maior expressão no contexto familiar.

17.2.16

"Esta mãe precisaria de ajuda terapêutica"

in Diário de Notícias

Polícias, bombeiros e o INEM, junto ao corpo de uma das crianças que caíram ao rio Tejo junto a Caxias

Entrevista a Rui Abrunhosa Gonçalves, psicólogo especializado em psicologia da justiça

O que pode levar uma mãe a tentar matar os filhos e a suicidar-se?

Não se sabe ainda tudo sobre este caso, mas o que pode dizer-se em abstrato sobre este tipo de situações, em que uma mãe ou um pai tentam matar-se a si próprios e aos filhos, é que elas se integram num quadro chamado homicídio por compaixão. Essas pessoas estão de tal forma perturbadas que pensam que só dessa forma podem poupar os filhos a uma situação de abandono ou de violência, por exemplo. Essa é a sua interpretação da realidade, as pessoas não têm capacidade para vislumbrar uma saída que não seja a pior de todas. Isso mostra que estão num estado de grande perturbação psicológica.

De que tipo de perturbação estamos a falar?

Estamos a falar de um estado emocional perturbado, mas também pode haver uma patologia instalada, como uma depressão, ou outro tipo de patologia psiquiátrica.

Não havendo patologia, que tipo de perturbação emocional pode conduzir a uma situação destas?

Pode haver uma depressão reativa temporária, em relação a uma situação de divórcio, por exemplo. Nessas situações pode haver comportamentos muito desajustados. No caso dessa senhora estamos a falar de alguém que precisaria de uma ajuda terapêutica. Quando estas pessoas não são ajudadas em tempo útil o desfecho pode ser este.

Como se previnem estas situações?

Na minha opinião, sempre que há uma situação de divórcio e menores envolvidos, e independentemente de o processo ser amigável, as famílias devem ser sempre encaminhadas para acompanhamento terapêutico. Neste caso ainda era mais problemático, porque havia queixas de violência, que podem até não ser verdadeiras. Importa agora saber o que estava a ser feito no acompanhamento desta família, sobretudo estando envolvidas crianças tão pequenas.

5.5.13

Papa pede coragem na defesa das crianças e pessoas que sofrem por abusos

in RR

Num encontro com dezenas de milhares de membros de irmandades e confrarias católicas, Francisco elogiou também as manifestações populares da fé.

O Papa Francisco dirigiu este domingo no Vaticano a sua solidariedade a todo os que “sofreram e sofrem” devidos a casos de abuso.

“Esta é uma ocasião para dirigir o meu pensamento a quantos sofreram e sofrem por causa dos abusos. Gostaria de assegurar-lhes que estão presentes na minha oração, mas gostaria também de dizer com força que todos devemos empenhar-nos com clareza e coragem para que cada pessoa humana - especialmente as crianças, que são dos mais vulneráveis - seja sempre defendida e tutelada”, exortou o Papa, após a recitação da oração do Regina Coeli, na Praça de São Pedro.

Num encontro com dezenas de milhares de membros de irmandades e confrarias católicas, inserido no Ano da Fé, o Papa Francisco elogiou as manifestações populares da fé.

“A piedade popular é uma estrada que leva ao essencial, se for vivida na Igreja em profunda comunhão com os vossos Pastores. Amados irmãos e irmãs, a Igreja ama-vos!”

“Sede uma presença activa na comunidade: células vivas, pedras vivas. Os bispos latino-americanos escreveram que a piedade popular, de que sois expressão, é ‘uma maneira legítima de viver a fé, um modo de se sentir parte da Igreja’. Amai a Igreja! Deixai-vos guiar por ela! Nas paróquias, nas dioceses, sede um verdadeiro pulmão de fé e de vida cristã”, defendeu.

Durante a missa que celebrou para as confraternidades, Francisco lembrou ainda a importância da simplicidade e da relação com Deus. “Ao longo dos séculos, as Irmandades têm sido uma forja de santidade para muitas pessoas, que viveram com simplicidade uma relação intensa com o Senhor.”

“Caminhai decididamente para a santidade; não vos contenteis com uma vida cristã medíocre, mas a vossa pertença sirva de estímulo, a começar por vós mesmos, para amar mais a Jesus Cristo”, concluiu.

17.1.13

Castigos e exposição a discussões dos pais são principais abusos às crianças

in Jornal de Notícias

O castigo físico, como a simples bofetada ou o abanão, a exposição às discussões dos pais e o visionamento de imagens violentas na televisão são os principais abusos de que sofrem as crianças em Portugal.

Uma bofetada dada a uma criança deixa uma marca "psicológica para sempre" e que o gesto violento pode mesmo "matar", alerta Teresa Magalhães, diretora da Delegação Norte do Instituto Nacional de Medicina Legal.

"Bater nas crianças pode ser muito negativo para o normal desenvolvimento delas", defendeu a especialista, recordando que os resultados são "prejuízos a nível psicológico", como "baixa autoestima", "diminuição do rendimento escolar", "maus relacionamentos escolares", "comportamentos desviantes" e "mais consumo de substâncias".

O abanão do bebé ou de crianças até aos três anos é outro castigo físico que pode provocar a morte de crianças e um facto cada vez mais identificado nos serviços de saúde em Portugal, alertou Teresa Magalhães, a coordenar o Congresso sobre o Abuso e Negligência de Crianças.

"No último ano, dois anos, os serviços de saúde portugueses estão cada vez mais atentos a estas situações [do abanão das crianças] e começam a chamar muito mais a Medicina Legal e a referenciar muito mais os casos", assegura aquela médica, explicando que as fraturas ósseas e os traumatismos torácicos, abdominais e cranianos que passavam desapercebidos agora começam a ser referenciados.

Uma segunda forma de violência de que as crianças portuguesas mais padecem é a "exposição às discussões entre pais", que para além de provocar um "trauma eterno" e de as transformar em adultos com "muitas raivas", pode também provocar lesões ou mesmo a morte, avisou aquela médica.

Teresa Magalhães recorda o caso de um pai que atirou "três filhas pela janela fora de um segundo andar" e afirma que dos 21% de casos de mulheres mortas num contexto de violência doméstica, havia crianças a assistir, algumas delas sofreram lesões e nalguns casos foram mortas.

A terceira forma de abuso das crianças que vai ser abordado no congresso "Abuso e Negligência de Crianças" e que é talvez a "mais frequente" é a "exposição a imagens violentas", designadamente através de filmes, desenhos animados ou telejornais, e que vai transformar as crianças em "adultos violentos".

"Quando fazemos estudos sobre jovens relativamente à violência, ficamos assustados ao ver quanto eles banalizam a violência e que acham normal aqueles comportamentos", conta a especialista, acrescentando que também há cada vez mais violência no namoro de estudantes universitários.

As crianças podem ser vítimas de abuso psicológico, físico, emocional, sexual, negligência, trabalho, mendicidade, mutilação genital, entre outros.

O principal objetivo do congresso que arranca na próxima sexta-feira, no Porto, é partilhar conhecimentos multidisciplinares e interdisciplinares na área do abuso e negligência de crianças focando a abordagem na ideia da permissividade da sociedade para com muitos dos comportamentos abusivos no nosso país.