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20.4.22

90% dos empréstimos do FMI impõem austeridade aos países pobres

Alberto Teixeira, in Ecoonline

Oxfam alerta que austeridade exigida pelo FMI aos países em desenvolvimento como contrapartida dos empréstimos vai aumentar a pobreza, fome e desigualdade.

Cerca de 90% dos empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) relacionados com a Covid-19 exigem que os países em desenvolvimento adotem medidas de austeridade que vão aumentar a fome, a pobreza e a desigualdade, alerta a Oxfam. Esta organização de combate à pobreza pede que o fundo suspenda estas exigências, quando todo o mundo assiste a um aumento do custo de vida, com a subida dos preços da energia e dos alimentos.

Em 13 dos 15 programas de empréstimo do FMI que foram negociados durante o segundo ano da pandemia, os países em desenvolvimento tiveram de implementar medidas como aumentos de impostos sobre alimentos e combustíveis ou cortes na despesa pública que podem colocar em risco serviços públicos essenciais, como a saúde ou a educação, segundo a análise desta organização não-governamental.

Por exemplo, o Quénia e o FMI fecharam um acordo para um empréstimo de 2,3 mil milhões de dólares no ano passado, que implicou um congelamento dos salários do setor público durante três anos e impostos sobre o gás e alimentação, quando mais de três milhões de quenianos enfrentam a fome perante a maior seca em décadas no país e cerca de metade as famílias terão de pedir comida emprestada ou comprá-la com crédito, diz a Oxfam.

Em nove países, como os Camarões, Senegal e Suriname, as autoridades tiveram de introduzir ou aumentar as taxas de IVA em muitos produtos do dia-a-dia, como alimentação e roupa.

Dez países, incluindo o Quénia e a Namíbia, vão ter de congelar ou cortar salários e empregos no setor público, “o que pode significar menor qualidade da educação e menos enfermeiros e médicos em países” que já têm problemas de falta de pessoal de saúde.

“O FMI deve suspender as condições de austeridade nos empréstimos existentes e aumentar o acesso ao financiamento de emergência. E deve encorajar os países a aumentar os impostos sobre os mais ricos”, considera Nabil Abdo, assessor de Políticas da Oxfam International.

Abdo dá conta “do duplo padrão do FMI”, que exorta a Europa a evitar medidas de austeridade para não colocar em risco a sua recuperação económica, enquanto exige aos países com baixos rendimentos — e que não tiveram acesso às vacinas da Covid-19 — que apertem os cintos.

“A pandemia ainda não acabou para a maior parte do mundo. O aumento dos custos com energia e alimentos estão a prejudicar mais os países pobres. Estes países precisam de ajuda para aumentar o acesso a serviços básicos e proteção social, e não de condições severas” nos apoios financeiros, assinala Nabil Abdo.

De acordo com uma análise da Oxfam e Development Finance International também divulgada esta terça-feira, 43 dos 55 estados-membros da União Africana vão implementar cortes na despesa pública que ascenderão a 183 mil milhões de dólares nos próximos cinco anos. Se isso acontecer, estes cortes poderão colocar em causa os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

1.10.12

FMI usa lucros da venda de ouro para ajudar países pobres

in Expresso

O Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou a alocação dos lucros inesperados com as vendas de ouro, 2.700 milhões de dólares (2.099 milhões de euros), para aumentar o financiamento aos países de baixo rendimento.

Em comunicado emitido na sexta-feira, a administração do FMI refere que vai usar a verba para financiar o programa de empréstimos globais, o Fundo de Redução da Pobreza e Crescimento (FRPC).

A distribuição dos lucros inesperados vai ocorrer "apenas quando os países-membros tiverem dado garantias satisfatórias de que um valor equivalente a pelo menos 90 por cento do montante será novamente disponibilizado para o FRPC", esclarece a instituição, em comunicado.

"Isto é um passo grande no sentido de colocar as nossas operações importantes de empréstimos concessionais destinados aos países-membros de baixos rendimentos num caminho sustentável", disse Christine Lagarde, diretora-geral do Fundo.

No entanto, este é um processo que poderá demorar algum tempo. O FMI recorda que já tomou uma decisão semelhante em julho de 2009, quando alocou 1.100 milhões de dólares dos lucros inesperados gerados pela venda de ouro ao financiamento ao FRPC, o qual ainda não foi acionado.

Ainda assim, o FMI diz que conseguiu garantir que 87,4 por cento do montante atribuído em 2009 lhe será reembolsado, pelo que acredita que o financiamento do FRPC relativo aos lucros inesperados de 2009 está para breve.

O FRPC é um programa do Fundo através do qual o FMI acorda empréstimos a baixas taxas aos países pobres, para os ajudar a melhorar as condições de vida dos cidadãos mais frágeis e desfavorecidos.