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19.10.12

Alunos do secundário estão a consumir mais droga e álcool

in RR

É o que revela o estudo do Serviço de Intervenção dos Comportamentos Aditivos e nas Dependências, que ouviu 60 mil estudantes.

Aumentou o consumo de álcool, tabaco e canábis entre os alunos dos 7º, 8º e 9º anos de escolaridade. Os dados resultam de um inquérito nacional em meio escolar, realizado pelo Serviço de Intervenção dos Comportamentos Aditivos e nas Dependências.

Foram ouvidos 60 mil alunos e a conclusão aponta por aumento dos comportamentos de risco por parte dos mais novos. Sete mil alunos até ao 9º ano já consumiram cocaína.

O estudo revela que, em 2011, 9% dos alunos do secundário já tinha experimentado canábis, o que representa cerca de 30 mil alunos. Esta continua a ser a droga dominante.

O ecstasy, as anfetaminas e a cocaína foram experimentados por 1% dos jovens do secundário, o que representa cerca de sete mil alunos.

No que toca ao álcool, o estudo revela um aumento contínuo de cerveja, mas a percentagem de alunos que se tinha embriagado na altura dos estudos diminuiu, passando a 7%, o que representa cerca de 23 mil alunos.

Quanto a tabaco, 17 mil jovens do secundário revelaram consumos recentes em 2011.


“Temos de actualizar as respostas”
O coordenador do Centro de Atendimento de Toxicodependentes de Torres Vedras, Rui Negrão, não estranha as conclusões deste estudo, pois é o cenário que constata no terreno.

“Acho que cada vez mais os responsáveis têm que estar atentos, temos que lançar novos programas, actualizar as respostas às toxicodependências e, obviamente, não é com cortes que se calhar vamos lá”, afirma o responsável, adiantando que “estamos a assistir cada vez ao consumo das substâncias ilícitas”.

A procura de cocaína e heroína aumentou entre os jovens toxicodependentes, mas também a procura de tratamento.

“Há um aumento da procura do tratamento das substâncias do passado, com consumos endovenosos a proliferar, numa faixa etário que, se calhar, não era esperado. Estamos a apanhar novamente homens, rapazes e raparigas de 17 e 18 anos, com consumos de heroína e cocaína que não são esporádicos, mas com critérios de dependência”, refere à Renascença.

24.9.12

Crise faz aumentar consumo de álcool e droga para aliviar sofrimento

in Jornal de Notícias

O diretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências, João Goulão, disse, esta sexta-feira, em Coimbra, que se assiste em Portugal a um "recrudescimento de consumos" para alívio do sofrimento devido à crise.

"Com as condições difíceis que franjas importantes da população vão sentindo, estamos a ver algum recrudescimento de consumos muito ligados ao alívio do sofrimento", afirmou João Goulão.

O diretor-geral do SICAD foi um dos oradores no 2.º Encontro da Associação Portuguesa de Adictologia, da Associação Portuguesa para o Estudo das Drogas e das Dependências (APEDD), que decorreu, esta sexta-feira, em Coimbra.

João Goulão, que falava à agência Lusa à margem do evento, disse que "a substância mais preocupante neste contexto é o uso, excessivo e diário, de álcool".

"É o primeiro grande reflexo", referiu.

Segundo este responsável, "há também um certo recrudescimento do consumo de heroína, sobretudo pela via injetável.

"É um aumento que ainda não conseguimos traduzir em números, são dados empíricos que nos chegam do terreno", referiu.

De acordo com João Goulão, trata-se de consumos "que tinham vindo a baixar nos últimos anos e em relação aos quais há agora um certo recrudescimento".

Algumas destas pessoas têm "um passado de toxicodependência, conseguiram parar os seus consumos, conseguiram construir as suas vidas mesmo com alguma precariedade [...], mas estão na primeira linha da fragilidade social: quando sobe o desemprego, as dificuldades económicas, são das primeiras" a ser afetadas.

"Como têm dificuldades em lidar com a frustração e com a adversidade, com alguma frequência são tentadas a voltar aos padrões de vida anteriores", adiantou o diretor-geral do SICAD.

Também o presidente da APEDD, João Curto, referiu que, "em situação de crise, é natural que as pessoas recorram mais aos consumos", nomeadamente ao álcool.

Em relação ao aumento dos consumos das "drogas mais acessíveis e ligeiras", o psiquiatra disse que, em condições sociais e económicas difíceis, e "em situações de angústia ou desespero, o ser humano acaba por se agarrar a qualquer coisa que lhe faça, pelo menos, esquecer temporariamente" essas dificuldades.

Embora também com base apenas em dados empíricos, João Curto corroborou a perceção de que se está a retomar alguns níveis de consumo de heroína em todas as camadas etárias, exemplificando com pessoas que começaram a consumir com idades acima dos 50 anos, muitas delas por situações de desemprego.

"É nitidamente uma consequência da crise, por desemprego, por falta de meios de subsistência para a família", sustentou.

O sistema de saúde e a organização de serviços públicos especializados em adições foi o tema central do encontro, que decorreu no auditório do Conservatório de Música de Coimbra.