Por Pedro Rainho, in iOnline
Maioria dos portugueses diz que a austeridade “afunda” a economia, mas acredita que o aperto do cinto veio para ficar
A austeridade está a “afundar o país económica e socialmente”, mas “vai continuar por uns anos” e nem sequer existem “propostas políticas credíveis” que possam indicar um caminho alternativo. É este o traço geral de um estudo realizado para a Faculdade de Direito de Lisboa pela eurosondagem, e que foi apresentado ontem no lançamento do livro de Paz Ferreira “A austeridade cura? A austeridade mata?”.
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20.2.14
6.5.13
"Há uma grande desilusão sobre para onde caminhamos"
in Diário de Notícias
Em entrevista ao DN, o Nobel da Economia e cipriota Christopher Pissarides, admite haver uma parte pessoal na sua revolta contra a obsessão com a austeridade. Defende o controlo do défice, mas diz que é preciso dar tempo para a economia recuperar.
O homem que foi Nobel da Economia de 2010 esteve em Portugal para participar nas Conferências do Estoril e falou ao DN.
Ficam aqui alguns dos tópicos da entrevista, que pode ser lida na integra na versão em papel do Diário de Notícias:
"A minha conta no Banco de Chipre foi congelada e estou à espera para saber quanto dinheiro vão tirar. Tenho lá pouco mais de cem mil euros. Por isso não me posso queixar"
"É preciso ir mais devagar. Garantir que o défice não aumente, mas não o tentar reduzir agora. Esperar até que a economia recupere"
"É impossível que todos na Europa façam o que a Alemanha está a fazer e um dia no futuro todos se tornem pequenas Alemanhas, a falar diferentes línguas"
"O que pode ser perigoso é o crescimento de grupos terroristas que pensem em pôr umas bombas aqui e ali para obrigar a uma resposta"
"Sempre fui pró-europeu, porque somos muito pequenos no mundo de hoje e há economias que funcionam melhor juntas"
"A moeda única foi uma boa ideia, mas é uma boa ideia se for gerida corretamente".
Em entrevista ao DN, o Nobel da Economia e cipriota Christopher Pissarides, admite haver uma parte pessoal na sua revolta contra a obsessão com a austeridade. Defende o controlo do défice, mas diz que é preciso dar tempo para a economia recuperar.
O homem que foi Nobel da Economia de 2010 esteve em Portugal para participar nas Conferências do Estoril e falou ao DN.
Ficam aqui alguns dos tópicos da entrevista, que pode ser lida na integra na versão em papel do Diário de Notícias:
"A minha conta no Banco de Chipre foi congelada e estou à espera para saber quanto dinheiro vão tirar. Tenho lá pouco mais de cem mil euros. Por isso não me posso queixar"
"É preciso ir mais devagar. Garantir que o défice não aumente, mas não o tentar reduzir agora. Esperar até que a economia recupere"
"É impossível que todos na Europa façam o que a Alemanha está a fazer e um dia no futuro todos se tornem pequenas Alemanhas, a falar diferentes línguas"
"O que pode ser perigoso é o crescimento de grupos terroristas que pensem em pôr umas bombas aqui e ali para obrigar a uma resposta"
"Sempre fui pró-europeu, porque somos muito pequenos no mundo de hoje e há economias que funcionam melhor juntas"
"A moeda única foi uma boa ideia, mas é uma boa ideia se for gerida corretamente".
18.3.13
Daniel Bessa: “Estamos todos a evitar anunciar a bancarrota
in Público on-line
O ex-ministro da Economia Daniel Bessa defendeu neste domingo uma solução governativa que inclua o Partido Socialista, afirmando que esse pode ser um “contributo” para evitar a bancarrota de Portugal.
“O que estou a propor [envolvimento do PS no Governo] parece-me ser um contributo para evitar esse momento de anúncio de bancarrota. Porque há uma coisa que os portugueses têm de saber. É que, se esse momento chegar, será muito pior do que aquilo que vivemos hoje. Quem vende o incumprimento da dívida como uma salvação está também a vender uma ilusão. Ninguém julgue que Portugal sai incólume e sem uma penalização muito maior do que temos hoje se tiver de chegar ao incumprimento assumido”, disse Daniel Bessa no programa Conversas Cruzadas, da Rádio Renascença.
“Estamos todos no país a tentar evitar o momento final do anúncio ao mundo da bancarrota e do incumprimento. Não estou a dizer que estamos em cima desse momento, mas, infelizmente, estamos hoje mais perto do que estávamos há dois meses, estamos mais perto do que estávamos há dois anos. E, portanto, é isso que estamos a tentar evitar”, acrescentou o ex-ministro da Economia num Governo socialista.
Daniel Bessa vê o Verão como o limite para o prazo de validade do actual Governo. “A meio do ano já será muito difícil lidar com uma execução orçamental muito negativa. O que assistimos é que, mais cedo do que eu próprio admitia, há aqui a confissão de uma dificuldade”, disse o presidente do Cotec, uma associação empresarial para a inovação. “Portanto, não acho que este Governo vá cair na rua. Vai cair pelo reconhecimento interno, a que não poderá deixar de chegar, da necessidade de ajuda e de que essa ajuda exige outra solução governativa.”
Daniel Bessa defende que a formação de um novo Governo “não é nenhum passe de mágica, não vai resolver nenhum problema só por si”: “Mas acho que melhora um pouco as condições do exercício da actividade governativa.”
Opinião diferente tem Miguel Cadilhe, ex-ministro das Finanças social-democrata. “Um Governo de coligação poderia ter sido tentado antes, agora não me parece viável”, disse no mesmo programa da Renascença, admitindo que Portugal está na “corda-bamba”.
“Compreendo a ideia do Daniel Bessa, mas não estou a ver que o Partido Socialista queira, tenha vontade e, do ponto de vista estritamente partidário, tenha vantagem em entrar num Governo de coligação. Numa perspectiva partidária. A perspectiva nacional é outra”, argumentou Cadilhe.
O ex-ministro da Economia Daniel Bessa defendeu neste domingo uma solução governativa que inclua o Partido Socialista, afirmando que esse pode ser um “contributo” para evitar a bancarrota de Portugal.
“O que estou a propor [envolvimento do PS no Governo] parece-me ser um contributo para evitar esse momento de anúncio de bancarrota. Porque há uma coisa que os portugueses têm de saber. É que, se esse momento chegar, será muito pior do que aquilo que vivemos hoje. Quem vende o incumprimento da dívida como uma salvação está também a vender uma ilusão. Ninguém julgue que Portugal sai incólume e sem uma penalização muito maior do que temos hoje se tiver de chegar ao incumprimento assumido”, disse Daniel Bessa no programa Conversas Cruzadas, da Rádio Renascença.
“Estamos todos no país a tentar evitar o momento final do anúncio ao mundo da bancarrota e do incumprimento. Não estou a dizer que estamos em cima desse momento, mas, infelizmente, estamos hoje mais perto do que estávamos há dois meses, estamos mais perto do que estávamos há dois anos. E, portanto, é isso que estamos a tentar evitar”, acrescentou o ex-ministro da Economia num Governo socialista.
Daniel Bessa vê o Verão como o limite para o prazo de validade do actual Governo. “A meio do ano já será muito difícil lidar com uma execução orçamental muito negativa. O que assistimos é que, mais cedo do que eu próprio admitia, há aqui a confissão de uma dificuldade”, disse o presidente do Cotec, uma associação empresarial para a inovação. “Portanto, não acho que este Governo vá cair na rua. Vai cair pelo reconhecimento interno, a que não poderá deixar de chegar, da necessidade de ajuda e de que essa ajuda exige outra solução governativa.”
Daniel Bessa defende que a formação de um novo Governo “não é nenhum passe de mágica, não vai resolver nenhum problema só por si”: “Mas acho que melhora um pouco as condições do exercício da actividade governativa.”
Opinião diferente tem Miguel Cadilhe, ex-ministro das Finanças social-democrata. “Um Governo de coligação poderia ter sido tentado antes, agora não me parece viável”, disse no mesmo programa da Renascença, admitindo que Portugal está na “corda-bamba”.
“Compreendo a ideia do Daniel Bessa, mas não estou a ver que o Partido Socialista queira, tenha vontade e, do ponto de vista estritamente partidário, tenha vantagem em entrar num Governo de coligação. Numa perspectiva partidária. A perspectiva nacional é outra”, argumentou Cadilhe.
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