Mostrar mensagens com a etiqueta Comunidade ciganal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Comunidade ciganal. Mostrar todas as mensagens

19.4.13

Comunidade cigana. 347 milhões de euros para mudar estilo de vida

Por Kátia Catulo, in iOnline

Primeira estratégia nacional de sempre dirigida aos ciganos quer 60% das crianças com 12.º ano ou toda a comunidade com médico de família

Crianças e adolescentes a frequentar a escola, jovens a aprender novas profissões, famílias a viver em casa própria, pais, filhos, netos e avós inscritos nos centros de saúde e um novo estilo de vida, mais sedentário, para uma comunidade que ultrapassa os 50 mil residentes. É este o plano que o governo traçou para os ciganos a viver em Portugal e que ontem entrou em vigor. Trata-se da primeira estratégia nacional dirigida a esta comunidade, que nos próximos sete anos terá um investimento de 347 milhões de euros para cumprir vários objectivos em áreas como a educação, a habitação ou a saúde. Mais de 80% do montante previsto deverá ser financiado por fundos comunitários.

A Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas (ENICC) é uma iniciativa da Comissão Europeia, que pediu aos estados-membros que definam metas a atingir até 2020. Portugal começou a fazê-lo em Setembro de 2011, numa coordenação conjunta entre o governo e o Alto Comissariado para a Imigração e o Diálogo Intercultural (ACIDI). É ao ACIDI que cabe agora coordenar a monitorização da estratégia nacional, através de um grupo consultivo onde estarão representantes dos oito ministérios envolvidos e quatro das comunidades ciganas. Na educação está previsto um investimento de 371 mil euros — a ENICC estabelece como metas nesta área que 60% das crianças ciganas concluam a escolaridade obrigatória ou que 2% concluam o ensino superior. Na habitação, 332 milhões de euros estão destinados à qualificação dos realojamentos. O objectivo é ainda sensibilizar 90% dos municípios com população cigana “para as especificidades da sua cultura para o seu realojamento”. Na saúde, que terá afectos mais de 1,6 milhões de euros, serão feitas campanhas de sensibilização para a inscrição de ciganos nos centros de saúde ou acções de formação para profissionais da área. A ENICC vai fazer ainda campanhas para o combate à discriminação (115 mil euros) ou realizar um estudo nacional sobre a comunidade (175 mil euros).

Nenhum dos objectivos, no entanto, está totalmente assegurado. No decreto ontem publicado em Diário da República fica explícito que a “assunção de compromissos para a execução das medidas [...] depende da existência de fundos disponíveis por parte das entidades públicas competentes”.