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30.10.12

Desemprego na construção civil já atinge 100 mil pessoas

in Jornal de Negócios Online

O número de desempregados do sector da construção civil inscritos no centro de emprego atingiu 97.874 pessoas em Agosto. Face ao mesmo período do ano passado, é um aumento de 40%.

A crise do sector da construção tem feito o número de desempregados subir em flecha. A recolha dos dados, feita pelo “Público” e publicada na edição desta terça-feira, peca por defeito: o número só contabiliza quem está oficialmente desempregado – deixa de fora quem não se inscreveu nos centros de emprego – e não inclui a totalidade de desempregados do sector, como pequenos empreiteiros e empresários por conta própria.

A tendência é que haja um agravamento do desemprego no sector, expressam os empresários no inquérito da Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas. A queda no emprego terá sido de 16% até Setembro, a queda nas encomendas foi de 22% e o indicador de confiança decresceu 17% nos primeiros nove meses deste ano, face ao mesmo período de 2012.

Além disso, os empresários já só têm uma carteira de encomendas que lhes assegura produção por 6,2 meses, ou seja, até Abril do próximo ano. A quebra acumulada no consumo de cimento foi, até Setembro, de 26%, mês em que foi especialmente pronunciada, diminuindo 37%.

Há actualmente 374 mil trabalhadores na construção civil, o número mais baixo da última década. As insolvências no sector cresceram 49% até ao início do corrente mês.

Desempregados da construção civil cortam rua do Porto

in Público on-line

Perto de 100 desempregados da construção civil manifestaram-se nesta terça-feira junto à sede do Sindicato dos Trabalhadores da Construção do Norte, no Porto, contra o “desinvestimento” naquele sector. O protesto levou ao corte do trânsito na Rua Santos Pousada.

A acção, promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção do Norte, ocorreu antes da partida para uma manifestação em Lisboa, em frente ao Ministério da Economia, onde se pretende entregar um conjunto de propostas para inverter a tendência de “desinvestimento no sector”.

“São propostas que se forem concretizadas irão relançar o sector que perdeu cerca de 90 mil postos de trabalho. Por mês, são cerca de 10 mil postos de trabalho que se perdem”, sublinhou o presidente daquela estrutura sindical.

Nesse conjunto de propostas, que Albano Ribeiro só aceita entregar se for recebido pelo ministro ou pelo secretário de Estado, destaca-se o investimento em obras de recuperação de hospitais, escolas, estradas e saneamento básico.

“A situação económica do país é difícil, mas os impostos que pagamos devem ser aplicados na criação de emprego”, considerou o dirigente sindical, que disse acreditar que se as suas propostas forem implementadas “dá para criar 90 mil postos de trabalho directos”.

Aos jornalistas foram contadas algumas histórias dramáticas de trabalhadores há vários anos sem trabalho, que vão perder ou já perderam o subsídio de desemprego, tendo alguns admitido ter de entregar a casa por não terem condições para continuar a suportar esse encargo. Devido ao protesto o trânsito esteve cortado durante cerca de 30 minutos na Rua Santos Pousada.

O número de desempregados no sector da construção inscritos nos centros de emprego chegava aos 97.874 no final de Agosto, como avança esta terça-feira o PÚBLICO. Este número representa um crescimento de 40% face a igual período do ano passado e corresponde a 15,8% do número total de desempregados oficiais.