Francisco José Cardoso, in Dnotícias
Presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza, o padre Jardim Moreira, salientou que temos de acabar com a pobreza geracional
A Madeira tinha, no final de 2017, a segunda mais alta taxa de risco de pobreza do país, só ultrapassada pelos Açores, figurando as duas regiões autónomas com percentagens muito distantes da média nacional, 17,3%, mais precisamente 27,4% e 31,2% respectivamente. A esses dados há que referir que um estudo aponta que são precisas cinco gerações para tirar uma fatia da pobreza.
É porque mais do que ajudar os pobres a sobreviver no dia a dia, a Rede Europeia Anti-Pobreza pretende retirar as pessoas desses ciclo vicioso e leva o seu presidente a afirmar que “não estamos a estancar a pobreza nas suas origens”.
O padre Jardim Moreira acredita que no dia que restituirmos a dignidade da pessoa humana, tal como vem escrito no primeiro artigo da Constituição da República Portuguesa, conseguiremos alcançar esse objectivo.
Afirmações na apresentação do núcleo regional da Madeira da Rede Europeia Anti-Pobreza, que decorre no auditório da Reitoria da Universidade da Madeira e junta na mesma sala e almejando os mesmos objectivos a grande maioria das entidades e associações que trabalham nesta área social.
Presente no evento, em representação do Governo Regional da Madeira, está a secretária regional da Inclusão e Assuntos Sociais, Rita Andrade, que afiança o empenho do Governo na procura por este objectivo de retirar da pobreza os milhares de madeirenses que vivem da caridade da sociedade civil.
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27.3.19
Rede Europeia diz que mentalidade portuguesa "alimenta" mais a pobreza do que a resolve
in DN
A sociedade portuguesa está mais vocacionada para "alimentar" a pobreza do que para a "combater na origem", disse hoje o presidente da delegação nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza, sublinhando as "causas políticas" do fenómeno, que afeta 17,3% da população.
"Vimos de uma mentalidade que mais alimenta, sustenta e provoca ou mantém a pobreza do que a resolve nas causas", disse Agostinho Moreira, no Funchal, durante a apresentação do plano de atividades do núcleo da Madeira da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN).
O plano decorre de uma parceria com a Secretaria Regional da Inclusão e dos Assuntos Sociais e prevê diversas ações, sobretudo na área da formação, bem como a realização de um congresso na região autónoma em junho.
"A nossa política europeia é de ir atacar a pobreza nas suas causas, nas suas origens, e as suas origens são económicas, são políticas, são sociais", afirmou Agostinho Moreira, realçando que a EAPN ainda está a elaborar o diagnóstico do fenómeno na Madeira, pelo que não dispõe para já de dados concretos.
No entanto, dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados em novembro de 2018, indicam que a Madeira e os Açores são as regiões do país que registaram os valores mais elevados de risco de pobreza, nomeadamente 27,4% para a Madeira e 31,5% para os Açores.
O inquérito refere-se a 2017 e contém pela primeira vez estimativas regionais, revelando que os residentes na Área Metropolitana de Lisboa foram os menos afetados pelo risco de pobreza (12,3%), tendo em conta a linha de pobreza nacional.
Neste domínio, os valores mais elevados de risco foram registados nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, sendo que em termos gerais o fenómeno afeta 17,3% da população portuguesa.
"A pobreza é o resultado de políticas estruturais que geram injustiça", disse Agostinho Moreira, esclarecendo que "se a pobreza tem causas estruturais, políticas e económicas, quer dizer que na Madeira [e no país] só atingindo essas causas é possível atingir as que geram a pobreza".
O presidente da EAPN-Portugal sublinhou a importância da parceria estabelecida com o executivo regional, considerando que permite "pôr a pobreza em cima da mesa" na região e, deste modo, construir uma "plataforma com todas as instituições que intervêm na constituição da sociedade civil".
A Rede Europeia Anti-Pobreza-Portugal é uma instituição particular de solidariedade social e está integrada na maior rede europeia de combate à pobreza e exclusão social, envolvendo 31 países. Dispõe de 19 núcleos ao nível nacional, sendo o mais recente o da Região Autónoma da Madeira, aberto no dia 3 de dezembro de 2018.
A sociedade portuguesa está mais vocacionada para "alimentar" a pobreza do que para a "combater na origem", disse hoje o presidente da delegação nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza, sublinhando as "causas políticas" do fenómeno, que afeta 17,3% da população.
"Vimos de uma mentalidade que mais alimenta, sustenta e provoca ou mantém a pobreza do que a resolve nas causas", disse Agostinho Moreira, no Funchal, durante a apresentação do plano de atividades do núcleo da Madeira da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN).
O plano decorre de uma parceria com a Secretaria Regional da Inclusão e dos Assuntos Sociais e prevê diversas ações, sobretudo na área da formação, bem como a realização de um congresso na região autónoma em junho.
"A nossa política europeia é de ir atacar a pobreza nas suas causas, nas suas origens, e as suas origens são económicas, são políticas, são sociais", afirmou Agostinho Moreira, realçando que a EAPN ainda está a elaborar o diagnóstico do fenómeno na Madeira, pelo que não dispõe para já de dados concretos.
No entanto, dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados em novembro de 2018, indicam que a Madeira e os Açores são as regiões do país que registaram os valores mais elevados de risco de pobreza, nomeadamente 27,4% para a Madeira e 31,5% para os Açores.
O inquérito refere-se a 2017 e contém pela primeira vez estimativas regionais, revelando que os residentes na Área Metropolitana de Lisboa foram os menos afetados pelo risco de pobreza (12,3%), tendo em conta a linha de pobreza nacional.
Neste domínio, os valores mais elevados de risco foram registados nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, sendo que em termos gerais o fenómeno afeta 17,3% da população portuguesa.
"A pobreza é o resultado de políticas estruturais que geram injustiça", disse Agostinho Moreira, esclarecendo que "se a pobreza tem causas estruturais, políticas e económicas, quer dizer que na Madeira [e no país] só atingindo essas causas é possível atingir as que geram a pobreza".
O presidente da EAPN-Portugal sublinhou a importância da parceria estabelecida com o executivo regional, considerando que permite "pôr a pobreza em cima da mesa" na região e, deste modo, construir uma "plataforma com todas as instituições que intervêm na constituição da sociedade civil".
A Rede Europeia Anti-Pobreza-Portugal é uma instituição particular de solidariedade social e está integrada na maior rede europeia de combate à pobreza e exclusão social, envolvendo 31 países. Dispõe de 19 núcleos ao nível nacional, sendo o mais recente o da Região Autónoma da Madeira, aberto no dia 3 de dezembro de 2018.
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