Pedro Crisóstomo, in Público on-line
"Se há quem ache que o país está melhor", os números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) nesta sexta-feira esclarecem: "Está a criar-se uma nova geração de pobres." Quem o diz é Sérgio Aires, presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza - Europa. Segundo o INE, o aumento do risco de pobreza abrangeu todos os grupos etários, mas foi mais elevado no caso dos menores de 18 anos - passou de 24,4%, em 2012, para 25,6%, em 2013. Mais: "Os agregados com filhos são os mais pobres", nota Sérgio Aires, que também é presidente do Observatório de Luta Contra a Pobreza na cidade de Lisboa. Mais alguns números: 38,4% das famílias monoparentais (definidas como "um adulto com pelo menos uma criança") vivem com rendimentos abaixo do limiar de pobreza, de acordo com o INE. Um aumento, num só ano, de 5,3 pontos percentuais. Estes foram, de resto, os agregados mais atingidos. Os dados retratam a situação do país em 2013. "Lendo estes dados com os números mais recentes do desemprego, que mostram um aumento do desemprego dos jovens, e sabendo-se que o emprego que está a ser criado é mal pago" e que, à conta "destes estágios que são criados para jovens", se "acabam com postos de trabalho", serão precisos, na opinião de Sérgio Aires, "uns 30 anos para voltar a repor os mínimos". Para além do desemprego, a redução do número de beneficiários de prestações sociais a que se tem assistido nos últimos anos ajudará a explicar o aumento da taxa de risco de pobreza. "E estamos só a olhar para o que piora.
Mas entre os idosos, o cenário continua a ser mau" - 15,1% no grupo de 65 ou mais anos. Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) ainda não analisou os novos dados do INE. Mas vai dizendo: "Infelizmente correspondem à sensação que temos." Dá um exemplo: nas creches e jardins de infância do sector solidário, muitos pais têm retirado os filhos, preferindo ficar com eles em casa, "embora as instituições particulares de solidariedade social façam preços adequados às situações e ninguém mande crianças embora quando as famílias não podem pagar". Contudo, "os pais estão desempregados, não têm perspectivas de melhoria, acham que podem em casa dar uma boa educação aos filhos." Para Lino Maia, "estas crianças ficam de facto mais pobres", são "estigmatizadas". A pobreza infantil não é uma preocupação nova no país. "Mesmo nos períodos de redução da pobreza em Portugal, há um sector onde os resultados são praticamente nulos: a pobreza nas crianças e jovens. Se durante o período de queda das desigualdades os resultados se mantiveram quase iguais, neste período oposto têm aumentado imenso", diz o especialista em desigualdades, exclusão social e políticas públicas, Carlos Farinha Rodrigues. "A taxa de pobreza das crianças já vai nos 25,6%. Este, para mim, é um dos factores de preocupação: hoje, as crianças e os jovens são dos sectores em maior fragilidade social, temos um quarto das nossas crianças e jovens em situação de pobreza."
Os novos números da pobreza do INE preocupam especialistas e instituições sociais. Mais de um quarto das crianças em Portugal estão em situação de pobreza
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2.2.15
28.4.14
Rede anti-pobreza alerta que Europa fez 45 milhões de pobres entre 2010 e 2012
in Correio da Manhã
O número de pobres na União Europeia subiu de 85 milhões para quase 130 milhões, entre 2010 e 2012, com mais 45 milhões de pessoas em situação de carência, divulgou hoje, em Bragança, a Rede Europeia Anti-pobreza (EAPN).
"A Europa está seguramente a fazer mais pobres, porque em pouquíssimos anos, entre 2010 e 2012, que são os dados disponíveis, passamos de 85 milhões para quase 130 milhões de pobres na União Europeia. É absolutamente inequívoco que estamos a produzir mais pobreza, mais desigualdade", declarou Sérgio Aires, presidente da rede europeia.
Para o dirigente, as eleições Europeias de maio são "de extraordinária importância" para refletir e se tomarem decisões sobre: "até que ponto é que queremos prosseguir neste caminho ou pretendemos alterar alguma coisa antes que seja tarde demais".
O número de pobres na União Europeia subiu de 85 milhões para quase 130 milhões, entre 2010 e 2012, com mais 45 milhões de pessoas em situação de carência, divulgou hoje, em Bragança, a Rede Europeia Anti-pobreza (EAPN).
"A Europa está seguramente a fazer mais pobres, porque em pouquíssimos anos, entre 2010 e 2012, que são os dados disponíveis, passamos de 85 milhões para quase 130 milhões de pobres na União Europeia. É absolutamente inequívoco que estamos a produzir mais pobreza, mais desigualdade", declarou Sérgio Aires, presidente da rede europeia.
Para o dirigente, as eleições Europeias de maio são "de extraordinária importância" para refletir e se tomarem decisões sobre: "até que ponto é que queremos prosseguir neste caminho ou pretendemos alterar alguma coisa antes que seja tarde demais".
19.10.12
Trabalho socialmente útil já é obrigatório mas poucos acreditam na medida
Por Andrea Cunha Freitas, in Público on-line
O polémico decreto-lei que obriga os beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) ao "desenvolvimento de actividade socialmente útil" entrou em vigor no início desta semana.
Ao PÚBLICO, a assessora do Instituto de Segurança Social (ISS) adiantou que para a execução desta medida é criada "uma bolsa de entidades" (ver caixa) interessadas neste tipo de prestação de serviços e confirmou que quem recusar este trabalho ficará sem direito ao RSI e não poderá candidatar-se ao apoio por um período de 12 meses. A medida continua a suscitar muitas reservas e críticas.
"Gostava de saber onde está o trabalho. Socialmente útil ou não", começa por questionar Sérgio Aires, presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza, que nota ainda: "Toda a gente que contacto e que pediu RSI ou que já o tem, o que mais gostava de ter era um emprego".
Sérgio Aires nota que este tipo de medidas exige das entidades uma organização que muito dificilmente poderão cumprir nas actuais circunstâncias. "É preciso capacidade organizativa das instituições, porque estas pessoas têm de ter acompanhamento, formação, etc. É uma medida que será muito difícil de aplicar", defende.
Por outro lado, faz questão de sublinhar que um "significativo número de beneficiários de RSI trabalha, mas, ainda assim, precisa de ajuda para o seu agregado". "O RSI não é só um subsídio. Desde 1996 que está previsto na lei com a perspectiva de inclusão. A prestação é apenas um degrau dessa escada, segue-se a formação, o apoio à família. Isso é que deveria ser cumprido", diz.
Para Lino Maia, presidente da Confederação das Instituições de Solidariedade, esta solução terá pouca adesão. "Para terem estas pessoas, para as formar, orientar e acompanhar, as associações teriam de fazer mais um esforço que, actualmente, não poderão suportar", justifica. Para concluir: "Em vez de ocupar um posto de trabalho, estas pessoas podem é dar mais trabalho às instituições".
O polémico decreto-lei que obriga os beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) ao "desenvolvimento de actividade socialmente útil" entrou em vigor no início desta semana.
Ao PÚBLICO, a assessora do Instituto de Segurança Social (ISS) adiantou que para a execução desta medida é criada "uma bolsa de entidades" (ver caixa) interessadas neste tipo de prestação de serviços e confirmou que quem recusar este trabalho ficará sem direito ao RSI e não poderá candidatar-se ao apoio por um período de 12 meses. A medida continua a suscitar muitas reservas e críticas.
"Gostava de saber onde está o trabalho. Socialmente útil ou não", começa por questionar Sérgio Aires, presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza, que nota ainda: "Toda a gente que contacto e que pediu RSI ou que já o tem, o que mais gostava de ter era um emprego".
Sérgio Aires nota que este tipo de medidas exige das entidades uma organização que muito dificilmente poderão cumprir nas actuais circunstâncias. "É preciso capacidade organizativa das instituições, porque estas pessoas têm de ter acompanhamento, formação, etc. É uma medida que será muito difícil de aplicar", defende.
Por outro lado, faz questão de sublinhar que um "significativo número de beneficiários de RSI trabalha, mas, ainda assim, precisa de ajuda para o seu agregado". "O RSI não é só um subsídio. Desde 1996 que está previsto na lei com a perspectiva de inclusão. A prestação é apenas um degrau dessa escada, segue-se a formação, o apoio à família. Isso é que deveria ser cumprido", diz.
Para Lino Maia, presidente da Confederação das Instituições de Solidariedade, esta solução terá pouca adesão. "Para terem estas pessoas, para as formar, orientar e acompanhar, as associações teriam de fazer mais um esforço que, actualmente, não poderão suportar", justifica. Para concluir: "Em vez de ocupar um posto de trabalho, estas pessoas podem é dar mais trabalho às instituições".
12.10.12
Aumento da pobreza é ameaça à democracia
in Correio do Minho
A Rede Europeia Anti-Pobreza (EA PN), dirigida pelo português Sérgio Aires, alertou para as ameaças à democracia que se colocam com a atual situação de «emergência» social e económica. «As medidas de austeridade estão a empurrar mais pessoas para a pobreza,conduzindo aqueles que já se encontravam nessa situação para cenários de desespero e de privação extrema», assinala a instituição, em comunicado. Segundo a EA PN, lutar contra a pobreza é «salvar a democracia», dado o risco de «nos transformarmos numa Europa ainda mais pobre e violenta». Esta instituição adianta também que a pobreza na Europa aumentou em mais 2 milhões de pessoas desde 2009, em «vez de diminuir – cumprindo os objetivos da Estratégia Europa 2020», defendendo o lançamento de um novo «pacote de investimento social» para além de promoção de «empregos de qualidade e apoio à proteção social e rendimento mínimo adequado».
A Rede Europeia Anti-Pobreza (EA PN), dirigida pelo português Sérgio Aires, alertou para as ameaças à democracia que se colocam com a atual situação de «emergência» social e económica. «As medidas de austeridade estão a empurrar mais pessoas para a pobreza,conduzindo aqueles que já se encontravam nessa situação para cenários de desespero e de privação extrema», assinala a instituição, em comunicado. Segundo a EA PN, lutar contra a pobreza é «salvar a democracia», dado o risco de «nos transformarmos numa Europa ainda mais pobre e violenta». Esta instituição adianta também que a pobreza na Europa aumentou em mais 2 milhões de pessoas desde 2009, em «vez de diminuir – cumprindo os objetivos da Estratégia Europa 2020», defendendo o lançamento de um novo «pacote de investimento social» para além de promoção de «empregos de qualidade e apoio à proteção social e rendimento mínimo adequado».
27.7.12
Mais de metade da população portuguesa está em risco de pobreza
in RR
Presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza na Europa alerta para o facto de a crise, a par das medidas de austeridade, estar a agravar a já difícil situação de crianças e idosos.
Mais de 50% da população portuguesa está em risco de pobreza ou vulnerável. O alerta é feito pelo presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza na Europa, Sérgio Aires.
“Os últimos números conhecidos são 18%, mas além de se referirem a 2010, reflectem apenas uma parte do problema, pois a linha de risco de pobreza deixa muita gente acima dela por alguns euros", considera o sociólogo, para quem as estatísticas continuam a não mostrar a verdade do problema.
"Se fizéssemos umas contas um bocadinho diferentes, poderíamos verificar que uma parte substancial da população portuguesa, mais de 50% provavelmente, está em situação de risco de pobreza ou em situação de grande vulnerabilidade, devido ao impacto da crise a partir de 2009”, sugere, em declarações à Renascença.
Sérgio Aires alerta ainda para o facto de a crise, a par das medidas de austeridade, estar a agravar a já difícil situação de crianças e idosos em Portugal: “Se a pobreza infantil e a dos idosos já era um problema bastante grave, actualmente é ainda mais grave”.
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza fala em retrocesso e reconhece que os objectivos da Estratégia Europeia até 2020 estão em causa. No caso de Portugal, o compromisso implicaria a redução de 200 mil pobres nos próximos oito anos.
Sérgio Aires, agora à frente da estrutura europeia, apela a uma resposta dos 27 para que se faça alguma coisa em concreto e critica o corte nos apoios sociais, porque os mecanismos de protecção social são também um sinal de riqueza.
Presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza na Europa alerta para o facto de a crise, a par das medidas de austeridade, estar a agravar a já difícil situação de crianças e idosos.
Mais de 50% da população portuguesa está em risco de pobreza ou vulnerável. O alerta é feito pelo presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza na Europa, Sérgio Aires.
“Os últimos números conhecidos são 18%, mas além de se referirem a 2010, reflectem apenas uma parte do problema, pois a linha de risco de pobreza deixa muita gente acima dela por alguns euros", considera o sociólogo, para quem as estatísticas continuam a não mostrar a verdade do problema.
"Se fizéssemos umas contas um bocadinho diferentes, poderíamos verificar que uma parte substancial da população portuguesa, mais de 50% provavelmente, está em situação de risco de pobreza ou em situação de grande vulnerabilidade, devido ao impacto da crise a partir de 2009”, sugere, em declarações à Renascença.
Sérgio Aires alerta ainda para o facto de a crise, a par das medidas de austeridade, estar a agravar a já difícil situação de crianças e idosos em Portugal: “Se a pobreza infantil e a dos idosos já era um problema bastante grave, actualmente é ainda mais grave”.
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza fala em retrocesso e reconhece que os objectivos da Estratégia Europeia até 2020 estão em causa. No caso de Portugal, o compromisso implicaria a redução de 200 mil pobres nos próximos oito anos.
Sérgio Aires, agora à frente da estrutura europeia, apela a uma resposta dos 27 para que se faça alguma coisa em concreto e critica o corte nos apoios sociais, porque os mecanismos de protecção social são também um sinal de riqueza.
26.7.12
Sérgio Aires, um português à frente da Rede Europeia Antipobreza
Por Ana Cristina Pereira (texto) e Paulo Pimenta (foto), in Jornal Público
O momento é crítico. Quem melhor para liderar a Rede Europeia Antipobreza do que um representante de uma "rede nacional periférica, do Sul da Europa, com intervenção da troika"?
[Leia aqui a entrevista na íntegra]
O momento é crítico. Quem melhor para liderar a Rede Europeia Antipobreza do que um representante de uma "rede nacional periférica, do Sul da Europa, com intervenção da troika"?
[Leia aqui a entrevista na íntegra]
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