João Saramago, in Correio da Manhã
Jardim Moreira presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal sobre dificuldades económicas das famílias
Defende um rendimento mínimo adequado de que valor?
Mais de 130 euros por pessoa. mas depende de qual é o agregado familiar. Temos de ver que o rendimento mínimo não dá para pagar a renda, comer e pagar os gastos na saúde e higiene.
Contesta a ideia de que há pobres que são pobres porque não querem trabalhar?
Só quem não está suficientemente bem informado é que é capaz de dizer uma barbaridade desse tamanho. Muita gente trabalha e não ganha o suficiente para ter uma vida digna.
Entende que são os mais pobres que pagam a crise?
O que se tem visto, ainda que às vezes digam que não é verdade. É difícil ter coragem política
para mexer naqueles que fazem parte da estrutura instalada. É mais fácil ir buscar o dinheiro aos que menos berram e menos influência têm no tecido social.
A instabilidade laboral criou uma sociedade de medo?
Começa a haver uma situação de depressão generalizada e que é de uma angústia e de um medo inconfessado de perder o emprego.-
Ao ponto de levar ao suicídio?
A pobreza gera suicídio, quando as pessoas já não têm mais esperança ou motivos para solucionar os seus problemas..
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28.10.13
Pobres pedem mais rendimento
Por: João Saramago, in Correio da Manhã
Rendimento mínimo adequado implica 130 euros, direito a habitação e medicamentos
A criação de um rendimento mínimo adequado que estabeleça 130 euros por pessoa, para além do direito a habitação, medicamentos e outra necessidades, é um dos objetivos definidos no V Fórum Nacional com Pessoas em Situação de Pobreza e Exclusão Social. A iniciativa decorre na Costa da Caparica, em Almada, e reúne cerca de 80 pessoas carenciadas, provenientes de todos os distritos do Continente.
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal, padre Jardim Moreira, sublinha que "é necessário trabalhar para enterrar o mito que os pobres são pobres porque não querem trabalhar".
"É errado. Há uma larga franja dos dois milhões de pobres, em Portugal, que trabalham e recebem os seus salários mas estes são tão baixos que para viverem têm de recorrer a apoios como o Banco Alimentar", sustentou o padre nas paróquias de São Nicolau e Nossa Senhora da Vitória, no Porto.
Por sua vez, o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza, Sérgio Aires, sublinha que há hoje um retrocesso na Comissão Europeia face ao apoio aos pobres.
"Exemplo disso", sublinha, "é estarem suspensas, em Bruxelas, as reuniões entre os representantes das redes dos 27 países".
Rendimento mínimo adequado implica 130 euros, direito a habitação e medicamentos
A criação de um rendimento mínimo adequado que estabeleça 130 euros por pessoa, para além do direito a habitação, medicamentos e outra necessidades, é um dos objetivos definidos no V Fórum Nacional com Pessoas em Situação de Pobreza e Exclusão Social. A iniciativa decorre na Costa da Caparica, em Almada, e reúne cerca de 80 pessoas carenciadas, provenientes de todos os distritos do Continente.
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal, padre Jardim Moreira, sublinha que "é necessário trabalhar para enterrar o mito que os pobres são pobres porque não querem trabalhar".
"É errado. Há uma larga franja dos dois milhões de pobres, em Portugal, que trabalham e recebem os seus salários mas estes são tão baixos que para viverem têm de recorrer a apoios como o Banco Alimentar", sustentou o padre nas paróquias de São Nicolau e Nossa Senhora da Vitória, no Porto.
Por sua vez, o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza, Sérgio Aires, sublinha que há hoje um retrocesso na Comissão Europeia face ao apoio aos pobres.
"Exemplo disso", sublinha, "é estarem suspensas, em Bruxelas, as reuniões entre os representantes das redes dos 27 países".
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