in Público on-line
Em 2011, mais de 100 mil portugueses procuraram oportunidades de trabalho fora do país. Um ano depois, perante uma taxa de desemprego de 15,0%, os portugueses continuam a apostar na emigração, mas para fora da Europa, e nem sempre de forma legal, alertou nesta segunda-feira o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário.
“Há um aumento claro da emigração para países fora da Europa, particularmente Angola, Brasil, Moçambique. Mas há uma clara diminuição para a Europa”, admitiu o secretário de Estado em declarações à TSF.
José Cesário estimou que entre 100 mil a 120 mil portugueses tinham saído do país à procura de trabalho, no ano passado. Considera que este número não deverá aumentar em 2012. “Acho que há muito menos emprego na União Europeia. Noto que há muita procura mas menos oferta de trabalho”, considerou.
O secretário de Estado diz que têm chegado ao seu gabinete apelos de autoridades locais, “particularmente do Luxemburgo”, para que se alerte os portugueses de que o mercado de trabalho estagnou. “Apelam no sentido de as pessoas não procurarem lá emprego por que não há”.
Outro dos problemas que preocupam José Cesário é a crescente emigração ilegal. O governante afirma ter informações de portugueses que dão entrada em países como turistas e que depois ali permanecem sem visto. “Casos como no Brasil e nos Estados Unidos são recorrentes, o que aliás nos cria problemas”, apontou. O secretário de Estado diz ser “impossível” quantificar o número de pessoas nesta situação. “Mas nós percebemos quando estes aumentam. Porque falamos com pessoas que estão informadas a nível local”.
“Por isso alertamos as pessoas para não emigrarem sem terem garantias absolutas de trabalho e de trabalho em circunstâncias legais”, concluiu.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística, no segundo trimestre deste ano foi registada uma taxa de desemprego de 15%, estando nesta situação mais de um milhão de pessoas. Em Setembro, havia 683.557 desempregados inscritos nos centros de emprego, 23,4% mais do que no mesmo mês de 2011. O Governo estima que a taxa de desemprego chegue a 16,4% em 2013.
Mostrar mensagens com a etiqueta Emigração ilegal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Emigração ilegal. Mostrar todas as mensagens
22.10.12
22.2.12
Emigrante português na Bélgica despejado numa ruela deserta até morrer
Por Catarina Gomes, in Público on-line
António Nunes Coelho, de 49 anos, ainda esteve vivo “entre 15 minutos e uma hora” depois de ter sido despejado pelo patrão e um colega da obra, numa ruela deserta de Bruxelas, onde estava a trabalhar ilegalmente. Depois de ter caído de um andaime, vítima de um ataque cardíaco, em vez de ser socorrido foi transportado de camião e abandonado num local deserto. As autoridades belgas investigaram o caso e a autópsia concluiu que o português foi abandonado ainda com vida, noticiou na terça-feira o jornal belga La Dernière Heure.
O emigrante português, que vivia há 12 anos na Bélgica em situação legal, tinha sido despedido da empresa de construção belga Cassal há cerca de dois anos. Como não encontrava trabalho decidiu aceitar o que seria apenas um pequeno biscate não declarado como estucador, três dias por 500 euros.
Levantou-se às cinco da manhã, entrou às 6h e, ao final da manhã, caiu de um andaime vítima de um ataque cardíaco. No estaleiro gerou-se o pânico e o responsável logo chegou para tratar do assunto, noticiou a imprensa. Só que o patrão, em vez de pedir socorro, chamou um funcionáriospara ajudarem a transportar o homem para um camião. Depois de uma viagem de duas horas abandonaram o corpo numa ruela deserta de um parque de Bruxelas. De regresso ao trabalho, retomaram a obra.
A imprensa noticiou o que se passou este mês, mas o corpo já foi encontrado a 12 de Novembro, por um transeunte. O facto de ser sábado, um fim-de-semana prolongado, e o cadáver estar com roupas de trabalho sujas de tinta e gesso levantou as suspeitas da polícia que, depois de dois meses de investigação, localizou o estaleiro onde tudo se passou, da empresa EG-Batineuf.
Foi aberto um inquérito por falta de assistência a pessoa em perigo, ocultação da cadáver. Estão em causa várias infracções laborais, como trabalho não declarado, ausência de documentação social, condições que colocam em perigo a segurança e a saúde dos trabalhadores. Segundo o site informativo Lusófonos na Bélgica o patrão já tinha sido condenado em 2011 por empregar mão-de-obra clandestina.
O patrão da obra não só abandonou o operário como, nessa mesma noite, mandou um empregado pressionar a sua companheira, Maria de Lurdes Barroca Rodrigues, para que nada revelasse, oferecendo-lhe 10 mil euros para não ir à polícia, “e mais algum de tempos a tempos”. Maria de Lurdes, que vive em Bruxelas com 700 euros por mês, recusou a proposta diz o mesmo jornal. “Nunca iria aceitar aquele dinheiro sujo. Estou muito satisfeita com o trabalho da polícia. Deixaram-no morrer e desfizeram-se dele como se fosse um cão”, afirmou ao La Dernière Heure, no início de Fevereiro.
O português, natural de Fiais da Beira, freguesia de Ervedal da Beira (concelho de Oliveira do Hospital) tinha pendente no Tribunal de Trabalho de Bruxelas um processo por despedimento abusivo. O irónico é que depois da sua morte se soube que a justiça lhe tinha dado razão, condenando a empresa a pagar-lhe 14 mil euros, a empresa recorreu.
Segundo declarações de Rik Desmet, sindicalista da Federação Geral de construção FGTB, citado pelo site Lusófonos na Bélgica, o trabalho ilegal no país está a crescer: "Três quartos destas pessoas são originários de países lusófonos (portugueses, brasileiros, cabo-verdianos e angolanos). É muito difícil controlar este circuitos de tráfico humano, dado que eles trabalham em muitos locais diferentes. A construção é um sector onde os acidentes ocorrem com frequência. Se um trabalhador ilegal na construção tem um acidente, geralmente os chefes não sabem o que fazer temendo as multas".
António Nunes Coelho, de 49 anos, ainda esteve vivo “entre 15 minutos e uma hora” depois de ter sido despejado pelo patrão e um colega da obra, numa ruela deserta de Bruxelas, onde estava a trabalhar ilegalmente. Depois de ter caído de um andaime, vítima de um ataque cardíaco, em vez de ser socorrido foi transportado de camião e abandonado num local deserto. As autoridades belgas investigaram o caso e a autópsia concluiu que o português foi abandonado ainda com vida, noticiou na terça-feira o jornal belga La Dernière Heure.
O emigrante português, que vivia há 12 anos na Bélgica em situação legal, tinha sido despedido da empresa de construção belga Cassal há cerca de dois anos. Como não encontrava trabalho decidiu aceitar o que seria apenas um pequeno biscate não declarado como estucador, três dias por 500 euros.
Levantou-se às cinco da manhã, entrou às 6h e, ao final da manhã, caiu de um andaime vítima de um ataque cardíaco. No estaleiro gerou-se o pânico e o responsável logo chegou para tratar do assunto, noticiou a imprensa. Só que o patrão, em vez de pedir socorro, chamou um funcionáriospara ajudarem a transportar o homem para um camião. Depois de uma viagem de duas horas abandonaram o corpo numa ruela deserta de um parque de Bruxelas. De regresso ao trabalho, retomaram a obra.
A imprensa noticiou o que se passou este mês, mas o corpo já foi encontrado a 12 de Novembro, por um transeunte. O facto de ser sábado, um fim-de-semana prolongado, e o cadáver estar com roupas de trabalho sujas de tinta e gesso levantou as suspeitas da polícia que, depois de dois meses de investigação, localizou o estaleiro onde tudo se passou, da empresa EG-Batineuf.
Foi aberto um inquérito por falta de assistência a pessoa em perigo, ocultação da cadáver. Estão em causa várias infracções laborais, como trabalho não declarado, ausência de documentação social, condições que colocam em perigo a segurança e a saúde dos trabalhadores. Segundo o site informativo Lusófonos na Bélgica o patrão já tinha sido condenado em 2011 por empregar mão-de-obra clandestina.
O patrão da obra não só abandonou o operário como, nessa mesma noite, mandou um empregado pressionar a sua companheira, Maria de Lurdes Barroca Rodrigues, para que nada revelasse, oferecendo-lhe 10 mil euros para não ir à polícia, “e mais algum de tempos a tempos”. Maria de Lurdes, que vive em Bruxelas com 700 euros por mês, recusou a proposta diz o mesmo jornal. “Nunca iria aceitar aquele dinheiro sujo. Estou muito satisfeita com o trabalho da polícia. Deixaram-no morrer e desfizeram-se dele como se fosse um cão”, afirmou ao La Dernière Heure, no início de Fevereiro.
O português, natural de Fiais da Beira, freguesia de Ervedal da Beira (concelho de Oliveira do Hospital) tinha pendente no Tribunal de Trabalho de Bruxelas um processo por despedimento abusivo. O irónico é que depois da sua morte se soube que a justiça lhe tinha dado razão, condenando a empresa a pagar-lhe 14 mil euros, a empresa recorreu.
Segundo declarações de Rik Desmet, sindicalista da Federação Geral de construção FGTB, citado pelo site Lusófonos na Bélgica, o trabalho ilegal no país está a crescer: "Três quartos destas pessoas são originários de países lusófonos (portugueses, brasileiros, cabo-verdianos e angolanos). É muito difícil controlar este circuitos de tráfico humano, dado que eles trabalham em muitos locais diferentes. A construção é um sector onde os acidentes ocorrem com frequência. Se um trabalhador ilegal na construção tem um acidente, geralmente os chefes não sabem o que fazer temendo as multas".
Subscrever:
Mensagens (Atom)

