por Domingos Pinto, in RR
Pastoral Universitária critica proposta avançada por uma faculdade de Lisboa, que sugeriu a estudantes com propinas em atraso que recorressem a empréstimos bancários.
A Pastoral Universitária diz que é "uma ilusão" e uma proposta "quase mórbida" dar crédito a estudantes que já não conseguem sequer pagar propinas.
A crítica é do padre Nuno Miguel dos Santos, a propósito da carta que o presidente da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa escreveu a 2300 alunos a sugerir o recurso a empréstimos bancários para pagar propinas em atraso.
Para a Igreja, o sobreendividamento de quem já vive com sérias dificuldades para estudar não é a melhor solução.
“Percebo que quem esteja à frente de uma instituição queira ver o seu problema resolvido. Agora, sugerir fazer créditos a pessoas que não têm recursos parece-me uma ilusão, quase mórbido, no sentido de que agudiza as dificuldades. Se já não têm capacidade de pagar as despesas de hoje, não se percebe qual é a vantagem de uma solução dessas”, refere o padre Nuno Miguel dos Santos.
Numa altura em que já se prepara um novo ano lectivo, o padre Nuno Miguel dos Santos deixa três apelosao Governo. “Que procure encontrar soluções que dêem ao ensino superior essa capacidade de ser um ponto importante para o nosso desenvolvimento; que se procure resolver esta questão das dívidas à Segurança Social e ou às Finanças, procurando que cada aluno seja autónomo e não responda pelos devedores do seu agregado familiar; e que se valorize nas bolsas a questão académica - aqueles que têm mais capacidade académica, mas que têm dificuldades de pagamento, devem ser reconhecidos e apoiados”.
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2.5.12
Alunos trabalham na cantina para pagar propinas
Eduardo Pinto, in Jornal de Notícias
Cláudia e Bruno são dois dos 12 alunos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro que trabalham nas cantinas. Comem de borla e ganham 2 euros por hora. Importante ajuda para continuar estudos.
São onze e meia de segunda-feira e numa das mesas na cantina da Quinta de Prados, o campus da UTAD em Vila Real, Cláudia Machado e Bruno Oliveira preparam-se para almoçar. Comem num ápice, tal como os funcionários. Em meia hora, haverá estudantes porta adentro. Famintos.
Cláudia e Bruno são dois dos 12 alunos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro que trabalham nas cantinas. Comem de borla e ganham 2 euros por hora. Importante ajuda para continuar estudos.
São onze e meia de segunda-feira e numa das mesas na cantina da Quinta de Prados, o campus da UTAD em Vila Real, Cláudia Machado e Bruno Oliveira preparam-se para almoçar. Comem num ápice, tal como os funcionários. Em meia hora, haverá estudantes porta adentro. Famintos.
19.4.12
Cáritas diz que há alunos expulsos de residências universitárias por falta de dinheiro
in Público online
O presidente da Cáritas Portuguesa afirma que há alunos do Ensino Superior a serem expulsos das residências universitárias por não conseguirem pagar as mensalidades, mesmo quando estas estruturas são geridas pelos serviços sociais das universidades.
“Fomos contactados por alunos que, quando chegaram do fim-de-semana, não puderam entrar [nas residências] porque tinham mensalidades em atraso”, denunciou Eugénio Fonseca, em declarações aos jornalistas à margem de um encontro sobre emigração que decorreu nesta quinta-feira em Lisboa.
Eugénio Fonseca sublinhou que se trata de “residências que são geridas pelos serviços sociais das universidades”.
Estas declarações surgem dias depois de o Serviço Nacional da Pastoral do Ensino Superior ter denunciado a situação de alguns alunos obrigados a abandonar os estudos por falta de dinheiro.
Questionado sobre a denúncia da pastoral universitária, Eugénio Fonseca sublinhou que a Cáritas “foi quem primeiro alertou para o problema, há mais de dois anos”.
Problemas também no ensino público
“Nunca acontecera, nas ajudas pecuniárias da Cáritas, termos de pagar propinas. E não estamos a falar de propinas de alunos que tiveram de ingressar no ensino particular. Mesmo no público, há famílias que não conseguem suportar as propinas”, disse.
Em causa, defendeu, estão as alterações às regras de acesso às bolsas de estudo: “Hoje, para se aceder a bolsas de estudo é preciso estar numa situação paupérrima, miserável.”
Por outro lado, como o Estado não faz uma monitorização adequada, “há gente que tem rendimentos camuflados e acede a bolsas de estudo indevidamente, o que é revoltante”, considerou.
Segundo Eugénio Fonseca, os casos que chegam ao conhecimento da Cáritas são sobretudo de filhos de pais que ficaram desempregados ou que perderam parte dos recursos devido a reduções salariais ou ao fim dos subsídios de férias e de Natal.
“São pessoas que puseram os filhos no ensino superior contando com recursos que desapareceram”, afirmou, acrescentando que a isto se soma o aumento do custo de vida, nomeadamente dos preços dos transportes, no caso dos que vivem nas periferias das cidades.
O presidente da Cáritas Portuguesa afirma que há alunos do Ensino Superior a serem expulsos das residências universitárias por não conseguirem pagar as mensalidades, mesmo quando estas estruturas são geridas pelos serviços sociais das universidades.
“Fomos contactados por alunos que, quando chegaram do fim-de-semana, não puderam entrar [nas residências] porque tinham mensalidades em atraso”, denunciou Eugénio Fonseca, em declarações aos jornalistas à margem de um encontro sobre emigração que decorreu nesta quinta-feira em Lisboa.
Eugénio Fonseca sublinhou que se trata de “residências que são geridas pelos serviços sociais das universidades”.
Estas declarações surgem dias depois de o Serviço Nacional da Pastoral do Ensino Superior ter denunciado a situação de alguns alunos obrigados a abandonar os estudos por falta de dinheiro.
Questionado sobre a denúncia da pastoral universitária, Eugénio Fonseca sublinhou que a Cáritas “foi quem primeiro alertou para o problema, há mais de dois anos”.
Problemas também no ensino público
“Nunca acontecera, nas ajudas pecuniárias da Cáritas, termos de pagar propinas. E não estamos a falar de propinas de alunos que tiveram de ingressar no ensino particular. Mesmo no público, há famílias que não conseguem suportar as propinas”, disse.
Em causa, defendeu, estão as alterações às regras de acesso às bolsas de estudo: “Hoje, para se aceder a bolsas de estudo é preciso estar numa situação paupérrima, miserável.”
Por outro lado, como o Estado não faz uma monitorização adequada, “há gente que tem rendimentos camuflados e acede a bolsas de estudo indevidamente, o que é revoltante”, considerou.
Segundo Eugénio Fonseca, os casos que chegam ao conhecimento da Cáritas são sobretudo de filhos de pais que ficaram desempregados ou que perderam parte dos recursos devido a reduções salariais ou ao fim dos subsídios de férias e de Natal.
“São pessoas que puseram os filhos no ensino superior contando com recursos que desapareceram”, afirmou, acrescentando que a isto se soma o aumento do custo de vida, nomeadamente dos preços dos transportes, no caso dos que vivem nas periferias das cidades.
20.3.12
Quase metade dos alunos do Superior em dificuldades económicas
in Jornal de Notícias
Quase metade dos alunos do Ensino Superior atravessa dificuldades económicas, muitos temem abandonar o curso ainda neste ano letivo e 58% não se sente preparado para entrar no mercado de trabalho, revela um estudo divulgado esta segunda-feira.
Estes são os dados nacionais dos inquéritos feitos aos universitários e tratados pela Associação Académica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (AAUTAD), para saber qual a situação económica e as dificuldades dos estudantes do Ensino Superior.
O estudo foi divulgado esta segunda-feira num encontro com jornalistas, após o Encontro Nacional de Direções Associativas (ENDA), que decorreu em Évora durante o fim de semana e que reuniu dirigentes das associações académicas e de estudantes das universidades e institutos politécnicos nacionais.
De acordo com os promotores do estudo, aos inquéritos, que foram feitos já este ano nas universidades e politécnicos de Portugal Continental e Açores, responderam quatro mil alunos num universo de cerca de 130 mil estudantes.
Dos quatro mil inquiridos, 1.855 (48%) afirmou passar dificuldades económicas, destes, 1.224 (65%) disseram temer abandonar o Ensino Superior por esse motivo e 1.275 (69%) revelaram que não recebem bolsa de ação social.
Nos inquéritos foi perguntado aos alunos se se sentem preparados para entrar no mercado de trabalho, tendo 2.214 (58%) respondido que não e 1.620 (42%) que sim.
Os estudantes foram também questionados sobre se a sua formação se ajusta às oportunidades de emprego em Portugal, com mais de metade (62%) a considerar que não e 38% que sim.
Quanto às intenções de emigrar depois de terminar o curso, 2.110 (55%) responderam que sim e 1.743 (45%) disseram que não.
O presidente da AAUTAD, Sérgio Martinho, disse que o associativismo nacional está "muito preocupado" com os dados revelados pelo estudo, cujo resultado vai ser enviado para a tutela e para outros órgãos do setor para "terem a noção da realidade do Ensino Superior".
"Quase metade dos alunos que respondeu a estes inquéritos demonstra dificuldades económicas e isto preocupa-nos muito", porque "daí advêm muitos outros problemas, nomeadamente a continuação da frequência no Ensino Superior", afirmou o responsável.
O dirigente estudantil defendeu que "tem de haver um maior apoio" para os alunos com dificuldades económicas e "mais informação" sobre as ajudas para que esses estudantes possam continuar a estudar.
Quase metade dos alunos do Ensino Superior atravessa dificuldades económicas, muitos temem abandonar o curso ainda neste ano letivo e 58% não se sente preparado para entrar no mercado de trabalho, revela um estudo divulgado esta segunda-feira.
Estes são os dados nacionais dos inquéritos feitos aos universitários e tratados pela Associação Académica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (AAUTAD), para saber qual a situação económica e as dificuldades dos estudantes do Ensino Superior.
O estudo foi divulgado esta segunda-feira num encontro com jornalistas, após o Encontro Nacional de Direções Associativas (ENDA), que decorreu em Évora durante o fim de semana e que reuniu dirigentes das associações académicas e de estudantes das universidades e institutos politécnicos nacionais.
De acordo com os promotores do estudo, aos inquéritos, que foram feitos já este ano nas universidades e politécnicos de Portugal Continental e Açores, responderam quatro mil alunos num universo de cerca de 130 mil estudantes.
Dos quatro mil inquiridos, 1.855 (48%) afirmou passar dificuldades económicas, destes, 1.224 (65%) disseram temer abandonar o Ensino Superior por esse motivo e 1.275 (69%) revelaram que não recebem bolsa de ação social.
Nos inquéritos foi perguntado aos alunos se se sentem preparados para entrar no mercado de trabalho, tendo 2.214 (58%) respondido que não e 1.620 (42%) que sim.
Os estudantes foram também questionados sobre se a sua formação se ajusta às oportunidades de emprego em Portugal, com mais de metade (62%) a considerar que não e 38% que sim.
Quanto às intenções de emigrar depois de terminar o curso, 2.110 (55%) responderam que sim e 1.743 (45%) disseram que não.
O presidente da AAUTAD, Sérgio Martinho, disse que o associativismo nacional está "muito preocupado" com os dados revelados pelo estudo, cujo resultado vai ser enviado para a tutela e para outros órgãos do setor para "terem a noção da realidade do Ensino Superior".
"Quase metade dos alunos que respondeu a estes inquéritos demonstra dificuldades económicas e isto preocupa-nos muito", porque "daí advêm muitos outros problemas, nomeadamente a continuação da frequência no Ensino Superior", afirmou o responsável.
O dirigente estudantil defendeu que "tem de haver um maior apoio" para os alunos com dificuldades económicas e "mais informação" sobre as ajudas para que esses estudantes possam continuar a estudar.
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