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4.5.23

Empresas de transportes têm dificuldade em contratar e precisam de ir buscar reformados

Diogo Ferreira Nunes, in ECO



CP e Metro de Lisboa são as empresas de transportes com mais dificuldades em contratar trabalhadores para as oficinas. As duas companhias estão mesmo a ser obrigadas a chamar trabalhadores já reformados para reforçarem temporariamente os quadros. Maior autonomia de gestão sobre o Estado é a principal exigência.

“Queremos estar em pé de igualdade com os privados. Ambicionamos estar no mercado com os privados com autonomia de gestão. Não podemos estar amarrados a regras. Estado tem de se posicionar como um acionista normal, caso contrário a CP vai desaparecer”, avisou Pedro Moreira, presidente do conselho de administração da CP.

Pedro Moreira concretizou a afirmação com as dificuldades na hora de procurar talento: “Temos técnicos altamente qualificados que pedem 50% acima do valor-base que podemos pagar. Se for conduzir um tuk-tuk em Lisboa ganho muito mais do que numa oficina da CP, dizem os técnicos que saem das oficinas”. Também há dificuldades no recrutamento para a área de sistemas de informação.


O Metro de Lisboa vive problema semelhante. “Temos imensa dificuldade em arranjar quadros: perdemos muita formação e estamos a recorrer a reformados para resolver o nosso problema. Não podemos esperar pelas pessoas se reformarem, pois os recursos humanos são fundamentais para garantir o investimento da ferrovia”, adiantou Vítor Domingues dos Santos.


O líder do Metro de Lisboa também reclamou maior autonomia de gestão e exigiu um contrato de serviço público junto do Estado, garantindo previsibilidade no financiamento e fixando metas de frequência de comboios para os passageiros.

A exigência de maior planeamento também veio da parte da Infraestruturas de Portugal. “O Plano Ferroviário Nacional não nos dá uma listagem de investimentos. Dá-nos um horizonte. Os investimentos ao longo do tempo terão oscilações, mas permitem dar-nos uma visibilidade sobre os trabalhos que queremos fazer. Isto tem de introduzir uma mensagem do Estado sobre qual o caminho a seguir. Terão de ser criadas condições para os investimentos”, referiu o presidente da gestora da rede ferroviária nacional, Miguel Cruz.


Mais otimista, o presidente do Metro do Porto, Tiago Braga, salientou que “o atual contexto é favorável ao investimento de transporte coletivo” e permitirá alavancar a expansão da rede.

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3.8.22

Portugal precisa entre 45 a 50 mil trabalhadores para setor do turismo

in Dinheiro Vivo

Com o novo regime de vistos de entrada de trabalhadores de países de língua portuguesa, o Governo vai arrancar, no último trimestre do ano, com uma missão empresarial para atrair essa força laboral para Portugal.

A secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, defende que Portugal precisa entre 45 mil a 50 mil trabalhadores no turismo, vagas que poderão ser preenchidas por trabalhadores de países de língua portuguesa ao abrigo do novo regime de vistos recentemente aprovado, afirmou esta terça-feira.

Em declarações à Lusa, à margem de uma visita ao Algarve, Rita Marques adiantou que está a ser preparada, para o último trimestre do ano, uma "missão empresarial" para "garantir" que o país receba trabalhadores desses países.

"O objetivo é levar uma comitiva de empresários portugueses que estejam à procura de reforçar os mapas de pessoal, identificando trabalhadores dessas geografias que estejam interessados em vir para Portugal [...] e que os serviços consulares possam depois, administrativamente, despachar favoravelmente os vistos", de forma a trazer para Portugal "trabalhadores que pretendem ingressar neste setor de atividade", precisou.

Segundo a secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, que esteve reunida com vários representantes do setor do turismo no Algarve, a missão empresarial portuguesa, que conta com várias áreas do Governo, como o "Trabalho, Negócios Estrangeiros e Economia", deverá realizar-se no último trimestre de 2022.

"Nesta altura, em que há uma retoma pujante do setor do turismo", o turismo está "a viver vários desafios e um deles tem a ver, justamente, com a falta de capital humano", referiu, adiantando que, durante o encontro com empresários do setor, foi abordada a nova lei votada favoravelmente na Assembleia da República a 21 de julho.

De acordo com a governante, a nova lei veio introduzir "alterações muitíssimo relevantes e substanciais na emissão de vistos, designadamente no âmbito dos países que ratificaram o acordo da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa]".

Estimando que o país precisa entre 45 mil a 50 mil trabalhadores no setor para garantir a qualidade de serviços no turismo, Rita Marques considerou que o novo regime de entrada e permanência de trabalhadores em Portugal "pode ser útil justamente para se poder importar capital humano".

No entanto, sublinhou, há a preocupação "de garantir que este capital humano também é adequadamente formado e capacitado" para manter "uma prestação de serviços de excelência" no setor, envolvendo nesta matéria as escolas de hotelaria e turismo nacionais.