Mostrar mensagens com a etiqueta PALOP. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta PALOP. Mostrar todas as mensagens

27.4.23

Novos pedidos de ajuda à AMI aumentaram 46% no primeiro trimestre deste ano

Por Lusa, in Expresso



A organização regista um aumento de 46% no apoio a pessoas vulneráveis, sendo o serviço de distribuição alimentar um dos mais usados pelos portugueses e o que regista um maior crescimento anual


O número de novos pedidos de ajuda à AMI - Assistência Médica Internacional - aumentou 46% no primeiro trimestre deste ano e 53% nos casos de pessoas em situação de sem-abrigo face ao período homólogo, anunciou hoje a instituição.



A AMI especifica que os seus serviços sociais apoiaram no primeiro trimestre 5.409 pessoas em situação de vulnerabilidade social, das quais 533 procuraram apoio pela primeira vez, um aumento de 46% em relação ao mesmo período de 2022.

Das pessoas apoiadas, 50% são homens (2.692) e 50% são mulheres (2717), encontrando-se a maioria em idade ativa, entre os 16 e os 66 anos (70%), seguida de menores de 16 anos (21%) e dos maiores de 66 anos (7%).

A maioria (79%) são naturais de Portugal e 6% dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

No que diz respeito ao emprego, 43% das pessoas com mais de 16 anos, não exerce qualquer atividade profissional e 41% não tem formação profissional.

De acordo com a AMI, os recursos económicos provêm sobretudo de apoios sociais como o RSI - Rendimento Social de Inserção (18%), pensões e reformas (10%), subsídios e apoios institucionais (5%).

"Apesar de 8% [das pessoas] ter rendimentos de trabalho, estes são precários e insuficientes", indica a instituição, em comunicado.

Quanto ao número de pessoas em situação de sem-abrigo, a AMI destaca que atingiu 873 pessoas (mais 14% face ao primeiro trimestre de 2022), tendo-se registado 142 novos casos (mais 53% face ao período homólogo).

A instituição adianta ainda que as Equipas de Rua da AMI apoiaram 173 pessoas em situação de sem-abrigo no primeiro trimestre (mais 30% relativamente ao mesmo período em 2022), das quais 46 foram apoiadas pela primeira vez.

No que diz respeito aos serviços prestados pelos equipamentos sociais da AMI em Portugal, 1.312 das pessoas acompanhadas usufruíram do Apoio Social, 1.343 foram apoiadas com distribuição de géneros alimentares e 600 pessoas recorreram ao serviço de refeitório.

O serviço de refeitório, segundo a AMI, é "um dos mais utilizados neste primeiro trimestre, com um total de 40.043 refeições servidas nos Centros Porta Amiga, Abrigos Noturnos e Serviço de Apoio Domiciliário".

3.6.14

Estudo sobre imigrantes sem-abrigo pede garantias mínimas de sobrevivência

in Público on-line

Investigação sobre imigrantes sem-abrigo a viver em Portugal identificou 680 pessoas. A maioria vive em Lisboa e são sobretudo homens oriundos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

Um estudo sobre imigrantes sem-abrigo a viver em Portugal concluiu que a maioria vive em Lisboa, e que são sobretudo homens vindos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). As autoras da investigação defendem o reforço institucional de medidas que garantam o acesso a condições mínimas de sobrevivência, mas também oportunidades que tornem estas pessoas cidadãos de pleno direito.

Os dados pertencem ao estudo "Imigrantes sem-abrigo em Portugal", editado pelo Observatório da Imigração, e mostram que foi possível identificar 680 pessoas imigrantes a viver na condição de sem-abrigo. O trabalho foi coordenado por Teresa Líbano Monteiro e realizado por Verónica Policarpo, Vanda Ramalho e Isabel Santos.

Nas recomendações, as autoras defendem que qualquer política de prevenção e minimização do problema deve ter em conta as políticas do Plano de Integração dos Imigrantes (PII) e da Estratégia Nacional de Integração das Pessoas sem-abrigo.

"Recomenda-se que o Estado português possa reforçar ainda mais a articulação com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa com os quais desenvolveu acordos de saúde, para o tratamento de cidadãos estrangeiros no Serviço Nacional de Saúde", sugerem as investigadoras. Quase metade (49%) encontra-se doente e a condição de saúde mais referida (35%) foi o alcoolismo. Em relação à escolaridade, a maioria (cerca de 42%) tem o nível básico ou menos, sendo que destes, 6% não possui qualquer qualificação. Por outro lado, há 17% que têm o ensino secundário concluído e 6% com uma licenciatura.

Os indivíduos dos PALOP são aqueles que têm menos qualificações, enquanto no lado oposto (com ensino superior ou formação profissional) estão os cidadãos da Ucrânia e de outros países de Leste.

Maioria está desempregada
Esta investigação, da responsabilidade do Alto Comissariado para as Migrações (antigo ACIDI), revelou ainda que metade das pessoas não tem documentação legal, enquanto apenas 30% tem um visto ou uma autorização de residência, sendo que na maioria destes casos (79,1%), a autorização de residência destina-se ao exercício de atividade profissional subordinada. Estes 79,1% representam 91 pessoas, sendo que destas, 74 estão desempregadas. Aliás, no que diz respeito à situação laboral, o estudo demonstra que "a esmagadora maioria" dos inquiridos (544) está desempregada.

As autoras pedem o "esclarecimento da jurisprudência e uma maior divulgação e esclarecimento público" sobre as leis da imigração, bem como o desenvolvimento de campanhas públicas e mediáticas, para além de mais medidas judiciais e policiais "de repressão ao incumprimento da lei, por parte das entidades patronais".

No estudo, as investigadoras propõem igualmente que sejam encontradas "formas mais ágeis de regularizar as pessoas na busca da auto-sustentação através de uma actividade profissional remunerada", bem como o reforço do programa "Português para Todos".

E sublinham que "o acesso a estes indivíduos é particularmente difícil" pelo facto de estarem em causa dois tipos de população que normalmente são consideradas "ocultas" e "escondidas". O levantamento foi, por isso, feito através dos técnicos que trabalham nas instituições que prestam apoio a estas pessoas, tendo sido possível conhecer 680 imigrantes sem-abrigo, um número que, não sendo representativo, "é a aproximação possível a um universo de contornos indefinidos".

Três quartos estão em Lisboa
A maioria dos imigrantes sem-abrigo está na cidade de Lisboa, onde foram identificados 514 (75,6%), um fenómeno expectável, segundo as autoras, "tendo em conta a relação existente entre os fenómenos de urbanização, atracção de mão-de-obra migrante e intensificação de pobreza". A grande maioria (90,3%) destas pessoas são homens, havendo apenas 66 mulheres, sobretudo dos PALOP (40,3%), com idade entre os 36 e os 45 anos. Há também uma percentagem elevada (23,7%) entre os 26 e os 35 anos e entre os 46 e os 55 anos (27,3%).

A Ucrânia surge em segundo lugar (16%), logo seguida pela Roménia (6%). E 34 dos 680 imigrantes vêm de países da Europa Ocidental, como Itália, Espanha, Alemanha, França, Áustria, Dinamarca, Noruega, Reino Unido, Bélgica, Grécia e Irlanda. Não foi possível compreender melhor o perfil destas pessoas, de modo a identificar que características do seu percurso de vida fizeram com que, apesar de serem oriundos de países com maior índice de desenvolvimento que Portugal, tenham ficado na condição de sem-abrigo.

As investigadoras apontam que "apesar da nacionalidade brasileira ser a mais representada na imigração actual, os sem-abrigo brasileiros representam apenas 6% dos indivíduos em análise", fenómeno explicado pela "maior empregabilidade e integração social" dos cidadãos brasileiros.