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2.4.13

Suicídio. Plano prevê aumento do preço das bebidas alcoólicas e restrição do acesso a meios letais

in iOnline

O aumento do preço das bebidas alcoólicas e a restrição do acesso a meios letais, bem como o investimento em saúde mental nas crises são algumas das medidas do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio, hoje divulgado.

O documento, disponível no site da Direção Geral da Saúde (DGS), refere que “em Portugal, a taxa de suicídios por 100.000 habitantes, em 2010, foi de 10,3”.

Trata-se de “uma taxa superior à de quaisquer outras mortes violentas, nomeadamente por acidentes de viação e acidentes de trabalho”, lê-se no documento definido para os anos 2013/2017.

Da autoria do Programa Nacional para a Saúde Mental, o plano foi elaborado para contemplar essencialmente três grupos populacionais: população em geral, grupos de risco (indivíduos que, devido a fatores sociodemográficos ou patogénicos, apresentem alto risco de suicídio) e grupos específicos (que tenham cometido tentativa de suicídio).

No documento, que estará em consulta pública durante 30 dias, é recomendado o aumento do preço das bebidas alcoólicas, a definição de um preço mínimo e o “reconhecimento precoce de consumos, bem como de depressão e risco de suicídio”.

Sobre a prevenção do consumo de bebidas alcoólicas, o Plano refere que “esta estratégia decorre da relação direta entre o consumo de risco e suicídio, decorrente não só da dependência alcoólica como de consumos episódicos muito elevados”.

“Envolve diversos aspetos como: respostas dos serviços de saúde, incluindo intervenção da saúde pública, venda, consumo público e publicidade de bebidas alcoólicas, redução das consequências negativas das intoxicações alcoólicas, maior fiscalização e nível de coimas e outras penalizações para infratores ao Código da Estrada”.

Os autores preconizam a restrição do acesso a meios letais, lembrando que “a remoção ou controlo dos meios habitualmente usados para cometer suicídio tem sido eficaz em vários países”.

“Esta estratégia inclui um maior rigor na concessão de licenças de uso e porte de arma de fogo, incluindo caçadeiras, vedação do acesso a certos sítios altos, colocação de redes ou barreiras de proteção em certos locais, dificultação na compra, armazenagem e distribuição de pesticidas”, lê-se no Plano.

Os autores sublinham que “este objetivo carece não só de legislação e fiscalização adequadas, mas também de um maior envolvimento das autarquias e da sociedade civil de modo a informar e fazer pedagogia sobre alguns dos perigos inerentes”.

Ao nível do consumo de medicamentos, os especialistas em saúde mental que elaboraram este Plano consideram “necessário adotar medidas destinadas a reduzir a prescrição e o consumo crónico destes psicofármacos”.

Contudo, lembram os autores, “as últimas medidas legislativas recentes que visaram uma «maior racionalidade, transparência e monitorização, como elementos fundamentais para uma política do medicamento centrada no cidadão, promovendo acesso, equidade e sustentabilidade, à luz da melhor evidência científica disponível e nas melhores práticas internacionais» não disciplinaram a prescrição médica, nomeadamente de psicofármacos (benzodiazepinas e antidepressivos)”.

Tal facto “acentua a necessidade de desenho e implementação de ações complementares orientadas para a informação e sensibilização de médicos e pacientes”.

14.3.13

Portugal é o terceiro país da Europa onde suicídio mais cresceu

in Jornal de Notícias

Portugal é o terceiro país da Europa onde o suicídio mais cresceu nos últimos 15 anos, estimando-se que morram mais de cinco pessoas por dia, revela um relatório europeu que é apresentado esta quinta-feira.

Os dados constam do projeto OSPI-Europe, uma estratégia de prevenção do suicídio preconizada pela Aliança Europeia Contra a Depressão (EAAD), organizada em quatro níveis de intervenção.

Segundo o mesmo documento, estima-se que cerca de 20 milhões de europeus sofrem de depressão e mais de 60 mil morrem anualmente por suicídio.

Em Portugal, as doenças mentais comuns afetam quase 23 por cento (%) dos portugueses adultos (mais de dois milhões por ano) e a depressão afeta 7,9% dos adultos (400 mil pessoas), sendo o suicídio uma complicação médica resultante destas perturbações mentais, em particular da depressão.

Em Portugal morrem por ano cerca de duas mil pessoas por suicídio, sendo mais de mil registadas como suicídio e outras tantas como mortes violentas indeterminadas, estimando-se que mais de 75% destas sejam suicídios escondidos.

Nos últimos 15 anos registou-se uma tendência para o aumento do suicídio no país.

Na Europa, além de Portugal, este fenómeno de aumento só se verifica em Malta, na Islândia e na Polónia.

O suicídio de cada português tem um custo "muito elevado, considerando custos diretos, indiretos e custos humanos intangíveis". Estes últimos correspondem a 85% do custo, pelo que 300 mil euros dizem respeito a custos diretos e indiretos.

Para fazer face a esta realidade, o EEAD desenvolveu um modelo (OSPI-Europe), testado e documentado, "com evidência científica" de redução de suicídio nas regiões onde foi aplicado.

O modelo de quatro níveis caracteriza-se por uma intervenção comunitária que tem como alvo os cuidados de saúde primários, a população em geral, os recursos comunitários locais (como padres, professores, polícia ou media) e serviços e cuidados específicos (como os grupos de auto-ajuda).

O elemento principal deste projeto é a transmissão de conhecimento, através de sessões de formação, e tem como finalidade apresentar recomendações aos decisores políticos de saúde, de forma a que adotem medidas de prevenção do suicídio com base científica.

Esta estratégia foi aplicada na Alemanha, na Hungria, na Irlanda e em Portugal, com o objetivo de se obter a sua validação científica.

Em Portugal, a projeto-piloto foi no concelho da Amadora e a 'região controlo' foi o concelho de Almada, tendo sido formados profissionais de saúde, assistentes sociais, polícias, padres, farmacêuticos e professores.

Em termos de resultados, as taxas de tentativa de suicídio diminuíram, dois anos depois do início do projeto, de 150 para 115 por 100 mil (menos 23,3%) na Amadora. Já em Almada verificou-se um aumento de 122 para 138 por 100 mil (mais 13,1%).

"Em números absolutos, foi observada uma redução de 18,05% na Amadora em relação a Almada", refere o documento.

A EEAD pretende que a estratégia nacional de prevenção do suicídio consiga reduzir a taxa de suicídio em 15% até 2017 e que o suicídio passe a ser encarado como uma complicação médica, que pode ser prevenida, acabando com o estigma associado a este tipo de morte e à depressão.

O estudo OSPI-Europe -- "Otimização de Programas de Prevenção do Suicídio e sua Implementação na Europa", financiado pelo 7.º Programa-Quadro de Investigação e Desenvolvimento da Comissão Europeia, teve inicio em Outubro de 2008 e termina no dia 30 de Março.