Por Rosa Ramos, in iOnline
Estatísticas da APAV mostram que, em 13 anos, a violência contra crianças aumentou cinco vezes
As crianças e os idosos são os grupos em que a violência doméstica mais aumentou nos últimos 13 anos. As estatísticas da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) divulgadas ontem mostram que as vítimas de violência em casa com mais de 65 anos quase triplicaram entre 2000 e 2013, passando de 240 casos registados para 603.
No mesmo período, a violência doméstica contra crianças e jovens também aumentou: se em 2000, 88 crianças com menos de 10 anos foram vítimas de violência, o número subiu para 469 no ano passado. Na faixa etária entre os 10 e os 17 anos, os casos reportados à APAV também subiram consideravelmente, de 105 para 368.
Ainda assim, a violência contra idosos e crianças continua a ser residual, olhando as estatísticas de forma global. Em 2013, a violência infligida a pessoas com mais de 65 anos representou 8,3% do total de casos, enquanto que a violência doméstica envolvendo menores representou 11,6%. No total, a APAV registou, no ano passado, 7265 vítimas de violência doméstica - sendo a faixa etária entre os 35 e os 40 anos a que regista mais situações, com 716. Porém, as vítimas nestas faixas etárias têm vindo a diminuir. Em 2000, a APAV sinalizou 1191 vítimas de violência em casa com idades entre os 36 e os 45 anos, enquanto que no ano passado o número de situações nesta faixa etária baixou para 716.
O que parece não ter mudado ao longo dos últimos 13 anos é o perfil-tipo das vítimas: continuam a ser sobretudo mulheres (85% das situações) e os agressores maioritariamente homens. Já a relação vítima/autor do crime que regista maior número de casos é a de cônjuge ou companheiro, com um total de 53 506 casos entre 2000 e 2013.
No relatório mais recente sobre o fenómeno, a APAV sublinha que, "na violência doméstica em sentido lato" predominam os crimes de "violação", "violação da obrigação de alimentos" e "abuso sexual", com 1877, 1505 e 1472 casos, respectivamente. "Na violência doméstica em sentido estrito", destacam-se os crimes de "maus-tratos psíquicos", com o registo de 56344 casos, seguido dos "maus-tratos físicos", com 50935 casos. A associação destaca, por outro lado, que nos últimos 13 anos se registaram 619 homicídios em contexto doméstico.
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24.11.12
Governo apresenta campanha contra violência doméstica com foco nas crianças
in Jornal de Notícias
O Governo apresenta, esta sexta-feira, a nova campanha contra a violência doméstica que este ano pretende chamar a atenção para os efeitos negativos nas crianças que presenciam atos de violência contra as mães.
A campanha é lançada pela Comissão para a Igualdade de Género (CIG) e serve para assinalar o Dia Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra as Mulheres, a 25 de novembro, contando com a presença do ministro Miguel Relvas e da secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais, que tutela a CIG.
"A campanha deste ano tem como objetivo alertar para os efeitos nefastos que a violência exercida sobre as mães tem sobre os seus filhos que ficam marcados por essa violência para toda a vida", lê-se num comunicado do gabinete do ministro.
Acrescenta que "os números do Relatório Anual de Segurança Interna relativos ao ano passado vieram mostrar que 41,5% das situações reportadas às forças de segurança foram presenciadas por crianças" e que, por isso, "a nova campanha pretende apelar a todas as pessoas no sentido de expressarem a sua indignação relativamente à persistência desta forma de violência que vitimiza idosos e crianças mas se exerce maioritariamente sobre as mulheres".
A campanha insere-se nas Jornadas Nacionais Contra a Violência Doméstica e é apresentada pelas 15:00 no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
Estas jornadas decorrem até dia 15 de dezembro e "pretendem colocar o fenómeno da violência doméstica e de género no centro das atenções do debate público".
Para isso estão previstas diversas iniciativas em áreas como a segurança, justiça, saúde, educação, segurança social, emprego, em cooperação com autarquias, universidades, organizações internacionais e não-governamentais, bem como países de expressão portuguesa.
O Governo apresenta, esta sexta-feira, a nova campanha contra a violência doméstica que este ano pretende chamar a atenção para os efeitos negativos nas crianças que presenciam atos de violência contra as mães.
A campanha é lançada pela Comissão para a Igualdade de Género (CIG) e serve para assinalar o Dia Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra as Mulheres, a 25 de novembro, contando com a presença do ministro Miguel Relvas e da secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais, que tutela a CIG.
"A campanha deste ano tem como objetivo alertar para os efeitos nefastos que a violência exercida sobre as mães tem sobre os seus filhos que ficam marcados por essa violência para toda a vida", lê-se num comunicado do gabinete do ministro.
Acrescenta que "os números do Relatório Anual de Segurança Interna relativos ao ano passado vieram mostrar que 41,5% das situações reportadas às forças de segurança foram presenciadas por crianças" e que, por isso, "a nova campanha pretende apelar a todas as pessoas no sentido de expressarem a sua indignação relativamente à persistência desta forma de violência que vitimiza idosos e crianças mas se exerce maioritariamente sobre as mulheres".
A campanha insere-se nas Jornadas Nacionais Contra a Violência Doméstica e é apresentada pelas 15:00 no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
Estas jornadas decorrem até dia 15 de dezembro e "pretendem colocar o fenómeno da violência doméstica e de género no centro das atenções do debate público".
Para isso estão previstas diversas iniciativas em áreas como a segurança, justiça, saúde, educação, segurança social, emprego, em cooperação com autarquias, universidades, organizações internacionais e não-governamentais, bem como países de expressão portuguesa.
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