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30.12.14

Violência doméstica contra crianças e idosos foi a que mais aumentou

Por Rosa Ramos, in iOnline

Estatísticas da APAV mostram que, em 13 anos, a violência contra crianças aumentou cinco vezes


As crianças e os idosos são os grupos em que a violência doméstica mais aumentou nos últimos 13 anos. As estatísticas da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) divulgadas ontem mostram que as vítimas de violência em casa com mais de 65 anos quase triplicaram entre 2000 e 2013, passando de 240 casos registados para 603.

No mesmo período, a violência doméstica contra crianças e jovens também aumentou: se em 2000, 88 crianças com menos de 10 anos foram vítimas de violência, o número subiu para 469 no ano passado. Na faixa etária entre os 10 e os 17 anos, os casos reportados à APAV também subiram consideravelmente, de 105 para 368.

Ainda assim, a violência contra idosos e crianças continua a ser residual, olhando as estatísticas de forma global. Em 2013, a violência infligida a pessoas com mais de 65 anos representou 8,3% do total de casos, enquanto que a violência doméstica envolvendo menores representou 11,6%. No total, a APAV registou, no ano passado, 7265 vítimas de violência doméstica - sendo a faixa etária entre os 35 e os 40 anos a que regista mais situações, com 716. Porém, as vítimas nestas faixas etárias têm vindo a diminuir. Em 2000, a APAV sinalizou 1191 vítimas de violência em casa com idades entre os 36 e os 45 anos, enquanto que no ano passado o número de situações nesta faixa etária baixou para 716.

O que parece não ter mudado ao longo dos últimos 13 anos é o perfil-tipo das vítimas: continuam a ser sobretudo mulheres (85% das situações) e os agressores maioritariamente homens. Já a relação vítima/autor do crime que regista maior número de casos é a de cônjuge ou companheiro, com um total de 53 506 casos entre 2000 e 2013.

No relatório mais recente sobre o fenómeno, a APAV sublinha que, "na violência doméstica em sentido lato" predominam os crimes de "violação", "violação da obrigação de alimentos" e "abuso sexual", com 1877, 1505 e 1472 casos, respectivamente. "Na violência doméstica em sentido estrito", destacam-se os crimes de "maus-tratos psíquicos", com o registo de 56344 casos, seguido dos "maus-tratos físicos", com 50935 casos. A associação destaca, por outro lado, que nos últimos 13 anos se registaram 619 homicídios em contexto doméstico.

24.11.12

Governo apresenta campanha contra violência doméstica com foco nas crianças

in Jornal de Notícias

O Governo apresenta, esta sexta-feira, a nova campanha contra a violência doméstica que este ano pretende chamar a atenção para os efeitos negativos nas crianças que presenciam atos de violência contra as mães.

A campanha é lançada pela Comissão para a Igualdade de Género (CIG) e serve para assinalar o Dia Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra as Mulheres, a 25 de novembro, contando com a presença do ministro Miguel Relvas e da secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais, que tutela a CIG.

"A campanha deste ano tem como objetivo alertar para os efeitos nefastos que a violência exercida sobre as mães tem sobre os seus filhos que ficam marcados por essa violência para toda a vida", lê-se num comunicado do gabinete do ministro.

Acrescenta que "os números do Relatório Anual de Segurança Interna relativos ao ano passado vieram mostrar que 41,5% das situações reportadas às forças de segurança foram presenciadas por crianças" e que, por isso, "a nova campanha pretende apelar a todas as pessoas no sentido de expressarem a sua indignação relativamente à persistência desta forma de violência que vitimiza idosos e crianças mas se exerce maioritariamente sobre as mulheres".

A campanha insere-se nas Jornadas Nacionais Contra a Violência Doméstica e é apresentada pelas 15:00 no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Estas jornadas decorrem até dia 15 de dezembro e "pretendem colocar o fenómeno da violência doméstica e de género no centro das atenções do debate público".

Para isso estão previstas diversas iniciativas em áreas como a segurança, justiça, saúde, educação, segurança social, emprego, em cooperação com autarquias, universidades, organizações internacionais e não-governamentais, bem como países de expressão portuguesa.