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8.4.21

Redes sociais usadas para defender um discurso digno

 By Fátima Missionária

Campanha alerta para seis tipos de discriminação, como o machismo, o racismo e a homofobia. Todos os internautas são chamados a participar na campanha, através da difusão de mensagens que visam gerar uma reflexão sobre diversos preconceitos

Cinco mensagens de alerta para a discriminação estão a ser amplamente difundidas online, no âmbito de uma campanha lançada pela Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN Portugal). A campanha é exclusivamente direcionada para as redes sociais e encontra-se a mobilizar diversas figuras públicas, que envergam t-shirts com as palavras que dão forma à campanha.

É possível ler mensagens como: “Faziam bem era se fossem trabalhar com ordenados dignos. Se vêm para cá têm é que respeitar e ser respeitados. Toda a gente sabe que o lugar da mulher é onde ela quiser. Vai mas é para a tua terra, aqui não há lugar para o racismo. Se tem algum jeito, uma pessoa ser aquilo que é”.

A campanha alerta assim para seis forma de discriminação: o classismo, xenofobia, machismo, racismo, homofobia e transfobia. Miguel Januário, mentor da campanha, explica que esta é uma forma de “defender um discurso humano, digno e com algum humor, com o objetivo de desarmar a futilidade com que muitas dessas ofensas são proferidas, provocando uma reflexão crítica sobre esses preconceitos”.

Com um âmbito nacional, a campanha contra o discurso do ódio tem como lema “O discurso de ódio não é argumento”, sendo difundida com as hastags “Dar a volta ao texto” e “EAPN”. A campanha foi lançada terça-feira, 6 de abril, no contexto da oitava edição da Semana da Interculturalidade, que está a decorrer até ao próximo domingo, dia 11. Todas as pessoas são convidadas a aderir à campanha, através da difusão destas mensagens. “Não hesite. Junte-se a nós neste combate ao preconceito”, apela a EAPN 

"VAI MAS É PARA A TUA TERRA" E AS OUTRAS FRASES DA CAMPANHA CONTRA O DISCURSO DE ÓDIO

 TVi24

Estes são os slogans que estão a ser partilhados nas redes sociais, integrados numa campanha contra o discurso de ódio promovida pela associação sem fins lucrativos EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza. A campanha pega em algumas frases que costumam ser usadas no discurso de ódio mas dá-lhes um novo sentido, para mostrar como os preconceitos não correspondem à realidade. É por isso um dos hashtags usados é "dar a volta ao texto".

7.4.21

Dar a volta a frases que ouvimos demasiadas vezes, porque “o discurso de ódio não é argumento”

in P3

Quando se dá a volta ao texto, uma frase ofensiva pode tornar-se num grito de guerra, numa reivindicação. "Vai mas é para a tua terra?" Pode ser complementada com: "Aqui não há lugar para o racismo". "Faziam bem se fossem trabalhar"? Com "salários dignos". É o que a European Anti Poverty Network (EAPN) Portugal está a fazer, com a campanha "O Discurso de Ódio não é Argumento", que se insere no âmbito da Semana da Interculturalidade — a sexta edição organizada pela EAPN.

"Começamos a perceber que as questões do discurso de ódio têm vindo a ganhar muito espaço e achamos que seria importante organizar uma campanha contra ele", contextualiza Sandra Araújo, directora executiva da EAPN Portugal. Por isso, convidaram o criativo Miguel Januário para "pegar em algumas narrativas e ideias estereotipadas, frases típicas de discurso de ódio e tentar contra-argumentar com algum sentido de humor".

Nasceu assim uma campanha para alertar para diferentes tipos de discriminação e desconstruir frases feitas, que está a ser, desde esta terça-feira, amplamente divulgada nas redes sociais com a hashtag #Daravoltaaotexto. O escritor Valter Hugo Mãe, Rosa Monteiro, secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade e Surma são algumas das personalidades que vestiram (literalmente) a camisola da campanha — que também imprimiu as frases em t-shirts. Apesar de não estar previsto inicialmente, vão ser feitas t-shirts para venda. Os interessados devem enviar email para a EAPN (geral@eapn.pt) e indicar qual a frase que pretendem. Todas elas "simples, mas que fazem parte do nosso quotidiano e nos dizem muito".

Notícia actualizada às 18h07 de 6 de Abril de 2021: foram acrescentadas declarações de Sandra Araújo ao P3.