por Lusa, publicado por Luís Manuel Cabral, in Diário de Notícias
O pedopsiquiatra Fernando Santos alertou hoje para o aumento de casos de automutilação e alertou para a necessidade de os profissionais estejam atentos aos seus sinais, mesmo quando não forem a principal razão da consulta.
O tema da automutilação vai ser abordado sábado nas conferências do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil (CADIn) sobre "Adolescência e Transição para a Vida Adulta", na qual participa Fernando Santos.
Este psiquiatra da infância e da adolescência considera que têm aumentado as queixas e consultas por causa desta prática que pode pôr em risco a vida, nomeadamente pela forma como a lesão é feita.
Os antebraços, as coxas e o abdómen são os locais em que os jovens e adolescentes mais se cortam, por serem "sítios que, embora se fácil acesso, se podem esconder e tapar".
O especialista sublinhou que estes sítios criam características que podem funcionar como sinais indicadores, tais como a roupa que tapa o corpo, mesmo no verão, e a recusa em ir à praia.
Segundo Fernando Santos, a automutilação é "um ato solitário, embora estejam descritas situações potenciadas por grupos".
De uma maneira geral, adiantou, o recurso à automutilação visa lidar com situações que os jovens atravessam: ansiedades, frustrações, grandes instabilidades.
"A pessoa corta-se para canalizar o pensamento para a dor física, pois nessa altura o desconforto emocional desaparece", disse.
O pedopsiquiatra sublinha que quem se auto mutila tem "determinadas características em termos emocionais", sendo habitualmente pessoas com tendência para o isolamento".
Sobre as razões para o aumento de jovens que recorrem a esta prática, o especialista disse não ser possível associar, para já, à crise, pelo menos de uma forma direta.
"Indiretamente, há mais instabilidade a nível familiar, existe mais instabilidade na sociedade. Mas a pessoa precisa de ter determinadas características para ter esse comportamento, independentemente desse estímulo que possa haver na sociedade".
O especialista defende uma especial atenção para os quadros de automutilação, mesmo que esta não seja a principal razão da consulta.
"Devemos incluir uma pesquisa dessa situação para saber se há alguma coisa que indicie esta prática", disse.
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23.5.14
16.3.12
15% dos adolescentes mutilam-se por stresse
Leonor Paiva Watson, in Jornal de Notícias
Cerca de 15% dos adolescentes portugueses já se magoaram a eles próprios de propósito. A tendência - demonstrada num estudo da Organização Mundial de Saúde - "é preocupante", diz especialista.
Podem, por exemplo, cortar, queimar ou beliscar uma qualquer parte do próprio corpo. São miúdos entre os 11 e os 16 anos e 12,6% já o fez entre uma e três vezes e 3% quatro ou mais vezes. Diz quem sabe que "a violência auto dirigida é a estratégia que arranjam para lidar com o stress". É, acima de tudo, uma tendência "muito preocupante" e que "pede um debate e uma reflexão alargada", defendeu Margarida Gaspar de Matos, coordenadora da OMS portuguesa, que desde 1998 - e a cada quatro anos - elabora um estudo sobre os comportamentos dos adolescentes.
Cerca de 15% dos adolescentes portugueses já se magoaram a eles próprios de propósito. A tendência - demonstrada num estudo da Organização Mundial de Saúde - "é preocupante", diz especialista.
Podem, por exemplo, cortar, queimar ou beliscar uma qualquer parte do próprio corpo. São miúdos entre os 11 e os 16 anos e 12,6% já o fez entre uma e três vezes e 3% quatro ou mais vezes. Diz quem sabe que "a violência auto dirigida é a estratégia que arranjam para lidar com o stress". É, acima de tudo, uma tendência "muito preocupante" e que "pede um debate e uma reflexão alargada", defendeu Margarida Gaspar de Matos, coordenadora da OMS portuguesa, que desde 1998 - e a cada quatro anos - elabora um estudo sobre os comportamentos dos adolescentes.
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