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1.7.14

Portugal é o país com mais mães com filhos menores de seis anos a trabalhar a tempo inteiro

in Público on-line

Estudo europeu mostra também que os avós portugueses são dos que mais cuidam dos netos.

Portugal é o país com o maior número de mães com filhos até aos seis anos a trabalhar a tempo inteiro e um dos países em que os avós cuidam mais dos netos, revela um estudo europeu.

O estudo A prestação de cuidados pelos avós na Europa faz uma análise comparativa sobre as políticas familiares e a sua influência no papel dos avós enquanto prestadores de cuidados infantis na Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Grécia, Itália, Holanda, Espanha, Suécia, Suíça, Portugal, Espanha Itália e Roménia.

Segundo o estudo, a que a agência Lusa teve acesso, mais de 40% dos avós dos países europeus analisados prestam cuidados aos netos sem a presença dos pais, sendo que os países do sul da Europa — Portugal, Espanha, Itália mas também a Roménia — são os que apresentam uma maior percentagem de avós a cuidar de netos a tempo inteiro.

Os autores do estudo explicam que nestes quatro países "as prestações sociais pagas aos pais e às mães que ficam em casa são limitadas" e "há pouca oferta de estruturas formais de acolhimento de crianças e poucas oportunidades das mães trabalharem a tempo parcial".

Entre os países estudados, Portugal apresenta "a mais elevada percentagem de mães com filhos com idades inferiores aos seis anos que trabalham a tempo inteiro".

Em Portugal, Espanha, Itália e Roménia, as mães trabalham frequentemente mais de 40 horas por semana, adianta o estudo financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, que será apresentado na terça-feira, em Lisboa.

O estudo atribui esta "maior dependência dos cuidados intensivos prestados pelas avós" há pouca oferta de estruturas formais de acolhimento de crianças a preços acessíveis.

Com excepção da Roménia, nestes países há menos avós a prestar cuidados ocasionais ou menos intensivos sem a presença dos pais.

Os países com maior recurso a estruturas formais de acolhimento de crianças (Suécia e Dinamarca) são os que apresentam as percentagens mais reduzidas no que se refere à prestação de cuidados infantis intensivos pelas avós.

A investigação adverte que, tendo em conta que as avós entre os 50 e os 69 anos "que não exercem empregos remunerados são as que apresentam maiores probabilidades de prestar cuidados infantis, os planos dos governos europeus para o aumento das idades de reforma e da participação feminina na vida profissional em idades mais avançadas são susceptíveis de entrar em conflito com o papel dos avós no que se refere à prestação de cuidados infantis".

Para os autores do estudo, "isto terá implicações significativas ao nível da participação das mães mais jovens no mercado de trabalho e na obtenção de pensões e de segurança financeira por parte das mulheres de meia-idade".

O estudo refere também que Portugal tem assistido a um aumento dos agregados familiares de avós com três gerações, enquanto a Inglaterra e o País de Gales, França e Alemanha Ocidental têm assistido a uma diminuição da percentagem de adultos com 35 ou mais anos a viver neste tipo de família.

"Tanto os agregados familiares de avós com três gerações como os sem continuidade geracional estão associados à pobreza e falta de recursos socioeconómicos em todos os países estudados", salienta.

Os adultos que vivem em agregados familiares com avós apresentam maiores probabilidades de serem mulheres, divorciadas, viúvas ou separadas, com níveis de instrução mais baixos e economicamente inactivas, "o que é particularmente notório nos que vivem em agregados familiares de avós sem continuidade geracional".

26.7.12

"Precisamos de avós activos"

por Ricardo Vieira, in RR

Há hábitos saudáveis que permitem retardar a acção do tempo


Dia Mundial dos Avós assinala-se esta quinta-feira. 2012 é o Ano do Envelhecimento Activo.

"Precisamos de avós activos" e de encarar a questão do envelhecimento de outra maneira, defende o médico Rui Nogueira, especialista em clínica geral e familiar.

O aumento da esperança de vida da população é uma boa notícia, mas também representa um desafio para uma sociedade em que a média de idades vai ser cada vez mais elevada.

O médico Rui Nogueira, em declarações à Renascença, considera que “é preciso investir e dedicar mais tempo ao envelhecimento" e a encontrar actividades em que as pessoas com mais de 65 anos possam continuar a dar o seu contributo.

“Vamos precisar da actividade dessas pessoas, essas pessoas têm de contar para a sociedade, têm de contar com actividade válida e útil para a sociedade.”

Para Rui Nogueira, o segredo de um envelhecimento activo e com maior qualidade de vida começa ainda antes de aparecerem os cabelos brancos.

"A Organização Mundial de Saúde elegeu este ano como o Ano do Envelhecimento Activo. Eu admito mesmo que o envelhecimento é tanto mais activo quanto mais conseguirmos dinamizar actividades antes do próprio envelhecimento. As pessoas mais activas tendem a manter actividade mesmo com o seu envelhecimento normal, as pessoas menos activas tendem a manter ou a agravar a sua inactividade à medida que vão envelhecendo", salienta.


Dicas simples para envelhecer com mais saúde
Com a terceira idade vêm as doenças, no entanto, é possível retardar a acção do tempo seguindo hábitos de vida saudáveis e tendo acompanhamento clínico.

Desde logo, o médico Rui Nogueira recomenda “actividade física diária moderada, mas que deve começar tão cedo quanto possível”.

Por outro lado, a alimentação deve ser cuidada e, sobretudo nesta altura do Verão, a ingestão de água fundamental para o bom funcionamento do organismo.

“As bebidas alcoólicas, de facto, são prejudiciais”, sublinha Rui Nogueira, e, em alternativa, pode optar por chá ou café, “bebidas estimulantes que previnem o envelhecimento e as demências”.

“O café sofre de muitos mitos”, porém, ingerido com moderação e com pouco açúcar “é perfeitamente aceitável”, diz o especialista em clínica geral e familiar.

“O café em si mesmo não é nefasto para a saúde e é benéfico nalgumas circunstâncias, quer em relação às demências próprias do envelhecimento, quer em relação à pele, mesmo ao estado de vigília que as pessoas precisam de ter, de acção, de actividade. Tem mesmo sido estudado em relação a doenças como Alzheimer, Parkinson, doenças que são degenerativas, são problemas neurológicos e que beneficiam ou são prevenidos com a ingestão de café, em doses moderadas, duas a quatro bicas por dia.”

Neste Dia Mundial dos Avós, outro conselho para envelhecer com saúde e qualidade de vida é tentar prevenir quedas e acidentes, nomeadamente através da eliminação dentro de casa de barreiras arquitectónicas, como degraus ou outros obscáculos difíceis de ultrapassar.

Quanto vale um avô para a família?

in Jornal de Notícias

Há famílias que garantem poupar um salário com a ajuda dos avós na educação dos netos, um cálculo que está a ser feito por investigadores nacionais que querem saber quanto vale um idoso. Um estudo pertinente, neste dia dos avós.

No Centro de Administração e Políticas Públicas, uma equipa de investigadores está a tentar descobrir o valor económico dos mais velhos e espera conseguir ter resposta à questão dentro de dois anos.

Nestas contas entram "desde o trabalho doméstico, a ficar com os netos ou o trabalho desenvolvido pela população da província que nunca deixa de trabalhar", explicou Fausto Amaro, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP).

"Quando um avô toma conta de um neto, a família economiza um salário. Além do bem-estar e segurança que um idoso representa, há uma vantagem económica", sublinhou o investigador.

Em 2010, cerca de 274 mil crianças frequentavam o pré-escolar. De fora, estavam quase 454 mil. Nos infantários das Instituições de Solidariedade Social, as mensalidades rondam os 300 euros, sendo gratuitas para as famílias carenciadas. No privado, os valores podem ultrapassar os 400 euros mensais.

Muitas famílias encontram nos avós uma solução para os filhos. Joana Fonseca, 42 anos, tinha comprado casa há pouco tempo quando o Salvador nasceu.

"Na altura, se tivesse de colocar o Salvador numa creche teria de fazer uma mudança radical na minha vida. Um berçário em condições custa em média 400 euros. Como ficou em casa dos avós, poupámos essa mensalidade", recorda a mãe, sublinhando que a opção foi vantajosa para o desenvolvimento emocional da criança.

"Os idosos não podem ser vistos como um encargo, mas como uma oportunidade", defendeu o investigador, lembrando que "os mais velhos podem ser muito úteis e produtivos. Não são descartáveis".

Para as famílias que têm crianças na escola pública, o problema coloca-se todos os anos, quando as férias se aproximam: os trabalhadores têm 22 dias de descanso e as crianças do 1º ciclo têm 102 dias.

"Os avós são o meu suporte. Quanto tenho de ficar a trabalhar até mais tarde, vão buscar as miúdas à escola. E nas férias também conto com eles. Todos os obrigados do mundo nunca serão suficientes para lhes agradecer", admite Helena Marques, mãe de duas meninas.

Segundo dados do Eurostat relativos a 2010, uma em cada quatro mulheres com mais de 50 anos deixa de trabalhar, alegando responsabilidades pessoais e familiares. Uma em cada quatro crianças diz que os avós os vão buscar à escola, revela a investigação "Relações Intergeracionais: Um estudo na área de Lisboa", realizado no ano passado num jardim de infância de Alenquer.

Quem não tem um "avô" por perto pode ter de recorrer às atividades de tempos livres. As escolas e autarquias têm programas mas, na maioria dos casos, não ocupam todo o período de férias. Em Lisboa, por exemplo, o município ofereceu dez dias de praia a cinco mil crianças entre os seis e os 12 anos. Terminado o programa municipal, muitas famílias tiveram de procurar atividades em instituições privadas, que rondam em média os 100 euros semanais.

Atualmente, "perante as dificuldades dos jovens, muitos pais e avós acabam por ajudar financeiramente os filhos", sublinha o investigador do ISCSP.

É o caso de Isabel Ribeiro, 26 anos, que vive no Algarve com a sua filha. Mariana vê os avós poucas vezes, mas conta com a sua ajuda para pagar o colégio.

Para o presidente da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, Fernando Castro, o valor do apoio dos avós "não é traduzível em euros, porque as coisas mais valiosas não tem preço".