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28.4.23

Conselho de Ministros aprova pagamento de meia pensão aos bancários

Por Lusa, in Público online

Reformados bancários dos fundos de pensões privados da banca vão receber um valor equivalente a meia pensão, numa medida que abrange mais de 50 mil pensionistas.

O decreto-lei que vai permitir o pagamento da meia pensão aos pensionistas do sector bancário foi aprovado esta quinta-feira em Conselho de Ministros, segundo um comunicado publicado no portal do Governo.

“Foi aprovado o decreto-lei que cria o complemento excepcional para pensionistas do sector bancário”, refere o comunicado emitido após a reunião, que decorreu em Algés.

“Por razões justiça e de equidade, concretiza-se uma solução jurídica que alarga aos pensionistas do sector bancário o complemento excepcional a pensionistas atribuído em Outubro de 2022 no âmbito das medidas de apoio às famílias para mitigação dos efeitos da inflação”, acrescentou o executivo no documento.

O diploma foi aprovado cerca de dois meses depois da assinatura de um memorando de entendimento entre sindicatos e ministro das Finanças.

Assim, os reformados bancários dos fundos de pensões privados da banca vão receber um valor equivalente a meia pensão, numa medida que abrange mais de 50 mil pensionistas, disse em Fevereiro o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, após a assinatura do acordo entre Governo, banca e sindicatos bancários da UGT.

Na ocasião, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Nuno Santos Félix, afirmou que a medida deverá ter um custo para o Estado próximo dos 40 milhões de euros.

Em Outubro passado, no âmbito do pacote de apoios às famílias para responder à inflação, o Governo pagou um complemento excepcional aos pensionistas (reformados da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações) equivalente a cerca de meia pensão. Contudo, o pagamento não incluiu os bancários que recebem exclusivamente pensões de reforma pagas pelos fundos de pensões dos bancos, o que levou à contestação dos sindicatos.

No passado dia 24 de Fevereiro, Governo, Associação Portuguesa de Bancos (APB) e os sindicatos bancários da UGT assinaram o memorando de entendimento, que estabelecia que o dinheiro seria adiantado pelos fundos de pensões dos bancos e depois pago a estes pelo Estado.

Na ocasião, Santos Félix explicou que o complemento seria financiado pelo Orçamento Geral do Estado. “A diferença aqui é que o pagamento é feito pelos fundos de pensões porque são estes que têm uma relação financeira, directa, com estes pensionistas", afirmou, então, Santos Félix.

Como aconteceu no ano passado, o apoio extra equivalente a 50% da pensão é atribuído a pensionistas com pensões de valor inferior a 12 Indexantes de Apoios Sociais (IAS), cerca de 5300 euros. O valor é tributado em IRS de forma autónoma da pensão mensal.

No caso destes pensionistas que receberam o apoio de 125 euros (atribuído pelo Governo também em Outubro para trabalhadores com rendimento até 2700 euros mensais brutos), esse valor será descontado na meia pensão, disse o secretário de Estado.



21.2.14

Cerca de 80% dos pensionistas recebem reforma média de 364 euros

Pedro Crisóstomo, in Público on-line

Mais de quatro meses depois de apresentar o OE, o Governo publicou o “Orçamento Cidadão”. Onde é gasto o dinheiro dos contribuintes? Como se distribuem as pensões? Síntese das Finanças dá algumas pistas.

Em que valências é aplicada a despesa pública? De onde vem a receita do Estado? Como se distribuem as pensões de velhice? Em que projecções se baseia o Governo para prever as receitas e as despesas? E como resumir numa linguagem simples e em poucas linhas os mapas, artigos, alíneas, números e quadros das 239 páginas da Lei do Orçamento do Estado? Foi para resolver esta última pergunta (e dar resposta às primeiras) que o Ministério das Finanças lançou nesta quinta-feira o primeiro “Orçamento Cidadão” — uma síntese das principais medidas orçamentais do lado da despesa e da receita para 2014.

Em 31 páginas, é explicado não só o que é, afinal, um orçamento — e o que lá está inscrito —, mas também o que, segundo o Governo, justifica as decisões que decorrem dessa política. Uma das análises do documento tem a ver com as pensões e o seu peso na despesa pública. Segundo o Ministério das Finanças, 79,6% dos pensionistas da Caixa Geral de Aposentações (CGA) e da Segurança Social recebem uma pensão média mensal de 364 euros. Ao todo, são 1,9 milhões de pensionistas, um universo onde estão, por exemplo, reformados do regime não contributivo ou que recebem pensões do regime agrícola.

As pensões pagas pela CGA e Segurança Social ascendem a 19.240 milhões de euros num total de 2.408.881 pensionistas. Na análise das Finanças, são consideradas apenas as pensões de velhice ou as pessoas “que as recebem acumulando com outras prestações, como pensões de sobrevivência ou invalidez”, não sendo contabilizados os beneficiários que ainda estão no activo e que recebem alguma outra prestação.

Para o economista Paulo Trigo Pereira, presidente do Institute of Public Policy Thomas Jefferson – Correia da Serra, think tank que colaborou na elaboração do documento, estes dados “mostram a desigualdade que existe em Portugal” na velhice.

Mas também em relação aos escalões de rendimento dos agregados familiares os dados reflectem essa desigualdade, diz ao PÚBLICO Trigo Pereira, chamando a atenção para o facto de 65,6% dos contribuintes terem rendimentos anuais colectáveis inferiores a dez mil euros.

9,4% da despesa na aquisição de bens e serviços na saúde
O “Orçamento Cidadão” traça ainda uma visão global sobre onde é gasto o dinheiro dos contribuintes em 2014. Dos 75.860 milhões de euros da despesa do Estado (administração central e Segurança Social), dois terços representam gastos com “transferências para famílias, instituições de solidariedade social e para o exterior (por exemplo União Europeia), juros, subsídios a empresas e transferências para a administração regional e local”. Um terço tem a ver com gastos com pessoal e aquisição de bens e serviços. Mais à lupa: 43,8% são transferências correntes, 15,1% representam despesas com pessoal, 9,9% com juros e encargos associados e 13% na compra de bens e serviços na saúde (9,4% na saúde e apenas 3,6% nos restantes áreas).

E de onde vem a receita do Estado? As receitas de impostos garantem mais de metade do total (25% conseguidos em impostos directos e 29% em impostos indirectos). E a estes somam-se as contribuições pagas pelas entidades patronais e pelos trabalhadores à Segurança Social (27%), receitas correntes (16%) e receitas de capital da União Europeia (3%).

No montante que entra para os cofres do Estado através dos impostos (35.651 milhões de euros segundo a previsão do executivo), são seis as principais fontes de colecta: o IRS, o IRC, o IVA, o imposto sobre o tabaco, o imposto sobre produtos petrolíferos e energéticos, e o imposto de selo.

No documento de 31 páginas, as Finanças tentam responder a outras perguntas: o que é um orçamento do cidadão, como se faz, como se aprova, quais os documentos que o compõem ou como se monitoriza a previsão das receitas e de despesas ao longo do ano.

E dá ainda algumas pistas sobre o que está na base dessas projecções: “Para prever as receitas que serão arrecadadas e as despesas que terão que ser efectuadas, é necessário ter uma previsão da evolução da economia nacional, bem como da economia internacional que a condiciona. O cenário macroeconómico constitui essa previsão, sendo assim uma componente central do OE. Inclui as previsões quanto à conjuntura económica internacional (nomeadamente a evolução do preço do petróleo e a evolução das economias da área do euro) e as previsões em relação à evolução da economia nacional (incluindo o PIB, taxa de inflação e taxa de desemprego)”, lê-se no documento.

Documento publicado com atraso
A publicação tem o carimbo do Ministério das Finanças e foi preparada com a colaboração do think tank dirigido pelo economista Paulo Trigo Pereira.

O executivo previa divulgar o documento poucas semanas depois da apresentação do OE no Parlamento, mas a síntese só foi publicada no site do Governo mais de quatro meses depois de 15 de Outubro, o dia em que a proposta chegou às mãos de Assunção Esteves, presidente da Assembleia da República. Pelo meio, o orçamento entrou em vigor em vigor e foi já apresentado um orçamento rectificativo para acomodar o impacto orçamental do corte nas pensões acima de 600 euros pagas pela Caixa Geral de Aposentações (CGA), declarado inconstitucional.

Segundo a TSF, o secretário de Estado do Orçamento, Hélder Reis, explicou que o atraso na publicação da síntese se deveu fundamentalmente à demora do ministério na resposta aos pedidos do think tank.

A ideia de lançar este projecto, explicou Paulo Trigo Pereira, surge enquadrada “numa iniciativa de transparência orçamental à escala mundial”, o Open Budget Initiative, para “tornar acessível aos cidadãos o processo orçamental”, com gráficos, quadros coloridos, explicações curtas, informações simplificadas ou um pequeno glossário.

21.4.13

Situação da Caixa Geral de Aposentações "é insustentável"

in RR

Especialista refere que se continuarem a sair funcionários públicos, o défice da CGA aumenta e terá de ser uma verba maior do Orçamento do Estado a tapar o buraco.

A situação da Caixa Geral de Aposentações (CGA) "é insustentável", alerta Jorge Bravo. O especialista em sustentabilidade da Segurança Social diz que os despedimentos que se anunciam na função pública vão agravar ainda mais o défice da instituição.

“A saída de funcionários públicos desde logo reduz o número de subscritores e quotizantes da Caixa Geral de Aposentações que, no fundo, é o regime de protecção dos funcionários públicos”, argumenta Jorge Bravo, em declarações ao programa da Renascença “Em Nome da Lei”.

O especialista recorda que, “desde os finais de 2005, não entram novos subscritores para a CGA, portanto, é um regime fechado que, cada ano, vai perdendo contribuintes e quotizantes, mas continua assumir encargos com pensões e outras prestações”.

Quer isto dizer, que “vai ver anualmente aumentar o seu défice entre termos de relação entre contribuições e prestações sociais”. Segundo Jorge Bravo, “em 2011, apenas um terço das prestações, sobretudo com pensões de velhice da CGA, foram pagas com contribuições e quotizações. Tudo o resto foi pago com transferências do Orçamento do Estado”. “Isso é insustentável”, alerta.

Já Luís Gonçalves da Silva, especialista em direito do trabalho, avisa que pode vir aí mais um drama social se forem os funcionários públicos mais velhos e com menos habilitações a serem os alvos dos despedimentos. Essas pessoas nunca vão conseguir encontrar trabalho e o Governo não pode deixar de ter isso em conta.

“Sabemos hoje, de acordo com os dados do desemprego, que pessoas com 45 ou 50 anos não voltam ao mercado de trabalho. Aumentando a longevidade, parece-me que é dramática essa situação”, sublinha Luís Gonçalves da Silva.

Para o professor de direito público, Luís Fábrica, “não podemos ter ilusões”. “O problema que se levanta é que não conseguimos fazer os cortes que os nossos credores nos exigem sem ir onde dói e onde dói é nos salários, nas prestações sociais e nas pensões”.

Já o deputado do PS Pedro Marques acusa o Governo de seguir opções a que nem sequer está obrigado pela “troika”, lembrando que quando foi secretário de Estado da Segurança Social negociou com os nossos credores internacionais e estes não quiseram nenhuma medida sobre pensões no memorando, por acreditarem na sustentabilidade do sistema português.

Pedro Marques defende ainda que não faz sentido a opção do Governo de querer continuar a aplicar uma contribuição social a quem recebe subsídios de desemprego ou de doença, isentando apenas as prestações mínimas. “Não faz nenhum sentido, porque sistema de Segurança Social é um estabilizador automático também até do ponto de vista económico, mas sobretudo do ponto de vista social”, sublinha o socialista.

Segundo o argumento de Pedro Marques, “isto quer dizer que quando há situações de fragilidade social, por via do desemprego ou da doença, existem as prestações sociais, as pessoas descontaram para ter direito às prestações e não se deve, do meu ponto de vista, escolher fazer amiúde esta lógica que é: como aumenta muito o desemprego e há muita gente a receber prestações, vamos lá e cortamos o valor das prestações que as pessoas estão a receber”.

O programa da Renascença “Em Nome da Lei” que será emitido este sábado, entre as 12h00 e as 13h00.