Filipe S. Fernandes, in Negócios on-line
Em 2021, o Santander lançou programas de empreendedorismo social e concedeu mais de 5 mil bolsas socioeconómicas e de capacitação a estudantes. Esta instituição financeira tem já convénios com mais de 40 universidades.
Para Inês Oom de Sousa, presidente da Fundação Santander Portugal e responsável a nível europeu de ESG do Santander, a sustentabilidade empresarial passa pela aplicação dos critérios ambientais, sociais e de governança que estão contidos na sigla ESG (Environmental, Social and Governance). "Baseamos a nossa ação nos 17 objetivos para o desenvolvimento sustentável da Agenda 2030 da ONU, sendo que o Grupo se quer focar em onze. O nosso objetivo é liderar na transição climática e na educação, e ter um papel relevante na economia social."
Na vertente ambiental, a estratégia passa por "alinhar o nosso portefólio de acordo com os objetivos de Paris, e por ter uma pegada ambiental muito reduzida nas nossas próprias operações. No que diz respeito ao nosso portefólio, a nossa estratégia ESG influencia a forma como financiamos os clientes e os ajudamos a fazer a transição para uma economia mais verde."
Governança ética e robusta com processos transparentes e simples
Na dimensão social, os desafios do Santander passam por atrair e reter talentos, pela preocupação com o bem-estar dos colaboradores, e por um foco importante na educação.
"É um dos nossos projetos estratégicos. Acreditamos que, através da educação, conseguimos apoiar e desenvolver a economia, reduzir a pobreza e a desigualdade", afirma. Por isso, o Santander tem convénios com mais de 40 universidades, e, em 2021, concedeu mais de 5 mil bolsas a estudantes, não só socioeconómicas, mas bolsas de capacitação, tendo igualmente lançado programas para empreendedorismo social. Inês Oom de Sousa revela que o Santander tem um programa para os colaboradores em que estes selecionam as IPSS que o banco deve apoiar, através de uma votação para se elegerem seis ou sete projetos. "Depois, o banco não só ajuda financeiramente como pomos uma pessoa do Santander responsável por ajudar a desenvolver aquele projeto. Neste contexto, envolvemos também algumas faculdades que entram nesta nossa grande missão de capacitar as pessoas para o futuro."
Na parte da governança do Santander, o foco está "no que é que podemos fazer e garantir para termos uma governança ética e robusta, com processos transparentes e simples. Neste contexto, fizemos recentemente um estudo a nível do grupo sobre o que é um banco responsável. Curiosamente, para os clientes o mais importante é ter um banco que proteja a informação, invista em cibersegurança, e que tenha processos simples e transparentes. Descobrimos que os clientes valorizam muito a transparência total de um banco nas suas operações."
Desenvolver a literacia para a sustentabilidade
Em termos de sustentabilidade, Inês Oom de Sousa revelou um estudo do Santander a nível europeu que mostra que 80% das pessoas estão muito preocupadas com o ambiente, mas a maioria diz que este é um tema de governos e de empresas, revelando desconhecimento sobre de que forma o seu contributo e o seu comportamento podem contribuir para a resolução destas questões climáticas. Neste contexto, esta responsável do Santander defende que é necessário "desenvolver mais uma literacia para a sustentabilidade, para as pessoas perceberem o que devem fazer no seu dia a dia. Mas têm de ser coisas simples e para todos. Perceberem como podem fazer a diferença no dia a dia tanto na forma como se transportam, o que comem, o que podem fazer na habitação onde vivem com mais eficiência energética, com mudanças nas janelas, ou com a alteração de revestimento das paredes, para dar alguns exemplos."
Inês Oom de Sousa salientou ainda o papel e o aporte do sistema financeiro para que a sociedade faça a necessária transição ambiental. O que passa não só pelo financiamento das energias renováveis, por exemplo, mas também pelo apoio a habitações com eficiência energética, por mudanças na mobilidade, com transportes mais amigos do ambiente. "Um dos grandes objetivos do Grupo Santander é ajudar os nossos clientes, tanto empresas como particulares, a fazer esta transição para uma economia mais verde."
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4.3.22
22.4.21
Pilar Social deve ligar "combate à desigualdade" e transição verde
Por Notícias ao Minuto
O diretor do Instituto Europeu de Sindicatos, Philippe Pochet, defende que, para que o Pilar Europeu dos Direitos Sociais crie uma "dinâmica nova" na política social europeia, precisa de articular o combate à desigualdade com a transição climática.
"Penso que o Pilar Social criará um novo paradigma se conseguir juntas duas coisas: em primeiro lugar, fazer com que o objetivo seja o [combate à] desigualdade. [...] Em segundo lugar, inscrever [esse combate] claramente na transição climática", diz Pochet em entrevista à Lusa.
O politólogo, que em 2019 escreveu o livro 'À procura da Europa social', onde retrata a política social europeia desde a criação da União Europeia (UE), considera que o atual Pilar Europeu dos Direitos Sociais "parece-se muito" com a Estratégia de Lisboa, um plano estratégico desenvolvido em março de 2000 pela UE, que tinha como objetivo "modernizar o modelo social europeu através do investimento nos recursos humanos e da luta contra a exclusão social".
"Voltamos a ver uma mistura [de mecanismos] mais fortes e mais fracos, há objetivos, indicadores, etc... Voltamos a encontrar aquilo que começou a ser teorizado em Lisboa", aponta Philippe Pochet.
O diretor do Instituto Europeu de Sindicatos (ETUI, na sigla em inglês) adianta assim que, tendo em conta que as alterações climáticas "mostram-nos todos os dias que estamos a encaminhar-nos para outra sociedade", o Pilar Social deve "ter em consideração toda a série de mudanças que estão a ocorrer nos ambientes" e estar ligado a uma "visão" que "articula a redução das desigualdades" com a "agenda 'verde'".
Apesar disso, Philippe Pochet diz concordar "na generalidade" com os 20 princípios estabelecidos no Pilar, mas relembra que, aquando da sua adoção em Gotemburgo em 2017, não "estavam previstas" toda uma "série de medidas" que se tornaram necessárias com a atual pandemia de covid-19.
Nesse sentido, o investigador espera que a Cimeira Social do Porto, organizada pela presidência portuguesa nos dias 07 e 08 de maio, "envie um sinal forte" em termos de política social europeia e "dê um mandato à Comissão para tomar uma série de medidas".
"Entre essas medidas, uma que vai ser importante seguir, é a redução da pobreza, porque a covid-19 acentuou evidentemente as desigualdades e, por isso, a saída da crise vai ser extremamente importante para as questões de desigualdade e de pobreza", aponta.
Fazendo um balanço da ação da atual Comissão Europeia em termos de política social, o investigador considera que o executivo comunitário tem "apresentado novas discussões", que têm alterado o debate sobre a política social europeia, que deixou de se centrar na "questão da pobreza, que já encontrávamos em Lisboa" para passar a abordar também a "questão da desigualdade".
"A discussão sobre o salário mínimo, por exemplo, implica perceber qual é a convergência que se quer ao nível europeu, qual é o nível de desigualdade que desejamos... Claro que não vamos resolver isso tudo apenas através do salário mínimo, mas são questões que são extremamente importantes por si só, e já é um sucesso que sejam abordadas", aponta.
Referindo-se ao facto de a presidência portuguesa ter identificado a política social como uma prioridade, o investigador diz que a "vantagem de Portugal é que é um pequeno país que, no passado, conseguiu ter boas relações com um conjunto de países maiores".
Porque as presidências precisam de "capacidades diplomáticas para fazer com que, entre as prioridades [identificadas], haja um consenso que dura mais do que uma presidência".
"O que é importante neste tipo de agenda [social] é estabelecer um pilar ao qual, mais tarde, podemos regressar. Ou seja, enraizamos algo que permite dar, se se quiser, outro passo. Acho que Portugal conseguiu pôr-se nas condições apropriadas para lançar o Pilar. Agora vamos ver depois da cimeira...", ressalva o investigador.
A agenda social é uma das grandes prioridades da presidência portuguesa do Conselho da UE, que espera conseguir a aprovação do plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, apresentado pela Comissão Europeia em março, e que estabelece três objetivos.
Além de procurar garantir que, até 2030, pelo menos 78% da população europeia está empregada, o plano de ação pretende ainda que haja menos 15 de milhões de pessoas em risco de pobreza e que 60% dos adultos europeus participem anualmente em ações de formação.
Na Cimeira Social do Porto, a presidência portuguesa quer ver aprovado um programa com medidas concretas baseadas no Pilar Social Europeu, um texto não vinculativo de 20 princípios com o intuito de promover os direitos sociais na Europa.
O texto defende um funcionamento mais justo e eficaz dos mercados de trabalho e dos sistemas de proteção social, nomeadamente ao nível da igualdade de oportunidades, acesso ao mercado de trabalho, proteção social, cuidados de saúde, aprendizagem ao longo da vida, equilíbrio entre vida profissional e familiar e igualdade salarial entre homens e mulheres.
O diretor do Instituto Europeu de Sindicatos, Philippe Pochet, defende que, para que o Pilar Europeu dos Direitos Sociais crie uma "dinâmica nova" na política social europeia, precisa de articular o combate à desigualdade com a transição climática.
"Penso que o Pilar Social criará um novo paradigma se conseguir juntas duas coisas: em primeiro lugar, fazer com que o objetivo seja o [combate à] desigualdade. [...] Em segundo lugar, inscrever [esse combate] claramente na transição climática", diz Pochet em entrevista à Lusa.
O politólogo, que em 2019 escreveu o livro 'À procura da Europa social', onde retrata a política social europeia desde a criação da União Europeia (UE), considera que o atual Pilar Europeu dos Direitos Sociais "parece-se muito" com a Estratégia de Lisboa, um plano estratégico desenvolvido em março de 2000 pela UE, que tinha como objetivo "modernizar o modelo social europeu através do investimento nos recursos humanos e da luta contra a exclusão social".
"Voltamos a ver uma mistura [de mecanismos] mais fortes e mais fracos, há objetivos, indicadores, etc... Voltamos a encontrar aquilo que começou a ser teorizado em Lisboa", aponta Philippe Pochet.
O diretor do Instituto Europeu de Sindicatos (ETUI, na sigla em inglês) adianta assim que, tendo em conta que as alterações climáticas "mostram-nos todos os dias que estamos a encaminhar-nos para outra sociedade", o Pilar Social deve "ter em consideração toda a série de mudanças que estão a ocorrer nos ambientes" e estar ligado a uma "visão" que "articula a redução das desigualdades" com a "agenda 'verde'".
Apesar disso, Philippe Pochet diz concordar "na generalidade" com os 20 princípios estabelecidos no Pilar, mas relembra que, aquando da sua adoção em Gotemburgo em 2017, não "estavam previstas" toda uma "série de medidas" que se tornaram necessárias com a atual pandemia de covid-19.
Nesse sentido, o investigador espera que a Cimeira Social do Porto, organizada pela presidência portuguesa nos dias 07 e 08 de maio, "envie um sinal forte" em termos de política social europeia e "dê um mandato à Comissão para tomar uma série de medidas".
"Entre essas medidas, uma que vai ser importante seguir, é a redução da pobreza, porque a covid-19 acentuou evidentemente as desigualdades e, por isso, a saída da crise vai ser extremamente importante para as questões de desigualdade e de pobreza", aponta.
Fazendo um balanço da ação da atual Comissão Europeia em termos de política social, o investigador considera que o executivo comunitário tem "apresentado novas discussões", que têm alterado o debate sobre a política social europeia, que deixou de se centrar na "questão da pobreza, que já encontrávamos em Lisboa" para passar a abordar também a "questão da desigualdade".
"A discussão sobre o salário mínimo, por exemplo, implica perceber qual é a convergência que se quer ao nível europeu, qual é o nível de desigualdade que desejamos... Claro que não vamos resolver isso tudo apenas através do salário mínimo, mas são questões que são extremamente importantes por si só, e já é um sucesso que sejam abordadas", aponta.
Referindo-se ao facto de a presidência portuguesa ter identificado a política social como uma prioridade, o investigador diz que a "vantagem de Portugal é que é um pequeno país que, no passado, conseguiu ter boas relações com um conjunto de países maiores".
Porque as presidências precisam de "capacidades diplomáticas para fazer com que, entre as prioridades [identificadas], haja um consenso que dura mais do que uma presidência".
"O que é importante neste tipo de agenda [social] é estabelecer um pilar ao qual, mais tarde, podemos regressar. Ou seja, enraizamos algo que permite dar, se se quiser, outro passo. Acho que Portugal conseguiu pôr-se nas condições apropriadas para lançar o Pilar. Agora vamos ver depois da cimeira...", ressalva o investigador.
A agenda social é uma das grandes prioridades da presidência portuguesa do Conselho da UE, que espera conseguir a aprovação do plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, apresentado pela Comissão Europeia em março, e que estabelece três objetivos.
Além de procurar garantir que, até 2030, pelo menos 78% da população europeia está empregada, o plano de ação pretende ainda que haja menos 15 de milhões de pessoas em risco de pobreza e que 60% dos adultos europeus participem anualmente em ações de formação.
Na Cimeira Social do Porto, a presidência portuguesa quer ver aprovado um programa com medidas concretas baseadas no Pilar Social Europeu, um texto não vinculativo de 20 princípios com o intuito de promover os direitos sociais na Europa.
O texto defende um funcionamento mais justo e eficaz dos mercados de trabalho e dos sistemas de proteção social, nomeadamente ao nível da igualdade de oportunidades, acesso ao mercado de trabalho, proteção social, cuidados de saúde, aprendizagem ao longo da vida, equilíbrio entre vida profissional e familiar e igualdade salarial entre homens e mulheres.
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